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Rio adere à renovação
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2019 às 21:38

A final totalmente inesperada entre Laslo Djere, sérvio de 23 anos, e Felix Auger-Aliassime, revelação canadense que chama a atenção do tênis desde os 14 anos, colocou o Rio Open na rota cada vez mais inevitável da renovação do circuito masculino.

O lugar deles na decisão do Jockey Club foi mais do que merecido. Djere não tomou conhecimento do top 10 Dominic Thiem e Aliassime atropelou Fabio Fognini, ambos logo na estreia. O sérvio chamou menos a atenção ao longo da semana, já que Felix ganhou direito de jogar nas rodadas noturnas do estádio e fez grandes exibições sobre Jaume Munar e Pablo Cuevas. Vestiu a camisa da seleção brasileira e ganhou logo a simpatia da torcida.

Djere no entanto também tem muita qualidade sobre o saibro, onde se destaca a capacidade de explorar paralelas dos dois lados com grande precisão e oportunismo. É bem verdade que o duelo deste domingo não foi um grande espetáculo, já que os erros vieram em quantidade muito grande. Aliassime cometeu nada menos do que 47.

Mas deve-se dar desconto ao lado emocional do momento. Djere perdeu recentemente os pais e  não estava inteiro – logo de cara pediu atendimento para a coxa esquerda -, enquanto o canadense pareceu ter dificuldade no controle da ansiedade, o que não é novidade para quem o acompanha com frequência.

Apesar do desgaste, os dois estarão terça-feira no Brasil Open e já são atração. Agora 37º do mundo, Djere pega um quali italiano e depois o cabeça 2 Jaziri. E pode até reencontrar Aliassime nas quartas. O canadense sobe para 59º e estreia diante de Pablo Cuevas na terça-feira. Imperdível.

O retrato da renovação
Em apenas oito semanas de temporada 2019, o circuito masculino já tem seis tenistas que conquistaram seu primeiro troféu de nível ATP, e três deles da Next Gen: Alex de Minaur (Sydney), com 19; Reilly Opelka (Nova York), de 21; e agora Djere. A lista inclui ainda Tennys Sandgren (Auckland), Juan Ignacio Londero (Córdoba) e Radu Albot (Delray).

Com isso, a chance de superar os 13 debutantes de 2018 é grande. Esse montante igualou a marca de 2004, quando Rafael Nadal, Tomas Berdych, Robin Soderling e Feliciano López erguiam seus primeiros troféus.

Além dos três campeões, mais três outros nomes da nova geração também fizeram suas primeiras finais em 2019: Cameron Norrie, Brayden Schnur e Aliassime.

Mais destaques
– Belinda Bencic conquistou Dubai em grande estilo. Assim como havia feito quatro anos atrás no Canadá, derrotou quatro top 10 para levantar o título. A ex-número 7 irá avançar ao 23º posto do ranking, mas nunca é demais lembrar: tem ainda 21 anos!
– Stefanos Tsitsipas aumenta as façanhas da Next Gen, ao erguer seu segundo troféu de nível ATP, desta vez em Marselha. Está agora a apenas 130 pontos do top 10 Marin Cilic. A façanha fica para Indian Wells ou Miami, torneios que juntos o grego tem apenas 35 pontos a defender.
– Roger Federer estreia às 12h desta segunda-feira contra o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber. Dubai, sua segunda casa, parece lugar perfeito para o 100º troféu. A chave está boa.
– Rafa Nadal por sua vez encabeça Acapulco e, se estiver em forma, deve ir firme até as quartas, quando há chance de um confronto interessante contra Stan Wawrinka. Do outro lado, está Sascha Zverev.

Nadal se dá mais uma chance
Por José Nilton Dalcim
24 de janeiro de 2019 às 10:15

Jamais duvide de Rafael Nadal. Dois anos, contusões e muitas dúvidas depois, ai está ele novamente atrás do bicampeonato do Australian Open, algo que já escapou três vezes de maneira um tanto cruel. Mais admirável ainda, o espanhol aperfeiçoou de novo seu tênis, dando-lhe agressividade raramente vista.

Nadal se preparou para este piso veloz e bola diferente, que parece dificultar o uso acentuado do spin. Mudou o saque para ganhar velocidade depois do quique, mas principalmente tem usado com maestria a variação de direção e efeito. Lá da base, é uma máquina de bater na bola, e desta vez busca golpes na subida para ataques fulminantes dos dois lados. Se houver chance, estará na rede para um voleio definitivo e desconcertante.

