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Djokovic tenta façanha contra Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2018 às 20:15

Depois de alguns ensaios, enfim Rafael Nadal e Novak Djokovic irão se reencontrar para o 51º capítulo do duelo que mais aconteceu na história do tênis profissional. O sérvio foi o culpado pela demora no cruzamento, já que insistia em perder precocemente. Mas não pode se queixar. Afinal, vai encarar o ‘rei do saibro’ justamente no momento em que tem mostrado seu melhor tênis em meses.

Uma coisa é inegável e alentadora: Djokovic disputou duas excelentes partidas em dias consecutivos, algo que não víamos há muito tempo. Embora tanto Albert Ramos como Kei Nishikori sejam ‘fregueses’, ambos exigiram do sérvio muito empenho físico, firmeza nas trocas de bola e coragem para tentar linhas e definição dos pontos. E esse último quesito está intimamente amarrado com cabeça boa e confiança em si mesmo, os dois elementos que Nole parecia ter perdido há praticamente dois anos, quando ergueu o tão sonhado troféu de Roland Garros.

O placar diante de Nishikori não reflete a dureza que foi a maioria dos games, a quantidade de bolas que cada um precisou bater, os ângulos exigentes que obtiveram e as paralelas desafiadoras que conseguiram. Um jogão. Nenhum deles foi mal mesmo nos dois primeiros sets, tão amplamente dominados de lado a lado. Nishikori talvez tenha sentido no finalzinho a amarga série que tinha de 11 derrotas consecutivas, mas felizmente o físico aguentou firme e isso dá perspectiva de que ele pode também ir longe em Paris.

Nadal por seu lado poderia ter vencido com maior tranquilidade. Muito firme, abriu 4/1 em cima de um Fabio Fognini que entrou disposto a mesclar demais os golpes. Só então a ideia de jogar agressivamente funcionou. Foi ajudado pela queda de rendimento do saque do espanhol e inesperadamente ganhou cinco games seguidos e o primeiro ponto do segundo set. O sinal de alerta ligou e Rafa entendeu que tinha de fazer de tudo para jogar com o forehand. Aí a história mudou. Começou a empurrar Fognini para trás, o italiano se desesperou ao ter de bater de forma menos confortável e o resultado foram golpes cada vez menos precisos.

Não se discute o favoritismo de Nadal para a semifinal das 10 horas deste sábado, já que ele se mostra superior a Djokovic em todos os quesitos possíveis. Ainda que o sérvio saiba exatamente o que fazer no plano tático, Nole ainda não experimentou o backhand muito mais consistente do espanhol, que deixou de ser um golpe defensivo para se tornar uma alternativa de ataque e contragolpe. Sem falar que hoje Rafa é quem está tinindo fisicamente, com uma cobertura de quadra magnífica. Djokovic portanto está diante de uma façanha enorme. Ainda que improvável, serviria para não apenas reabilitar de vez seu tênis, mas também para colocar um molho inesperado às vésperas de Roland Garros.

A outra partida é dos gigantes. Alexander Zverev escapou de um começo de terceiro set tenso diante de David Goffin e faz outra grande campanha de Masters, a quarta semifinal consecutiva e a terceira no saibro europeu. Já Marin Cilic abusou das bolas retas e não permitiu um break-point sequer a um frágil Pablo Carreño. Se Zverev leva desvantagem pelo desgaste de tantos jogos – foram 24 desde a estreia em Miami -, tem 4 a 1 no confronto direto, não tendo perdido para Cilic desde que se tornou um top 70 do ranking. Eu apostaria nele.

A chave feminina de Roma também tem Maria Sharapova à procura de seu melhor tênis. A virada em cima de Jelena Ostapenko foi incrível, ainda que ambas tenha mostrado natural instabilidade num duelo de 3h10 e 35 games. A letã continua exagerando na força em momentos impróprios e poderia ter explorado melhor o segundo saque da russa. Sharapova merece aplausos não só por ter resistido fisicamente, mas por não perder a cabeça ao deixar escapar match-points.

