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Brilhante! Mas Zverev não pode relaxar.
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2018 às 22:57

Alexander Zverev não é agora apenas o jogador com mais vitórias na temporada. Ele também assumiu o segundo posto entre os que mais pontuaram desde janeiro, deixando Juan Martin del Potro e Rafa Nadal para trás. Mais uma vez, mostra versatilidade. Foi vice em Miami e obteve transição perfeita para o saibro, primeiro no 250 de Munique e agora com magnífico desempenho em Madri, sem falar na semi em Monte Carlo.

Já soma três títulos de Masters com 21 anos mal completados e abafa as críticas que sofreu até mesmo do ex-treinador Juan Carlos Ferrero. Usou é claro seu excepcional saque para permitir um único break-point ao longo de toda a semana em Madri, mas foi além disso. Moveu-se bem, contragolpeou, foi mais à rede e mostrou frieza quando não podia dar espaço ao adversário. Dominic Thiem sentiu isso na pele, baixou a cabeça e de novo escapou dele o sonho do primeiro grande troféu.

Mas há importantes tarefas ainda para Zverev. A primeira delas já começa na quarta-feira, quando estreará em Roma, condições bem menos velozes. Atual campeão e assim defendendo 1.000 pontos, ele não pode vacilar. Uma derrota precoce – e a sequência promete Frances Tiafoe, Lucas Pouille e David Goffin ou Del Potro nas três primeiras rodadas – pode lhe tirar a fundamental condição de cabeça 2 de Roland Garros.

A ameaça depende, claro, de grandes campanhas de Grigor Dimitrov e Marin Cilic. O croata é mais jogador de saibro e está justamente no lado inferior da chave, tendo possíveis duelos contra Diego Schwartzman, Pablo Carreño ou Kevin Anderson. O búlgaro não foi bem sequer nas condições mais velozes de Madri, encara uma perigosa primeira partida contra Kei Nishikori ou Feli López, além de Jack Sock e depois John Isner ou até Novak Djokovic nas quartas. Na verdade, até Delpo pode superar Zverev no ranking, mas para isso precisaria pelo menos da final.

Assim, parece bem provável que Zverev permaneça mesmo como número 3 e fique no extremo oposto de Nadal em Roland Garros, o que é um alívio e tanto. Se der sorte, poderá também se livrar de Thiem. Porque o que todo mundo ainda espera do alemão é uma campanha digna num Grand Slam. Seu histórico em Paris se limita a duas vitórias e duas derrotas (parou em Thiem na terceira rodada de 2016 e caiu para Fernando Verdasco na estreia do ano passado). Então está mais do que na hora de impor seu talento.

Thiem também fez um grande torneio em Roma no ano passado, derrotando Nadal nas quartas antes de dar vexame diante de Djokovic. O destino quis que ele novamente tenha chance de cruzar o canhoto espanhol na quarta rodada, desde que passe por Fabio Fognini ou Gael Monfils na estreia. É bem provável que Rafa esteja a sua espera, já que tem Fernando Verdasco ou Damir Dzumhur na primeira partida e depois quem sabe Tomas Berdych ou Denis Shapovalov.

Há outra expectativa grande em Roma em cima da essencial e necessária reabilitação de Djokovic, que jogará sob pressão ainda maior, já que defende 600 pontos do vice do ano passado. Felizmente, ele pegou Alexander Dolgopolov. Além de ter perdido todos os cinco duelos para o sérvio, o ucraniano só fez um jogo (e cinco games no 221º do mundo) desde o Australian Open. Melhor ainda, em seguida viria um qualificado.

Ainda assim, os 90 pontos de terceira rodada seriam perigosos para Nole, que está sob séria ameaça de cair para o 34º lugar do ranking e ficar sem condição de cabeça de chave em Roland Garros, mesmo com a ausência de Roger Federer. A vida não está fácil para Djokovic.

Nem sorteio de chave ajuda Djokovic
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2018 às 19:45

Definitivamente, alguém lá em cima está irritado com Novak Djokovic. Atrás de uma sequência de vitórias que lhe garanta mais confiança e ritmo, o sérvio não deu sorte na formação da chave para o Masters 1000 de Madri, um saibro bem mais veloz que já lhe deu dois títulos, um deles em cima de Rafa Nadal.

A árdua tarefa de Nole começa já contra Kei Nishikori, contra quem fez semi dois anos atrás. Embora o japonês também venha de parada por contusão e mostre aquele físico incerto, está em ritmo muito melhor, recém finalista em Monte Carlo. Se passar, Djokovic precisa tomar cuidado com a juventude de Kyle Edmund ou Danill Medvedev. Daí poderão vir David Goffin e em seguida Grigor Dimitrov.

Claro que a única coisa a se comemorar foi ter ficado do lado oposto de Nadal. O dono do saibro europeu e atual campeão aguarda Gael Monfils e Diego Schwartzman, dois jogadores que estão muito inseguros no momento. É bem provável que reencontre Dominic Thiem nas quartas – embora o piso mais veloz agrade Pablo Carreño – e ficará então enorme expectativa para que cruze com Juan Martin del Potro.

Delpo já foi um grande e respeitável tenista sobre o saibro, mas sua última semifinal num Masters 1000 sobre a terra aconteceu há seis anos exatamente em Madri, mesma temporada em que foi às quartas de Roland Garros. Desde então, disputou restritos cinco Masters no piso com uma quartas em Roma. E mais nada. Ficamos com a saudável memória daquela semi em Paris diante de Roger Federer, porém isso foi em 2009, antes do seu US Open mágico e das cirurgias.

