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‘Stef’ e a agressividade bem dosada
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2018 às 20:37

Atualizado à 0h19

A nova geração ganhou mais uma do Big 4. Com seu estilo tão completo, Stefanos Tsitsipas aproveitou-se de um Novak Djokovic menos intenso e ainda defensivo demais para avançar de forma inédita às quartas de um Masters 1000. Foi a quinta vitória do grego de 19 anos sobre um top 10, mas a primeira em cima de um campeão de Grand Slam.

Tsitsipas entrou na temporada 2018 com apenas quatro vitórias em torneios de primeira linha e com um ranking bom para sua idade, o 91º. Sofreu para se adaptar à nova realidade. Passou o quali em Doha e fez quartas, porém amargou depois  cinco derrotas em torneios ATP, sendo obrigado a jogar um challenger na França para tentar recuperar a confiança.

Ao furar o quali e avançar uma rodada em Monte Carlo, as coisas começaram a mudar. Veio então a final em Barcelona, com vitórias de peso em cima de especialistas como Diego Schwartzman, Albert Ramos, Dominica Thiem e Pablo Carreño, e enfim Tsitsipas deixou o anonimato. Fez outra semi no saibro português, ganhou três jogos em Wimbledon e retornou à quadra dura com expectativa de retomar a ascensão.

Dito e feito. O grego tem aquele estilo tão gostoso de se ver que se encaixa em todos os pisos, sempre agressivo mas sem o exagero da pressa. Mostrou tudo isso contra Djokovic, a quem faltou intensidade e sobrou passividade. O defeito de Tsitsipas ainda é um certo descontrole emocional, como o destempero meio assustador dos murros que deu na própria testa ainda no começo da semi em Washington. Também já foi criticado por adversários por uma conduta considerada um tanto arrogante.

Com a atuação corajosa diante de Djokovic, Stef será pelo menos 25º do ranking e estará entre os cabeças do US Open. Reencontra o embaladíssimo Alexander Zverev nesta sexta-feira, para quem perdeu em Washington há menos de uma semana. O alemão fez duas exibições firmes e rápidas em Toronto, no caminho certo para poupar físico na busca pelo bicampeonato. Quem vencer, jogará as quartas diante de Grigor Dimitrov – jogo bem curioso do dia frente a Frances Tiafoe – ou de Kevin Anderson.

No outro lado da chave, a melhor notícia foi a atuação valente de Stan Wawrinka diante do número 1 do mundo. Quando se esperava que ele não tivesse físico para aguentar o volume de jogo de Rafael Nadal, o suíço entrou decidido a arriscar e conseguiu equilibrar os dois sets, com chance de ter levado o segundo não fosse um game afoito na hora de fechar.

Nadal usou muito bem o saque, defendeu-se com a maestria habitual mas usou uma postura de devoluções ofensivas que certamente é importante num piso mais veloz como o de Toronto. Isso aliás é chave diante de Marin Cilic, que costuma se atrapalhar quando vê a bola voltando com frequência.

O vencedor dará um largo passo para a final, já que o adversário sairá de Robin Haase e Karen Khachanov. Como Denis Shapovalov decepcionou pelo tênis afoito e pouco preciso, o russo garante a nova geração na parte de cima após – acreditem – vencer John Isner em dois tiebreaks!

Djokovic se garante entre os 16 cabeças em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
21 de junho de 2018 às 20:58

A primeira grande notícia para Novak Djokovic é que o ‘ranking da grama’, adotado por Wimbledon para designar a ordem dos 32 favoritos no sorteio da chave, lhe dará condição de estar entre os 16 principais cabeças de chave para seu terceiro Grand Slam da temporada.

A espetacular vitória desta quinta-feira em cima de Grigor Dimitrov, que o colocou nas quartas de final de Queen’s, garantiu Djokovic como cabeça 14 em Wimbledon. Não é o melhor dos mundos, mas agora ele só poderá cruzar com um dos quatro primeiros do ranking em eventuais oitavas de final, ou seja, Roger Federer, Rafael Nadal, Marin Cilic e Alexander Zverev. O privilégio ideal era ficar entre cabeças 9 e 12, porque aí o adversário de quarta rodada seria alguém entre 5 e 8 do ranking.

Mas Nole deu outra mostra de que está se recuperando a cada semana. É bem verdade que Dimitrov errou demais, porém o sérvio se mostra cada vez mais à vontade na devolução de saque, um de seus pontos fortes e algo essencial na grama. O primeiro serviço pode e deve melhorar, ainda que o índice de 65% de acerto (e 88% de aproveitamento) não seja nada ruim.

