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Nº 1 e Finals esquentam final de temporada
Por José Nilton Dalcim
28 de setembro de 2018 às 22:02

Que tal um Finals de Londres com quatro candidatos ao número 1? Difícil, mas não impossível. A última parte da temporada masculina ficou aberta: enquanto o líder Rafael Nadal se afastou por contusão, seus concorrentes estão embalados ou encontram um piso muito favorável nas próximas semanas. Vamos dar uma olhada nas alternativas que podem esquentar o circuito.

Número 1
Apesar de estar na briga pela liderança do ranking contra Nadal, Novak Djokovic está inscrito unicamente em Xangai e Paris antes de Londres. Claro que o eventual título no veloz piso chinês já o colocaria apenas 35 pontos atrás do espanhol no ranking da temporada (e 215 no ranking tradicional), ou seja, haveria já luta direta em Paris.

Roger Federer até pode entrar nessa briga, mas teria de repetir os títulos de Xangai e da Basileia para estar 1.180 pontos atrás de Nadal. E a chance de o suíço jogar no piso irritantemente lento de Bercy é muito pequena. De qualquer forma, seria magnífico chegarmos a Paris com o Big 3 com chance de liderança. O quadro ideal teria Nadal com 7.480 pontos; Djokovic, com 7.045; e Federer, com 6.300.

Quem corre por fora e merece atenção é Juan Martin del Potro. Ele está inscrito para Pequim, Xangai e Basileia, concorrendo portanto a 2.000 pontos. Se o fizer, chegará a Paris com 6.910 e engrossa a luta pela liderança. Mas, tal qual Federer, é um risco forçar o corpo para também jogar Bercy e Londres. Acredito que ele só faria isso se realmente vislumbrasse a chance de atingir a ponta.

Faltam três para Londres
Os dois Masters e quatro ATPs 500 restantes também serão essenciais para definir as três vagas que faltam para o Finals, já que Nadal, Djokovic e Federer estão matematicamente garantidos e Delpo e Zverev, virtualmente lá.

De forma nada usual, Marin Cilic, Dominic Thiem e Kevin Anderson estão com mais de 3.400 pontos na temporada mas ainda correm risco, ameaçados por John Isner e Kei Nishikori. De olho numa chance que parece remota, Fabio Fognini e Stefanos Tsitsipas ousaram e estão inscritos em cinco torneios seguidos.

Meninas instáveis
Enquanto isso, a reta final da temporada feminina está bem estranha e Wuhan foi um retrato bem fiel: nenhuma das top 15 inscritas passou sequer das oitavas, com destaque para o momento ruim de Simona Halep, Carol Wozniacki, Angelique Kerber, Sloane Stephens e Garbiñe Muguruza. A nova estrela Naomi Osaka também não se mostra fisicamente bem e Serena Williams encerrou mesmo o calendário.

Pequim na próxima semana deve definir quase todo o quadro de quem disputa o Finals de Cingapura, mas a rigor a disputa está mesmo em cima da oitava vaga. Por enquanto, Karolina Pliskova está com ela, com mínima vantagem sobre Kiki Bertens. Elise Mertens e Daria Kasatkina jogam cartada decisiva, mas estão a cerca de 600 pontos de Pliskova.

Se for campeã neste sábado em Wuhan, Aryna Sabalenka se candidata a ser a outra grande estrela ascendente do circuito e pode até sonhar com Cingapura, já que assumiria o 11º lugar e deixaria Kasatkina para trás, faltando ainda três semanas e cinco torneios para o Finals feminino.

Já a disputa pela liderança parece distante. Com 1.700 pontos de vantagem, Halep teria de perder logo – já pegou até convite para Moscou – e Kerber ganhar tudo.

O adeus do guerreiro
Por José Nilton Dalcim
28 de agosto de 2018 às 00:39

Mais do que a esperada classificação de Rafael Nadal, a segunda-feira do US Open marcou a última partida de Grand Slam do batalhador David Ferrer. Mesmo antes de ir à quadra em que um dia derrotou Rafa, uma década atrás, o veterano de 36 anos anunciou que esta seria sua derradeira apresentação num Grand Slam e que fará um calendário de despedidas em 2019.

