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O capitão certo na hora certa
Por José Nilton Dalcim
20 de março de 2019 às 21:24

oncins1Num momento delicado, o tênis brasileiro mudou o comando do time da Copa Davis. Mais do que técnicas e táticas, a ocasião exige um conceito de trabalho e acima de tudo um sentido de grupo que parece ter se perdido com o tempo.

Ninguém desconhece as qualidades como jogador de Jaime Oncins. Mas talvez pouco se saiba sobre o trabalho que ele desenvolve há alguns anos nos Estados Unidos, onde dirige a academia Montverde. Pois neste final de semana, seu grupo foi campeão do National High-School, uma competição de grande relevância no tênis norte-americano, que reuniu 32 escolas de 13 estados.

No entanto não é o título em si que chama a atenção, mas sim a filosofia. Jaime é o treinador principal, mas também o motorista do ônibus que leva o time aos torneios. Para ir ao Tennessee, dirigiu por nove horas. “Na Montverde, nosso foco sempre foi na construção não só do jogador mas sim do cidadão, mais importante do que jogar bem é ter caráter também”, escreveu ele no Facebook.  “Não estou só como treinador, mas como educador também”.

O título nacional sacramentou o espírito de união de meninos e meninas que formam o grupo competitivo, atestando a habilidade de Oncins em agregar. “Somos um time, se ganharmos todos ganham; se perdermos todos perdem. Eles entenderam o recado e ficavam andando de quadra em quadra para gritar pelo seu companheiro”. Será que não é exatamente disso que estamos precisando na Davis?

Aliás, o trabalho de formação de caráter a que Jaiminho se referiu é construído com ações. No começo de março, os estudantes da academia realizaram uma clínica de ténis para angariar fundos para toda a comunidade. Meses antes, ajudaram na construção de casas populares para a comunidade de Winter Garden para “doar um pouco do seu tempo ao próximo”. Será que não é exatamente disso que este país está precisando?

Treinador modelo exportação
Prova clássica de que o tênis brasileiro não explora suas melhores possibilidades, o técnico Ludgero Braga Neto, reconhecido como uma das grandes autoridaddes no desenvolvimento de tenistas utilizando metodologia pautada na ciência, está exportando seu trabalho.

Mestrado e Doutorado em Biomecânica pela USP, onde durante 10 anos estudou os três golpes mais importantes do tênis – saque, forehand e backhand -, Ludgero aliou prática e teoria para formatar um método de ensino baseado em avaliações.

Em janeiro, fechou parceria com nada menos que Sébastien Grosjean, ex-top 5 e hoje capitão do time francês da Copa Davis. Através de suas apuradas análises biomecânicas, o treinador brasileiro está ‘mapeando’ o garoto norte-americano Zane Khan, finalista do último Orange Bowl e considerado um dos grandes potenciais do momento nos EUA.

Ludgero

“Para planejar o desenvolvimento de um tenista, avaliações iniciais são muito importantes”, me explica Ludgero. “Precisamos saber de onde estamos partindo. Além disso, após alguns meses de trabalho, as reavaliações nos falam muito sobre a eficiência dos treinos executados. O processo é simples, porém a utilização do método de avaliação adequado é o segredo”.

Enquanto isso…

Nadal faz mágica e garante Fedal
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2019 às 22:11

Se em algum momento do século 22 alguém precisar definir Rafael Nadal, pode mostrar o holograma do jogo desta noite em Indian Wells. O canhoto espanhol reuniu suas melhores qualidades para vencer um jogo improvável, em que nunca pareceu à vontade e passou a mostrar dificuldade de locomoção no começo do segundo set. Não economizou esforço, mudou a postura tática, usou sua cabeça tão forte e inigualável, buscou energia onde não havia e deixou o russo Karen Khachanov com cara de tacho.

O 39º Fedal da história, no entanto, corre risco de não acontecer. Haverá certamente horas de incerteza sobre a presença de Nadal, que voltou a sentir o problemático joelho direito. Será preciso desaquecer, baixar a adrenalina, fazer um tratamento noturno severo para ver se ele conseguirá ao menos bater bola antes do jogo, previsto por volta das 16h30 de Brasília. É muito pouco para uma recuperação completa, se é que isso será possível.

Como se sabe, a contusão no joelho causa uma série de limitações ao tenista: o saque – o movimento do canhoto começa com a perna direita -, as bolas baixas, a corrida para frente e consequente brecada, até mesmo o forehand mais exigente, já que a perna direita do canhoto precisa estar à frente para a transferência de peso ideal.

E, convenhamos, Roger Federer está jogando um tênis muito competitivo, o que exigirá ainda mais do espanhol. O suíço não precisou do seu melhor diante da fragilidade do polonês Hubart Hurkacz, ainda que tenha permitido break-points. Estará cheio de confiança depois do 100º título em Dubai e principalmente das cinco vitórias seguidas sobre Nadal, que não domina o adversário desde a semi do Australian Open de 2014.

Fatos curiosos: eles estão sem se cruzar há 17 meses, desde a final de Xangai, já que no ano passado sequer disputaram os mesmos torneios. E jamais houve um abandono, antes ou durante, em qualquer Fedal.

Relembrando de forma curta os números que tanto apimentam aquela que considero a maior rivalidade do tênis profissional:

Nadal tem:
23-15 desde o primeiro duelo, em Miami-2004
12-7 nos duelos de nível M1000
14-10 nas finais disputadas
67-50 em sets no Fedal
11-10 em tiebreaks entre eles
68-65 no total de semifinais já feitas de M1000
49-48 no total de finais já disputadas de M1000

Federer tem:
11-9 sobre a quadra dura contra Nadal
2-1 em duelos feitos em Indian Wells
5-0 nos últimos Fedal
4-0 nas últimas finais contra Rafa
31-0 nos games de serviço nos 3 últimos jogos
368-366 no total de vitórias de M1000

Empate:
4-4 em jogos feitos nos EUA (nunca no US Open)

Inédito:
Jamais houve WO ou abandono em meio ao jogo

Melo – Num dia a se comemorar, o Big 3 jogou seguidamente no estádio principal de Indian Wells, mas Novak Djokovic saiu derrotado. Ele e Fabio Fognini pararam diante de Marcelo Melo e do polonês Lukasz Kubot, numa jogo muito bem disputado e cheio de alternâncias. Depois da contusão e de tantas atuações abaixo do seu nível nesta temporada, o mineiro parece ter recuperado o tênis e a confiança. E na hora certa: Em sua 15ª final de nível Masters, vai atrás do 10º título.

Davis – A Confederação Brasileira surpreendeu de forma positiva, ao chamar de volta Jaime Oncins como capitão do time da Copa Davis. Atleta de conduta irrepreensível, vencedor em simples e duplas, histórico notável em Copa Davis, ele dá o ar de confiabilidade que o grupo necessita neste momento. Claro que seu trabalho não será fácil, principalmente pela falta de tenistas de ponta, mas somos amplos favoritos contra Barbados e assim deveremos tentar de novo o qualificatório de fevereiro.