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Muitas dúvidas
Por José Nilton Dalcim
13 de dezembro de 2017 às 16:20

Dias atrás, Roger Federer garantiu esperar um 2018 extremamente duro e concorrido com a volta de vários dos grandes nomes do tênis que tiveram sérios problemas físicos e se afastaram ao longo do segundo semestre. Apesar do otimismo do suíço, a verdade é que sobram dúvidas.

Algumas das mais ansiosas perguntas podem começar a ser respondidas ainda neste ano. Dentro de 15 dias, Stan Wawrinka faz seu primeiro jogo na exibição de Abu Dhabi diante de Pablo Carreño, mesmo dia que marcará a volta do também contundido Milos Raonic frente Dominic Thiem.

A sexta-feira será mais importante. Novak Djokovic fará seu primeiro jogo desde Wimbledon diante de Raonic ou Thiem e o número 1 Rafa Nadal terá a chance de mostrar que está recuperado do joelho diante de Stan ou Carreño. Mesmo que percam, Nole e Nadal voltarão à quadra no sábado para disputar o terceiro lugar. Mas não é nada difícil que ambos disputem o título, um teste bem mais valioso.

Logo em seguida, na segunda-feira, Nadal vai para Brisbane e Djokovic, para Doha. Mais cauteloso, Wawrinka não programou nada até o Australian Open.

Brisbane merece toda a atenção, porque ali acontecerão os retornos de Andy Murray e Kei Nishikori. O grupo é fortíssimo. Além de Nadal e Raonic, estão inscritos Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios. Ao mesmo tempo, Thiem e Carreño são os principais concorrentes de Djokovic, atual campeão de Doha, que terá ainda as presenças de Jo-Wilfried Tsonga e Tomas Berdych.

Mesmo sem ter dado muito detalhes de sua recuperação, Djokovic treina em Monte Carlo, contratou Radek Stepanek como técnico para acompanhá-lo nos torneios e chamou o analista de desempenho Craig O’Shannessy para participar da pré-temporada e do Australian Open. Sinais positivos.

Sobre Murray recaem maiores incógnitas, principalmente depois da tentativa frustrada de tentar jogar o US Open. O escocês decidiu evitar a cirurgia no quadril e, segundo a mãe, cumpre a cronologia de recuperação. Liberou Ivan Lendl e ficou com Jamie Delgado, que foi reticente na semana passada sobre a volta do pupilo em janeiro.

Wawrinka é outro que não disputa jogos desde Wimbledon e optou por operar o joelho em agosto. O suíço luta eternamente contra a balança e admitiu que a saída repentina do técnico Magnus Norman foi um choque para ele. De qualquer forma, divulgou um calendário repleto até Monte Carlo.

Nishikori por sua vez segue o mesmo caminho de Murray. Não quis operar o punho direito e corre contra o tempo num tratamento longo. Embora esteja inscrito em Brisbane, seu empresário mostrou certo pessimismo e preferiu não garantir sua presença em Brisbane, embora diga que ele estará no Australian Open. De todos os grandes nomes contundidos, o japonês é quem mais desabou no ranking. Enquanto Stan se manteve no top 10, Djoko caiu para 12º e Murray ainda está no 16º, ele deixou o top 20.

Melhores do Ano
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2017 às 10:51

Como acontece há 17 anos, TenisBrasil colocou no ar sua pesquisa dos Melhores do Ano, com algumas questões também sobre o que pode acontecer na temporada 2018. Como de hábito, as respostas são coletadas em dois painéis separados, um para os internautas e outro para especialistas convidados, o que sempre dá panoramas curiosamente distintos. Saberemos os resultados na segunda-feira. Até lá, convido vocês a votarem.

Vou dar minha visão da temporada em cima das perguntas. Claro que a mais polêmica é quem teriam sido os melhores da temporada. Eu voto em Roger Federer e Garbiñe Muguruza, pelo conjunto da obra, ainda que Rafa Nadal e Simona Halep tenham terminado com merecidos números 1. Difícil mesmo é decidir sobre o ‘feito do ano’. Ficarei com o título incrível de Federer na Austrália, pela exigência da chave, por então marcar seu retorno incerto às quadras e ainda por cima após a épica final diante de Rafa. Também por isso, Australian Open foi o ‘torneio do ano’ para mim, com menção honrosa ao inesperado sucesso da Laver Cup.

A surpresa pode ser tanto de Jelena Ostapenko como de Sloane Stephens. Tendo mais para a letã e seu jogo deliciosamente agressivo em pleno saibro de Paris. E daí podemos falar das evoluções técnicas, outra questão cheia de alternativas. Ficarei com David Goffin e CoCo Vandeweghe, que me parecem candidatos aliás a boas coisas em 2018. Quanto às revelações, Denis Shapovalov, sem dúvida.

