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Nadal deixa a melhor impressão
Por José Nilton Dalcim
11 de março de 2019 às 01:31

Indian Wells completou sua segunda rodada masculina neste domingo, e os grandes favoritos fizeram na verdade apenas sua estreia, já que entram adiantados. Assim, qualquer análise tem ar prematuro, mas talvez seja justo dizer que Rafael Nadal deixou a melhor impressão entre o Big 3.

Novak Djokovic chegou enferrujado, sem atuar desde o título do Australian Open, e poderia muito bem ter perdido o primeiro set para Bjorn Fratangelo, ainda que isso nem de longe seria uma ameaça real de eliminação. Quem observou o jogo com atenção, deve ter percebido o quanto o americano centralizou as bolas e usou slices cruzados, uma tática muito bem aplicada diante do poderio sérvio.

Roger Federer jogou durante a tarde, onde o piso tende a ser um pouquinho mais veloz diante da lentidão de Indian Wells – segundo a ATP, só perde para o saibro úmido de Monte Carlo entre os Masters. Fez um primeiro set no mesmo padrão das rodadas finais de Dubai, ou seja, apostando tudo na agressividade e pressão nas devoluções, porém depois perdeu intensidade, foi quebrado e precisou da experiência para brecar o alemão Peter Gojowczyk.

O último a estrear foi justamente Nadal. Pegou é verdade um Jared Donaldson que acabou de sair de parada devido ao joelho problemático, mas ainda assim o espanhol mostrou tanta qualidade que se deu ao luxo de ganhar por 6/1 mesmo com 35% de primeiro saque.

Os três pegam ‘fregueses’ na próxima rodada: Djoko é superfavorito diante de Philipp Kohlschreiber (8-1), Nadal tem um piso lento a seu feitio frente a Diego Schwartzman (6-0) e Federer reencontra o amigo Stan Wawrinka (21-3). Claro que, pelo currículo, Stan é de longe o adversário mais perigoso, porém precisou lutar incríveis 3h23 diante do valente Marton Fucsovics e é difícil acreditar que terá as pernas necessárias para deter Federer.

Resumindo:

– Frustração óbvia por não ver o reencontro de Djoko com Nick Kyrgios. Em que pese a ótima atuação de Kohlschreiber, o australiano foi uma decepção total, menos pela derrota ou placar, muito mais pela atitude desinteressada. Lastimável.

– Na contramão, vemos um Gael Monfils sério, concentrado, fisicamente bem. E agressivo na medida certa. Será que uma Elina Svitolina ajudaria Kyrgios? Problema do francês é estar no caminho de Djokovic já numa possível rodada de oitavas.

– Curiosíssimos contraste de idades, Felix Auger-Aliassime derrotou o primeiro top 10 aos 18 anos – feito para poucos na Era Profissional – enquanto o agora ‘quarentão’ Ivo Karlovic já avançou duas rodadas, com grande vitória em cima de Borna Coric, quase metade de sua idade.

– Há uma considerável chance de Felix repetir pelo terceiro torneio seguido o duelo contra o sérvio Laslo Djere.

– Muito interessante o quadrante em que Marin Cilic enfrentará Denis Shapovalov e o vencedor poderá cruzar com Kei Nishikori. Mas não descartem o polonês Hubert Hurkacz, que joga direitinho.

– Longe de ser um NextGen, o moldávio Radu Albot não para de surpreender. Campeão de Delray Beach, tirou Fabio Fognini com direito a ‘pneu’ em 19 minutos. Tem chance real contra o instável Kyle Edmund.

– Simona Halep é agora única com chance de tirar Naomi Osaka a liderança do ranking, mas precisa no mínimo da final.

– Com a desistência diante de Garbine Muguruza, Serena Williams pode deixar o top 10. Ashleigh Barty e Anastasija Sevastova são as candidatas.

O tenista perfeito
Por José Nilton Dalcim
6 de fevereiro de 2019 às 18:15

Provavelmente, vocês viram o perfil do ‘tenista perfeito’ da atualidade que o próprio Roger Federer traçou durante entrevista ao jornal australiano Herald Sun.

Para quem não leu, a seleção de Federer foi:
Melhor primeiro saque: Karlovic ou Isner
Melhor segundo saque: Isner
Melhor voleio: Rafa
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: Nadal
Melhor smash: preferiu não responder

Sei logo de cara que existem itens controversos. Faço aqui minha lista e quero ouvir a de vocês:
Melhor primeiro saque: Karlovic
Melhor segundo saque: Isner
Melhor voleio: Federer
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: Del Potro
Melhor smash: Nadal
E acrescento:
Melhor devolução: Djokovic
Melhor jogo de pernas: Nadal
Melhor contragolpe: Djokovic
Melhor ‘mão’: Federer

