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Djokovic se garante entre os 16 cabeças em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
21 de junho de 2018 às 20:58

A primeira grande notícia para Novak Djokovic é que o ‘ranking da grama’, adotado por Wimbledon para designar a ordem dos 32 favoritos no sorteio da chave, lhe dará condição de estar entre os 16 principais cabeças de chave para seu terceiro Grand Slam da temporada.

A espetacular vitória desta quinta-feira em cima de Grigor Dimitrov, que o colocou nas quartas de final de Queen’s, garantiu Djokovic como cabeça 14 em Wimbledon. Não é o melhor dos mundos, mas agora ele só poderá cruzar com um dos quatro primeiros do ranking em eventuais oitavas de final, ou seja, Roger Federer, Rafael Nadal, Marin Cilic e Alexander Zverev. O privilégio ideal era ficar entre cabeças 9 e 12, porque aí o adversário de quarta rodada seria alguém entre 5 e 8 do ranking.

Mas Nole deu outra mostra de que está se recuperando a cada semana. É bem verdade que Dimitrov errou demais, porém o sérvio se mostra cada vez mais à vontade na devolução de saque, um de seus pontos fortes e algo essencial na grama. O primeiro serviço pode e deve melhorar, ainda que o índice de 65% de acerto (e 88% de aproveitamento) não seja nada ruim.

Uma vaga na final de Queen’s ficou mais provável. Vem agora Adrian Mannarino e, se vencer, Jeremy Chardy ou Frances Tiafoe. O outro lado da chave é bem mais forte: Cilic encara Sam Querrey e Nick Kyrgios duela com Feliciano López. São quatro ótimos jogadores na grama.

Fora do padrão mesmo foi a atuação de Federer. Após um bom primeiro set, em que soube explorar o sempre deficiente lado direito de Benoit Paire, o suíço entrou e parafuso, perdeu dois games de serviços seguidos – uma heresia sobre a grama – e continuou errando muito da base no terceiro set, já com um Paire bem confiante e cheio de ousadia. O francês salvou um break-point no oitavo game e dois match-points no 12º com categoria, virou o tiebreak de 0-2 para 5-3 e aí viu escapar dois match-points, o segundo deles com o serviço na mão.

Federer encara uma chave incrivelmente fácil para chegar ao 99º título e assim manter a liderança do ranking por mais três semanas. Enfrenta agora o top 60 Mattheus Ebden, fará semi diante de Yuichi Sugita ou Denis Kudla e vê o outro lado da chave com Bautista-Khachanov e Coric-Seppi. Que a quinta-feira lhe sirva de alerta: não dá para relaxar na traiçoeira quadra de grama.

Welcome back, Andy
Por José Nilton Dalcim
19 de junho de 2018 às 15:14

Andy Murray perdeu, como era previsível, em seu retorno às quadras depois de praticamente um ano todo de ausências, cirurgia no quadril, tentativas frustradas de volta, discursos desanimados. Porém, sua atuação diante de Nick Kyrgios em Queen’s foi muito acima de qualquer expectativa.

O mais importante de tudo esteve na sua movimentação. Exímio tenista sobre a grama, o bicampeão de Wimbledon não economizou esforço, correu atrás de bolas difíceis, jamais demonstrou falta de pernas apesar de 2h39 de intensa batalha e perdeu por detalhes ali no finalzinho do terceiro set.

Ainda disparou 16 aces e fez do saque elemento essencial para o equilíbrio da partida, ainda que ironicamente tenha entregado o terceiro match-point numa dupla falta. A menos que surja algum incômodo físico grave, Murray felizmente estará em Wimbledon, solto na chave. Com Roger Federer e Rafael Nadal na ponta dos cascos e Novak Djokovic evoluindo a cada semana, já dá para sonhar com um excepcional Grand Slam.

Kyrgios é um adversário difícil de se enfrentar, ainda mais na grama, onde sua potência e imprevisibilidade ficam maximizadas. No entanto, ele também sai facilmente de jogo, exagera na acrobacia e tem um claro bloqueio mental quando enfrenta Murray. Enfim, conseguiu sua primeira vitória oficial em seis confrontos – havia vencido na Copa Hopman em 2016 – e deve muito disso à falta de ritmo do adversário.

Não é acaso que o escocês tenha dado tanto apoio a Kyrgios sempre que surgem polêmicas em cima do ‘badboy’ australiano. Ao longo de uma carreira tão complicada e de tantas cobranças, ninguém melhor que Murray para entender a cabeça confusa do australiano, já que Andy sempre teve visão bem diferenciada do esporte. O próximo adversário de Kyrgios pode ser outro homem da casa, Kyle Edmund.

A terça-feira gorda também teve o retorno de Novak Djokovic ao Queen’s Club, algo que não acontecia há oito anos, e ele fez tudo direitinho em cima do quali australiano John Millman. Achei que o sérvio ficou plantado demais no fundo de quadra, quase como se estivessem numa quadra dura lenta, mas o importante para ele certamente foi começar bem na grama.

