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Só boas notícias para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2018 às 01:27

Novak Djokovic confirmou seu amplo favoritismo para atingir outras marcas expressivas na sua carreira, a 11º presença nas semifinais do US Open – só perde para as 14 de Jimmy Connors – e a 33ª de um Grand Slam, a segunda maior de toda a história atrás das 43 de Roger Federer. Mas se o placar sobre a ‘zebra’ John Millman mostra 3 a 0, a dificuldade foi suportar a umidade de 79% que outra vez exauriu sua energia a um grau bem perigoso.

Há no entanto duas grandes notícias para Djokovic. A primeira é que a temperatura enfim vai despencar em Nova York, com previsão de 18 graus na noite de sexta-feira e de no máximo 20 na tarde de domingo, quando poderá estar em quadra em busca do tri. A outra é que seu próximo adversário, Kei Nishikori, amarga 13 derrotas consecutivas desde que o surpreendeu na mesma semi de US Open de quatro anos atrás.

A cena alarmante de um Djokovic capengando em quadra se repetiu na Arthur Ashe e o australiano se aproveitava disso para alongar pontos e mostrar um vigor notável, correndo atrás de deixadas e lobs. Um providencial parada após o quarto game do segundo set, solicitada por Millman que queria trocar a roupa encharcada, permitiu que o sérvio se acalmasse e fizesse a hidratação mais ampla. Daí em diante, renovado, ele voltou ao domínio dos pontos lá do primeiro set.

Sem limitações físicas, Djokovic é amplo favorito diante de Nishikori na sexta à noite. O japonês é claro tem muito mais tênis e experiência que qualquer de seus outros adversários deste US Open, mas sofre do problema de jogar num estilo bem parecido ao do sérvio com menor potência. Mas observem que sua caminhada até aqui se fez com uma postura bem mais ofensiva do que o normal. A média de winners de Nishikori é superior a 32 por partida, com recorde de 49 diante de Diego Schwartzman.

Contra Marin Cilic nesta quarta-feira, foram ‘só’ 29 em cinco sets, mas Nishikori soube dosar muito mais a pancadaria de fundo de quadra, que induziu o croata a 70 erros não forçados. E olha que Cilic chegou a ter um set e 4/2 à frente até que o adversário ajustou sua posição de devolução e passou a entrar mais nos pontos. Esse ataque a partir da devolução é um expediente a ser utilizado também diante de Djokovic. Destaque-se que Nishikori é o profissional com maior aproveitamento em set decisivos, ou seja, terceiro ou quinto sets (121-39, ou seja 76% de eficiência).

Semi quase americana
Se os homens estão vivendo maratonas sucessivas, as semifinais femininas foram de pouca emoção. Naomi Osaka cravou sua primeira semifinal de Grand Slam com uma vitória muito fácil em cima de Lesia Tsurenko, que acordou com virose, se viu obrigada a arriscar demais e cometeu incríveis 31 erros em apenas 14 games. Muito consistente, a japonesa de 20 anos falhou só 11 vezes e ainda fez mais winners (12 a 10).

Naomi mora com a família na Flórida desde os 3 anos e tem dupla nacionalidade, mas o pai haitiano – daí sua pele tão morena – optou por registrá-la na Federação Japonesa. Portanto, ela cresceu totalmente adaptada ao estilo americano de jogar tênis, o que lembra muito a história de Nishikori, que está radicado na Flórida desde os 14 anos.

Aliás, os dois viraram bons amigos em Nova York e entram para a história: jamais houve dois nipônicos ao mesmo tempo numa semi de Grand Slam. Naomi, campeã de Indian Wells em março, é a primeira de seu país a ir tão longe desde Kimiko Date, em Wimbledon de 1996.

Mais tarde, Madison Keys manteve seu histórico perfeito contra Carla Suárez, tomando sempre a iniciativa dos pontos e agredindo o máximo que pôde o serviço da espanhola. Fez 22 winners e 32 erros, mas não fugiu ao plano tático, o que é um de seus fortes.

