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Favoritos a jato
Por José Nilton Dalcim
15 de janeiro de 2018 às 11:07

Rafael Nadal, Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios não quiseram saber de brincadeira na abertura do Australian Open 2018. Com seriedade e aplicação, cederam poucos games e confirmaram a expectativa de ser as forças mais destacadas do lado superior da chave masculina.

O mais importante para Rafa foi sua agilidade. Nenhum sinal de problema no joelho, fugiu à vontade do backhand e buscou as tradicionais bolas espetaculares. Não fosse a perda de um serviço para Victor Estrella e teria sido uma noite perfeita. O placar de triplo 6/1 reflete a diferença de qualidade técnica e servirá para animar o líder do ranking.

Kyrgios admitiu na entrevista que mais uma vez pediu para jogar no terceiro estádio, evitando a Rod Laver onde nunca se sente tão à vontade. Jogou sério, sem qualquer malabarismo. Levou advertência por xingar um espectador barulhento, porém jamais perdeu a concentração contra Rogerinho Silva. Sacou muito e foi conservador no fundo. O brasileiro fez um bom terceiro set dentro do que poderia se virar numa quadra veloz.

Dimitrov pegou o qualificado Dennis Novak e não cedeu mais que seis games. Ainda acho que o búlgaro poderia jogar de forma bem mais ofensiva e ir à rede para simplificar pontos. Mas ele gosta da correria, de exibir elasticidade e improvisação. Convivamos com isso.

Entre os grandes jogos do dia, a vitória em exigente cinco sets confirmou o momento de amadurecimento do russo Andrey Rublev, que soube controlar frustrações e desgaste para superar David Ferrer em duelo intenso de 3h52. O ponto negativo foi o excesso de quebras: o espanhol perdeu 13 serviços e o russo, oito.

Talvez a pior das 10 derrotas norte-americanas do primeiro dia tenha vindo com Jack Sock, que já havia mostrado não estar bem fisicamente em Auckland e parou no tênis regular e pouco criativo de Yuichi Sugita. Aliás, registre-se o notável retorno ao circuito de Yoshihito Nishioka, que após 10 meses da contusão no joelho em Miami despachou Philipp Kohlschreiber.

A segunda-feira terminou também com as quedas de Kevin Anderson diante de Kyle Edmund, de John Isner para Matthew Ebden e de Lucas Pouille para o quali Ruben Bemelmans. Entre a garotada, Denis Shapovalov justificou seu arsenal muito mais adequado aos pisos velozes em cima de Stefanos Tsitsipas.

As outras quedas muito sentidas para os EUA certamente foram a de Venus Williams e de Sloane Stephens. A finalista do ano passado mostrou-se apressada e descalibrada, não conseguindo usar o saque frágil de Belinda Bencic para colocar pressão. A suíça tem muita qualidade no fundo da quadra e está numa chave em que pode ir facilmente às oitavas.

A má fase de Stephens é cruel. A campeã do US Open soma oito derrotas consecutivas. A falta de confiança choca: sacou para o jogo, tremeu feio e foi arrasada no terceiro set pela chinesa Shuai Zhang. Para completar a jornada tenebrosa, nem a velocidade da quadra salvou CoCo Vandeweghe.

Enquanto Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Jelena Ostapenko tiveram também vitórias a jato, a notícia animadora coube à ucraniana Marta Kostyuk, de 15 anos e dois meses. Campeã juvenil do ano passado, passou o quali e em sua primeira partida como profissional esmagou com duplo 6/2 a número 27 do mundo Shuai Peng.

E o Baby cresceu
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2017 às 21:06

Grigor Dimitrov pode enfim se livrar da alcunha um tanto pesada que carregou nos últimos anos. O ‘Baby Federer’, que sempre soou mais como cobrança do que motivação, deu um passo significativo à frente ao conquistar neste domingo seu segundo grande título da temporada, agora o prestigiado ATP Finals, apenas três meses depois de ter faturado o Masters de Cincinnati.

É verdade que Dimitrov tem um estilo que lembra Federer, seja na execução de golpes ou no plano tático. E não por acaso se tornou amigo pessoal e o primeiro nome que a empresa do suíço contratou para gerenciar carreira. O búlgaro no entanto raramente deu sequência a uma grande semana, muitas vezes batido por sua insegurança.

O Finals foi um teste e tanto, porque exigiu demais da sua cabeça e confiança. As rodadas finais levaram os nervos à flor da pele e todo mundo sabe o quão difícil é jogar um tênis de qualidade sob pressão. O troféu invicto em Londres tem tudo para ser um divisor de águas definitivo na carreira de Dimitrov, um jogador repleto de boas armas, intuitivo, veloz, atlético e resistente.

Claro que ele ainda terá um desafio pela frente e daí poderemos saber o tamanho de seu amadurecimento: começará 2018 como o terceiro melhor tenista do ranking, o que traz obrigação de mostrar serviço. Se aguentar o tranco, principalmente ao longo do primeiro semestre, aí teremos a certeza de que ele ainda fará mais coisas importantes no circuito.

