Arquivo da tag: Marin Cilic

Sock, que surpresa!
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2017 às 20:23

Não é coisa normal um estreante de Finals jogar tão bem, muito menos bater favoritos e arrancar vaga na semifinal do torneio que reúne oito dos nove melhores do ranking. Jack Sock prometeu entrar sem responsabilidade e seu jogo se encaixou notavelmente bem no piso um tanto lento da arena O2, aliás como aconteceu em Paris duas semanas atrás. Com tempo maior para os golpes de base, Sock fez duas exibições exigentes na parte mental e repetiu a surpresa que causou contra Marin Cilic desta vez em cima de Alexander Zverev.

E querem saber mais? Nada improvável que ele belisque seu lugar na decisão de domingo. Sim, porque seu adversário da semifinal será o búlgaro Grigor Dimitrov, sobre quem ganhou três de quatro duelos, incluindo o de Indian Wells deste ano, em placar bem apertado.

O ponto essencial da partida foi a variação nos golpes do 9º do ranking. A quadra mais lenta facilitou a calibragem mais adequada do backhand e outra vez usou deixadas inteligentes e desconcertantes como se estivesse sobre o saibro. O primeiro set esteve forrado de break-points, mostrando a esperada tensão mais alta da partida, e apenas Sock aproveitou a chance, no sétimo game. Uma relaxada no começo da segunda série custou caro e o alemão foi absoluto. Os dois trocaram quebras na abertura do terceiro set, Sock abriu 4/1 e aí Zverev igualou. Na hora da pressão no entanto voltou a faltar a frieza necessária ao jovem alemão, o que temos visto com alguma frequência desde o US Open.

Já classificado em primeiro lugar do grupo, Federer se empenhou diante de Cilic e buscou uma bela virada. Fez um primeiro set de altos e baixos, correu sério risco ao permitir um break-point no longo terceiro game do segundo set e realmente embalou a partir do 4/4, fazendo então nove games muito bons.

Em seus 15 Finals já disputados, esta é a nona vez que Federer passa a primeira fase invicto, cinco delas na arena O2. Mais: cinco de seus seis títulos foram invictos e ele tentará agora fazer isso pela terceira vez em Londres. Um fenômeno esse senhor.

Federer espera agora para saber se disputará a semifinal de sábado contra Dominic Thiem ou David Goffin, embora em qualquer caso será favorito. É bem verdade que Thiem leva rara vantagem de 2 a 1 nos confrontos diretos, ainda que os três duelos tenham acontecido na complicada temporada do suíço em 2016. Talvez por isso mesmo Federer prefira encarar o belga, contra quem soma seis vitórias e apenas dois sets perdidos.

Para o tênis brasileiro, a expectativa é que Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot deem uma relaxada e ajudem Bruno Soares e o escocês Jamie Murray a se garantir na semifinal. Se o placar for de 2 a 1, Melo permanece no primeiro lugar e Bruno fica em segundo e isso independe do jogo das 10h entre os irmãos Bryan e os reservas Marach/Pavic. Está tudo ajeitado para termos novamente dois brasileiros na penúltima rodada, como aconteceu em 2013.

Esforço recompensado
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2017 às 01:16

Num jogo exigente, em que se complicou num segundo set que parecia dominado, Roger Federer ganhou sua segunda partida neste Finals de Londres, avançou para a semifinal e já é líder do grupo, o que significa encarar no sábado o segundo colocado da outra chave, o que é uma absoluta incógnita. Desde sua primeira participação no Finals, em 2002, só ficou fora da semi uma vez, em 2008.

O duelo contra Alexander Zverev foi intenso, com vários momentos de grande qualidade, principalmente nos 12 primeiros games. A partir do tiebreak, que viu 11 erros não forçados em 14 pontos disputados, os dois caíram de intensidade e o jogo viu altos e baixos. Até então, Zverev não estava incomodado com as variações constantes de velocidade, efeito e direção do suíço.

Federer poderia ter simplificado a tarefa, quando quebrou precocemente no segundo set e via um adversário cabisbaixo. Mas o serviço foi caindo de produção, sofreu duas quebras e lá se foi a segunda série. Depois, fez 4/1 após uma sucessão de bobagens de Zverev, e sofreu para confirmar novamente o saque e enfim ir a 5/1. De qualquer forma, Federer passou por seu mais difícil adversário provavelmente de todo o torneio, ainda que possa reencontrá-lo numa possível final de domingo.

O norte-americano Jack Sock é a grande surpresa de Londres até aqui. O norte-americano executou mesmo o que havia prometido e está acima de tudo se divertindo. Anda tão solto que o backhand, seu eterno calcanhar de Aquiles, conseguiu ótimas jogadas em cima de Marin Cilic, o primeiro que está eliminado da semifinal. O croata aliás possui um recorde muito ruim na arena O2, com uma vitória apenas em oito jogos realizados.

Sock perdeu dois games de serviço no set inicial e isso é imperdoável no seu estilo. Mas soube reagir. Dominou amplamente a outra série e não se assustou quando Cilic abriu 3/0 no set decisivo. Muito ligado no jogo, recuperou-se abusando até de deixadinhas de forehand. O momento crucial da partida veio quando o croata abriu 4-2 no tiebreak, o que deveria ser suficiente para a vitória, mas pode ter pesado o histórico das duas derrotas anteriores para Sock e assim cedeu cinco pontos consecutivos.

