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Federer e Kyrgios crescem nas apostas
Por José Nilton Dalcim
8 de janeiro de 2018 às 10:19

Duas coisas ficaram bem claras nesta primeira semana da temporada, rumo ao Australian Open: Roger Federer é o favorito absoluto ao título e Nick Kyrgios continua com o potencial de enfim se tornar grande no circuito.

O suíço novamente apostou na preparação na Copa Hopman e conseguiu seus objetivos, com dois jogos duros, bom ritmo e muita diversão. Era fácil perceber que Federer estava solto em quadra. A partida de sábado diante de Alexander Zverev teve o tom de show que tanto maravilha os espectadores.

Aliás, pode não ter sido coincidência a sucessão de bolas curtas que Federer disparou em cima do irritado Zverev. Todos sabemos que a movimentação para a frente é o ponto frágil do alemão. No entanto, assim como me pareceu no ano passado que o backhand o suíço havia mudado, fiquei agora com a impressão que Roger treinou muito as deixadinhas. A execução do golpe estava muito bem ensaiada para ser apenas fruto do seu gigantesco talento natural.

Diante do quadro atual do tênis masculino, o favoritismo de Federer para o 20º troféu de Grand Slam é quase obrigatório, principalmente porque não se sabe se Rafael Nadal irá conseguir ritmo rapidamente. Ele e Novak Djokovic têm apenas um jogo de exibição previsto até a estreia em Melbourne. A capacidade dos dois é inegável, mas um piso mais veloz em Melbourne, como foi em 2017, promete dificultar ainda mais.

Aí entra Kyrgios. Antes de tudo, sua campanha em Brisbane exigiu três viradas, a última delas em cima de Grigor Dimitrov em partida de excelente qualidade. Isso mostra acima de tudo que sua cabeça está em ordem. Claro que vimos reclamações e descontrações exageradas, porém ele se manteve nas partidas o tempo todo. Tremendo volume de jogo, a partir de um saque devastador – e ele continua forçando com incrível competência o segundo serviço -, mas também com golpes pesados da base e muito toque junto à rede.

Seu primeiro troféu em casa pode servir para tirar o peso de jogar para a torcida, algo que ele sempre levou a Melbourne. O que preocupa no entanto é o joelho esquerdo. Economizar esforço nas primeiras rodadas será essencial, daí a necessidade de entrar em quadra com seriedade. Não irá conseguir entrar na lista dos 16 cabeças e então fica à mercê de adversários fortes já na terceira rodada.

Em entrevista ao site espanhol Punto de Break, o sueco Mats Wilander colocou David Goffin como o oponente mais perigoso para Federer no Australian Open. É uma opinião ousada, mas tem sentido. O belga cresceu muito na parte técnica e leva a vantagem de ficar longe dos holofotes ao menos na primeira semana. Optou por não disputar torneios antes de Melbourne e anotou três vitórias fáceis na Hopman, uma delas um tanto esmagadora em cima de Zverev.

O sorteio da chave, previsto para quinta-feira à noite local (por volta de 6h de Brasília) pode ser essencial para Goffin, que entrará como cabeça 7.

Quanto ao feminino, a notícia da semana foi a desistência de Serena Williams. O treinador Patrick Mouratoglou admitiu que a tentativa de volta no Grand Slam era exagerada e revelou que Serena teve complicações no pós-parto. Não gostei quando ele se disse incerto de que ela retornará às quadras.

P.S.: Muito bom ver a volta de Gael Monfils e Gilles Simon aos títulos, ainda que em torneios de menor nível. E Simona Halep suportou a pressão de defender o número 1 logo na semana inicial e faturou Shenzhen. Será que enfim virá seu troféu de Grand Slam?

Melhores do Ano
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2017 às 10:51

Como acontece há 17 anos, TenisBrasil colocou no ar sua pesquisa dos Melhores do Ano, com algumas questões também sobre o que pode acontecer na temporada 2018. Como de hábito, as respostas são coletadas em dois painéis separados, um para os internautas e outro para especialistas convidados, o que sempre dá panoramas curiosamente distintos. Saberemos os resultados na segunda-feira. Até lá, convido vocês a votarem.

Vou dar minha visão da temporada em cima das perguntas. Claro que a mais polêmica é quem teriam sido os melhores da temporada. Eu voto em Roger Federer e Garbiñe Muguruza, pelo conjunto da obra, ainda que Rafa Nadal e Simona Halep tenham terminado com merecidos números 1. Difícil mesmo é decidir sobre o ‘feito do ano’. Ficarei com o título incrível de Federer na Austrália, pela exigência da chave, por então marcar seu retorno incerto às quadras e ainda por cima após a épica final diante de Rafa. Também por isso, Australian Open foi o ‘torneio do ano’ para mim, com menção honrosa ao inesperado sucesso da Laver Cup.

