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La Ensaladera em mãos dignas
Por José Nilton Dalcim
27 de novembro de 2017 às 20:46

Apesar de todas as críticas que sofre, muitas delas justas, a Copa Davis continua a ser um grande espetáculo, especialmente nas rodadas finais. Nos últimos oito anos, o torneio por países viveu decisões eletrizantes em estádio hiperlotados, com muitas lágrimas de alegria e frustração. Como esquecer a conquista histórica da Sérvia em 2010, da Suíça em 2014 e das especulares e tensas partidas que deram títulos a britânicos e argentinos nas mais recentes edições?

David Goffin se encarregou de dar o tom de dramacidade que enriqueceu a conquista da favorita França no piso sintético e coberto de Lille, que recebeu uma considerável invasão da torcida belga. Vindo do vice em Londres, Goffin jogou muito nas duas simples e fez seu papel, mas a fragilidade da dupla, ainda que diante de um dueto francês improvisado, se provou novamente crucial.

Algumas coisas valem ser destacadas. Antes de tudo, o merecimento da França como força do tênis internacional. Um país que investe pesado na base, tem um vasto calendário amador e profissional, leva a sério a questão do doping, possui diversidade de pisos e portanto de estilos. O time de Yannick Noah pode jogar na grama, no saibro, quem sabe até no gelo sem perder muito de sua força. Tem duplistas excelentes, grandes sacadores, trocadores de bola. O capitão tem geralmente um delicioso problema: quem escalar.

Em segundo lugar, a geração de Jo-Wilfried Tsonga e Richard Gasquet levanta com justiça um troféu desse porte, já que os dois nunca conseguiram fazê-lo em nível Grand Slam. Pena que Gael Monfils não tenha participado de qualquer rodada em 2017 e assim não pôde também comemorar, distinção que coube a Gilles Simon, Jeremy Chardy e Julien Benneteau.

Por fim, os jogos deste fim de semana reafirmaram o momento de evolução técnica e amadurecimento por que passa Goffin e devem aumentar ainda mais sua confiança para 2018, assim como serviu para colocar à prova os nervos de Lucas Pouille, um jogador de grandes recursos ainda de 23 anos, que pode usar essa experiência para dar o salto que não conseguiu neste ano.

A França encerrou assim um jejum de 16 anos sem conquistar La Ensaladera, após três finais perdidas, e ocupa agora o terceiro lugar entre os países com maior quantidade de triunfos, igualando os 10 dos britânicos. A Bélgica, ainda grupo de um tenista só, amargou o terceiro vice, mas pode se espelhar na resiliência argentina e se manter motivada.

overgripDesafio do Ranking
Seis internautas conseguiram excelente pontuação na brincadeira do Blog que desafiou os internautas a cravar como terminaria o top 10 desta temporada. Todos eles fizeram 110 pontos, o que significa que acertaram nove dos 10 nomes. Um tremendo feito, especialmente porque a ascensão de Jack Sock era mesmo totalmente inesperada.

Como critério de desempate, chequei quem entre esses seis mais acertou em cheio as posições e aí Norbert Goldberg saiu vencedor porque colocou Nadal, Federer, Thiem, Cilic e Goffin em suas exatas colocações. Ele irá receber o kit com 12 unidades do Overgrip Pro Sensation da Wilson. Presentão!

Vale tudo
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2017 às 12:45

Pela quarta vez na temporada em que dominam o circuito, Rafael Nadal e Roger Federer vão para o confronto direto. O espanhol tinha favoritismo na Austrália, mas perdeu tal regalia em Indian Wells e Miami. Não parou de evoluir e desta vez se torna o maior candidato ao título de Xangai. Tudo é claro na mais pura teoria. Entre esses dois, previsão vale pouco. Os dois não se enfrentavam na condição de 1 e 2 do ranking desde novembro de 2010.

Nadal chega a sua terceira final consecutiva depois de duas partidas bem exigentes. Na sexta-feira, Grigor Dimitrov jogou melhor do em Pequim ajudado pelo piso mais veloz, mas viu um andamento muito parecido e um adversário firme nas devoluções e trocas.

Depois, o espanhol encarou um Marin Cilic de altos e baixos, que mesclou grandes momentos com quedas de intensidade. O croata teve chance essencial para fechar o primeiro set, porém o espanhol voltou a mostrar confiança e grande postura emocional. Poderia ter vencido mais facilmente se não tivesse permitido a quebra no 5/4. De qualquer forma, foi um excelente teste diante de um Cilic que desceu o braço o tempo todo.

Federer por sua vez deve ter se surpreendido com Juan Martin del Potro porque o argentino jamais demonstrou problema no punho esquerdo. Muito ao contrário, soltou o backhand batido como há muito não se via e praticamente não deu slices na partida. O argentino foi primoroso até sofrer a quebra na metade do segundo set e, contrariado com o público, baixou enfim a intensidade.

