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Verdadeiro duelo de gigantes
Por José Nilton Dalcim
12 de julho de 2018 às 19:58

Sim, esse é um dos maiores chavões do esporte mundial, mas cabe incrivelmente bem para as duas semifinais desta sexta-feira em Wimbledon: o 52º confronto entre Rafael Nadal e Novak Djokovic e a partida entre os 2,06m de John Isner contra os 2,03m de Kevin Anderson, que concorrem no domingo ao título de mais alto campeão da história dos Grand Slam.

Rafa e Nole duelam desde 2006 e já houve várias reviravoltas. Começou a ficar mais competitivo em 2009, o sérvio virou a mesa em 2011, Nadal reagiu e vimos um 2013 empatado, mas Djokovic embalou de novo e dominou 2015 e 2016. Nas duas últimas temporadas, em meio aos problemas físicos de um e de outro, foram apenas dois jogos e vitórias do canhoto espanhol no saibro de Madri e Roma.

Desde o último confronto na grama, naquela final de Wimbledon de 2011, aconteceram 12 jogos no saibro e 11 no sintético, com 14 vitórias de Nole, cinco delas na terra. Nadal no entanto lidera com margem considerável nos Slam (9-4) e mais ainda em semifinais de Slam (4-0).

Wimbledon também estabelece diferenças curiosas. Nadal jamais perdeu nas cinco semifinais que disputou ali, enquanto Djokovic perdeu três das seis, uma delas contra o próprio espanhol em 2007 e por abandono.

A vitória já dará a Nadal um grande feito, já que ele chegaria sucessivamente às finais de Paris e Londres pela sexta vez. No domingo, poderia então igualar Bjorn Borg com três troféus nos dois torneios na mesma temporada. Djokovic por sua vez tenta a primeira final de Slam desde o US Open de 2016 e quem sabe o primeiro título desde Paris de 25 meses atrás, quando se tornou o terceiro homem em todos os tempos a deter todos os quatro troféus de Slam.

Por recordes
Anderson e Isner fazem uma das semifinais mais altas dos Grand Slam: 2,03m contra 2,06m. Se um deles for campeão, baterá a marca do holandês Richard Krajicek, que é o tenista de maior estatura até hoje a vencer Wimbledon, com 1,96m, e de Juan Martin del Potro, o mais alto a ganhar um Slam, com 1,98m.

Isner também pode sonhar com outro recorde. Ele já somou 161 aces nos cinco jogos e não está distante dos 212 obtido pelo croata Goran Ivanisevic, rumo ao título de 2001. Anderson até tem chance, mas está bem atrás, com ‘apenas’ 123. Note-se que Isner ainda não foi quebrado no torneio e soma 95 games de serviço consecutivos, muito perto dos 118 de Pete Sampras.

Anderson por fim precisa se livrar da ‘maldição’ dos três últimos homens que bateram Roger Federer antes da final de Wimbledon. Todos os três perderam na rodada imediatamente seguinte: Jo-Wilfried Tsonga (2011), Sergiy Stakhovsky (2013) e Milos Raonic (2016). Sem falar que perdeu 8 de 11 jogos contra Isner, sendo os últimos quatro seguidos.

Em tempo: esta é a primeira vez em qualquer Grand Slam da Era Profissional que todos os semifinalistas têm mais de 30 anos.

A volta de Serena… e de Kerber
É impossível não se emocionar com a façanha de Serena Williams. Dez meses atrás, após dar à luz e passar por múltiplas cirurgias, ela sequer conseguia caminhar pela casa. Com enorme dedicação e esforço, está agora de volta à final de Wimbledon, a um jogo se igualar os 24 Grand Slam de Margaret Court.

Com apenas quatro torneios jogados nos últimos 16 meses – para ser exato, sete partidas antes de Wimbledon -, a recuperação de Serena poderia ser uma surpresa não fosse a grama o lugar mais indicado possível para seu estilo agressivo, onde a força e a experiência contam acima de tudo.

Aos 36 anos, Serena admite que a recuperação para o jogo seguinte está cada vez mais difícil, porém parece muito sincera quando diz qual tem sido seu maior desafio: “Esquecer as obrigações da maternidade para me focar 100% no tênis. Tem sido a parte mais dura”.

