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Final mágica na Caixa de Madri
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2018 às 19:36

Os dois tenistas com maior número de vitórias na temporada, exatamente 25 cada um, irão decidir o título no importante Masters 1000 de Madri neste domingo. Alexander Zverev e Dominic Thiem tiveram trajetória bem distinta sobre o veloz saibro da Caixa Mágica e dividem favoritismo. Se o alemão já tem dois Masters apesar dos três anos a menos de idade, o austríaco ganhou quatro dos cinco duelos entre eles. Excelente clima.

Zverev fez uma semana tão incrível em Madri que só encarou um break-point na soma de todas suas partidas, lá no começo, contra Leonardo Mayer. Ou seja, aproveita bem a altitude para trabalhar com o primeiro saque e manter o adversário acuado. O duelo contra Denis Shapovalov só teve oito games de real disputa. Depois de ser quebrado, o canhoto canadense perdeu o rumo, ficou apressado e falível. Não teve graça.

Thiem sofreu bem mais na semana. Vindo de atuações decepcionantes em Monte Carlo e Barcelona, levou sufoco de Federico Delbonis e viu Borna Coric sacar para a vitória, virando as duas partidas. Aí fez um jogo magnífico diante de Rafa Nadal e desta vez manteve o embalo, dominando Kevin Anderson com aplicação nas devoluções. Nada daquela pressa exagerada, mas total consciência para trabalhar os pontos.

A final é bem imprevisível, porque Madri é um ponto um tanto fora da curva dentro do saibro europeu. Thiem deveria ter o favoritismo pelo retrospecto, mas terá a pressão de jamais ter vencido um Masters. No fundo, a meu ver, os dois disputam não apenas um título de peso para suas carreiras mas o embalo essencial para tentar fazer um grande Roland Garros.

Na ala feminina, emocionante e bem disputada final entre Petra Kvitova e Kiki Bertens. Que jogo intenso. Games extremamente longos, chances desperdiçadas, vacilos aqui ou ali, e uma entrega total até o último minuto. Bertens talvez tenha demorado demais para tomar uma postura mais agressiva, porém mostra que, agora na condição de 15ª do ranking, é uma tenista que merece atenção durante o Slam francês.

Ao mesmo tempo, é preciso enaltecer o empenho de Kvitova, que por vezes pareceu ir além de seu limite físico. É uma jogadora excepcional quando está no comando dos pontos, tem uma visão incrivelmente boa do lance e das alternativas. Não dá para colocá-la como candidata a Paris, onde as condições costumam ser bem mais lentas, porém seria uma magnífica façanha se ela conseguisse seu terceiro Slam justamente na terra.

Tudo por um set
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2018 às 19:35

O circuito masculino não pensa mais em como vencer Rafael Nadal no saibro. O esforço do momento é ao menos tirar um set do canhoto espanhol e encerrar a notável sequência que vem desde a queda nas quartas de final de Roma do ano passado. Já são 48 sets vencidos, dos quais houve apenas uma real ameaça – Martin Klizan em Barcelona – e dois atrevidos que conseguiram liderar uma parcial (David Goffin e Kei Nishikori).

Enquanto isso, Novak Djokovic sofreu mais um adeus precoce, embora desta vez ao menos tenha sido diante de um jogador com bons recursos. Kyle Edmund não é ‘cego’ no saibro e usou muito bem a velocidade de Madri para forçar o saque e ter muitas vezes o forehand a sua feição. O que incomodou foi ver Nole tão defensivo, raramente se impondo. Chegou a erguer bola para se recompor. Ainda assim, teve chance de vitória ao abrir 0-40 no quinto game do terceiro set, ainda que se deva dar todo crédito ao britânico pela reação. Edmund melhorou muito de cabeça nos últimos 12 meses (talvez a contratação de Mario Ancic tenha parte) e provou isso um pouco à frente, quando se mostrou mais forte que o sérvio no finzinho da batalha.

O discurso de Nadal se mantém humilde e focado. Diz que não dá muita bola para recordes, mas sim para a intensidade certa, afirmando estar muito feliz com seu novo backhand. Nole por seu lado tenta minimizar o descrédito e vê progressos nos seus jogos mais recentes, resignando-se com um “hoje não era meu dia”. Djoko ainda deverá sair de Madri entre os top 20, mas imediatamente vem a defesa do vice em Roma e a queda pode ser dolorosa.

As oitavas
O baixinho Diego Schwartzman é o próximo candidato a tirar um set de Nadal no saibro e tentar assim impedir que ele marque mais um recorde no tênis, que seria da maior invencibilidade sobre um piso (no momento, pertence a John McEnroe, com 49 no tapete). Depois de equilibrar mas perder três partidas anteriores, incluindo Monte Carlo, ‘Peque’ tirou um set de Rafa no piso veloz de Melbourne cinco meses atrás. Verdadeiro saibrista, o campeão do Rio não tem tanta potência mas dois ingredientes importantes: sangue e pernas.

A Argentina aliás tem mais dois nomes nas oitavas: Juan Martin del Potro e Leonardo Mayer. A rodada desta quinta-feira inclui ainda o curioso duelo canadense entre Milos Raonic e Denis Shapovalov. Também agressivos, Kevin Anderson e John Isner mostram por que o saibro madrilenho é tão diferente.

