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Fedal frustra, mas final promete
Por José Nilton Dalcim
16 de março de 2019 às 23:11

Como era mais do que esperado, Rafael Nadal não teve condições físicas para levar a cabo o 39º Fedal, e assim pela primeira vez o maior confronto do tênis moderno não foi realizado. O espanhol tentou bater bola por meia hora no começo da tarde e ficou evidente que o joelho não aguentaria o esforço de encarar Roger Federer. Com astúcia, evitou o perigoso desgaste. Só voltaremos a ver Nadal no saibro, provavelmente a partir de Monte Carlo, e aí veremos se mais uma vez ele conseguirá contornar o joelho e reinar no seu habitat natural.

Apesar da frustração por não revermos o Fedal, a decisão entre Federer e Dominic Thiem tem ingredientes suficientes para Indian Wells ver um grande jogo. Basta olhar o histórico dos confrontos: 2 a 2, com vitórias do austríaco no saibro de Roma mas também sobre a grama de Stuttgart. O suíço levou a melhor nas duas vezes que se cruzaram na quadra dura. No ano passado, na lentidão do Finals, ganhou com placar elástico. De quebra, quem vencer será o número 4 na segunda-feira.

O que faz do austríaco tão perigoso para o suíço? Ele tem um serviço bem pesado, que geralmente Federer só consegue bloquear, e gira muito spin com seus poderosos golpes de base, armas que, se usadas com ângulo, compensam o fato de o suíço jogar tão perto da linha de base. Também não é nada fácil controlar esses spin na subida, por vezes de bate-pronto, e só a genialidade de Federer para achar soluções.

Vindo de um começo de temporada muito tímido, Thiem chegou a Indian Wells com apenas três vitórias em sete jogos e atuações no saibro sul-americano que até seu treinador criticou severamente. Por isso, passou um tanto despercebido quanto tirou Jordan Thompson e Gilles Simon. Causou certa surpresa ao ganhar de Ivo Karlovic com duas quebras de saque e neste sábado foi muito bem na parte defensiva diante de Milos Raonic, mudando constantemente a posição de devolução, algo que pode muito bem repetir contra Federer.

Thiem ainda sonha com seu primeiro grande troféu. Viu duas chances em Masters, ambas no saibro rápido de Madri, mas foi barrado em 2017 por Nadal e na temporada seguinte por Alexander Zverev. Também chegou na final de Roland Garros de 2018 e novamente parou no canhoto espanhol. De seus 11 títulos, os de maior peso são os 500 de Acapulco, piso bem rápido, e no saibro lento do Rio. Sua versatilidade é inegável, tendo troféus também na grama de Stuttgart e no coberto de St. Petersburgo.

Tudo isso não diminui o favoritismo de Federer. Seu histórico no deserto californiano é espetacular e nada antigo: em suas últimas cinco aparições, chegou à final em todas, embora tendo conquistado apenas o troféu de 2017. Seus outros triunfos vieram entre 2004 e 2006 e depois em 2012. Entrará às 19h30 deste domingo com a oportunidade de chegar ao 28º Masters, o primeiro desde Xangai-2017, e já acumular o 101º ATP, colocando o recorde de Jimmy Connors sob risco real.

O domingo também verá uma interessantíssima decisão feminina, marcada para as 17 horas. E pelo segundo ano consecutivo, o Premier de Indian Wells vê uma finalista totalmente inesperada, buscando arrancada na carreira. A adolescente Bianca Andreescu está perto de repetir o feito de Naomi Osaka.

A canadense de 18 anos e tênis muito completo fez duas exibições que eliminam qualquer dúvida sobre seu potencial e maturidade, esmagando Garbine Muguruza e depois controlando Elina Svitolina. Jamais deixou de tomar a iniciativa, ainda que isso lhe custasse erros. Talvez mais importante que os golpes seja sua postura.

Claro que não será fácil encarar a experiência e a qualidade defensiva de Angelique Kerber, ainda mais num duelo inédito. A alemã tem em Indian Wells sua primeira grande campanha dos últimos oito meses e, mesmo aos 31 anos, procura mudar e adquirir um estilo mais ofensivo. Vale muito conferir.

Show de Monfils
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2019 às 09:44

Pouco mais de 24 horas depois de anotar uma vitória irretocável sobre o número 1 do ranking, o alemão Philipp Kohlschreiber deu um melancólico adeus ao Masters 1000 de Indian Wells, varrido da quadra por um renovado Gael Monfils.

É bem verdade que o histórico de 13-2 nos duelos, sendo cinco consecutivos, já mostrava que o francês sabe como enfrentar o jogo versátil do alemão. Mas a atuação de Gael foi além: aplicadíssimo, trabalhou pontos até ir para os winners, foi incrivelmente sólido na base dos dois lados e devolveu com qualidade o tempo todo.

Estamos diante de um Monfils superior até àquele que chegou por duas vezes ao top 10. Ainda que sobre espaço para um ou outro malabarismo, está claro que ele vai à quadra para vencer. Além de ter adotado um tênis mais ofensivo, o que sempre me incomodou muito, o francês está fisicamente inteiro. Parece ter achado um equilíbrio no calendário, com intervalos maiores entre os torneios, o que pode poupar seu problemático joelho.

