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Cada vez melhor
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2017 às 20:08

Doze jogos como número 1 do mundo, doze vitórias e dois títulos de peso sobre a quadra dura. Rafael Nadal deixou para trás aquele jejum de três anos e meio sem conquistas no piso sintético, mostra um tênis cada vez mais completo e o resultado é que disparou de vez na ponta do ranking. Como todo mundo sabe, quando a confiança está alta, é muito difícil competir com ele.

Claro que Nadal teve sorte lá na primeira rodada de Pequim, quando Lucas Pouille errou um forehand a dois metros da rede, extremamente fácil para seu nível, que permitiria fechar a partida. Mas é também justo analisar Rafa a partir desse momento. Abraçou a chance, dominou o terceiro set e daí em diante mostrou um tênis fluente e muitas vezes agressivo.

Ninguém pode dizer que sua chave foi fácil. Passou pela juventude de Karen Khachanov, pelo saque bombástico de John Isner, pelo jogo versátil de Grigor Dimitrov e anulou o agressivo Nick Kyrgios numa final impecável. Fato que o australiano sacou muito abaixo – 45% de acerto é um desastre para seu estilo -, porém o canhoto espanhol trabalhou cada bola, fez o adversário se mexer, enlouqueceu com defesas incríveis, contra-atacou na menor oportunidade. “Rafa me destruiu”, foi a definição mais que perfeita de Kyrgios.

Nadal segue direto para Xangai, onde também tem chave difícil, podendo reencontrar Pouille logo na segunda partida, Dimitrov nas quartas e Kyrgios na semi. O piso sintético bem mais veloz será um teste interessante. É essencial destacar a excelente produtividade do backhand do espanhol em Pequim. O golpe deixou mesmo de ser um ponto vulnerável e hoje produz winners e uma variação inteligente para a paralela.

Prêmio ao esforço
A outra importante notícia do fim de semana foi a nova troca de liderança no ranking feminino. Aliás, a quinta da temporada e a terceira em apenas um mês! O ano começo com Serena Williams na ponta, superada por Angelique Kerber. Depois, vieram um curto reinado de oito semanas de Karolina Pliskova, quatro de Garbiñe Muguruza e nesta segunda-feira enfim Simona Halep realizará seu sonho.

Sem dúvida, é até estranho que uma jogadora atinja o número 1 com apenas um título conquistado desde janeiro e ainda por cima com derrota neste domingo. Mas Halep tem um jogo baseado na regularidade e o ranking reflete exatamente isso. Ela ganhou Madri e foi à final de Paris, Roma, Cincinnati e Pequim. Muito legal ler em sua entrevista à WTA que a derrota na final de Paris a deixou muito desanimada, mas ergueu a cabeça.

Eliminada logo na estreia do US Open por Maria Sharapova, percebeu enfim que teria de trabalhar duro com o serviço e passou a treinar o saque uma hora por dia. Se não possui o tênis mais vistoso do circuito, Halep ensina que determinação é a chave do sucesso.

O mesmo elogio cabe a David Goffin, outro jogador que também não possui golpes espetaculares e costuma pecar no mental. Depois de três anos e seis vices sucessivos, ele ganhou seus dois últimos torneios, em Shenzhen e em Tóquio, recuperou o posto no top 10 e se candidatou de vez a uma vaga no Finals de Londres.

Por fim, lembro de ter escrito em novembro do ano passado que Caroline Garcia era uma tenista a se ficar de olho em 2017. E eis que ela deu o salto de qualidade que eu esperava nesta reta final. Jogadora de muitos recursos, também ótima duplista, entrou para o top 10 com o título em Pequim e está na luta para ir ao WTA Finals. O ranking feminino agora tem metade de suas 10 primeiras colocadas abaixo dos 26 anos e três com menos de 24.

Um finalista para todos os gostos
Por José Nilton Dalcim
2 de setembro de 2017 às 00:46

Façam suas apostas. Vai dar a experiência ou a juventude no lado de baixo da chave masculina do US Open? Com a queda totalmente inesperada de Marin Cilic antes mesmo das oitavas, as possibilidades são as mais variadas. Basta ver que os oito vencedores desta sexta-feira têm apenas sete quartas e uma semi de Grand Slam em todas as carreiras.

Um grupo reúne o estilo mais americano de jogar de Sam Querrey, Mischa Zverev e Kevin Anderson, que se somam à zebraça Paolo Lorenzi, 35 anos nas costas e um currículo incrivelmente simples. De todos eles, gosto mais de Anderson porque sabe fazer um pouco de tudo. Atropelou o garotão Borna Coric como eu imaginava. Zverev por seu lado trás de volta a magia do saque-voleio e uma deliciosa história de superação.

O outro quadrante representa a juventude e tem um grande atacante, o novatíssimo Denis Shapovalov, e três jogadores de base sólida. O canadense deu um pouco de sorte com a contusão de Kyle Edmund já que não vinha jogando bem e terá um teste e tanto contra Pablo Carreño, que golpeia pesado dos dois lados.

Coube ao ‘baixinho’ mas aplicadíssimo Diego Schwartzman despachar Cilic, em dia irreconhecível: 80 erros e nove serviços quebrados em quatro sets. O argentino vai pegar agora Lucas Pouille, um francês que me agrada muito por curtir viver perigosamente e ter notável arsenal de golpes.

Apesar de serem nomes bem menos badalados do circuito, a vaga na final pode estar muito bem representada. Resta ao sobrevivente é claro torcer para que não dê nem Rafa Nadal, nem Roger Federer do outro lado.

