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Malas prontas para Paris
Por José Nilton Dalcim
20 de maio de 2018 às 14:56

Rafael Nadal não poderia ficar mais cheio de confiança em busca de seu 11º Roland Garros. O sufoco que passou diante de Alexander Zverev neste domingo na final de Roma comprova o quão difícil é dominar o novamente número 1 do ranking numa autêntica quadra de saibro, onde o piso mais lento lhe dá não apenas a oportunidade de se defender com todas suas forças, mas também de alternar táticas e passar para a ofensiva num piscar de olhos.

A oitava conquista em Roma foi dura e exigiu suas maiores qualidades, principalmente porque nem sempre sacou tão bem. E encontrou adversários competentes na missão de atacar da base, como Fabio Fognini, Novak Djokovic e principalmente Zverev. Em excelente forma, Nadal deixa o recado límpido e cristalino: se ganhar dois sets dele é um façanha, imaginem então três.

Como o placar deste domingo bem diz, foi uma partida estranha. Zverev quebrou o saque de Nadal logo no game inicial, algo inédito para o espanhol nesta temporada de saibro, mas daí em diante não jogou mais nada. Viu o adversário jogar cada vez mais solto, não escondeu a irritação e o quadro indicava mais um passeio de Nadal, que aplicou o chamado ‘pneu moral’.

Ao enfim manter seu serviço na abertura do segundo set, Zverev repentinamente ganhou confiança e as bolas forçadas, que antes teimavam sair, encurralaram o adversário no fundo de quadra. Rafa também perdeu o ritmo do saque e aí sofreu sua pior derrota no saibro desde a queda para Novak Djokovic nas quartas de Roland Garros de 2015. Pior ainda, viu Zverev abrir 3/1 no terceiro set tomando conta do jogo.

A chuva veio então para mudar a história da partida. Não apenas tirou o momento de Zverev, que precisou sacar com 3/2 após 43 minutos de parada forçada, como também deixou o piso ainda mais lento. O alemão pagou o preço da inexperiência, errou dois forehands cruciais, cedeu o empate e viu um Nadal praticamente infalível nos três games seguintes, sem abrir qualquer brecha.

Destacam-se basicamente dois aspectos: a capacidade de Nadal de encontrar outra postura tática no retorno, jogando mais perto da linha e usando mais slices, provavelmente orientado pelos treinadores, e o crescimento técnico e físico inegável de Zverev. Se não aguentou a pressão na volta da chuva, mostrou competência emocional para sair de um primeiro set frustrante e dominar Nadal em condições muito favoráveis ao adversário. Vai para Paris como um digno cabeça 2 e líder do ranking da temporada.

Horas antes, a ucraniana Elina Svitolina conquistou o bicampeonato no Fóro Itálico repetindo a vitória do ano passado em cima de Simona Halep. Ela foi esmagadora no primeiro set, que durou apenas 19 minutos e só viu quatro erros de Svitolina. O segundo set foi mais parelho, mas a saída de quadra para tratamento já indicava que Halep dificilmente teria condições de reagir.

As duas seguem para Paris como inegáveis candidatas a um título inédito de Grand Slam. Ao contrário do masculino, a chave feminina se mostra muito aberta, podendo se incluir entre as favoritas até mesmo Maria Sharapova, que voltou a jogar bem em Roma, sem jamais descartar Serena Williams.

Nadal e Zverev fazem prévia de Paris
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2018 às 18:00

Os dois melhores jogadores sobre o saibro europeu do momento irão decidir Roma. Em busca de outra marca histórica, Rafa Nadal entra com natural favoritismo para alcançar seu oitavo troféu no Fóro Itálico e o terceiro dos quatro títulos que tentou sobre a terra nesta temporada, tendo pela frente o atual campeão Alexander Zverev, que busca por sua vez ser o apenas o terceiro homem a ganhar dois Masters seguidos no saibro desde 1990, repetindo o próprio Nadal, Guga Kuerten e Novak Djokovic.

Tudo pesa a favor do canhoto espanhol. Além de jamais ter perdido para Zverev em quatro confrontos, os dois duelos sobre o saibro mostraram superioridade esmagadora, a ponto de o alemão ter arrancado tão somente 11 games em cinco sets disputados. O único alento para Zverev é saber que ficou perto de uma vitória no Australian Open do ano passado, quando liderou por 2 sets a 1, mas ali o piso era bem mais veloz e seu poderoso saque segurou as pontas.