Agora, vem o ‘freguês’ Grigor Dimitrov, sobre quem Nole tem 6-1 nos duelos, e vamos combinar que a atuação do búlgaro contra Damir Dzumhur beirou o sofrível, com Dimitrov também grudado na base. O que será que aconteceu com a grama? De todos os jogos que vi em Londres, só Kevin Anderson e Mischa Zverev tentaram voleios frequentes.

Lá na velocidade de Halle, também foi raro de se ver jogo de rede, ainda que essa tenha sido uma arma usada muito bem por Borna Coric para a surpreendente vitória que deu em cima de Alexander Zverev, que escapou de uma ‘surra’ e se mostrou estranhamente desanimado.

Até mesmo Roger Federer foi econômico nos voleios e realizou um duelo basicamente de golpes de fundo contra Aljaz Bedene. Quem sabe, Benoit Paire exija bem mais, porque afinal é agressivo por excelência.

Números comprovam: Federer é o dono absoluto da grama
Por José Nilton Dalcim
17 de junho de 2018 às 23:03

Roger Federer está muito perto de reunir todas as mais relevantes marcas já obtidas sobre as quadras de grama da Era Profissional. Para tanto, necessita tão somente mais seis vitórias em Halle ou em Wimbledon. Será então o absoluto ‘rei’ do piso.

E isso é um assombro. Porque o suíço basicamente disputou apenas dois torneios sobre a superfície ao longo de cada temporada, enquanto jogadores como Rod Laver e Jimmy Connors viveram uma fase, entre 1968 e 1974, em que três dos quatro Grand Slam eram disputados no piso natural. Outros, como John McEnroe e Borg Borg, tiveram à disposição dois Slam na grama entre 1975 e 1985.

Isso sem falar que muitos preparatórios para esses eventos jogavam-se também na grama. Acontecia assim em Sydney, Auckland, Dublin, Bristol, Johanesburgo, para citar alguns exemplos.

Veja como estão hoje os recordes da grama e o domínio total de Federer:
– Ele chega a 18 títulos contra 10 do segundo colocado, Pete Sampras.
– Soma agora 168 vitórias e fica a apenas seis do recorde de Jimmy Connors.
– Suíço lidera com folga em eficiência, com 87,4% de vitórias, muito acima dos 85,8% de John McEnroe.
– Marcou a maior série invicta do piso, com 65 triunfos, entre 2003 e 2008, deixando longe as 41 de Bjorn Borg.
– Federer também detém a mais longa sequência de sets vencidos, com 36, entre 2003 e 2004.
– E talvez acima de tudo, Roger é o homem com mais títulos (8) e finais (11) em Wimbledon, mesmo considerando-se a época amadora em que o campeão só disputava a final do ano seguinte.

A grama também pode dar a Federer o tão sonhado 100º troféu. Ele chegou ao 98º em Stuttgart neste domingo e é naturalmente o favorito para a décima conquista em Halle (onde seu maior adversário é Alexander Zverev) e também para Wimbledon. Aliás, está com 148 finais e se fizer essas duras, terá outro número expressivo (apenas Connors tem mais, com 163).

A campanha em Stuttgart, depois de quase três meses de inatividade no circuito, tem de ser considerada animadora, principalmente pelas vitórias em cima de Nick Kyrgios e Milos Raonic. Adversários com gabarito na grama, contra quem não teve o serviço quebrado – no sábado, sequer ofereceu break point.

Há no entanto vários detalhes a melhorar, principalmente reencontrar o backhand mais agressivo, algo que a grama dificulta devido a sua velocidade e à necessidade de se jogar próximo à linha, diminuindo ainda mais o tempo de qualquer preparação de golpe mais longa.

A volta de Andy
O tradicional torneio do Queen’s Club, em Londres, é outro preparatório importante para Wimbledon que merece toda a atenção nesta semana. Marin Cilic por exemplo estreia contra Fernando Verdasco e pode ter outro canhoto em seguida, entre Denis Shapovalov ou Gilles Muller.

Também em cima da chave e no mesmo quadrante estão Kyrgios e Raonic, que não entraram de cabeça. Embaixo, aparecem Grigor Dimitrov e Kevin Anderson. Jogador bem talhado à grama, Dimitrov pode cruzar com Novak Djokovic na segunda rodada.

A outra atração de Queen’s será o retorno de Andy Murray. O escocês confirmou apenas no sábado que iria mesmo tentar a volta, algo que evitou à última hora já por duas vezes. Declarou no entanto que a expectativa é muito limitada. Para piorar, ainda pegou logo de cara Kyrgios. Ironicamente, Murray sempre foi um dos poucos a dar apoio integral ao australiano em seus momentos de crise.