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Nadal agrada mais
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2018 às 19:28

Consideradas todas as variantes, Rafa Nadal teve uma estreia em Wimbledon muito superior à de Novak Djokovic, o que pode ser um incremento motivacional ao canhoto espanhol. Seu adversário Dudi Sela, ex-top 30 que já fez oitavas em Wimbledon, tinha muito mais credenciais do que o estreante Tennys Sandgren, nenhuma vitória sobre grama na carreira. Adicione-se que Nole esteve a um passo do título em Queen’s dias atrás, enquanto o espanhol mal se experimentou no piso.

E aí o que vimos foi um Nadal bem mais solto e agressivo: 31 winners, apenas seis erros, 22 pontos em 27 subidas à rede. É bem verdade que perdeu um game de serviço no começo do terceiro set e precisou depois salvar mais três break-points, porém sua variação de golpes e táticas agradou. Djokovic outra vez incomodou pela escassez de jogo de rede, preso demais ao fundo de quadra. O ponto alto como sempre esteve na devolução, explorando muito o centro da quadra para tirar ângulos.

Claro que foi apenas a estreia e muita água ainda deve rolar. O quadrante de Nadal supõe cruzamento com Juan Martin del Potro ou Denis Shapovalov nas quartas. O argentino vem de contusão e admitiu surpresa com a boa atuação, tendo agora duelo perigoso contra Feliciano López. Ao garoto canadense falta experiência. Passou por Jeremy Chardy e terá Benoit Paire antes de Delpo ou López. O próprio Nadal não pode cochilar diante das bolas retas de Mikhail Kukushkin.

Nole dificilmente não estará nas quartas, mesmo tendo Kyle Edmund na terceira fase. Só então virá um adversário de respeito. Alexander Zverev e Nick Kyrgios iniciaram muito firmes a possível rota de colisão das oitavas, e nada está garantido. O alemão pega o sacador Taylor Fritz, o australiano tem agora o casca grossa Robin Haase e pode cruzar depois com Bernard Tomic ou Kei Nishikori. É de longe o setor mais duro e imprevisível.

Campeãs dão adeus
Não é apenas a Copa da Rússia que manda campeões mais cedo para casa. A chave feminina viu as totalmente inesperadas quedas de Petra Kvitova e Maria Sharapova nesta terça-feira. As duas estavam no mesmo quadrante e abriram um rombo no setor onde está a pouco confiável Jelena Ostapenko.

A vitória de Aliaksandra Sasnovich, 50ª do ranking, com direito a ‘pneu’ no terceiro set, foi particularmente notável, já que Kvitova vinha em grande momento. Mas é fato que a dona de cinco títulos em 2018 também perdeu outros quatro jogos neste ano para adversárias de ranking até inferiores ao da bielorrussa. Coisas da grama, Sasnovich havia perdido na estreia nos dois preparativos que fez em Hertogenbosch e Mallorca.

Sharapova deixou escapar mais um jogo bobo. Liderava o segundo set por 5/2, deixou a coisa se estender ao tiebreak e aí se enrolou. No terceiro set, quebrou antes para abrir 2/1 e 4/3, e sempre permitiu reação. Por fim, errou na deixadinha, no slice e na dupla falta no game decisivo e a compatriota Vitalia Diatchenko, apenas 132º do mundo, viu valer todo o esforço, tendo pedido fisioterapeuta para as costas ainda no primeiro set. Maria não jogou os dois últimos Wimbledon e jamais havia caído na estreia.

Registre-se que a atual campeã Garbine Muguruza e a líder do ranking Simona Halep passaram sem sustos. Caroline Garcia decepcionou de novo.

