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Fiasco brasileiro. E o show de Nadal.
Por José Nilton Dalcim
8 de abril de 2018 às 09:25

Atualizado às 20h32

Desta vez, o Brasil sequer irá disputar a repescagem para o Grupo Mundial da Copa Davis, batido na segunda rodada do Zonal Americano pela irregular equipe da Colômbia, para quem jamais havíamos perdido em oito duelos ao longo da história.

Desde que saímos da terceira divisão, em 2005, jamais deixamos de superar o Zonal e atingir ao menos a repescagem. É bem verdade que passamos por ela apenas duas vezes desde então, em 2012 e 2014, mas para o tamanho do nosso currículo no tênis internacional, estar no playoff é o mínimo que se espera.

O fato inegável é que a derrota em Barranquilla reflete com triste precisão o momento que vivemos no tênis masculino, sem qualquer nome no top 100. A situação é tão desalentadora que é difícil até mesmo lamentar a ausência de Rogerinho Silva e Thomaz Bellucci no time da Davis.

Nosso atual número 1, aos 33 anos, acaba de ser batido por dois adversários de ranking incrivelmente baixo (Evan Song, 448º, e Carlos Gomez, 356º) e Bellucci não reage sequer em nível challenger, às portas de deixar o top 200, sua mais baixa classificação desde 2007. Um ranking digno do que está jogando.

Perdemos em Barranquilla basicamente para um valente colombiano de 21 anos, Daniel Galan, que mostrou sangue frio e bons recursos em cima de Thiago Monteiro e Guilherme Clezar. Ah, se tivéssemos hoje um garoto tão promissor… Clezar, que era a alternativa mais lógica dentro do que o capitão João Zwetsch tinha a colocar em quadra, não consegue recuperar seu melhor tênis nem mesmo com a ajuda de Larri Passos. Mantém um estilo previsível e pouco criativo.

O canhoto cearense por seu lado foi à batalha com seis derrotas seguidas no circuito desde a semi em Quito e causou a segunda decepção seguida na Davis, onde carrega peso evidente nos ombros. Não se pode crucificar João Pedro Sorgi, que perdeu o ponto decisivo mas fez bom papel, e devemos elogiar a excepcional atuação de Marcelo Demoliner ao lado de Marcelo Melo, no único momento realmente memorável da passagem nacional pela quadra dura colombiana.

E vocês viram? Barranquilla tem um centro de tênis, com estádio e tudo, e nós…

O grande Nadal está de volta
Rafael Nadal mostrou como foi acertada sua decisão de retornar às quadras nesta Copa Davis diante da Alemanha. Depois de saltar Acapulco, Indian Wells e Miami para cuidar corretamente do problema na coxa, o número 1 mostrou-se à vontade ao pisar novamente o saibro e deu um show, esmagando o backhand de uma mão de Philipp Kohlschreiber e atropelando Alexander Zverev, que escapou de um grande vexame.

Rafa não poderia aliás estar em local mais indicado: a arena de touros de Valência, onde cedeu apenas 17 games com um jogo variado, a tradicional garra e excelente deslocamento. Recordista agora da Davis com 23 vitórias seguidas – sua última derrota foi nas duplas de 2005! -, ele parece completamente pronto para sua longa, exigente e tão aguardada temporada do saibro europeu.

Emoções e surpresas
David Ferrer deu a grande emoção do fim de semana, ao lutar por quase cinco horas e derrotar Philipp Kohlschreiber num quinto jogo nervoso e intenso em Valência. A Espanha mantém a invencibilidade dentro de casa que vem desde a derrota para o Brasil, em 1999 (que saudades…), e fará semifinal na França. Os atuais campeões derrotaram a Itália em pleno saibro, com destaque para o fim de semana inspirado de Lucas Pouille.

Croácia e Estados Unidos duelam na outra semi e venceram em casa. Marin Cilic fez dois dos três pontos sobre o Cazaquistão, mas Borna Coric decepcionou. No piso duro, John Isner e Sam Querrey bateram a desfalcada Bélgica e agora jogarão fora de casa, entre 14 e 16 de setembro.

Nos zonais, Argentina e Chile fizeram confronto de tirar o fôlego diante de 4.500 ruidosos torcedores. Apesar da derrota, Nicolas Jarry e Christian Garin foram muito bem. Na Europa, inesperada queda da Rússia em Moscou, mesmo com três top 50, diante de uma frágil Áustria. Também vão à repescagem suecos, tchecos e bósnios. Na Ásia, venceram Índia e Uzbequistão.

Nightmare in Rio
Por José Nilton Dalcim
21 de fevereiro de 2018 às 21:31

A chave é bem verdade estava duríssima: apenas adversários muito mais bem classificados e especialistas no piso de saibro. Derrotas portanto eram previsíveis. Duro foi a forma com que ocorreram. Thomaz Bellucci tinha folgada vantagem, Thiago Monteiro chegou ao match-point e Rogério Silva tomou o controle da partida antes de todos deixarem escapar o bom momento e a oportunidade de ouro de brilhar no Rio Open.

É fato inegável que tem sido uma incômoda constante vermos nossos principais tenistas do ranking masculino deixarem escapar vitórias bem encaminhadas. Mas ao mesmo tempo é um exagero colocar isso como uma norma. Levantamento estatístico no site da ATP mostra que Bellucci tem uma carreira consistente, enquanto Monteiro ainda começa a se aventurar entre os grandes e Rogerinho demorou uma década para atingir a elite.

Bellucci tem um percentual digno nos jogos em que saiu vencendo o primeiro set: 75%, ou seja 155 vitórias e 52 derrotas incluindo a terrível virada que levou de Fognini. Rogerinho por seu lado está na casa dos 61%, com 17 em 28. Monteiro tem número bem menos expressivo nesse quesito, mas ainda assim o salto é positivo. Dos 30 jogos que já fez nesse nível em que venceu o primeiro set, confirmou 16, um índice um pouco acima dos 53%.

