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Aberta a temporada de caça ao ‘goat’
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2019 às 23:48

Bastaram sete meses de espetacular reação na carreira, período em que ganhou três Grand Slam consecutivos e recuperou a liderança do ranking saindo de trás do top 20, para Novak Djokovic reacender a discussão sobre a chance real de terminar sua carreira como o maior tenista de todos os tempos, distinção que maciça parte do tênis dá hoje ao ainda ativo Roger Federer.

Djoko reescreveu capítulos importantes a partir de 2015, um momento mágico que lhe deu três Slam, seis Masters e o Finals numa só temporada e que, em junho de2016, o transformaria no único tenista a deter todos os troféus de Slam em três pisos distintos. Nole no entanto viveu crise existencial e encarou sério problema no cotovelo, fatores que descontinuaram a grande fase. Pior ainda, viu Federer e Rafael Nadal recuperarem brilho e poder de conquista.

Quando desencantou em Wimbledon do ano passado, Djokovic voltou a fazer história. Cincinnati completou sua incrível quadro de conquistas nos Masters, veio o US Open e faltou muito pouco para igualar Federer em títulos de Finals. Mas o número 1 era seu outra vez. Há dois dias, atingiu outra façanha inédita e, pela terceira vez em oito anos, triunfa em três Slam consecutivos.

Como resultado, encurtou a distância para Federer e Nadal, disparou no ranking, abriu a perspectiva de outra vez dominar os quatro Slam e, se o fizer, alcançar outro feito maiúsculo, já que nenhum profissional até hoje ganhou ao menos dois troféus em cada um dos Slam.

Afinal, qual é a distância que ainda separa Djokovic de Federer e de Nadal na argumentação sobre o tal G.O.A.T. (sigla em inglês para Greatest of All Time)? Resolvi dividir em tópicos, oferecendo números, fatos e perspectivas. E claro, discussões.

1. Grand Slam
Djokovic já superou Nadal em quase todos os principais quesitos dos Grand Slam, mas obviamente a quantidade de títulos é o que ainda mais pesa e favorece o canhoto espanhol. O quadro após o Australian Open mostra:

Títulos – Federer 20, Nadal 17, Djokovic 15
Finais – Federer 30, Nadal 25, Djokovic 24
Semis – Federer 43, Djokovic 34, Connors 31, Nadal 30
Quartas – Federer 53, Djokovic 43, Connors 41, Nadal 37
Jogos – Federer 397, Djokovic 306, Nadal 290
Vitórias – Federer 342, Djokovic 265, Nadal 253
% de Vitórias – Borg 89,8%, Nadal 87,2%, Djokovic 86,6%, Federer 86,1%
% de sucesso em finais (acima de 10): Sampras 77,8% (14-4), Borg 68,8% (11-5), Nadal 68% (17-8), Federer 66,7% (20-10). Djokovic é 7º, com 62,5% (15-9).

Se o sérvio conseguiu a incrível façanha de vencer quatro Slam seguidos entre 2015 e 2016 (dois em cada temporada) e obtém agora sua terceira série de três consecutivos (2011-2012 foi a primeira), Federer disputou todas as quatro finais de 2006 e 2007, vencendo três delas em cada ano, tal qual o sérvio fez em 2015. O suíço ainda ganhou três títulos em 2004 e fez novamente todas as finais com dois vices em 2009. O espanhol por sua vez teve seu maior domínio em 2010, com três conquistas.

2. Ranking
É o segundo dos grandes critérios e ainda vê uma larga vantagem de Federer. Além da sequência provavelmente imbatível nas próximas décadas de 237 semanas como líder, seu total de 310 ainda obriga Djokovic a permanecer mais 74 semanas nessa posição. São quase 18 meses e, mesmo que forem descontinuados, é uma tarefa exigente para quem se aproxima dos 32 anos.

No momento, parece muito difícil que o sérvio perca o posto pelo menos até Wimbledon. Acredito particularmente que ele irá bem mais longe sem ameaças, provavelmente até o US Open. Mas claro que toda campanha ultrapositiva gera defesa muito grande de pontos na temporada seguinte.

Nadal parece completamente fora dessa briga. Somou relevantes 196 semanas como líder, porém está 40 atrás de Djokovic e com pouca  esperança de tentar uma briga direta a médio prazo. Se for muito bem outra vez no saibro europeu, ainda precisará repetir ao menos a semi em Wimbledon e no US Open e também o título do Canadá para então ter um período fértil para acumular pontos. É um desafio e tanto.

