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Sonho aumenta para Nadal e Djokovic
Por José Nilton Dalcim
11 de julho de 2018 às 20:30

Rafael Nadal fez uma desgastante e espetacular partida, Novak Djokovic mostrou muito de seu melhor jogo com enorme vontade de vencer e ambos não têm mais a ameaçadora companhia do octacampeão Roger Federer, derrotado inesperadamente depois de ganhar os dois primeiros sets. O destino quis que Rafa e Nole se cruzem antecipadamente na semifinal de sexta-feira e só um deles poderá chegar no domingo com a esperança de recuperar o troféu mais valioso do tênis.

Federer outra vez mostrou aquela perda de intensidade gradativa que vimos em Halle, mas ainda assim chegou a um match-point no finalzinho do terceiro set. Kevin Anderson foi frio. Sacou firme, bateu a segunda bola de forehand, seu feijão-com-arroz, e esticou a partida por mais duas horas. Deu-se a chance de ganhar. Salvou todos os seis break-points que encarou ao longo da virada. Manteve média de velocidade do primeiro saque em 202 km/h.

O próprio suíço definiu bem a situação. Mostrou-se surpreso com a solidez de Anderson no plano técnico e tático: “Não consegui mais surpreendê-lo depois do primeiro set, e isso é um sentimento ruim”. O arsenal do sul-africano é vasto, porém o notável esteve mesmo na postura serena e determinada que manteve o quinto set vivo, diante do apoio claro do público ao adversário. Num único ponto, forçou três forehands profundos no contrapé do suíço.

Um duelo tão tenso e importante de 4h14 costuma ir para o lado do mais experiente. Anderson não quis saber disso. E não pensem que ele está satisfeito. Já avisou que a comemoração será breve, porque ele tem ainda “um ou dois jogos” a fazer neste Wimbledon.

Seu adversário será o super-sacador John Isner, que perdeu o primeiro set porém viu Milos Raonic ser atendido duas vezes pelo fisioterapeuta e, pouco a pouco, cometer erros sucessivos com a dificuldade de se agachar para os voleios. Um jogo de 32 games em que o maior rali foi de 10 trocas. Aos 33 anos, um a mais que Anderson, o norte-americano faz sua primeira semi de Grand Slam e tem vantagem de 8 vitórias a 3, cinco seguidas, sobre o sul-africano.

O 52º confronto
Duelo que mais se repete na história do tênis profissional, Nadal e Djokovic voltam a se cruzar num Grand Slam após três temporadas. A situação de momento é bem oposta às quartas de Paris de 2015, quando Nole voava em quadra e o espanhol vivia uma de suas piores fases.

Rafa fez uma exibição notável diante de Juan Martin del Potro, 4h47 de qualidade e tensão, para marcar sua primeira grande campanha em Wimbledon em sete anos, período em que amargou terríveis derrotas contra adversários que nem era top 100. É uma resposta e tanto. Claro que ele poderia ter simplificado as coisas caso tivesse aproveitado o set-point no tiebreak do segundo set, que jogou fora com dupla falta.

Delpo ficou animado, chegou a liderar por 2 sets a 1 e, apesar de levar quebras precoces nos dois últimos sets, não largou o osso até o último ponto. Na verdade, desperdiçou chances de ouro para recuperar-se e aumentar o drama. Nadal criou alternativas. Abusou das deixadinhas, subiu 47 vezes à rede, aumentou índice de primeiro saque para 75%. “Às vezes, você joga o seu melhor e ainda não é o suficiente para vencê-lo”, definiu com maestria o argentino.

O líder do ranking deve encarar um energizado Djokovic na sexta-feira. O sérvio está com uma vontade de leão, esbravejando, cobrando-se e buscando motivação o tempo inteiro. Discute com juiz, fala com o público, solta berros, pede ajuda aos céus. Claro que excesso de ansiedade também atrapalha, mas o sérvio tem experiência de sobra para dosar isso. Foi o que fez diante de Kei Nishikori, que deu trabalho quando resolveu arriscar mais no segundo  set.

Talvez tenha pesado sobre Nole o fato de vir de três derrotas seguidas em quartas de Grand Slam. Agora, livre do pequeno pesadelo, nenhum sinal de limitações físicas e cinco jogos pouco exigentes, quem sabe o velho Djokovic de 2014 e 2015 reapareça na Central.

Expectativa
– Serena Williams não perde em Wimbledon desde 2014, já é a atual bicampeã e não disputou o torneio no ano passado. Venceu Julia Goerges, alemã de 29 anos e 14ª do ranking, três vezes mas duas no saibro.
– Goerges pode garantir a primeira final feminina totalmente germânica no torneio desde 1931, caso enfrente Angelique Kerber, ou a primeira entre duas jogadoras que jamais decidiram em Londres desde 1977, se der Jelena Ostapenko.
– Serena x Kerber foi a final de Wimbledon de 2016, que marcou o sétimo troféu da norte-americana e vingou a derrota sofrida seis meses antes na Austrália. Campeã também do US Open daquele ano, Kerber tenta quarta final de Slam.
– Ostapenko tem uma estatística notável até aqui: 21% de seus pontos no torneio foram através de winners, sendo 52% de backhand. Ela e Kerber nunca se enfrentaram.

