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O (primeiro) grande momento de Bia
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2017 às 11:03

Numa demonstração clara de que adaptou mesmo seu tênis ao piso sintético – o que é uma excelente perspectiva -, Bia Haddad jogará neste domingo sua primeira final de nível WTA lá do outro lado do mundo, em Seul. Para ser sincero, não chega a ser um resultado surpreendente, porque a canhota de 21 anos tem evoluído a olhos vistos ao longo de sua primeira temporada realmente competitiva.

Desde janeiro, Bia enfrentou nove adversárias que estavam entre as 50 do ranking e ganhou quatro vezes: Samantha Stosur (19), Lauren Davis (34), Lesia Tsurenko (41) e Christina McHale (45). Sua experiência diante de top 20 foram seis. Além da vitória sobre Stosur, perdeu para Simona Halep (2), Gabriela Muguruza (6), Venus Williams (12), Elena Vesnina (15) e Sara Errani (16).

Sua adversária deste domingo será a grande sensação da temporada, a letã de 20 anos Jelena Ostapenko, inesperada campeã de Roland Garros e hoje 10ª colocada. Tenista que joga na base do risco o tempo inteiro, não tem a mesma segurança quando está sobre a quadra dura, já que o piso ‘rouba’ seu tempo de bola. Nesta temporada, sofreu derrotas para gente como Madison Brengle, Aleksandra Krunic e Qiang Wang, ou seja, jogadoras de nível médio e inferior à própria brasileira.

Até hoje, Bia teve como maior campanha o título de US$ 100 mil no saibro de Cagnes Sur Mer, tendo ainda faturado dois US$ 50 mil no piso duro norte-americano no ano passado e um de US$ 25 mil na Austrália. Desde a gaúcha Niege Dias, em Barcelona de 1988, apenas Teliana Pereira fez duas finais e ganhou esses WTA para o Brasil. Bia já garantiu o 58º posto no próximo ranking e poderá ser 54º em caso de título. O destino de atingir o top 50 parece traçado.

Quem quiser acompanhar, terá de ficar acordado até tarde: horário previsto é 2h de Brasília.

A Batalha, 25 anos atrás
O Facebook de TenisBrasil publicou o vídeo (que reproduzo acima) para marcar os 25 anos da segunda Batalha dos Sexos, um duelo bem curioso entre Jimmy Connors e Martina Navratilova, disputado em Las Vegas em 22 de setembro de 1992, quando ambos ainda estavam consideravelmente em atividade.

Ponto curioso, estavam em quadra os dois tenistas com maior quantidade de título da Era Profissional (109 contra 167), recordes que dificilmente irão cair. Os dois canhotos adeptos de estilo agressivo receberam cada um cachê de US$ 500 mil e ainda disputaram o prêmio de outros US$ 500 mil.

Mesmo tendo direito a apenas um saque e tendo de cobrir uma quadra 1 metro e meio maior, Connors venceu por 7/5 e 6/2, diante de quase 14 mil espectadores. Os lances acima mostram a grande qualidade técnica de cada um e deixam bem claro a diferença básica entre homens e mulheres: a velocidade das pernas e portanto a capacidade de cobrir os espaços.

Mesmo esvaziado, US Open espera façanhas
Por José Nilton Dalcim
27 de agosto de 2017 às 21:44

Andy Murray mexeu com o US Open antes mesmo de ser dado o primeiro saque. Cerca de 24 horas depois de sorteada a chave, o campeão de 2012 anunciou que não se sentia em condições de lutar pelo título e, sem isso, não faria sentido competir. De um lado, ficou certa frustração porque vimos Rafael Nadal e Roger Federer serem colocados no mesmo lado superior da chave. Mas, lá no fundo, não faz grande diferença, já que ninguém realmente imaginou que o britânico pudesse ser candidato sequer às semifinais.

A última vez que o circuito masculino viu um Grand Slam sem Murray, Novak Djokovic e Stan Wawrinka foi no US Open de 2004, quando nenhum deles tinha ainda currículo expressivo, Federer iniciava seu domínio e Nadal não passava de uma promessa. Faz muito tempo. São cinco dos 11 mais bem colocados do ranking de fora. E dos seis restantes ainda há dúvidas sobre Federer e Marin Cilic, que não joga desde a final de Wimbledon.

Segundo mais antigo torneio do tênis, o US Open é o único Grand Slam que tem sido disputado sem interrupção desde seu início. Por isso, realizará a 137ª edição geral e a 50ª da Era Profissional. Vejamos alguns detalhes que apimentarão Big Apple:

– Com a saída de Murray, a liderança do ranking masculino estará entre Nadal e Federer, mas a briga só começará se o suíço atingir pelo menos as quartas de final.
– No feminino, oito lutam pelo número 1, mas quatro só têm chance se conquistarem o título. Halep e Muguruza possuem as melhores chances, já que Pliskova defende o vice e Svitolina precisa no mínimo de semi.
– Ao entrar em quadra nesta terça-feira, Federer se tornará o tenista com mais Slam disputados em todos os tempos, com 71. No feminino, Venus amplia seu recorde absoluto para 76.
– A derrota mesmo na primeira rodada renderá incríveis US$ 50 mil ao tenista. Os campeões faturarão o recorde de US$ 3,7 milhões.
– Último tenista a ganhar nos EUA sem perder sets foi Neale Frases, em 1960.
– O estádio Arthur Ashe completa 20 anos. Federer é o recordista de jogos (74), de vitórias (66) e de vitórias noturnas (31-1).
– Nadal não ganha um título na quadra dura desde Doha em 2014. Desde então, foram 34 torneios e oito finais disputadas.
– Feli López atingirá 63 Slam consecutivos e ficará a dois de igualar Federer.
– Se vencer na estreia, Federer igualará Agassi com 79 vitórias em Nova York e ficará atrás somente das 98 de Connors.
– Nadal tem 219 triunfos em Grand Slam e pode superar Lendl (222) e Agassi (224) ao longo do US Open para se isolar no quarto lugar.
– Patrick Kypson, aos 17, é o mais jovem participante. Ivo Karlovic, aos 38, o mais velho.