Federer está completamente fora da luta pela liderança em 2019? Seu calendário está enxuto, mas ele tem chance de somar muito nos três próximos Slam (fez apenas 540 pontos no ano passado).

Outro quesito valioso quando se pondera sobre ranking são as temporadas encerradas como nº 1. Federer e Djokovic tem 5 e Nadal, 4. Em todos os demais itens sobre quantidade de semanas (top 2, top 3, top 5 ou top 10), suíço lidera com folga sobre os dois.

3. Finals e Masters
Eventos que geralmente são relegados a segundo plano, mas de forma injusta. O Finals é um torneio de qualidade única, já que o campeão terá de vencer quatro ou cinco top 10 numa semana.

Federer também leva vantagem aqui (6 títulos, 10 finais, 57 vitórias e 16 classificações) e Djokovic o persegue (5 títulos, 7 finais, 35 vitórias e 11 participações). Sempre disputado no piso sintético – desde 2009, coberto -, Nadal sempre alegou prejuízo e daí aparece com números mais discretos, com dois vices.

O espanhol no entanto reage nos Masters 1000, que são torneios de nível mais elevado que os próprios Slam, já que reúnem basicamente tops 50. Rei do saibro, Rafa tem 33 títulos e 49 finais, à frente de Djokovic (32 e 47) e de Federer (27 e 48).

Curioso notar que Federer ainda lidera em vitórias (364 contra 362 de Nadal e 332 de Djoko). Nunca existiram Masters sobre grama e o carpete foi abolido em 2000.

4. Olimpíadas
Muitos gostam de colocar os Jogos Olímpicos na balança da discussão, ainda que seja uma competição muito peculiar, principalmente porque o critério de entrada não segue normas tradicionais e por vezes inclui tenistas de qualidade bem duvidosa.

Nadal tem é claro vantagem também neste item, com sua medalha de ouro individual de 2008, algo que Federer só obteve em dupla e Djokovic ficou só no bronze. Daí a boa expectativa para Tóquio.

Desafio do Blog
O internauta WIlson Rocha, que postou seu palpite como José da Silva, ganhou o Desafio do Australian Open de forma notável: acertou o placar de 6/3, 6/2 e 6/3 em cheio e ainda errou a duração do jogo (2h04) por apenas dois minutos. Assim, leva o prêmio oferecido pela Sportsbook: o excelente livro ‘Jogue para Vencer’, versão atualizada do clássico ‘Winning Ugly’ de Brad Gilbert. Parabéns!

Todos atrás de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
31 de dezembro de 2018 às 19:42

Seus grandes adversários convivem com incertezas físicas, a nova geração ainda é mais ameaça do que realidade. E com isso Novak Djokovic começa 2019 como o grande candidato a fazer outra temporada histórica, recheada de títulos de peso e quem sabe sem sequer ver sua liderança no ranking sob risco.

Djokovic tem de ser temido em todas as situações, sejam torneios longos como os Grand Slam ou nos exigentes Masters. E qualquer que seja o piso. Especialista na quadra dura, adapta-se com notável facilidade ao saibro ou à grama. É certamente o jogador que chega mais perto de Rafael Nadal na terra europeia, o grande adversário de Roger Federer nas superfícies velozes. Curioso notar que todas suas derrotas de 2018 foram para a nova geração.

Nole iniciou a temporada 2019 no amistoso de Abu Dhabi e fez duas ótimas partidas, com elogios ao tênis cada vez mais maduro de Kevin Anderson. Vai agora a Doha e isso deve ser o suficiente para colocá-lo em condições perfeitas para o Australian Open. O número 1 pode muito bem navegar todo o primeiro semestre em mar calmo, e aumentar muito sua vantagem no ranking. Sabiamente, no entanto, anunciou um calendário enxuto e 90% focado nos grandes títulos.

Assim, sugiro ficarmos atentos aos vários feitos que Djokovic poderá alcançar ao longo de 2019:

Grand Slam
– Mais um troféu o isolará em terceiro lugar na lista histórica de títulos. Mais três, empatará com Nadal. Mais quatro, só ficará atrás de Federer.
– Com 23 finais de Slam, disputa diretamente com Nadal (24) pelo segundo lugar na lista histórica.
– Está a uma partida do 300º jogo de Slam. Apenas Federer chegou a tanto (393).
– Tem pequena chance de superar Nadal em aproveitamento de vitórias em Slam (86,29 contra 87,3%) e assumir o segundo lugar.
– Está com 14 vitórias seguidas de Slam e tenta superar o próprio recorde de 30.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Federer).
– Será o único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se vencer Paris (Nadal concorre ao feito na Austrália e Federer, em Paris).
– Pode igualar os cinco títulos de Borg em Wimbledon.
– Concorre com Nadal pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Tenta o recorde de 9 finais no US Open (empata no momento com Lendl e Sampras).
– Precisa de três vitórias em Roland Garros para superar Federer (65) e se isolar como segundo maior vencedor.
– Com mais quatro vitórias no US Open, subirá para quarto na lista. Iguala Lendl (73) e supera Sampras (71).