Essa expectativa positiva também deve ser transferida a David Goffin, um jogador que sempre levantou suspeitas quanto a sua capacidade de encarar os grandes nomes. Depois daquela frustração em Monte Carlo, ele ainda sofreu contusão e parecia carta fora do baralho. Mas ai aproveitou suas chances e ganhou dois torneios na quadra dura já mostrando uma tentativa de jogar de forma mais agressiva. É inegável que trabalhou muito para melhorar o primeiro saque, algo louvável para seu 1,80m. Não tem mais tanto medo de ir à rede e buscar as linhas.

Goffin derrotou Rafael Nadal e Roger Federer no mesmo torneio, um feito raro no tênis, e poderia muito bem ter ficado com o título neste domingo, numa final muito tensa (como era de se esperar) e de alguns lances de grande qualidade técnica. Mas ele ainda continua sendo mais eficiente como devolvedor do que como sacador e isso terá de ser corrigido para as quadras sintéticas a curto prazo.

Embora tenha sido um torneio atípico por não reunir quatro dos tenistas de maior prestígio do tênis masculino de hoje, este Finals serviu para dar visibilidade a jogadores que prometem um lugar digno no futuro, como Jack Sock. Se Alexander Zverev e Dominic Thiem trabalharem duro, o 2018 será muito competitivo.

Pena mesmo foi o vice de Marcelo Melo e Lukasz Kubot. Boa parte da culpa, no entanto, coube aos agora bicampeões do Finals, uma parceria que não apenas tem os requisitos essenciais – saque, devolução e trabalho de rede -, mas acima de tudo mostra muito sangue frio diante dos pontos importantes. Henri Kontinen e John Peers devem seguir como uma pedra no caminho tanto de Melo como de Bruno Soares e Jamie Murray, ao menos nas quadras duras.

Renovação em Londres
Por José Nilton Dalcim
18 de novembro de 2017 às 21:19

Para completar uma temporada totalmente atípica, o ATP Finals terá um campeão inesperado. Grigor Dimitrov, agora terceiro do ranking, e David Goffin, que jamais fez sequer uma decisão de Masters 1000, irão disputar o quinto mais importante troféu do tênis masculino às 16 horas num jogo que promete ser um curioso duelo de estilos.

Goffin é certamente uma surpresa das grandes. Na segunda-feira, levou um sufoco para ganhar de um Rafael Nadal um tanto manco e na rodada seguinte foi massacrado pelo mesmo Dimitrov. Recuperou-se com facilidade diante de Dominic Thiem e não parecia uma presa complicada para Roger Federer. E foi assim o primeiro set.

Quando o suíço deu uma tremenda bobeada no começo da outra série e deixou escapar um serviço que estava tranquilo, tudo mudou. Goffin ganhou confiança, passou a sacar cada vez melhor, ousou maior agressividade até mesmo com o forehand e se deu ao luxo de algumas espertas subidas à rede. Forçou devoluções e viu o serviço do adversário oscilar. Federer, quem diria, precisou se defender muito e vieram erros da base. Resultado justíssimo.

Dimitrov conseguiu afugentar um poderoso fantasma e aí residiu a maior qualidade na virada contra Jack Sock, o mesmo adversário para quem perdeu os dois últimos jogos com total de cinco match-points desperdiçados. E não é que, de novo, Dimitrov jogou fora quatro oportunidades de fechar com o saque a favor no game definitivo? Mas não, desta vez segurou os nervos e concretizou na quinta tentativa. A expressão era de alívio, principalmente porque poderia ter ganhado muito antes e com menor esforço.

Assim, teremos uma decisão de título e do gordo prêmio de US$ 2 milhões entre tenistas bem antagônicos, o que geralmente significa bom tênis e emoções. Dimitrov aposta no primeiro saque, gosta de atacar, usa seu backhand simples para variar slices e golpes batidos, voleia com categoria e é bem atlético. Goffin sempre preferiu atuar no contragolpe, dono de pernas ágeis e um backhand de duas mãos poderoso, tendo agregado um saque mais efetivo nesta temporada.

Se for campeão, Goffin será o quinto do ranking final da temporada. Tenho a impressão que pouca gente poderia prever uma configuração dessas. Que 2017 maluco.

Vamos, Marcelo!
Pouco antes, às 13h30, hora de torcermos para uma grande e inédita conquista para as duplas do tênis brasileiro. Marcelo Melo tenta coroar uma magnífica temporada ao lado do polonês Lukasz Kubot com um título que conseguimos uma única vez, há 17 anos, com as mãos mágicas de Gustavo Kuerten. Aliás, Melo também reviveu Guga em Roland Garros do ano passado e nos fez lembrar de Maria Esther Bueno em Wimbledon de julho.

Importantíssimo destacar a atuação magnífica do Girafa na semifinal de hoje, em que ele e Lukasz Kubot deram mínimas chances a Ryan Harrison e Michael Venus. O mineiro brilhou das mais variadas formas, seja em devoluções precisas e milimétricas, grande reflexo junto à rede, habilidade incrível para dar lobs improvisados e reagir a uma bola que chegou a passar por seu corpo. Para um tenista que tem 2,03m, são lances ainda mais difíceis.

Pena que Bruno Soares ficou de fora da decisão, já que ele e Jamie Murray caíram muito de produção a partir do tiebreak que finalizou o primeiro set. Henri Kontinen e John Peers são mesmo uma pedra no sapato. Atuais campeões do Finals, também levam vantagem no confronto direto com Melo/Kubot, o que exigirá máxima concentração desde a primeira bola.