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Cabeça no lugar
Por José Nilton Dalcim
19 de janeiro de 2018 às 10:43

Como derrotar um adversário experiente e de enorme potência, que acerta 69% do primeiro saque e dispara 28 aces e outros 42 winners em quatro sets? Esse foi o tamanho do desafio que Nick Kyrgios encarou para ir pela segunda vez na carreira às oitavas de final do Australian Open.

Para complicar ainda mais, Kyrgios jamais havia vencido uma partida na arena Rod Laver, daí sempre pedir para jogar fora de lá. Encarou todos esses desafios com conduta quase exemplar. Fez cara feia, reclamou de si mesmo aqui ou ali, mostrou frustração porém jamais saiu dos trilhos e ganhou com margens mínimas todos os três tiebreaks em cima de Jo-Wilfried Tsonga, um de seus espelhos de infância.

Com grande saque – também fez 28 aces – e um tênis muito consistente da base, Kyrgios vem tendo provações em 2018. No título em Brisbane, alcançou três viradas. Uma delas aliás foi justamente sobre Grigor Dimitrov, seu perigosíssimo adversário de domingo.

O búlgaro fez seu melhor jogo da semana e se vingou do garoto Andrey Rublev, para quem havia perdido no US Open. Ainda demonstra instabilidade, tendo perdido quatro serviços e ganhado apenas 38% dos lances com o segundo saque nesta madrugada, mas compensou com a agressividade de 45 winners. Arriscaria a dizer que Kyrgios é o favorito. O vencedor estará com grandes chances de fazer semi, já que enfrentará Kyle Edmund ou Andreas Seppi.

Quem também está com a cabeça no lugar é Rafa Nadal. Adotou novamente um estilo sufocante para inibir qualquer aventura do bósnio Damir Dzumhur e fez o que quis diante de um serviço muito débil do adversário, que gera velocidades de primeiro e segundo saques inferiores até a Karolina Pliskova.

A caminhada na chave tem sido seguida com competência pelo número 1, economizando esforços e afiando seus golpes para rodadas mais exigentes. Agora vem o baixinho Diego Schwzrtzman, que provavelmente vai alongar os ralis e bater mais, porém não dá para imaginar um risco real se Rafa mantiver o nível apresentado até aqui.

Talvez só mesmo Marin Cilic, como se previu desde o sorteio, tenha golpes para machucá-lo. O croata como sempre está fora dos holofotes, tendo perdido um set para Vasek Pospisil e depois passado por João Sousa e Ryan Harrison, o que não é lá um currículo admirável. Mas numa quadra tão veloz, exige respeito. Um bom teste para ver suas chances contra Nadal certamente será o duelo diante de Pablo Carreño, que saca bem mas ficará no fundo fazendo o croata correr.

A rodada feminina só teve graça no período noturno local. A garota Marta Kostyuk não teve qualquer chance diante de Elina Svitolina, ainda mais com o joelho avariado. Quem concorre para ser uma surpresa é Carla Suárez, que tem histórico em Melbourne e gosta das quadras duras. Para melhorar, se viu livre de Jelena Ostapenko, batida em três sets e 45 erros por Anett Kontaveit, que também joga na base do tudo ou nada. Depois, provavelmente virá Caroline Wozniacki. Duro, mas nada impossível.

Esquentou
Por José Nilton Dalcim
17 de janeiro de 2018 às 11:14

Para acompanhar o dia (e noite) de muito calor em Melbourne, a abertura da segunda rodada do Australian Open foi forrada de duelos longos e equilibrados. Enquanto Rafa Nadal teve um jogo exigente mas sem riscos, gente como Grigor Dimitrov, Jo-Wilfried Tsonga e Carol Wozniacki escaparam por muito pouco de derrota tão precoce.

O grande jogo e maior exibição da rodada coube a Tsonga, que precisou de toda sua experiência e categoria para superar Denis Shapovalov, vingando-se do US Open. Partida recheada de lances espetaculares, enorme empenho e emoção. Num duelo de 110 winners (apenas 20 de aces), placar de 60 a 50 para o garoto canadense, Shapovalov teve break-point para 4/0 no quinto set e mais tarde 5/3 e saque. Falhou, é verdade, porém dá gosto ver esse rapaz de 18 anos bater tanto na bola sem medo. Backhand causa inveja. E os voleios do francês? Show. Por que não vai mais constantemente para a rede?

A luta por vaga nas oitavas será entre Tsonga e Nick Kyrgios, outra promessa de jogão. O australiano vinha novamente muito firme contra Viktor Troicki até ‘viajar’ no final do terceiro set e permitir um tiebreak desnecessário. Ainda bem que houve tempo para finalizar a tarefa. O jogo foi cheio de distrações extra-quadra: o microfone do juiz que falhava e arrancava risos da plateia, um torcedor inoportuno, um helicóptero rasante, mas nada tirou Kyrgios do foco. Bom sinal. Ah, e quem vencer este duelo enfrentará Grigor Dimitrov ou Andrey Rublev. Que setor magnífico. Dimitrov se mostrou muito irregular diante de um Mackenzie McDonald determinado. Levou até ‘pneu’ e precisou de 8/6 no quinto.

