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O Olimpo é de Federer outra vez
Por José Nilton Dalcim
16 de fevereiro de 2018 às 18:32

E Roger Federer será novamente o número 1 do mundo. Na próxima segunda-feira, 275 semanas depois de sua última aparição na ponta do ranking, ele irá escrever seu nome duplamente em mais uma página da história: o mais idoso a atingir a liderança, aos 36 anos e seis meses, superando Serena Williams (34) e Andre Agassi (33) e também do maior período entre as duas passagens pelo 1, con cinco anos e 106 dias. Ao mesmo tempo, aumentará seu recorde para 303 semanas na frente de todos.

Quando Federer ganhou Wimbledon e reassumiu a hegemonia do ranking em 9 de julho de 2012, tudo já parecia uma tarefa notável. Ele acabava de encerrar o longo período – mais de dois anos – em que Rafael Nadal e Novak Djokovic dominaram o circuito, em suas grandes temporadas de 2010 e 2011.

O suíço ficou na ponta por apenas 17 semanas e devolveu a coroa a Nole pouco antes do Finals de Londres e perdeu a chance de terminar uma temporada pela sexta vez como número 1. É difícil dizer, mas provavelmente nem ele imaginava que ainda poderia entrar nesse briga tão seletiva, muito menos depois de completar 35 anos e vindo de uma longa parada por contusão.

É fato que as quedas vertiginosas de Djokovic e Andy Murray deram uma mão importante nessa retomada, embora isso nada tenha a ver com sua atuação impecável no começo de 2017, especialmente no Australian Open, que viria a ser sua maior campanha dentro de seus então 18 troféus de Grand Slam.

No entanto, é bem evidente que, quando Federer está no topo de sua forma física e técnica, competir contra ele se torna um desafio e tanto. Com exceção a Nadal, não houve outro grande adversário no circuito ao longo de 2017, ainda que Juan Martin del Potro e David Goffin tenham interrompido suas campanhas no US Open e Finals, em que a chance de ir ao menos até a decisão era grande.

Federer recupera a liderança de forma incontestável. Com um calendário muito enxuto, em que se deu ao luxo de saltar toda a temporada de saibro, ganhou três dos quatro Slam que disputou em 12 meses. Chegou a brigar com Nadal pela liderança até o finalzinho do calendário, o que já era uma surpresa, e novamente mostrou seu alto espírito competitivo ao decidir ir a Roterdã para recuperar o número 1.

Não entendo aqueles que consideraram isso um oportunismo. Oras, um megacampeão do seu porte só pode se manter na estrada se tiver grandes ambições. É isso o que move tenistas como ele e o próprio Nadal, que para nossa sorte prometem continuar disputando acirradamente a ponta, os Slam e os recordes.

Sufoco e esperança
Por José Nilton Dalcim
5 de fevereiro de 2018 às 00:06

O tênis brasileiro sofre para valer quando sai para qualquer duelo da Copa Davis, ainda mais se for em quadra que não seja de saibro. A dificuldade para superar a desfalcada República Dominicana, com três jogadores de nível future, só acabou recompensada com a atuação de João Pedro Sorgi no quinto jogo.

Não que tenha sido um espetáculo técnico, mas o esforço e a dedicação do paulista de 24 anos depois de perder o primeiro set foram louváveis. Como Rogério Silva e Thomaz Bellucci não aceitaram a convocação, ele teve sua oportunidade como titular e não decepcionou, fazendo duas partidas de empenho numa superfície que claramente não é sua favorita.

Thiago Monteiro decepcionou. Venceu sua partida de sexta-feira com um tênis muito irregular e, apesar de ótimos lances e colocar até mais slice no seu backhand, voltou a mostrar pressa demasiada principalmente nos momentos de maior pressão. Fica a sensação preocupante de que Monteiro perdeu confiança, o que não é saudável num início de temporada.

Em abril, teremos de ir à Colômbia, que pode escolher a altitude e a quadra dura para nos atrapalhar. Daí precisaremos mesmo de Bellucci e quem sabe de João ‘Feijão’ Souza, que adoram jogar nessas condições. Rogerinho Silva demonstrou estar insatisfeito com o comando do time, ressentido pelo descaso que sofreu contra o Japão. De qualquer forma, não deveríamos temer Alejandro González e Daniel Galan. Ou devemos?

