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Todos atrás de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
31 de dezembro de 2018 às 19:42

Seus grandes adversários convivem com incertezas físicas, a nova geração ainda é mais ameaça do que realidade. E com isso Novak Djokovic começa 2019 como o grande candidato a fazer outra temporada histórica, recheada de títulos de peso e quem sabe sem sequer ver sua liderança no ranking sob risco.

Djokovic tem de ser temido em todas as situações, sejam torneios longos como os Grand Slam ou nos exigentes Masters. E qualquer que seja o piso. Especialista na quadra dura, adapta-se com notável facilidade ao saibro ou à grama. É certamente o jogador que chega mais perto de Rafael Nadal na terra europeia, o grande adversário de Roger Federer nas superfícies velozes. Curioso notar que todas suas derrotas de 2018 foram para a nova geração.

Nole iniciou a temporada 2019 no amistoso de Abu Dhabi e fez duas ótimas partidas, com elogios ao tênis cada vez mais maduro de Kevin Anderson. Vai agora a Doha e isso deve ser o suficiente para colocá-lo em condições perfeitas para o Australian Open. O número 1 pode muito bem navegar todo o primeiro semestre em mar calmo, e aumentar muito sua vantagem no ranking. Sabiamente, no entanto, anunciou um calendário enxuto e 90% focado nos grandes títulos.

Assim, sugiro ficarmos atentos aos vários feitos que Djokovic poderá alcançar ao longo de 2019:

Grand Slam
– Mais um troféu o isolará em terceiro lugar na lista histórica de títulos. Mais três, empatará com Nadal. Mais quatro, só ficará atrás de Federer.
– Com 23 finais de Slam, disputa diretamente com Nadal (24) pelo segundo lugar na lista histórica.
– Está a uma partida do 300º jogo de Slam. Apenas Federer chegou a tanto (393).
– Tem pequena chance de superar Nadal em aproveitamento de vitórias em Slam (86,29 contra 87,3%) e assumir o segundo lugar.
– Está com 14 vitórias seguidas de Slam e tenta superar o próprio recorde de 30.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Federer).
– Será o único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se vencer Paris (Nadal concorre ao feito na Austrália e Federer, em Paris).
– Pode igualar os cinco títulos de Borg em Wimbledon.
– Concorre com Nadal pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Tenta o recorde de 9 finais no US Open (empata no momento com Lendl e Sampras).
– Precisa de três vitórias em Roland Garros para superar Federer (65) e se isolar como segundo maior vencedor.
– Com mais quatro vitórias no US Open, subirá para quarto na lista. Iguala Lendl (73) e supera Sampras (71).

Geral
– Tenta igualar os seis troféus de Federer no ATP Finals.
– Disputa com Nadal o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 32 contra 33)
– Se liderar o ranking de ponta a ponta em 2019, chegará a 285 semanas e ficará apenas uma atrás de Sampras (286).
– Tenta quebrar seu recorde de mais velho a figurar no número 1 ao final de uma temporada (31 anos e 7 meses)

Adeus ao saibro e recordes na mira de Federer
Por José Nilton Dalcim
26 de dezembro de 2018 às 10:28

Quando entrar em quadra para estrear no Australian Open, dentro de duas semanas, Roger Federer festejará 19 anos de sua primeira vitória de Grand Slam, obtida sobre Michael Chang em Melbourne. Ao mesmo tempo, de forma totalmente inesperada, iniciará a defesa de seu atual bicampeonato. O que se pode esperar do suíço, já na casa dos 37 anos mas ainda o terceiro melhor do mundo?

Federer tem sido econômico no seu calendário. Não passa de 18 torneios desde 2010 e radicalizou após a contusão no joelho, reduzindo para até 12. Mostra clara sua preferência por condições um pouco mais velozes, não apenas para ajustar a seu estilo mas para economizar esforço. Ainda assim, vieram incômodos nas costas e na mão. O tempo é um adversário doloroso.

Existe a expectativa sobre a eventual volta ao saibro em 2019, o que soa sem dúvida como despedida já que muito provavelmente não fará isso em 2020, quando as Olimpíadas recheiam o calendário do segundo semestre.