E como é bem provável que me perguntem, vai também o meu ‘tenista perfeito’ da Era Profissional:
Melhor primeiro saque: Karlovic
Melhor segundo saque: Sampras
Melhor voleio: Becker
Melhor backhand com slice: Federer
Melhor backhand de uma mão: Wawrinka
Melhor backhand de duas mãos: Djokovic
Melhor forehand: González
Melhor smash: Sampras
Melhor devolução: Djokovic
Melhor jogo de pernas: Nadal
Melhor contragolpe: Djokovic
Melhor ‘mão’: Federer

De olho nos velhinhos
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2018 às 18:15

Até que sejam surpreendidos no torneio em que detêm o domínio mais significante de suas carreiras, a atenção deste Wimbledon estará em cima dos papais Roger Federer e Serena Williams. Aos 36 anos, os dois tentam dar outra prova de sua longevidade no circuito e do estilo mais que perfeito para a quadra de grama.

Mas há evidentes diferenças. Ainda que batido em recente final de Halle, o suíço não perdeu o favoritismo porque se poupou fisicamente nos últimos meses, reservando o máximo de energia para sua grande meta da temporada, que é chegar ao nono troféu no Club. A norte-americana, ao contrário, surge como incógnita. Jogou apenas quatro torneios desde a volta da maternidade e ainda saiu contundida de Roland Garros.

Qual a chance dos velhinhos? Federer tem uma sequência exigente, principalmente com a presença de Marin Cilic, mas se o saque funcionar e as pernas estiverem em dia, será difícil perder em cinco sets. É muito provável que esteja bem mais preocupado com o que vai acontecer do outro lado chave. Será que Rafa Nadal e Novak Djokovic irão mesmo longe? Ou a nova geração vai lhe dar uma boa chance, seja com Alexander Zverev ou Nick Kyrgios? A grama, é sintomático lembrar, dá grande privilégio à experiência.

Serena ganhou condição de cabeça e, mais que isso, uma chave bem favorável. Há poucos nomes de grande gabarito na grama no seu caminho à final. Se tiver a mesma dificuldade de deslocamento que mostrou nas primeiras rodadas de Roland Garros, terá de contar com sua arma essencial: o saque. Porém, é justamente o serviço o golpe mais afetado por sua contusão em Paris, a ponto de sequer ter exercitado o golpe nas últimas semanas. Muitas dúvidas.

Esta é a 132ª edição do mais antigo torneio do calendário, o que deu origem a tudo no tênis. Com aumento geral na premiação de 7,1%, os campeões de simples receberão 2,25 milhões de libras, algo em torno de R$ 11,5 milhões. O mero perdedor de primeira rodada embolsa 39 mil libras, ou R$ 200 mil. Eis por que vale tanto ser um top 100.

O que espera Federer
– Recordista de título no masculino, suíço tenta igualar os nove troféus de Martina Navratilova. Além deles, apenas Nadal e Margaret Court chegaram a tanto num Slam (ambos com 11).
– Pode recuperar a liderança do ranking se ganhar o torneio e Nadal perder antes das oitavas.
– Tenta defender seu título pela quinta vez, algo que ninguém fez. Borg segurou o troféu por quatro (1976-80).
– Se vencer três jogos, supera marca de 174 vitórias de Jimmy Connors sobre grama.
– Amplia recorde e chega a 73 Slam disputados.
– Iguala Connors com 20 participações em Wimbledon, porém consecutivas.
– Pode vencer seu quinto Slam após os 30 anos e superar os quatro de Laver e Rosewall

Outras façanhas
– Nadal tenta se tornar o segundo tenista na história a ganhar Paris e Londres no mesmo ano por três vezes. Borg fez em 1978-79-80, Laver tem dois em 62 e 69.
– Ao entrar em quadra, Feliciano López chegará a 66 Slam consecutivos e se tornará o recordista da Era Profissional
– Djokovic soma 58 vitórias em Wimbledon e pode alcançar as 59 de McEnroe e as 63 de Sampras
– Aos 39 anos e 137 dias, Karlovic é o mais velho na chave masculina. Aos 19 e 91 dias, Shapovalov é o mais jovem.
– Venus, de 38 anos, chega a seu 79º Grand Slam, recorde absoluto na Era Profissional.
– Serena pode superar Navratilova em aproveitamento no torneio. Ela tem 89,58% contra 89,63%. Graf lidera com 91,3%.

Frustração
Andy Murray causou enorme frustração. Na primeira chance que teve de ficar de fora, manteve o nome no sorteio da chave. No dia seguinte, treinou firme e deu entrevista oficial garantindo que jogaria. E menos de 12 horas depois, avisa que está fora. É compreensível que tema o esforço de disputar cinco sets, vindo da cirurgia no quadril e apenas três jogos disputados. Mas é frustrante vê-lo mudar de ideia toda hora. Pelo menos, por ficar de fora dos cabeças, não comprometeu a chave como fez no US Open.