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Serena destoa da ‘segunda-feira maluca’
Por José Nilton Dalcim
21 de janeiro de 2019 às 13:22

Novak Djokovic caído duas vezes em quadra, Alexander Zverev e seu duplo vexame, juiz criando polêmica desnecessária no final de uma maratona de 5 horas, uma vaga na semi a ser decidida entre Milos Raonic e Lucas Pouille. Que segunda-feira doida em Melbourne!

Menos, é claro, para o magnífico duelo entre Serena Williams e Simona Halep, jogo digno de final de campeonato. A heptacampeã fez 10 games de massacrante domínio, mas a romena se achou em quadra, forçou o saque como nunca e apostou em paralelas milimétricas que levaram a um terceiro set de tirar o fôlego. Sobraram qualidade, força mental e ousadia dos dois lados, daí o justo sorriso que ambas abriram na hora do cumprimento, certas do dever cumprido. A exigente chave de Serena a coloca agora contra Karolina Pliskova – que atropelou Garbine Muguruza e diz ter feito o jogo de sua vida – e, se passar, quem sabe o aguardado reencontro com Naomi Osaka, que enfrentará Elina Svitolina.

A rodada masculina teve de tudo. Começou na madrugada com a medíocre apresentação de Zverev. Incrível. Ele quebrou Raonic no primeiro game da partida, o que deveria lhe dar confiança, mas o que se viu foi um alemão assustado, apressado, nervoso. Perdeu quatro serviços consecutivos, arrebentou raquete num espetáculo mais lamentável do que suas 10 duplas faltas, baixou a cabeça ainda na metade do segundo set.

Sem nada a ver com isso, Raonic ganhou mais de um terço de seus pontos na rede. Tem natural favoritismo sobre Pouille, contra quem jamais perdeu set em três confrontos. É um alívio ver Pouille reagir na carreira, um jogador cheio de recursos técnicos mas pouco compromisso com o físico e cabeça frágil para o tamanho de seu ranking. Se o canadense tenta repetir a semi de 2016, o francês busca seu maior resultado de Slam.

Djokovic por seu lado pareceu um pouco acomodado com o jogo sem iniciativa de Daniil Medvedev e daí se viu um primeiro set sonolento. Abriu depois 3/1, com maior variedade, porém ‘viajou’ e fez um tiebreak sofrível. Como é muito mais tenista que o russo – ninguém pensou em ensinar Medvedev a volear? -, atropelou no terceiro set e administrou o esgotamento do adversário – pera aí, ele tem 22 anos e nenhum jogo anterior longo, não? Ainda assim, o sérvio quase torceu o pé numa tentativa de ir à rede e foi outra vez ao chão, sem pernas para chegar numa bola longa. Preocupante.

Nole reencontrará um de seus maiores fregueses. Com 18 sets já disputados, fico a imaginar com que condições Kei Nishikori irá tentar barrar alguém para o qual perdeu 15 partidas, com duas solitárias vitórias há quase cinco temporadas. Mas há de se elogiar o empenho do japonês para reagir outra vez, num jogo que parecia perdido diante de Pablo Carreño (2 a 0 e uma quebra atrás no terceiro set), sem nunca abandonar o estilo agressivo e as tentativas junto a rede, com 54 subidas.

No match-tiebreak, também se viu atrás por 5-8 e aí veio o lance polêmico. É compreensível a decisão do árbitro – o japonês não foi atrapalhado pelo ‘out’ e jogou a bola muito longe do espanhol -, mas o bom senso recomendaria voltar o ponto pelo momento delicado. Para que complicar, senhor juiz?

Enquanto isso, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray evitaram três match-points, estão nas quartas e desafiam os perigosíssimos Henri Kontinen e John Peers. Mas precisam ficar um pouco mais consistentes.

A luta por semi começa
Duelos inéditos entre ‘trintões’ e Next Gen marcam os primeiros jogos de quartas  da chave masculina.
– Nadal busca sua 30ª semifinal de Slam (apenas Federer, Djokovic e Connors chegaram a tanto). Ele não perde para um americano em Slam há 20 jogos, desde US Open de 2005.
– Tiafoe, 11 anos mais jovem, já derrubou dois cabeças para obter sua maior campanha em Slam. Faz uma década que Roddick atingiu semi na Austrália. Este será seu quinto duelo contra um top 5, ainda sem sucesso.
– Tsitsipas completou seus quatro jogos até agora em quatro sets, mas Bautista, 10 anos mais velho, correu muito mais e já foi três vezes ao quinto. Espanhol ganhou seus 9 jogos de 2019.
– Se Nadal e Bautista vencerem, será segunda semi espanhola na história do torneio, repetindo Nadal e Verdasco de 2009. Se os garotos avançarem, teremos pela primeira vez dois tenistas de 21 anos ou menos numa penúltima rodada de Slam desde que Djokovic e Murray chegaram lá no US Open de 2008.
– Kvitova busca sua segunda semifinal em Melbourne sete anos depois e tem dupla vantagem: não perdeu set e ganhou os três duelos contra Barty, que vem de jogos difíceis.
– Duas jogadoras que estão fora do top 30, Collins e Pavlyuchenkova disputam duelo inesperado. A russa tem muito mais rodagem, mas Collins está cheia de confiança com sua incrível série de vitórias e a surra que deu em Angie Kerber.

