Arquivo da tag: Marin Cilic

Nadal e Zverev fazem prévia de Paris
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2018 às 18:00

Os dois melhores jogadores sobre o saibro europeu do momento irão decidir Roma. Em busca de outra marca histórica, Rafa Nadal entra com natural favoritismo para alcançar seu oitavo troféu no Fóro Itálico e o terceiro dos quatro títulos que tentou sobre a terra nesta temporada, tendo pela frente o atual campeão Alexander Zverev, que busca por sua vez ser o apenas o terceiro homem a ganhar dois Masters seguidos no saibro desde 1990, repetindo o próprio Nadal, Guga Kuerten e Novak Djokovic.

Tudo pesa a favor do canhoto espanhol. Além de jamais ter perdido para Zverev em quatro confrontos, os dois duelos sobre o saibro mostraram superioridade esmagadora, a ponto de o alemão ter arrancado tão somente 11 games em cinco sets disputados. O único alento para Zverev é saber que ficou perto de uma vitória no Australian Open do ano passado, quando liderou por 2 sets a 1, mas ali o piso era bem mais veloz e seu poderoso saque segurou as pontas.

Nadal já cumpriu a primeira grande missão que tinha em Roma, que foi recuperar completamente a confiança depois da queda um tanto inesperada em Madri. Apesar de um ou outro vacilo ao longo desta semana, Rafa voltou a jogar com suas melhores armas, ainda que o saque esteja menos incisivo. Porém, saltam à vista novamente o excepcional trabalho de pernas, o contragolpe mortal, a muralha de fundo de quadra. E vamos considerar que Roma é muito mais parecido com Paris do que Madri. Para fechar o melhor quadro possível, só faltam mesmo o 32º troféu de Masters e a retomada da liderança do ranking.

Zverev está embalado, embora o desgaste físico seja uma preocupação. É sua terceira final de Masters em apenas 45 dias, período em que disputou já 25 partidas e faturou o 250 de Munique e Madri. Conseguiu excelente transição do saibro veloz para o lento, mas trabalhou muito mais em Roma, com vitórias exigentes sobre Kyle Edmund, David Goffin e Marin Cilic. Se Nadal tenta recuperar o número 1, o alemão já é o tenista que somou mais pontos desde janeiro e um eventual bi lhe daria uma folga superior a 400 para Roger Federer e de quase 900 sobre o espanhol.

O tão aguardado duelo entre Rafa e Djokovic deste sábado não decepcionou. O primeiro set foi intenso e uma batalha de planos táticos. Apostando na agressividade, o sérvio exagerou na busca de paralelas e quem faz isso sempre corre muito mais. Imagine então diante de Nadal, que se defendeu com a habitual maestria e, inteligentemente, quase sempre na cruzada. Com índice ruim de primeiro saque, Nole cedeu a quebra primeiro, mas mostrou que a cabeça evoluiu ao recuperar o empate e levar ao tiebreak. Rafa então jogou demais. Tomou a iniciativa, foi ele para as paralelas, ditou o ritmo.

O esforço físico de Djokovic cobrou a conta e isso ficou bem claro quando o sérvio ficou apressado. Tentou subida à rede precipitada e curtinha logo na segunda bola para ser quebrado no terceiro game. Ainda lutou, mas Rafa não lhe deu mais espaço quando passou a sacar realmente bem. Definitivamente, Nole reencontrou quase todo seu melhor tênis porém faltam ainda aquelas pernas de antes. Parece não haver tempo suficiente para que ele progrida nesse aspecto até Roland Garros, um torneio que costuma exigir demais do corpo, a menos que ele dê sorte na chave e faça jogos menos complicados.

A outra semifinal, mesmo com dois grandes sacadores, foi muito longa e Zverev chegou a pedir atendimento médico ainda ao final do primeiro set diante de Marin Cilic. A cada dia o alemão mostra melhor trabalho de pernas e resistência, mas de novo perdeu a paciência com o árbitro e com seus erros. Reclamou alto, falou palavrão e quebrou raquete, sintomas de que a cabeça pode estar mais cansada do que o corpo. No entanto, ninguém pode reclamar de sua competência técnica.