Mas vamos ver o lado oposto. Quantas viradas eles obtiveram nesse quilate de competição? Bellucci chega perto de 22%, com 45 sucessos. Monteiro já fez oito em 30 partidas em que perdeu o primeiro set, ou seja, quase 27%. Apenas Rogerinho tem retrospecto fraco, beirando os 15% (8 em 53).

Por fim, vale ainda dar uma olhada no aproveitamento desses principais brasileiros em jogos que foram ao terceiro (ou quinto) sets. Bellucci está com pouco menos de 47%, com 76 vencidos e 85 perdidos, enquanto Rogerinho venceu 10 em 23 (43,4) e Monteiro faturou 12 em 28 (42,8%).

Em termos comparativos, vejamos o que fizeram os outros grandes tenistas brasileiros da Era Profissional. Guga venceu 88% dos jogos que cravou o primeiro set, Fernando Meligeni ficou ligeiramente acima de Bellucci (77%) e Luiz Mattar atingiu 83%, embora jogasse muitos torneios no Brasil.

No campo das viradas, Guga superou a marca de 30%, Meligeni fechou com 21% e Mattar, 22%, portanto números muito semelhantes a Bellucci. Por fim, Kuerten teve notáveis 62% em sets decisivos, Mattar atingiu 55% e Meligeni, quase 50%.

Claro que essas estatísticas também servem para explicar por que a atual geração de brasileiros não está mais bem classificada. Se você pegar a maioria dos grandes nomes do circuito atual, é raro encontrar alguém que tenha menos de 80% de vitórias depois de ganhar o primeiro set e isso é muito mais importante do que eventualmente obter uma virada, o que na média está abaixo dos 25%, mesmo para os tops.

Da mesma forma, ganhar o set decisivo é obviamente um argumento importante e os que estão lá em cima do ranking vencem pelo menos 60% deles. A questão pode ter muito de físico, claro, devido ao desgaste, mas o componente emocional, da confiança, é o que tem pegado a nossa moçada.

Favoritos a jato
Por José Nilton Dalcim
15 de janeiro de 2018 às 11:07

Rafael Nadal, Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios não quiseram saber de brincadeira na abertura do Australian Open 2018. Com seriedade e aplicação, cederam poucos games e confirmaram a expectativa de ser as forças mais destacadas do lado superior da chave masculina.

O mais importante para Rafa foi sua agilidade. Nenhum sinal de problema no joelho, fugiu à vontade do backhand e buscou as tradicionais bolas espetaculares. Não fosse a perda de um serviço para Victor Estrella e teria sido uma noite perfeita. O placar de triplo 6/1 reflete a diferença de qualidade técnica e servirá para animar o líder do ranking.

Kyrgios admitiu na entrevista que mais uma vez pediu para jogar no terceiro estádio, evitando a Rod Laver onde nunca se sente tão à vontade. Jogou sério, sem qualquer malabarismo. Levou advertência por xingar um espectador barulhento, porém jamais perdeu a concentração contra Rogerinho Silva. Sacou muito e foi conservador no fundo. O brasileiro fez um bom terceiro set dentro do que poderia se virar numa quadra veloz.

Dimitrov pegou o qualificado Dennis Novak e não cedeu mais que seis games. Ainda acho que o búlgaro poderia jogar de forma bem mais ofensiva e ir à rede para simplificar pontos. Mas ele gosta da correria, de exibir elasticidade e improvisação. Convivamos com isso.

Entre os grandes jogos do dia, a vitória em exigente cinco sets confirmou o momento de amadurecimento do russo Andrey Rublev, que soube controlar frustrações e desgaste para superar David Ferrer em duelo intenso de 3h52. O ponto negativo foi o excesso de quebras: o espanhol perdeu 13 serviços e o russo, oito.

Talvez a pior das 10 derrotas norte-americanas do primeiro dia tenha vindo com Jack Sock, que já havia mostrado não estar bem fisicamente em Auckland e parou no tênis regular e pouco criativo de Yuichi Sugita. Aliás, registre-se o notável retorno ao circuito de Yoshihito Nishioka, que após 10 meses da contusão no joelho em Miami despachou Philipp Kohlschreiber.

A segunda-feira terminou também com as quedas de Kevin Anderson diante de Kyle Edmund, de John Isner para Matthew Ebden e de Lucas Pouille para o quali Ruben Bemelmans. Entre a garotada, Denis Shapovalov justificou seu arsenal muito mais adequado aos pisos velozes em cima de Stefanos Tsitsipas.

As outras quedas muito sentidas para os EUA certamente foram a de Venus Williams e de Sloane Stephens. A finalista do ano passado mostrou-se apressada e descalibrada, não conseguindo usar o saque frágil de Belinda Bencic para colocar pressão. A suíça tem muita qualidade no fundo da quadra e está numa chave em que pode ir facilmente às oitavas.

A má fase de Stephens é cruel. A campeã do US Open soma oito derrotas consecutivas. A falta de confiança choca: sacou para o jogo, tremeu feio e foi arrasada no terceiro set pela chinesa Shuai Zhang. Para completar a jornada tenebrosa, nem a velocidade da quadra salvou CoCo Vandeweghe.

Enquanto Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Jelena Ostapenko tiveram também vitórias a jato, a notícia animadora coube à ucraniana Marta Kostyuk, de 15 anos e dois meses. Campeã juvenil do ano passado, passou o quali e em sua primeira partida como profissional esmagou com duplo 6/2 a número 27 do mundo Shuai Peng.