O dono do tênis
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2018 às 12:18

Num passe de mágica, Novak Djokovic deixou as trevas de uma primeiro semestre desalentador para virar outra vez o grande nome do tênis do momento. Que transformação. Até Monte Carlo, o sérvio era um jogador tenso, irregular, apressado, lento, impreciso, sofrendo derrotas estranhas para adversários muito inferiores. Nos últimos três torneios, voltou a ser atlético, incansável, ousado, agressivo e alegre. E nesse estágio de corpo e alma é bem difícil segurá-lo.

Não tenho muita dúvida que o momento da virada de Djokovic aconteceu naquela semifinal espetacular de Wimbledon diante de Rafael Nadal. A vitória suada sobre o número 1, que vinha de uma arrancada notável ao longo do saibro, parece ter não apenas recuperado toda a confiança do sérvio, mas também lhe dado o desejo de reação. Dali em diante, com exceção natural no Canadá, Djoko só melhorou a cada semana.

Inegável também que essa evolução tem tudo a ver com seu aprimoramento físico, e aí é importante recordar entrevista de Marian Vajda em que o treinador disse que precisou convencer o pupilo a minimizar algumas condutas da dieta. Ao retomar a firmeza de pernas e a resistência, pudemos ver novamente aquele sérvio extremamente ágil e competente nos contragolpes a realizar uma cobertura impecável da quadra, o que geralmente leva o adversário ao risco cada vez maior.

Recuperado fisicamente, faltava a Nole acreditar em si e provavelmente Vajda teve toda a responsabilidade nisso. Depois de barrar Nadal em Wimbledon, voltando aos títulos de Grand Slam ainda sem mostrar seu melhor tênis, dominar Roger Federer para a conquista tão sonhada em CIncinnati selou a reação. Desde aquele domingo, ficou difícil duvidar de Nole. Ele teria ainda provação nas rodadas iniciais e infernais do US Open. O que vimos nesta semana em Xangai foi um desfile do melhor Djokovic.

Num momento tão espetacular e dominador do arqui-rival, parece pouco provável que Nadal ainda consiga se manter como número 1 nesta reta final de temporada, porque aí entram componentes essenciais: a falta de ritmo que o espanhol terá, já que não compete desde a queda em Nova York, e o histórico pouco expressivo de Rafa na quadra coberta europeia. Paris e Londres são justamente dois grandes títulos que jamais conquistou.

Borna Coric não repetiu nesta madrugada a atuação exuberante da véspera diante de Roger Federer, mas era previsível que o croata teria maior dificuldade para matar pontos diante do volume defensivo do adversário. Golpe por golpe, Djokovic tem tudo superior e isso ficou patente nos mínimos buracos que cedeu. Coric lutou muito e poderia ser recompensado por uma quebra no segundo set, mas falhou feio no único break-point que teve.

De qualquer forma, foi uma final intensamente disputada, com ótimos lances dos dois lados, e a certeza de que o croata evoluiu muito desde o ano passado, quando ouviu conselhos de Riccardo Piatti e adotou postura mais ofensiva. Ainda falta trabalhar mais o forehand, porém a projeção para seu futuro está bem mais promissora.

Melo de novo
O mineiro Marcelo Melo e seu parceiro polonês Lukasz Kubot conseguiram embalar. Conquistaram o segundo título seguido, obtendo duas vitórias sobre os líderes do ranking Marach/Pavic e outra neste domingo sobre Bruno Soares e o britânico Jamie Murray.

Com isso, Melo e Kubot assumem o terceiro lugar no ranking de parcerias da temporada e o quarto lugar no individual. Dificilmente no entanto conseguirão chegar à liderança, já que estão quase 2.200 pontos atrás de Marach/Pavic e a 2.700 de Mike Bryan.

Melo gosta mesmo do Oriente. É agora tri em Xangai (ganhou com Dodig e Klaasen) e soma um em Tóquio e outro em Pequim.

