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A hora para Djokovic embalar
Por José Nilton Dalcim
15 de agosto de 2018 às 01:03

Assim como aconteceu em Toronto, o próprio Novak Djokovic não se mostra satisfeito com seu tênis. Sofreu diante do limitado Steve Johnson na noite de segunda-feira, arrebentou raquete, reclamou da vida. Mas avançou à segunda rodada de Cincinnati e ganhou um grande presente, ao ver Dominic Thiem sequer ir à quadra.

O sérvio tem agora 95% de chance de retornar ao oitavo lugar do ranking e automaticamente garantir a condição de oitavo cabeça no US Open, evitando duelos mais indigestos antes das quartas. Os 5% ficam por conta de um título improvável de David Goffin nesta semana. A partida da tarde desta quarta-feira para Nole é daquelas perfeitas para embalar: seu histórico é amplamente favorável diante do canhoto Adrian Mannarino, contra quem venceu todos os oito sets vencidos em três jogos, seis deles sobre a grama, um piso também veloz.

A chave está muito promissora para o sérvio: sem Rafa Nadal no caminho, teria Grigor Dimitrov nas oitavas e quem sabe um canadense nas quartas, entre Milos Raonic ou Denis Shapovalov. O que está faltando a ele? Nessa quadra veloz, maior consistência do primeiro saque, o uso de seu agressivo backhand paralelo e forçar voleios.

Aliás, foi um alívio ver Roger Federer bem mais interessado em ir à rede em sua estreia contra o frágil Peter Gojowczyk. A esperada falta de ritmo exigiu que salvasse cinco break-points, todos no set inicial e talvez os mais importantes os três do oitavo game, em que poderia ceder o empate e perder a confiança. Ao final do duelo, somou 24 winners (12 aces) e 20 erros, numa partida em que 188 dos 195 pontos tiveram menos de 5 trocas.

Por falar em Goffin, ele se vingou da derrota sofrida para Stefanos Tsitsipas dias atrás em Washington, com um momento chave ao escapar de 0-40 no 4/5 do primeiro set. O belga forçou, com 21 winners, e o grego pareceu mentalmente cansado.

Destaque também para a vitória sofrida de Nick Kyrgios em cima de Denis Kudla e seu match-point salvo com um segundo saque a 220 km/h. Atual vice e sob risco de sequer ser cabeça no US Open, todo cuidado é pouco contra Borna Coric, que ganhou 83% dos pontos com o serviço na vitória sobre Daniil Medvedev.

Registre-se finalmente a oitava derrota seguida de Jack Sock, que ainda se sustenta no top 20 graças aos pontos obtidos no final de 2017. Neste momento, ele é 170ª na temporada. Ao menos, vai se virando bem nas duplas, com quatro títulos. Seu carrasco, Heyon Chung, tem jogo interessante nesta quarta-feira contra Juan Martin del Potro.

Velhos heróis
Por José Nilton Dalcim
29 de maio de 2018 às 18:55

Roland Garros viu nesta terça-feira a força de três de seus mais conhecidos heróis. Rafa Nadal jamais correu qualquer risco de derrota mas precisou de toda sua experiência e categoria para evitar a perda do terceiro set e um prolongamento indesejado de esforço logo na estreia. Pouco depois, Serena Williams brigou contra sua total falta de ritmo e de físico ideal e logo ali ao lado Maria Sharapova foi do céu ao inferno numa partida totalmente maluca.

Ao retomar o jogo interrompido pela chuva, Rafa recuperou a quebra como era de se esperar e poderia ter liquidado logo, mas por duas vezes viu o bravo Simone Bolelli reagir com enorme coragem e precisão. Não evitou o tie-break e aí o italiano foi brilhante até 6-3. Talvez tenha sentido o peso do momento, porém ainda salvou dois match-points antes de enfim se entregar. Pelo espetáculo que deu, merecia mesmo ter vencido um set. Na entrevista, Nadal assinalou que a quadra estava ‘estranha’ e que a bola desviava mais do que o normal. E deu outra aula ao circuito: “A chave do meu sucesso é que respeito cada adversário”. Agora, pega o também canhoto Guido Pella.

Em seu primeiro jogo em Roland Garros desde as oitavas de 2015, Sharapova foi incrivelmente instável. Abriu 6/1 e 3/1 com soberania total, mas aí Richel Hogenkamp engatou oito games seguidos e chegou a 3/0 no terceiro set. A casa parecia prestes a cair até que Sharapova recolocou a cabeça no lugar e anotou um ‘pneu’ moral. Não poderá vacilar assim diante de Donna Vekic.

Na rota de colisão com Maria, Serena surpreendeu com um traje negro colado ao corpo em seu primeiro jogo sobre o saibro em dois anos. O jogo de 28 aces (15 para Krystina Pliskova) e 10 duplas faltas (7 de Serena) viu um segundo set totalmente imprevisível, cheio de breaks e quebras. Aos 36 anos e hoje apenas 451ª do ranking, está claro que Williams terá de evoluir muito ao longo da temporada e talvez só chegue mesmo em forma no US Open. Enfrenta agora Ashleigh Barty.

– Melhores apresentações do dia foram de Fabio Fognini, Denis Shapovalov e Kyle Edmund. Muito instável, Juan Martin del Potro não me inspirou confiança. Mais três cabeças caíram: Jack Sock, Adrian Mannarino e Feli López fizeram companhia a Stan Wawrinka, Gilles Muller e Philipp Kohlschreiber.

