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Djokovic, mais que perfeito
Por José Nilton Dalcim
19 de agosto de 2018 às 21:27

Nada de pressão pelo título inédito, muito menos incômodo com o piso veloz. Novak Djokovic fez uma exibição de gala na tarde deste domingo para conquistar Cincinnati com sobras e assim, depois de três anos de espera, tornar-se o único profissional a erguer troféu em todos os Masters 1000 do atual calendário. Um feito extraordinário, principalmente quando lembramos que somente ele possui ao menos duas conquistas em cada um dos outros oito Masters.

O 46º duelo contra Roger Federer não foi no entanto aquele jogo espetacular que se esperava por culpa do suíço. Desde o começo, ele mostrou preocupação em encurtar pontos, mas com excessivas falhas e pressa. Errou demais nos seus pontos fortes, como o forehand, o saque, o voleio e até curtinha.

Pareceu claramente incomodado com a fortaleza que encontrava diante de si. Veloz e consistente, Djoko fazia leitura magnífica das jogadas, cansou de dar bolas sobre a linha, defendia-se com faca nos dentes, retornando smashes, voleios, swing-volleys numa quadra bem rápida. Que show. Para achar buraco, era preciso ter precisão e paciência. Federer não teve qualquer uma delas.

Duas coisas chamaram a atenção e serão levadas para o US Open. Ao contrário dos jogos anteriores de Toronto e Cincinnati, Nole sacou com enorme competência. Variou o tempo todo direção, velocidade e efeitos, manteve um índice alto de acerto nos momentos mais exigentes, sinais típicos de quem está confiante e tem uma tática bem definida na cabeça. Federer, no extremo oposto, devolveu mal, apressado, exagerado na força. Não tentou uma alternativa para entrar mais nos pontos, com aquela velha e irritante teimosia de insistir numa postura mesmo quando claramente não é a indicada.

Djokovic embalou na hora certa, como aliás havia dito alguns dias atrás. Durante a semana, mostrou-se muitas vezes irritado, impotente e impreciso. Porém sempre achou uma solução adequada e já na semifinal de sábado fez sua melhor exibição desde a histórica semifinal de Wimbledon, prenúncio de que o grande momento estava por vir. O mais positivo de tudo é que ainda dá para melhorar um pouco de tudo. Rafael Nadal terá de dividir o favoritismo do US Open com ele. Federer ficou para trás e irá precisar mostrar outra vez um tênis maciço e bem dosado para entrar nessa dura briga.

Surpresa no feminino
A holandesa Kiki Bertens completou sua semana de ouro em Cincinnati. Com quatro vitórias sobre top 10 e todas as seis em cima de top 30, ainda mostrou cabeça e físico para virar a final em cima da líder Simona Halep, salvando um match-point e impondo o terceiro vice no torneio à romena.

Desde seu primeiro título, em 2012, Bertens tem se mostrado uma jogadora versátil, com boas campanhas em todos os pisos, em simples e duplas. Aos 26 anos e com 1,82m, aparecerá no 13º lugar do ranking. Seu momento na quadra dura é notável. Em Montréal, venceu também duas top 10, Pliskova e Kvitova, e em Cincy passou por Wozniacki, Svitolina, Kvitova outra vez e Halep.

Soares e Murray crescem
Na base dos match-tiebreaks, o que mostra muita confiança, Bruno Soares e Jamie Murray conquistaram o terceiro maior título da parceria e, muito mais importante, entram como a dupla que teve melhor desempenho nos preparatórios para o US Open, tendo vencido também Washington.

Este foi o terceiro Masters na carreira do mineiro, que venceu os outros dois no Canadá. Recordista, Marcelo Melo tem oito. Soares e Murray avançam para o quinto lugar entre as parcerias da temporada, mas na prática estão em quarto porque os irmãos Bryan não jogarão mais em 2018.

Cabeças 4 no US Open, Bruno e Murray miram o bi, já que faturaram Nova York em 2016. Aliás, Bruno também tem dois troféus de mistas em Flushing Meadows, de longe seu mais confortável Slam.

