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Novatos povoam top 30 e iniciam mudança
Por José Nilton Dalcim
22 de novembro de 2018 às 10:02

O novo tênis masculino parece ter dado as caras neste 2018. Ainda que os Grand Slam tenham ficado nas mãos de sempre, uma turma de qualidade tomou de assalto lugares importantes do top 20 e do top 30 do ranking ao conquistar vitórias e títulos de chamar a atenção.

Com isso, a próxima temporada promete acentuar essa transição. Os chamados Big30, claro, permanecem favoritos em todos os pisos. A Geração Intermediária terá uma última chance de vingar, ainda que pareça fadada a ser atropelada pela Next Gen.

Os Big 30
Os ‘trintões’ terminam o ano com 13 nomes entre os 30 primeiros do ranking e nada menos que sete no top 10.

Estamos falando dos megas Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Juan Martin del Potro, mas também de Kevin Anderson, Marin Cilic e John Isner, grupo que, somados aos contundidos e incertos Stan Wawrinka e Andy Murray, tem dominado quase todas as finais de Grand Slam desde 2011.

Ainda aparecem no top 30 nomes de peso, mas currículo irregular e menos expressivo, como Fabio Fognini, Roberto Bautista, Richard Gasquet, Fernando Verdasco, Gael Monfils e Gilles Simon, uma moçada que pode muito bem ceder espaço aos mais jovens em 2019.

Geração Intermediária
Foram promessas, arrancaram alguns grandes resultados, figuraram no top 10 muitas vezes, porém não atingiram o patamar esperado, alguns por contusão, outros por limitação.

Estão nessa faixa Dominic Thiem, Kei Nishikori, Diego Schwartzman, Milos Raonic, Grigor Dimitrov, David Goffin, Pablo Carreño e Lucas Pouille, e com suas campanhas surpreendentes em 2018 entraram Marco Cecchinato e Nikoloz Basilashvili.

Thiem, Nishikori e Raonic decidiram Slam e fizeram campanhas marcantes em Masters 1000, enquanto Dimitrov e Goffin atingiram ápice em Londres do ano passado.  Thiem continua sendo a maior promessa de sucesso, ainda que mais em cima do saibro do que em outro piso, e mostra consistência para permanecer seguidamente no top 10 desde junho de 2016.

Nishikori conseguiu superar bem o retorno após cirurgia, Raonic não se firmou mais. Dimitrov perdeu totalmente o rumo e Goffin mostrava progresso técnico até o acidente da bolada no olho. O belga deveria brigar com Nadal, Djokovic e Thiem pela soberania no saibro. Talvez ainda dê tempo.  Basilashvili é um tenista a se observar, já que tem todos os golpes.

Next Gen
Apesar de apontarem o futuro, alguns já são evidentes realidades. Desempenhos em 2018 já permitem colocá-los numa lista de sérios candidatos a títulos de peso a partir de janeiro.

É o grupo formado por Alexander Zverev, Karen Khachanov, Borna Coric, Kyle Edmund, Stefanos Tsistsipas, Daniil Medvedev, Heyon Chung e Denis Shapovalov, todos fixados no top 30 no momento, mas também de Alex de Minaur, Nick Kyrgios, Frances Tiafoe e Nicolas Jarry.

Neste começo de 2019, todos os olhos estarão sobre Zverev. Seu fraco desempenho nos Slam tem origem no preparo físico insuficiente, o ponto principal que Ivan Lendl atacou na sua chegada ao time. O treinador sabe porém que agora os Slam também se transformaram num bloqueio mental. Será o grande desafio do dueto.

Curioso é o fato de que boa parte da Next Gen sofra mais com problemas emocionais do que técnicos. Tem sido comum ver Khachanov, Coric, Edmund, Tsitsipas e Shapovalov se perderam em discussões e atitudes negativas. Kyrgios já sofria da cabeça, agora acumula contusões, algo que também afeta Chung. Aliás, o russo Andrey Rublev se encaixa aqui.

No entanto, não há como negar que a Next Gen tenha qualidade. O garotão De Minaur é um guerreiro, que mostrou progresso técnico acentuado semana após semana. Medvedev possui excepcionais golpes e Tiafoe, físico privilegiado para jogar bem em qualquer piso. Jarry, com seus golpes potentes, precisa transferir isso para fora do saibro.

É bem provável que Coric, Khachanov, Edmund, Tsitsipas e Medvedev estejam entre os 16 cabeças do Australian Open. Sem nada de importante a defender, há chance real de vermos mudanças no top 10 muito cedo, o que pode incendiar o tênis. Na torcida.

Khachanov mostra maturidade
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2018 às 21:31

Pelo segundo ano consecutivo, Bercy deu uma grande surpresa para o circuito. O russo Karen Khachanov repetiu Jack Sock, mas com requinte, ao levar seu primeiro Masters com vitória em cima de quatro top 10, dos quais apenas um tirou set dele, o gigante John Isner.

Não é difícil ver semelhanças entre Khachanov e seu principal ídolo, Marat Safin. O estilo e até mesmo o gênio difícil de controlar lembram um dos mais carismáticos nomes do tênis profissional. Para buscar evolução no circuito, mudou-se ainda garoto para a Croácia e depois tentou um período na Espanha. É por isso talvez que tenha muito das duas escolas: grande saque e golpes pesados de base.

Khachanov está longe de ser um desconhecido. Já fez grandes jogos nas duas últimas temporadas, somava três títulos de ATP sem jamais ter sofrido derrota numa final. É bem verdade que vimos muitos jogos escaparem por conta dos nervos, da reclamação excessiva, da perda de foco.

