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Incertezas cercam Nadal mais uma vez
Por José Nilton Dalcim
28 de dezembro de 2018 às 21:15

Rafael Nadal inicia outra temporada sob dúvidas, tanto na parte técnica como principalmente física. Não é novidade para ele. Foi assim em 2010, 2013, 2017… O espanhol sempre encontrou uma forma de se reinventar. Muitas vezes, adicionou elementos em seu jogo e ganhou alternativas táticas, como o backhand tão mais efetivo que adquiriu com a chegada de Carlos Moyá ao time.

O físico é outra questão, mais complexa, porque é a base de seu estilo. Caminhando para os 33 anos, ele já tentou jogar de forma mais agressiva, diminuir os ralis e usar melhor o saque. Não dura muito. Acaba recuando para devolver o saque e entrar nas trocas quando a coisa aperta. No saibro, manteve seu notável domínio nos últimos anos e certamente será o favorito em 2019, já que a superfície o machuca bem menos.

A quadra dura tem sido um repetido pesadelo. Seu reconhecido poder de adaptação, é fato, lhe deu grandes conquistas sobre o piso sintético, mas o preço costuma ser alto.

Em 2018, a agenda ficou reduzida a nove torneios, cinco deles no saibro. Fica então a outra dúvida: qual calendário irá escolher? A prioridade deverá ser a terra europeia. Fez nesta sexta-feira sua primeira partida em três meses, perdeu de virada e dificilmente jogará pelo terceiro lugar em Abu Dhabi. Aliás, talvez nem vá a Brisbane.

Há uma série de feitos a ser alcançados por Nadall no próximo ano. Vamos aos principais:

Grand Slam
– Vê novamente a chance de ser único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se reconquistar Melbourne.
– Se fizer duas finais, igualará Jimmy Connors (31) no terceiro lugar.
– Faltam apenas 3 vitórias em Slam para ser o terceiro na história a totalizar 250, repetindo Federer (339) e Djokovic (258).
– Com mais 17 jogos, chegará a 300 de Slam (só Federer fez isso até agora, mas Djokovic só precisa de um na Austrália para também ir a 300).
– Tenta se tornar o único, homem ou mulher, a ganhar 12 vezes um mesmo Slam.
– Concorre com Federer para ter mais finais num mesmo Slam (tem 11 em Paris contra 11 do suíço em Wimbledon)
– Se ganhar quatro partidas em Paris, será apenas o terceiro jogador na história a ter 90 triunfos num mesmo Slam (Federer soma na Austrália e Wimbledon, Connors no US Open).
– Concorre com Djokovic pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Com 17 troféus, tem a chance de superar Federer se vencer todos os Slam da temporada.
– Com 87,3% de aproveitamento, tenta manter segundo lugar na Era Profissional (Borg tem insuperáveis 89,8%).

Geral
– Faltam 31 vitórias no circuito para superar Vilas e assumir quarto posto da Era Profissional
– Está a 12 vitórias no saibro para superar Muster (426) e assumir terceiro posto
– Qualquer título em 2019 e Nadal será único tenista na Era Pro a ter erguido troféus por 16 temporadas seguidas
– Disputa com Djokovic o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 33 contra 32)
– Disputa com Federer o recorde de mais vitórias de Masters 1000 (tem 362 contra 364).
– Soma 486 semanas no top 2 e tem chance de superar o recorde de 528 de Federer.
– Soma 716 semanas seguidas no top 10 e tem grande chance de superar as 734 de Federer (liderança é de Connors, com 788).

Os 20 maiores feitos do tênis profissional
Por José Nilton Dalcim
19 de outubro de 2018 às 20:29

Há coisas que dificilmente irão se repetir no tênis profissional. Daí o Blog do Tênis tenta destacar hoje as maiores façanhas acontecidas na Era Aberta nesta série especial que comemora os 20 anos do site TenisBrasil.

Como julguei injusto dar uma classificação, desta vez optei por blocos de cinco em cinco. Ainda assim, foi uma missão bastante difícil. Aguardo como de hábito suas participações!

As 5+
– Grand Slam de Rod Laver: único a vencer os quatro numa única temporada (1969)
– Grand Slam de Novak Djokovic: primeiro a ter todos os troféus ao mesmo tempo desde Laver (2016)
– 20 troféus de Grand Slam de Roger Federer
– 377 semanas de Steffi Graf na liderança feminina, sendo 186 consecutivas
– 310 semanas de Roger Federer como número 1, sendo 237 semanas seguidas

As outras 10+
– Golden Slam da Steffi Graf obtido em 1988
– 11 conquistas de Rafael Nadal em Roland Garros
– 23 títulos de Grand Slam de Serena Williams
– 109 títulos na carreira de Jimmy Connors
– 2.486 vitórias de Martina Navratilova na carreira (1.442 em simples e 1.044 em duplas, também recordes)

As outras 15+
– Dobradinha Roland Garros-Wimbledon de Bjorn Borg obtida três anos seguidos (1978-79-80)
– 131 vitórias em 146 jogos de simples disputados numa única temporada por Guillermo Vilas (1972)
– Número 1 de Martina Hingis obtido aos 16 anos e 6 meses (1997)
– 21 títulos conquistados numa só temporada por Margaret Smith Court (1970)
– John McEnroe faz talvez a maior temporada da história: perdeu apenas 3 de 85 jogos de simples e ainda foi o único tenista a liderar simultaneamente os rankings de simples e duplas (1984)

