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Djokovic e Federer ensaiam a esperada final
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2018 às 21:04

O melhor tênis de Novak Djokovic reapareceu na hora exata. Numa apresentação bem perto do impecável, o número 1 do mundo manteve a invencibilidade no Finals e reafirmou o favoritismo para o título ao superar um Marin Cilic bem disposto e com nada a perder na última partida da fase classificatória do torneio.

Nole só não devolveu mesmo quando foi impossível antecipar o bombástico saque de Cilic, que escapou de um break-point no set inicial e permitiu uma única vantagem ao adversário no finalzinho do tiebreak. Sólido na base, ofensivo com suas bolas profundas e com a excepcional qualidade para criar ângulos, Djokovic também sacou muito bem e fez um segundo set primoroso.

Virá então o reencontro com Kevin Anderson na semifinal e, em que pese o sul-africano viver um grande momento na carreira, deverá influenciar muito o amargo placar de 7 a 1 em favor de Djokovic, que só perdeu em março de 2008. Dez anos depois, eles se cruzaram na final de Wimbledon e nas quartas de Xangai, e Anderson nem tirou sets.

Claro que Djokovic não irá substimá-lo. É muito provável que utilize a mesma postura tática que adotou contra Cilic, ou seja, fazer a bola voltar, investir no backhand menos confiável e só ir para o forehand quando o grandão estiver em movimento. A Anderson só cabe atacar o tempo todo, principalmente com o saque. Terá de correr riscos se quiser equilibrar, e isso inclui necessariamente transição mais constante para a rede.

Minha aposta: Djokovic em 2 sets, com um tiebreak.

Amigos, amigos, negócios à parte
Apesar dos 16 anos que os separam, Federer e Zverev já se cruzaram oficialmente cinco vezes e o suíço tem apertados 3 a 2  – houve outra na Copa Hopman, um jogaço aliás, que o alemão venceu. No problemático ano de 2016, Federer ganhou em Roma e perdeu em Halle. Em sua grande fase de 2017, suíço levou em Halle e no Finals, mas caiu em Toronto.

Zverev tem um excepcional backhand e saca muito bem, abrindo alguns buracos quando precisa defender com o forehand e se compromete principalmente nas bolas baixas e mais curtas. Provavelmente, serão as duas coisas em que Federer irá investir, ainda mais na quadra mais lenta.

Sascha nunca escondeu sua grande admiração por Roger, dentro e fora das quadras, mas sobrou algum incômodo hoje, quando ele rebateu declaração do suíço, que o criticou indiretamente pela queixa excessiva e redundante do calendário.

Pouco antes, Zverev fez seu melhor jogo da semana diante de John Isner, com destaque não apenas para sua boa devolução e oportunos contragolpes, mas principalmente por ter lidado muito bem com a pressão da vitória, única forma de garantir a inédita semifinal. Muito bom ter um representação da nova geração na fase decisiva do Finals.

Minha aposta: Federer em 3 sets, com até dois tiebreaks.

Bruno tenta final inédita
Únicos invictos nas duplas, o mineiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray terão que passar pela parceria norte-americana de Mike Bryan e Jack Sock, atuais campeões de Wimbledon e do US Open, se quiserem enfim disputar a primeira decisão na arena O2. É a quarta tentativa do mineiro.

Soares e Murray fizeram uma fase classificatória de alta qualidade e confiança. O trabalho de rede muito firme e algumas devoluções excelentes do brasileiro. Tomara mesmo que Sock jogue no nível desta sexta-feira, em que foi muito irregular e por vezes displicente.

A outra semi reúne os franceses Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, outros campeões de Slam na temporada, contra os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, dupla muito bem introsada mas que continua à procura de seu primeiro grande título no circuito (até aqui, só venceram um Masters, em Roma deste ano).

Minha torcida: vitórias de Soares/Murray e de Cabal/Farah.

Jogos fracos embolam e ajudam Federer
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2018 às 21:07

Duas partidas frustrantes na terceira rodada do ATP Finals, mas que ajudaram muito Roger Federer. O suíço jogou bem melhor do que na estreia e conseguiu um placar elástico contra Dominic Thiem. Melhor ainda: viu o algoz Kei Nishikori ser esmagado por Kevin Anderson e ficar com saldo de games negativo, o que pode ajudar o cabeça 2 no caso de um tríplice empate no primeiro lugar do grupo na quinta-feira.

Vamos primeiro à situação do grupo Lleyton Hewitt:
1. Federer será primeiro do grupo se vencer Anderson e Thiem ganhar de Nishikori. Ou se ele bater Anderson por 2 a 0 e Nishikori vencer em 3 sets.
2. Federer será segundo do grupo se ganhar de Anderson em três sets e Thiem vencer por 2 a 0.
3. Federer dependerá de ‘game average’ se perder de Anderson por 2 a 0 e Thiem ganhar em sets diretos ou ainda se ele vencer Anderson e Nishikori levar em 2 sets.
4. Federer estará eliminado se perder de Anderson e Nishikori ganhar um set ou até mesmo se ganhar de Anderson em 3 sets e Nishikori superar Thiem.
5. Anderson só ficará de fora numa única possibilidade: perder de Federer por placar muito amplo e Nishikori ganhar em dois. Ainda assim, a decisão será no ‘game average’.
6. Thiem tem uma chance mínima: tem de ganhar muito fácil de 2 a 0, e torcer para Anderson fazer 2 a 0 bem elásticos.
7. A ATP já confirmou: na quinta, Nishikori e Thiem jogam às 12h e assim Federer e Anderson entrarão em quadra às 18h sabendo claramente do que precisam fazer.

