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Guardando forças
Por José Nilton Dalcim
29 de outubro de 2017 às 22:00

Roger Federer desistiu de brigar pelo número 1 do ranking. E a culpa foi apenas sua. Gastou energia desnecessária nas quartas de final contra Adrian Mannarino e não aproveitou as chances para simplificar o duelo contra Juan Martin del Potro na decisão deste domingo. Com o esforço, o suíço abdicou de Paris, embora já estivesse na chave. Rafael Nadal só precisa de uma vitória em Bercy ou Londres para comemorar sua quarta temporada encerrada como líder.

Claro que a decisão de Federer frustra quem esperava um Masters parisiense cheio de emoção. Porém é justificável que ele guarde forças para seu outro grande objetivo do segundo semestre, que é voltar a vencer no Finals. Seis vezes campeão do torneio que encerra o ano e certamente é o mais significativo depois dos Grand Slam, ele amarga jejum de conquistas desde 2011, tendo perdido três finais para Novak Djokovic (2012, 2014 e 2015).

O duelo contra Del Potro foi digno. Dois tenistas muito agressivos, com saque afiado, forehands forçados. O argentino veio muito à rede e voltou a soltar o backhand, como havia feito no US Open e em Xangai, porém pela segunda vez seguida ganhou o primeiro set e não segurou o ritmo. O suíço teve a primeira série na mão, com 5/4 e saque, e talvez Paris não fosse cancelado caso tivesse obtido uma vitória mais simples.

Federer em números
– Tem agora tem ao menos sete títulos em cinco torneios diferentes: 9 em Halle, 8 em Wimbledon e Basileia, 7 em Cincinnati e Dubai.
– Atinge 95 troféus, fica a 14 do recordista Connors. Será que dá? Dos tenistas em atividade, está 20 acima de Nadal.
– Com a vitória de sábado sobre Goffin por 6/1 e 6/2, chega a 11 em 12 possíveis contra adversários top 10 na temporada. Foi também a de placar mais elástico sobre um top 10 desde Murray no Finals de 2014, por 6/0 e 6/1.
– Tem notáveis 49 vitórias e apenas quatro derrotas em 2017, ou seja 92,4% de aproveitamento. Os sete títulos são melhor coleção desde os oito de 2007.
– Com o prêmio de 395 mil euros, deverá recuperar o posto de tenista com maior faturamento bruto de todos os tempos, chegando a US$ 109.847.000, cerca de US$ 40 mil acima de Djokovic.

O Finals
As duas vagas restantes serão definidas em Paris. Matematicamente, 12 jogadores têm chance de ir ao Finals de Londres, porém Bautista, Isner, Ramos, Sock e Schwartzman necessitam ser campeões, enquanto Pouille, no mínimo finalista.

A disputa parece portanto concentrada entre Goffin, Carreño, Querrey, Anderson, Del Potro e Tsonga. O belga está muito perto e só correrá risco se perder na estreia. O espanhol sofre ameaça maior, já que Querrey está apenas 80 pontos atrás, Anderson e Delpo a cerca de 190 e Tsonga, a 295.

Assim, fica a expectativa de grandes duelos na terceira rodada, que pode ter Carreno x Querrey e Goffin x Tsonga. Delpo encara vida dura, com Zverev no caminho. Anderson se deu bem: pode cruzar com Thiem e depois Sock ou Pouille, que virou cabeça 17 e entrou no lugar de Federer.

Por falar em Pouille, o francês ganhou o duelo nacional contra Tsonga e ergueu o quarto e maior troféu da carreira em Viena. Com isso, é o único no ano a ter conquista em três pisos diferentes: saibro em Budapeste e grama em Stuttgart.

Nova Wozniacki
Jogando um tênis consistente ao longo de toda a temporada, Carol Wozniacki conseguiu mudar seu plano estratégico, foi ofensiva e bateu com sobras Venus Williams para enfim ganhar um WTA Finals. Um título um tanto inesperado, mas muito justo pelo que as oito participantes mostraram em Cingapura.

O interessante é que Wozniacki começará 2018 apenas 160 pontos atrás da número 1 Simona Halep e a 120 de Garbine Muguruza. Assim, ganha o direito de sonhar em retomar a ponta já no Australian Open caso faça uma grande campanha, embora Halep tenha perdido na estreia e não defenda pontos.

O tênis feminino encerra o ranking com quatro top 10 com 24 anos ou menos: Muguruza, Svitolina, Ostapenko e Garcia. E mais quatro com no máximo 25 anos na faixa das 20. Uma boa renovação.

Hora de decisões
Por José Nilton Dalcim
21 de outubro de 2017 às 23:48

A primeira grande semana da reta final de temporada começa neste domingo, e lá do outro lado do mundo. Cingapura reúne as oito mais bem pontuadas da temporada para definir não apenas a campeã das campeãs, mas também a liderança do ranking.

Apesar de que matematicamente sete das oito participantes possam sair do torneio com o número 1, a realidade é que a disputa está praticamente centrada entre a atual líder Simona Halep e a ex-ponteira Garbiñe Muguruza.

