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Contagem regressiva
Por José Nilton Dalcim
18 de fevereiro de 2018 às 21:00

Que momento incrível e inesperado para Roger Federer.

Há 18 meses, discutia-se no circuito se não seria hora de ele pensar na aposentadoria, depois de uma rara contusão séria no joelho e a volta das dores nas costas, que fizeram de 2016 seu primeiro ano desde 2000 sem um único troféu e a saída do top 10 que não acontecia desde 2002.

Nesta segunda-feira, Federer retornará triunfalmente ao topo do ranking, fruto de um período de incrível sucesso e eficiência. Desde o retorno, em janeiro do ano passado, foram 64 vitórias oficiais e apenas cinco derrotas, que geraram oito títulos em nove disputados. A lista inclui três Grand Slam dos quatro que entrou e três Masters dos quatro escolhidos.

Não menos espetacular é ver que Federer terá amanhã 10.105 pontos no ranking com apenas 12 torneios contabilizados dos 18 permitidos. A incrível média é de 842 pontos por campeonato. Para efeito comparativo, seu mais direto adversário pelo posto, Rafael Nadal, somou 9.760 em 17, ou seja, média de 574 pontos e 68% do que o suíço obteve no mesmo período.

Federer ficará na ponta pelo mesmo por quatro semanas até Indian Wells terminar, dia 18 de março. Será difícil se manter ali, porque no Masters da Califórnia ele defende 1.000 pontos pelo título contra apenas 90 de Rafa. O espanhol também tem menos a repetir em Miami, com 600 frente 1.000, e portanto a lógica diz que Nadal irá recuperar a ponta quando começar a fase do saibro europeu, em abril.

O suíço, no entanto, já pode estar com a cabeça em outra façanha espetacular. Depois do 20º troféu de Slam, uma meta que sonhou um dia, e a impensável volta à ponta do ranking cinco anos depois, que talvez sequer tivesse imaginado possível, ele está agora vislumbrando o 100º título.

Faltam apenas três, e já vale uma aposta de onde seria o local mais indicado de o centenário acontecer. Vêm aí a temporada de grama e seus três torneios, o piso veloz de Cincinnati, Xangai e Basileia, o Finals de Londres… Como os deuses do tênis parecem gostar dele, quem sabe um Masters, Halle e o número mágico em Wimbledon? Uau.

Diante de sua excepcional forma e superioridade sobre a maciça maioria dos adversários de momento, não é nada improvável que Federer termine 2018 já bem cima dos 100. E calculando onde e quando poderá superar os 109 de Jimmy Connors.

‘Rei’ dos Slam em números. E o que pode vir em 2018.
Por José Nilton Dalcim
30 de janeiro de 2018 às 19:01

Falar numericamente de Roger Federer é quase tão difícil e extenso do que analisar suas variadas capacidades técnicas. Como não dá para listar tudo o que o suíço já fez na carreira, decidi me limitar aos Grand Slam, que são os torneios de verdadeiro peso na história, e mostrar todos os recordes que ele detém no momento e também os que não tem, para efeito comparativo.

Mais abaixo, chequei as principais façanhas que poderá marcar em 2018. E não são poucas. Já peço desculpas pelo texto um tanto longo, mas juro que a culpa não é minha.

Recordes de Grand Slam
Federer detém quase todos os recordes importantes:
– 20 títulos
– 30 finais
– 43 semifinais
– 52 quartas de final
– 332 jogos vencidos
– 72 participações
– 10 finais consecutivas
– 23 semifinais consecutivas
– 36 quartas consecutivas
– 36 sets consecutivos
– 65 participações consecutivas
–  6 troféus na Austrália (com Djokovic)
–  8 troféus em Wimbledon
–  5 trofeús no US Open (com Connors e Sampras)
–  7 finais na Austrália
– 11 finais em Wimbledon
– 94 vitórias na Austrália
– 91 vitórias em Wimbledon
–  5 troféus seguidos em Wimbledon (com Borg)
–  5 troféus seguidos no US Open
– 40 vitórias seguidas no US Open
– 30 sets consecutivos na Austrália
– 34 sets seguidos em Wimbledon
– 176 vitórias no piso sintético
– 87,6% de vitórias no piso sintético