Quem levou o desafio
Daniel de Melo Silva não apenas acertou o placar de duplo 6/4, como também errou a duração da partida por apenas quatro minutos, e assim é o vencedor do desafio do Blog para esta final de Cincinnati. O segundo colocado ficou muito perto, Nelson Maciel Filho, com erro de apenas 11 minutos. Assim, os dois receberão o prêmio: voucher com 15% de desconto em qualquer compra até R$ 1.200 na Loja TenisBrasil. Parabéns!

Inquebrável
Por José Nilton Dalcim
6 de julho de 2018 às 19:50

Três jogos, nove sets vencidos e Roger Federer ainda não permitiu um único break-point a seus adversários em Wimbledon. Pela 16ª vez em 20 participações, ultrapassa a segunda semana e entra na reta final do título. Desde o primeiro troféu, em 2003, só ficou de fora uma vez, em 2013.

Se ainda faltava alguma coisa para seu reinado sobre a grama ficar cristalino, o suíço completou o quadro. Detém agora o recorde de vitórias (175) e títulos (18) na superfície, assim como de jogos feitos (105), triunfos (94) e troféus (8) em Wimbledon.

E o grande momento na vitória tranquila em cima do alemão Jan-Lennard Struff veio ali no terceiro set, quando ganhou um ponto com o SABR, sim, o Sneak Attack by Roger. Assustador vendo alguém devolver um saque na grama apenas um passo atrás da linha de serviço.

Duas boas notícias para o octacampeão: dois dias de descanso até as oitavas de final de segunda-feira e o reencontro com o canhoto Adrian Mannarino, sobre quem tem 4 a 0, uma delas em Wimbledon.

Seu caminho pode ter depois Gael Monfils ou Kevin Anderson. Como o acrobático francês é de lua! Quando resolve bater na bola e não se acomoda lá na base, vira um tenista muito perigoso. Claro que não deixou de fazer lances espetaculares, porém foi notável a forma com que cortou os erros: dos 13 no primeiro set, caiu para 5, depois 2 e por fim apenas 1 no set final.

Campeão juvenil em 2004, é um tanto inacreditável que Monfils vá disputar as oitavas de Wimbledon pela primeira vez. Ele, que já tirou Richard Gasquet na estreia, duela contra Kevin Anderson com chance real: só perdeu um set para o sul-africano em cinco duelos.

Outro duelo marcado é entre o sacador John Isner e o atlético Stefanos Tsitsipas. Um incrível contraste quando vemos que também fazem sua primeira presença em oitavas, com a evidente diferença que o top 10 Isner tem anos de estrada e joga seu 10º Wimbledon, enquanto o grego de 19 anos já chama a atenção com a destreza de seu backhand de uma mão sobre a grama. Patrick Mouratoglou alerta: “Esse cara é um lutador incrível, estou impressionado com sua habilidade em reagir durante os jogos”. Olho nele.

Mamães duelam
Kiki Mladenovic foi um teste real para Serena Williams. Boa duplista, a francesa se sente à vontade na grama, liderou o primeiro set e exigiu muito no outro. “Sempre contra mim, as meninas acham seu melhor tênis. É incrível”, avaliou Serena, que gostou de suas reações na partida e avisa: “Este é o segundo torneio em que realmente me sinto competitiva”.

Com as quedas da irmã Venus e de Madison Keys, ela é agora a única norte-americana nas oitavas de Wimbledon e irá enfrentar outra mãe, a russa Evgeniya Rodina, que surpreendeu Keys mesmo com apenas nove winners em 34 games. Se mantiver o favoritismo, Serena cruzará com Ekaterina Makarova ou Camila Giorgi.

Considerada a principal barreira no caminho de Serena rumo à final, a tcheca Karolina Pliskova levou um enorme susto quando Mihaela Buzarnescu abriu 6/3 e 4/1. Pliskova precisou de três sets em todos os jogos até agora. Terá de mostrar mais contra Kiki Bertens.

