Arquivo da tag: Serena Williams

Ele voltou!
Por José Nilton Dalcim
18 de março de 2018 às 22:34

Juan Martin del Potro voltou a ser grande. Mais de oito temporadas depois de conquistar o US Open numa atuação magistral, ele ergueu o segundo mais importante troféu de sua carreira ao derrotar o mesmo Roger Federer. Nesse longo e difícil período, em que se submeteu a três cirurgias e considerou a aposentadoria, precisou de resiliência e adotou adaptações. Ainda que tenha vencido seis ATPs 500 e oito 250, além do vice olímpico, ainda lhe faltava algo substancial, que enfim veio em Indian Wells.

A façanha de Del Potro precisa ser comemorada pelo circuito masculino neste momento em que Federer praticamente não tem adversários. Ao jogar seu melhor tênis desde 2009, o argentino se coloca como candidato a grandes títulos, principalmente na quadra dura, e demonstra que não apenas evoluiu na parte técnica como um todo – a limitação no backhand o fez um voleador competente – mas também que seu físico pode aguentar uma sequência exigente, um fator essencial que deixou muito a desejar nos últimos tempos.

Vale lembrar que Delpo chega a seu inédito troféu de Masters depois de faturar Acapulco, ou seja, uma rara sequência de títulos. A última vez que havia mostrado tal consistência fora no finalzinho de 2013, quando chegou a três decisões seguidas e ganhou duas. Também repetiu neste domingo uma dobradinha que não obtinha desde que ganhou Viena e Basileia, em outubro de 2012.

O 24º capítulo do duelo entre Delpo e Federer tirou o fôlego, num partidaço que reuniu todos os ingredientes possíveis de uma partida de tênis e mostrou dois jogadores incrivelmente determinados a dar seu melhor a cada lance. A irritação evidente de um e de outro deixava claro o quanto eles queriam vencer. Não aliviaram um segundo sequer, nem depois de quase 3h de tanta pancadaria. Deve-se admirar a aplicação tática do argentino, que abusou do saque no backhand do adversário e usou outra vez o ataque ao lado direito sempre que percebeu Federer se protegendo do esquerdo. Por seu lado, o suíço demonstrou uma capacidade notável de se defender e contraatacar, chegando a me lembrar um autêntico Rafael Nadal.

Numa partida tão longa, incrivelmente disputada e tensa, claro que estatística se torna algo relativo, porque erros e acertos acabam dependendo também da importância dos pontos. Mas ainda assim vale ver a eficiência do backhand de Del Potro, responsável apenas por seis de seus 24 erros não forçados – aliás um número total bem baixo para o grau de risco que assumiu na partida – e também por oito dos 42 winners. É um progresso e tanto.

Federer por seu lado falhou 45 vezes e, desse total, 25 foram de forehand. É um número expressivo, mas claro que esse é o golpe de ataque e portanto mais sujeito a falhas. O mesmo forehand anotou 28 dos 51 winners. Claro que o suíço vai lamentar muito a escolha de pelo menos duas jogadas nos três match-points que teve, principalmente a deixadinha que Delpo chegou tão bem e usou a paralela. Federer no entanto deve também se resignar uma vez que, a rigor, ganhou um set de bônus, já que Delpo desperdiçou um match-point na rede com o forehand inside-out que tanto gosta de executar.

Com a campanha espetacular no deserto californiano, Delpo retorna ao sexto lugar do ranking e começa a ameaçar Grigor Dimitrov e Alexander Zverev, já que tem pouco a defender até agosto, principalmente em Slam e Masters. Federer por seu lado terá de tomar a decisão de disputar ou não Miami. Se não for, entregará o primeiro lugar a Nadal. Caso contrário, terá de fazer 180 pontos, ou seja, chegar às quartas para manter o posto.

