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O saibro pronto para fazer história
Por José Nilton Dalcim
4 de abril de 2019 às 22:12

A temporada masculina sobre o saibro começa oficialmente na próxima segunda-feira, com Houston e Marrakech. Mas todo mundo está de olho mesmo é no que acontecerá a partir do dia 14, quando Monte Carlo já colocará na quadra Rafa Nadal e Novak Djokovic, os dois maiores favoritos a erguer os troféus de peso e a mudar a história. Quase um coadjuvante, Roger Federer só deverá aparecer bem mais tarde em Madri, porém ele também pode anotar façanhas.

Vamos a um resumo do que nos espera no saibro europeu:

Ranking
Não há qualquer chance matemática de Djokovic perder o número 1 até o fim de Wimbledon. Assim, ele somará obrigatoriamente mais 14 semanas como líder e seu total será no mínimo de 259. Estará assim a apenas nove do quarto lugar de Connors (268) e grudará também em Lendl (270).
– Dentro de duas segundas-feiras, Nadal irá comemorar 500 semanas como top 2 do ranking, algo que só Federer obteve (528).
– A menos que encare uma temporada desastrosa no saibro, Nadal deverá ultrapassar Federer na sequência de semanas como top 10 (está com 728 diante de 734 do suíço, mas distante das 788 de Connors).

Grand Slam
Roland Garros será uma chance especial para Rafa e Nole se aproximarem do recorde de Federer. O espanhol é o favorito natural ao 18º troféu, mas poderá ver o sérvio grudar de vez no seu calcançar se ele atingir o 16º.
– Djokovic tentará pela segunda vez o ‘Petit Slam’ (ganhar os quatro na sequência mas em temporadas sucessivas), repetindo 2015-2016
– Nenhum homem jamais fez 12 finais num mesmo Slam (Nadal e Federer têm 11)
– Djoko pode igualar as 25 finais de Nadal (Federer tem 30) e o espanhol busca atingir as 31 semis de Connors (suíço lidera com 43 e Novak soma 34).
– Federer pode ser primeiro na história com 400 jogos feitos em Slam (está com 397)
– Invicto a 21 jogos, sérvio tenta aumentar série para 28 e abrir chance de superar seu próprio recorde de 30
– Na Era Profissional, não houve um tenista que tenha vencido ao menos duas vezes cada Slam. A chance em Paris fica para Djokovic e Federer.

Masters
– Nadal e Djokovic retomam a briga particular pela liderança em troféus de nível Masters. Espanhol tem 33, um a mais.
– Federer foi o primeiro a chegar a 50 finais, mas Nadal (com 49) e Djokovic (com 47) podem repeti-lo.
– Rafa tem grande chance de superar Federer em total de vitórias. Suíço está com 374, oito a mais.
– Espanhol é único a ganhar 10 troféus no saibro (já acumula 24). Djokovic está com oito.

Façanhas
– Nadal irá atrás do 12º título em Monte Carlo, Barcelona e especialmente Roland Garros. Tenta ainda o 9º em Roma. Em toda a Era Profissional, apenas Federer foi outro tenista a ganhar nove vezes um torneio (Halle e Basileia).
– Faltam apenas 2 vitórias para Federer chegar a 1.200 na carreira (Connors totalizou 1.256)
– Djokovic precisa vencer dois top 10 para atingir 200 vitórias na carreira (Federer lidera com 218)
– Embora distante dos recordistas no piso, Djokovic está a 2 triunfos do seu 200º sobre o saibro

Todos atrás de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
31 de dezembro de 2018 às 19:42

Seus grandes adversários convivem com incertezas físicas, a nova geração ainda é mais ameaça do que realidade. E com isso Novak Djokovic começa 2019 como o grande candidato a fazer outra temporada histórica, recheada de títulos de peso e quem sabe sem sequer ver sua liderança no ranking sob risco.

Djokovic tem de ser temido em todas as situações, sejam torneios longos como os Grand Slam ou nos exigentes Masters. E qualquer que seja o piso. Especialista na quadra dura, adapta-se com notável facilidade ao saibro ou à grama. É certamente o jogador que chega mais perto de Rafael Nadal na terra europeia, o grande adversário de Roger Federer nas superfícies velozes. Curioso notar que todas suas derrotas de 2018 foram para a nova geração.

Nole iniciou a temporada 2019 no amistoso de Abu Dhabi e fez duas ótimas partidas, com elogios ao tênis cada vez mais maduro de Kevin Anderson. Vai agora a Doha e isso deve ser o suficiente para colocá-lo em condições perfeitas para o Australian Open. O número 1 pode muito bem navegar todo o primeiro semestre em mar calmo, e aumentar muito sua vantagem no ranking. Sabiamente, no entanto, anunciou um calendário enxuto e 90% focado nos grandes títulos.