Geral
– Tenta igualar os seis troféus de Federer no ATP Finals.
– Disputa com Nadal o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 32 contra 33)
– Se liderar o ranking de ponta a ponta em 2019, chegará a 285 semanas e ficará apenas uma atrás de Sampras (286).
– Tenta quebrar seu recorde de mais velho a figurar no número 1 ao final de uma temporada (31 anos e 7 meses)

Incertezas cercam Nadal mais uma vez
Por José Nilton Dalcim
28 de dezembro de 2018 às 21:15

Rafael Nadal inicia outra temporada sob dúvidas, tanto na parte técnica como principalmente física. Não é novidade para ele. Foi assim em 2010, 2013, 2017… O espanhol sempre encontrou uma forma de se reinventar. Muitas vezes, adicionou elementos em seu jogo e ganhou alternativas táticas, como o backhand tão mais efetivo que adquiriu com a chegada de Carlos Moyá ao time.

O físico é outra questão, mais complexa, porque é a base de seu estilo. Caminhando para os 33 anos, ele já tentou jogar de forma mais agressiva, diminuir os ralis e usar melhor o saque. Não dura muito. Acaba recuando para devolver o saque e entrar nas trocas quando a coisa aperta. No saibro, manteve seu notável domínio nos últimos anos e certamente será o favorito em 2019, já que a superfície o machuca bem menos.

A quadra dura tem sido um repetido pesadelo. Seu reconhecido poder de adaptação, é fato, lhe deu grandes conquistas sobre o piso sintético, mas o preço costuma ser alto.

Em 2018, a agenda ficou reduzida a nove torneios, cinco deles no saibro. Fica então a outra dúvida: qual calendário irá escolher? A prioridade deverá ser a terra europeia. Fez nesta sexta-feira sua primeira partida em três meses, perdeu de virada e dificilmente jogará pelo terceiro lugar em Abu Dhabi. Aliás, talvez nem vá a Brisbane.

Há uma série de feitos a ser alcançados por Nadall no próximo ano. Vamos aos principais:

Grand Slam
– Vê novamente a chance de ser único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se reconquistar Melbourne.
– Se fizer duas finais, igualará Jimmy Connors (31) no terceiro lugar.
– Faltam apenas 3 vitórias em Slam para ser o terceiro na história a totalizar 250, repetindo Federer (339) e Djokovic (258).
– Com mais 17 jogos, chegará a 300 de Slam (só Federer fez isso até agora, mas Djokovic só precisa de um na Austrália para também ir a 300).
– Tenta se tornar o único, homem ou mulher, a ganhar 12 vezes um mesmo Slam.
– Concorre com Federer para ter mais finais num mesmo Slam (tem 11 em Paris contra 11 do suíço em Wimbledon)
– Se ganhar quatro partidas em Paris, será apenas o terceiro jogador na história a ter 90 triunfos num mesmo Slam (Federer soma na Austrália e Wimbledon, Connors no US Open).
– Concorre com Djokovic pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Com 17 troféus, tem a chance de superar Federer se vencer todos os Slam da temporada.
– Com 87,3% de aproveitamento, tenta manter segundo lugar na Era Profissional (Borg tem insuperáveis 89,8%).

Geral
– Faltam 31 vitórias no circuito para superar Vilas e assumir quarto posto da Era Profissional
– Está a 12 vitórias no saibro para superar Muster (426) e assumir terceiro posto
– Qualquer título em 2019 e Nadal será único tenista na Era Pro a ter erguido troféus por 16 temporadas seguidas
– Disputa com Djokovic o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 33 contra 32)
– Disputa com Federer o recorde de mais vitórias de Masters 1000 (tem 362 contra 364).
– Soma 486 semanas no top 2 e tem chance de superar o recorde de 528 de Federer.
– Soma 716 semanas seguidas no top 10 e tem grande chance de superar as 734 de Federer (liderança é de Connors, com 788).