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Ah, essa tal de NextGen…
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2018 às 19:49

Mais um Grand Slam, outra decepção dos principais nomes da chamada nova geração. Alexander Zverev e Nick Kyrgios não irão fazer o aguardado duelo de oitavas de final. Caíram em situações distintas. Enquanto o alemão sentiu o reflexo de uma virose contraída dois dias atrás e ainda se esforçou, o australiano teve uma atuação medíocre e continuou ‘freguês’ de Kei Nishikori.

Não ficou aí. Kyle Edmund mostrou o quanto ainda precisa de maturidade e não soube aproveitar a força do público e um bom início para manter Novak Djokovic sob pressão. E o garoto Alex de Minaur não tem potência para pensar em competir lá no alto nível, muito menos contra Rafael Nadal. Claro que os dois foram batidos por dois campeões e nomes fortes para o título deste ano.

Tudo bem, ainda existem quatro jovens nas oitavas masculinas de Wimbledon. O russo Karen Khachanov, de 23 anos, virou de 0-2 em cima do também garoto Frances Tiafoe mas terá o azar de cruzar com Djokovic, enquanto o canhoto Jiri Vesely, de 24, possui um jogo vistoso e bate muito na bola, porém pegou Nadal. É querer demais deles, lembrando que a grama costuma privilegiar a experiência.

Do outro lado da chave, a Next Gen também sobrevive. Stefanos Tsitsipas, o mais jovem dos participantes, 19 anos, tem um jogo bem casado para a grama. Terá de se virar contra o saque de John Isner, mas não me parece impossível avançar. A surpresa é Mackenzie McDonald, 23, que talvez só esteja lá porque pegou três ‘saibristas’ na sequência. Agora encara o vice de 2016 Milos Raonic, outro universo.

A boa história da semana, no entanto, cabe a Gulbis, que um dia já foi um esperança de renovação. Chegou ao top 10 aos 25 anos, mas uma série de fatores não ajudaram. Talvez o maior deles seja de caráter pessoal, porque as seguidas contusões têm muito a ver com a falta de seriedade com que levou a carreira fora das quadras.

De qualquer forma, é preciso louvar seu talento e também o esforço em continuar no circuito, já que dinheiro não é problema. Vale lembrar que estava perdendo estreia de challenger no saibro pouco antes de tentar o quali de Wimbledon e que também passou o quali de Paris, algo que não é para muitos.

Faz três anos que Gulbis não disputa uma temporada entre os grandes do tênis e em julho do ano passado era o 589º do mundo. E confessa humildemente: “Não esperava ganhar do Zverev depois do terceiro set, mas ele ficou cansado e eu só tive de ser inteligente”.

Halep se culpa
Muita gente saiu em defesa de Dominika Cibulkova e sua ausência entre as cabeças de Wimbledon, mas o destino deu um jeito e de repente a baixinha eslovaca cavou seu buraco na chave e ficou gigante. Depois de tirar Alizé Cornet e Johanna Konta, atropelou Elise Mertens e ainda ganhou de presente a inesperada queda de Simona Halep.

A derrota da número 1 é daquelas coisas difíceis de explicar. Dominava o jogo, tinha match-point, a adversária Su-Wei Hsieh parecia sem forças. E ainda assim não deu. A taiwanesa, que em janeiro tirou Garbiñe Muguruza em Melbourne, é daquelas guerreiras e aproveitou a vacilada de Halep.

A romena disparou contra si mesma. Afirmou ter tido atitude pouco profissional na partida, ao reclamar demais, ficar muito negativa, e que o melhor mesmo é ir para casa e descansar. Hsieh está com 32 anos e de novo nas oitavas de um Slam.

Cenas do sexto dia
– Del Potro teve outro atitude simpática. Ao ver Paire escorregar e falsear justamente a perna já toda enfaixada, correu lá e ajudou o adversário a se levantar. O francês está com contusão no menisco, mas felizmente não houve agravante.
– “Senti como se alguém tivesse me desligado da tomada. Não tinha mais força”, contou Zverev.
– E olha só: Jelena Ostapenko e Ernests Gulbis colocam a Letônia em duas oitavas de um Grand Slam pela primeira vez na história.
– “Decidi este ano aproveitar a vida, saborear morangos com creme, lagosta e hambúrguer; fazer compras”, conta Su-Wei Hsieh.
– Com a saída de Edmund, o tênis britânico fica fora da segunda semana de Wimbledon pela primeira vez desde 2007.
– A imprensa britânica encheu Djokovic de perguntas sobre Edmund. Habilidoso, Nole até desculpou o britânico pelo lance em que claramente a bola quicou duas vezes e Edmund não se acusou.
– Parecia evidente que Kyrgios não estava pronto para ir à quadra. Entrou de calçado azul, o que não é permitido, e trocou o grip da raquete depois do aquecimento. Ninguém avisou o rapaz que não há jogos domingo em Wimbledon?
– Khachanov já disparou 200 winners no torneio! É o recordista até aqui.