Com sua qualidade e experiência, jamais pode ficar de fora das listas de candidatos aos torneios de pisos velozes, dos quais se incluem Austrália e Wimbledon e quem sabe o US Open. Mas Federer precisará contar com alto percentual de primeiro saque, recuperar a confiança no backhand, forçar mais o jogo de rede e ousar mais nas devoluções, talvez o recurso que mais o deixou na mão em 2018.

Vale ressaltar que, caso não atinja pelo menos a semi em Melbourne, Roger deverá deixar o top 5.

Grand Slam
Em termos de Grand Slam, os mais prestigiados, Federer detém todas as marcas numéricas possíveis: 20 títulos, 30 finais, 43 semis, 53 quartas, 339 vitórias e 74 participações. É também o único com ao menos cinco finais em cada Slam, a vencer três deles pelo menos cinco vezes e a ter faturado cinco troféus seguidos em dois diferentes Slam.

Mas ainda há muito a enriquecer seu currículo. Quem sabe…
– Tornar-se o mais velho campeão de Slam da Era Aberta. Ken Rosewall detém a marca desde o Australian Open de 1972, aos 37 anos e 63 dias.
– Mais 7 partidas e será primeiro a atingir 400 jogos disputados.
– Com 86,26% de aproveitamento em Slam, briga com Nadal (87,3%) e Djokovic (86,29%) pelo segundo lugar.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Djokovic).
– Se vencer Paris, será único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam (Nadal tenta mesmo feito na Austrália e Djokovic, em Paris)
– O nono troféu em Wimbledon igualaria a marca absoluta de Navratilova
– Novo troféu no US Open o transformará no maior campeão do torneio (tem 5, empatado com Connors e Sampras).
– Concorre com Nadal para ter mais finais num mesmo Slam (soma 11 em Wimbledon contra 11 do espanhol em Paris)
– Tenta igualar recorde de 8 finais no US Open (Lendl, Sampras e Djokovic).
– Chance de se tornar único tenista a atingir 100 vitórias num mesmo Slam (tem 94 na Austrália e 95 em Wimbledon).

Geral
Fora dos Slam, há outras façanhas, e das grandes, aguardando Federer:
– São 99 títulos em 151 finais. Persegue os 109 e 164 de Connors.
– Outra marca centenária na mira: está com 94 finais na quadra dura.
– Faltam 60 jogos para a marca de 1.500 disputados e 20 vitórias para a 1.200ª
– Qualquer final em 2019 e Federer será único tenista na Era Profissional a ter disputado títulos por 20 temporadas seguidas
– Tenta quebrar seu próprio recorde de mais velho a figurar no número 1 (36 anos e 10 meses).
– Pode ser o tenista que mais vezes terminará o ranking no top 5 (empata com Connors com 14 temporadas)…
– …E no top 10 (iguala-se a Connors e Agassi, com 16).

Sascha brilha, diverte e cala críticos
Por José Nilton Dalcim
18 de novembro de 2018 às 22:29

Alexander Zverev divide corações. Considerado o maior expoente da nova geração, acrescenta a sua coleção de grandes títulos o ATP Finals, quinto maior torneio da temporada, ao derrotar em sequência, e sem perder set, dois adversários que somam 11 troféus na competição e estão na lista dos melhores de todos os tempos.

Mas Sascha ainda não vingou num Grand Slam, irrita com seu comportamento por vezes juvenil, reclama demais dentro e fora da quadra, quebra raquetes e, dizem, tem sério problema com a disciplina, talvez o mais importante atributo de um tenista profissional.

Com um tênis de primeira linha e atitude exemplar, Zverev calou seus críticos num final de semana mágico. Ganhou de Roger Federer indo à rede, superou Novak Djokovic no fundo de quadra. Parece surreal. Lembremos ainda que barrou Marin Cilic em dois tiebreaks e foi de uma frieza cirúrgica no jogo que valia a semi diante de John Isner.

Esta é sua terceira real temporada entre os tops. Virou top 100 pouco depois de completar 18 anos, período em que se recusou a ficar nos challengers e se arriscou o tempo todo em qualis de ATP e Masters. Pensou grande, como tem de ser para alguém com seu talento.