Não por acaso, Stefanos Tsitsipas foi atropelado nas semifinais desta quinta-feira. Nadal não pareceu ter qualquer dúvida de como se impor ao grego, mas mostrou qualidade técnica, visão tática e precisão num nível assustador. Cuidou sempre do saque, o que permitiu tomar conta do ponto logo na segunda bola, e arriscou no serviço do grego, que só se segurou na base do saque muito arriscado e de alguns voleios espetaculares.

Sem perder set até aqui, terá no domingo sua quarta chance de se tornar o primeiro profissional a somar ao menos dois troféus em cada Grand Slam e, mais ainda, chegar ao 18º título desse quilate e assim vislumbrar a chance real de igualar o recordista Roger Federer ainda em 2019.

Fica é claro a expectativa sobre quem será seu adversário. Se der a lógica e Novak Djokovic superar Lucas Pouille nesta sexta-feira, o desafio de Nadal ganhará também ingrediente emocional. O espanhol não derrota Nole fora do saibro desde a final do US Open de 2013, curiosamente outro momento de sua notável carreira em que incorporou armas diferenciadas para a quadra dura.

Djokovic jamais enfrentou Pouille. A distância de currículos é astronômica. Só em Slam, sérvio venceu quase três vezes mais em Melbourne (66) do que o francês na soma dos quatro (26). Na quadra dura então são 547 vitórias no circuito diante de 71. Para complicar, Pouille se desgastou 5 horas a mais na campanha. Nole aliás venceu todas suas nove semifinais de Slam desde o US Open de 2014.

Osaka e Kvitova, por título e nº 1
Não pode haver final mais interessante para um Grand Slam do que aquela que vale também o número 1. E, melhor ainda, um posto que será inédito tanto para Naomi Osaka, de 21 anos, como para a ‘veterana’ Petra Kvitova, de 28. Para completar o quadro de imprevisibilidade, será o primeiro duelo entre elas.

Sem jamais abrir mão de seu estilo ofensivo, Osaka teve altos e baixos em Melbourne, mas confirma a expectativa de que tem jogo de sobra para dominar o tênis, um feito que a nova geração do masculino nem sonha ainda. Seu estilo casa muito bem com a quadra dura e daí não é surpresa que tenha chance de ser a primeira desde Jennifer Capriati, em 2001, a vencer seus dois primeiros Slam na sequência (US Open e Austrália).

Fato curioso e notável, Osaka não perde uma partida depois de vencer o primeiro set desde outubro de 2016, numa sequência de 58 jogos. No duelo contra Karolina Pliskova, ficou acuada no começo do terceiro set, salvou break-points mas jamais deixou de agredir. Terminou com 56 a 20 nos winners, sendo 15 aces.

Será portanto muito interessante ver como lidará diante da experiência da canhota Kvitova, que continua sem perder set na campanha em Melbourne e busca seu terceiro Grand Slam e o primeiro fora de Wimbledon. Num dia de calor absurdo em Melbourne, que superou os 40 graus, metade do duelo contra Danielle Collins aconteceu sob teto. Estranhamente, foi quando o percentual de primeiro saque da norte-americana despencou para 38%.

Não tenho favorita, nem preferência. Me basta saber que são duas tenistas que desenvolvem um tênis moderno, de risco, com diferentes recursos. Só falta mesmo uma final de tirar o fôlego para o Australian Open se tornar o torneio feminino de mais alto padrão dos últimos 20 anos.

A Austrália das duplas
Sem sucesso nas simples, o tênis australiano colocou ao menos um nome em cada final de duplas, o que merece comemoração. John Peers tentará o título ao lado do excepcional finlandês Henri Kontinen, Samantha Stosur volta a uma decisão em casa depois de 13 anos tendo a chinesa Shuai Zhang a seu lado. E (infelizmente) o dueto de Astra Sharma e John Patrick Smith, que entrou como convidado,  mostrou muita qualidade ao superar Bruno Soares e Nicole Melichar.

Presente para Djoko, façanha de Pliskova
Por José Nilton Dalcim
23 de janeiro de 2019 às 13:44

Infelizmente, o prognóstico se confirmou. Com 18 sets disputados, duas viradas de 0-2 e uma maratona de cinco horas no jogo anterior, o frágil físico de Kei Nishikori não aguentou mais do que 52 minutos e 12 games diante do tênis robusto de Novak Djokovic.

Na verdade, o japonês se arrastou em quadra desde o terceiro game. Sempre inteligente, Nole chegou a recuar dois passos atrás da linha para entrar em todos os pontos e voltar o máximo de bolas para o outro lado. Não precisava muito mais do que uma troca de direção.