Zebras galopam em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
5 de julho de 2018 às 20:00

A máxima de que cada dia é um dia no tênis não poderia ser mais perfeita, e dura, para Marin Cilic. De uma atuação firme e tranquila na quarta-feira para o desastre absoluto na quinta, o atual vice de Wimbledon – e também da Austrália, e campeão de Queen’s… – disse um melancólico adeus ainda na segunda rodada diante do especialista em saibro Guido Pella.

Na verdade, a parada provocada pela chuva na véspera já havia surtido seu primeiro efeito ontem mesmo. Nos 10 minutos em que ainda tentaram jogar na retomada, Pella quebrou o saque de Cilic e se manteve vivo naquele terceiro set. Hoje era outro. Jogou solto, bateu na bola e usou muito bem seu saque de canhoto. Um gentleman, Cilic não culpou a chuva, a quadra, o adversário. Disse que não voltou no mesmo ritmo e que a vida continua.

A queda da campeã Garbine Muguruza não foi menos surpreendente. Apesar do primeiro set estranho, em que saiu perdendo de 2/4, a espanhola reagiu e ainda saiu com quebra na outra série. Parecia tudo nos eixos. Qual nada. Perderia cinco de seus sete games de serviços seguintes, mostrando enorme irregularidade e por vezes insegurança com o jogo de rede.

O mais incrível é que Alison van Uytvanck não vencia dois jogos consecutivos desde fevereiro e sequer tem treinador. “Estava muito nervosa quando saquei para fechar o jogo”. Ela acredita agora que poderá ir longe. Muito longe.

Muguruza ao menos não precisa ficar tão triste. Nos 50 anos de tênis profissional em Wimbledon, apenas cinco vezes a campeã conseguiu defender seu título.

Nadal e Djokovic: sob controle
Foram duas vitórias em sets diretos, mas desta vez Rafa Nadal precisou se esforçar mais. O saque não funcionou tão bem, perdeu dois games de serviço e levou um susto no primeiro set. Como sempre, achou alternativas táticas – desta vez, o saque no corpo e o uso mais constante de slices – e jogará contra o garoto Alex de Minaur no sábado. A vitória bastará para manter a liderança do ranking.

Novak Djokovic teve tarefa bem mais simples diante do canhoto Horacio Zeballos, que não soube como tirar a bola da cintura do sérvio. A consequência foi uma surra. A preocupação: Nole pediu assistência para uma dor no joelho, que ele garante não ser nada grave. Tomara. Agora, vai encarar Kyle Edmund, que acabou de vencê-lo no saibro veloz de Madri e terá um estádio inteiro a empurrá-lo.

O britânico no entanto tem minúscula intimidade com a grama, já colocou toda a responsabilidade no sérvio e mostrou sua maior preocupação para o sábado: que não seja junto com a partida da Inglaterra na Copa.

Os Aussies estão chegando
Dos oito australianos que chegaram à segunda rodada, cinco avançaram. Claro que todo mundo pensa logo em Nick Kyrgios, mas há quem coloque Ash Barty, campeã juvenil de 2011, entre as candidatas ao título, entre elas Kim Cliijsters.

Os outros são Alex de Minaur, Daria Gavrilova e Matt Ebden. Kyrgios acredita piamente que De Minaur exigirá bastante de Nadal. “Não sei se Rafa vai gostar de receber tanta bola de volta. Claro que é uma tarefa difícil, mas Alex pode causar desconforto”.

Cenas do quarto dia
– Cena curiosa no jogo de Kyrgios. O árbitro James Keothavong desceu da cadeira e demonstrou para o australiano como ele estava cometendo foot-fault.
– A campeã defensora não perdia tão cedo em Wimbledon desde a queda de Steffi Graf em 1994.
– O saque de 150 milhas por hora de Monfils – 241,3 km/h, que seria novo recorde do torneio – foi anulado. Houve erro na medição.
– Pior ainda foi a nota que saiu no New York Times, afirmando que Raonic havia sacado a 250 milhas por hora!
– Del Potro encerrou sua vitória quase impecável sobre Feli López com apenas 5 erros não forçados no total dos três sets, admirável para um jogador que arrisca muito. Ele quer cautela: “A primeira meta é chegar na segunda semana”. Só falta tirar Paire.
– Depois de eliminar Dimitrov, Wawrinka caiu para o quali Fabbiano, tendo desperdiçado quatro set-points tanto no primeiro como no terceiro sets. Conclusão: começará o segundo semestre quase fora do top 200.

Nadal agrada mais
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2018 às 19:28

Consideradas todas as variantes, Rafa Nadal teve uma estreia em Wimbledon muito superior à de Novak Djokovic, o que pode ser um incremento motivacional ao canhoto espanhol. Seu adversário Dudi Sela, ex-top 30 que já fez oitavas em Wimbledon, tinha muito mais credenciais do que o estreante Tennys Sandgren, nenhuma vitória sobre grama na carreira. Adicione-se que Nole esteve a um passo do título em Queen’s dias atrás, enquanto o espanhol mal se experimentou no piso.

