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Especial 20 anos: Os maiores tenistas de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
21 de outubro de 2018 às 23:53

O Blog do Tênis encerra neste domingo a série de análises especiais que fez para comemorar os 20 anos do site TenisBrasil e, obviamente, deixou para o encerramento o sempre polêmico tema sobre quem seriam os melhores tenistas de todos os tempos.

Como sempre frisei, é difícil e muitas vezes injusto misturar as fases amadora e profissional, porém até mesmo comparar os 10 primeiros anos do tênis aberto com as temporadas seguintes é perigoso. Afinal, eventos como o Finals, os Masters e mais recentemente as Olimpíadas ganharam relevância que certamente favorece as gerações mais jovens.

Ainda assim, me arrisquei a listar os 20 melhores da história, procurando somente comparar jogadores que tenham vivido épocas próximas. À exceção de Laver, que teve passagem pelo tênis amador, o top 10 da minha lista é estritamente profissional.

Em todos os casos, valem estas importantes observações:
– Considero Djokovic muito perto de superar Nadal. Ainda que tenha menor quantidade de Slam, seu largo histórico no Finals e a soma superior de semanas na liderança são fortes indicadores. A favor de Nadal pesou um aspecto talvez subjetivo, porém para mim decisivo: o espanhol precisou de adaptação muito maior em seu estilo para ganhar fora do saibro.
– Os resultados da fase amadora são importantes, porém é preciso sempre ter em mente que os tenistas efetivamente melhores de cada época não competiam porque haviam se profissionalizado e eram impedidos de participar do circuito tradicional.
– Borg tem relevância não apenas pelas conquistas espetaculares e números expressivos em carreira táo curta, mas também por elevar o tênis a um outro patamar de popularidade.
– Alguns jogadores, como McEnroe e Edberg, tiveram avaliações valorizadas pelo excepcional desempenho em duplas.
– Um dos 10 Slam de Bill Tilden foi vencido quando o campeão de Wimbledon só disputava a final.
– Don Budge fechou Slam em 1938, mas sua grande fase nos torneios tradicionais se limitou a duas temporadas, uma vez que se profissionalizou em seguida.
– Na maioria dos casos, não são considerados apenas números de títulos ou posição de ranking, mas também a importância histórica.

Eis então meus 20 melhores tenistas de todos os tempos:

1. Roger Federer
Além da técnica e plasticidade incomparáveis, lidera por larga margem dois quesitos essenciais: quantidade de Slam e de semanas na liderança. A destacar as 10 finais e 23 semis seguidas de Slam.

2. Rafael Nadal
Introduziu uma forma de jogar completamente fora do padrão, domina o saibro e se adaptou de forma notável para ganhar fora dele. Seus recordes sobre o saibro dificilmente serão batidos.

3. Novak Djokovic
Possui dois feitos espetaculares – os quatro Slam ao mesmo tempo e a conquista de todos os Masters -, além do longo período como nº 1. De seus 14 Slam, 3 foram em finais contra Federer e outros 3 diante de Nadal.

4. Rod Laver
Fechou duas vezes o Slam, a mais importante delas em 1969. Mesmo já veterano, faturou 52 títulos de primeira linha como profissional.

5. Pete Sampras
Seu recorde de 14 troféus de Slam durou até 2009. Possui ainda a segunda maior quantidade de semanas como líder do ranking.

6. Bjorn Borg
Outro a criar um estilo próprio, ganhou três vezes Roland Garros e Wimbledon seguidamente quando os dois pisos eram totalmente distintos.

7. Ivan Lendl
Terceiro a liderar mais o ranking, ganhou oito Slam e foi pioneiro em metodologias de aprimoramento físico. De seus 94 títulos, 5 foram no Finals.

8. John McEnroe
Está entre os cinco maiores colecionadores de títulos tanto em simples como em duplas, sendo único a liderar os dois rankings ao mesmo tempo.

9. Jimmy Connors
Carreira de 21 temporadas que lhe deu o recorde ainda absoluto de 109 títulos, sendo oito de Slam, e 1.256 vitórias. Passou 15 anos seguidos no top 10.

10. Andre Agassi
Símbolo do marketing no tênis, venceu todos os Slam e passou mais de 100 semanas como número 1. É um dos 10 maiores colecionadores de troféus.

11. Roy Emerson
Ganhou 12 Slam de simples e 16 de duplas. Foi ao menos bi de simples e tri de duplas em cada um dos quatro torneios.

12. Stefan Edberg
Liderou os rankings de simples e duplas e disputou final de todos os Slam, vencendo 6 de simples e 3 de duplas.

13. Fred Perry
Conquistou todos os Slam na carreira (total de oito), com ao menos duas finais em cada um deles.

14. John Newcombe
Dez finais e sete títulos de simples em três diferentes Slam (com 5 como profissional) e mais 17 de duplas.

