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Desafio em Miami
Por José Nilton Dalcim
28 de março de 2018 às 00:09

O funil vai apertando e as quartas de final masculinas mostram que os grandalhões ainda conseguem se dar bem no piso sintético lento de Miami. Mas não me parece que sacar à máxima força seja o suficiente para quem quiser levantar o troféu no domingo. É preciso dosar, mostrar consistência na base. E daí Juan Martin del Potro e Alexander Zverev, não por acaso os de melhor currículo entre os oito restantes, despontam como os maiores candidatos ao título.

Um jogador extremamente sólido e versátil para seus 2,03m, Kevin Anderson fincou mesmo o pé entre os top 10. No atual momento do tênis masculino, me parece bem justo, já que está longe de ser um tenista totalmente dependente do primeiro saque. Reencontra Pablo Carreño, outro que tem mostrado jogo variado sobre a quadra dura, com 4 a 0 nos duelos diretos, incluindo as recentes viradas no US Open e em Indian Wells.

Quem passar, terá pela frente a novíssima geração. Zverev de repente parece ter feito as pazes consigo mesmo e, depois de mostrar mais cabeça e golpes contra David Ferrer, dominou outra vez Nick Kyrgios, com destaque para um forehand novamente eficaz. Já Borna Coric continua em grande momento. Foi um tanto passivo diante de Denis Shapovalov, mas os 31 winners contra 10 que levou foram compensados pelos 21 erros frente a 47 do canhoto canadense. Coric ganhou os dois duelos contra Zverev, o mais recente no US Open.

A parte inferior da chave reúne três grandes sacadores contra o valente Hyeon Chung. Será interessante ver o tira-teima entre Del Potro e Milos Raonic, que estão 2 a 2 nos confrontos diretos. Sou mais Delpo, principalmente porque ele se poupou muito bem nesta terça-feira e é superior a Milos quase em tudo. Dias atrás, em Indian Wells, foi um passeio.

Por fim, Chung terá de repetir a performance de Auckland, dois meses atrás, quando teve paciência para aguentar os pesados serviços de Isner e cuidou muito bem do próprio saque. Como o jogo será à tarde, mais chances de o norte-americano disparar seus foguetes e pressionar.

Vika reage
A chave feminina, que perdeu suas três principais cabeças antes mesmo das quartas, verá Vika Azarenka buscar vaga na final contra Sloane Stephens. A bielorrussa faz campanha notável, quando lembramos o pouco que tem jogado, eliminando Keys, Sevastova, Radwanska e Karolina Pliskova. Aos poucos, pega ritmo e confiança. Se mantiver o padrão, deveremos ter uma bela pancadaria diante de Stephens.

As outras semifinalistas saem nesta quarta e trazem Elena Svitolina contra Jelena Ostapenko e o duelo entre a veteraníssima Venus Williams contra a ex-universitária Danielle Collins, que deu um incrível salto dos ITFs aos Premier em questão de semanas.

Ranking
– Fala-se com certa razão da má fase do tênis norte-americano, mas segunda-feira os EUA terão três entre os 16 primeiros do ranking. E com boa chance de Isner voltar ao top 10, caso chegue nas semifinais.
– Chung e Coric já garantiram seu recorde pessoal. O coreano tem tudo para entrar no top 20 e o croata já é 28º. Tiafoe também avançará para inédito 58º e Stefanos Tsitsipas, ao 69º.
– Zverev e Delpo lutam diretamente pelo quinto posto e podem tirar Grigor Dimitrov do quarto lugar caso atinjam a decisão de domingo.
– No feminino, Sloane Stephens enfim atinge o top 10 na carreira. Azarenka por seu lado volta à lista das 100 primeiras e um eventual título a colocará no 39º.

