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Estreias exigentes
Por José Nilton Dalcim
28 de maio de 2018 às 19:45

Foi uma derrota, nunca é bom, mas Rogerinho Silva pode ter contribuído muito para a recuperação de Novak Djokovic. Sim, porque o valente brasileiro mostrou o que sabe fazer numa quadra de saibro, lutou como de hábito e exigiu que o sérvio elevasse seu nível depois de perigosamente perder o serviço na abertura dos dois primeiros sets do duelo desta segunda-feira. Rogerinho nunca se entregou, tentou um pouco de tudo e Nole só fechou em três sets porque jogou um grande tênis quando necessário.

Nole reconheceu isso. Elogiou a competência do veterano paulista de 34 anos, definindo como a vitória como “um bom teste”. Acha que continua evoluindo desde a chegada em Roma e conta que pela primeira vez entra em quadra e joga sem pensar no cotovelo ou na dor. Rogerinho por seu lado lamentou ter deixado escapar as duas boas aberturas de set, em que fez 2/0, e se disse feliz por ter feito um jogo competitivo diante de um adversário de tantos predicados. Terá no entanto de voltar aos challengers até o final da temporada de grama e só então tentar os últimos ATPs do saibro europeu.

– A primeira parte da estreia de Rafael Nadal em Roland Garros foi inesperadamente mais trabalhosa do que qualquer um imaginaria. Jogando um belo tênis, agressivo e cheio de toques bem feitos, Simone Bolelli só foi quebrado no finalzinho do primeiro set. Depois abriu 3/1 e break-point antes de entrar em parafuso com as bolas profundas do espanhol. Por fim liderava por 3/0 quando a chuva chegou.

Fiquei com a impressão que Nadal não esperava que Bolelli acertasse tanto, ao jogar dentro da quadra e batendo tudo na subida. A bola do decacampeão muitas vezes estavam curtas e o italiano não vacilou e forçou o tempo todo. A parada forçada até pode ajudar Bolelli, não só para descansar como encontrar um saibro mais seco e veloz no começo da tarde de terça-feira. Rafa por sua vez deve entrar bem mais esperto.

– O garoto espanhol Jaume Munar, de 21 anos, será o próximo adversário de Nole depois de uma virada incrível em cima do experiente David Ferrer. “Não é fácil jogar contra um de seus ídolos, David me inspirou e foi um sonho enfrentá-lo”. Ele, que veio do quali, não esconde: saiu exausto da quadra.

– Depois de quatro jogos e do título em Lyon no sábado, Dominic Thiem preocupou-se em não gastar energia desnecessária e atropelou na estreia. Agora, terá um interessante duelo contra Stefanos Tsitsipas, para quem perdeu dias atrás em Barcelona. “É um futuro top 10”, aposta o austríaco.

– Petra Kvitova e Veronica Cepede fizeram um terceiro set de perder o fôlego. A canhota levou na reta final depois de fazer três aces seguidos, algo raro até mesmo para Serena Williams. Muito bem adaptada ao saibro, Petra quer jogar solta: “Não me ponho qualquer pressão”. Certíssima!

– Não faltaram pernas, mas confiança. E assim Stan Wawrinka, aos 33 anos, caiu ainda na estreia e pode sair do top 250, a menos que jogue challenger na próxima semana. Ele nega problemas com o joelho operado e acha que está jogando bem: “Voltarei ao meu melhor, mais cedo ou mais tarde”.

– Enquanto isso, Ernests Gulbis ensaia uma reação. Depois de figurar fora do top 500 no ano passado, ele furou o quali, tirou o cabeça Gilles Muller e tem promissor duelo contra Matteo Berrettini. Vale lembrar que ele foi semi de Roland Garros e com isso chegou ao 10º lugar do ranking quatro anos atrás.

– O incrível esforço do argentino Marco Trungeliti valeu a pena. Ele já estava em Barcelona quando soube da chance de entrar como lucky-loser no lugar de Nick Kyrgios nesta segunda-feira. Viajou de carro cerca de 1.000 km em 9 horas e derrotou Bernard Tomic, embolsando R$ 340 mil. Sonha agora em bater o italiano Marco Cecchinato.

– E Marcos Baghdatis caiu em lágrimas. Liderava o jogo sobre Santiago Giraldo por 6/3 e 4/2 quando sentiu contusão na perna esquerda. Chamou o fisio, quebrou raquete de raiva e tentou voltar, mas não houve jeito.