Uma vaga na final de Queen’s ficou mais provável. Vem agora Adrian Mannarino e, se vencer, Jeremy Chardy ou Frances Tiafoe. O outro lado da chave é bem mais forte: Cilic encara Sam Querrey e Nick Kyrgios duela com Feliciano López. São quatro ótimos jogadores na grama.

Fora do padrão mesmo foi a atuação de Federer. Após um bom primeiro set, em que soube explorar o sempre deficiente lado direito de Benoit Paire, o suíço entrou e parafuso, perdeu dois games de serviços seguidos – uma heresia sobre a grama – e continuou errando muito da base no terceiro set, já com um Paire bem confiante e cheio de ousadia. O francês salvou um break-point no oitavo game e dois match-points no 12º com categoria, virou o tiebreak de 0-2 para 5-3 e aí viu escapar dois match-points, o segundo deles com o serviço na mão.

Federer encara uma chave incrivelmente fácil para chegar ao 99º título e assim manter a liderança do ranking por mais três semanas. Enfrenta agora o top 60 Mattheus Ebden, fará semi diante de Yuichi Sugita ou Denis Kudla e vê o outro lado da chave com Bautista-Khachanov e Coric-Seppi. Que a quinta-feira lhe sirva de alerta: não dá para relaxar na traiçoeira quadra de grama.

Welcome back, Andy
Por José Nilton Dalcim
19 de junho de 2018 às 15:14

Andy Murray perdeu, como era previsível, em seu retorno às quadras depois de praticamente um ano todo de ausências, cirurgia no quadril, tentativas frustradas de volta, discursos desanimados. Porém, sua atuação diante de Nick Kyrgios em Queen’s foi muito acima de qualquer expectativa.

O mais importante de tudo esteve na sua movimentação. Exímio tenista sobre a grama, o bicampeão de Wimbledon não economizou esforço, correu atrás de bolas difíceis, jamais demonstrou falta de pernas apesar de 2h39 de intensa batalha e perdeu por detalhes ali no finalzinho do terceiro set.

Ainda disparou 16 aces e fez do saque elemento essencial para o equilíbrio da partida, ainda que ironicamente tenha entregado o terceiro match-point numa dupla falta. A menos que surja algum incômodo físico grave, Murray felizmente estará em Wimbledon, solto na chave. Com Roger Federer e Rafael Nadal na ponta dos cascos e Novak Djokovic evoluindo a cada semana, já dá para sonhar com um excepcional Grand Slam.

Kyrgios é um adversário difícil de se enfrentar, ainda mais na grama, onde sua potência e imprevisibilidade ficam maximizadas. No entanto, ele também sai facilmente de jogo, exagera na acrobacia e tem um claro bloqueio mental quando enfrenta Murray. Enfim, conseguiu sua primeira vitória oficial em seis confrontos – havia vencido na Copa Hopman em 2016 – e deve muito disso à falta de ritmo do adversário.

Não é acaso que o escocês tenha dado tanto apoio a Kyrgios sempre que surgem polêmicas em cima do ‘badboy’ australiano. Ao longo de uma carreira tão complicada e de tantas cobranças, ninguém melhor que Murray para entender a cabeça confusa do australiano, já que Andy sempre teve visão bem diferenciada do esporte. O próximo adversário de Kyrgios pode ser outro homem da casa, Kyle Edmund.

A terça-feira gorda também teve o retorno de Novak Djokovic ao Queen’s Club, algo que não acontecia há oito anos, e ele fez tudo direitinho em cima do quali australiano John Millman. Achei que o sérvio ficou plantado demais no fundo de quadra, quase como se estivessem numa quadra dura lenta, mas o importante para ele certamente foi começar bem na grama.

Agora, vem o ‘freguês’ Grigor Dimitrov, sobre quem Nole tem 6-1 nos duelos, e vamos combinar que a atuação do búlgaro contra Damir Dzumhur beirou o sofrível, com Dimitrov também grudado na base. O que será que aconteceu com a grama? De todos os jogos que vi em Londres, só Kevin Anderson e Mischa Zverev tentaram voleios frequentes.

Lá na velocidade de Halle, também foi raro de se ver jogo de rede, ainda que essa tenha sido uma arma usada muito bem por Borna Coric para a surpreendente vitória que deu em cima de Alexander Zverev, que escapou de uma ‘surra’ e se mostrou estranhamente desanimado.

Até mesmo Roger Federer foi econômico nos voleios e realizou um duelo basicamente de golpes de fundo contra Aljaz Bedene. Quem sabe, Benoit Paire exija bem mais, porque afinal é agressivo por excelência.