A surpresa pode ser tanto de Jelena Ostapenko como de Sloane Stephens. Tendo mais para a letã e seu jogo deliciosamente agressivo em pleno saibro de Paris. E daí podemos falar das evoluções técnicas, outra questão cheia de alternativas. Ficarei com David Goffin e CoCo Vandeweghe, que me parecem candidatos aliás a boas coisas em 2018. Quanto às revelações, Denis Shapovalov, sem dúvida.

A área de jogos é bem divertida. Zebra do ano? Puxa, quantas. Gostei demais do jogaço entre Denis Istomin contra Novak Djokovic na Austrália. Melhor jogo masculino? Esse é barbada: Fedal em Melbourne. Melhor do feminino? O duelo de estilos Muguruza x Kerber de Wimbledon.

As questões sobre 2018 devem ser bem competitivas. Acredito que Djokovic consiga ganhar um novo Grand Slam, talvez já em Roland Garros, e que ele e Murray serão ameaça real a Rafa e Federer a partir de Miami. A número 1 ao final de 2018 será… Serena Williams! E imagino que Halep esteja bem mais perto de seu primeiro Slam do que Karolina Pliskova, Sascha Zverev ou Grigor Dimitrov.

Por fim, o tênis brasileiro viveu uma temporada fraca, apesar da campanha magnífica de Marcelo Melo, da grande e esperada ascensão de Bia Haddad e dos bons jogos de Rogerinho Silva. O feito do ano nem dá nem para pensar duas vezes: título de Wimbledon é o máximo que se pode querer no tênis.

Por falar em Bia, será um ano duro por jogar em nível muito alto e então minha expectativa é que se mantenha no top 50. A aposta da nova geração me deixa em dúvida, infelizmente. Talvez opte por Luísa Stefani, que tem o piso duro como seu forte.

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Pé de igualdade
Por José Nilton Dalcim
19 de abril de 2017 às 17:41

Novak Djokovic, Stan Wawrinka, Andy Murray e Rafael Nadal. Os quatro grandes favoritos não apenas para Monte Carlo mas para praticamente toda a temporada de saibro na Europa fizeram sua estreia nos dois últimos dias, e não gostei. Difícil até dizer quem me deixou mais preocupado.

Nole e Murray podem alegar falta de ritmo. O sérvio teve notáveis altos e baixos, insistiu teimosamente em arriscar paralelas uma atrás da outra, o que obviamente aumentava o grau de risco. Esteve perto da derrota diante de um tenista que raramente faz alguma coisa boa no saibro. Tivesse Simon um saque mais decente e talvez Nole estaria ali pertinho do Club, mas em casa.

O escocês não jogava há 39 dias e já havia avisado que não estava confiante no saque. Gilles Muller não soube ganhar o primeiro set, nem aproveitou a quebra acima no começo do segundo. A rigor, o número 1 só mostrou um tênis mais competitivo no último quarto da partida. Abusou de deixadinhas e dos lobs, de uma forma até irritante. Deu certo.

Wawrinka talvez tenha sido o que menos decepcionou. Perdeu um set para Jiri Vesely, mas esse canhoto é chato mesmo de jogar. Saca bem, dá pancada, corta o ritmo, faz um pouco de tudo. O suíço nunca esteve realmente em perigo, ainda que mostrasse algumas escolhas muito descalibradas. Digamos, foi o Stan de quase sempre.

Em melhor momento de todos neste começo de temporada, Rafa atropelou no primeiro set, aproveitando-se de um Kyle Edmund que tem pouca intimidade com o saibro. Aí deu pane. Não foi apenas a bola curta, que permitia ao adversário disparar seu ótimo forehand, mas a falta de coragem de tentar winners. Houve um lance sintomático, em que a bola sobrou no meio da quadra e Nadal simplesmente chegou e empurrou um spinzinho para o outro lado. Tenebroso.

Por tudo isso, a rodada desta quinta-feira pode dar muitas respostas, porque promete ser muito mais difícil para quase todos. Djokovic encara o especialista Pablo Carreño, Nadal revê o atrevido Alexander Zverev, Murray terá pela frente outro canhoto e o muito mais saibrista Albert Ramos e Wawrinka pega o experiente Pablo Cuevas, que não tem medo de cara feia.

A rodada aliás tem ainda um novo capítulo de Dominic Thiem-David Goffin, que ainda por cima vale direito a eventual duelo contra Djokovic nas quartas. O saibro europeu começa com tudo.

E Serena Williams? Mistério. O Sports Illustrated, que não é qualquer veículo, deu até foto da futura número 1 grávida. Mas ela não confirmou e vimos ainda a WTA tirar a notícia do ar minutos depois. Se confirmado, pode ser um final antecipado de carreira.