Nadal já cumpriu a primeira grande missão que tinha em Roma, que foi recuperar completamente a confiança depois da queda um tanto inesperada em Madri. Apesar de um ou outro vacilo ao longo desta semana, Rafa voltou a jogar com suas melhores armas, ainda que o saque esteja menos incisivo. Porém, saltam à vista novamente o excepcional trabalho de pernas, o contragolpe mortal, a muralha de fundo de quadra. E vamos considerar que Roma é muito mais parecido com Paris do que Madri. Para fechar o melhor quadro possível, só faltam mesmo o 32º troféu de Masters e a retomada da liderança do ranking.

Zverev está embalado, embora o desgaste físico seja uma preocupação. É sua terceira final de Masters em apenas 45 dias, período em que disputou já 25 partidas e faturou o 250 de Munique e Madri. Conseguiu excelente transição do saibro veloz para o lento, mas trabalhou muito mais em Roma, com vitórias exigentes sobre Kyle Edmund, David Goffin e Marin Cilic. Se Nadal tenta recuperar o número 1, o alemão já é o tenista que somou mais pontos desde janeiro e um eventual bi lhe daria uma folga superior a 400 para Roger Federer e de quase 900 sobre o espanhol.

O tão aguardado duelo entre Rafa e Djokovic deste sábado não decepcionou. O primeiro set foi intenso e uma batalha de planos táticos. Apostando na agressividade, o sérvio exagerou na busca de paralelas e quem faz isso sempre corre muito mais. Imagine então diante de Nadal, que se defendeu com a habitual maestria e, inteligentemente, quase sempre na cruzada. Com índice ruim de primeiro saque, Nole cedeu a quebra primeiro, mas mostrou que a cabeça evoluiu ao recuperar o empate e levar ao tiebreak. Rafa então jogou demais. Tomou a iniciativa, foi ele para as paralelas, ditou o ritmo.

O esforço físico de Djokovic cobrou a conta e isso ficou bem claro quando o sérvio ficou apressado. Tentou subida à rede precipitada e curtinha logo na segunda bola para ser quebrado no terceiro game. Ainda lutou, mas Rafa não lhe deu mais espaço quando passou a sacar realmente bem. Definitivamente, Nole reencontrou quase todo seu melhor tênis porém faltam ainda aquelas pernas de antes. Parece não haver tempo suficiente para que ele progrida nesse aspecto até Roland Garros, um torneio que costuma exigir demais do corpo, a menos que ele dê sorte na chave e faça jogos menos complicados.

A outra semifinal, mesmo com dois grandes sacadores, foi muito longa e Zverev chegou a pedir atendimento médico ainda ao final do primeiro set diante de Marin Cilic. A cada dia o alemão mostra melhor trabalho de pernas e resistência, mas de novo perdeu a paciência com o árbitro e com seus erros. Reclamou alto, falou palavrão e quebrou raquete, sintomas de que a cabeça pode estar mais cansada do que o corpo. No entanto, ninguém pode reclamar de sua competência técnica.

O feminino também verá a final mais lógica: Simona Halep e Elina Svitolina repetem a decisão do ano passado, que deu o primeiro grande troféu à ucraniana, agora de 23 anos. Com o número 1 assegurado, Halep conseguiu grande virada e a primeira vitória no saibro em cima de Maria Sharapova, num jogo recheado de quebras de serviço: 11 em favor da romena e oito para a russa em 27 games disputados. Um exagero. A definição da vencedora veio justamente quando Halep tirou a força e colocou o saque em quadra.

Svitolina é uma especialista em finais, tendo vencido 11 das 13 que participou até hoje, e tem pequena vantagem de 3 a 2 sobre Halep nos duelos diretos. Na semi contra Anett Kontaveit, foi muito firme o tempo todo, cometeu apenas 13 erros em 19 games e mostrou firmeza com o saque. O título ganha importância dobrada, já que permitirá que Svitolina mantenha o quarto lugar do ranking e entre em Roland Garros entre as quatro cabeças principais.

