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Nadal equilibra o Finals
Por José Nilton Dalcim
5 de novembro de 2018 às 23:48

Rafael Nadal foi até Londres… e não jogará o FInals. A notícia não é agradável. Ainda que o piso duro coberto esteja longe de ser seu forte – e a ausência de títulos no quinto evento mais importante do tênis masculino em apenas duas decisões disputadas reflete bem isso -, o canhoto espanhol fez uma grande temporada até a contusão na reta decisiva do US Open e pagou caro por isso. A perda da liderança do ranking foi talvez tão amarga quanto não estar na arena O2.

Se estivesse em forma, Nadal certamente colocaria um molho especial no sorteio dos grupos e certamente nas rodadas classificatórias, já que Roger Federer estaria como segundo nome em uma das chaves. A desistência mudou tudo. Agora, Novak Djokovic estará de um lado e o suíço, de outro. E a perspectiva óbvia e imediata, principalmente depois do espetáculo de sábado em Paris, é que os dois voltem a decidir o FInals, como fizeram em 2012, 2014 e 2015, sempre com vitória de Nole.

Com o número 1 garantido para o final da temporada, a quinta em que obtém tamanha façanha, Djokovic tem a motivação de buscar o sexto troféu no Finals e igualar assim Federer. Seu grupo terá Alexander Zverev, Marin Cilic e o estreante John Isner. Dois confrontos são muito favoráveis ao sérvio: 16-2 diante do croata e 8-2 frente a Isner, mas todos vimos como Cilic tem dado trabalho. O norte-americano pode jogar muito solto.

Zverev se diz esgotado, mas seria o candidato natural à segunda vaga. Tem 5-1 sobre Cilic e 4-1 contra Isner. Eu colocaria no entanto minhas fichas no croata, que tem 7-3 sobre Isner, ainda que Cilic nunca tenha feito uma semifinal nas três participações anteriores.

Federer por sua vez terá como adversários da fase classificatória dois grandes nomes da quadra dura, Kevin Anderson e Kei Nishikori, e a incógnita Dominic Thiem. O suíço terá a chance de se vingar da incrível derrota sofrida em Wimbledon para o sul-africano – quando deveria ter feito 5 a 0 nos duelos diretos – e tem largo placar de 7 a 2 sobre o japonês, a quem superou com folga na semana passada. Curiosamente, Thiem ganhou dois dos três duelos contra Federer, um deles em plena grama. Se o piso da O2 estiver tão lento como sempre foi, sua chance aumenta.

O equilíbrio do grupo também vale para os outros confrontos. Anderson acabou de perder para Nishikori e viu o histórico negativo subir para 3 a 5, mas ao mesmo tempo tem 6 a 2 contra Thiem. O austríaco ganhou apenas um de quatro duelos contra o japonês, mas fará sua terceira aparição no torneio. Anderson nunca esteve lá. Apostar em Nishikori não é mau negócio.

Khachanov mostra maturidade
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2018 às 21:31

Pelo segundo ano consecutivo, Bercy deu uma grande surpresa para o circuito. O russo Karen Khachanov repetiu Jack Sock, mas com requinte, ao levar seu primeiro Masters com vitória em cima de quatro top 10, dos quais apenas um tirou set dele, o gigante John Isner.

Não é difícil ver semelhanças entre Khachanov e seu principal ídolo, Marat Safin. O estilo e até mesmo o gênio difícil de controlar lembram um dos mais carismáticos nomes do tênis profissional. Para buscar evolução no circuito, mudou-se ainda garoto para a Croácia e depois tentou um período na Espanha. É por isso talvez que tenha muito das duas escolas: grande saque e golpes pesados de base.

Khachanov está longe de ser um desconhecido. Já fez grandes jogos nas duas últimas temporadas, somava três títulos de ATP sem jamais ter sofrido derrota numa final. É bem verdade que vimos muitos jogos escaparem por conta dos nervos, da reclamação excessiva, da perda de foco.

Nesta semana, tudo se encaixou. Mostrou um voleio apurado e competência para deixadinhas, não ficou afoito em momentos delicados de jogos tão duros como o que fez contra John Isner. E se mostrou maduro na final contra o poderoso Novak Djokovic. Maturidade é o ingrediente que mais se cobra da nova geração.