Que domingo em Indian Wells
Por José Nilton Dalcim
17 de março de 2018 às 19:42

Talvez não exista missão mais difícil no tênis do que ganhar uma partida em que seu adversário jogou melhor do que você. Isso poderia se encaixar perfeitamente no magnífico duelo semifinal entre Roger Federer e Borna Coric. O garoto croata, dentro de sua nova postura, foi superior no plano técnico e tático, venceu o primeiro set e liderou os outros dois. Perdeu muito provavelmente porque a cabeça do número 1 foi superior na hora ‘h’. Mais uma vez, prova-se que a parte mental responde a mais do que 70% do tênis profissional de hoje.

A grosso modo, Coric não mereceu sair derrotado. Viu um Federer um tanto lento e descalibrado por um set e meio – o vento irregular teve seu papel nisso – e foi notavelmente aplicado: manteve bolas muito fundas, buscou o backhand o tempo inteiro, aproveitou qualquer chance para ser agressivo e definir o ponto. Era exatamente isso que tanto se cobrava dele. Claro que vacilou depois de abrir 4/2 no segundo set, ainda que seja necessário dar crédito à mudança que Federer fez, ao investir mais no slice e aí mesclar com batidas.

O líder do ranking embalou quatro games e aí Coric mostrou que também melhorou na questão emocional. Deixou de ser o bebê chorão de antes e saiu com quebra no terceiro set. Cedeu o empate, salvou break-point no quarto game e então chegou à quebra num game aplicadíssimo. Com 4/3 e saque, brigou num game muito longo e repleto de alternativas até ceder o serviço e daí em diante não ganhou mais lances na partida. A cabeça, claro, naufragou. A estatística, diga-se de passagem, mostra outra vez a realidade do circuito masculino de hoje: levou aquele que ganhou mais os pontos curtos (menos de cinco trocas): 59 a 41.

Federer atinge assim a maior série invicta da carreira num começo de temporada, com 17, e irá em busca do 98º troféu da carreira e o 28º Masters com a certeza de ter feito seu jogo mais duro do ano.

Como se esperava desde o início, a decisão será contra Juan Martin del Potro, que demonstra desde Acapulco evolução no backhand e na resistência física. É verdade que o argentino passou por duas rodadas muito duras, especialmente diante de Leo Mayer, mas sempre encontrou um jeito de seguir em frente. Neste sábado foi premiado por uma atuação fraca de Milos Raonic, que deu pouco trabalho, mostrou-se apressado e perdido. O canadense quis ir de qualquer jeito à rede, quem sabe determinado a não dar ritmo de fundo a Delpo, mas o resultado catastrófico foram oito pontos em 23 tentativas.

Todos sabemos do extraordinário histórico dos duelos entre Federer e Delpo. Mas vamos nos ater ao que aconteceu depois do retorno definitivo do argentino e então temos 3 a 1 para Roger, todos no ano passado e apenas um em sets diretos. Ou seja, ainda com Delpo usando mais slices do que topspin no backhand, o confronto tem sido equilibrado. Neste domingo, tudo pode acontecer. Note-se que, apesar de ter vencido um Grand Slam, Del Potro jamais faturou um Masters 1000.

Se entre os homens deu a lógica, a final feminina de Indian Wells é uma tremenda e deliciosa surpresa, porque as duas meninas de 20 anos jogam um tênis de muita potência e agressividade, têm excelente trabalho de pernas e atropelaram favoritas sem medo de ser feliz.

A russa Daria Kasatkina não é exatamente uma novidade. Já top 20 do ranking, soma vitórias importantes na curta carreira, ainda que some um único título de WTA até agora. Num universo um tanto pragmático na forma de jogar tênis, seu estilo tão criativo e ousado rouba corações. Kasatkina se defende com admirável qualidade, é esperta no contraataque, mas ao mesmo tempo é capaz de dar os mais inesperados efeitos na bola. O duelo que fez contra Venus Williams foi um dos melhores jogos femininos dos últimos tempos, tamanha intensidade, precisão e luta das duas jogadoras. A russa esteve a dois pontos da eliminação. E, lembremos, tirou sucessivamente Sloane Stephens, Carol Woniacki, Angelique Kerber e Venus.