No Grupo Mundial, excelentes vitórias de Alemanha e Itália fora de casa. Com Nick Kyrgios outra vez ‘baleado’, Alexander Zverev deitou e rolou na partida decisiva. O encrenqueiro Fabio Fognini aprontou das suas, mas foi um herói e tanto: 14 sets e 12 horas em quadra para participar dos três pontos diante do Japão.

A Itália recebe agora a atual campeã França, que superou a Holanda com Adrian Mannarino e Richard Gasquet nas simples, e a Alemanha deve encarar o saibro depois que a Espanha avançou, mas com inesperado trabalho diante do time de novatos britânicos. Destaque para o canhoto Cameron Norrie, 22 anos e 114º do ranking, que marcou virada incrível sobre Roberto Bautista e deu sufoco em Albert Ramos.

A Croácia escolheu certinho o saibro para barrar o Canadá. O ponto decisivo foi uma aula de Borna Coric em cima de Denis Shapovalov. O número 3 Marin Cilic só jogou nas duplas e pode ajudar muito contra o Cazaquistão dentro de casa. Já a Bélgica contou novamente com David Goffin, muito firme mesmo na quadra dura. Esse aliás deve ser o piso escolhido pelos EUA para a rodada de 6 a 8 de abril. Sam Querrey e John Isner atropelaram a Sérvia como visitantes.

Por falar em tênis sérvio, o final da semana marcou a notícia já esperada da cirurgia de Novak Djokovic para tentar corrigir de vez o problema no cotovelo direito. Ficam dúvidas a se esclarecer: como ele ficou seis meses parado e em tratamento, e acabou por decidir enfim operar após três partidas em Melbourne? Que avaliação tão ruim teria sido essa de sua equipe médica ou física? Mais ainda: qual é a real extensão do problema e quanto tempo ele ainda terá de amargar fora do circuito? Me parece pouco provável que Nole volte no saibro europeu e seria temerário que jogasse na grama, o piso menos recomendado do mundo para quem tem problemas de cotovelo.

‘Rei’ dos Slam em números. E o que pode vir em 2018.
Por José Nilton Dalcim
30 de janeiro de 2018 às 19:01

Falar numericamente de Roger Federer é quase tão difícil e extenso do que analisar suas variadas capacidades técnicas. Como não dá para listar tudo o que o suíço já fez na carreira, decidi me limitar aos Grand Slam, que são os torneios de verdadeiro peso na história, e mostrar todos os recordes que ele detém no momento e também os que não tem, para efeito comparativo.

Mais abaixo, chequei as principais façanhas que poderá marcar em 2018. E não são poucas. Já peço desculpas pelo texto um tanto longo, mas juro que a culpa não é minha.

Recordes de Grand Slam
Federer detém quase todos os recordes importantes:
– 20 títulos
– 30 finais
– 43 semifinais
– 52 quartas de final
– 332 jogos vencidos
– 72 participações
– 10 finais consecutivas
– 23 semifinais consecutivas
– 36 quartas consecutivas
– 36 sets consecutivos
– 65 participações consecutivas
–  6 troféus na Austrália (com Djokovic)
–  8 troféus em Wimbledon
–  5 trofeús no US Open (com Connors e Sampras)
–  7 finais na Austrália
– 11 finais em Wimbledon
– 94 vitórias na Austrália
– 91 vitórias em Wimbledon
–  5 troféus seguidos em Wimbledon (com Borg)
–  5 troféus seguidos no US Open
– 40 vitórias seguidas no US Open
– 30 sets consecutivos na Austrália
– 34 sets seguidos em Wimbledon
– 176 vitórias no piso sintético
– 87,6% de vitórias no piso sintético