Para um tenista de 1,75m em que potência raramente foi um elemento de destaque, Ferrer conquistou 145 vitórias de nível Grand Slam, com 63 derrotas. Jogador talhado para o saibro, venceu 44 de 60 jogos em Roland Garros, mas também obteve 41 triunfos na Austrália, 32 no US Open e 28 em Wimbledon. Ou seja, atingiu uma considerável versatilidade, razão pela qual se manteve heroicamente quase seis temporadas seguidas entre os top 10.

Para muita gente, merecia ter levado um Slam. A única chance veio na final de Paris de 2013 diante de Nadal e não tirou mais do que oito games. Seu azar foi não ter atingido um nível mais alto sobre o saibro antes de Rafa iniciar seu domínio na superfície em 2005. Quis o destino que seu adeus dos Slam acontecesse justamente contra o amigo, num jogo que foi o espelho de sua carreira: gigantesco esforço de conseguir o impossível ainda por cima com doloroso problema na panturrilha. Lutou além do que dava.

Aliás, a segunda-feira também marcou as despedidas em nível Slam de Gilles Muller e Florian Mayer e na terça espera-se o adeus de Julien Benneteau e Mikhail Youzhny. Mas para provar que vale persistir, Paolo Lorenzi, 36 e fora de seu habitat, ganhou de Kyle Edmund, 23, numa tremenda surpresa.

A rodada teve vários destaques. O vice Kevin Anderson sofreu com dores musculares e foi ao quinto set contra Ryan Harrison, algo nada promissor. Stan Wawrinka de novo tripudiou em cima de um perdido Grigor Dimitrov, Andy Murray mostrou bom poder de reação num dia de extremo desgaste físico em Nova York e Juan Martin del Potro soube se poupar na rodada noturna.

A nova geração foi bem com Stefanos Tsitsipas, Borna Coric, Karen Khachanov e Denis Shapovalov, mas o aguardado duelo dos prodígios canadenses decepcionou primeiro pelo excesso de erros e depois pelo abandono de Felix Aliassime em lágrimas incontidas, devido a batimentos cardíacos acelerados.

Dá para visualizar a terceira rodada com Wawrinka x Raonic, Del Potro x Murray, Anderson x Shapovalov e Coric x Tsitsipas, dignas finais de campeonato.

O feminino viu uma verdadeira hecatombe com a queda de Simona Halep no primeiro jogo da Arthur Ashe. Se é evidente que a romena sentiu o peso de ser cabeça 1 num lugar onde nunca se sentiu tão à vontade, muitos elogios à postura de Kaia Kanepi, que não pensou duas vezes para descer o braço.

Serena Williams por sua vez começou tensa e depois fez um belo segundo set, controlando bem a ansiedade e usando mais recursos, como voleios e deixadinhas. A irmã mais velha fez talvez o melhor jogo do dia contra Sveta Kuznetsova em seu 20º US Open. As duas Williams jamais perderam uma primeira rodada em Flushing Meadows.

Derrotas que vão custar caro: Sam Querrey perderá pelo menos 24 postos, Andrey Rublev cairá 28 e Mischa Zverev, 13. Todos vão deixar o top 60. Já Aga Radwanska já foi parar no 55º.

US Open caça surpresas
Por José Nilton Dalcim
23 de agosto de 2018 às 18:42

Os três homens que dividiram títulos de Grand Slam em 2018 vão para o tira-teima no US Open e o sorteio da chave nesta quinta-feira deu o primeiro trunfo ao atual campeão Rafael Nadal, que se livrou de cruzar com Novak Djokovic antes da final. Deixou o grande problema para Roger Federer. Mas será que não dá mesmo para haver surpresas na chave masculina de Flushing Meadows?

Nadal não poderia ter pedido um caminho mais animador até o encontro com Kevin Anderson nas quartas de final. O número 1 estreia contra o decadente David Ferrer e deve passear nas três primeiras rodadas. Para melhorar, é bem provável que cruze com Karen Khachanov e Kyle Edmund seguidamente, dois jogadores de padrão bem semelhantes.