A chave feminina teve como destaque o fim precoce do duelo pelo número 1, já que Carol Wozniacki jogou muito mal e ficou de fora das quartas. Simona Halep parece bem à vontade na volta ao saibro, mas agora terá de encarar o jogo pesado de Karolina Pliskova. Quem vive ótimo momento é Petra Kvitova, que depende muito do físico estar em dia. E olha Maria Sharapova reencontrando seu jogo no saibro.

Boa notícia
Rogerinho Silva e Thiago Monteiro estão nas quartas de final de seus challengers no saibro europeu. E, embora não tenham chance de retornar ao top 100 nem mesmo com títulos, garantiram condição de cabeça no qualificatório de Roland Garros. No momento, Monteiro seria o 11º, imediatamente à frente do paulista. Isso quer dizer que eles não enfrentarão qualquer tenista mais bem classificado nas três rodadas que precisam ganhar em Paris.

Façanha
Paulo André Saraiva dos Santos tem apenas 17 anos e uma carreira juvenil de pouco destaque. De origem humilde, filho de pedreiro e diarista, ganhou convite de última hora para o future de Brasília e conseguiu seu primeiro ponto na ATP, um sonho para a maciça maioria dos amadores do mundo inteiro. Apenas reforça o que insisto há décadas: falta oportunidade no tênis brasileiro.

Os esforçados
Por José Nilton Dalcim
4 de setembro de 2017 às 00:56

Este US Open tão diferente e especial decidiu premiar também os esforçados. Diego Schwartzman, Petra Kvitova, Kevin Anderson, Sloane Stephens e até mesmo Pablo Carreño e Venus Williams marcaram neste domingo vitórias que são verdadeiras provas de que vale a pena lutar e insistir.

Dieguito é baixinho, 1,68m e não deveria brilhar nas quadras duras. Mas que nada. Joga em cima da linha, dispara seu forehand, sobe à rede sempre que sente ter deslocado o adversário e até ace chega na hora do aperto. Acima de tudo, tem um gigantesco coração. Sentindo a coxa direita, não baixou o ritmo e derrubou Lucas Pouille, um adversário bem mais versátil. Foi sua terceira grande vitória em poucas semanas, somada à que teve contra Dominic Thiem e Marin Cilic.

A recuperação de Kvitova é emocionante. Seriamente machucada num assalto, quase perdeu a magistral mão esquerda. Voltou em maio e rapidamente mostra aquele tênis ofensivo que lhe deu dois Wimbledon. É verdade que Petra nem sempre esteve no peso ideal e viveu intensos altos e baixos na carreira. Caso contrário, poderia ter feito mais. Seu talento ficou patente na vitória sobre Garbine Muguruza nesta noite, em que saiu atrás e reagiu sem jamais abandonar a ideia de buscar os pontos.

Determinação também marca a trajetória de Anderson e Stephens, ambos vítimas de contusões e cirurgias. O sul-africano era top 10 ao final de 2015 quando sofreu problemas no joelho, no ombro e no tornozelo. Tenista cheio de armas, perdeu o embalo e foi parar no 77º lugar do ranking. A volta tem sido lenta, mas constante. A norte-americana sofreu ainda mais com a operação no pé e 11 meses de ausência no circuito, encerrada agora em Wimbledon. Fazer as primeiras quartas dentro de casa é um sonho.

Sempre relegado a segundo plano diante dos compatriotas mais famosos, Carreño pintou como grande esperança seis anos atrás. Só agora, aos 26, começa a produzir resultados de primeira linha, tendo chegado nas quartas de Roland Garros e agora de Nova York. Na verdade, a ascensão começou com o vice de duplas no US Open do ano passado, um resultado surpreendente mas que mostrou sua versatilidade. Neste domingo, diante da juventude e ousadia de Denis Shapovalov, fez valer seu tênis sólido da base aliado a um saque muito eficiente.

Por fim, Venus continua competitiva e batalhadora aos 37 anos e com 23 temporadas nas costas. Em 2011, foi diagnosticada com uma síndrome que debilita suas forças e se tornou vegana. Teve grande queda técnica, mas jamais desistiu. Já fez duas finais de Slam nesta temporada e vai tentar sua primeira semi em Nova York desde 2010.

Para completar o domingo que definiu os primeiros quadrifinalistas, houve ainda a vitória justa de Anastasija Sevastova em cima de Maria Sharapova, onde se destaca a frieza da letã após perder o primeiro set e sua inteligente visão tática de baixar a bola, com slices e deixadas que enlouqueceram a russa.

Já Sam Querrey jogou muito, atropelou Mischa Zverev com a incrível média de 2,4 winners por game e mantém a esperança local de sucesso. Os donos da casa não tem um finalista desde Andy Roddick, em 2006, e não há dúvida de que Querrey é o nome de maior currículo e prestígio que resta neste lado da chave.

A segunda-feira completa o quadro de quadrifinalistas. Federer é favorito sobre Kohlschreiber, Nadal precisa tomar cuidado com Dolgopolov e Rublev tem chance real diante de um Goffin sem muito ritmo. O grande jogo fica para Del Potro e Thiem, que parecem os mais cotados a evitar que Rafa ou Roger chegue à final.

Pliskova e Svitolina vão à quadra animadas com a queda de Muguruza, ainda que a espanhola permaneça com a maior chance de ser a número 1. A tcheca pega a inexperiente Brady e a ucraniana tem tarefa dura diante de Keys. Outra americana em quadra é Vandeweghe, favorita frente a Safarova. Algoz de Ostapenko, Kasatkina corre por fora e enfrenta Kanepi.