15. Ken Rosewall
Fez 16 finais de Slam e venceu 8, faltando apenas Wimbledon. Metade disso foi como profissional 4.

16. Mats Wilander
Sete troféus em três Slam diferentes, mas ficou pouco tempo como número 1 (20 semanas)

17. Henri Cochet
Dez finais e sete títulos em três Slam diferentes, mais cinco de duplas

18. René Lacoste
Campanha muito semelhante a Cochet, porém com duas duplas a menos. Criou a famosa grife.

19. Boris Becker
Venceu primeiro Slam aos 17 anos, mas nunca brilhou no saibro. Venceu seis Slam e liderou ranking apenas 12 semanas.

20. Bill Tilden
Fez 10 finais nos EUA, com sete títulos, e venceu mais três Wimbledon. Dois vices na França.

O incrível domínio do Big 3
Por José Nilton Dalcim
17 de julho de 2018 às 19:05

Existem duas coisas especialmente notáveis sobre Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Além de juntos dominarem a maciça parte das mais importantes estatísticas do tênis, principalmente as de eventos de nível Grand Slam, os três coexistem no circuito desde 2006 e com especial ênfase a partir da primeira ascensão de Djokovic, o novato da turma, em 2008.

Jogadores de chegada, o triunvirato também monopoliza numericamente os grandes duelos da Era Profissional. Nadal-Djoko se cruzaram 52 vezes, Djoko-Federer já se repetiu 45 e o ‘Fedal’ ocorreu 38, deixando para trás grandes batalhas como Connors-Lendl e Lendl-McEnroe. Também são os três duelos que mais se repetiram nos Slam (15 para Djoko-Federer, 14 para Nadal-Djoko e 12 para o Fedal).

Abaixo, seguem as principais estatísticas do tênis profissional. E os números falam por si:

testing-time-for-nadal-djokovic-and-federerGRAND SLAM

Títulos
1. Federer – 20
2. Nadal – 17
3. Sampras – 14
4. Djokovic – 13

Finais
1. Federer – 30
2. Nadal – 24
3. Djokovic – 22
9. Murray – 11

Semis
1. Federer – 43
2. Djokovic – 32
3. Connors – 31
4. Nadal e Lendl – 28

Quartas
1. Federer – 53
2. Djokovic e Connors – 41
4. Agassi – 36
5. Nadal – 35

Jogos disputados
1. Federer – 389
2. Djokovic – 292
3. Connors – 282
4. Nadal e Agassi – 277
8. Murray – 231

Vitórias
1. Federer – 336
2. Djokovic – 251
3. Nadal – 242
8. Murray – 188

Percentual de vitórias
1. Borg – 89,8%
2. Nadal – 87,4%
3. Federer – 86,4%
4. Djokovic – 86,0%

Maior número de títulos em cada Slam
Austrália – Federer e Djokovic, com 6
Roland Garros – Nadal, com 11
Wimbledon – Federer, com 8
US Open – Federer, Connors e Sampras, com 5

TODOS OS TORNEIOS

Títulos na carreira
1. Connors – 109
2. Federer – 98
3. Lendl – 94
4. Nadal – 79
7. Djokovic – 69

Finais na carreira
1. Connors – 164
2. Federer – 149
3. Lendl – 146
4. Nadal – 115
7. Djokovic – 100

Semifinais na carreira
1. Connors – 240
2. Federer – 197
3. Lendl – 189
4. McEnroe – 156
5. Nadal – 151
7. Djokovic – 138

Jogos disputados
1. Connors – 1535
2. Federer – 1415
7. Nadal – 1096

Vitórias
1. Connors – 1256
2. Federer – 1161
5. Nadal – 908
9. Djokovic – 808

Vitórias sobre top 10
1. Federer – 214
2. Djokovic – 184
3. Nadal – 160

Recorde de títulos por piso
Sintético – Federer, 67 (a seguir Djokovic, 51)
Saibro – Nadal, 57
Grama – Federer, 18

Maior série invicta de jogos por piso
Sintético – Federer, 56
Saibro – Nadal, 81
Grama – Federer, 65

Maior série invicta de sets por piso
Sintético – Djokovic, 34
Saibro – Nadal, 50
Grama – Federer, 36

ATP FINALS

Títulos
1. Federer – 6
2. Djokovic, Lendl e Sampras – 5

Finais
1. Federer – 10
4. Djokovic – 6

Participações
1. Federer – 15

Vitórias
1. Federer – 55
5. Djokovic – 31

MASTERS 1000

Títulos
1. Nadal – 32
2. Djokovic – 30
3. Federer – 27

Finais
1. Nadal – 48
2. Federer – 47
3. Djokovic – 44

Vitórias
1. Nadal – 357
2. Federer – 355
3. Djokovic – 315

RANKING

Semanas na liderança
1. Federer – 310
5. Djokovic – 223
6. Nadal – 181

Semanas seguidas na liderança
1. Federer – 237

Semanas no top 2
1. Federer – 516
2. Nadal – 461

Semanas no top 10
1. Federer – 821
4. Nadal – 691

Semanas seguidas no top 10
1. Connors – 788
2. Federer – 734
3. Nadal – 691 (e contando)

Número 1 ao final da temporada
1. Sampras – 6
2. Federer e Connors – 5
4. Djokovic, Nadal, Lendl e McEnroe – 4}}

FATURAMENTO

Total de premiação oficial (US$)
1. Federer – 116,9 mi
2. Djokovic – 114,1 mi
3. Nadal – 101, 3 mi
4. Murray – 60,8 mi

Desafio WimbledonNinguém cravou o placar de 3 sets a 2 nas vitórias de Djokovic e Anderson nas semifinais de Wimbledon. Mas sete internautas colocaram 3 a 2 e 3 a 1 para os jogos, então o desempate ficou para quem conseguiu mostrar melhor o andamento das partidas e acertou mais sets na ordem ou fora de ordem.