De qualquer forma, o argentino tem boa chance de ir longe. Estreia diante de Julien Benneteau ou Damir Dzumhur, pode ter Tomas Berdych ou Richard Gasquet – outro curioso duelo de primeira rodada – e por fim Kevin Anderson ou Roberto Bautista. Não tenho dúvida que esta sim seria a sequência dos sonhos para Djokovic num torneio tão forte.

Por fim, é importante ressaltar que o quadrante de Dimitrov-Goffin-Djokovic pertence ao lado de Alexander Zverev, o cabeça 2, que necessariamente pinta como favorito à vaga na final. No entanto, pode estrear contra Stefanos Tsitsipas e, se o cansaço não pesar para o semifinalista do Estoril, o saibro veloz de Madri tem tudo para virar tormento a Zverev. O italiano Fabio Fognini também precisa ser apontado como nome forte, mas ele foi decepção em Munique.

Que desastre!
Depois de um ótimo início de semana, o tênis brasileiro sofreu uma derrocada difícil de engolir em tudo que foi lugar. O mau presságio começou com a vacilada incrível de Thiago Monteiro na quinta-feira, quando teve saque e 5/3 para ir às quartas de Istambul, minutos depois de ver o cabeça 1 e possível adversário Marin Cilic ser eliminado.

Depois veio a inacreditável virada que Rogerinho Silva levou no terceiro set diante de Taro Daniel, desperdiçando 4/0 e 40-30 com saque. Já havia sido estranho levar 1/6 do japonês no segundo set. E olhem o quadro que o esperava: Chardy na semi, Jaziri ou Djere na final.

Não menos terrível foi ver Bia Haddad ser novamente eliminada por Sara Errani, que nem de longe tem sido a italiana de anos atrás. Pior de tudo é que a brasileira despencará no ranking, não apenas por 78 pontos perdidos em Praga nesta semana mas com outros 140 de Madri na próxima. E ainda tem 80 do quali de Roland Garros a defender.

Nem Marcelo Melo escapou. Ele e Lukasz Kubot, a bem da verdade, perderam o ritmo e não têm jogado bem desde fevereiro. Para fechar a sexta-feira tenebrosa, Guilherme Clezar deixou escapar quatro match-points e 6-2 no tiebreak do terceiro set e Thomaz Bellucci parou em outras quartas, sem ganhar set do 244º do ranking, depois de ter 5/3 e dois set-points com o serviço na série inicial.

E o que nos resta neste latifúndio? Futures. João Menezes em outra final na Nigéria, Jordan Correira numa semi no Cairo, Orlandinho e Felipe Alves em final de duplas também no Egito, Rafael Matos e Igor Marcondes em semi no clube Paineiras.

Mantenha-se otimista, se puder. Eu vou tentar.

A festa apenas começou
Por José Nilton Dalcim
22 de abril de 2018 às 18:19

O primeiro dos cinco capítulos que Rafael Nadal pretende protagonizar no saibro europeu foi um campeão de audiência. Apenas 21 games cedidos a seus cinco adversários, três deles de nível top 10. Monte Carlo viu somente quatro serviços quebrados, 68% de pontos com o segundo serviço e 43% de lances vencidos ao devolver o primeiro saque. Praticamente impossível fazer melhor do que isso sobre o saibro.

Algo que chama a atenção é a forma com que Nadal venceu seus jogos no Principado. À exceção de dois sets que foram mais exigentes e levaram cerca de 60 minutos cada um, diante de Grigor Dimitrov e de Kei Nishikori nas duas rodadas decisivas, a campanha foi cristalina o bastante para mantê-lo completamente fresco.

Certamente, estreará apenas na quarta-feira em Barcelona e terá dois dias de descanso, não físico porque certamente treinará como um touro, mas mental. E assim estará novamente pronto para outro desfile sobre o saibro. Nas oitavas, poderá reencontrar Nishikori – aposto que o japonês estará exausto – e ficará novamente a expectativa pelo reencontro com Novak Dokovic nas quartas. Há ainda David Goffin numa possível semi e quem sabe Dominic Thiem ou Dimitrov na decisão.

Não há qualquer motivo razoável para se duvidar que ele tenha grandes chances de chegar ao 11º título também em Barcelona, tendo então uma semana para se preparar a um real desafio que é a velocidade de Madri e então o cansaço sempre mais evidente em Roma. Sei que é impossível pedir a Rafa que diminua o calendário e o ritmo, guardando forças para Roland Garros. Porém, ainda acho que seria o mais sensato.

De qualquer maneira, sua distância atlética, técnica e emocional para qualquer concorrente de momento é abismal. Ninguém achou solução para ao menos equilibrar as partidas. Talvez a melhor postura tenha sido de Nishikori quando apostou em forçar no backhand do espanhol e trocar para paralela, ou então usar curtas. Porém, faltaram braços e pernas para  sustentar o plano.

Não bastassem seu spin enlouquecedor e a incomparável visão tática, Nadal mostra muito mais físico e coração. Caso Djokovic não acorde do seu pesadelo a tempo, tudo indica que assistiremos a um domínio jamais visto sobre o saibro, superior até mesmo ao que Rafa obteve em 2010, quando só lhe faltou Barcelona.