Djokovic tenta façanha contra Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2018 às 20:15

Depois de alguns ensaios, enfim Rafael Nadal e Novak Djokovic irão se reencontrar para o 51º capítulo do duelo que mais aconteceu na história do tênis profissional. O sérvio foi o culpado pela demora no cruzamento, já que insistia em perder precocemente. Mas não pode se queixar. Afinal, vai encarar o ‘rei do saibro’ justamente no momento em que tem mostrado seu melhor tênis em meses.

Uma coisa é inegável e alentadora: Djokovic disputou duas excelentes partidas em dias consecutivos, algo que não víamos há muito tempo. Embora tanto Albert Ramos como Kei Nishikori sejam ‘fregueses’, ambos exigiram do sérvio muito empenho físico, firmeza nas trocas de bola e coragem para tentar linhas e definição dos pontos. E esse último quesito está intimamente amarrado com cabeça boa e confiança em si mesmo, os dois elementos que Nole parecia ter perdido há praticamente dois anos, quando ergueu o tão sonhado troféu de Roland Garros.

O placar diante de Nishikori não reflete a dureza que foi a maioria dos games, a quantidade de bolas que cada um precisou bater, os ângulos exigentes que obtiveram e as paralelas desafiadoras que conseguiram. Um jogão. Nenhum deles foi mal mesmo nos dois primeiros sets, tão amplamente dominados de lado a lado. Nishikori talvez tenha sentido no finalzinho a amarga série que tinha de 11 derrotas consecutivas, mas felizmente o físico aguentou firme e isso dá perspectiva de que ele pode também ir longe em Paris.

Nadal por seu lado poderia ter vencido com maior tranquilidade. Muito firme, abriu 4/1 em cima de um Fabio Fognini que entrou disposto a mesclar demais os golpes. Só então a ideia de jogar agressivamente funcionou. Foi ajudado pela queda de rendimento do saque do espanhol e inesperadamente ganhou cinco games seguidos e o primeiro ponto do segundo set. O sinal de alerta ligou e Rafa entendeu que tinha de fazer de tudo para jogar com o forehand. Aí a história mudou. Começou a empurrar Fognini para trás, o italiano se desesperou ao ter de bater de forma menos confortável e o resultado foram golpes cada vez menos precisos.

Não se discute o favoritismo de Nadal para a semifinal das 10 horas deste sábado, já que ele se mostra superior a Djokovic em todos os quesitos possíveis. Ainda que o sérvio saiba exatamente o que fazer no plano tático, Nole ainda não experimentou o backhand muito mais consistente do espanhol, que deixou de ser um golpe defensivo para se tornar uma alternativa de ataque e contragolpe. Sem falar que hoje Rafa é quem está tinindo fisicamente, com uma cobertura de quadra magnífica. Djokovic portanto está diante de uma façanha enorme. Ainda que improvável, serviria para não apenas reabilitar de vez seu tênis, mas também para colocar um molho inesperado às vésperas de Roland Garros.

A outra partida é dos gigantes. Alexander Zverev escapou de um começo de terceiro set tenso diante de David Goffin e faz outra grande campanha de Masters, a quarta semifinal consecutiva e a terceira no saibro europeu. Já Marin Cilic abusou das bolas retas e não permitiu um break-point sequer a um frágil Pablo Carreño. Se Zverev leva desvantagem pelo desgaste de tantos jogos – foram 24 desde a estreia em Miami -, tem 4 a 1 no confronto direto, não tendo perdido para Cilic desde que se tornou um top 70 do ranking. Eu apostaria nele.

A chave feminina de Roma também tem Maria Sharapova à procura de seu melhor tênis. A virada em cima de Jelena Ostapenko foi incrível, ainda que ambas tenha mostrado natural instabilidade num duelo de 3h10 e 35 games. A letã continua exagerando na força em momentos impróprios e poderia ter explorado melhor o segundo saque da russa. Sharapova merece aplausos não só por ter resistido fisicamente, mas por não perder a cabeça ao deixar escapar match-points.

Vai enfrentar uma Simona Halep bem mais descansada e aliviada, já que a romena se manteve na ponta do ranking com a inesperada queda de Carol Wozniacki para Anett Kontaveit, que tem se mostrado uma boa jogadora de saibro, com resultados consistentes mas ainda sem tanto brilho. Curiosamente, seu único título veio na grama. A estoniana de 22 anos desafia a atual campeã Elina Svitolina, que tirou Angelique Kerber com autoridade.