A chave para o sucesso
Por José Nilton Dalcim
10 de julho de 2018 às 20:48

Quartas de final masculinas colocam em quadra os três maiores tenistas do milênio, favoritos naturais num piso que privilegia tanto a experiência. Dá para surpreender? Vamos a um resumo do que se pode esperar desta quarta-feira em Wimbledon:

– Federer x Anderson
Mais um recorde ao alcance do suíço, que pode atingir 35 sets de invencibilidade rumo à 13ª semi em Wimbledon. Mas será que isso realmente importa para Federer? Duvido. Sua preocupação principal deverá ser o primeiro saque.

Anderson nunca tirou um set dele, mas tem um arsenal respeitável: ótimo serviço, base sólida, capacidade de ir à rede e trabalho de pés bom demais para quem mede 2,03m. O octacampeão anda econômico nos voleios, mas acredito que desta vez veremos bem mais. Palpite: Federer em três sets.

– Nadal x Del Potro
Delpo já deu a dica: se quiser ser competitivo contra Nadal, terá de ir mais vezes à rede, fazer de tudo para manter os games de serviço, usar obviamente o máximo do magnífico forehand e bater muito mais do que dar slices de backhand. Receita difícil, mas o argentino é competente.

A preocupar, o discurso de sempre: se sente cansado, tem feito recuperação física diária etc e tal. É bom lembrar que, semanas atrás em Paris, o canhoto espanhol atropelou. Nadal aliás tem se mostrado muito forte nas devoluções em Wimbledon também. Uma boa aposta: 3 a 0 para Rafa.

– Djokovic x Nishikori
Sérvio faz quase tudo melhor que o japonês, talvez com exceção ao forehand, coisa pequena. Os 13-2 no duelo direto explicam bem. Na grama, importam muito o saque e a devolução, e aí a distância fica maior. Não é à toa que Nole já venceu Wimbledon três vezes.

Nishikori para variar já mostrou problemas físicos, com dores no ombro direito, o que complica ainda mais a velocidade do primeiro saque. Sua maior chance seria uma tática de muito risco, o que incluiria até deixadinhas e voleios. Sou mais Djokovic, 3 a 0.

– Isner x Raonic
Para compensar, um jogo imprevisível. Tenderia a apostar em Raonic, que tem experiência maior em rodadas importantes de Slam e adora a grama, tendo feito boas partidas até aqui com muita subida à rede. Mas não me convenceu nos dois últimos jogos que fez.

Isner ganhou três dos quatro duelos. Observem: dos nove sets disputados entre eles, sete terminaram no tiebreak, com 4 a 3 para o americano. Deve ser novamente a tônica e só por isso eu vou de Isner, em quatro sets.

Rumo ao título
– Serena x Goerges
A multicampeã levou um susto, Camila Giorgi se manteve firme até o fim e exigiu que Serena Williams usasse todas suas armas para retornar à semi de Wimbledon e ficar a dois passos do 24º Grand Slam.

Mas não pensem que será fácil. A também veterana Julia Goerges é quem mais acertou aces no torneio até agora – 44, cinco a mais que a própria Serena – e já avisou: vai de franca atiradora na quinta-feira. Goerges derrotou a amiga pessoal Kiki Bertens de virada e faz sua primeira semi de Slam na mesma temporada em que atingiu um inédito top 10. Como se vê, 29 anos não são empecilhos.

– Kerber x Ostapenko
Que belo jogo fizeram Kerber e Kasatkina, pena que terminou em dois sets. A alemã usou a tão importante experiência e seu fabuloso poder de defesa para cobrir toda a quadra, lutando ferozmente pela vitória. A russa, 21 anos, tem muita mão e isso por vezes atrapalha a aplicação tática.

Kerber se prepare para correr mais ainda na semi diante de Ostapenko, autêntico duelo de ataque-defesa, inédito no circuito. A letã disparou 33 winners em cima de Cibulkova e não perdeu sets no torneio. Parece estar naquele estado de graça que a levou ao título de Paris no ano passado.

Cenas do 9º dia
– Dura derrota para Bruno Soares e Jamie Murray. Jogo disputado game a game, quatro horas de esforço, cinco sets em plena Central, que precisou ligar luzes e fechar teto para que o jogo terminasse hoje.
– Aos 40 anos, Mike Bryan atingiu a semi de Wimbledon ao lado de Jack Sock e voltará à liderança do ranking de duplas na segunda-feira. Contundido, o irmão Bob festejou lá de casa.
– Andy Murray comentará a rodada na BBC ao lado de Tim Henman. E acredita que Djokovic pode conquistar o título em cima de Nadal e Federer.
– Serena mostrou toda sua simpatia na saída da Central, ao ajudar um fã a manusear o celular e ela própria tirou a selfie desejada.

