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Melhores do Ano
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2017 às 10:51

Como acontece há 17 anos, TenisBrasil colocou no ar sua pesquisa dos Melhores do Ano, com algumas questões também sobre o que pode acontecer na temporada 2018. Como de hábito, as respostas são coletadas em dois painéis separados, um para os internautas e outro para especialistas convidados, o que sempre dá panoramas curiosamente distintos. Saberemos os resultados na segunda-feira. Até lá, convido vocês a votarem.

Vou dar minha visão da temporada em cima das perguntas. Claro que a mais polêmica é quem teriam sido os melhores da temporada. Eu voto em Roger Federer e Garbiñe Muguruza, pelo conjunto da obra, ainda que Rafa Nadal e Simona Halep tenham terminado com merecidos números 1. Difícil mesmo é decidir sobre o ‘feito do ano’. Ficarei com o título incrível de Federer na Austrália, pela exigência da chave, por então marcar seu retorno incerto às quadras e ainda por cima após a épica final diante de Rafa. Também por isso, Australian Open foi o ‘torneio do ano’ para mim, com menção honrosa ao inesperado sucesso da Laver Cup.

A surpresa pode ser tanto de Jelena Ostapenko como de Sloane Stephens. Tendo mais para a letã e seu jogo deliciosamente agressivo em pleno saibro de Paris. E daí podemos falar das evoluções técnicas, outra questão cheia de alternativas. Ficarei com David Goffin e CoCo Vandeweghe, que me parecem candidatos aliás a boas coisas em 2018. Quanto às revelações, Denis Shapovalov, sem dúvida.

A área de jogos é bem divertida. Zebra do ano? Puxa, quantas. Gostei demais do jogaço entre Denis Istomin contra Novak Djokovic na Austrália. Melhor jogo masculino? Esse é barbada: Fedal em Melbourne. Melhor do feminino? O duelo de estilos Muguruza x Kerber de Wimbledon.

As questões sobre 2018 devem ser bem competitivas. Acredito que Djokovic consiga ganhar um novo Grand Slam, talvez já em Roland Garros, e que ele e Murray serão ameaça real a Rafa e Federer a partir de Miami. A número 1 ao final de 2018 será… Serena Williams! E imagino que Halep esteja bem mais perto de seu primeiro Slam do que Karolina Pliskova, Sascha Zverev ou Grigor Dimitrov.

Por fim, o tênis brasileiro viveu uma temporada fraca, apesar da campanha magnífica de Marcelo Melo, da grande e esperada ascensão de Bia Haddad e dos bons jogos de Rogerinho Silva. O feito do ano nem dá nem para pensar duas vezes: título de Wimbledon é o máximo que se pode querer no tênis.

Por falar em Bia, será um ano duro por jogar em nível muito alto e então minha expectativa é que se mantenha no top 50. A aposta da nova geração me deixa em dúvida, infelizmente. Talvez opte por Luísa Stefani, que tem o piso duro como seu forte.

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Hora de decisões
Por José Nilton Dalcim
21 de outubro de 2017 às 23:48

A primeira grande semana da reta final de temporada começa neste domingo, e lá do outro lado do mundo. Cingapura reúne as oito mais bem pontuadas da temporada para definir não apenas a campeã das campeãs, mas também a liderança do ranking.

Apesar de que matematicamente sete das oito participantes possam sair do torneio com o número 1, a realidade é que a disputa está praticamente centrada entre a atual líder Simona Halep e a ex-ponteira Garbiñe Muguruza.

Todas as outras teriam de chegar no mínimo à final ou ser campeãs invictas, mas ao mesmo tempo torcer para que Halep e Muguruza não vençam jogos da fase preliminar ou até mesmo que sequer entrem em quadra! Sim, porque a WTA dá 125 pontos apenas pela participação da tenista em cada um dos três jogos classificatórios.

A distribuição dos grupos no sorteio foi curiosa. Muguruza ficou com as jogadoras mais agressivas – Karolina Pliskova, Venus Williams e Jelena Ostapenko – e Halep, numa chave um pouco mais conservadora, com Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Caroline Garcia, ainda que Svitolina goste de bater na bola mais do que as outras. Assim, há um equilíbrio saudável e dificilmente alguém poderá se queixar da velocidade do piso antes da semifinal.

O setor masculino também vive uma fase de definições. Roger Federer confirmou presença na Basileia, pegou uma boa chave e terá de ganhar os 500 pontos se ainda sonha com a luta contra Rafa Nadal pelo número 1. E não me venham dizer que ele não está interessado. Se a quadra não estiver tão lenta, não deve ter tanta dificuldade contra Tiafoe, Johnson ou Mannarino, nem mesmo Sock ou Goffin. O lado inferior tem Delpo e Cilic.