Lá no fundo, Djokovic não deve ter lamentado tanto assim a falta de competitividade, porque pôde recuperar todo o fôlego eventualmente perdido diante de Daniil Medvedev e entrará com armas afiadas diante de (quem diria) Lucas Pouille, duelo inédito no circuito.

O pupilo de Amélie Mauresmo foi muito feliz nas devoluções diante de Milos Raonic, com 31% de pontos no poderoso saque do canadense, ao mesmo tempo que explorou a conhecida deficiência do adversário como receptor. Raonic, claro, vacilou feio quando teve a chance de fechar o primeiro set e isso encheu Pouille de confiança. Apesar de sua primeira semi de Slam, vale lembrar que o francês já foi top 10 no ano passado.

O grande jogo do dia, outra vez, foi das mulheres. É recomendável no entanto dividir o duelo entre Karolina Pliskova e Serena Williams em três pedaços distintos. Com golpes muito consistentes e excelente movimentação, a tcheca dominou até ter 3/2 e saque no segundo set. Serena vinha errando muito, mas enfim achou o ritmo e anotou uma reação incrível, chegando a 5/1 com match-point. Aconteceu então a leve torção de pé, que talvez tenha tirado a concentração da norte-americana, e Pliskova voltou a jogar um grande tênis para anotar uma virada quase impensável.

Duas coisas essenciais. A primeira é que Serena não usou a torção como desculpa em qualquer momento, enchendo a adversária de elogios. A outra é que a tcheca vem trabalhando muito contra o problema do foco, tendo perdido incríveis chances na carreira, como o 4/2 sobre a mesma Serena no US Open ou o 3/0 em cima de Simona Halep no AusOpen no ano passado.

Sai um finalista
A manhã desta quinta-feira conhecerá o primeiro candidato ao título, e aí podemos ter o experiente Rafael Nadal, que completa 10 anos de sua única conquista em Melbourne, período em que colecionou três vices, ou a grande sensação Stefanos Tsitsipas, candidato a ser tornar o terceiro e também o mais jovem tenista a derrotar Nadal e Roger Federer num mesmo Grand Slam (os outros foram Del Potro e Djokovic).

Impossível não dar favoritismo a Nadal. Não bastassem a diferença gritante de currículo e os 2 a 0 nos confrontos, ele ainda mostrou até aqui em Melbourne um tênis agressivo e eficiente, nenhum problema físico e desgaste muito menor que o do grego (foram 5 horas a menos de quadra). A seu favor também o fato de Stef usar o backhand de uma mão. Mas o grego tem sim armas para incomodar, desde o ótimo saque até o jogo de rede bem tramado, assim como golpes bem sólidos da base. Mais importante, mostrou cabeça no lugar em todos os momentos delicados.

Curiosa estatística da Federação Internacional, Nadal e Tsitsipas estão distantes entre si por 12 anos e 70 dias, o que é a nona maior diferença da Era Profissional para uma semi de Slam. O recorde está também na Austrália, quando Mark Edmondson ganhou de Ken Rosewall em 1976, então 19 anos e 238 dias distantes.

Caso obtenha a façanha, o grego será o mais jovem finalista de um Slam desde Djokovic no US Open de 2007 e do Australian Open desde Carlos Moyá, hoje treinador de Rafa, em 1997. A vitória também valerá o nono lugar do ranking.

A 9ª campeã diferente?
Com a incrível queda de Serena, o tênis feminino tem agora 75% de chance de ver a nona diferente campeã de Slam na sequência, já que Petra Kvitova não vence desde 2014, Pliskova e Danielle Colliins ainda não têm troféus.

Os jogos acontecem na próxima madrugada e são bem interessantes. Kvitova está jogando o melhor tênis entre todas, mas enfrentará a surpreendente Collins, revivendo duelo de dias atrás na estreia de Brisbane em que a canhota venceu após perder o 1º set. Vindo da espetacular e emocionante virada, Pliskova tenta derrubar outra campeã de Slam, a jovem e ousada Naomi Osaka, tendo pequena vantagem de 2 a 1 nos confrontos diretos.

A luta pelo número 1 também segue entre três das quatro postulantes, mas Kvitova e Pliskova precisam do título.

Bruno ainda tenta
A campanha vinha aos trancos e barrancos, e aí um dia pouco inspirado de Jamie Murray determinou a queda para os fortíssimos Henri Kontinen e John Peers nas quartas de final.
Mas Bruno ainda tem boa chance de alcançar mais um troféu em Melbourne, já que disputará a semi de mistas com a confiável parceira Nicole Melichar.