Cenas do segundo dia
– Ernests Gulbis venceu no quinto set, mas arrancou risadas. Na primeira troca de lados, errou a cadeira e chegou a abrir a garrafa d’água de Jay Clarke.
– Até sem querer, sobra para Kyrgios. Ao buscar um ace a 222 km/h, o australiano acertou em cheio uma boleira, que saiu em lágrimas. “Ela agiu com uma campeã, eu teria caído em lágrimas”, destacou Kyrgios.
– Jack Sock perdeu a sexta seguida, amargando virada de 0-2 do italiano Matteo Berrettini. O ex-top 10 só ganhou cinco jogos em 2018 e no momento figura no 146º posto no ranking da temporada.
– Homens do saibro, Dominic Thiem, David Goffin e Marco Cecchinato foram fiasco na grama. O austríaco abandonou no terceiro set por problema muscular.
– Esperanças britânicas, Johanna Konta e Kyle Edmund venceram. É fato que a grama não combina muito com Edmund, mas é o piso predileto de Konta.
– Comentarista para TV, Mats Wilander diz que Wimbledon é o lugar mais provável onde Del Potro poderá conquistar seu segundo Grand Slam.
– Belinda Bencic é alguém a se evitar nas estreias de Grand Slam. A ex-top 10 tirou Venus Williams na Austrália e agora tirou Caroline Garcia.
– Chris Harrison deu uma raquetada no próprio joelho, algo que não seria tão preocupante não fossem as sete cirurgias que já fez. Parou no amigo Kei Nishikori, que brincou: “Ele se machuca mais do que eu”.

Sharapova sonha com o fim do pesadelo
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2018 às 18:43

Serena Williams e Maria Sharapova cumpriram a tarefa com louvor e vão mesmo se reencontrar nas oitavas de final de Roland Garros, algo raro entre elas. Nos 21 duelos já feitos, apenas três aconteceram de forma tão precoce, o mais recente deles em Wimbledon de 2010. É a reedição da final de Paris de 2013, quando Serena levantou o segundo de seus três troféus e impediu o bi da russa, que o alcançaria no ano seguinte.

Não poderia haver momento mais apropriado para Sharapova enfim encerrar a cruel série de 18 derrotas consecutivas, que vem desde janeiro de 2005. Em todo esse longo período, tirou apenas três sets, tendo engolido placares elásticos e atuações deprimentes. Não que seu estilo se adapte mais ao saibro do que o de Serena, mas puramente pelo fato de que a algoz ainda está longe de seu auge físico e técnico. A nova mamãe sequer havia pisado na terra nos últimos 24 meses.

Mas todo cuidado é pouco. Jogo após jogo, Serena está se soltando. Começou pesada e pouco móvel, mas à medida que achou o saque demolidor e calibrou sua espetacular devolução a confiança só aumenta. Sharapova fez uma estreia também irregular, não brilhou na segunda partida porém neste sábado demoliu Karolina Pliskova. Ela, mais do que ninguém, sabe que terá de evitar o segundo serviço, diminuir ao máximo os erros não forçados e quem sabe apostar nas curtinhas, uma arma que agregou com sucesso, para acabar com o pesadelo.

Embora ainda estejam longe de ser candidatas ao título, talvez façam na segunda-feira o grande momento deste Roland Garros.

Segue a fila
A expectativa em cima de Rafa Nadal fica para ver quais os candidatos com real chance de testá-lo dignamente. Richard Gasquet, como já se imaginava, foi um fiasco. Vem aí o pouco conhecido alemão Maximilian Marterer, mero 70º do ranking. Possui um tênis consistente e parece à vontade no saibro, mas tal qual Gasquet ou Guido Pella deverá entrar em quadra preocupado em ganhar game.

Diego Schwartzman é o próximo da lista, desde que passe por Kevin Anderson, um duelo com 35 centímetros de diferença. O argentino fez o que eu esperava e, com exceção de uma postura um tanto cômoda no final do terceiro set, dominou Borna Coric com muito empenho na base. Não era um compromisso fácil, porque havia perdido os dois jogos para o croata. Anderson, que está nas quartas de Paris pela quarta vez, perdeu um set para Mischa Zverev porém jamais o serviço.

O quadrante debaixo está bem imprevisível. Fabio Fognini oscilou contra Kyle Edmund e chegou a estar atrás por 2 sets a 1, porém adotou uma postura agressiva, não economizou nos winners (41) e erros (60) e convenhamos que essa é a única postura admissível para quem sonha em competir com Nadal. A próxima tarefa é barrar Marin Cilic e repetir as quartas de 2011. O poderoso saque do croata exige cuidado, mas o italiano tem mais recursos. Os dois não se cruzam há quase sete anos.