Na véspera contra Richard Gasquet, o suíço já tinha se mostrado mais sólido na base, num jogo de excelentes trocas de bolas forçadas. Diante de Delpo, também evitou slices e tentou manter ritmo forte, porém muitas vezes exagerou ao mudar muito antes do recomendado para o forehand de Del Potro. De qualquer forma, fez um terceiro set muito bom, solto, sacando bem e variando com voleios e deixadas.

A decisão, às 6h30 deste domingo, tem o backhand como elemento a ser observado. Federer usou o antigo ponto frágil com maestria nas vitórias de 2017, mas depois viu o golpe perder eficiência. Contra Delpo, esteve muito firme. Nadal por seu lado vem trabalhando no backhand e a melhoria é evidente. Sem necessidade de proteger tanto o lado direito, tem se mostrado muito solto.

O espanhol está em momento iluminado, no ponto máximo de sua confiança e preparo físico. Para equilibrar o jogo, Federer precisará usar todos os recursos de uma quadra rápida e sacar muito bem. O suíço tem devolvido a contento em Xangai e essa primeira bola em cima do adversário pode abrir caminho para definir rapidamente os pontos.

O duelo tem, é claro, todos os ingredientes para um grande cardápio. Ainda há uma disputa direta entre eles pela liderança do ranking e esta certamente é a última oportunidade para Federer se manter vivo. Além disso, a série de quatro vitórias consecutivas sobre o maior rival me parece ser motivação. Para os dois.

Aquecendo
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2017 às 12:18

Rafael Nadal e Roger Federer estão se aquecendo no piso sintético veloz de Xangai para mais um possível duelo direto no próximo domingo. Depois de duas rodadas, o canhoto espanhol não pareceu sentir a menor dificuldade na adaptação entre a quadra mais lenta de Pequim e a rapidez maior de Xangai, que ainda por cima tem usado o teto retrátil, despachando com assustadora facilidade Jared Donaldson e Fabio Fognini.

Federer, por seu lado, sofreu pequenos altos e baixos. Perdeu um game de serviço para Diego Schwartzman, salvou break-points contra Alexandr Dolgopolov e ainda parece procurar um ritmo ideal de ataque, algo mais do que normal para quem só fez duas partidas de exibição desde o US Open. Ajustes se tornam necessários, como a consistência no backhand e especialmente amenizar uma evidente ansiedade.

As quartas de final são exigentes para Nadal, que reencontrará Grigor Dimitrov, para quem perdeu um set uma semana atrás em Pequim. Todos sabemos que o búlgaro gosta mais de uma quadra veloz. O mesmo se pode dizer de Marin Cilic, possível adversário de sábado e favorito diante de Albert Ramos. Já Federer na teoria tem tarefa mais fácil contra Richard Gasquet, mas vislumbra um reencontro que promete ser explosivo caso Juan Martin del Potro marque sua sétima vitória em cima de Viktor Troicki.

O argentino teve excelente atuação na madrugada diante do garoto Alexander Zverev, usando ao máximo o potencial de seu primeiro serviço numa partida disputada game a game e decidida em pequenos detalhes, ou seja, a confiança de Delpo no tiebreak e a quebra no quinto game num terceiro set em que o argentino perdeu apenas quatro pontos com o saque.

Enquanto isso, o quadro para o Finals de Londres vai se definindo. Além de Nadal, Federer e Zverev, Dominic Thiem se garantiu apesar do mau momento. Dimitrov e Cilic estão virtualmente classificados. Restam assim duas vagas. David Goffin, Pablo Carreño, Sam Querrey e Kevin Anderson são os mais cotados.

– Com os pontos somados nas quartas de final de Xangai, Nadal recoloca ordem no ranking mundial e o número 1 voltará a somar mais de 10 mil pontos. Isso não acontecia desde o começo de junho e chegou ao ponto de Andy Murray ter somente 7.750 na lista do dia 17 de julho, substituído pouco depois pelo próprio Nadal, então com 7.645.

– Mais uma vitória e Cilic irá tirar provisoriamente Zverev do quarto lugar do ranking. Na contagem apenas da temporada, o alemão ainda leva cerca de 1.000 pontos de dianteira e permanece como o maior candidato a fechar o ano como número 3.

– A menos que Gasquet seja campeão, Del Potro enfim voltará ao top 20 do ranking na próxima segunda-feira, posição que não ocupa desde 6 de outubro de 2014. Londres está distante, mas continua possível.

– Bruno Soares se tornou o segundo duplista brasileiro a atingir a marca de 400 vitórias em torneios de primeira linha nesta quinta-feira, atrás somente das 423 de Marcelo Melo. A vitória também garantiu matematicamente Soares e Jamie Murray no segundo Finals consecutivo. Melo já estava classificado há tempos e briga em Xangai para se manter na liderança de parcerias ao lado de Lukasz Kubot.

– Bia Haddad perdeu outra vez para Sara Errani em três sets equilibrados e encerrará sua temporada na próxima semana no WTA de Luxemburgo. A canhota de 21 anos foi indicada pela WTA na categoria “revelação” da temporada ao lado de CiCi Bellis, Elise Mertens e Marketa Vondrousova. Vale a torcida.