O feminino também verá a final mais lógica: Simona Halep e Elina Svitolina repetem a decisão do ano passado, que deu o primeiro grande troféu à ucraniana, agora de 23 anos. Com o número 1 assegurado, Halep conseguiu grande virada e a primeira vitória no saibro em cima de Maria Sharapova, num jogo recheado de quebras de serviço: 11 em favor da romena e oito para a russa em 27 games disputados. Um exagero. A definição da vencedora veio justamente quando Halep tirou a força e colocou o saque em quadra.

Svitolina é uma especialista em finais, tendo vencido 11 das 13 que participou até hoje, e tem pequena vantagem de 3 a 2 sobre Halep nos duelos diretos. Na semi contra Anett Kontaveit, foi muito firme o tempo todo, cometeu apenas 13 erros em 19 games e mostrou firmeza com o saque. O título ganha importância dobrada, já que permitirá que Svitolina mantenha o quarto lugar do ranking e entre em Roland Garros entre as quatro cabeças principais.

Djokovic tenta façanha contra Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2018 às 20:15

Depois de alguns ensaios, enfim Rafael Nadal e Novak Djokovic irão se reencontrar para o 51º capítulo do duelo que mais aconteceu na história do tênis profissional. O sérvio foi o culpado pela demora no cruzamento, já que insistia em perder precocemente. Mas não pode se queixar. Afinal, vai encarar o ‘rei do saibro’ justamente no momento em que tem mostrado seu melhor tênis em meses.

Uma coisa é inegável e alentadora: Djokovic disputou duas excelentes partidas em dias consecutivos, algo que não víamos há muito tempo. Embora tanto Albert Ramos como Kei Nishikori sejam ‘fregueses’, ambos exigiram do sérvio muito empenho físico, firmeza nas trocas de bola e coragem para tentar linhas e definição dos pontos. E esse último quesito está intimamente amarrado com cabeça boa e confiança em si mesmo, os dois elementos que Nole parecia ter perdido há praticamente dois anos, quando ergueu o tão sonhado troféu de Roland Garros.

O placar diante de Nishikori não reflete a dureza que foi a maioria dos games, a quantidade de bolas que cada um precisou bater, os ângulos exigentes que obtiveram e as paralelas desafiadoras que conseguiram. Um jogão. Nenhum deles foi mal mesmo nos dois primeiros sets, tão amplamente dominados de lado a lado. Nishikori talvez tenha sentido no finalzinho a amarga série que tinha de 11 derrotas consecutivas, mas felizmente o físico aguentou firme e isso dá perspectiva de que ele pode também ir longe em Paris.

Nadal por seu lado poderia ter vencido com maior tranquilidade. Muito firme, abriu 4/1 em cima de um Fabio Fognini que entrou disposto a mesclar demais os golpes. Só então a ideia de jogar agressivamente funcionou. Foi ajudado pela queda de rendimento do saque do espanhol e inesperadamente ganhou cinco games seguidos e o primeiro ponto do segundo set. O sinal de alerta ligou e Rafa entendeu que tinha de fazer de tudo para jogar com o forehand. Aí a história mudou. Começou a empurrar Fognini para trás, o italiano se desesperou ao ter de bater de forma menos confortável e o resultado foram golpes cada vez menos precisos.

Não se discute o favoritismo de Nadal para a semifinal das 10 horas deste sábado, já que ele se mostra superior a Djokovic em todos os quesitos possíveis. Ainda que o sérvio saiba exatamente o que fazer no plano tático, Nole ainda não experimentou o backhand muito mais consistente do espanhol, que deixou de ser um golpe defensivo para se tornar uma alternativa de ataque e contragolpe. Sem falar que hoje Rafa é quem está tinindo fisicamente, com uma cobertura de quadra magnífica. Djokovic portanto está diante de uma façanha enorme. Ainda que improvável, serviria para não apenas reabilitar de vez seu tênis, mas também para colocar um molho inesperado às vésperas de Roland Garros.

A outra partida é dos gigantes. Alexander Zverev escapou de um começo de terceiro set tenso diante de David Goffin e faz outra grande campanha de Masters, a quarta semifinal consecutiva e a terceira no saibro europeu. Já Marin Cilic abusou das bolas retas e não permitiu um break-point sequer a um frágil Pablo Carreño. Se Zverev leva desvantagem pelo desgaste de tantos jogos – foram 24 desde a estreia em Miami -, tem 4 a 1 no confronto direto, não tendo perdido para Cilic desde que se tornou um top 70 do ranking. Eu apostaria nele.