Algo bem semelhante ao de Kyrgios se passou com Nadal. O espanhol também falhou ao ter o saque para fechar a partida contra o valente Leo Mayer, mas reagiu no tiebreak. O argentino, que havia tirado um set do espanhol no US Open, jogou com coragem. Disparou 15 aces e 48 winners nos três sets, mas também viu Rafa marcar 40 bolas perfeitas.

O grande mérito do cabeça 1 foi novamente o saque, com 73% acerto e 80% desses pontos vencidos, o que gera um volume de jogo sufocante para qualquer adversário. Agora terá pela frente o bom Damir Dzumhur, contra quem se retirou no terceiro set em Miami de 2016. O bósnio de 1,75m é 30º do ranking e se solta diante dos grandes.

Também houve emoções das boas na chave feminina, especialmente nas vitórias apertadas de Wozniacki e Elina Svitolina. A cabeça 2 salvou dois match-points e ganhou seis games seguidos no terceiro set a partir de 1/5 diante da pouco conhecida Jana Fett, enquanto a quarta do ranking virou a partida quando acabou o físico de Katerina Siniakova.

A menina Marta Kostyuk, 15 anos, ganhou até com joelho avariado e talvez não consiga pressionar Svitolina, mas mostrou graça e maturidade até na entrevista em quadra. Muito futuro. Destaque também para o jogo sólido e agressivo de Kateryna Bondarenko e a queda de Julia Goerges, de quem eu esperava mais na quadra veloz.

O momento mais inusitado e cômico veio na vitória da local Ashley Barty. Incomodado com o grunhido irritante da bielorrussa Aryna Sabalenka, o público começou a imitá-la durante as trocas de bola e exigiu que a juíza pedisse para os espectadores “não gritarem” durante o ponto. Sensacional.

La Ensaladera em mãos dignas
Por José Nilton Dalcim
27 de novembro de 2017 às 20:46

Apesar de todas as críticas que sofre, muitas delas justas, a Copa Davis continua a ser um grande espetáculo, especialmente nas rodadas finais. Nos últimos oito anos, o torneio por países viveu decisões eletrizantes em estádio hiperlotados, com muitas lágrimas de alegria e frustração. Como esquecer a conquista histórica da Sérvia em 2010, da Suíça em 2014 e das especulares e tensas partidas que deram títulos a britânicos e argentinos nas mais recentes edições?

David Goffin se encarregou de dar o tom de dramacidade que enriqueceu a conquista da favorita França no piso sintético e coberto de Lille, que recebeu uma considerável invasão da torcida belga. Vindo do vice em Londres, Goffin jogou muito nas duas simples e fez seu papel, mas a fragilidade da dupla, ainda que diante de um dueto francês improvisado, se provou novamente crucial.

Algumas coisas valem ser destacadas. Antes de tudo, o merecimento da França como força do tênis internacional. Um país que investe pesado na base, tem um vasto calendário amador e profissional, leva a sério a questão do doping, possui diversidade de pisos e portanto de estilos. O time de Yannick Noah pode jogar na grama, no saibro, quem sabe até no gelo sem perder muito de sua força. Tem duplistas excelentes, grandes sacadores, trocadores de bola. O capitão tem geralmente um delicioso problema: quem escalar.

Em segundo lugar, a geração de Jo-Wilfried Tsonga e Richard Gasquet levanta com justiça um troféu desse porte, já que os dois nunca conseguiram fazê-lo em nível Grand Slam. Pena que Gael Monfils não tenha participado de qualquer rodada em 2017 e assim não pôde também comemorar, distinção que coube a Gilles Simon, Jeremy Chardy e Julien Benneteau.

Por fim, os jogos deste fim de semana reafirmaram o momento de evolução técnica e amadurecimento por que passa Goffin e devem aumentar ainda mais sua confiança para 2018, assim como serviu para colocar à prova os nervos de Lucas Pouille, um jogador de grandes recursos ainda de 23 anos, que pode usar essa experiência para dar o salto que não conseguiu neste ano.

A França encerrou assim um jejum de 16 anos sem conquistar La Ensaladera, após três finais perdidas, e ocupa agora o terceiro lugar entre os países com maior quantidade de triunfos, igualando os 10 dos britânicos. A Bélgica, ainda grupo de um tenista só, amargou o terceiro vice, mas pode se espelhar na resiliência argentina e se manter motivada.

overgripDesafio do Ranking
Seis internautas conseguiram excelente pontuação na brincadeira do Blog que desafiou os internautas a cravar como terminaria o top 10 desta temporada. Todos eles fizeram 110 pontos, o que significa que acertaram nove dos 10 nomes. Um tremendo feito, especialmente porque a ascensão de Jack Sock era mesmo totalmente inesperada.

Como critério de desempate, chequei quem entre esses seis mais acertou em cheio as posições e aí Norbert Goldberg saiu vencedor porque colocou Nadal, Federer, Thiem, Cilic e Goffin em suas exatas colocações. Ele irá receber o kit com 12 unidades do Overgrip Pro Sensation da Wilson. Presentão!