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Preparem-se: o reencontro de Roger e Nole está muito perto
Por José Nilton Dalcim
2 de setembro de 2018 às 01:51

O australiano John Millman e o português João Sousa são a última barreira para que Roger Federer e Novak Djokovic se reencontrem pelo segundo torneio consecutivo. A probabilidade disso não acontecer, que já era pequena, me parece ainda menor depois que os dois fizeram exibições de respeito neste sábado em Flushing Meadows, mostrando muito de seu melhor tênis. Criativos, ousados, velozes, eficientes.

Talvez não haja batalha mais interessante no US Open do que esta. Federer ganhou as três primeiras, entre 2007 e 2009, quando dominava o circuito. Depois, entre 2010 e 2015, foi a vez do sérvio. Nunca duelaram antes da semifinal, como foi aquele épico jogo de 2011, em que Nole salvou dois match-points, o primeiro deles num devolução cruzada bombástica. Foi lá em Nova York onde também Federer aplicou a passada cruzada de grand-willy. Inesquecíveis momentos.

O esperado confronto diante de Nick Kyrgios frustrou porque o australiano se perdeu ainda no primeiro set, após desperdiçar quatro break-points. Independente disso, Federer mostrou aplicação tática, bloqueando saque e variando muito efeito e velocidade nas trocas. Foi bem à rede, movimentou-se de forma magnífica e proporcionou lances de rara qualidade. Djoko por seu lado trouxe de volta seu backhand fulminante e milimétrico, mostrou a habitual capacidade de defesa e contragolpe, mas também encheu Richard Gasquet de curtinhas e passadas. Repertório completo.

E quem são os postulantes a zebra? Millman, 29 anos, 55º do ranking e carreira enrolada por contusões, enfrentou Federer uma vez e deu trabalho em Brisbane de 2015. Sousa, também 29 anos e 68º do mundo, é agressivo mas emocionalmente instável, embora tenha feito um belo jogo neste sábado contra Lucas Pouille. Curiosamente, este será seu quinto duelo contra Djokovic em nível Slam – e sexto no geral -, tendo vencido tão somente 24 games em 11 sets.

O sábado viu também o adeus de Alexander Zverev. Outra vez Zverev decepcionou. Soma agora 14 derrotas – sete delas após ganhar o primeiro set – em 36 jogos de Slam. Seu único consolo é que Philipp Kohlschreiber joga muito tênis, tendo vencido gente como Nadal, Djokovic, Murray e Del Potro na carreira. Seu adversário será Kei Nishikori, até aqui agressivo e fisicamente inteiro. O outro a avançar foi David Goffin e fica à espera de Marin Cilic ou Alex de Minaur.

Mais surpresas no feminino
A queda de Angelique Kerber de virada para Dominika Cibulkova fará com que novamente o circuito feminino tenha quatro campeãs de Slam diferentes na temporada, já que Simona Halep e Carol Wozniacki também foram eliminadas. Ainda há chance também de termos oito campeãs distintas, a menos que Serena Williams ou Sloane Stephens levem o título.

Outra novidade veio com a queda de Petra Kvitova diante de Aryna Sabalenka, que cresce a cada torneio. Aos 20 anos e segunda mais jovem entre as classificadas, a bielorrussa ganhou um título e fez mais duas finais em 2018, tendo vencido nas últimas semanas nomes como Pliskova, Garcia, Keys, Wozniacki e Konta.

Ela agora faz duelo contra outra revelação de 20 anos, Naomi Osaka, que só perdeu sete games em três jogos e aplicou ‘bicicleta’ neste sábado. Quem vencer, terá chances reais contra Marketa Vondrousova, de 19 e mera 103ª do ranking, ou Lesia Tsurenko.

Maria Sharapova desta vez foi firme e atropelou impiedosamente Jelena Ostapenko e cruza com a experiente Carla Suárez, enquanto Cibulkova pega Madison Keys, de quem nunca ganhou em quatro duelos. Cabeça 14, Keys é agora a mais bem classificada desse lado da chave.

Começam as oitavas
Rafael Nadal reencontra com máximo favoritismo Nikoloz Basilashvili, a quem surrou em Roland Garros do ano passado. Kevin Anderson também leva teórica vantagem sobre Dominic Thiem, apesar de já ter feitos dois jogos em cinco sets nesta semana.

John Isner e Milos Raonic fazem jogo dos aces e repetem quartas de Wimbledon, onde o americano levou. O único confronto inédito envolve Juan Martin del Potro e Borna Coric. Eu não descartaria o garoto croata.

Entre as meninas, Serena tem tudo para superar o jogo também agressivo de Kaia Kanepi, ex-top 15 agora com 33 anos, e Sloane Stephens tenta vingança contra Elise Mertens, para quem perdeu duas semanas atrás. Os outros duelos parecem equilibrados: Elina Svitolina x Anastasija Sevastova e Karolina Pliskova x Ashleigh Barty.