O vencedor foi Bruno Zocchi, que assim terá direito a um voucher de 30% de desconto em qualquer compra de até R$ 1.200 na nova Loja TenisBrasil. Em segundo e terceiro, ficaram Adriano Pires e ‘Babidi’ (nome não fornecido), que assim ganham vouchers de 15% de desconto em qualquer compra de até R$ 1.200 na Loja. Todos receberão seu código de voucher nos emails indicados (se preferirem em outro, favor mandar aqui). Parabéns a eles!

Números comprovam: Federer é o dono absoluto da grama
Por José Nilton Dalcim
17 de junho de 2018 às 23:03

Roger Federer está muito perto de reunir todas as mais relevantes marcas já obtidas sobre as quadras de grama da Era Profissional. Para tanto, necessita tão somente mais seis vitórias em Halle ou em Wimbledon. Será então o absoluto ‘rei’ do piso.

E isso é um assombro. Porque o suíço basicamente disputou apenas dois torneios sobre a superfície ao longo de cada temporada, enquanto jogadores como Rod Laver e Jimmy Connors viveram uma fase, entre 1968 e 1974, em que três dos quatro Grand Slam eram disputados no piso natural. Outros, como John McEnroe e Borg Borg, tiveram à disposição dois Slam na grama entre 1975 e 1985.

Isso sem falar que muitos preparatórios para esses eventos jogavam-se também na grama. Acontecia assim em Sydney, Auckland, Dublin, Bristol, Johanesburgo, para citar alguns exemplos.

Veja como estão hoje os recordes da grama e o domínio total de Federer:
– Ele chega a 18 títulos contra 10 do segundo colocado, Pete Sampras.
– Soma agora 168 vitórias e fica a apenas seis do recorde de Jimmy Connors.
– Suíço lidera com folga em eficiência, com 87,4% de vitórias, muito acima dos 85,8% de John McEnroe.
– Marcou a maior série invicta do piso, com 65 triunfos, entre 2003 e 2008, deixando longe as 41 de Bjorn Borg.
– Federer também detém a mais longa sequência de sets vencidos, com 36, entre 2003 e 2004.
– E talvez acima de tudo, Roger é o homem com mais títulos (8) e finais (11) em Wimbledon, mesmo considerando-se a época amadora em que o campeão só disputava a final do ano seguinte.

A grama também pode dar a Federer o tão sonhado 100º troféu. Ele chegou ao 98º em Stuttgart neste domingo e é naturalmente o favorito para a décima conquista em Halle (onde seu maior adversário é Alexander Zverev) e também para Wimbledon. Aliás, está com 148 finais e se fizer essas duras, terá outro número expressivo (apenas Connors tem mais, com 163).

A campanha em Stuttgart, depois de quase três meses de inatividade no circuito, tem de ser considerada animadora, principalmente pelas vitórias em cima de Nick Kyrgios e Milos Raonic. Adversários com gabarito na grama, contra quem não teve o serviço quebrado – no sábado, sequer ofereceu break point.

Há no entanto vários detalhes a melhorar, principalmente reencontrar o backhand mais agressivo, algo que a grama dificulta devido a sua velocidade e à necessidade de se jogar próximo à linha, diminuindo ainda mais o tempo de qualquer preparação de golpe mais longa.

A volta de Andy
O tradicional torneio do Queen’s Club, em Londres, é outro preparatório importante para Wimbledon que merece toda a atenção nesta semana. Marin Cilic por exemplo estreia contra Fernando Verdasco e pode ter outro canhoto em seguida, entre Denis Shapovalov ou Gilles Muller.

Também em cima da chave e no mesmo quadrante estão Kyrgios e Raonic, que não entraram de cabeça. Embaixo, aparecem Grigor Dimitrov e Kevin Anderson. Jogador bem talhado à grama, Dimitrov pode cruzar com Novak Djokovic na segunda rodada.

A outra atração de Queen’s será o retorno de Andy Murray. O escocês confirmou apenas no sábado que iria mesmo tentar a volta, algo que evitou à última hora já por duas vezes. Declarou no entanto que a expectativa é muito limitada. Para piorar, ainda pegou logo de cara Kyrgios. Ironicamente, Murray sempre foi um dos poucos a dar apoio integral ao australiano em seus momentos de crise.