O que Federer não lidera nos Slam:
– percentual de vitórias geral nos Slam: 86,5% contra 87,1% de Nadal e 89,8% de Borg
– vitórias consecutivas: 27 (duas vezes) contra 30 de Djokovic
– troféus em Roland Garros: 1, muito longe dos 10 de Nadal e 6 de Borg
– finais em Roland Garros: 5, atrás das 10 de Nadal e 6 de Borg
– finais no US Open: 7 contra 8 de Lendl e Sampras
– vitórias em Roland Garros: 65, apenas atrás das 79 de Nadal
– vitórias no US Open: 82, só atrás de 98 de Connors
– títulos seguidos na Austrália: 2, atrás dos 3 de Djokovic
– títulos seguidos em Roland Garros: 0, muito atrás de 5 de Nadal e 4 de Borg
– vitórias seguidas na Austrália: 19, atrás de 25 de Djokovic e 20 de Lendl
– vitórias seguidas em Roland Garros: 11, longe das 39 de Nadal
– vitórias seguidas em Wimbledon: 40, atrás somente das 41 de Borg
– sets seguidos em Roland Garros: 17, longe dos 41 de Borg e 32 de Nadal
– sets seguidos no US Open: 21, atrás dos 26 de Lendl e 24 de Edberg
– vitórias no saibro: 65, contra 79 de Nadal e 75 de Vilas
– vitórias na grama: 91, atrás somente das 107 de Connors
– % de vitórias no saibro: 80,2%, longe dos 97,5% de Nadal e 92,6% de Borg
– % de vitórias na grama: 89,2%, atrás somente dos 90% de Sampras

Mais feitos notáveis em Slam:
– Único a vencer 3 Slam numa só temporada por três vezes (2004, 2006 e 2007)
– Único a disputar por três vezes todas as finais de Slam de uma mesma temporada (2006, 2007 e 2009)
– Único a disputar por cinco vezes, e ainda por cima seguidas, todas as semifinais de Slam de uma só temporada (2005 a 2009)
– Único a disputar por oito vezes, e consecutivas, todas as quartas de Slam numa só temporada (2005 a 2012)

Um 2018 histórico?
Federer já abriu a temporada com o impensável 20º troféu de Grand Slam, mas ainda há muitas façanhas e recordes que poderá alcançar ao longo de 2018. Vejam só o que ele ainda poderá comemorar:
– 100º título da carreira (está com 96, Connors lidera com 109)
– 147ª final da carreira para superar Lendl (está com 145, Connors lidera com 164)
– 200ª semifinal da carreira (está com 193, Connors lidera com 240)
– 1.400ª partida (está com 1.389, atrás das 1.535 de Connors)
– 1.200ª vitória (está com 1.139, atrás das 1.256 de Connors)
– 70º título na quadra sintética (lidera com 66)
– 20º título na grama (lidera com 17)
– 750 vitórias na quadra sintética (lidera com 715)
– 171ª vitória na grama (está com 164, Connors lidera com 170)
– 900 vitórias em quadra aberta (lidera com 867)
– 30º troféu de Masters 1000 (tem 27, Djokovic e Nadal lideram com 30)
– 50ª final de Masters 1000 (tem 46, empatado com Nadal)
– 500 semanas como top 2 do ranking (lidera com 492)
– 700 semanas como top 3 do ranking (lidera com 656)
– 700 semanas como top 4 do ranking (lidera com 689)
– 750 semanas como top 5 do ranking (lidera com 725)
– 818 semanas como top 10 do ranking (está com 797, atrás das 817 de Connors)
– 6ª temporada fechando como 1 (tem 5, atrás de 6 de Sampras)
– 14ª temporada fechando como top 5 (tem 13, atrás das 14 de Connors)
– 16ª temporada fechando como top 10 (tem 15, atrás das 16 de Connors e Agassi)
– Mais velho a liderar o ranking (Agassi lidera com 33 anos e quatro meses, em 2003)
– Mais velho a terminar no 1º lugar (Nadal lidera com 31 anos e 6 meses, em 2017)