Sem susto, mas sem brilho
Por José Nilton Dalcim
31 de agosto de 2018 às 01:21

Com vitórias quase formais, Roger Federer e Novak Djokovic continuam na rota de colisão que, acredita-se, ocorrerá exatamente dentro de seis dias, nas quartas de final do US Open.

Para chegar lá no entanto o suíço terá de mostrar muito mais do que em suas duas primeiras exibições. Não que tenha jogado mal, já que sequer perdeu sets, porém não se viu a precisão habitual. A rigor, o bom foi vê-lo mais adepto dos voleios.

Seu problema imediato se chama Nick Kyrgios. O australiano entrou em outra polêmica na virada espetacular que conseguiu em cima de Pierre Herbert, que liderava por 6/4 e 4/1. Uma teórica reprimenda do árbitro Mohamed Lahyani, incomodado com a falta de empenho de Kyrgios, teria mexido com seus brios. O australiano nega, mas até o amigo Andy Murray ironizou a situação nas mídias sociais.

Kyrgios tem inegavelmente alto poder de fogo, adora grandes jogos e mais ainda enfrentar Federer. Em três duelos, o suíço ganhou dois mas oito dos nove sets foram tiebreaks e cada um venceu quatro. Equilibradíssimo. Quem avançar, dificilmente não estará nas quartas já que o adversário seguinte sai do inesperado duelo entre o também australiano John Millman e o cazaque Mikhail Kukushkin.

Djokovic por sua vez voltou a perder um set, deixando-se levar por um momento de desconcentração e um tiebreak muito bem disputado por Tennys Sandgren, porém o sérvio recobrou sem sustos o domínio. Reconheceu depois que falou mais do que deveria. Não há motivos para duvidar que a ‘freguesia’ sobre Richard Gasquet prosseguirá (são 12 a 1, com única derrota há 11 anos). É bem provável que Nole terá na verdade dois franceses no caminho, caso Lucas Pouille supere João Sousa.

Os outros dois quadrantes estão interessantes. Marin Cilic teve apresentação impressionante e cruzará com o garoto Alex de Minaur, que joga em cima da linha e não tem medo de cara feia.
Se vencer, deve ter David Goffin, um páreo ainda mais duro, já que o belga ganhou dois de três duelos na quadra dura. Enquanto isso, Alexander Zverev já crava sua maior campanha no US Open sem perder set. Fará confronto alemão contra o sempre perigoso Philipp Kohlschreiber, de olho em quem passar de Kei Nishikori e Diego Schwartzman. Sou mais o japonês.

A chave feminina perdeu mais um grande nome: Carol Wozniacki seguiu os passos de Simona Halep e Garbiñe Muguruza, mas a sucessão de problemas físicos da dinamarquesa nas semanas anteriores já indicava que ela encontraria dificuldades. O caminho então se abriu para Kiki Bertens e favorece ainda mais a presença de Petra Kvitova na semifinal. A canhota no entanto precisa tomar cuidado com a embalada Aryna Sabalenka já nesta terceira rodada.

O outro quadrante está totalmente indefinido e vê dois duelos distintos: um é de força e gritaria entre Maria Sharapova e Jelena Ostapenko, o outro de correria e apuro tático entre Angelique Kerber e Dominika Cibulkova. A atual vice Madison Keys assiste a tudo.

Sharapova sonha com o fim do pesadelo
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2018 às 18:43

Serena Williams e Maria Sharapova cumpriram a tarefa com louvor e vão mesmo se reencontrar nas oitavas de final de Roland Garros, algo raro entre elas. Nos 21 duelos já feitos, apenas três aconteceram de forma tão precoce, o mais recente deles em Wimbledon de 2010. É a reedição da final de Paris de 2013, quando Serena levantou o segundo de seus três troféus e impediu o bi da russa, que o alcançaria no ano seguinte.

Não poderia haver momento mais apropriado para Sharapova enfim encerrar a cruel série de 18 derrotas consecutivas, que vem desde janeiro de 2005. Em todo esse longo período, tirou apenas três sets, tendo engolido placares elásticos e atuações deprimentes. Não que seu estilo se adapte mais ao saibro do que o de Serena, mas puramente pelo fato de que a algoz ainda está longe de seu auge físico e técnico. A nova mamãe sequer havia pisado na terra nos últimos 24 meses.

Mas todo cuidado é pouco. Jogo após jogo, Serena está se soltando. Começou pesada e pouco móvel, mas à medida que achou o saque demolidor e calibrou sua espetacular devolução a confiança só aumenta. Sharapova fez uma estreia também irregular, não brilhou na segunda partida porém neste sábado demoliu Karolina Pliskova. Ela, mais do que ninguém, sabe que terá de evitar o segundo serviço, diminuir ao máximo os erros não forçados e quem sabe apostar nas curtinhas, uma arma que agregou com sucesso, para acabar com o pesadelo.