Quem passar, deve encarar Juan Martin del Potro. O argentino já se confessou incapaz de ganhar de Rafa no saibro de hoje, mas não é novidade ele tirar o peso dos ombros para tentar jogar solto. De qualquer forma, fisicamente falando parece difícil mesmo de acreditar, a menos que economize muita energia. Isso não será problema diante de John Isner ou Pierre Herbert, que aceleram o jogo. Porém, bem mais difícil se cruzar depois com Fognini. O duelo deste sábado contra o canhoto Albert Ramos mostrou bem essa dificuldade, porque todo o poder ofensivo do argentino fica um tanto minimizado sobre a terra. E aí exige-se trabalho e pernas. Ah, e Isner não está tão limitado ao saque. Anda se mexendo bem para usar o forehand.

E mais
– Foi constrangedor ver a torcida vibrar com o primeiro ponto de Gasquet na altura do quarto game. Com 5/0 e incríveis 14 minutos, estava 22 a 2 em lances. Nadal só falhou em um serviço e permitiu um ou outro game mais equilibrado. No geral, fez o quis. O francês escapou de um placar vexaminoso.

– Com as derrotas de Lucas Pouille e Gael Monfils no complemento das partidas suspensas de sexta-feira e de Pierre Herbert, o tênis masculino francês deu mais um adeus a Roland Garros. Monfils perdeu chance de avançar mais uma rodada e marcar uma grande vitória em cima de David Goffin. Jogou com grande empenho, enlouqueceu a torcida e desperdiçou quatro match-points. Já Pouille decepcionou, ainda que Karen Khachanov seja consistente. Herbert lutou diante de um Isner superior.

– Acabou a série invicta de Petra Kvitova. Perdeu os dois tiebreaks diante da também agressiva Anett Kontaveit dando à estoniana 57% dos pontos marcados através de erros. Muita coisa. Sua adversária será Sloane Stephens, que escapou por pouco.

– Garbiñe Muguruza e Caroline Garcia passearam, em contraste com o primeiro set bem duro de Simona Halep e os dois tiebreaks que Angelique Kerber precisou jogar. Campeonato continua totalmente aberto.

O domingo
– Zverev e Khachanov buscam primeira presença nas quartas de um Slam com diferença de idade inferior a um ano. Alemão ganhou único duelo, em 2016.
– Thiem perdeu os dois jogos que já fez contra Nishikori e sem vencer set. Promessa de jogo longo e emocionante, já que os dois batem firme na bola.
– Depois de dois jogos duros em cinco sets, Goffin volta à quadra contra a surpresa Cecchinato, 72º do ranking. Belga venceu de virada em Roma, semanas atrás.
– Djokovic pode atingir o recorde de 12 quartas em Paris – e igualar as 9 seguidas de Federer – se passar por Verdasco. O histórico é de 10-4 para o sérvio, que não perde para o canhoto desde Roma-2010.
– Kasatkina tem 2-1 sobre Wozniacki e no saibro deste ano já venceu Muguruza. Quem ganhar, enfrentará Stephens ou Kontaveit, que fazem duelo inédito.
– Keys encara a canhota Buzarnescu, embalada pela vitória sobre Svitolina, enquanto Strycova tenta terceiro triunfo sobre Putintseva.

Ao ataque
Por José Nilton Dalcim
31 de maio de 2018 às 19:48

Rafael Nadal, Maria Sharapova e Serena Williams foram ao ataque nesta segunda rodada de Roland Garros. Se o espanhol usou o recurso para atropelar o argentino Guido Pella em duelo de canhotos, a russa quase se atrapalhou no segundo set e a norte-americana demorou para enfim pegar a mão de seu tênis tão agressivo.

Na estreia diante de Simone Bolelli, Nadal conseguiu 30 winners em 32 games. Nesta segunda rodada, fez 37 em 22. Isso por sí só mostra sua mudança de postura. Claro que tanto o saque como os golpes de base de Guido Pella não tem o mesmo peso de Bolelli, porém o canhoto argentino conseguiu bolas bem profundas e ainda assim Rafa encontrou jeito de ir para winners, com especiais paralelas de forehand.

Agora, vai reencontrar Richard Gasquet, o adversário contra quem tem o mais expressivo domínio (15 a 0). Apesar do apoio da torcida e de sua grande habilidade, não parece haver a menor chance de o francês endurecer em função de seu problema em se defender com o forehand. Terá de sacar muito bem para não passar vexame. Talvez a grande amizade entre eles, que vem desde os 12 anos, ajude.

