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Vale tudo
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2017 às 12:45

Pela quarta vez na temporada em que dominam o circuito, Rafael Nadal e Roger Federer vão para o confronto direto. O espanhol tinha favoritismo na Austrália, mas perdeu tal regalia em Indian Wells e Miami. Não parou de evoluir e desta vez se torna o maior candidato ao título de Xangai. Tudo é claro na mais pura teoria. Entre esses dois, previsão vale pouco. Os dois não se enfrentavam na condição de 1 e 2 do ranking desde novembro de 2010.

Nadal chega a sua terceira final consecutiva depois de duas partidas bem exigentes. Na sexta-feira, Grigor Dimitrov jogou melhor do em Pequim ajudado pelo piso mais veloz, mas viu um andamento muito parecido e um adversário firme nas devoluções e trocas.

Depois, o espanhol encarou um Marin Cilic de altos e baixos, que mesclou grandes momentos com quedas de intensidade. O croata teve chance essencial para fechar o primeiro set, porém o espanhol voltou a mostrar confiança e grande postura emocional. Poderia ter vencido mais facilmente se não tivesse permitido a quebra no 5/4. De qualquer forma, foi um excelente teste diante de um Cilic que desceu o braço o tempo todo.

Federer por sua vez deve ter se surpreendido com Juan Martin del Potro porque o argentino jamais demonstrou problema no punho esquerdo. Muito ao contrário, soltou o backhand batido como há muito não se via e praticamente não deu slices na partida. O argentino foi primoroso até sofrer a quebra na metade do segundo set e, contrariado com o público, baixou enfim a intensidade.

Na véspera contra Richard Gasquet, o suíço já tinha se mostrado mais sólido na base, num jogo de excelentes trocas de bolas forçadas. Diante de Delpo, também evitou slices e tentou manter ritmo forte, porém muitas vezes exagerou ao mudar muito antes do recomendado para o forehand de Del Potro. De qualquer forma, fez um terceiro set muito bom, solto, sacando bem e variando com voleios e deixadas.

A decisão, às 6h30 deste domingo, tem o backhand como elemento a ser observado. Federer usou o antigo ponto frágil com maestria nas vitórias de 2017, mas depois viu o golpe perder eficiência. Contra Delpo, esteve muito firme. Nadal por seu lado vem trabalhando no backhand e a melhoria é evidente. Sem necessidade de proteger tanto o lado direito, tem se mostrado muito solto.

O espanhol está em momento iluminado, no ponto máximo de sua confiança e preparo físico. Para equilibrar o jogo, Federer precisará usar todos os recursos de uma quadra rápida e sacar muito bem. O suíço tem devolvido a contento em Xangai e essa primeira bola em cima do adversário pode abrir caminho para definir rapidamente os pontos.

O duelo tem, é claro, todos os ingredientes para um grande cardápio. Ainda há uma disputa direta entre eles pela liderança do ranking e esta certamente é a última oportunidade para Federer se manter vivo. Além disso, a série de quatro vitórias consecutivas sobre o maior rival me parece ser motivação. Para os dois.

Aquecendo
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2017 às 12:18

Rafael Nadal e Roger Federer estão se aquecendo no piso sintético veloz de Xangai para mais um possível duelo direto no próximo domingo. Depois de duas rodadas, o canhoto espanhol não pareceu sentir a menor dificuldade na adaptação entre a quadra mais lenta de Pequim e a rapidez maior de Xangai, que ainda por cima tem usado o teto retrátil, despachando com assustadora facilidade Jared Donaldson e Fabio Fognini.

Federer, por seu lado, sofreu pequenos altos e baixos. Perdeu um game de serviço para Diego Schwartzman, salvou break-points contra Alexandr Dolgopolov e ainda parece procurar um ritmo ideal de ataque, algo mais do que normal para quem só fez duas partidas de exibição desde o US Open. Ajustes se tornam necessários, como a consistência no backhand e especialmente amenizar uma evidente ansiedade.

As quartas de final são exigentes para Nadal, que reencontrará Grigor Dimitrov, para quem perdeu um set uma semana atrás em Pequim. Todos sabemos que o búlgaro gosta mais de uma quadra veloz. O mesmo se pode dizer de Marin Cilic, possível adversário de sábado e favorito diante de Albert Ramos. Já Federer na teoria tem tarefa mais fácil contra Richard Gasquet, mas vislumbra um reencontro que promete ser explosivo caso Juan Martin del Potro marque sua sétima vitória em cima de Viktor Troicki.

O argentino teve excelente atuação na madrugada diante do garoto Alexander Zverev, usando ao máximo o potencial de seu primeiro serviço numa partida disputada game a game e decidida em pequenos detalhes, ou seja, a confiança de Delpo no tiebreak e a quebra no quinto game num terceiro set em que o argentino perdeu apenas quatro pontos com o saque.

Enquanto isso, o quadro para o Finals de Londres vai se definindo. Além de Nadal, Federer e Zverev, Dominic Thiem se garantiu apesar do mau momento. Dimitrov e Cilic estão virtualmente classificados. Restam assim duas vagas. David Goffin, Pablo Carreño, Sam Querrey e Kevin Anderson são os mais cotados.