– Sock colocou a culpa na árbitra brasileira Paula Vieira, com quem não parou de discutir e trocar palavras fortes. Foi sua terceira derrota seguida numa estreia de Grand Slam.

– A inusitada segunda rodada masculina terá o duelo de lucky-losers entre Bemelmans e Zopp, além das presenças de Stakhovsky e Trungeliti. Isso sem falar nos qualificados Pavlasek, Hurkacz, Ymer, Ruud, Klizan, Giraldo, Munar, Andreozzi e Gulbis. Já a chave feminina tem seis qualis e duas convidadas ainda de pé.

Quarta-feira
Djokovic encara outro quali, agora o garotão espanhol Jaume Munar. O sérvio ganhou todos os 16 jogos de Slam que já fez diante de qualis, mas é bom lembrar que Nole já perdeu de dois qualis nesta temporada (Daniel e Klizan).
– Zverev busca a 32ª vitória, recorde da temporada, contra Dusan Lajovic. Alemão tenta repetir 3ª rodada de 2016.
– Thiem reencontra Tsitsipas, para quem perdeu em Barcelona semanas atrás, depois de vencer o grego em Doha e Indian Wells. Tsitsipas nunca disputou um quinto set.
– Dimitrov pode anotar a 50ª vitória de Slam da carreira diante de Donaldson, americano de 21 anos que só venceu quatro jogos no saibro até hoje.
– Goffin pega o tenista mais jovem da chave, o local Moutet, que acabou de fazer 19 anos e eliminou Karlovic na estreia. Belga tenta chegar à terceira rodada pelo quarto ano seguido.
– Nishikori enfrenta Paire pela sexta vez, com 3-2 no duelo direto e duas vitórias no saibro.
– Kasatkina e Flipkens fazem um duelo de gerações e talvez seja o principal destaque da rodada. Svitolina, 23, pega a novata Kuzmova, 20, em jogo que vale atenção.

Favoritos a jato
Por José Nilton Dalcim
15 de janeiro de 2018 às 11:07

Rafael Nadal, Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios não quiseram saber de brincadeira na abertura do Australian Open 2018. Com seriedade e aplicação, cederam poucos games e confirmaram a expectativa de ser as forças mais destacadas do lado superior da chave masculina.

O mais importante para Rafa foi sua agilidade. Nenhum sinal de problema no joelho, fugiu à vontade do backhand e buscou as tradicionais bolas espetaculares. Não fosse a perda de um serviço para Victor Estrella e teria sido uma noite perfeita. O placar de triplo 6/1 reflete a diferença de qualidade técnica e servirá para animar o líder do ranking.

Kyrgios admitiu na entrevista que mais uma vez pediu para jogar no terceiro estádio, evitando a Rod Laver onde nunca se sente tão à vontade. Jogou sério, sem qualquer malabarismo. Levou advertência por xingar um espectador barulhento, porém jamais perdeu a concentração contra Rogerinho Silva. Sacou muito e foi conservador no fundo. O brasileiro fez um bom terceiro set dentro do que poderia se virar numa quadra veloz.

Dimitrov pegou o qualificado Dennis Novak e não cedeu mais que seis games. Ainda acho que o búlgaro poderia jogar de forma bem mais ofensiva e ir à rede para simplificar pontos. Mas ele gosta da correria, de exibir elasticidade e improvisação. Convivamos com isso.

Entre os grandes jogos do dia, a vitória em exigente cinco sets confirmou o momento de amadurecimento do russo Andrey Rublev, que soube controlar frustrações e desgaste para superar David Ferrer em duelo intenso de 3h52. O ponto negativo foi o excesso de quebras: o espanhol perdeu 13 serviços e o russo, oito.

Talvez a pior das 10 derrotas norte-americanas do primeiro dia tenha vindo com Jack Sock, que já havia mostrado não estar bem fisicamente em Auckland e parou no tênis regular e pouco criativo de Yuichi Sugita. Aliás, registre-se o notável retorno ao circuito de Yoshihito Nishioka, que após 10 meses da contusão no joelho em Miami despachou Philipp Kohlschreiber.

A segunda-feira terminou também com as quedas de Kevin Anderson diante de Kyle Edmund, de John Isner para Matthew Ebden e de Lucas Pouille para o quali Ruben Bemelmans. Entre a garotada, Denis Shapovalov justificou seu arsenal muito mais adequado aos pisos velozes em cima de Stefanos Tsitsipas.

As outras quedas muito sentidas para os EUA certamente foram a de Venus Williams e de Sloane Stephens. A finalista do ano passado mostrou-se apressada e descalibrada, não conseguindo usar o saque frágil de Belinda Bencic para colocar pressão. A suíça tem muita qualidade no fundo da quadra e está numa chave em que pode ir facilmente às oitavas.

A má fase de Stephens é cruel. A campeã do US Open soma oito derrotas consecutivas. A falta de confiança choca: sacou para o jogo, tremeu feio e foi arrasada no terceiro set pela chinesa Shuai Zhang. Para completar a jornada tenebrosa, nem a velocidade da quadra salvou CoCo Vandeweghe.

Enquanto Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Jelena Ostapenko tiveram também vitórias a jato, a notícia animadora coube à ucraniana Marta Kostyuk, de 15 anos e dois meses. Campeã juvenil do ano passado, passou o quali e em sua primeira partida como profissional esmagou com duplo 6/2 a número 27 do mundo Shuai Peng.