Se a decisão masculina de Indian Wells já se candidata a ‘jogo do ano’, a final feminina decepcionou. Daria Kasatkina pareceu mais nervosa do que o esperado e pouco a pouco o tênis agressivo de Naomi Osaka tomou conta da partida. O primeiro set ainda teve algum equilíbrio e troca de oportunidades, destacando-se o break-point crucial que a japonesa salvou no sétimo game. Daí em diante, ganhou confiança e viu Kasatkina cair de intensidade. O jogo ficou sem graça.

Enquanto Osaka dispara para o 22º lugar do ranking e vê uma ótima oportunidade de ascensão, caso mantenha esse padrão de jogo, uma vez que somou muito pouco no saibro e na grama europeias no ano passado. Kasatkina deixou escapar a primeira chance de entrar para o top 10, mas isso parece apenas uma questão de tempo. E olha o que o destino aprontou em Miami: a primeira adversária de Osaka será… Serena Williams!

E a sensação de Indian Wells é… Venus!
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2018 às 03:08

Falamos tanto da longevidade de Roger Federer e de vários ‘trintões’ que se mantêm tão firmes no circuito que por vezes nos esquecemos dela, Venus Williams. A quatro meses de completar 38 anos, em sua 24ª temporada como profissional, ela continua a esbanjar um invejável vontade de vencer.

A surpresa pela campanha em Indian Wells começa por seu início ruim de temporada, com derrotas na estreia de Sydney e Melbourne. Passa pelo duelo tão emocional contra a irmã Serena ontem, que acima de tudo remontou àquele amargo momento de 2001 em que não entrou em quadra na semifinal e viu Serena ser vaiada no dia seguinte com provocações racistas, motivo pela qual boicotaram o torneio até pouco tempo atrás.

Nesta noite diante de Anastasija Sevastova, 20ª do ranking, Venus demonstrou uma vitalidade exemplar. Mexeu-se incrivelmente bem, lutou por todos os pontos, buscou duas curtinhas difíceis num único game e manteve seu espírito agressivo. Jogou com a mesma seriedade e empenho da véspera diante de Serena. E talvez seja por isso que às vezes nem nos lembremos de que ela está ali há tanto, tanto tempo.

Enquanto isso, a chave masculina apresenta nomes completamente fora dos padrões de um Masters 1000. Vale até dar uma consultada no histórico dessa rapaziada.

Pierre Herbert, por exemplo. É fácil associar seu nome às duplas, já que forma notável parceria com Nicolas Mahut, com quem já ganhou dois Grand Slam. Mas Herbert tem apenas 26 anos. Quem sabe, sua dedicação tão precoce às duplas tenha tirado seu foco. Ele já fez uma final de simples em ATP (2015 em Winston) e figurou no top 70. É orientado por Fabrice Santoro e daí se pode acreditar que ainda haja espaço para ele brilhar nas simples.

Leonardo Mayer, 30 anos, tem um longo currículo em que se incluem dois títulos de ATP e o 21º lugar do ranking em 2015. Com 1,90m e backhand de uma mão, facilmente se adaptou aos pisos mais velozes e esteve a um passo – na verdade, cinco match-points – de eliminar Federer em Xangai de 2014. No seu melhor momento, perdeu metade da temporada de 2016 devido a tendinite no ombro e ainda tenta se recuperar.

O garoto Taylor Fritz tem sido precoce em tudo. Fez final apenas em seu terceiro ATP da carreira (Memphis de 2016) e se casou logo depois, ainda aos 18 anos, tendo um filho, nascido 14 meses atrás. Carrega um gene espetacular, já que sua mãe Kathy May foi top 10. Teve grande carreira juvenil, é treinado por Mardy Fish e ganhou de Marin Cilic 12 meses atrás lá mesmo em Indian Wells. Aos 20 anos e com 1,93m, também foi vítima de longa parada por causa do joelho e por isso deixou o top 100. Voltou nos challengers e já recuperou 40 posições.