Só então viria a reedição da final de 2017 e, caso chegue lá, Anderson precisa ser respeitado. O sul-africano será testado contra Andrey Rublev e principalmente Denis Shapovalov ainda na terceira fase e, se mantiver o favoritismo, teria oitavas bem tranquilas contra Dominic Thiem, Roberto Bautista ou quem sabe um Denis Istomin.

O segundo quadrante da parte superior ficou bem interessante, porque Juan Martin del Potro, Andy Murray, Borna Coric e Stefanos Tsitsipas se misturam. O argentino seria candidato natural às quartas, mas nunca se sabe como anda seu físico e não se descarta a hipótese de Murray herdar a vaga. O grego pode cruzar sucessivamente com outros dois novatos, Daniil Medvedev e Coric, o que dá também um sabor gostoso ao setor.
Aliás, está difícil cravar o outro quadrifinalista, porque tudo parece bem imprevisível: John Isner, Milos Raonic, Grigor Dimitrov… ou Stan Wawrinka! O suíço jogou muito bem Cincinnati e corre por fora se aguentar mesmo cinco sets.

Obviamente, o eventual reencontro entre Roger Federer e Novak Djokovic já entra em contagem regressiva, mas o suíço vê um caminho potencialmente mais espinhoso. Se é quase impensável que o sérvio tenha dificuldades contra Richard Gasquet e depois Loucas Pouille ou Pablo Carreño, há muita chance de o suíço cruzar com Nick Kyrgios ainda na terceira rodada e em seguida Fabio Fognini ou Heyon Chung. Claro que Federer é favorito em todos os casos, mas o desgaste físico e até emocional tende a ficar relevante.

Os três candidatos mais gabaritados à semi do outro lado são Alexander Zverev, Marin Cilic e Kei Nishikori. O alemão, agora com apoio inestimável de Ivan Lendl, encararia seu primeiro teste de fogo diante do próprio Nishikori em eventuais oitavas e Cilic tem como barreira mais perigosa David Goffin, que mostrou um estilo arrojado em Cincinnati. É outro setor onde pode acontecer qualquer coisa.

Se a lógica diz que Nadal x Del Potro e Djokovic x Cilic sejam as semifinais, não seria totalmente absurdo imaginar Anderson x Isner e Federer x Goffin, muito menos que a nova geração dê outro salto com Tsitsipas brilhando em cima da chave e Zverev, embaixo. Quem gosta de apostas arriscadas, vai se deliciar.

A chave feminina
No feminino, a primeira atração certamente é a possibilidade de Serena Williams rever a irmã Venus na terceira rodada e desafiar a líder do ranking Simona Halep em seguida. E há enorme chance de isso acontecer, o que já traria ebulição a Flushing Meadows.

Quem sair viva dessa briga deve ter a instável Karolina Pliskova nas quartas, o que não deixa de ser animador. A adversária da semi fica bem aberto: a defensora do título Sloane Stephens e Elina Svitolina não andam confiáveis e estão num setor onde Elise Mertens, Daria Gavrilova e Julia Goerges se mostram loucas para aprontar.

Carol Wozniacki entra de cabeça 2, porém cheia de dilemas físicos, e por isso Petra Kvitova é a principal candidata à semi, embora tenha possível confronto com Aryna Sabalenka ainda na terceira rodada.

Nada improvável um duelo de canhotas na semi, caso Angelique Kerber embale. No seu caminho, estão Dominika Cibulkova e a atual vice Madison Keys. A alemã teria também favoritismo contra Caroline Garcia, Jelena Ostapenko ou a ‘veterana’ Maria Sharapova.

Fique de olho
– Jogos imperdíveis da primeira rodada: Nadal x Ferrer, Feli Lópex x Verdasco e Wawrinka x Dimitrov, Venus x Kuznetsova, Garcia x Konta, Petkovic x Ostapenko e Stosur x Wozniacki.
– E expectativa destes duelos para a segunda: Nishikori x Monfils, Goffin x Haase, Tiafoe x De Minaur, Raonic x Simon, Tsitsipas x Medvedev, Verdasco x Murray, Anderson x Rublev, Shapovalov x Querrey, Azarenka x Gavrilova e Svitolina x Radwanska.