A adversária é bem conhecida: Angelique Kerber, a mesma que tirou seu título na Austrália de 2016, seis meses antes de ser batida por Serena na final de Wimbledon. A norte-americana mostra grande admiração pela alemã e por sua habilidade sobre a grama.

Kerber viveu uma temporada espetacular há dois anos, tendo faturado também o US Open, mas reconhece que perdeu o rumo com a defesa de tantos pontos. Trocou de treinador para 2018, voltou a ter confiança e por isso a alemã diz que, de certa forma, ela também sente como se estivesse retornando às quadras.

Canhota, guerreira, defensora habilidosa e incansável, verdadeiro Nadal de saias, Kerber tem sim capacidade de brecar Serena. Só se pode esperar uma final espetacular no sábado.

Atualizando o ranking
– Djokovic sobe oito posições e já garante o 13º posto, podendo ir a 11º com a final e voltar ao top 10 com o título.
– Isner irá ao melhor ranking: pelo menos 8º, mas 6º se vencer Anderson e 5º se for campeão.
– Anderson repetirá seu recorde pessoal de 7º se perder, ultrapassará Dimitrov e vai ao 5º em caso de final. Irá superar Delpo no 4º posto em caso de triunfo.
– Nadal já abriu 2.230 pontos de Federer no ranking tradicional e 1.740 na temporada.
– Atual 10º colocada, Kerber recupera o sexto posto e será 4ª se conquistar seu terceiro Slam. Já é a segunda melhor da temporada, atrás de Halep.
– Serena volta ao top 30 com a final. Será 19º em caso do octacampeonato (e top 10 na temporada).
– Duplas mudam de líderes: Mike Bryan recupera o posto aos 40 anos e Timea Babos assume o número 1 pela primeira vez.

Melo coloca Brasil na lista dos 7+
Por José Nilton Dalcim
23 de outubro de 2015 às 20:53

Quase 15 anos depois de Gustavo Kuerten entrar para a história como primeiro brasileiro a liderar o ranking da ATP, o mineiro Marcelo Melo consegue uma façanha espetacular. Dentro de oito dias, no dia 2 de novembro, ele aparecerá como o número 1 do mundo de duplas. Com isso, o Brasil entra para a seletíssima lista de apenas sete países que já conseguiram atingir o topo do ranking nas duas especialidades, ao lado de EUA, Austrália, Suécia, Sérvia, República Tcheca e Espanha.

O feito está garantido graças a uma combinação de resultados felizes. Os irmãos Mike e Bob Bryan não vivem um grande momento no circuito e têm perdido valiosos pontos desde agosto. Ao mesmo tempo, Melo vive seu auge, com a conquista de Roland Garros e seu segundo Masters. Para completar, os pontos do Masters de Paris do ano passado serão descontados uma semana antes, devido à diferença de calendário. Mas, mesmo que isso não acontecesse, Melo ainda teria grande chance de superar os Bryan em Bercy.

Melo será o 47º homem a liderar o ranking, e estará em companhia de megaestrelas como John McEnroe, Todd Woodbridge, Daniel Nestor, Jonas Bjorkman, Stefan Edberg, Leander Paes e Yannick Noah. Apenas um outro sul-americano chegou lá, o equatoriano Andrés Gomez, que ficou nove semanas no posto em 1986. ‘Girafa’ também coloca o Brasil em evidência: apenas outros 16 países já tiveram a honra de encabeçar a lista de duplas.

Antes de Melo, o último novo nome a pontuar o ranking havia sido o sérvio Nenad Zimonjic, em novembro de 2008. A ascensão do mineiro também encerrará a série de 167 semanas consecutivas como número 1 de Mike, que vem desde 10 de setembro de 2012 (Bob caiu para 2 por 16 semanas no final desse ano). Os irmãos ficaram mais tempo no trono: Mike chegará a 458 semanas nesta segunda-feira e Bob, a 442. Estão muito distante do terceiro colocado, John McEnroe, com 269.

Marcelo chega ao momento máximo de sua carreira um mês depois de completar 32 anos. Está no circuito desde 1998, mas não teve grande sucesso em simples, tendo atingido o 273º posto em novembro de 2005. Na temporada seguinte, considerou a hipótese de se dedicar às duplas e quebrou a barreira do top 100 em fevereiro de 2007.