‘Big 3’ está de volta
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2018 às 20:49

Mais de três anos depois, os maiores tenistas deste milênio estão novamente nas quartas de final de um Grand Slam. Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic tiveram partidas bem tranquilas e repetem o que não acontecia desde Roland Garros de 2015. Curiosamente, naquela ocasião, apenas o sérvio chegou na semi, mas o título acabou nas mãos de Stan Wawrinka.

O ‘Big 3’ soma 49 títulos de Grand Slam e desde aquele Paris venceu 10 dos 12 campeonatos disputados, com exceção de Wawrinka no US Open e de Andy Murray em Wimbledon, ambos em 2016. Como todos sabem, suíço e espanhol dividem os seis mais recentes Slam.

Qual a chance de não termos o ‘Big 3’ na semifinal de sexta-feira? Pequena, a meu ver, embora ainda não saibamos o adversário de Nadal. O suíço encara o conhecido Kevin Anderson, um respeitável adversário que saca muito, voleia bem e bate bem de fundo, porém não tem currículo na grama.

Djokovic vai pegar o ‘freguês’ Kei Nishikori para uma batalha de fundo de quadra. Vale observar que Nishikori já sente dores no ombro direito. Nadal está com um repertório vistoso e não acredito que Juan Martin del Potro muito menos Gilles Simon tenham golpes ou pernas para barrá-lo. Delpo não fechou o jogo em três sets e corre risco na retomada porque já pediu atendimento e o francês é muito competitivo.

O lado de cima de chave reúne grandes sacadores e adeptos de um tênis agressivo. Se Federer passar, vai encarar os ‘aces’ de Milos Raonic ou John Isner. O canadense voleia bem e já venceu o suíço em Wimbledon rumo à final de 2016. Já a parte inferior só vê típicos jogadores de base, ainda que Delpo seja melhor sacador do que todos os demais.

Então o desenho está traçado para a mais deliciosa batalha que o tênis masculino pode almejar: ataque contra defesa. Na grama então, a expectativa é de show.

Novidades nas meninas
Semifinal de Wimbledon será uma novidade para todas no feminino, menos Serena Williams e Angelique Kerber. Algumas têm experiências importantes em Grand Slam, como é o caso da campeã de Paris Jelena Ostapenko e a vice da Austrália Dominika Cibulkova. As duas se cruzam nesta terça-feira e única referência são as duas vitórias da eslovaca nos duelos diretos.

Talvez a grande surpresa agora seja a bela italiana Camila Giorci, 52ª do ranking e primeira presença em quartas de Slam. Tem um estilo muito agressivo, o que é essencial para tentar encurralar Serena. Mas o controle emocional não é seu forte.

Kiki Bertens já fez uma semi em Roland Garros, com escassos resultados expressivos em pisos mais velozes, o que parece agradar bem mais Julia Goerges, que nunca havia sequer atingido as oitavas de um Slam e vinha de uma sequência incrível de cinco derrotas na estreia de Wimbledon.

Assim, uma nova final entre Serena e Kerber é a melhor aposta do momento. A canhota alemã, finalista de 2016 quando perdeu justamente para Williams, tem tido altos e baixos ao longo do torneio, porém experiência é algo essencial e isso ainda falta à jovem russa Kasatkina.

Bruno na Central
Parceiro de um dos grandes nomes da casa, Bruno Soares terá a honra de disputar as quartas de final de duplas na Quadra Central nesta terça-feira. É um momento duplamente especial, porque o mineiro também busca sua primeira semi em Wimbledon. O escocês Jamie Murray já fez final, em 2015, e certamente deve ter um sonho especial ali. Os adversários merecem cuidado: os experientes Raven Klaasen e Michael Venus.

Cenas das oitavas
– Federer pela primeira vez encarou break-points em Wimbledon, mas manteve o serviço pela 81ª vez consecutiva. O recorde está distante: 114 de Sampras.
– Anderson enfim ganhou de Monfils num jogo decidido nos mínimos detalhes. Subiu 61 vezes à rede e ganhou 42 pontos.
– Raonic disparou mais 37 aces contra a surpresa McDonald e não cedeu um único break-point na partida.
– Isner faz primeira quartas em Wimbledon em 10 participações, mas curiosamente só fez cinco tiebreaks, tendo perdido dois.
– Nadal cedeu uma quebra, mas perdeu apenas 11 pontos com o primeiro serviço diante de Vesely.
– Sete duplas faltas parecem indicar que Nishikori realmente sentiu o ombro. Sua média de primeiro saque foi de 175 km/h.
– Djokovic colocou 71% do primeiro saque em quadra, com apenas dois aces. Dá para melhorar muito.
– A chance matemática de o tênis feminino ter a oitava diferente campeã de Grand Slam seguida é grande, mas terá de haver uma considerável surpresa. Kerber, Serena e Ostapenko justamente iniciam essa série, que depois teve Muguruza, Stephens, Wozniacki e Halep. Será?