Evidente que ainda existe o fator emocional e, ainda que ele negue nas coletivas, o namoro com Elena Svitolina precisa ser colocado na balança. Monfils sempre foi chegado numa balada e isso dificilmente combina com um tenista de ponta. Diante de um circuito que dá inédito espaço aos ‘trintões’, não parece tarde ganhar maturidade aos 32 anos.

Seu desafio desta quinta-feira é Dominic Thiem, para quem perdeu todas as quatro vezes, alguns jogos bem apertados mas que sempre penderam para a consistência do austríaco.  Se vencer, Monfils volta ao 16º lugar do ranking. Aí, enfrentará a experiência de Milos Raonic ou a juventude de Miomir Kecmanaovic, que está numa semana dos sonhos: entrou de lucky-loser e só precisou jogar duas partidas inteiras.

Rumo ao reencontro na semi e à famosa ‘final antecipada’, Rafael Nadal e Roger Federer tiveram vitórias protocolares. O espanhol jogou a maior parte do tempo em cima da linha ou dentro da quadra, numa mudança de postura, mas ainda vê seu primeiro saque instável. Já o suíço sufocou Kyle Edmund mas também encontrou alguns problemas com o serviço no segundo set, precisando salvar break-points.

Os dois só jogarão na sexta-feira e têm tarefas aparentemente distintas. Mesmo sem estar num bom início de ano, Karen Khachanov tem poder de fogo para incomodar Nadal, já que é um tenista bem completo. A surpresa polonesa Hubert Hurkacz por sua vez terá a sempre difícil experiência de encarar Federer pela primeira vez. Sua sequência no torneio é admirável: Lucas Pouille, Kei Nishikori e Denis Shapovalov, estilos muito diversos. Merece cuidado.

Dado bem curioso levantado pelo site da ATP, o circuito masculino teve 18 torneios nesta temporada e 18 campeões diferentes. Dos oito que permanecem em Indian Wells, apenas Federer e Monfils já foram vencedores em 2019.

Os números 1 perderam… a cabeça
Por José Nilton Dalcim
13 de março de 2019 às 00:55

Terça-feira a se esquecer tanto para Novak Djokovic como para Naomi Osaka. O número 1 masculino sequer chegou nas oitavas de final de Indian Wells, a líder feminina e atual campeã levou uma surra e só não vai perder o posto porque a vice Simona Halep também decepcionou.

Nole definitivamente perdeu a cabeça. Jogou mal, parecia desfocado, arrebentou a raquete ao perder o primeiro set e furou a lona de fundo de quadra na partida de duplas que mais tarde venceu ao lado de Fabio Fognini. Seria efeito do péssimo clima dos vestiários?

Philipp Kohlschreiber, inegável, jogou de forma inteligente, exatamente como havia feito diante de Nick Kyrgios. A partir do quarto game, apostou numa tática inusitada, enchendo a bola de topspin antes de disparar um golpe mais reto ou arriscar uma deixadinha. Misturou demais o tempo inteiro.

Costumeiramente um ótimo estrategista, Djokovic desta vez se atrapalhou todo e não achou antídoto. Terminou com incríveis 19 erros de forehand de um total de 32, ou seja, média superior a 3 erros por game disputado. Algo que só o tênis pode proporcionar, o alemão repetiu a isolada vitória de Roland Garros praticamente 10 anos depois.

Osaka bem que ameaçou quebrar sua raquete também, porém se conteve e engoliu a frustração. A japonesa chegou claramente pressionada para defender o título e jogar como número 1. Mas é algo que com certeza mais algum tempo de estrada a fará administrar bem.

Aplausos para Belinda Bencic. Mesmo tendo um segundo saque pouco contundente, derrubou a quinta adversária top 10 em dois torneios seguidos, incluindo as três atuais líderes. Sua grande arma é uma visão de jogo extraordinária, que se junta a aplicação tática ferrenha e conjunto técnico competente.

Em dia cheio, Rafael Nadal demoliu Diego Schwartzman, enfrentará o sérvio Filip Krajinovic e provavelmente cruzará com John Isner ou Karen Khachanov. Sequência muita promissora.

Como era de se esperar, Roger Federer se mostrou muito mais inteiro fisicamente do que o amigo Stan Wawrinka e deve desafiar a nova geração, primeiramente Kyle Edmund e quem sabe Denis Shapovalov ou o ascendente Hubert Hurkacz, polonês de 22 anos que já chamei a atenção aqui.

Do outro lado, Kohlschreiber faz interesse duelo de ‘trintões’ com o renovado Gael Monfils e quem passar jogará contra Dominic Thiem ou Ivo Karlovic. Há boa chance para Milos Raonic ir longe. Pega Jan-Lennard Struff, que se valeu de péssimo dia de Alexander Zverev, e teria todo favoritismo contra Yoshihito Nishioka ou Miomir Kecmanovic, garoto sérvio de 19 anos.

Por falar em experiência, Venus Williams continua firme e forte. Aos 38 anos, dá outro show de vitalidade e amor ao tênis. Fez um jogo magnífico contra Petra Kvitova logo na estreia e embalou para as quartas. Nada fácil encarar agora Angelique Kerber ou Aryna Sabalenka.