As outras 20+
– 125 vitórias seguidas no saibro de Chris Evert (entre agosto de 1973 e maio de 1979)
– 18 finais de simples consecutivas disputadas por Ivan Lendl (1981-1982)
– 13 finais seguidas de Slam disputadas por Steffi Graf (1987-90)
– 26 títulos combinados de simples e duplas obtidos por John McEnroe um só ano (1979)
– 13 títulos consecutivos obtidos por Martina Navratilova (1984)

Menções mais que honrosas
– 8 temporadas encerradas como número 1 por Steffi Graf (1987-90 e 93-96)
– Djokovic se torna único a ter títulos em todos os Masters do calendário incluindo o Finals
– 9 títulos em 12 finais disputadas em Wimbledon por Martina Navratilova
– 11h05 de partida entre John Isner e Nicolas Mahut (Wimbledon-2010)
– Michael Chang, mais jovem campeão de Grand Slam aos 17 anos e 3 meses (Roland Garros-1989)
– 16 títulos de simples conquistados por Guillermo Vilas num só ano (1977)
– Único ‘golden set’ da ATP: Bill Scanlon sobre Marcos Hocevar (Delray-1983)

11 + 11 = 1
Por José Nilton Dalcim
29 de abril de 2018 às 14:56

Tal qual Hércules, Rafael Nadal segue cumprindo suas exigentes tarefas sobre o saibro europeu. Com mais uma semana perfeita, manteve-se invicto em partidas (19) e em sets (46) sobre a terra, ambos desde a derrota nas quartas de Roma, além de ter anotado outro feito extraordinário que é ganhar todas as 11 finais que fez em Barcelona.

E como aconteceu após conquistar o não menos histórico 11º troféu de Monte Carlo, mantém-se como número 1 do mundo após defender 1.500 pontos. O posto está portanto assegurado por mais duas segundas-feiras, quando então virá talvez seu maior desafio que é a velocidade de Madri, onde também defenderá o título e automaticamente a liderança do ranking.

Como era de se esperar, a final contra Stefanos Tsitsipas não foi competitiva. Na melhor semana de sua carreira, o talentoso grego de 19 anos já mostrava falta de físico no fim do segundo set contra Pablo Carreño na véspera. E ao se ver diante de sua primeira final, de Rafa e do público, ainda por cima não se livrou da tensão natural.

O backhand de uma mão, como de hábito, mostrou-se frágil diante da intensidade do espanhol, à exceção de uma ou outra tentativa de risco. Quando tentou variar e ir à rede, viu por que Nadal é tão temido sobre a terra e pareceu não entender como o adversário era capaz de chegar com tamanha velocidade em bolas tão difíceis e ainda executar uma resposta que o colocava em extrema dificuldade.

Rafa concluiu outra semana soberba sobre o saibro, ainda que tenha experimentado novidades, como os set-points que se safou com alguma sorte diante da pressa de Martin Klizan ou o início acelerado e preciso de David Goffin na semi. Sempre achou uma solução. Destaque-se os oito erros não forçados cometidos diante do belga, um concorrente de real qualidade sobre o saibro, a quem dominou no segundo set como quis.

Enfim, vem agora uma semana de descanso, essencial para que ele se prepare para a mudança de ritmo que virá em Madri. Até aqui, Rafa reencontrou a solução para devolver o saque com firmeza e entrar nos pontos, como sempre gostou de fazer e é seu grande segredo sobre o saibro. Não tem se incomodado com a longa distância que fica da linha de base, acreditando estar sempre fisicamente capaz de cobrir os eventuais ângulos mesmo diante de reconhecidos sacadores. Madri será um excelente teste.

Números
– Com 401 vitórias e apenas 35 derrotas sobre o saibro na carreira, Nadal atinge eficiência de 91,97%, muito superior a Bjorn Borg (86%) e Ivan Lendl (81,1%).
– Em números absolutos, ele ainda está longe do recorde, já que Vilas somou incríveis 659 vitórias no saibro, seguido pelas 502 de Manuel Orantes e das 422 de Thomas Muster.
– São agora 55 troféus sobre o saibro, já muito acima dos 49 de Vilas. No geral, atinge 77 títulos, quarta maior série, igualado a McEnroe.
– O percentual de sucesso de Nadal também sobe para 82,7%, com 889 vitórias e 186 derrotas na carreira, curiosamente idêntico a Borg, que se aposentou com 609 triunfos e 127 quedas. Atrás estão Djokovic (82,4%) e Federer (82%).
– Com mais 501 mil euros no bolso, Nadal chega a US$ 96,7 milhões de prêmios oficiais na carreira e deve finalizar a fase de saibro como o terceiro tenista da história a atingir os US$ 100 mi.
– Com a ascensão de Tsitsipas ao 44º lugar do ranking nesta segunda-feira, teremos oito garotos de até 21 anos completos entre os top 50, dos quais ele é o segundo mais jovem, sete meses atrás de Shapovalov.