A japonesa Naomi Osaka, com sua pele muito morena,  causa mais surpresa. É uma top 50 com uma única final disputada – só fez semifinal uma vez, 18 meses atrás -, mas seu jogo se encaixou de forma perfeita em Indian Wells. Saca melhor que Kasatkina, mostra golpes sólidos e consistentes da base e um ataque fulminante com backhand na paralela que desconcerta as adversárias. A número 1 Simona Halep sentiu isso na pele e levou nove games seguidos da adversária, que atuou num estilo rolo compressor de tirar o fôlego. Aliás, já tinha feito algo semelhante contra Karolina Pliskova nas quartas.

Mais saboroso ainda é o fato de que as duas novas sensações jamais se cruzaram no circuito. Portanto, tal qual entre os homens, está tudo aberto.

Prepare-se para um domingo eletrizante.

Muitas dúvidas
Por José Nilton Dalcim
13 de dezembro de 2017 às 16:20

Dias atrás, Roger Federer garantiu esperar um 2018 extremamente duro e concorrido com a volta de vários dos grandes nomes do tênis que tiveram sérios problemas físicos e se afastaram ao longo do segundo semestre. Apesar do otimismo do suíço, a verdade é que sobram dúvidas.

Algumas das mais ansiosas perguntas podem começar a ser respondidas ainda neste ano. Dentro de 15 dias, Stan Wawrinka faz seu primeiro jogo na exibição de Abu Dhabi diante de Pablo Carreño, mesmo dia que marcará a volta do também contundido Milos Raonic frente Dominic Thiem.

A sexta-feira será mais importante. Novak Djokovic fará seu primeiro jogo desde Wimbledon diante de Raonic ou Thiem e o número 1 Rafa Nadal terá a chance de mostrar que está recuperado do joelho diante de Stan ou Carreño. Mesmo que percam, Nole e Nadal voltarão à quadra no sábado para disputar o terceiro lugar. Mas não é nada difícil que ambos disputem o título, um teste bem mais valioso.

Logo em seguida, na segunda-feira, Nadal vai para Brisbane e Djokovic, para Doha. Mais cauteloso, Wawrinka não programou nada até o Australian Open.

Brisbane merece toda a atenção, porque ali acontecerão os retornos de Andy Murray e Kei Nishikori. O grupo é fortíssimo. Além de Nadal e Raonic, estão inscritos Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios. Ao mesmo tempo, Thiem e Carreño são os principais concorrentes de Djokovic, atual campeão de Doha, que terá ainda as presenças de Jo-Wilfried Tsonga e Tomas Berdych.

Mesmo sem ter dado muito detalhes de sua recuperação, Djokovic treina em Monte Carlo, contratou Radek Stepanek como técnico para acompanhá-lo nos torneios e chamou o analista de desempenho Craig O’Shannessy para participar da pré-temporada e do Australian Open. Sinais positivos.

Sobre Murray recaem maiores incógnitas, principalmente depois da tentativa frustrada de tentar jogar o US Open. O escocês decidiu evitar a cirurgia no quadril e, segundo a mãe, cumpre a cronologia de recuperação. Liberou Ivan Lendl e ficou com Jamie Delgado, que foi reticente na semana passada sobre a volta do pupilo em janeiro.

Wawrinka é outro que não disputa jogos desde Wimbledon e optou por operar o joelho em agosto. O suíço luta eternamente contra a balança e admitiu que a saída repentina do técnico Magnus Norman foi um choque para ele. De qualquer forma, divulgou um calendário repleto até Monte Carlo.

Nishikori por sua vez segue o mesmo caminho de Murray. Não quis operar o punho direito e corre contra o tempo num tratamento longo. Embora esteja inscrito em Brisbane, seu empresário mostrou certo pessimismo e preferiu não garantir sua presença em Brisbane, embora diga que ele estará no Australian Open. De todos os grandes nomes contundidos, o japonês é quem mais desabou no ranking. Enquanto Stan se manteve no top 10, Djoko caiu para 12º e Murray ainda está no 16º, ele deixou o top 20.