Feminino
Quem está voando é Garbiñe Muguruza, que está nas oitavas com apenas nove games perdidos. O mais legal é que sua chave é dura: agora vem Petra Kvitova e depois Venus Williams ou Carla Suárez, todas jogadoras muito bem adaptadas à quadra dura.

Do outro lado, a expectativa é que Maria Sharapova e Sloane Stephens vençam mais uma e se cruzem nas quartas. A partida de Sharapova desta noite foi menos espetacular, especialmente o primeiro set, em que a russa se mostrou um tanto apressada e forçou mais do que precisava.

O sábado
Rafa Nadal e Roger Federer têm novamente uma rodada teoricamente tranquila. O espanhol pega Leo Mayer, outro de backhand de uma mão, e o suíço pega o ‘freguês’ Feliciano López, que perdeu 12 vezes desde 2003. Dentro de 19 dias, López completa os mesmos 36 anos de Federer.

O jogo que mais promete é o de Juan Martin del Potro contra Roberto Bautista, já que o espanhol melhorou muito na quadra dura. Boa chance para rever Andrey Rublev, agora contra o versátil Damir Dzumhur. Em outros tempos, David Goffin e Gael Monfils deveriam fazer um duelo apertado, mas os dois se arrastaram na última rodada.

O feminino tem três jogos que me parecem promissores: Jelena Ostapenko-Daria Kasatkina, Madison Keys-Elena Vesnina e Elina Svitolina-Shelby Rogers. Todas estão num mesmo quadrante e terão de lutar entre si por uma vaga na semi. Não tenho até aqui uma favorita.

Rankings
Com a classificação para as oitavas, Muguruza só tem agora duas concorrentes na luta pelo número 1: Elina Svitolina, que precisa no mínimo de semi, e Karolina Pliskova, a partir de final. Ou seja, há uma grande chance de a Espanha liderar os dois rankings ao mesmo tempo, algo que aconteceu pela última vez com os EUA de Agassi e Serena, entre junho e agosto de 2003.

Apenas três top 10 continuam de pé na chave masculina. Zverev tem grande chance de ficar no top 4, a menos que Thiem ou Goffin façam grandes campanhas. A queda mais acentuada até agora é de Monfils, que perderá 12 postos e sairá do top 30 em caso de derrota na terceira rodada.

Sharapova está virtualmente no top 100, mas obviamente isso é pouco para seu nível. O eventual título a levará ao 15º posto, bem mais adequado.

Nadal é 10
Por José Nilton Dalcim
30 de abril de 2017 às 13:40

O tênis profissional jamais viu um domínio tão avassalador de um tenista sobre uma superfície como o de Rafael Nadal em cima do saibro. Isso já era patente há muito tempo, porém a queda técnica e física do canhoto espanhol nas últimas duas temporadas e principalmente a ascensão meteórica de Novak Djokovic sobre o piso após 2011 haviam criado certo esquecimento sobre isso.

Embalado por um começo de ano na quadra dura animador, Nadal voltou a ser o homem imbatível na terra após campanhas impecáveis em Monte Carlo e Barcelona, que culminou neste domingo com uma vitória indiscutível sobre um maiores dos candidatos a sua sucessão, o austríaco Dominic Thiem.

Barcelona assistiu ao melhor Nadal que se possa imaginar sobre o saibro. Preciso, aplicado com afinco na parte tática, incrivelmente veloz, magnífico nos contra-ataques. Aguentou a pancadaria que Thiem impõe com seus golpes pesadíssimos e achou sempre a melhor solução. Show.

Fico a imaginar se alguém terá a capacidade de suportar esse Rafa em melhor de cinco sets. Talvez só mesmo Djokovic. Mas não o de hoje, aquele de 2011 ou 2015. O sérvio terá Madri e Roma para tentar reagir. Caso contrário, o ’10’ de Monte Carlo e Barcelona terá uma enorme probabilidade de se repetir em Roland Garros. Será que terão de mudar o nome da Philippe Chatrier também?

Outra boa notícia do fim de semana foi o primeiro título de Lucas Pouille sobre o saibro. Depois de ter chegado na semi de Monte Carlo, faturou Budapeste. Curioso é que ele salvou dois match-points na estreia contra Jiri Vesely. Firma-se no 14º lugar do ranking e isso pode ajudar muito se conseguir se manter na faixa dos 16 cabeças em Roland Garros. Aliás, não teria sido mais lógico Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro terem ido a Budapeste ao invés de Barcelona?

Emocionante por fim a conquista da convidada Laura Siegemund em casa, num jogo até mais interessante que a final de Barcelona. Claro que nem ela, nem a francesa Kiki Mladenovic podem ser consideradas grandes feras no saibro, mas proporcionaram um jogo divertido na terra artificial e coberta de Stuttgart. O título valeu o 30º lugar do ranking e especialmente um Porsche Carrera 911 conversível. Uau.

Mladenovic havia derrotado no sábado Maria Sharapova, num jogo que esteve a maior parte do tempo nas mãos da russa. A ex-número 1 abriu 16 chances de quebra e só confirmou três, deixando escapar cinco nos games finais. De qualquer forma, o retorno de Sharapova após 15 meses sem qualquer atividade competitiva surpreendeu. Ela reaparecerá como 262º do ranking. Madri e Roma serão os próximos capítulos, enquanto aguarda a definição do convite em Roland Garros.