Nadal agradece, Djokovic tem chance
Por José Nilton Dalcim
24 de maio de 2018 às 19:12

O amplo favoritismo de Rafael Nadal para alcançar seu 17º troféu de Grand Slam apenas aumentou depois da formação da chave de Roland Garros. Ele encara um quadrante com poucas dificuldades e nem mesmo lá na semifinal surge algum nome de lhe tirar o sono.

A estreia contra Alexandr Dolgopolov só é ruim porque o ucraniano não deve lhe dar qualquer ritmo e ele provavelmente vai precisar daquele treino após o jogo. Depois, João Sousa ou Guido Pella exigem mais porque são bons saibristas e a terceira rodada deve ser contra o superfreguês Richard Gasquet.

Ao que tudo indica, Denis Shapovalov é o candidato mais forte a duelar com Rafa nas oitavas e as quartas apontam para Diego Schwartzman, que só corre algum perigo contra Philipp Kohlschreiber na terceira partida. Ou seja, Rafa não tem um único adversário a temer até a semi, com chance real de chegar lá sem ceder sets. Vale lembrar que o espanhol ganhou três de seus 10 títulos em Paris totalmente invicto, um recorde em qualquer Slam.

E quem é o maior candidato a enfrentá-lo na penúltima rodada? Pode dar um grandão como Marin Cilic, Juan Martin del Potro, Tomas Berdych ou John Isner, mas convenhamos que vale mais apostar em Fabio Fognini ou Kyle Edmund, que no entanto podem fazer duelo direto ainda na terceira rodada. A meu ver, a caminhada do decampeão até a final pinta como barbada.

O lado inferior da chave ficou bem mais equilibrado e portanto, mais atraente. Novak Djokovic tem adversários experientes, mas dá para apostar numa grande campanha. Estreia contra um quali, deve pegar os instáveis David Ferrer e Roberto Bautista e aguarda nas oitavas Grigor Dimitrov ou Fernando Verdasco. Sou muito mais Nole. Se estiver embalado e conseguir poupar o fôlego, dá para encarar com favoritismo David Goffin, que é disparado o principal nome do seu setor.

O último quadrante é de longe o mais duro. Alexander Zverev tem tudo para fazer seu melhor Slam, especialmente porque Stan Wawrinka mostrou hoje em Genebra que está longe da forma ideal. Ficou bem pior para Dominic Thiem, que pode ter Stefanos Tsitsipas na segunda partida e Kei Nishikori nas oitavas se quiser fazer as quartas contra Zverev. Qualquer coisa é cabível, mas o legal: seja Zverev, Thiem, Goffin ou Djokovic, a expectativa de uma final empolgante contra Nadal fica grande.

A chave feminina, que entre tantos ingredientes exibe também seis candidatas à liderança do ranking, ficou ainda mais imprevisível após o sorteio. A número 1 Simona Halep ficou no quadrante que tem Angelique Kerber, a dona da casa Caroline Garcia, a embalada Elise Mertens e a experiente Kiki Bertens. Nada fácil.

E a dificuldade não termina aí, porque o lado de cima da chave também ficou com Garbine Muguruza e assinala para um reencontro entre Serena Williams e Maria Sharapova, o que seria espetacular para o torneio. A russa não pode vacilar contra Karolina Pliskova já na terceira rodada e Serena só precisa mostrar boa forma para vingar no seu setor. Muguruza é ampla favorita para as quartas.

O lado inferior da chave conta com a atual campeã Jelena Ostapenko – que pega encontrar Vika Azarenka na segunda rodada e Elina Svitolina nas quartas – e a cabeça 2 Carol Wozniacki, bem mais favorita ao menos até chegar a um possível duelo contra Petra Kvitova nas quartas. De qualquer forma, apontar até mesmo as semifinalistas deste Roland Garros fica um tanto lotérico. O que é ótimo.

Primeira rodada
Alguns jogos de primeira rodada são bem promissores: Pella x Sousa, Shapovalov x Millman, Kohlschreiber x Coric, Edmund x Di Minaur, Jarry x Donaldson, Troicki x Dimitrov, Tiafoe x Querrey no masculino; Muguruza x Kuznetsova, Goerges x Cibulkova, Konjuh x Suárez e Cornet x Errani.