O que Federer não lidera nos Slam:
– percentual de vitórias geral nos Slam: 86,5% contra 87,1% de Nadal e 89,8% de Borg
– vitórias consecutivas: 27 (duas vezes) contra 30 de Djokovic
– troféus em Roland Garros: 1, muito longe dos 10 de Nadal e 6 de Borg
– finais em Roland Garros: 5, atrás das 10 de Nadal e 6 de Borg
– finais no US Open: 7 contra 8 de Lendl e Sampras
– vitórias em Roland Garros: 65, apenas atrás das 79 de Nadal
– vitórias no US Open: 82, só atrás de 98 de Connors
– títulos seguidos na Austrália: 2, atrás dos 3 de Djokovic
– títulos seguidos em Roland Garros: 0, muito atrás de 5 de Nadal e 4 de Borg
– vitórias seguidas na Austrália: 19, atrás de 25 de Djokovic e 20 de Lendl
– vitórias seguidas em Roland Garros: 11, longe das 39 de Nadal
– vitórias seguidas em Wimbledon: 40, atrás somente das 41 de Borg
– sets seguidos em Roland Garros: 17, longe dos 41 de Borg e 32 de Nadal
– sets seguidos no US Open: 21, atrás dos 26 de Lendl e 24 de Edberg
– vitórias no saibro: 65, contra 79 de Nadal e 75 de Vilas
– vitórias na grama: 91, atrás somente das 107 de Connors
– % de vitórias no saibro: 80,2%, longe dos 97,5% de Nadal e 92,6% de Borg
– % de vitórias na grama: 89,2%, atrás somente dos 90% de Sampras

Mais feitos notáveis em Slam:
– Único a vencer 3 Slam numa só temporada por três vezes (2004, 2006 e 2007)
– Único a disputar por três vezes todas as finais de Slam de uma mesma temporada (2006, 2007 e 2009)
– Único a disputar por cinco vezes, e ainda por cima seguidas, todas as semifinais de Slam de uma só temporada (2005 a 2009)
– Único a disputar por oito vezes, e consecutivas, todas as quartas de Slam numa só temporada (2005 a 2012)

Um 2018 histórico?
Federer já abriu a temporada com o impensável 20º troféu de Grand Slam, mas ainda há muitas façanhas e recordes que poderá alcançar ao longo de 2018. Vejam só o que ele ainda poderá comemorar:
– 100º título da carreira (está com 96, Connors lidera com 109)
– 147ª final da carreira para superar Lendl (está com 145, Connors lidera com 164)
– 200ª semifinal da carreira (está com 193, Connors lidera com 240)
– 1.400ª partida (está com 1.389, atrás das 1.535 de Connors)
– 1.200ª vitória (está com 1.139, atrás das 1.256 de Connors)
– 70º título na quadra sintética (lidera com 66)
– 20º título na grama (lidera com 17)
– 750 vitórias na quadra sintética (lidera com 715)
– 171ª vitória na grama (está com 164, Connors lidera com 170)
– 900 vitórias em quadra aberta (lidera com 867)
– 30º troféu de Masters 1000 (tem 27, Djokovic e Nadal lideram com 30)
– 50ª final de Masters 1000 (tem 46, empatado com Nadal)
– 500 semanas como top 2 do ranking (lidera com 492)
– 700 semanas como top 3 do ranking (lidera com 656)
– 700 semanas como top 4 do ranking (lidera com 689)
– 750 semanas como top 5 do ranking (lidera com 725)
– 818 semanas como top 10 do ranking (está com 797, atrás das 817 de Connors)
– 6ª temporada fechando como 1 (tem 5, atrás de 6 de Sampras)
– 14ª temporada fechando como top 5 (tem 13, atrás das 14 de Connors)
– 16ª temporada fechando como top 10 (tem 15, atrás das 16 de Connors e Agassi)
– Mais velho a liderar o ranking (Agassi lidera com 33 anos e quatro meses, em 2003)
– Mais velho a terminar no 1º lugar (Nadal lidera com 31 anos e 6 meses, em 2017)

Quem levou o desafio
Apenas três internautas acertaram os vencedores e os placares em set das finais do Australian Open. E não foi fácil decidir aquele que mais se aproximou dos resultados. Tive até de apelar pelo número de games até concluir que Paulo Veiga levará a biografia de Roger Federer, mega-sucesso da Editora Évora.