Nesta semana, tudo se encaixou. Mostrou um voleio apurado e competência para deixadinhas, não ficou afoito em momentos delicados de jogos tão duros como o que fez contra John Isner. E se mostrou maduro na final contra o poderoso Novak Djokovic. Maturidade é o ingrediente que mais se cobra da nova geração.

O jogo teve dois momentos bem distintos. No primeiro, Nole parecia senhor da quadra e abriu 3/1 e 30-0. Daí em diante perdeu o foco e o russo agarrou a oportunidade. Cortou os erros com o backhand, mexeu-se para todos os lados, usou slice. Parecia entender que uma partida longa acabaria por beneficiá-lo diante do provável cansaço de Nole, vindo de gripe e dois jogos duríssimos seguidos que o deixaram mais de 5 horas em quadra.

Guerreiro por excelência, Djokovic não se entregou e exigiu que Khachanov ganhasse o jogo. E o russo mostrou de novo que a cabeça deu um salto de qualidade, saindo de 0-30 em dois games consecutivos após a quebra no terceiro game do segundo set. Nesses momentos, concentrou-se nas duas grandes armas que possui: o primeiro saque seguido de um forehand agressivo. Levou o título com todo o mérito.

Por duas temporadas consecutivas, o circuito vê três novos campeões de Masters. Desta vez, foram Khachanov, Isner e Juan Martin del Potro. Em 2017, Alexander Zverev, Grigor Dimitrov e Sock. Como bônus, Khachanov aparecerá no 11º lugar do ranking nesta segunda-feira e terá direito a ser reserva no Finals de Londres, uma experiência muito especial que permitirá a ele treinar e trocar ideias com os melhores do mundo por uma semana seguida.

Djokovic por seu lado tem sete dias para se recuperar fisicamente e assim manter seu favoritismo para o sexto título em Londres. Ainda não se sabe se Rafael Nadal estará na arena O2. Na nova listagem, o espanhol aparecerá 565 pontos atrás no ranking e assim nem mesmo o título inédito e invicto no Finals o recolocará na ponta sem depender da campanha do sérvio. Nole está com um pé no número 1 de 2018.

Desafio – Norbert Goldberg e Julio DIni levam os prêmios do Desafio para as semifinais de Paris. Cravaram os dois finalistas corretamente e acertaram os dois sets da vitória de Khachanov sobre Thiem. Os dois receberão em seus emails os vouchers com 15% de desconto para compras na Loja TenisBrasil até o total de R$ 1.200. Parabéns!

O melhor dos duelos
Por José Nilton Dalcim
3 de novembro de 2018 às 21:34

Tudo foi um tanto espetacular na épica semifinal deste sábado em Paris entre Novak Djokovic e Roger Federer. A começar pelos números. Ao longo de 3h02, foram disputados 252 pontos, com pequena vantagem de 129 a 123 para o vencedor. O suíço saiu de quadra derrotado mas sem ter o saque quebrado, oferecendo um recorde pessoal a Nole – que certamente o sérvio não gostaria de comemorar – de 12 break-points não convertidos numa mesma partida.

Federer também foi superlativo no risco. Acertou 54 winners, diante de 31 do futuro líder do ranking, mas também cometeu 52 erros frente a 32. O que a estatística não mostra é que foi um jogo de tirar o fôlego em todos os sentidos. Na qualidade técnica, nas opções táticas, no empenho físico e, o mais saboroso, na emoção constante. O melhor dos 47 duelos entre eles, sem dúvida.

Coisas bem curiosas aconteceram o tempo todo. Djokovic esteve muito perto da quebra no primeiro set, mas quem deveria ter levado o tiebreak foi o suíço, com sucessivas vantagens de 2-0 e 4-3, depois um set-point a favor onde, incrível, faltou-lhe iniciativa. O sérvio de novo pressionou no segundo set, poderia ter disparado se houvesse aproveitado o break-point logo no primeiro game e mais tarde no 5/5. Federer no entanto sempre jogou com coragem. Bem diferente de Cincinnati, o saque fez seu papel. A única quebra do jogo veio num 12º game de aplicação notável do suíço na devolução.

Nada melhor para quem gosta de um tênis muito bem jogado do que um terceiro set. Não faltaram jamais pernas ou motivação para os dois. Disputa milimétrica, Federer sempre escapando de situações delicadas, enfim batendo firme o backhand nas paralelas, exigindo tudo da solidez do adversário. Nole também aplicado no saque, o tempo todo centrado em fazer o suíço golpear em movimento. Interessante observar que no quarto, sexto e oitavo games, Federer sempre abriu a devolução com 0-15 antes de encarar a frieza do sérvio.

O vencedor foi definido no começo do tiebreak do terceiro set, em que Federer cometeu dois erros lamentáveis, incluindo uma dupla falta. Djokovic não lhe deu a menor chance de reação e comemorou sua segunda grande vitória da temporada, no nível de exigência e emoção daquela semi de Wimbledon contra Rafa Nadal, porém tecnicamente superior.

Buscará o quinto título da temporada no curto período de quatro meses, uma lista que já inclui dois Grand Slam e dois Masters. O adversário Karen Khachanov precisa ser respeitado, porque vive também um momento mágico. Já tirou três top 10 em Paris e deu uma aula de eficiência e variação tática em cima de Dominic Thiem. Um eventual título do russo lhe dará três prêmios: o maior troféu, o 11º lugar do ranking e a chance de ir ao Finals de Londres como reserva.