Cenas do quinto dia
– Sascha Zverev pensou em abandonar a partida e não entrar em quadra para a sequência do jogo contra Taylor Fritz por conta de dores abdominais. Ele mal tem se alimentado e vibrou muito com os dois sets tão fáceis que venceu na retomada. O número 4 do ranking volta à quadra já neste sábado para pegar o ex-top 10 Ernests Gulbis.
– Bertens estava incrédula pela vitória sobre Venus: “Tive de jogar de forma agressiva, o que é difícil para mim. E veio na cabeça os match-points que perdi contra Venus em Miami”.
– Rodina fala abertamente: Serena é seu ídolo. E ao enfrentá-la na segunda-feira, sonha enfim jogar na Central. A russa deu a luz a Anna seis anos atrás, quando tinha 23.
– O dia 6 de julho marcou os exatos 10 anos da primeira e histórica conquista de Nadal em Wimbledon. E em cima do então pentacampeão Federer, considerado um dos maiores jogos da Era Profissional.
– A chave de duplas masculinas já perdeu os três principais cabeças de chave: Marach/Pavic e Kontinen/Peers nem passaram da estreia, os atuais campeões Melo/Kubot caíram na segunda. A parceria do mineiro cometeu 15 duplas faltas, incluindo a do match-point!

Final mágica na Caixa de Madri
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2018 às 19:36

Os dois tenistas com maior número de vitórias na temporada, exatamente 25 cada um, irão decidir o título no importante Masters 1000 de Madri neste domingo. Alexander Zverev e Dominic Thiem tiveram trajetória bem distinta sobre o veloz saibro da Caixa Mágica e dividem favoritismo. Se o alemão já tem dois Masters apesar dos três anos a menos de idade, o austríaco ganhou quatro dos cinco duelos entre eles. Excelente clima.

Zverev fez uma semana tão incrível em Madri que só encarou um break-point na soma de todas suas partidas, lá no começo, contra Leonardo Mayer. Ou seja, aproveita bem a altitude para trabalhar com o primeiro saque e manter o adversário acuado. O duelo contra Denis Shapovalov só teve oito games de real disputa. Depois de ser quebrado, o canhoto canadense perdeu o rumo, ficou apressado e falível. Não teve graça.

Thiem sofreu bem mais na semana. Vindo de atuações decepcionantes em Monte Carlo e Barcelona, levou sufoco de Federico Delbonis e viu Borna Coric sacar para a vitória, virando as duas partidas. Aí fez um jogo magnífico diante de Rafa Nadal e desta vez manteve o embalo, dominando Kevin Anderson com aplicação nas devoluções. Nada daquela pressa exagerada, mas total consciência para trabalhar os pontos.

A final é bem imprevisível, porque Madri é um ponto um tanto fora da curva dentro do saibro europeu. Thiem deveria ter o favoritismo pelo retrospecto, mas terá a pressão de jamais ter vencido um Masters. No fundo, a meu ver, os dois disputam não apenas um título de peso para suas carreiras mas o embalo essencial para tentar fazer um grande Roland Garros.

Na ala feminina, emocionante e bem disputada final entre Petra Kvitova e Kiki Bertens. Que jogo intenso. Games extremamente longos, chances desperdiçadas, vacilos aqui ou ali, e uma entrega total até o último minuto. Bertens talvez tenha demorado demais para tomar uma postura mais agressiva, porém mostra que, agora na condição de 15ª do ranking, é uma tenista que merece atenção durante o Slam francês.

Ao mesmo tempo, é preciso enaltecer o empenho de Kvitova, que por vezes pareceu ir além de seu limite físico. É uma jogadora excepcional quando está no comando dos pontos, tem uma visão incrivelmente boa do lance e das alternativas. Não dá para colocá-la como candidata a Paris, onde as condições costumam ser bem mais lentas, porém seria uma magnífica façanha se ela conseguisse seu terceiro Slam justamente na terra.