Esperança
O tênis brasileiro terá três chances de colocar ao menos um representante nas chaves de simples. Rogerinho Silva é favorito contra o garoto tcheco Zdenek Kolar, quase 100 postos atrás do ranking, e mesmo que perca ainda está garantido no primeiro sorteio para o lucky-loser que surgiu com a saída de Hyeong Chung. Pouco depois, Thomaz Bellucci faz duelo de canhotos contra o belga Ruben Bemelmans, 111º do ranking.

E se houvesse o ‘ranking do saibro’?
Por José Nilton Dalcim
22 de maio de 2018 às 20:28

Wimbledon escolheu livremente seus favoritos, entre os melhores tenistas do ranking, até 2001. Só então cedeu a tantas reclamações e resolveu criar uma fórmula matemática, que se habitou chamar ‘ranking da grama’, e através dela passou a determinar os 32 cabeças de chave. A conta que o Club faz é simples: pega-se o total de pontos de cada tenista na segunda-feira imediatamente anterior, soma-se 100% de todos os pontos obtidos em torneios de grama nos últimos 12 meses e, como o calendário é muito curto, adiciona-se mais 75% dos pontos do campeonato de melhor performance nos 12 meses anteriores.

Fiquei curioso para saber o que aconteceria se aplicássemos critério semelhante ao saibro. Como há muito mais torneios sobre a terra ao longo de 12 meses, não achei necessário utilizar o terceiro item (75% do principal torneio entre 13 e 24 meses anteriores).

Será que mudaria muito a lista de favoritos para Roland Garros deste ano?  Veremos que não. Todos os 11 principais cabeças obedeceriam a ordem do ranking.

Mas alguns tenistas de peso seriam valorizados. Kei Nishikori subiria de cabeça 20 para 12, entrando numa faixa bem mais favorável, e seria seguido Stan Wawrinka, com um salto bem expressivo de 24 para 13. Outro que poderia se beneficiar é Novak Djokovic, que entrará como cabeça 21 mas teria direito a ser 15º nessa hipótese. Dominic Thiem evoluiria de 7 para 5, mas isso não muda grande coisa.

Apenas como curiosidade, segue abaixo o ‘ranking do saibro’ dos 16 primeiros, onde o superfavorito Rafa Nadal tem quase a soma de pontos de Alexander Zverev e Marin Cilic.

1. Rafael Nadal – 13.450 (8770 da ATP + 4680 no saibro em 12 meses)
2. Alexander Zverev – 7.835 (5615 + 2220)
3. Marin Cilic – 5.895 (4950 + 945)
4. Grigor Dimitrov – 5.430 (4870 + 560)
5. Dominic Thiem – 5.135 (3195 + 1940)
6. Juan Martin del Potro – 4.720 (4450 + 270)
7. Kevin Anderson – 4.185 (3635 + 550)
8. David Goffin – 4.010 (3020 + 990)
9. John Isner – 3.280 (2955 + 325)
10. Pablo Carreño – 3.280 (2415 + 865)
11. Diego Schwartzman – 3.025 (2165 + 860)
12. Kei Nishikori – 2.905 (1755 + 1150)
13. Stan Wawrinka – 2.815 (1605 + 1210)
14. Roberto Bautista – 2.660 (2120 + 540)
15. Novak Djokovic – 2.520 (1665 + 855)
16. Kyle Edmund – 2.505 (1950 + 555)

Reza brava
A urucubaca em cima do tênis brasileiro parece não ter fim. Um dia depois de vermos a derrota do nosso número 1 Thiago Monteiro ainda na primeira rodada do qualificatório para Roland Garros, seguido por Guilherme Clezar que entrou de última hora, veio a triste notícia de que nossa única representante garantida nas chaves de simples desistiu de jogar em Paris.

Bia treinava em Roland Garros quando voltou a sentir a lesão nas costas, retornou para o Brasil e verá um especialista. Vale lembrar que ela já sofreu com hérnia de disco anos atrás. No começo do ano, o problema foi no punho. Como pouca desgraça é bobagem, perderá também o posto no top 100 após o Grand Slam francês. Ao menos, é muito provável que consiga entrar diretamente em Wimbledon, cuja lista de inscritas sai na próxima segunda-feira.

Resta torcer por Rogerinho Silva e Thomaz Bellucci, que precisam de mais duas vitórias no quali. Rogerinho enfrentará o eslovaco Andrej Martin, 154º, e pode decidir vaga contra o italiano Stefano Napolitano. Bellucci pegará o experiente Daniel Gimeno, 214º, e quem sabe decidirá contra o belga Ruben Bemelmans. Não é o pior dos quadros.

Oremos.