A chave feminina de Roma também tem Maria Sharapova à procura de seu melhor tênis. A virada em cima de Jelena Ostapenko foi incrível, ainda que ambas tenha mostrado natural instabilidade num duelo de 3h10 e 35 games. A letã continua exagerando na força em momentos impróprios e poderia ter explorado melhor o segundo saque da russa. Sharapova merece aplausos não só por ter resistido fisicamente, mas por não perder a cabeça ao deixar escapar match-points.

Vai enfrentar uma Simona Halep bem mais descansada e aliviada, já que a romena se manteve na ponta do ranking com a inesperada queda de Carol Wozniacki para Anett Kontaveit, que tem se mostrado uma boa jogadora de saibro, com resultados consistentes mas ainda sem tanto brilho. Curiosamente, seu único título veio na grama. A estoniana de 22 anos desafia a atual campeã Elina Svitolina, que tirou Angelique Kerber com autoridade.

Roma espetacular
Por José Nilton Dalcim
17 de maio de 2018 às 19:59

De forma um tanto inesperada, apenas um dos sete jogos de oitavas de final do Masters 1000 de Roma foi até o terceiro set e pelo menos três se mostraram bem menos competitivos do que se esperava. Mas que nada. As quartas masculinas desta sexta-feira são empolgantes e a chave feminina mantém a briga pelo número 1, duas campeãs e a vencedora de Roland Garros. Demais.

O grande destaque entre os homens foi Novak Djokovic, que fez seu melhor jogo da temporada, com direito a golpes bem soltos, ótimos voleios, backhand afiadíssimo e movimentação leve. Há muito não se via um Nole tão confortável e alegre. Cruzará agora com Kei Nishikori, a quem derrotou dias atrás em Madri, e a expectativa para um reencontro com Rafa Nadal nunca esteve tão promissora.

Nadal assombrou, a começar pela eficiência no saque: 90% de pontos vencidos com o primeiro serviço. Denis Shapovalov tentou definir os pontos em duas ou três bolas, salvou-se com o saque até onde deu e repetiu no segundo set o que temos visto com frequência nesta temporada de saibro: a falta de força para aguentar o ritmo do espanhol. Saboroso o 14º duelo que Nadal fará contra Fabio Fognini, alguém que já o derrotou duas vezes no saibro e uma outra naquela partida épica do US Open, tudo em 2015. Desde então, o italiano perdeu cinco vezes e só tirou um set, mas terá um estádio inteiro a empurrá-lo. Pare tudo que estiver fazendo às 7h.

Atual campeão, Alexander Zverev protagonizou jogo de gente grande contra Kyle Edmund, que a cada dia se mostra mais adaptado ao saibro. A vitória do alemão foi apertada e justa. David Goffin é outro desafio, mas o belga não tem mostrado seu melhor tênis desde a contusão de Roterdã. Assim, é muito provável que Zverev enfrente Marin Cilic ou Pablo Carreño na semi. Não vejo favorito, principamente porque o espanhol anda bem irregular na terra e já fez três partidas em Roma no terceiro set.

As quartas femininas terão dois jogos imperdíveis: a pancadaria de Maria Sharapova e Jelena Ostepenko, o duelo de estratégias de Elina Svitolina e Angelique Keber. Descansada, Simona Halep terá sua primeira experiência no saibro contra Caroline Garcia, enquanto Carol Wozniacki encara Anett Kontaveit com curioso empate de 1 a 1 mas na grama.

Assim como ocorre com Djokovic, Sharapova tenta embalar em Roma rumo a Roland Garros, onde os dois precisam sempre ser respeitados. As vitórias desta quinta-feira se mostram um alívio: o sérvio está garantido como cabeça 28 em Paris (e pode ser 21 se vencer mais uma) e Sharapova assegurou pelo menos a condição de cabeça 31.

Atualizando o ranking
Vários tenistas, e a maioria da nova geração, podem sair de Roma com a melhor marca da carreira. Diego Scheartzman ocupa por enquanto um inédito 12º; Edmund, o 17º; e Shapovalov, o 25º. No feminino, Ostapenko está provisoriamente em quarto e Garcia, em sexto.