A chegada de Ivan Lendl pode ter iniciado a transformação que tanto se cobra dele. O homem que mudou a vida de Andy Murray chegou pedindo maior rigor no trabalho físico. Sascha ganhou rapidamente massa muscular e vimos na final deste domingo o quanto isso fez diferença.

Lendl também é excepcional estrategista e provavelmente vai tentar tornar o forehand do alemão mais potente e eficiente, tudo muito semelhante ao que adicionou a Murray. Claro que Andy de então tinha mais pernas e versatilidade, mas faltava acreditar em si mesmo. Zverev precisa dar esse salto nos Slam.

A semana de Zverev deixa claro que ele está amadurecendo. Superou o amigo e ídolo Federer num jogo em que teve de lidar com o público e mostrar ousadia tática, encarou o embalado número 1 do mundo quatro dias depois de levar uma surra decidido a aguentar inúmeras trocas de bola sem perder a cabeça. Deixou escapar uma vantagem no começo do segundo set, mas jamais se apavorou. E fechou a cerimônia de premiação com um animado e divertido discurso. Ganhou bônus.

Nole, é verdade, foi caindo de produção a partir do final do primeiro set. Perdeu-se com seus erros e falta de potência do forehand, fez três voleios pavorosos e sofreu três quebras seguidas e uma quarta para perder o jogo. Muito para quem não havia cedido o saque até então. Houve uma queda física e a evidência disso foram a pressa para dar dropshot ou a busca do saque-voleio. De qualquer forma, Djokovic não tem do que reclamar de seu segundo semestre de ouro.

E mais
– Zverev é o mais jovem campeão de um Finals desde o próprio Djokovic, que tinha os mesmos 21 anos quando venceu a edição de 2008. A diferença, claro, é que naquela altura Djoko já havia conquistado um Grand Slam.

– Sascha é o terceiro alemão a conquistar o Finals. Boris Becker foi tricampeão em 1988, 1992 e 1995, enquanto Michael Stich triunfou em 1993.

– Com os 1.300 pontos que somou em Londres, Zverev termina a segunda temporada consecutiva na quarta posição. Está apenas 35 atrás de Federer.

– Em sua sétima final, Djokovic ficou com o vice no ATP Finals apenas pela segunda vez na carreira, repetindo o que aconteceu em 2016, quando perdeu a decisão para o britânico Andy Murray.

– Nole fecha a temporada com 9.045 pontos, mais de 1.500 de vantagem sobre Rafa Nadal, e tem apenas 200 pontos a defender até começar a temporada de saibro, em abril. Mas o espanhol também tem pouco: 360.

Mike, de novo
Para comprovar que é mesmo o maior duplista da história, Mike Bryan conquistou o Finals pela quinta vez na carreira em sete finais disputadas. O fato inusitado é que desde junho ele trocou de lado na quadra, passou a atuar do lado direito da dupla e ainda assim se entrosou tão bem com Jack Sock a ponto de vencerem os três mais importantes troféus desde então, ou seja Wimbledon, US Open e o Finals.

Mike tem 40 anos e acumula 121 títulos na carreira. Não tem a menor intenção de parar. Ao contrário, aguarda a recuperação do irmão canhoto Bob, que colocou prótese no quadril e tenta retornar em janeiro. Mike detém os recordes de mais títulos (112) e mais Slam (18), é mais velho número 1 e quem passou mais tempo na liderança (chegará a 474). Único a disputar 17 vezes o Finals – curiosamente, também se classificou com Bob em sexto lugar -, chegou a 42 vitórias. A maior coleção de títulos no entanto cabe a John McEnroe e Peter Fleming, com sete.

Sock, claro, é também um duplista de respeito. Há quatro anos, surpreendeu com o título de Wimbledon ao lado de Vasek Pospisil. Nesta temporada, com atuações sofríveis em simples, dedicou-se mais às duplas e venceu seu segundo Masters em Indian Wells  (ao lado do mesmo John Isner com quem ganhou Xangai no ano passado). Também foi campeão com o desconhecido Jackson Withron e com Nick Kyrgios. Vai terminar como número 2 do mundo.