Vai enfrentar uma Simona Halep bem mais descansada e aliviada, já que a romena se manteve na ponta do ranking com a inesperada queda de Carol Wozniacki para Anett Kontaveit, que tem se mostrado uma boa jogadora de saibro, com resultados consistentes mas ainda sem tanto brilho. Curiosamente, seu único título veio na grama. A estoniana de 22 anos desafia a atual campeã Elina Svitolina, que tirou Angelique Kerber com autoridade.

Roma espetacular
Por José Nilton Dalcim
17 de maio de 2018 às 19:59

De forma um tanto inesperada, apenas um dos sete jogos de oitavas de final do Masters 1000 de Roma foi até o terceiro set e pelo menos três se mostraram bem menos competitivos do que se esperava. Mas que nada. As quartas masculinas desta sexta-feira são empolgantes e a chave feminina mantém a briga pelo número 1, duas campeãs e a vencedora de Roland Garros. Demais.

O grande destaque entre os homens foi Novak Djokovic, que fez seu melhor jogo da temporada, com direito a golpes bem soltos, ótimos voleios, backhand afiadíssimo e movimentação leve. Há muito não se via um Nole tão confortável e alegre. Cruzará agora com Kei Nishikori, a quem derrotou dias atrás em Madri, e a expectativa para um reencontro com Rafa Nadal nunca esteve tão promissora.

Nadal assombrou, a começar pela eficiência no saque: 90% de pontos vencidos com o primeiro serviço. Denis Shapovalov tentou definir os pontos em duas ou três bolas, salvou-se com o saque até onde deu e repetiu no segundo set o que temos visto com frequência nesta temporada de saibro: a falta de força para aguentar o ritmo do espanhol. Saboroso o 14º duelo que Nadal fará contra Fabio Fognini, alguém que já o derrotou duas vezes no saibro e uma outra naquela partida épica do US Open, tudo em 2015. Desde então, o italiano perdeu cinco vezes e só tirou um set, mas terá um estádio inteiro a empurrá-lo. Pare tudo que estiver fazendo às 7h.

Atual campeão, Alexander Zverev protagonizou jogo de gente grande contra Kyle Edmund, que a cada dia se mostra mais adaptado ao saibro. A vitória do alemão foi apertada e justa. David Goffin é outro desafio, mas o belga não tem mostrado seu melhor tênis desde a contusão de Roterdã. Assim, é muito provável que Zverev enfrente Marin Cilic ou Pablo Carreño na semi. Não vejo favorito, principamente porque o espanhol anda bem irregular na terra e já fez três partidas em Roma no terceiro set.

As quartas femininas terão dois jogos imperdíveis: a pancadaria de Maria Sharapova e Jelena Ostepenko, o duelo de estratégias de Elina Svitolina e Angelique Keber. Descansada, Simona Halep terá sua primeira experiência no saibro contra Caroline Garcia, enquanto Carol Wozniacki encara Anett Kontaveit com curioso empate de 1 a 1 mas na grama.

Assim como ocorre com Djokovic, Sharapova tenta embalar em Roma rumo a Roland Garros, onde os dois precisam sempre ser respeitados. As vitórias desta quinta-feira se mostram um alívio: o sérvio está garantido como cabeça 28 em Paris (e pode ser 21 se vencer mais uma) e Sharapova assegurou pelo menos a condição de cabeça 31.

Atualizando o ranking
Vários tenistas, e a maioria da nova geração, podem sair de Roma com a melhor marca da carreira. Diego Scheartzman ocupa por enquanto um inédito 12º; Edmund, o 17º; e Shapovalov, o 25º. No feminino, Ostapenko está provisoriamente em quarto e Garcia, em sexto.

Os campeões mandam
Por José Nilton Dalcim
16 de maio de 2018 às 19:28

Três dos únicos quatro campeões que Roma viu desde 2005, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev garantiram com folga a vaga nas oitavas de final do segundo mais importante torneio sobre o saibro europeu de todos os tempos. A quinta-feira de 16 jogos no Fóro Itálico promete ser eletrizante.