O jogo teve dois momentos bem distintos. No primeiro, Nole parecia senhor da quadra e abriu 3/1 e 30-0. Daí em diante perdeu o foco e o russo agarrou a oportunidade. Cortou os erros com o backhand, mexeu-se para todos os lados, usou slice. Parecia entender que uma partida longa acabaria por beneficiá-lo diante do provável cansaço de Nole, vindo de gripe e dois jogos duríssimos seguidos que o deixaram mais de 5 horas em quadra.

Guerreiro por excelência, Djokovic não se entregou e exigiu que Khachanov ganhasse o jogo. E o russo mostrou de novo que a cabeça deu um salto de qualidade, saindo de 0-30 em dois games consecutivos após a quebra no terceiro game do segundo set. Nesses momentos, concentrou-se nas duas grandes armas que possui: o primeiro saque seguido de um forehand agressivo. Levou o título com todo o mérito.

Por duas temporadas consecutivas, o circuito vê três novos campeões de Masters. Desta vez, foram Khachanov, Isner e Juan Martin del Potro. Em 2017, Alexander Zverev, Grigor Dimitrov e Sock. Como bônus, Khachanov aparecerá no 11º lugar do ranking nesta segunda-feira e terá direito a ser reserva no Finals de Londres, uma experiência muito especial que permitirá a ele treinar e trocar ideias com os melhores do mundo por uma semana seguida.

Djokovic por seu lado tem sete dias para se recuperar fisicamente e assim manter seu favoritismo para o sexto título em Londres. Ainda não se sabe se Rafael Nadal estará na arena O2. Na nova listagem, o espanhol aparecerá 565 pontos atrás no ranking e assim nem mesmo o título inédito e invicto no Finals o recolocará na ponta sem depender da campanha do sérvio. Nole está com um pé no número 1 de 2018.

Desafio – Norbert Goldberg e Julio DIni levam os prêmios do Desafio para as semifinais de Paris. Cravaram os dois finalistas corretamente e acertaram os dois sets da vitória de Khachanov sobre Thiem. Os dois receberão em seus emails os vouchers com 15% de desconto para compras na Loja TenisBrasil até o total de R$ 1.200. Parabéns!

Número 1 em seis meses
Por José Nilton Dalcim
31 de outubro de 2018 às 15:05

Novak Djokovic será novamente o melhor tenista do circuito na segunda-feira. Infelizmente, nem houve disputa, que prometia ser rodada a rodada. Rafael Nadal sequer entrou em quadra nesta quarta-feira para iniciar a participação no Masters de Paris e a queda dos poucos pontos que defendia em Bercy já é suficiente para recolocar o sérvio na ponta.

Ainda que não tenha ocorrido da forma mais saborosa, a aguardada recuperação de liderança de Djokovic é uma surpresa e tanto quando lembramos da tensa fase que vivia até Roma. Ali, já com Marian Vajda, as coisas começaram a se encaixar. Interessante observar que, até chegar ao Masters italiano, Nole somava apenas 335 pontos, ou seja, conquistou exatos 7.200 desde então.

Djokovic assumiu a ponta pela primeira vez no dia 4 de julho de 2011. Esta será a quarta vez em que aparecerá no topo da lista. Seu primeiro reinado durou 53 semanas e foi interrompido por Roger Federer. Retomou o posto no dia 5 de novembro de 2012 e ficou mais 48 semanas até Nadal ultrapassá-lo a 7 de outubro de 2013. O sérvio ascendeu então no dia 7 de julho de 2014 e fez sua maior sequência, com 122 semanas, até Andy Murray virar o líder em 7 de novembro de 2016.

A chance de terminar o ano como número 1, como se previa, é enorme, já que pode ampliar de forma significativa a distância para Rafa em Paris. Uma pena, porque seria bem legal ver outra vez uma disputa durante o Finals. Se mantiver o favoritismo das projeções, fechará a quinta temporada como líder, equiparando-se a Federer e afastando-se das quatro do canhoto espanhol.

Vale por fim uma reflexão sobre Nadal, que vivia um ótimo momento pós-saibro, com título no Canadá e semis em Wimbledon e US Open. Mais do que nunca, deve lamentar a dura derrota sofre na grama londrina, o que poderia ter mudando completamente a história de 2018. O joelho impede Rafa de competir – não engoli muito a história do abdôme em Paris – e acredito será empecilho decisivo no Finals, o torneio que falta a seu invejável currículo.

Será que vale ainda tentar a sorte em Londres ou melhor mesmo se resguardar para 2019? É a pergunta do momento.