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O tenista perfeito
Por José Nilton Dalcim
6 de fevereiro de 2019 às 18:15

Provavelmente, vocês viram o perfil do ‘tenista perfeito’ da atualidade que o próprio Roger Federer traçou durante entrevista ao jornal australiano Herald Sun.

Para quem não leu, a seleção de Federer foi:
Melhor primeiro saque: Karlovic ou Isner
Melhor segundo saque: Isner
Melhor voleio: Rafa
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: Nadal
Melhor smash: preferiu não responder

Sei logo de cara que existem itens controversos. Faço aqui minha lista e quero ouvir a de vocês:
Melhor primeiro saque: Karlovic
Melhor segundo saque: Isner
Melhor voleio: Federer
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: Del Potro
Melhor smash: Nadal
E acrescento:
Melhor devolução: Djokovic
Melhor jogo de pernas: Nadal
Melhor contragolpe: Djokovic
Melhor ‘mão’: Federer

E como é bem provável que me perguntem, vai também o meu ‘tenista perfeito’ da Era Profissional:
Melhor primeiro saque: Karlovic
Melhor segundo saque: Sampras
Melhor voleio: Becker
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: González
Melhor smash: Sampras
Melhor devolução: Djokovic
Melhor jogo de pernas: Nadal
Melhor contragolpe: Djokovic
Melhor ‘mão’: Federer

Passando a régua em 2018
Por José Nilton Dalcim
11 de dezembro de 2018 às 23:00

A ATP divulgou dados bem curiosos sobre a temporada 2018 numa série de estatísticas. Resolvi reunir por tema e destacar as mais valiosas. Vejamos:

Títulos
– Foram disputados 66 torneios de primeira linha, sendo 36 na quadra dura, 22 no saibro e 8 na grama.
– A temporada viu 38 campeões diferentes, O cabeça 1 ganhou 17 vezes, o 2 faturou 9.
– Não cabeças venceram 23 (além de fazer 14 finais), muito superior a 2017 (14 títulos e mais 22 finais).
– Nadal foi quem mais venceu, com 5; seguido por Djokovic e Federer, com 4.
– Ninguém levou em três pisos diferentes e nenhum teve múltiplos troféus em duas superfícies distintas.
– A Espanha ganhou 9 ATPs em 12 finais, seguida por Itália e Rússia (ambas de 6 em 7). A França fez 15 finais, mas faturou 5.
– Surgiram 13 campeões inéditos de ATP

Idade
– A mais jovem final envolveu Daniil Medvedev (21) e Alex de Minaur (18), em Sydney.
– A mais velha decisão foi com Djokovic (31) e Federer (37), em Cincinnati.
– Oito finais foram totalmente dominados por ‘trintões’, sendo duas de Slam (Wimbledon e US Open) e uma de Masters (Cincinnati).
– Os mais jovens campeões inéditos do ano foram Stefanos Tsitsipas e Frances Tiafoe, de 20, e o mais velho Mischa Zverev, aos 30.
– No total, 14 títulos ficaram com tenistas com menos de 23 anos (Tiafoe, Tsitsipas, Zverev, Coric, Khachanov, Medvedev, Berretini e Kyrgios).
– O mais velho a ganhar título foi Federer, aos 37 e 2 meses. Depois, vieram Simon e Isner, aos 33.

Ranking
– Apenas oito finais em toda a temporada reuniram jogadores do top 10, sendo três de Grand Slam: Austrália com Federer e Cilic, Paris com Nadal e Thiem e US Open com Djokovic e Del Potro. Outras três acontecem em Masters (Indian Wells, Madri e Cincinnati).
– Por outro lado, 18 vencedores figuravam fora do top 50, com destaque para Pablo Andujar (355 em Marrakech), Yoshihito Nishioka (171º e saído do quali em Shenzhen) e Mirza Basic (outro quali e 129º em Sofia).
– Entre os que terminaram no top 50, De Minaur deu o maior salto: 175 posições, saindo de 208 e parando no 33º posto. Klizan subiu 100 e Cecchinato, 90 (110 para 20).
– Na faixa dos top 100, o francês Ugo Humbert subiu 276 (terminou 98º).

Qualis
– Três tenistas ‘furaram’ oito qualis no total: Ivashka, Kudla e Klizan (que ganhou Kitzbuhel).
– Medvedev foi ainda mais longe e ganhou dois ATPs saindo do quali (Sydney e Tóquio).
– Carballes, Basic, Basilashvili, Tomic e Nishioka também foram campeões saindo do quali.
– Cecchinato ganhou Budapeste saindo de lucky-loser.

Grandes marcas
– Federer conquista Austrália pelo segundo ano seguido e atinge o 20º Slam da carreira.
– Ao ganhar Roterdã, Federer se tornou o tenista de mais idade a liderar o ranking, aos 36 anos e 6 meses.
– Nadal somou 11 troféus em Monte Carlo, Barcelona e Roland Garros, marcas únicas na história.
– Durante Paris, Rafa somou a vitória de número 900 da carreira.
– Em Queen’s, Djokovic comemorou o 800º triunfo da carreira.
– MIke Bryan se tornou o mais velho a liderar o ranking de duplas com o título de Wimbledon, aos 40 anos e 78 dias.
– Depois de cinco tentativas frustradas, Djokovic enfim ganha Cincinnati e se torna único a erguer troféus em todos os Masters do atual calendário.
– Feli López ganhou a condição de tenista com mais Slam consecutivos disputados na Era Aberta, com 67.
– MIke Bryan chega ao 18º Slam de duplas no US Open.
– Isner se tornou quarto tenista desde 1991 a atingir a marca de 10 mil aces, repetindo Karlovic, Federer e Ivanisevic.

