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Hora de decisões
Por José Nilton Dalcim
21 de outubro de 2017 às 23:48

A primeira grande semana da reta final de temporada começa neste domingo, e lá do outro lado do mundo. Cingapura reúne as oito mais bem pontuadas da temporada para definir não apenas a campeã das campeãs, mas também a liderança do ranking.

Apesar de que matematicamente sete das oito participantes possam sair do torneio com o número 1, a realidade é que a disputa está praticamente centrada entre a atual líder Simona Halep e a ex-ponteira Garbiñe Muguruza.

Todas as outras teriam de chegar no mínimo à final ou ser campeãs invictas, mas ao mesmo tempo torcer para que Halep e Muguruza não vençam jogos da fase preliminar ou até mesmo que sequer entrem em quadra! Sim, porque a WTA dá 125 pontos apenas pela participação da tenista em cada um dos três jogos classificatórios.

A distribuição dos grupos no sorteio foi curiosa. Muguruza ficou com as jogadoras mais agressivas – Karolina Pliskova, Venus Williams e Jelena Ostapenko – e Halep, numa chave um pouco mais conservadora, com Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Caroline Garcia, ainda que Svitolina goste de bater na bola mais do que as outras. Assim, há um equilíbrio saudável e dificilmente alguém poderá se queixar da velocidade do piso antes da semifinal.

O setor masculino também vive uma fase de definições. Roger Federer confirmou presença na Basileia, pegou uma boa chave e terá de ganhar os 500 pontos se ainda sonha com a luta contra Rafa Nadal pelo número 1. E não me venham dizer que ele não está interessado. Se a quadra não estiver tão lenta, não deve ter tanta dificuldade contra Tiafoe, Johnson ou Mannarino, nem mesmo Sock ou Goffin. O lado inferior tem Delpo e Cilic.

Del Potro aliás está numa incrível corrida por fora para retornar ao top 10 e quem sabe até ir a Londres. Se repetir o título em Estocolmo neste domingo, estará em 14º na temporada e a 470 pontos de Pablo Carreño. Como o argentino entrou em Paris, há uma chance. O Finals  agradeceria.

Viena reúne outra legião dos que ainda sonham com as duas vagas restantes. Além de Carreño, é uma cartada decisiva para Querrey e Anderson. Não vamos no entanto esquecer que Paris dá 1.000 pontos ao campeão e 600 ao vice, com uma possibilidade nada desprezível de não ter Nadal nem Federer. Isso daria esperança até a Tsonga, Bautista e Isner.

Delpo salva o US Open
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2017 às 00:43

Enfim, um grande jogo na chave masculina desde US Open. Melhor ainda, dessas partidas que vão ficar na memória do tênis. Juan Martin del Potro arrumou forças quase sobrenaturais para sair de uma apatia completa e dois sets abaixo e virar um jogo naturalmente perdido para Dominic Thiem. Tudo debaixo de uma incrível festa de sua fanática torcida. Espetáculo.

O campeão de 2009 se arrastava em quadra e parecia pronto a abandonar. Nenhum winner até a metade do segundo set. Mas como sempre o coração falou mais alto. Esqueceu do mal estar provocado pela gripe e começou a disparar seu mágico forehand. Thiem ainda teve cabeça para chegar a 5/2 no quarto set e sacar para o jogo em seguida. Falhou, levou um banho no tiebreak.

O austríaco mostrou-se emocionalmente muito frágil para o nível que joga. Foi sendo enrolado por Delpo, perdeu-se no plano tático, sem saber que hora deveria arriscar ou passar a bola para o outro lado. Fez mais winners em quatro dos cinco sets, incluindo os dois últimos.

Delpo talvez tenha salvado este US Open, não apenas porque fez um jogo memorável mas porque parece ser o único adversário com golpe e espírito para encarar Roger Federer e quem sabe Rafael Nadal. Tudo bem, lhe falta físico. Mas duvido que o suíço não dedique enorme cautela com seu poder de fogo nas quartas de final.

