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Itaú estende retirada do tênis ao Rio Open
Por José Nilton Dalcim
19 de setembro de 2018 às 01:04

Uma das primeiras grandes marcas a apoiar o ATP 500 brasileiro, o Itaú deu mais um passo na retirada de investimentos no tênis nacional ao desistir da renovação de contrato com o Rio Open para 2019. O banco era o segundo maior patrocinador da competição que acontece em fevereiro no Jockey Club e deixa um problema de cerca de US$ 1 milhão para ser coberto a curto prazo pela IMM, promotora do principal evento de tênis da América do Sul.

O Itaú investiu maciçamente no tênis nos últimos cinco anos, quando também abraçou a transferência do ATP 500 de Memphis para o Rio. Desde o ano passado, no entanto, o banco começou uma retirada gradual do esporte. Deixou de patrocinar várias competições profissionais e amadoras, muitas tradicionais e outras mesmo com verba incentivada, não renovou contrato com as transmissões do SporTV nem com Guga Kuerten.

A IMM obviamente lamenta a mudança de estratégia do banco, mas afirma que o Itaú “cumpriu seu papel de ajudar a consolidação do Rio Open” e que já está à procura de um patrocinador à altura para parceirizar com a Claro, que se mantém como a principal marca do ATP 500 fluminense.

Nos bastidores, diz-se que a saída do Itaú do tênis tem forte vínculo com denúncias de irregularidade em torneios patrocinados ou vinculados ao banco, algumas delas feitas diretamente pela Confederação Brasileira de Tênis. Há poucos dias, o Itaú anunciou renovação por mais cinco anos da propriedade principal do Miami Open.

O fato é que há uma grande diferença entre os contratos feitos no mercado norte-americano ou europeu para a realidade no Brasil. Lá fora, o patrocínio não é a principal fonte de renda do promotor, que consegue faturamento expressivo com venda de ingressos, dos direitos de TV e de estandes.

Córdoba ganha data de Quito – Tal qual o Brasil, o tênis argentino também passará a ter dois torneios de nível ATP em 2019. A data da britânica Octagon que estava com Quito foi transferida para Córdoba, que assim abrirá a perna sul-americana de saibro, em fevereiro, imediatamente antes do Rio Open. Seguem-se o ATP de São Paulo e de Buenos Aires. A Octagon também detém os direitos sobre a data do Brasil Open.

Puro mérito
Por José Nilton Dalcim
27 de fevereiro de 2018 às 15:19

Frances Tiafoe tem uma história curiosa. Os país fugiram da guerra civil em Serra Leoa e foram para Londres em 1988. Tiafoe Sr. precisou até mudar de nome. Foi como Constant Zubairu que ele chegou a Maryland em 1993 e arrumou emprego para ajudar na construção do centro de treinamento. Mesmo sem nunca ter visto tênis na vida, conseguiu ficar na manutenção das quadras e zelador. Passou a dormir lá com os filhos gêmeos Frances e Franklin, que aos seis anos começaram a dar raquetadas.

“Sinto que estou nas quadras há 35 anos. Estive aqui minha vida toda, acho que só o poste da rede está lá há mais tempo do que eu”, brincou o prodígio Frances quando, aos 15 anos, se tornou o mais jovem campeão do Orange Bowl, mais precoce do que Roger Federer, Bjorn Borg ou John McEnroe.

O fato é que Frances aproveitou cada pequena chance que teve e uma frase em particular chama a atenção: “Nada me foi dado, tive de trabalhar duro, merecer cada coisa conquistada. Estou muito grato por tudo que já alcancei”.

Patrick McEnroe, então diretor de desenvolvimento da USTA, sentenciou em 2014 que Frances seria o próximo número 1 nacional no ranking da ATP, embora a entidade tenha uma parcela de culpa na demora de sua explosão, já que voltou os olhos para seu potencial um tanto tardiamente.

Depois do inesperado título em Delray Beach no domingo, agora com 20 anos, Frances retornou ao 61º lugar do ranking e é apenas o oitavo norte-americano mais bem classificado, distante do top 10 Jack Sock. Mas o arrojado tenista de 1,88m e 77 quilos de puro músculo, criado no saibro e desenvolvido para o piso duro, fã de Juan Martin del Potro, tem armas para ir bem mais longe.