Façanhas
– Sete campeões não perderam sets na semana. Curiosamnte, cinco foram no saibro e dois couberam a Nadal (Monte Carlo e Barcelona). Destaque para Medvedev, que venceu seus 12 sets em Winston-Salem.
– Oito tenistas ganharam títulos após salvar match points. Tomic evitou cinco no total (sendo quatro na final) em Chengdu e Delpo salvou três na decisão contra Federer em Indian Wells.
– Djokovic teve maior sequência de vitórias, com 22.
– Federer fez as duas finais mais longas da temporada tanto em tempo como em games (Austrália e Indian Wells), mas também a mais curta em tempo (Roterdã).
– Djokovic (em Xangai) e Zverev (em Madri) ganharam títulos sem perder serviço (alemão só encarou um break-point).
– Federer foi também que mais disputou finais (7), seguido por Djokovic e Delpo (6).
– Djokovic derrotou 11 adversários top 10. Liderou também vitórias em Slam (21, com Nadal) e em Masters (24, com Zverev).
– Anderson foi quem mais venceu sets decisivos: 21 em 28, mas Zverev liderou no quinto set (5 em 7).
– Isner (1.213) e Anderson (1.082) superaram a casa dos mil aces em 2018. Média de Isner foi de 22,5 por jogo.
– Quatro top 50 terminaram com 90% ou mais de serviços vencidos: Isner, Raonic, Federer e Kyrgios.
– Nadal e Johnson salvaram 70% dos break-points e o espanhol atingiu 37% de serviços de devolução vencidos.

Djokovic e Federer ensaiam a esperada final
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2018 às 21:04

O melhor tênis de Novak Djokovic reapareceu na hora exata. Numa apresentação bem perto do impecável, o número 1 do mundo manteve a invencibilidade no Finals e reafirmou o favoritismo para o título ao superar um Marin Cilic bem disposto e com nada a perder na última partida da fase classificatória do torneio.

Nole só não devolveu mesmo quando foi impossível antecipar o bombástico saque de Cilic, que escapou de um break-point no set inicial e permitiu uma única vantagem ao adversário no finalzinho do tiebreak. Sólido na base, ofensivo com suas bolas profundas e com a excepcional qualidade para criar ângulos, Djokovic também sacou muito bem e fez um segundo set primoroso.

Virá então o reencontro com Kevin Anderson na semifinal e, em que pese o sul-africano viver um grande momento na carreira, deverá influenciar muito o amargo placar de 7 a 1 em favor de Djokovic, que só perdeu em março de 2008. Dez anos depois, eles se cruzaram na final de Wimbledon e nas quartas de Xangai, e Anderson nem tirou sets.

Claro que Djokovic não irá substimá-lo. É muito provável que utilize a mesma postura tática que adotou contra Cilic, ou seja, fazer a bola voltar, investir no backhand menos confiável e só ir para o forehand quando o grandão estiver em movimento. A Anderson só cabe atacar o tempo todo, principalmente com o saque. Terá de correr riscos se quiser equilibrar, e isso inclui necessariamente transição mais constante para a rede.

Minha aposta: Djokovic em 2 sets, com um tiebreak.

Amigos, amigos, negócios à parte
Apesar dos 16 anos que os separam, Federer e Zverev já se cruzaram oficialmente cinco vezes e o suíço tem apertados 3 a 2  – houve outra na Copa Hopman, um jogaço aliás, que o alemão venceu. No problemático ano de 2016, Federer ganhou em Roma e perdeu em Halle. Em sua grande fase de 2017, suíço levou em Halle e no Finals, mas caiu em Toronto.

Zverev tem um excepcional backhand e saca muito bem, abrindo alguns buracos quando precisa defender com o forehand e se compromete principalmente nas bolas baixas e mais curtas. Provavelmente, serão as duas coisas em que Federer irá investir, ainda mais na quadra mais lenta.

Sascha nunca escondeu sua grande admiração por Roger, dentro e fora das quadras, mas sobrou algum incômodo hoje, quando ele rebateu declaração do suíço, que o criticou indiretamente pela queixa excessiva e redundante do calendário.

Pouco antes, Zverev fez seu melhor jogo da semana diante de John Isner, com destaque não apenas para sua boa devolução e oportunos contragolpes, mas principalmente por ter lidado muito bem com a pressão da vitória, única forma de garantir a inédita semifinal. Muito bom ter um representação da nova geração na fase decisiva do Finals.

Minha aposta: Federer em 3 sets, com até dois tiebreaks.

Bruno tenta final inédita
Únicos invictos nas duplas, o mineiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray terão que passar pela parceria norte-americana de Mike Bryan e Jack Sock, atuais campeões de Wimbledon e do US Open, se quiserem enfim disputar a primeira decisão na arena O2. É a quarta tentativa do mineiro.

Soares e Murray fizeram uma fase classificatória de alta qualidade e confiança. O trabalho de rede muito firme e algumas devoluções excelentes do brasileiro. Tomara mesmo que Sock jogue no nível desta sexta-feira, em que foi muito irregular e por vezes displicente.

A outra semi reúne os franceses Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, outros campeões de Slam na temporada, contra os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, dupla muito bem introsada mas que continua à procura de seu primeiro grande título no circuito (até aqui, só venceram um Masters, em Roma deste ano).

Minha torcida: vitórias de Soares/Murray e de Cabal/Farah.