E aí o que vimos foi um Nadal bem mais solto e agressivo: 31 winners, apenas seis erros, 22 pontos em 27 subidas à rede. É bem verdade que perdeu um game de serviço no começo do terceiro set e precisou depois salvar mais três break-points, porém sua variação de golpes e táticas agradou. Djokovic outra vez incomodou pela escassez de jogo de rede, preso demais ao fundo de quadra. O ponto alto como sempre esteve na devolução, explorando muito o centro da quadra para tirar ângulos.

Claro que foi apenas a estreia e muita água ainda deve rolar. O quadrante de Nadal supõe cruzamento com Juan Martin del Potro ou Denis Shapovalov nas quartas. O argentino vem de contusão e admitiu surpresa com a boa atuação, tendo agora duelo perigoso contra Feliciano López. Ao garoto canadense falta experiência. Passou por Jeremy Chardy e terá Benoit Paire antes de Delpo ou López. O próprio Nadal não pode cochilar diante das bolas retas de Mikhail Kukushkin.

Nole dificilmente não estará nas quartas, mesmo tendo Kyle Edmund na terceira fase. Só então virá um adversário de respeito. Alexander Zverev e Nick Kyrgios iniciaram muito firmes a possível rota de colisão das oitavas, e nada está garantido. O alemão pega o sacador Taylor Fritz, o australiano tem agora o casca grossa Robin Haase e pode cruzar depois com Bernard Tomic ou Kei Nishikori. É de longe o setor mais duro e imprevisível.

Campeãs dão adeus
Não é apenas a Copa da Rússia que manda campeões mais cedo para casa. A chave feminina viu as totalmente inesperadas quedas de Petra Kvitova e Maria Sharapova nesta terça-feira. As duas estavam no mesmo quadrante e abriram um rombo no setor onde está a pouco confiável Jelena Ostapenko.

A vitória de Aliaksandra Sasnovich, 50ª do ranking, com direito a ‘pneu’ no terceiro set, foi particularmente notável, já que Kvitova vinha em grande momento. Mas é fato que a dona de cinco títulos em 2018 também perdeu outros quatro jogos neste ano para adversárias de ranking até inferiores ao da bielorrussa. Coisas da grama, Sasnovich havia perdido na estreia nos dois preparativos que fez em Hertogenbosch e Mallorca.

Sharapova deixou escapar mais um jogo bobo. Liderava o segundo set por 5/2, deixou a coisa se estender ao tiebreak e aí se enrolou. No terceiro set, quebrou antes para abrir 2/1 e 4/3, e sempre permitiu reação. Por fim, errou na deixadinha, no slice e na dupla falta no game decisivo e a compatriota Vitalia Diatchenko, apenas 132º do mundo, viu valer todo o esforço, tendo pedido fisioterapeuta para as costas ainda no primeiro set. Maria não jogou os dois últimos Wimbledon e jamais havia caído na estreia.

Registre-se que a atual campeã Garbine Muguruza e a líder do ranking Simona Halep passaram sem sustos. Caroline Garcia decepcionou de novo.

Cenas do segundo dia
– Ernests Gulbis venceu no quinto set, mas arrancou risadas. Na primeira troca de lados, errou a cadeira e chegou a abrir a garrafa d’água de Jay Clarke.
– Até sem querer, sobra para Kyrgios. Ao buscar um ace a 222 km/h, o australiano acertou em cheio uma boleira, que saiu em lágrimas. “Ela agiu com uma campeã, eu teria caído em lágrimas”, destacou Kyrgios.
– Jack Sock perdeu a sexta seguida, amargando virada de 0-2 do italiano Matteo Berrettini. O ex-top 10 só ganhou cinco jogos em 2018 e no momento figura no 146º posto no ranking da temporada.
– Homens do saibro, Dominic Thiem, David Goffin e Marco Cecchinato foram fiasco na grama. O austríaco abandonou no terceiro set por problema muscular.
– Esperanças britânicas, Johanna Konta e Kyle Edmund venceram. É fato que a grama não combina muito com Edmund, mas é o piso predileto de Konta.
– Comentarista para TV, Mats Wilander diz que Wimbledon é o lugar mais provável onde Del Potro poderá conquistar seu segundo Grand Slam.
– Belinda Bencic é alguém a se evitar nas estreias de Grand Slam. A ex-top 10 tirou Venus Williams na Austrália e agora tirou Caroline Garcia.
– Chris Harrison deu uma raquetada no próprio joelho, algo que não seria tão preocupante não fossem as sete cirurgias que já fez. Parou no amigo Kei Nishikori, que brincou: “Ele se machuca mais do que eu”.