Del Potro aliás está numa incrível corrida por fora para retornar ao top 10 e quem sabe até ir a Londres. Se repetir o título em Estocolmo neste domingo, estará em 14º na temporada e a 470 pontos de Pablo Carreño. Como o argentino entrou em Paris, há uma chance. O Finals  agradeceria.

Viena reúne outra legião dos que ainda sonham com as duas vagas restantes. Além de Carreño, é uma cartada decisiva para Querrey e Anderson. Não vamos no entanto esquecer que Paris dá 1.000 pontos ao campeão e 600 ao vice, com uma possibilidade nada desprezível de não ter Nadal nem Federer. Isso daria esperança até a Tsonga, Bautista e Isner.

Cada vez melhor
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2017 às 20:08

Doze jogos como número 1 do mundo, doze vitórias e dois títulos de peso sobre a quadra dura. Rafael Nadal deixou para trás aquele jejum de três anos e meio sem conquistas no piso sintético, mostra um tênis cada vez mais completo e o resultado é que disparou de vez na ponta do ranking. Como todo mundo sabe, quando a confiança está alta, é muito difícil competir com ele.

Claro que Nadal teve sorte lá na primeira rodada de Pequim, quando Lucas Pouille errou um forehand a dois metros da rede, extremamente fácil para seu nível, que permitiria fechar a partida. Mas é também justo analisar Rafa a partir desse momento. Abraçou a chance, dominou o terceiro set e daí em diante mostrou um tênis fluente e muitas vezes agressivo.

Ninguém pode dizer que sua chave foi fácil. Passou pela juventude de Karen Khachanov, pelo saque bombástico de John Isner, pelo jogo versátil de Grigor Dimitrov e anulou o agressivo Nick Kyrgios numa final impecável. Fato que o australiano sacou muito abaixo – 45% de acerto é um desastre para seu estilo -, porém o canhoto espanhol trabalhou cada bola, fez o adversário se mexer, enlouqueceu com defesas incríveis, contra-atacou na menor oportunidade. “Rafa me destruiu”, foi a definição mais que perfeita de Kyrgios.

Nadal segue direto para Xangai, onde também tem chave difícil, podendo reencontrar Pouille logo na segunda partida, Dimitrov nas quartas e Kyrgios na semi. O piso sintético bem mais veloz será um teste interessante. É essencial destacar a excelente produtividade do backhand do espanhol em Pequim. O golpe deixou mesmo de ser um ponto vulnerável e hoje produz winners e uma variação inteligente para a paralela.

Prêmio ao esforço
A outra importante notícia do fim de semana foi a nova troca de liderança no ranking feminino. Aliás, a quinta da temporada e a terceira em apenas um mês! O ano começo com Serena Williams na ponta, superada por Angelique Kerber. Depois, vieram um curto reinado de oito semanas de Karolina Pliskova, quatro de Garbiñe Muguruza e nesta segunda-feira enfim Simona Halep realizará seu sonho.

Sem dúvida, é até estranho que uma jogadora atinja o número 1 com apenas um título conquistado desde janeiro e ainda por cima com derrota neste domingo. Mas Halep tem um jogo baseado na regularidade e o ranking reflete exatamente isso. Ela ganhou Madri e foi à final de Paris, Roma, Cincinnati e Pequim. Muito legal ler em sua entrevista à WTA que a derrota na final de Paris a deixou muito desanimada, mas ergueu a cabeça.

Eliminada logo na estreia do US Open por Maria Sharapova, percebeu enfim que teria de trabalhar duro com o serviço e passou a treinar o saque uma hora por dia. Se não possui o tênis mais vistoso do circuito, Halep ensina que determinação é a chave do sucesso.

O mesmo elogio cabe a David Goffin, outro jogador que também não possui golpes espetaculares e costuma pecar no mental. Depois de três anos e seis vices sucessivos, ele ganhou seus dois últimos torneios, em Shenzhen e em Tóquio, recuperou o posto no top 10 e se candidatou de vez a uma vaga no Finals de Londres.

Por fim, lembro de ter escrito em novembro do ano passado que Caroline Garcia era uma tenista a se ficar de olho em 2017. E eis que ela deu o salto de qualidade que eu esperava nesta reta final. Jogadora de muitos recursos, também ótima duplista, entrou para o top 10 com o título em Pequim e está na luta para ir ao WTA Finals. O ranking feminino agora tem metade de suas 10 primeiras colocadas abaixo dos 26 anos e três com menos de 24.