Federer assim como Nadal tiveram atuações protocolares. Jogaram com máxima seriedade desde a primeira bola e não deram ânimo a Philipp Kohlschreiber e Alexandr Dolgopolov. O suíço atinge uma marca impressionante: 51 quartas de final em 71 Grand Slam disputados. É o que o faz ser o melhor de todos. Apesar de novamente dar alguma preocupação ao pedir um raríssimo atendimento médico antes do terceiro set – explicou depois que foi ao vestiário porque precisou receber massagem na região do glúteo -, perdeu apenas 13 pontos com o serviço.

Rafa, por seu lado, jogou ainda melhor do que na rodada anterior, sem pressa e com notável clareza tática, sabendo como e quando poderia tirar o pior do adversário. Claro que Dolgopolov viveu seus dias de top 100, com poucos momentos de lucidez. O que importa para o espanhol é chegar ao duelo contra o novato Andrey Rublev com o máximo de sua confiança.

O russo de 19 anos tem feito mais do que aproveitar os buracos da chave. Dominou Grigor Dimitrov e David Goffin com placares idênticos, adversários de estilos muito diferentes. Rublev lembra muito Alexander Zverev. É alto, saca bem e bate pesado dos dois lados. Se não sentir o peso de jogar contra o número 1 do mundo e soltar seus golpes livremente, pode dar algum trabalho. Tido como um potencial top 10 para futuro breve, é hora de curtir a experiência.

A chave feminina colocou mais duas norte-americanas nas quartas. Agora são quatro, uma em cada partida de quartas de final. CoCo Vandeweghe joga no risco, saca muito bem e não tem medo de cara feia. Por isso, é um perigo para a número 1 Karolina Pliskova, que mal fez um treino e ganhou em meros 46 minutos. Tenista de 1,85m e 25 anos, CoCo chega a sua terceira quartas de Slam na temporada, repetindo Wimbledon e Austrália (onde foi à semi). É um currículo respeitável.

A história de Cinderela da vez está com a estoniana Kaia Kanepi, que venceu uma Daria Kasatkina 12 anos mais jovem. O ranking de Kanepi assusta: 418º. Mas é importante lembrar que ela já foi top 15. Desabou por conta de um problema nos dois pés que a tirou do circuito por um ano. O retorno aconteceu apenas dois meses atrás em nível ITF. É a segunda tenista a sair do quali e chegar nas quartas do US Open. Agora, no entanto, encara Madison Keys, que tem feito jogos duros e se saído sempre bem.

Importante observar que o circuito feminino terá obrigatoriamente quatro campeãs diferentes de Grand Slam neste ano, repetindo 2014. Quem levar o US Open se juntará a Serena Williams (Austrália), Jelena Ostapenko (Paris) e Garbiñe Muguruza (Wimbledon).

A rodada desta terça-feira tem Pablo Carreño com favoritismo sobre Diego Schwartzman, que sentiu dores na coxa na batalha da véspera, e Sam Querrey carregando a esperança americana frente Kevin Anderson. Será o 16º duelo entre eles e o terceiro do ano. Querrey ganhou a duras penas em Wimbledon e perdeu feio em Montréal. No feminino, duelos pouco previsíveis de Sloane Stephens frente Anastasija Sevastova e de Venus Williams contra Petra Kvitova, que tem tudo para ser o melhor jogo do dia.

Para o tênis brasileiro, toda a torcida para Bruno Soares, que joga duas vezes de olho nas semifinais. Primeiro com Jamie Murray, na tentativa do bicampeonato, e depois com Timea Babos, na luta por seu terceiro troféu na especialidade em Flushing Meadows. Esse mineiro adora Nova York.

Os favoritos evoluem
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2017 às 00:34

Embora ainda não tenham dado o show a que estão acostumados, Rafael Nadal e Roger Federer fizeram seus melhores jogos neste US Open na longa noite deste sábado e estão nas oitavas de final. Será que vai surgir alguém capaz de impedir que enfim se cruzem em Flushing Meadows? Difícil, ainda mais porque ambos tendem a ficar cada vez mais confiantes.