A área de jogos é bem divertida. Zebra do ano? Puxa, quantas. Gostei demais do jogaço entre Denis Istomin contra Novak Djokovic na Austrália. Melhor jogo masculino? Esse é barbada: Fedal em Melbourne. Melhor do feminino? O duelo de estilos Muguruza x Kerber de Wimbledon.

As questões sobre 2018 devem ser bem competitivas. Acredito que Djokovic consiga ganhar um novo Grand Slam, talvez já em Roland Garros, e que ele e Murray serão ameaça real a Rafa e Federer a partir de Miami. A número 1 ao final de 2018 será… Serena Williams! E imagino que Halep esteja bem mais perto de seu primeiro Slam do que Karolina Pliskova, Sascha Zverev ou Grigor Dimitrov.

Por fim, o tênis brasileiro viveu uma temporada fraca, apesar da campanha magnífica de Marcelo Melo, da grande e esperada ascensão de Bia Haddad e dos bons jogos de Rogerinho Silva. O feito do ano nem dá nem para pensar duas vezes: título de Wimbledon é o máximo que se pode querer no tênis.

Por falar em Bia, será um ano duro por jogar em nível muito alto e então minha expectativa é que se mantenha no top 50. A aposta da nova geração me deixa em dúvida, infelizmente. Talvez opte por Luísa Stefani, que tem o piso duro como seu forte.

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E o Baby cresceu
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2017 às 21:06

Grigor Dimitrov pode enfim se livrar da alcunha um tanto pesada que carregou nos últimos anos. O ‘Baby Federer’, que sempre soou mais como cobrança do que motivação, deu um passo significativo à frente ao conquistar neste domingo seu segundo grande título da temporada, agora o prestigiado ATP Finals, apenas três meses depois de ter faturado o Masters de Cincinnati.

É verdade que Dimitrov tem um estilo que lembra Federer, seja na execução de golpes ou no plano tático. E não por acaso se tornou amigo pessoal e o primeiro nome que a empresa do suíço contratou para gerenciar carreira. O búlgaro no entanto raramente deu sequência a uma grande semana, muitas vezes batido por sua insegurança.

O Finals foi um teste e tanto, porque exigiu demais da sua cabeça e confiança. As rodadas finais levaram os nervos à flor da pele e todo mundo sabe o quão difícil é jogar um tênis de qualidade sob pressão. O troféu invicto em Londres tem tudo para ser um divisor de águas definitivo na carreira de Dimitrov, um jogador repleto de boas armas, intuitivo, veloz, atlético e resistente.

Claro que ele ainda terá um desafio pela frente e daí poderemos saber o tamanho de seu amadurecimento: começará 2018 como o terceiro melhor tenista do ranking, o que traz obrigação de mostrar serviço. Se aguentar o tranco, principalmente ao longo do primeiro semestre, aí teremos a certeza de que ele ainda fará mais coisas importantes no circuito.

Essa expectativa positiva também deve ser transferida a David Goffin, um jogador que sempre levantou suspeitas quanto a sua capacidade de encarar os grandes nomes. Depois daquela frustração em Monte Carlo, ele ainda sofreu contusão e parecia carta fora do baralho. Mas ai aproveitou suas chances e ganhou dois torneios na quadra dura já mostrando uma tentativa de jogar de forma mais agressiva. É inegável que trabalhou muito para melhorar o primeiro saque, algo louvável para seu 1,80m. Não tem mais tanto medo de ir à rede e buscar as linhas.

Goffin derrotou Rafael Nadal e Roger Federer no mesmo torneio, um feito raro no tênis, e poderia muito bem ter ficado com o título neste domingo, numa final muito tensa (como era de se esperar) e de alguns lances de grande qualidade técnica. Mas ele ainda continua sendo mais eficiente como devolvedor do que como sacador e isso terá de ser corrigido para as quadras sintéticas a curto prazo.

Embora tenha sido um torneio atípico por não reunir quatro dos tenistas de maior prestígio do tênis masculino de hoje, este Finals serviu para dar visibilidade a jogadores que prometem um lugar digno no futuro, como Jack Sock. Se Alexander Zverev e Dominic Thiem trabalharem duro, o 2018 será muito competitivo.

Pena mesmo foi o vice de Marcelo Melo e Lukasz Kubot. Boa parte da culpa, no entanto, coube aos agora bicampeões do Finals, uma parceria que não apenas tem os requisitos essenciais – saque, devolução e trabalho de rede -, mas acima de tudo mostra muito sangue frio diante dos pontos importantes. Henri Kontinen e John Peers devem seguir como uma pedra no caminho tanto de Melo como de Bruno Soares e Jamie Murray, ao menos nas quadras duras.