Assim, sugiro ficarmos atentos aos vários feitos que Djokovic poderá alcançar ao longo de 2019:

Grand Slam
– Mais um troféu o isolará em terceiro lugar na lista histórica de títulos. Mais três, empatará com Nadal. Mais quatro, só ficará atrás de Federer.
– Com 23 finais de Slam, disputa diretamente com Nadal (24) pelo segundo lugar na lista histórica.
– Está a uma partida do 300º jogo de Slam. Apenas Federer chegou a tanto (393).
– Tem pequena chance de superar Nadal em aproveitamento de vitórias em Slam (86,29 contra 87,3%) e assumir o segundo lugar.
– Está com 14 vitórias seguidas de Slam e tenta superar o próprio recorde de 30.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Federer).
– Será o único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se vencer Paris (Nadal concorre ao feito na Austrália e Federer, em Paris).
– Pode igualar os cinco títulos de Borg em Wimbledon.
– Concorre com Nadal pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Tenta o recorde de 9 finais no US Open (empata no momento com Lendl e Sampras).
– Precisa de três vitórias em Roland Garros para superar Federer (65) e se isolar como segundo maior vencedor.
– Com mais quatro vitórias no US Open, subirá para quarto na lista. Iguala Lendl (73) e supera Sampras (71).

Geral
– Tenta igualar os seis troféus de Federer no ATP Finals.
– Disputa com Nadal o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 32 contra 33)
– Se liderar o ranking de ponta a ponta em 2019, chegará a 285 semanas e ficará apenas uma atrás de Sampras (286).
– Tenta quebrar seu recorde de mais velho a figurar no número 1 ao final de uma temporada (31 anos e 7 meses)

Adeus ao saibro e recordes na mira de Federer
Por José Nilton Dalcim
26 de dezembro de 2018 às 10:28

Quando entrar em quadra para estrear no Australian Open, dentro de duas semanas, Roger Federer festejará 19 anos de sua primeira vitória de Grand Slam, obtida sobre Michael Chang em Melbourne. Ao mesmo tempo, de forma totalmente inesperada, iniciará a defesa de seu atual bicampeonato. O que se pode esperar do suíço, já na casa dos 37 anos mas ainda o terceiro melhor do mundo?

Federer tem sido econômico no seu calendário. Não passa de 18 torneios desde 2010 e radicalizou após a contusão no joelho, reduzindo para até 12. Mostra clara sua preferência por condições um pouco mais velozes, não apenas para ajustar a seu estilo mas para economizar esforço. Ainda assim, vieram incômodos nas costas e na mão. O tempo é um adversário doloroso.

Existe a expectativa sobre a eventual volta ao saibro em 2019, o que soa sem dúvida como despedida já que muito provavelmente não fará isso em 2020, quando as Olimpíadas recheiam o calendário do segundo semestre.

Com sua qualidade e experiência, jamais pode ficar de fora das listas de candidatos aos torneios de pisos velozes, dos quais se incluem Austrália e Wimbledon e quem sabe o US Open. Mas Federer precisará contar com alto percentual de primeiro saque, recuperar a confiança no backhand, forçar mais o jogo de rede e ousar mais nas devoluções, talvez o recurso que mais o deixou na mão em 2018.

Vale ressaltar que, caso não atinja pelo menos a semi em Melbourne, Roger deverá deixar o top 5.

Grand Slam
Em termos de Grand Slam, os mais prestigiados, Federer detém todas as marcas numéricas possíveis: 20 títulos, 30 finais, 43 semis, 53 quartas, 339 vitórias e 74 participações. É também o único com ao menos cinco finais em cada Slam, a vencer três deles pelo menos cinco vezes e a ter faturado cinco troféus seguidos em dois diferentes Slam.

Mas ainda há muito a enriquecer seu currículo. Quem sabe…
– Tornar-se o mais velho campeão de Slam da Era Aberta. Ken Rosewall detém a marca desde o Australian Open de 1972, aos 37 anos e 63 dias.
– Mais 7 partidas e será primeiro a atingir 400 jogos disputados.
– Com 86,26% de aproveitamento em Slam, briga com Nadal (87,3%) e Djokovic (86,29%) pelo segundo lugar.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Djokovic).
– Se vencer Paris, será único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam (Nadal tenta mesmo feito na Austrália e Djokovic, em Paris)
– O nono troféu em Wimbledon igualaria a marca absoluta de Navratilova
– Novo troféu no US Open o transformará no maior campeão do torneio (tem 5, empatado com Connors e Sampras).
– Concorre com Nadal para ter mais finais num mesmo Slam (soma 11 em Wimbledon contra 11 do espanhol em Paris)
– Tenta igualar recorde de 8 finais no US Open (Lendl, Sampras e Djokovic).
– Chance de se tornar único tenista a atingir 100 vitórias num mesmo Slam (tem 94 na Austrália e 95 em Wimbledon).

Geral
Fora dos Slam, há outras façanhas, e das grandes, aguardando Federer:
– São 99 títulos em 151 finais. Persegue os 109 e 164 de Connors.
– Outra marca centenária na mira: está com 94 finais na quadra dura.
– Faltam 60 jogos para a marca de 1.500 disputados e 20 vitórias para a 1.200ª
– Qualquer final em 2019 e Federer será único tenista na Era Profissional a ter disputado títulos por 20 temporadas seguidas
– Tenta quebrar seu próprio recorde de mais velho a figurar no número 1 (36 anos e 10 meses).
– Pode ser o tenista que mais vezes terminará o ranking no top 5 (empata com Connors com 14 temporadas)…
– …E no top 10 (iguala-se a Connors e Agassi, com 16).