– Com os pontos somados nas quartas de final de Xangai, Nadal recoloca ordem no ranking mundial e o número 1 voltará a somar mais de 10 mil pontos. Isso não acontecia desde o começo de junho e chegou ao ponto de Andy Murray ter somente 7.750 na lista do dia 17 de julho, substituído pouco depois pelo próprio Nadal, então com 7.645.

– Mais uma vitória e Cilic irá tirar provisoriamente Zverev do quarto lugar do ranking. Na contagem apenas da temporada, o alemão ainda leva cerca de 1.000 pontos de dianteira e permanece como o maior candidato a fechar o ano como número 3.

– A menos que Gasquet seja campeão, Del Potro enfim voltará ao top 20 do ranking na próxima segunda-feira, posição que não ocupa desde 6 de outubro de 2014. Londres está distante, mas continua possível.

– Bruno Soares se tornou o segundo duplista brasileiro a atingir a marca de 400 vitórias em torneios de primeira linha nesta quinta-feira, atrás somente das 423 de Marcelo Melo. A vitória também garantiu matematicamente Soares e Jamie Murray no segundo Finals consecutivo. Melo já estava classificado há tempos e briga em Xangai para se manter na liderança de parcerias ao lado de Lukasz Kubot.

– Bia Haddad perdeu outra vez para Sara Errani em três sets equilibrados e encerrará sua temporada na próxima semana no WTA de Luxemburgo. A canhota de 21 anos foi indicada pela WTA na categoria “revelação” da temporada ao lado de CiCi Bellis, Elise Mertens e Marketa Vondrousova. Vale a torcida.

Cada vez melhor
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2017 às 20:08

Doze jogos como número 1 do mundo, doze vitórias e dois títulos de peso sobre a quadra dura. Rafael Nadal deixou para trás aquele jejum de três anos e meio sem conquistas no piso sintético, mostra um tênis cada vez mais completo e o resultado é que disparou de vez na ponta do ranking. Como todo mundo sabe, quando a confiança está alta, é muito difícil competir com ele.

Claro que Nadal teve sorte lá na primeira rodada de Pequim, quando Lucas Pouille errou um forehand a dois metros da rede, extremamente fácil para seu nível, que permitiria fechar a partida. Mas é também justo analisar Rafa a partir desse momento. Abraçou a chance, dominou o terceiro set e daí em diante mostrou um tênis fluente e muitas vezes agressivo.

Ninguém pode dizer que sua chave foi fácil. Passou pela juventude de Karen Khachanov, pelo saque bombástico de John Isner, pelo jogo versátil de Grigor Dimitrov e anulou o agressivo Nick Kyrgios numa final impecável. Fato que o australiano sacou muito abaixo – 45% de acerto é um desastre para seu estilo -, porém o canhoto espanhol trabalhou cada bola, fez o adversário se mexer, enlouqueceu com defesas incríveis, contra-atacou na menor oportunidade. “Rafa me destruiu”, foi a definição mais que perfeita de Kyrgios.

Nadal segue direto para Xangai, onde também tem chave difícil, podendo reencontrar Pouille logo na segunda partida, Dimitrov nas quartas e Kyrgios na semi. O piso sintético bem mais veloz será um teste interessante. É essencial destacar a excelente produtividade do backhand do espanhol em Pequim. O golpe deixou mesmo de ser um ponto vulnerável e hoje produz winners e uma variação inteligente para a paralela.

Prêmio ao esforço
A outra importante notícia do fim de semana foi a nova troca de liderança no ranking feminino. Aliás, a quinta da temporada e a terceira em apenas um mês! O ano começo com Serena Williams na ponta, superada por Angelique Kerber. Depois, vieram um curto reinado de oito semanas de Karolina Pliskova, quatro de Garbiñe Muguruza e nesta segunda-feira enfim Simona Halep realizará seu sonho.

Sem dúvida, é até estranho que uma jogadora atinja o número 1 com apenas um título conquistado desde janeiro e ainda por cima com derrota neste domingo. Mas Halep tem um jogo baseado na regularidade e o ranking reflete exatamente isso. Ela ganhou Madri e foi à final de Paris, Roma, Cincinnati e Pequim. Muito legal ler em sua entrevista à WTA que a derrota na final de Paris a deixou muito desanimada, mas ergueu a cabeça.

Eliminada logo na estreia do US Open por Maria Sharapova, percebeu enfim que teria de trabalhar duro com o serviço e passou a treinar o saque uma hora por dia. Se não possui o tênis mais vistoso do circuito, Halep ensina que determinação é a chave do sucesso.

O mesmo elogio cabe a David Goffin, outro jogador que também não possui golpes espetaculares e costuma pecar no mental. Depois de três anos e seis vices sucessivos, ele ganhou seus dois últimos torneios, em Shenzhen e em Tóquio, recuperou o posto no top 10 e se candidatou de vez a uma vaga no Finals de Londres.

Por fim, lembro de ter escrito em novembro do ano passado que Caroline Garcia era uma tenista a se ficar de olho em 2017. E eis que ela deu o salto de qualidade que eu esperava nesta reta final. Jogadora de muitos recursos, também ótima duplista, entrou para o top 10 com o título em Pequim e está na luta para ir ao WTA Finals. O ranking feminino agora tem metade de suas 10 primeiras colocadas abaixo dos 26 anos e três com menos de 24.