Nadal voltou a perder o set inicial, mas foi uma situação distinta da partida contra Taro Daniel. O espanhol não jogou mal em qualquer momento. Encarou na verdade um argentino inspirado e firme, com alguma sorte para escapar de sucessivos break-points. Assim que Rafa encaixou a primeira quebra, o jogo virou totalmente para o espanhol, que disparou grandes bolas da base, sacou firme e mostrou sua conhecida capacidade de deslocamento, com direito a uma passada espetacular na paralela.

Agora vem um interessante duelo contra Alexandr Dolgopolov, que é um jogador bem versátil e com um saque de difícil leitura. Não à toa, tem duas vitórias em oito partidas contra o canhoto espanhol. O ucraniano no entanto é de lua. Pode jogar um tênis magnífico ou cometer sucessivas bobagens, às vezes dentro de um mesmo game. Até aqui, fez um grande US Open, tirando Tomas Berdych e Viktor Troicki. Talvez a suspeita de que entregou o jogo para Thiago Monteiro em Winston-Salem tenha mexido com seu brio.

Já Federer levou pequenos sustos aqui ou ali, especialmente quando não teve bom aproveitamento do primeiro saque, mas dominou Feliciano López como de hábito. Embora o espanhol até tenha procurado bater mais o backhand, esse é um ponto frágil demais e inteligentemente explorado ao máximo pelo suíço, que deitou e rolou nas subidas à rede. A boa notícia é que o pentacampeão não deu qualquer sinal de problema nas costas e mostrou grande agilidade quando exigido. Talvez por isso tenha vibrado tanto ao final do jogo.

Fato curioso, Roger enfrentará agora o terceiro adversário com mais de 33 anos e com backhand de uma mão: o também ‘freguês’ Philipp Kohschreiber, sobre quem tem 11 a 0, um pouco menos do que os 16-0 que tinha sobre Youhzny e os 12-0 em cima de López. Apesar do estilo bonito e solto de jogar, o alemão fica muito atrás no quesito potência e assim tudo indica que Federer só não vai às quartas se jogar mal.

A rodada de segunda-feira terá um ponto alto: Juan Martin del Potro contra Dominic Thiem, dois tenistas que pegam pesado na bola e jogaram muito bem as três primeiras rodadas. Delpo impressionou no domínio em cima de Roberto Bautista, mas fisicamente ainda não testado. Esse é sempre o grande dilema do argentino.

Não menos interessante deve ser o duelo entre David Goffin e o garotão Andrey Rublev, outro membro da nova geração que aproveita o US Open para recuperar prestígio. Jogou bem contra Damir Dzumhur, mas a cabeça ainda o abandona em momentos delicados. Tem chance real contra Goffin, principalmente se jogar em condições mais rápidas.

Os destaques da rodada feminina foram a incrível facilidade com que Daria Kasatkina se impôs sobre Jelena Ostapenko, que errou tudo – 38 em apenas 17 games, um absurdo – e ainda mostrou-se apática demais. E o sufoco de Karolina Pliskova para sobreviver a outro dia instável. Salvou match-point, teve muita dificuldade em manter serviços e por fim relevou estar com dor no braço direito.

CoCo Vandeweghe e seu potente saque superaram a esforçada Aga Radwanska. A norte-americana tem personalidade forte e um ar arrogante, mas isso combina com o tênis e com o torneio. Deve passar por Lucie Safarova e cruzar com Pliskova em seguida. Pinta como a surpresa. Elina Svitolina se enrolou em jogo fácil, mas passou e agora pode fazer ótimo duelo com Madison Keys.

O domingo em Nova York abre as oitavas de final e a rodada feminina promete talvez mais do que a masculina, com Muguruza-Kvitova, Venus-Suárez, Stephens-Goerges e Sharapova-Sevastova. Vale registrar que Sharapova e Stephens não são cabeças.

O masculino tem o setor dos experientes, com Querrey-Mischa e Anderson-Lorenzi, e o dos novatos, com Shapovalov-Carreño e Pouille-Schwartzman. É bem provável que dê Querrey e Anderson, bem mais calejados em Grand Slam. Do outro lado está bem mais difícil apostar, ainda que a lógica mande indicar Carreño e Pouille. Também temos dois não cabeças: Lorenzi e Shapovalov.