Embora ainda estejam longe de ser candidatas ao título, talvez façam na segunda-feira o grande momento deste Roland Garros.

Segue a fila
A expectativa em cima de Rafa Nadal fica para ver quais os candidatos com real chance de testá-lo dignamente. Richard Gasquet, como já se imaginava, foi um fiasco. Vem aí o pouco conhecido alemão Maximilian Marterer, mero 70º do ranking. Possui um tênis consistente e parece à vontade no saibro, mas tal qual Gasquet ou Guido Pella deverá entrar em quadra preocupado em ganhar game.

Diego Schwartzman é o próximo da lista, desde que passe por Kevin Anderson, um duelo com 35 centímetros de diferença. O argentino fez o que eu esperava e, com exceção de uma postura um tanto cômoda no final do terceiro set, dominou Borna Coric com muito empenho na base. Não era um compromisso fácil, porque havia perdido os dois jogos para o croata. Anderson, que está nas quartas de Paris pela quarta vez, perdeu um set para Mischa Zverev porém jamais o serviço.

O quadrante debaixo está bem imprevisível. Fabio Fognini oscilou contra Kyle Edmund e chegou a estar atrás por 2 sets a 1, porém adotou uma postura agressiva, não economizou nos winners (41) e erros (60) e convenhamos que essa é a única postura admissível para quem sonha em competir com Nadal. A próxima tarefa é barrar Marin Cilic e repetir as quartas de 2011. O poderoso saque do croata exige cuidado, mas o italiano tem mais recursos. Os dois não se cruzam há quase sete anos.

Quem passar, deve encarar Juan Martin del Potro. O argentino já se confessou incapaz de ganhar de Rafa no saibro de hoje, mas não é novidade ele tirar o peso dos ombros para tentar jogar solto. De qualquer forma, fisicamente falando parece difícil mesmo de acreditar, a menos que economize muita energia. Isso não será problema diante de John Isner ou Pierre Herbert, que aceleram o jogo. Porém, bem mais difícil se cruzar depois com Fognini. O duelo deste sábado contra o canhoto Albert Ramos mostrou bem essa dificuldade, porque todo o poder ofensivo do argentino fica um tanto minimizado sobre a terra. E aí exige-se trabalho e pernas. Ah, e Isner não está tão limitado ao saque. Anda se mexendo bem para usar o forehand.

E mais
– Foi constrangedor ver a torcida vibrar com o primeiro ponto de Gasquet na altura do quarto game. Com 5/0 e incríveis 14 minutos, estava 22 a 2 em lances. Nadal só falhou em um serviço e permitiu um ou outro game mais equilibrado. No geral, fez o quis. O francês escapou de um placar vexaminoso.

– Com as derrotas de Lucas Pouille e Gael Monfils no complemento das partidas suspensas de sexta-feira e de Pierre Herbert, o tênis masculino francês deu mais um adeus a Roland Garros. Monfils perdeu chance de avançar mais uma rodada e marcar uma grande vitória em cima de David Goffin. Jogou com grande empenho, enlouqueceu a torcida e desperdiçou quatro match-points. Já Pouille decepcionou, ainda que Karen Khachanov seja consistente. Herbert lutou diante de um Isner superior.

– Acabou a série invicta de Petra Kvitova. Perdeu os dois tiebreaks diante da também agressiva Anett Kontaveit dando à estoniana 57% dos pontos marcados através de erros. Muita coisa. Sua adversária será Sloane Stephens, que escapou por pouco.

– Garbiñe Muguruza e Caroline Garcia passearam, em contraste com o primeiro set bem duro de Simona Halep e os dois tiebreaks que Angelique Kerber precisou jogar. Campeonato continua totalmente aberto.

O domingo
– Zverev e Khachanov buscam primeira presença nas quartas de um Slam com diferença de idade inferior a um ano. Alemão ganhou único duelo, em 2016.
– Thiem perdeu os dois jogos que já fez contra Nishikori e sem vencer set. Promessa de jogo longo e emocionante, já que os dois batem firme na bola.
– Depois de dois jogos duros em cinco sets, Goffin volta à quadra contra a surpresa Cecchinato, 72º do ranking. Belga venceu de virada em Roma, semanas atrás.
– Djokovic pode atingir o recorde de 12 quartas em Paris – e igualar as 9 seguidas de Federer – se passar por Verdasco. O histórico é de 10-4 para o sérvio, que não perde para o canhoto desde Roma-2010.
– Kasatkina tem 2-1 sobre Wozniacki e no saibro deste ano já venceu Muguruza. Quem ganhar, enfrentará Stephens ou Kontaveit, que fazem duelo inédito.
– Keys encara a canhota Buzarnescu, embalada pela vitória sobre Svitolina, enquanto Strycova tenta terceiro triunfo sobre Putintseva.