Quem levou o desafio
Apenas três internautas acertaram os vencedores e os placares em set das finais do Australian Open. E não foi fácil decidir aquele que mais se aproximou dos resultados. Tive até de apelar pelo número de games até concluir que Paulo Veiga levará a biografia de Roger Federer, mega-sucesso da Editora Évora.

O (primeiro) grande momento de Bia
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2017 às 11:03

Numa demonstração clara de que adaptou mesmo seu tênis ao piso sintético – o que é uma excelente perspectiva -, Bia Haddad jogará neste domingo sua primeira final de nível WTA lá do outro lado do mundo, em Seul. Para ser sincero, não chega a ser um resultado surpreendente, porque a canhota de 21 anos tem evoluído a olhos vistos ao longo de sua primeira temporada realmente competitiva.

Desde janeiro, Bia enfrentou nove adversárias que estavam entre as 50 do ranking e ganhou quatro vezes: Samantha Stosur (19), Lauren Davis (34), Lesia Tsurenko (41) e Christina McHale (45). Sua experiência diante de top 20 foram seis. Além da vitória sobre Stosur, perdeu para Simona Halep (2), Gabriela Muguruza (6), Venus Williams (12), Elena Vesnina (15) e Sara Errani (16).

Sua adversária deste domingo será a grande sensação da temporada, a letã de 20 anos Jelena Ostapenko, inesperada campeã de Roland Garros e hoje 10ª colocada. Tenista que joga na base do risco o tempo inteiro, não tem a mesma segurança quando está sobre a quadra dura, já que o piso ‘rouba’ seu tempo de bola. Nesta temporada, sofreu derrotas para gente como Madison Brengle, Aleksandra Krunic e Qiang Wang, ou seja, jogadoras de nível médio e inferior à própria brasileira.

Até hoje, Bia teve como maior campanha o título de US$ 100 mil no saibro de Cagnes Sur Mer, tendo ainda faturado dois US$ 50 mil no piso duro norte-americano no ano passado e um de US$ 25 mil na Austrália. Desde a gaúcha Niege Dias, em Barcelona de 1988, apenas Teliana Pereira fez duas finais e ganhou esses WTA para o Brasil. Bia já garantiu o 58º posto no próximo ranking e poderá ser 54º em caso de título. O destino de atingir o top 50 parece traçado.

Quem quiser acompanhar, terá de ficar acordado até tarde: horário previsto é 2h de Brasília.

A Batalha, 25 anos atrás
O Facebook de TenisBrasil publicou o vídeo (que reproduzo acima) para marcar os 25 anos da segunda Batalha dos Sexos, um duelo bem curioso entre Jimmy Connors e Martina Navratilova, disputado em Las Vegas em 22 de setembro de 1992, quando ambos ainda estavam consideravelmente em atividade.

Ponto curioso, estavam em quadra os dois tenistas com maior quantidade de título da Era Profissional (109 contra 167), recordes que dificilmente irão cair. Os dois canhotos adeptos de estilo agressivo receberam cada um cachê de US$ 500 mil e ainda disputaram o prêmio de outros US$ 500 mil.

Mesmo tendo direito a apenas um saque e tendo de cobrir uma quadra 1 metro e meio maior, Connors venceu por 7/5 e 6/2, diante de quase 14 mil espectadores. Os lances acima mostram a grande qualidade técnica de cada um e deixam bem claro a diferença básica entre homens e mulheres: a velocidade das pernas e portanto a capacidade de cobrir os espaços.