Sharapova passou outra rodada sem grande brilhantismo – abriu 5/1 e salvou break-point que daria empate a Donna Vekic no segundo set – e tem jogo muito perigoso diante de Karolina Pliskova, onde só se pode esperar uma tremenda pancadaria e um festival de bolas vencedoras e erros não forçados.

Serena se impôs lentamente diante de Ash Barty. Depois de um começo estranho, foi crescendo e dominando. Deu show no game final, ao melhor estilo Serena: quatro lances e quatro winners (ace, voleio, forehand e backhand). Se avançarem mais uma rodada, Sharapova e Serena se reencontrarão num Slam pela 9ª vez, a primeira desde o Australian Open de 2016.

E mais
– Jogo para decidir qualquer ATP 500, Fabio Fognini e Kyle Edmund vão duelar na terceira rodada. Nada menos que o 17º contra o 18º do mundo. Nunca se enfrentaram, mas o italiano tem favoritismo natural por ser mais afeito ao saibro. Edmund no entanto está jogando direitinho na terra e, se o piso não estiver tão lento, vai dar muita pancada.

– Marin Cilic e Denis Shapovalov erraram demais. A diferença é que o croata pegou um adversário pouco experiente e venceu no quarto set, mas o espetáculo foi tenebroso. O canadense somou 82 falhas não forçadas, um assombro, e pegou o também canhoto Maximilian Marterer que tem qualidades: saca e se mexe bem, gosta de contraataque e pega pesado da base. Aos 22 anos, pode evoluir muito.

– Mesmo depois de errar um smash muito semelhante àqueles de Djokovic e Nishikori – a diferença foi que empurrou para fora da quadra – Juan Martin del Potro calou a Philipp Chatrier e tirou Julien Benneteau em seu último Roland Garros. Delpo demorou para mexer bem as pernas. Se continuar assim, corre risco diante de Albert Ramos, que sabe abrir bem a quadra.

– Outro jogo bem interessante de terceira rodada envolverá Diego Schwartzman e Borna Coric. O ‘baixinho’ ainda não cedeu sets, ainda que tenham encarado jogadores de ranking muito inferior. Coric já tirou Philipp Kohlschreiber e arrasou Dieguito nos dois confrontos feitos. A vitória vale possível encontro com Nadal nas quartas, já que o adversário sairá de Kevin Anderson e Misha Zverev.

– Caroline Garcia venceu para alegria da torcida, mas o estádio Suzanne Lenglen tinha 30% de lugares vazios. Dona de muitos recursos, a francesa ainda pode jogar melhor. Parece muito presa e ansiosa. Possível sequência contra Kerber, Halep e Muguruza – e as três aqui muito firmes – não é nada fácil.

A sexta-feira
– Depois de completar com louvor a vitória sobre Tsitsipas, Thiem volta pelo terceiro dia à quadra para enfrentar Berretini, 96º do ranking. A lógica diz que o austríaco irá enfrentar Nishikori nas oitavas. Japonês é amplo favorito contra Simon, embora curiosamente jamais tenha se enfrentado. Francês só tem 20 vitórias em 13 participações em Paris.
– Djokovic reencontra Bautista, contra quem tem 6-1, e tenta a 43ª oitavas de Slam na carreira, o igualaria Connors no segundo lugar da Era Aberta.
– Interessante ver se Dimitrov terá pernas contra Verdasco após a maratona de quarta-feira. Experiente espanhol, que já esteve seis vezes nas oitavas de Paris, ganhou o duelo mais recente, em Indian Wells.
– Para variar, Monfils diz que está com mínimas condições de enfrentar Goffin. “Torci o joelho na segunda ronda, vou fazer exames. Além disso, estou bastante doente e tenho tomado antibióticos”. O belga – que ganhou de Monfils no último US Open por retirada do francês no segundo set – deve ter vida fácil.
– Zverev encara Dzumhur com a chance de disputar as oitavas de Paris pela primeira vez, mas bósnio ganhou único duelo na quadra dura em 2017.
– Pouille encara Khachanov pela terceira vez na temporada, com empate nos duelos em piso duro. Francês jamais atingiu quarta rodada do torneio.
– Invicta há 13 jogos no saibro, Kvitova pega Kontaveit, contra quem já teve duas vitórias duras. Estoniana venceu Wozniacki, Venus e Kerber no saibro deste ano. Deve ser melhor jogo da rodada feminina. Svitolina é favorita contra Buzarnescu e Wozniacki encara torcida contra Parmentier.