Seu primeiro parceiro de sucesso foi o amigo André Sá, com quem conquistou cinco ATPs. Passou a jogar ao lado de Bruno Soares em 2010 e foram mais quatro ATPs. O salto definitivo veio em 2012, quando se juntou ao croata Ivan Dodig, mas principalmente passou a contar com a presença mais constante do irmão Daniel como treinador.

Após muita espera, Melo e Dodig enfim ganharam seu primeiro troféu num Masters 1000, em Xangai, pouco depois de serem finalistas em Wimbledon. Ainda seriam vice no Finals de Londres. A conquista da parceria em Roland Garros nesta temporada foi uma surpresa e um outro feito inédito para o tênis masculino brasileiro. Seus outros títulos de 2015 vieram em Acapulco, com Dodig, e Tóquio e Xangai, ao lado de Raven Klassen. Melo tem triunfos com sete parceiros diferentes.

Ao contrário do ranking de simples, que começou a ser feito em agosto de 1973, a primeira lista de duplas da ATP saiu no dia 1º de março de 1976 e seu primeiro líder foi o sul-africano Bob Hewitt.

Dez feitos (quase) impossíveis de superar
Por José Nilton Dalcim
27 de julho de 2015 às 15:18

O site oficial do tênis canadense, o Tennis Canada, soltou uma lista curiosa nesta semana: os 10 recordes que jamais serão batidos. Será? Vamos à lista e minhas considerações. Sigo a ordem dada pelo site.

1. Jogo mais longo
A maratona de 11h05 entre John Isner e Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon de 2010, com direito a 70/68 no quinto set. Equivale a uma viagem São Paulo-Paris. Mais incrível ainda é que cada tenista marcou pelo menos 100 aces na partida. Realmente, será extremamente difícil alguém superar isso.

2. Raquetes quebradas
Vencedor de dois Grand Slam, o russo Marat Safin se notabilizou também por quebrar raquetes: apenas em competição, ele danificou 48 raquetes na temporada de 1999. No total, foram mais de mil: “1.055. Sei porque a Head me deu uma prancha com o número impresso”. Bom, essa marca não me parece tão absoluta assim, tem muito maluco no circuito.

3. Aces numa temporada
O croata Goran Ivanisevic anotou nada menos que 1.477 aces na temporada de 1996, a maior quantidade desde que a ATP passou a medir isso, há 24 anos. Esta sim é uma marca quase insuperável, ainda mais com as bolas pesadas e as quadras mais lentas de hoje em dia.

4. Duplas
Bob e Mike Bryan já pulverizaram todas as marcas do tênis profissional: 16 Grand Slam e 104 juntos. Parece também muito difícil de ser superada, e olha que os gêmeos de 37 anos ainda têm boas temporadas pela frente.

5. Simples
Com uma extensa carreira de duas décadas, tendo disputado inúmeros torneios no piso sintético americano no início da Era Profissional, Jimmy Connors totalizou 109 títulos de simples. O todo-poderoso Roger Federer está ainda com 86. Parece inalcançável mesmo.

6. Supercampeã
Mas se a marca de Connors é impressionante, o que dizer dos 167 torneios (de simples) vencidos por Martina Navratilova? São nada menos que 99 a mais do que Serena Williams tem hoje.

7. Prova dos 9
Se ganhar um torneio ATP múltipla vezes já é uma façanha e tanto, imagine o que é vencer um Grand Slam por nove vezes. A atual marca de Rafael Nadal em Roland Garros, que ainda está em plena atividade, também não parece atingível até mesmo para um ATP comum. Sem falar no seu recorde de 81 vitórias seguidas sobre o saibro.

8. Semifinais
Entre tantos recordes que possui, talvez o mais notável de Roger Federer sejam as 23 semifinais consecutivas de Grand Slam, ou seja, uma sequência de seis anos chegando à penúltima rodada na grama, no saibro e na quadra dura. O segundo colocado é Novak Djokovic com “apenas” 14. Atualmente, está em 6.

9. Número 1
Nem foi uma das mais longas carreiras, mas ainda assim Steffi Graf liderou o ranking por 377 semanas. Para se ter uma ideia da grandiosidade, basta ver que Serena teria de manter o posto por mais três anos para chegar tão longe.

10. O Slam
Mesmo tendo dominado o tênis por quatro temporadas, Federer não conseguiu. No seu auge, Djokovic também não. Vencer os quatro Slam num só ano continua a ser uma missão quase impossível. E Rod Laver não fez isso apenas uma, mas duas vezes.