Detalhes
– Se Djokovic realmente retomar o número 1, marcará a maior ascensão de um tenista ao topo dentro de uma mesma temporada, já que era 22º em maio. O maior feito nesse aspecto cabe a Andre Agassi, que foi de 14º à ponta ao longo de 1999.
– Djokovic não perdeu um único de seus 47 games de serviço nesta semana. Ele disse após a estreia que nunca vira a quadra chinesa tão veloz.
– Sérvio tem 27 vitórias em seus últimos 28 jogos desde a estreia em Wimbledon e 18 de invencibilidade desde Cincinnati.
– Coric continua sua temporada de feitos particulares: fez primeira semi de Masters em Indian Wells, ganhou inédito ATP 500 em Halle, quebrou a barreira do top 20 em julho e será 13º nesta segunda-feira após a primeira final de Masters.
– Karolina Pliskova perdeu a final de Tianjin para Caroline Garcia e ainda não garantiu vaga no Finals. Terá de brigar em Moscou contra Kiki Bertens, mas precisa de muito pouco, já que Elina Svitolina não joga nesta semana.

Nº 1 e Finals esquentam final de temporada
Por José Nilton Dalcim
28 de setembro de 2018 às 22:02

Que tal um Finals de Londres com quatro candidatos ao número 1? Difícil, mas não impossível. A última parte da temporada masculina ficou aberta: enquanto o líder Rafael Nadal se afastou por contusão, seus concorrentes estão embalados ou encontram um piso muito favorável nas próximas semanas. Vamos dar uma olhada nas alternativas que podem esquentar o circuito.

Número 1
Apesar de estar na briga pela liderança do ranking contra Nadal, Novak Djokovic está inscrito unicamente em Xangai e Paris antes de Londres. Claro que o eventual título no veloz piso chinês já o colocaria apenas 35 pontos atrás do espanhol no ranking da temporada (e 215 no ranking tradicional), ou seja, haveria já luta direta em Paris.

Roger Federer até pode entrar nessa briga, mas teria de repetir os títulos de Xangai e da Basileia para estar 1.180 pontos atrás de Nadal. E a chance de o suíço jogar no piso irritantemente lento de Bercy é muito pequena. De qualquer forma, seria magnífico chegarmos a Paris com o Big 3 com chance de liderança. O quadro ideal teria Nadal com 7.480 pontos; Djokovic, com 7.045; e Federer, com 6.300.

Quem corre por fora e merece atenção é Juan Martin del Potro. Ele está inscrito para Pequim, Xangai e Basileia, concorrendo portanto a 2.000 pontos. Se o fizer, chegará a Paris com 6.910 e engrossa a luta pela liderança. Mas, tal qual Federer, é um risco forçar o corpo para também jogar Bercy e Londres. Acredito que ele só faria isso se realmente vislumbrasse a chance de atingir a ponta.

Faltam três para Londres
Os dois Masters e quatro ATPs 500 restantes também serão essenciais para definir as três vagas que faltam para o Finals, já que Nadal, Djokovic e Federer estão matematicamente garantidos e Delpo e Zverev, virtualmente lá.

De forma nada usual, Marin Cilic, Dominic Thiem e Kevin Anderson estão com mais de 3.400 pontos na temporada mas ainda correm risco, ameaçados por John Isner e Kei Nishikori. De olho numa chance que parece remota, Fabio Fognini e Stefanos Tsitsipas ousaram e estão inscritos em cinco torneios seguidos.

Meninas instáveis
Enquanto isso, a reta final da temporada feminina está bem estranha e Wuhan foi um retrato bem fiel: nenhuma das top 15 inscritas passou sequer das oitavas, com destaque para o momento ruim de Simona Halep, Carol Wozniacki, Angelique Kerber, Sloane Stephens e Garbiñe Muguruza. A nova estrela Naomi Osaka também não se mostra fisicamente bem e Serena Williams encerrou mesmo o calendário.

Pequim na próxima semana deve definir quase todo o quadro de quem disputa o Finals de Cingapura, mas a rigor a disputa está mesmo em cima da oitava vaga. Por enquanto, Karolina Pliskova está com ela, com mínima vantagem sobre Kiki Bertens. Elise Mertens e Daria Kasatkina jogam cartada decisiva, mas estão a cerca de 600 pontos de Pliskova.

Se for campeã neste sábado em Wuhan, Aryna Sabalenka se candidata a ser a outra grande estrela ascendente do circuito e pode até sonhar com Cingapura, já que assumiria o 11º lugar e deixaria Kasatkina para trás, faltando ainda três semanas e cinco torneios para o Finals feminino.

Já a disputa pela liderança parece distante. Com 1.700 pontos de vantagem, Halep teria de perder logo – já pegou até convite para Moscou – e Kerber ganhar tudo.