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Quanta notícia boa!
Por José Nilton Dalcim
2 de maio de 2018 às 19:11

Vamos falar baixinho, porque dá até medo de alguém ouvir: o tênis brasileiro engatou uma série de vitórias como há bom tempo não se tinha o prazer de observar. Bem dito seja o saibro, e o har-tru também.

Rogerinho Silva fez duas belíssimas partidas em Istambul, atropelou Viktor Troicki e tem enorme chance de passar por Taro Daniel e atingir a semifinal, o que novamente o deixaria a um passo do top 100. Thiago Monteiro por sua vez furou o quali e enfim voltou a vencer em nível ATP, o que não acontecia desde a semi de Quito três meses atrás.

Fato curioso, embora menos expressivo, Rogerinho e Thiago disputam rodada a rodada pelo número 1 nacional. Por ter menos a defender, o canhoto cearense leva vantagem, mas terá de repetir o sucesso de Rogerinho e avançar às quartasna Turquia. O adversário é perigoso: o canhoto Jiri Vesely, para quem já perdeu duas vezes.

Outro alívio foi ver Thomaz Bellucci, Guilherme Clezar e Karue Sell avançarem no har-tru norte-americano. Bellucci ainda nos fez sofrer, mas segurou a cabeça e conseguiu virada nesta quarta-feira, novamente indo às quartas. Não sabe o que é uma semi desde Houston, há mais de um ano, nem mesmo em nível challenger. Aliás, Clezar também mostrou poder de reação. Levou ‘pneu’ e viu adversário ter 6/5 no segundo set. Por fim, Sell jogou seu terceiro challenger e obteve a primeira vitória. Pouco para seus 24 anos, é verdade, porém ele ficou muito tempo fora do circuito profissional.

Como nem tudo é perfeito, Bia Haddad encarou uma adversária inspirada e parou na estreia de Praga. A canhota holandesa Mihaela Buzarnescu, 37ª do ranking, jogou um belo tênis e não há do que se queixar. Teliana Pereira só obteve uma vitória em ITF húngaro e está sofrendo para recuperar ritmo e a confiança.

E mais
– As boas notícias da semana vieram também para a antecipação de Roger Federer no retorno ao circuito, ao pedir convite para disputar Stuttgart. O suíço então fará três torneios na grama, assim como em 2017.
– Não menos animadora foi a lista de ‘s-Hertogenbosch, na mesma semana de Stuttgart, e a confirmação de Andy Murray. Espera-se que o escocês dispute um challenger sobre a grama na primeira semana de junho, possivelmente Surbiton.
– Ótimo também saber que Vika Azarenka foi liberada para viajar com o filho para a Europa. Ela poderá assim jogar Madri, Roma e Paris. Quase ao mesmo tempo, Serena Williams confirmou que só voltará em Roma, porque adiou o início do treinamento no saibro.
– Curiosa a entrevista do nutricionista suíço Jurg Hosli, reproduzida em TenisBrasil. Ele acredita que Novak Djokovic pode estar sofrendo de um tipo de anorexia, ou seja, obsessão por dieta com alimentos ‘pretensamente saudáveis’. Segundo o especialista, reduzir carboidratos e cortar totalmente o açúcar é um grande erro. Realmente, impressiona a magreza atual do sérvio.

Stef, a esquentada surpresa grega
Por José Nilton Dalcim
27 de abril de 2018 às 19:04

O tênis é algo tão antigo na Grécia como na maioria dos países europeus. O primeiro clube surgiu em 1895, apenas 18 anos depois de Wimbledon, e serviu de sede para as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, realizadas na temporada seguinte.

Mas o esporte jamais prosperou por ali pela falta de apoio governamental. Em 2004, com o retorno dos Jogos, construiu-se um centro com 16 quadras e estádio para quase 9 mil pessoas, mas que jamais conseguiu sediar outro evento de peso até hoje.

Assim, o surgimento de um grande talento não deixa de ser uma enorme surpresa. Stefanos Tsitsipas já foi líder do ranking juvenil, primeiro grego a atingir o top 100 e agora está muito perto de ser também o pioneiro na faixa dos 50 primeiros, já que a semifinal de Barcelona deste sábado, depois de vitória notável sobre Dominic Thiem – o coloca no 51º posto. Um crescimento fabuloso para quem, há 11 meses, era o 205º.

Stef tem tênis na veia. O pai é técnico e a mãe Julia Apostoli jogou profissionalmente na década de 1980 pela União Soviética e hoje treina a filha Elisavet. Os irmãos Petros e Pavlos também jogam. Ninguém abandonou Atenas, embora Stef divida treinamentos com a base de Patrick Mouratoglou na França.

Em entrevista ao site italiano Ubitenis, o pai Apostolos conta que Stef foi muito pequeno para a quadra e que, aos seis anos, já treinava no melhor clube da capital grega. Ele no entanto jamais forçou o filho a seguir carreira. “Ele gostava de futebol e natação, se divertia. Sou especializado no cultivo de tenistas jovens e sei que devemos inspirar crianças, motivá-las mas jamais tomar decisões por elas. Um dia, aos 10 ou 11 anos de idade, ele me acordou à noite e disse que  gostava da competição e do desafio, e que queria ser um tenista profissional”.