Aos 23 anos, Keys chega em sua quarta semi, sendo duas no US Open, uma na Austrália e outra em Roland Garros. Ganhou todos os três jogos diante de Osaka e só cedeu um set. Tem de levar o favoritismo, o que gera expectativa de segunda final americana consecutiva, já que Serena Williams jogará nesta quinta-feira contra Anastasija Sevastova.

Atualizando o ranking
– Djokovic já assume o quarto posto, deixando para trás Zverev e Cilic, e pode ser terceiro se for campeão.
– Nishikori dá salto de sete posições e se garante no 12º. Só voltará ao top 10 em caso de título.
– Austrália passa a ter três top 40, com Kyrgios, Millman e De Minaur.
– Coric (18º), Khachanov (25º), Basilashvili (31º), Medvedev (35º), Millman (37º) e De Minaur (38º) terão seus melhores rankings.
– Não há qualquer top 10 nas semifinais femininas e há uma briga particular entre as quatro por posições. Osaka é provisoriamente 15ª, duas acima de Keys, que é seguida imediatamente por Sevastova e Serena.
– Todas as semifinalistas podem ser top 10 se ganhar o torneio exceto Serena, que atingirá no máximo o 11º.

Sem susto, mas sem brilho
Por José Nilton Dalcim
31 de agosto de 2018 às 01:21

Com vitórias quase formais, Roger Federer e Novak Djokovic continuam na rota de colisão que, acredita-se, ocorrerá exatamente dentro de seis dias, nas quartas de final do US Open.

Para chegar lá no entanto o suíço terá de mostrar muito mais do que em suas duas primeiras exibições. Não que tenha jogado mal, já que sequer perdeu sets, porém não se viu a precisão habitual. A rigor, o bom foi vê-lo mais adepto dos voleios.

Seu problema imediato se chama Nick Kyrgios. O australiano entrou em outra polêmica na virada espetacular que conseguiu em cima de Pierre Herbert, que liderava por 6/4 e 4/1. Uma teórica reprimenda do árbitro Mohamed Lahyani, incomodado com a falta de empenho de Kyrgios, teria mexido com seus brios. O australiano nega, mas até o amigo Andy Murray ironizou a situação nas mídias sociais.

Kyrgios tem inegavelmente alto poder de fogo, adora grandes jogos e mais ainda enfrentar Federer. Em três duelos, o suíço ganhou dois mas oito dos nove sets foram tiebreaks e cada um venceu quatro. Equilibradíssimo. Quem avançar, dificilmente não estará nas quartas já que o adversário seguinte sai do inesperado duelo entre o também australiano John Millman e o cazaque Mikhail Kukushkin.

Djokovic por sua vez voltou a perder um set, deixando-se levar por um momento de desconcentração e um tiebreak muito bem disputado por Tennys Sandgren, porém o sérvio recobrou sem sustos o domínio. Reconheceu depois que falou mais do que deveria. Não há motivos para duvidar que a ‘freguesia’ sobre Richard Gasquet prosseguirá (são 12 a 1, com única derrota há 11 anos). É bem provável que Nole terá na verdade dois franceses no caminho, caso Lucas Pouille supere João Sousa.

Os outros dois quadrantes estão interessantes. Marin Cilic teve apresentação impressionante e cruzará com o garoto Alex de Minaur, que joga em cima da linha e não tem medo de cara feia.
Se vencer, deve ter David Goffin, um páreo ainda mais duro, já que o belga ganhou dois de três duelos na quadra dura. Enquanto isso, Alexander Zverev já crava sua maior campanha no US Open sem perder set. Fará confronto alemão contra o sempre perigoso Philipp Kohlschreiber, de olho em quem passar de Kei Nishikori e Diego Schwartzman. Sou mais o japonês.