Nadal não fez mais que um treino, chegou ao 100º ‘pneu’ da carreira e reencontrará o também canhoto Denis Shapovalov, que ousou vencê-lo ano passado em Montréal. Com um tênis bem conservador, Djokovic se preocupou acertadamente mais com o resultado do que com o estilo e pode dar outro passo rumo ao duelo com Rafa, já que enfrentará o freguês Albert Ramos, canhoto que perdeu todos os 13 sets disputados contra o sérvio em cinco duelos. Zverev mostrou fácil adaptação às condições mais lentas de Roma e deve usar isso contra Kyle Edmund.

Fabio Fognini venceu o jogo mais disputado e técnico do dia diante de Dominic Thiem. Um espetáculo disputado palmo a palmo, com direito a lances de tirar o fôlego e cenas raivosas dos dois lados. Vindo de más campanhas, o italiano tem o público fanático a seu lado contra Peter Gojowczyk. Estou curioso para ver o que acontecerá se ele encarar Rafa nas quartas.

Também vibrante foi a virada de Kei Nishikori em cima de Grigor Dimitrov, saindo de 2/4 no terceiro set. Se passar por Philipp Kohlschreiber, pode cruzar outra vez com Djokovic, para quem perdeu dias trás em Madri. Por fim, Juan Martin del Potro dominou a juventude de Stefanos Tsitsipas e desafia David Goffin, estilos bem antagônicos. Quem passar, deve ter Zverev. O Masters romano está excelente.

A chave feminina tem um pouco de tudo, incluindo três norte-americanas (Venus, Keys e Stephens) ainda vivas. Rodada a rodada, Simona Halep e Carol Wozniacki lutam pela liderança do ranking e ambas têm jogos duros, contra Keys e Sevastova, respectivamente. A surpresa é a presença da grega Maria Sakkari nas oitavas, que tem uma disputa particular com Maria Sharapova para ver quem consegue ainda ser cabeça em Paris.

Aliás, as campeãs também estão mandando até agora em Roma: Elina Svitolina continua firme na defesa do título e Sharapova está atrás do tetra. Nenhuma outra entre todas as inscritas ergueu troféu no Fóro.

Um pouco de história
Nascido Internazioli d’Itália e transformado no Aberto da Itália quando surgiu a Era Profissional, o torneio de Roma já foi considerado o ‘quinto Grand Slam’ do circuito e é tradicionalmente o segundo mais importante do saibro europeu.

Até que o atual evento de Miami surgisse no calendário, o torneio italiano era o único do circuito a imitar os Slam e ter chaves masculina e feminina, ainda que disputadas em semanas consecutivas e não simultâneas. A tradição também pesa: surgiu em 1930, apenas cinco anos depois de Roland Garros, e está sediado no espetacular Fóro Itálico há nada menos que 83 anos.

O tênis italiano já foi uma potência sobre o saibro, mas perdeu paulatinamente seu lugar na história. Nicola Pietrangeli ganhou Roma pela primeira vez em 1957 e brilhou por uma década. Foi substituído por Adriano Panatta, maior profissional da casa na história, que fez uma mágica temporada em 1976: ganhou Roma em cima de Guillermo Vilas e logo depois faturou Roland Garros com a honra de ter sido o único a derrotar Bjorn Borg no saibro parisiense. O feminino conseguiu sucesso maior dentro de casa, com os títulos de Rafaella Reggi, em 1985, e de Sara Errani, em 2014.

Pouca gente se lembra, mas o tênis muitas vezes muito lento do Fóro Itálico não impediu que dois nomes nada íntimos do saibro erguessem o troféu: Vitas Gerulaitis foi bi, em 1977 e 79, e Pete Sampras faturou ali seu grande troféu sobre a terra em 1994, em curiosa final diante de Boris Becker. Também brilharam seis sul-americanos: Vilas, Jose-Luis Clerc, Andrés Gomez, Alberto Mancini, Marcelo Riós e, claro, Guga Kuerten.

No feminino, Gabi Sabatini chegou ao tetra em seis finais disputadas. E Maria Esther Bueno viria a conquistar justamente em Roma o primeiro grande título de sua fabulosa carreira, ainda em 1958, repetindo o feito mais duas vezes, em 1961 e 1965.