Só então Stefanos passou a ter um treinamento específico. “Apenas depois que o garoto está realmente motivado para o tênis, deve-se entender seu potencial, ver como seu corpo está estruturado e que habilidades possui. Construímos seu estilo com base em seus pontos fortes”.

Apostolos conta que a decisão de Stef em mudar o backhand de duas para uma mão foi totalmente do garoto. “Comecei a ensiná-lo com duas mãos, porque acho isso natural para crianças. Porém, com 10 anos, eu pedi para que ele optasse e ele preferiu jogar com uma apenas”. Não por acaso, seu ídolo de infância foi Roger Federer e o torneio dos seus sonhos, Wimbledon. Explicado. O pai sentencia: “As crianças devem ser livres para decidir, devemos apenas dar orientações e explicar que existem regras. Tomar decisão no lugar delas não seria uma coisa boa”.

Nem tudo no entanto é um mar de rosas para o garoto de 19 anos. Apesar da pouca idade, Stefanos mostra temperamento quente e já se envolveu em pelo menos dois bate bocas nesta temporada, um com o russo Daniil Medvedev, com quem trocou insultos após a derrota em Miami, e outro com o chileno Christian Garín, a quem mandou calar a boca.

Gentileza
Coisa que pouco se noticiou, Maria Sakkari foi a única tenista a ganhar apoio oficial do governo grego para a preparação aos Jogos de Tóquio, mas a jogadora decidiu pegar os 30 mil euros e dividir em partes iguais com Tsitsipas e Valentini Grammatikopoulou. “Ele é mais jovem que eu e é uma das maiores esperanças do tênis mundial. Ele merece”, sentenciou.

Os feitos que aguardam Nadal
Por José Nilton Dalcim
21 de abril de 2018 às 18:28

Mal começou a temporada de saibro e Rafael Nadal já começa a mudar o livro de história do tênis. O canhoto de Mallorca já marcou pelo menos quatro feitos importantes com as quatro vitórias obtidas até aqui em Monte Carlo e poderá obter mais nove caso confirme seu amplo favoritismo neste domingo e supere o japonês Kei Nishikori.

O que Nadal já garantiu:
– 34 sets vencidos seguidos no saibro, seu recorde pessoal
– 47 finais de Masters, igualando recorde de Federer
– 82,52% de vitórias na carreira: assume segundo lugar na Era Profissional e supera Djokovic (82,49)
– 395 vitórias no saibro, mais do que Rios, Stich e Nalbandian somaram na carreira toda

O que Rafa pode obter com título:
– 11 títulos num mesmo torneio, inédito no tênis masculino
– 15 temporadas seguidas com ao menos um título, repetindo Federer
– 23 Masters no saibro, mais do que Agassi conseguiu em todos os M1000 juntos
– 31 Masters, reassumindo liderança sobre os 30 de Djokovic
– 54 títulos no saibro, mais do que Becker, Murray e Edberg conquistaram na carreira inteira
– 74 títulos em quadras descobertas, superando Federer
– 76 títulos, ficando a um de McEnroe
– 171 semanas como número 1, ultrapassando McEnroe e isolando-se em 6º lugar
– 807 vitórias em quadras descobertas, igualando Vilas no segundo lugar

Como se esperava, Nadal dominou Grigor Dimitrov, mas até que tivemos um primeiro set interessante, em que o búlgaro conseguiu ser competitivo mesmo com um índice insatisfatório de primeiro saque. Ficou firme lá atrás da base, aguentou a pancadaria com o backhand e mostrou ótimo preparo físico para buscar bolas difíceis.

Rafa vacilou no único game realmente ruim que fez durante toda a semana, porém foi recompensado com duas duplas faltas do adversário no 10º e decisivo game do primeiro set. Daí em diante, Dimitrov perdeu forças, ficou apressado e virou presa tão fácil que o espanhol sentiu necessidade de treinar logo depois da semifinal. A cena de ele correr para o celular e mandar texto para Carlos Moyá, pedindo uma quadra para bater bola, foi icônica.

Nishikori pode atrapalhar a festa? Claro, mas teria de jogar num nível muito acima do que mostrou até agora. Fez quatro exibições de muito esforço e por isso merece estar na sua quarta final de Masters. Não é um saibrista genuíno, mas já ganhou dois títulos em Barcelona, além de outras quatro finais na terra.

Depois do problema no punho, mostra um forehand ainda menos potente. Para compensar, aumentou o arsenal com curtinhas e voleios. Sua virada em cima de Alexander Zverev deste sábado teve muito mais de empenho tático e determinação mental. Quem sabe, ele se inspire naquela atuação de Madri, quatro anos atrás, em que deu sufoco em Nadal, ou no último duelo entre eles, nos Jogos do Rio, em que exibiu um grande tênis.

Nishikori soma 12 títulos na carreira – quase tudo o que Rafa tem somente em Monte Carlo – e não ergue troféu desde fevereiro de 2016. Se surpreender o mundo neste domingo, voltará ao 12º lugar do ranking. E certamente poderá pleitear uma estátua.