Todas as outras teriam de chegar no mínimo à final ou ser campeãs invictas, mas ao mesmo tempo torcer para que Halep e Muguruza não vençam jogos da fase preliminar ou até mesmo que sequer entrem em quadra! Sim, porque a WTA dá 125 pontos apenas pela participação da tenista em cada um dos três jogos classificatórios.

A distribuição dos grupos no sorteio foi curiosa. Muguruza ficou com as jogadoras mais agressivas – Karolina Pliskova, Venus Williams e Jelena Ostapenko – e Halep, numa chave um pouco mais conservadora, com Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Caroline Garcia, ainda que Svitolina goste de bater na bola mais do que as outras. Assim, há um equilíbrio saudável e dificilmente alguém poderá se queixar da velocidade do piso antes da semifinal.

O setor masculino também vive uma fase de definições. Roger Federer confirmou presença na Basileia, pegou uma boa chave e terá de ganhar os 500 pontos se ainda sonha com a luta contra Rafa Nadal pelo número 1. E não me venham dizer que ele não está interessado. Se a quadra não estiver tão lenta, não deve ter tanta dificuldade contra Tiafoe, Johnson ou Mannarino, nem mesmo Sock ou Goffin. O lado inferior tem Delpo e Cilic.

Del Potro aliás está numa incrível corrida por fora para retornar ao top 10 e quem sabe até ir a Londres. Se repetir o título em Estocolmo neste domingo, estará em 14º na temporada e a 470 pontos de Pablo Carreño. Como o argentino entrou em Paris, há uma chance. O Finals  agradeceria.

Viena reúne outra legião dos que ainda sonham com as duas vagas restantes. Além de Carreño, é uma cartada decisiva para Querrey e Anderson. Não vamos no entanto esquecer que Paris dá 1.000 pontos ao campeão e 600 ao vice, com uma possibilidade nada desprezível de não ter Nadal nem Federer. Isso daria esperança até a Tsonga, Bautista e Isner.

Vale tudo
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2017 às 12:45

Pela quarta vez na temporada em que dominam o circuito, Rafael Nadal e Roger Federer vão para o confronto direto. O espanhol tinha favoritismo na Austrália, mas perdeu tal regalia em Indian Wells e Miami. Não parou de evoluir e desta vez se torna o maior candidato ao título de Xangai. Tudo é claro na mais pura teoria. Entre esses dois, previsão vale pouco. Os dois não se enfrentavam na condição de 1 e 2 do ranking desde novembro de 2010.

Nadal chega a sua terceira final consecutiva depois de duas partidas bem exigentes. Na sexta-feira, Grigor Dimitrov jogou melhor do em Pequim ajudado pelo piso mais veloz, mas viu um andamento muito parecido e um adversário firme nas devoluções e trocas.

Depois, o espanhol encarou um Marin Cilic de altos e baixos, que mesclou grandes momentos com quedas de intensidade. O croata teve chance essencial para fechar o primeiro set, porém o espanhol voltou a mostrar confiança e grande postura emocional. Poderia ter vencido mais facilmente se não tivesse permitido a quebra no 5/4. De qualquer forma, foi um excelente teste diante de um Cilic que desceu o braço o tempo todo.

Federer por sua vez deve ter se surpreendido com Juan Martin del Potro porque o argentino jamais demonstrou problema no punho esquerdo. Muito ao contrário, soltou o backhand batido como há muito não se via e praticamente não deu slices na partida. O argentino foi primoroso até sofrer a quebra na metade do segundo set e, contrariado com o público, baixou enfim a intensidade.

Na véspera contra Richard Gasquet, o suíço já tinha se mostrado mais sólido na base, num jogo de excelentes trocas de bolas forçadas. Diante de Delpo, também evitou slices e tentou manter ritmo forte, porém muitas vezes exagerou ao mudar muito antes do recomendado para o forehand de Del Potro. De qualquer forma, fez um terceiro set muito bom, solto, sacando bem e variando com voleios e deixadas.

A decisão, às 6h30 deste domingo, tem o backhand como elemento a ser observado. Federer usou o antigo ponto frágil com maestria nas vitórias de 2017, mas depois viu o golpe perder eficiência. Contra Delpo, esteve muito firme. Nadal por seu lado vem trabalhando no backhand e a melhoria é evidente. Sem necessidade de proteger tanto o lado direito, tem se mostrado muito solto.

O espanhol está em momento iluminado, no ponto máximo de sua confiança e preparo físico. Para equilibrar o jogo, Federer precisará usar todos os recursos de uma quadra rápida e sacar muito bem. O suíço tem devolvido a contento em Xangai e essa primeira bola em cima do adversário pode abrir caminho para definir rapidamente os pontos.

O duelo tem, é claro, todos os ingredientes para um grande cardápio. Ainda há uma disputa direta entre eles pela liderança do ranking e esta certamente é a última oportunidade para Federer se manter vivo. Além disso, a série de quatro vitórias consecutivas sobre o maior rival me parece ser motivação. Para os dois.