A chave feminina perdeu mais um grande nome: Carol Wozniacki seguiu os passos de Simona Halep e Garbiñe Muguruza, mas a sucessão de problemas físicos da dinamarquesa nas semanas anteriores já indicava que ela encontraria dificuldades. O caminho então se abriu para Kiki Bertens e favorece ainda mais a presença de Petra Kvitova na semifinal. A canhota no entanto precisa tomar cuidado com a embalada Aryna Sabalenka já nesta terceira rodada.

O outro quadrante está totalmente indefinido e vê dois duelos distintos: um é de força e gritaria entre Maria Sharapova e Jelena Ostapenko, o outro de correria e apuro tático entre Angelique Kerber e Dominika Cibulkova. A atual vice Madison Keys assiste a tudo.

O inferno é aqui
Por José Nilton Dalcim
29 de agosto de 2018 às 01:02

O primeiro dia foi um sufoco, o segundo pareceu o inferno mas tudo ainda pode piorar nesta quarta-feira no US Open, quando a previsão indica temperatura de até 35 graus, o que somada à umidade perversa eleva a sensação térmica em até 10 graus. Por isso, há uma diferença clara entre jogar de dia ou de noite, ainda que Roger Federer e Maria Sharapova tenham entrado em quadra com 31 graus e 34 de sensação na rodada noturna desta terça-feira.

Novak Djokovic causou grande preocupação, porque a uma determinada altura parecia batido pelo clima sufocante, com tonturas e fraquezas desconcertantes. Tivesse Marton Fucsovics mais quilometragem, dificilmente o sérvio teria sobrevivido ou ao menos evitado um quinto set. O drama no entanto passou e melhor vislumbrar Tennys Sandgren e quem sabe Richard Gasquet. O setor de uma forma geral continua muito promissor a Nole

Federer não escapou de ver sua camisa encharcada, imagem rara, mas isso foi motivação para sua disposição bem ofensiva:,fez 56 winners e exibiu toda sua mão mágica. Não terá tempo de comemoração. Na quinta-feira, reencontra Benoit Paire, que lhe deu um aperto danado na grama de Halle, obrigando o suíço a salvar dois match-points. Claro que os 6 a 0 de histórico credenciam o pentacampeão, e aí provavelmente virá o imprevisível Nick Kyrgios.

Dois jogadores parecem especialmente com sorte. Alexander Zverev, que nunca ganhou duas partidas seguidas no US Open, vai pegar o segundo lucky-loser seguido. A estreia foi tão fácil que até Ivan Lendl sorria no box. O fraco Peter Polansky náo sugeriu qualquer mudança de postura tática ou emocional do jovem alemão, então teremos de esperar um duelo real, que pode já vir com o esperto Philipp Kohlschreiber na terceira rodada e principalmente Kei Nishikori nas oitavas.

Mais sortudo ainda foi Marin Cilic. Outra vez cruzou com Marius Copil, contra quem sofreu muito em Cincinnati, e viu o romeno disparar para 5/1. Só que o calor fez sua parte e daí em diante Copil só ganhou mais dois games até desistir.

Bom destaque cabe ao duelo de segunda rodada entre os garotos Frances Tiafoe e Alex de Minaur, que se juntaram a Zverev, Heyon Chung e Jaume Munar como membros da nova geração a vencer na estreia na parte inferior da chave. Em cima, são 11!

As meninas pareceram sofrer bem menos com o calor e talvez a única a viver desgaste excessivo tenha sido Jelena Ostapenko, que demorou mais do que devia para fechar o jogo contra Andrea Petkovic. Boa reação de Petra Kvitova que tinha segundo set ameaçado por Yanine Wickmayer e enfim uma apresentação bem mais sólida de Carol Wozniacki. Sem muito brilho, Angelique Kerber ganhou dois sets trabalhosos.

Muito bom ver o espírito de luta de Vera Zvonareva e uma exibição confiante de Eugenie Bouchard. E apesar de ser sempre uma estrela na programação, Maria Sharapova mistura sentimentos. Bate pesado e adotou mesmo as deixadinhas, mas o saque está sofrível. Dá a impressão que não treina o golpe há uma semana, comete duplas faltas bisonhas e transforma seus jogos numa loteria. Pena.