A segunda vaga do grupo para a semifinal de sábado será decidida portanto entre Zverev e Sock na quinta-feira. Os dois não se cruzaram nesta temporada e cada um venceu uma vez no ano passado, ambos na quadra dura. Claro que o alemão tem o favoritismo natural pelo ranking e grande qualidade na base. Porém, é um jogo nervoso e a parte mental pode influir mais do que os golpes em si.

A quarta-feira
A rodada desta quarta-feira terá a segunda rodada do grupo Pete Sampras, já sem Rafael Nadal. Às 12 horas, Grigor Dimitrov e David Goffin fazem o jogo de vencedores. Os dois já se cruzaram três vezes neste ano, com 2 a 1 para o búlgaro, que também tem uma vitória em 2014. O piso mais lento favorece um tanto a solidez e as pernas de Goffin, que vai precisar antes de tudo ler bem o saque afiado do adversário.

Em seguida, Dominic Thiem necessita fazer a lição de casa, derrotar o reserva Pablo Carreño e ainda sonhar com a semi. O austríaco tem 5 a 1 no confronto direto, embora um apenas na quadra dura, e obviamente é mais tenista que o espanhol. O duro é sua fase tão ruim. E ainda pode pegar um Carreño totalmente no lucro.

Para os duplistas mineiros, quarta-feira importante também. Marcelo Melo e Lukasz Kubot podem garantir semi contra os irmãos Bryan, que não andam jogando tudo isso, caso Bruno Soares e Jamie Murray vençam mais tarde Ivan Dodig e Marcel Granollers.

E Nadal se foi…
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2017 às 21:24

Atualizado às 23h50

Rafael Nadal viveu o pior dos quadros que poderia imaginar em sua estreia no Finals de Londres. Além de disputar uma partida muito longa e exigente, após 2h37, ainda conheceu sua primeira derrota diante do belga David Goffin e por diversas vezes mostrou dificuldade com a brecada brusca. A expressão de dor no problemático joelho direito ficou evidente.

Goffin merece elogios e puxões de orelha. Se por um lado adotou uma postura mais agressiva, focando no primeiro saque e em excelentes paralelas com seu ótimo backhand, por outra desperdiçou repetidas chances ao longo dos sets. Abriu distância em todos eles, mas permitiu reação do espanhol e ainda deixou escapar quatro match-points, um deles no próprio saque com 5/4 do segundo set. Também se enrolou diante de um Nadal já debilitado no terceiro set e por fim liquidou o jogo com cara de tremendo alívio.

Assim, acabou não sendo surpresa quando, menos de duas horas depois, ele se antecipou ao que deveria ficar para a terça-feira e já anunciou seu abandono da competição. Quem viu a tranquilidade com que o Tio Toni e Carlos Moyá assistiam ao duelo contra Goffin, já desconfiava mesmo que aquilo era iria longe.

A reta final de temporada acaba sendo frustrante para Rafa. A alegria do US Open virou pesadelo já em Xangai e daí em diante foi aquele processo doloroso de tentar se recuperar, sofrer com as dores, colocar dúvidas e desistir de dois torneios tão importantes como Paris e Londres. Dois aliás que jamais conseguiu vencer exatamente por conta do desgaste físico que o acomete nessa altura do calendário.

Pablo Carreño vai entrar no seu lugar e enfrentar Dominic Thiem na quarta-feira. O austríaco  continua colecionando derrotas mas que não foi tão mal assim na estreia contra Grigor Dimitrov. O búlgaro viveu seus tradicionais altos e baixos. Fez um primeiro set primoroso, com ótimo aproveitamento no serviço, agressividade e grande controle de bola. Thiem no entanto elevou o nível a parou de arriscar tanto, dando tempo para que o adversário se atrapalhasse. Veio a quebra no finalzinho e o terceiro set. O búlgaro reagiu, fez 5/3 e não fez o bastante para fechar no saque seguinte. Acabou se valendo da insegurança do austríaco. No geral, foi um bom jogo.

A terça-feira começa com Marin Cilic diante de Jack Sock, os dois perdedores do domingo, e o americano carrega histórico de 2 a 0, além de ter feito uma exibição digna na estreia. No final da tarde, Roger Federer e Alexander Zverev disputam aquele que deve ser o melhor jogo do grupo e provavelmente decidirá um dos semifinalistas. O duelo direto está 2 a 2, com uma vitória para cada lado em 2017.

Nosso número 1
Com toda a justiça, Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot irão terminar a temporada 2017 como melhores duplistas do mundo. Os campeões de Wimbledon fizeram com certeza o calendário mais consistente entre todas as parcerias, com evidente progresso técnico e boa versatilidade nos pisos.

Os dois aliás chegam como favoritos naturais ao Finals, que é o único grande título que os mineiros duplistas ainda não levantaram. Com a semelhança das condições entre Londres e Paris, Melo e Kubot estão com a confiança lá em cima e aumentaram a soberania sobre Granollers e Dodig já vista em Bercy.

Bruno Soares e Jamie Murray por sua vez tiveram um primeiro set nas mãos, fraquejaram mentalmente mas se superaram e levaram ao match-tiebreak, onde entraram num buraco muito grande antes de ameaçar uma reação. Agora, precisam ganhar de Granollers e Dodig para manter chances de ir à semifinal.

Vale por fim lembrar que Melo se tornará o primeiro profissional brasileiro a terminar duas temporadas como número 1 do mundo, repetindo o que fez em 2015. ‘Girafa’ deve chegar a 40 semanas como ponteiro e subir para a lista dos 17 maiores reinados do tênis nas duplas. Brilhante!