O candidato
A conquista de Diego Schwartzman ajudou muito o Rio Open. A derrota precoce dos brasileiros e o tênis pouco convincente das estrelas Marin Cilic, Dominic Thiem e Gael Monfils ficaram para trás diante do ‘baixinho’ de tantos recursos, que saltou para o top 20. Até o veterano vice Fernando Verdasco agradou, exceto pela final de poucas pernas. É bom ficar de olho em El Peque no saibro europeu.

O Rio Open ainda não desistiu de trocar o saibro pela quadra dura e basta ver Acapulco para entender isso. Uma primeira rodada com Nadal x Feliciano, Nishikori x Shapovalov, Delpo x Mischa, Ferrer x Rublev causa inveja. Sem falar que o torneio ainda tem Chung, Anderson, Sock e perdeu de última hora Cilic e Kyrgios. Ah, Diego e Verdasco duelam logo de cara.

A salvação
Não é de hoje que defendo uma mudança radical na Copa Davis. Escrevi algumas vezes que o sistema mais interessante seria a disputa em duas semanas, num formato de quinto Grand Slam, o que permitiria a presença dos melhores do mundo e divulgação expressiva do evento. Eis que enfim surge o projeto a ser votado em agosto para modificar a competição em 2019.

A saudável proposta é fazer tudo numa única semana, com 18 países competindo pelo título e outros jogando a repescagem de acesso, tudo regado a farta premiação. A sede seria trocada a cada edição, outra proposta excelente. Acho que a Davis achou o caminho da salvação.

Frases de efeito
Algumas passagens muito interessantes na entrevista de Ivan Ljubicic ao site da ATP:
– ‘Procuro falar pouco, assim quando falo o jogador absorve logo’
– ‘Fui jogador de alto nível, então entendo o que acontece lá dentro da quadra’
– ‘Como treinador, você tem de colocar o ego de lado. O chefe é o seu tenista’
– ‘Não importa o quanto é boa a relação técnico-tenista. Se não houver vitórias, os problemas surgirão’.

Delpo não vem em 2017 preocupante
Por José Nilton Dalcim
2 de dezembro de 2016 às 12:54

Apesar de todos os esforços da IMM, o Rio Open vai ficar mesmo sem Juan Martin del Potro. Antes mesmo da conquista da Copa Davis, os organizadores do único ATP 500 da América do Sul tentaram de tudo para contratar a estrela argentina, que já tinha se dado tão bem no complexo olímpico.

Mas não teve como. O entrave insuperável é que Delpo não quer jogar no saibro no início da temporada. Com a expectativa de começar bem o ano nos torneios australianos, ele já decidiu emendar o calendário para os fortes torneios de quadra dura de fevereiro e depois seguir para Indian Wells e Miami. Ou seja, não já qualquer espaço para mudar de piso.

Vale lembrar que Delpo jogou uma única vez o ATP de Buenos Aires, em 2006. Depois que explodiu com o título do US Open, os argentinos tentaram de tudo para sair do saibro e ir para o sintético, o que aumentaria a chance de Delpo jogar lá, mas a ATP sempre vetou e só deu tal permissão para Acapulco.

De qualquer forma, o Rio Open já confirmou a presença inédita Kei Nishikori e o retorno de Dominic Thiem, boas garantidas de sucesso. O japonês certamente vai ganhar um rechonchudo cachê, porém tem se mostrado um jogador muito forte no saibro nos últimos anos. E Thiem é especialista no assunto. Deveria ter ido à final do ano passado no Jockey não fosse o cansaço. Acho que agora é sério candidato ao título.

Preocupante mesmo está o restante do calendário nacional para 2017. O próprio Brasil Open, o ATP 250 que acontece logo após o Rio, enfrenta dificuldades e, segundo conversa de bastidores, chegou a pedir à ATP para mudar a data de fevereiro para abril, com o objetivo de ganhar mais tempo para arrumar patrocinadores e local, porém veio o evidente veto.

Não bastasse a crise econômica, os promotores estão encontrando dificuldade para aprovar os projetos enviados à Lei de Incentivo. A demora tem sido muito grande para a liberação e isso prejudica a captação de patrocinadores, já que o calendário internacional é inflexível. Se a tendência permanecer, poderemos perder ainda mais torneios profissionais em 2017. Vários já foram cancelados ou adiados.

Some-se a isso a saída de empresas do mercado do tênis ou a diminuição drástica de verba. Há muita gente ficando repentinamente sem patrocínio neste começo de temporada. Quem tem ranking bom e puder se garantir torneios maiores, conforto. Para os demais, ou seja a maciça maioria, prevê-se uma temporada de sacrifícios ainda maiores.