Portanto, tudo ainda é possível. Claro que o sul-africano merecidamente está muito perto da semi logo em seu primeiro Finals. Fez um grande jogo frente a Thiem e esmagou Nishikori nesta terça-feira, uma partida muito estranha em que o japonês se mostrou totalmente descalibrado e por vezes desanimado. Escapou de uma humilhante ‘bicicleta’, algo raríssimo no Finals, quando Anderson já tinha vencido 11 games e ainda abriu 0-15. De longe, o sul-africano é o destaque do torneio até aqui.

O primeiro serviço de Federer permanece pouco confiável. É verdade que atingiu 67% de acerto no primeiro set, mas no segundo desabou para 47%. Thiem não soube se aproveitar disso e fez uma partida tenebrosa. Aliás, os números do jogo foram incrivelmente malucos: Federer fez apenas 9 winners (contra 11), mas Thiem cometeu o triplo de erros (34 a 11). O suíço também só foi nove vezes à rede, vencendo quatro pontos. Sempre bom lembrar que Federer só não disputou a semi de seus 15 Finals uma vez, no problemático ano de 2008. Esta aliás foi sua 70ª partida no torneio e a 56ª vitória.

Brasil na semi
Bruno Soares e o escocês Jamie Murray foram os primeiros a já se garantir na semifinal de sábado, graças a duas vitórias por 2 sets a 0 e o triunfo da parceria de Klaasen/Venus, a quem bateram na estreia.

O primeiro lugar do grupo está garantido e é uma motivação, mas não há muito o que escolher já que a outra chave é muito forte e pode ter como segundo colocados Mike Bryan/Jack Sock, Oliver Marach/Mate Pavic ou Marcelo Melo/Lukasz Kubot.

Bruno chega pela quarta vez na semi e ainda sonha com sua primeira decisão na arena O2. Nesta quarta-feira, será a vez de Melo e Kubot tentarem a reação essencial. Batidos na estreia por Bryan/Sock, enfrentam os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut, mas na teoria até uma derrota ainda os mantém com chance desde que os americanos vençam no começo do dia.

Djokovic à frente
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2018 às 13:11

Claro que não é possível comparar Marco Cecchinato na quadra dura com Roberto Bautista, mas as duas exibições já feitas em Xangai deixam claro que Novak Djokovic está nadando de braçadas, enquanto Roger Federer não achou ainda seu melhor tênis sequer sobre uma quadra decidamente rápida.

Diante de Jeremy Chardy e Cecchinato, o sérvio começou mais lento, como que ainda a procurar um ritmo comfortável, e aí mostrou não apenas um saque firme mas também determinação de ir à rede e ótima movimentação, sem falar é claro numa devolução tão apurada que o italiano – seu algoz em Roland Garros cinco meses atrás – levou uma surra impiedosa.

Na contramão, Federer fez apresentações firmes nos primeiros sets diante de Daniil Medvedev e Bautista, mas sofreu uma repentina e preocupante queda de intensidade. Irritado com seus erros e escolhas, correu risco real de derrota diante do espanhol. O suíço está determinado a ir muito à rede e repetiu a tática nos dois jogos, mas por vezes faltaram velocidade para chegar mais perto da rede ou calma na preparação da subida.

Curiosamente, os dois grandes favoritos em Xangai têm partidas exigentes nas quartas de final. Djokovic reencontra Kevin Anderson, que adora um piso rápido e provavelmente ganhou confiança com aquela vitória sobre Nole na Laver Cup, ainda que amistosa.

Federer terá pela frente Kei Nishikori, um adversário muto mais qualificado sobre a quadra dura do que os anteriores, que joga em cima da linha com capacidade tanto de defesa como de ataque. Os dois não se cruzam desde aquela espetacular batalha de cinco sets no Australian Open do ano passado.

A se lamentar a contusão no joelho de Juan Martin del Potro, sofrida ainda na metade do primeiro set diante de Borna Coric, o que tirou o argentino da briga imediata pelo número 2 e pode ter consequências ruins para os três últimos torneios que estavam no seu calendário (Basileia, Paris e Finals).

Detalhes
– Bruno Soares está na semi de Xangai e jogará o Finals pela 5ª vez na carreira, a 3ª ao lado de Jamie Murray.
– Nishikori já retomou o 11º lugar do ranking e será top 10 se for à final de Xangai.
– Coric, que tem sido outro jogador depois da cirurgia no joelho em setembro de 2016, garante o melhor ranking da carreira, com o 16º.
– Com mais uma vitória, Alexander Zverev estará matematicamente no Finals.