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Nadal faz mágica e garante Fedal
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2019 às 22:11

Se em algum momento do século 22 alguém precisar definir Rafael Nadal, pode mostrar o holograma do jogo desta noite em Indian Wells. O canhoto espanhol reuniu suas melhores qualidades para vencer um jogo improvável, em que nunca pareceu à vontade e passou a mostrar dificuldade de locomoção no começo do segundo set. Não economizou esforço, mudou a postura tática, usou sua cabeça tão forte e inigualável, buscou energia onde não havia e deixou o russo Karen Khachanov com cara de tacho.

O 39º Fedal da história, no entanto, corre risco de não acontecer. Haverá certamente horas de incerteza sobre a presença de Nadal, que voltou a sentir o problemático joelho direito. Será preciso desaquecer, baixar a adrenalina, fazer um tratamento noturno severo para ver se ele conseguirá ao menos bater bola antes do jogo, previsto por volta das 16h30 de Brasília. É muito pouco para uma recuperação completa, se é que isso será possível.

Como se sabe, a contusão no joelho causa uma série de limitações ao tenista: o saque – o movimento do canhoto começa com a perna direita -, as bolas baixas, a corrida para frente e consequente brecada, até mesmo o forehand mais exigente, já que a perna direita do canhoto precisa estar à frente para a transferência de peso ideal.

E, convenhamos, Roger Federer está jogando um tênis muito competitivo, o que exigirá ainda mais do espanhol. O suíço não precisou do seu melhor diante da fragilidade do polonês Hubart Hurkacz, ainda que tenha permitido break-points. Estará cheio de confiança depois do 100º título em Dubai e principalmente das cinco vitórias seguidas sobre Nadal, que não domina o adversário desde a semi do Australian Open de 2014.

Fatos curiosos: eles estão sem se cruzar há 17 meses, desde a final de Xangai, já que no ano passado sequer disputaram os mesmos torneios. E jamais houve um abandono, antes ou durante, em qualquer Fedal.

Relembrando de forma curta os números que tanto apimentam aquela que considero a maior rivalidade do tênis profissional:

Nadal tem:
23-15 desde o primeiro duelo, em Miami-2004
12-7 nos duelos de nível M1000
14-10 nas finais disputadas
67-50 em sets no Fedal
11-10 em tiebreaks entre eles
68-65 no total de semifinais já feitas de M1000
49-48 no total de finais já disputadas de M1000

Federer tem:
11-9 sobre a quadra dura contra Nadal
2-1 em duelos feitos em Indian Wells
5-0 nos últimos Fedal
4-0 nas últimas finais contra Rafa
31-0 nos games de serviço nos 3 últimos jogos
368-366 no total de vitórias de M1000

Empate:
4-4 em jogos feitos nos EUA (nunca no US Open)

Inédito:
Jamais houve WO ou abandono em meio ao jogo

Melo – Num dia a se comemorar, o Big 3 jogou seguidamente no estádio principal de Indian Wells, mas Novak Djokovic saiu derrotado. Ele e Fabio Fognini pararam diante de Marcelo Melo e do polonês Lukasz Kubot, numa jogo muito bem disputado e cheio de alternâncias. Depois da contusão e de tantas atuações abaixo do seu nível nesta temporada, o mineiro parece ter recuperado o tênis e a confiança. E na hora certa: Em sua 15ª final de nível Masters, vai atrás do 10º título.

Davis – A Confederação Brasileira surpreendeu de forma positiva, ao chamar de volta Jaime Oncins como capitão do time da Copa Davis. Atleta de conduta irrepreensível, vencedor em simples e duplas, histórico notável em Copa Davis, ele dá o ar de confiabilidade que o grupo necessita neste momento. Claro que seu trabalho não será fácil, principalmente pela falta de tenistas de ponta, mas somos amplos favoritos contra Barbados e assim deveremos tentar de novo o qualificatório de fevereiro.

Vitória matemática
Por José Nilton Dalcim
26 de outubro de 2016 às 21:20

Na íngreme escalada ao número 1, Andy Murray deu um passo essencial nesta quarta-feira. Por isso mesmo, tenso. O segundo set contra o sempre problemático Martin Klizan, que parece sempre jogar como se não tivesse muito a perder, foi o espelho dessa natural ansiedade do escocês. Até que fez prevalecer a lógica, marcou um ‘pneu’ no terceiro set e cumpriu a tarefa sine qua non para que ainda sonhe com a liderança em 2016.

Sim, porque Murray tirou aqueles terríveis 15 pontos que poderiam jogar por terra a meta. Agora, está a 870 pontos de Djokovic no ranking da temporada – aquele que não leva em conta defesa de resultados -, o que de uma vez por todas deixa o destino do britânico em suas próprias mãos. Independentemente do que acontecer em Viena daqui em diante, ele agora tem a matemática a seu favor: se conquistar Paris e o Finals de Londres, ultrapassará Nole.

Claro, quanto mais longe for no ATP austríaco desta semana, melhor. A ATP está adorando o momento, que enfim coloca molho na reta final da temporada, e já soltou um quadro apontando para a possibilidade real de Murray já chegar em Londres como número 1. Vale lembrar que após Paris serão descontados não apenas os pontos do Masters francês mas se antecipa também a queda dos do Finals.

Neste momento, Murray está nas oitavas de Viena e teria de ganhar Paris e Djoko perder até as quartas em Bercy. Se ele atingir a semi, então precisará ganhar Paris e Djoko não chegar na semi. Caso seja vice ou campeão em Viena, é necessário ganhar Paris e Nole não chegar à final. Um último cenário diz que o título em Viena pode ser combinado com o vice em Paris, desde que Djokovic caia antes da semi.

Importantíssimo: mesmo que o escocês consiga alguma dessas combinações, a liderança ainda estará em jogo na arena O2.

Corrida para Londres
Não é somente Murray que faz contas. Gael Monfils está também muito perto de ser confirmado como o sexto nome no Finals de Londres, o que para ele significa um grande feito pessoal, já que nunca chegou lá. Ele sofre perseguição de Dominic Thiem, Tomas Berdych, David Goffin e Marin Cilic.

O espanhol Roberto Bautista caiu em Viena e Jo-Wilfried Tsonga não pode alcançar o compatriota nem que vença Viena e Paris. Os dois no entanto ainda podem sonhar com a oitava vaga, dependendo de grande campanha em Bercy e combinação de derrotas precoces dos concorrentes. Em hipótese ainda mais remota, estão Lucas Pouille e Grigor Dimitrov.

Corrida para o topo
Depois de perder a chance de atingir a liderança do ranking individual de duplas, Bruno Soares pode nesta quinta-feira assumir a ponta da classificação de parcerias da temporada, o que também é um tremendo feito. Ele e o parceiro Jamie Murray precisam ganhar de Guillermo Duran/Mariusz Fyrstenberg para atingir 7.250 pontos e superar por 25 os franceses Nicolas Mahut e Pierre Herbert.

Como defende o título da Basileia do ano passado, Soares precisa ganhar Viena para se manter no número 2, mas o líder Mahut está nas quartas na Suíça e pode permanecer a 410 pontos de distância. A luta será dura para o mineiro, porque tanto Mahut como Herbert também não fizeram grande coisa em Paris e Londres no ano passado. Terá de ser na raça.