Sede por recordes continua para Federer
Por José Nilton Dalcim
17 de julho de 2017 às 17:49

Perto dos 36 anos e de volta ao top 3 do ranking, Roger Federer já se habituou à chance de quebrar alguma marca ou estabelecer façanhas praticamente toda vez que entra em quadra. Novamente em excepcional forma, começa a tornar algumas de suas grandes marcas cada vez mais difíceis de ser batidas.

Nos Slam, além de ter agora quatro troféus acima de Rafael Nadal, soma sete finais a mais que o espanhol, 11 semis e 11 quartas sobre Novak Djokovic. A quantidade de vitórias também é muito superior, com 84 acima do sérvio. Suas séries consecutivas de finais, semis e quartas não sofrem qualquer ameaça.

E Federer pode fazer ainda mais no US Open. Será o tenista com mais Slam na carreira, deve superar Andre Agassi no número de vitórias no torneio e luta para se tornar o maior campeão da Era Aberta em Nova York caso consiga o hexa. De quebra, ainda poderá lutar pela liderança do ranking e também ampliar seus números excepcionais.

Veja a lista dos atuais principais recordes e façanhas do suíço por categoria e perceba que há muita coisa plausível de ser alcançada:

Grand Slam
– Recordes de títulos (19), finais (29), semis (42) e quartas (50).
– Maior número de vitórias (321) e de participações (70, com Santoro).
– Entre os tenistas com mais de 200 jogos, só fica atrás de Nadal em percentual de aproveitamento de vitórias (86,3% contra 86,9%).
– É lider absoluto em finais seguidas (10), semis consecutivas (23) e quartas seguidas (36).
– Ganhou sete finais seguidas (superado por 8 de Sampras), tem duas séries de 27 vitórias consecutivas (Djokovic chegou a 30).
– Lidera com 36 sets vencidos seguidos e 65 Slam disputados em sequência (Feli López está com 62).
– É o maior campeão de Wimbledon (8) e do US Open (5, com Connors e Sampras) e segundo na Austrália (5, atrás dos 6 de Djokovic).
– Ganhou cinco troféus seguidos em Wimbledon, igualado a Borg, e no US Open.
– Recordista em finais na Austrália (6, com Djoko) e Wimbledon (11). Está em segundo no US Open (7 contra 8 de Lendl e Sampras).
– É quem mais ganhou na Austrália (87) e Wimbledon (91), segundo em Paris (65) e terceiro no US Open (78, a um de Agassi).
– Tem recorde de vitórias seguidas no US Open (40) e segundo em Wimbledon (40) e de sets seguidos na Austrália (30) e em Wimbledon (34).
– Segundo mais jovem a completar o Carrer Grand Slam, aos 27 anos.
– Dois Slam diferentes vencidos sem perder sets (Australian-2007 e Wimbledon-2017). Borg e Nadal somam três.
– Único da Era Aberta a disputar todas as finais de Slam de um mesmo ano por três temporadas (2006-07, 2009) e todas as semis por cinco temporadas.

Carreira
– Chega a 93 títulos, um a menos que Lendl e a 16 de Connors.
– Fez 141 finais, 5 atrás de Lendl e 23 distante de Connors.
– Está em segundo em partidas partidas (1.358) e vitóris obtidas (1.111).
– Tenista que mais derrotou adversários top 10 (207).
– Líder em títulos na quadra sintética (63) e na grama (17). Empata com Nadal em quadras abertas (71).
– Maior vencedor sobre quadras sintéticas (687 jogos) e segundo em grama (164, a seis de Connors).
– Detém recorde de invencibilidade no sintético (56) e na grama (65).
– Maior invencibilidade contra top 10 (26 jogos)
– Maior número de finais disputadas e vencidas em sequência (24)
– Recorde de títulos (6), vitórias (52) e participações (14) no ATP Finals
– Lidera vitórias em torneios Masters 1000 (341) e é terceiro em títulos (26).
– Chega a US$ 104 milhões de premiação oficial e está US$ 2,5 mi atrás de Djokovic.
– Terceiro tenista a superar a marca de 10 mil aces desde que ATP iniciou contagem em 1991.

Ranking
– 302 semanas como número 1, sendo 237 consecutivas, marcas absolutas
– É quem mais figurou no top 2 (471 semanas) e top 3 (inicia a 628ª). Faltam oito para assumir a ponta também do top 4 e nove para o top 5. Está 48 semanas atrás de Connors como top 10.
– Terminou cinco temporadas como líder, um a menos que Sampras. Lidera com 10 no top 2 e 12 no top 3.

Desafio Wimbledon
O internauta Wendell Assis, que votou através do Facebook, foi incrivelmente preciso e cravou o exato placar da vitória de Federer sobre Cilic: 6/3 6/1 6/4. Em segundo lugar, ficaram outros dois únicos que palpitaram apenas oito games para Cilic: Victor Rolemberg França e Eric Magalhães. Os três devem enviar endereço completo para envio do tubo de bolas Spin. Parabéns!