Mesmo eliminado nesta noite por Sam Querrey, também vale falar sobre Yuki Bhambri, que saiu do quali. Ele fez parte de um grupo de 40 adolescentes indianos que foi tentar a sorte na academia de Nick Bollettieri, mesma época aliás em que Hyeon Chung, então com 12, chegou lá. Bhambri se destacou logo e, com 16, foi campeão do Orange Bowl e do Australian Open. Em 2015, chegou a 88º do ranking da ATP, mas o tennis-elbow o pegou e o fez cair para além do 500º. Foi jogar futures e hoje se reaproxima do top 100.

Djokovic dá molho a Indian Wells
Por José Nilton Dalcim
6 de março de 2018 às 23:30

A jogada tem certa dose de ousadia, mas a inesperada volta de Novak Djokovic ao circuito não poderia vir em melhor hora para salvar o sempre gostoso Masters de Indian Wells de dias enfadonhos. Cinco vezes campeão no deserto californiano, não há como desrespeitar seu nome na chave.

O retorno, cerca de 45 dias depois da queda chorosa na Austrália, ratifica o que se imaginava: a cirurgia feita logo depois para remover um fragmento no punho direito – ele seria o motivo para o cotovelo ainda apresentar dor – foi mesmo pequena. Djoko já havia assinalado nas mídias sociais que a volta ‘estava perto’. Treinou em Las Vegas ao lado de Andre Agassi e enfim anunciou nesta terça-feira que está em condições de competir. Grande notícia.

Nole, claro, poderia ter tido mais sorte na formação da chave. Kei Nishikori na segunda partida, Juan Martin del Potro nas oitavas e Marin Cilic nas quartas é um quadro dos mais exigentes. Certamente, torcerá por alguma zebra, como David Ferrer diante de Delpo ou John Isner diante de Cilic, porém a chance de isso acontecer é diminuta.

Mas, se conseguir tamanha façanha em seu retorno, a vaga na final fica bem provável, já que o terceiro quadrante é uma tristeza, reunindo Jack Sock, Sam Querrey, Milos Raonic e até Alexander Zverev em fase desanimadora. Lucas Pouille pode aproveitar, mas não seria um adversário tão temido assim para o sérvio.

Com necessidade de vencer quatro partidas para atingir a semifinal e manter a liderança do ranking, Roger Federer não tem do que reclamar. Estreia já na segunda rodada contra Ryan Harrison ou Federico Delbonis, deve então cruzar com o ascendente Filip Krajinovic e então duelar com Fabio Fognini ou Adrian Mannarino. Não é uma caminhada preocupante.

As eventuais quartas também não tiram o sono, seja os veteranos Tomas Berdych ou Pablo Cuevas ou os novatos Dominic Thiem ou Heyon Chung. No meio desse quadrante está Denis Shapovalov, mas ele teria de fazer muito estrago num piso não tão veloz para ter a honra de desafiar o pentacampeão.

O outro quadrante da parte superior é bem indefinido. Na teoria, favorece Grigor Dimitrov, mas o búlgaro não anda confiável com suas costas e tem Andrey Rublev já na segunda partida. Se ganhar confiança, vira forte candidato à semi, ainda que Kevin Anderson esteja em melhor momento. Nick Kyrgios é completo mistério.

A chave feminina também reserva duas voltas de peso: Serena Williams e Vika Azarenka. Não se sabe o que esperar das duas mamães. Serena fez exibição em Nova York na segunda à noite e mostrou péssima mobilidade. Talvez nem consiga chegar ao duelo com a irmã Venus na terceira rodada.

Azarenka por sua vez conseguirá competir porque o torneio acontece na Califórnia, de onde a justiça a impede de sair por conta da batalha pela custódia do filho. Não menos curioso é o fato de Maria Sharapova também não será cabeça no torneio, mas obviamente está em ritmo de competição muito superior a Serena e Vika.

Indian Wells promete emoções e choradeira.

Ah, e Bia Haddad é o nome brasileiro no torneio. Enfrentará logo de cara Monica Puig, que não anda aquelas coisas – está 24 posições atrás da brasileira , mas é uma tenista que gosta da quadra dura. Não há grande nomes no caminho da canhota paulista, ainda que Anastasija Sevastova e Julia Goerges sejam barreiras difíceis.