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Cuidado: Nole voltou a sorrir
Por José Nilton Dalcim
15 de julho de 2018 às 22:59

O jejum foi penoso. Quase 13 meses depois de erguer seu último troféu no circuito, então o 68º da carreira, Novak Djokovic voltou a sorrir logo em Wimbledon, o mesmo lugar onde um ano atrás era obrigado a abandonar nas quartas de final com a insuportável dor no cotovelo.

O calvário esteve sempre repleto de dúvidas, como ele mesmo admite. Optou por uma pequena cirurgia corretiva após o Australian Open e viu derrotas duríssimas numa volta apressada em Indian Wells e Miami. Só então a mesa virou. Nole desligou-se de Andre Agassi e recuperou a companhia de Marian Vajda e da antiga equipe.

Ainda sofreu para recuperar o mínimo de confiança e resistência. Quando caiu diante de Rafael Nadal na semi de Roma, mostrava evidentes sinais de evolução técnica mas estava claro que faltavam pernas. A queda nas quartas de Roland Garros para Marco Cecchinato chocou, ainda que Djokovic não tenha jogado mal.

O mais irônico é que Nole deixou Paris sem sequer ter certeza de que se arriscaria na grama. E as razões eram boas: a irregularidade do piso causa temor a qualquer cotovelo. Por fim, arriscou-se em Queen’s e tudo se encaixou como mágica. Arrasou Grigor Dimitrov e deveria ter vencido Marin Cilic na final não fosse aquela última dose de confiança que ainda teimava em derrubá-lo.

O destino finalmente lhe sorriu e deu a Nole uma chave animadora em Wimbledon, onde a dificuldade crescente diante de adversários nada especialistas na grama permitiu que ele ganhasse o ritmo ideal e, melhor ainda, sem desgaste.

Era a caminhada ideal até o supremo desafio: encarar o superconfiante número 1 em seu momento excepcional na carreira e na temporada. Depois da vitória épica sobre Rafa, ninguém mais tinha dúvidas, provavelmente nem mesmo Kevin Anderson, de quais mãos ergueriam o troféu mais importante do tênis.

O salto de Djokovic causa inegável e alegre surpresa. Mais do que isso, vem na hora exata. Ele sai de Londres cheio de memórias positivas para ir à superfície que mais combina com seu rico tênis. O tetracampeonato o leva à condição de quinto mais bem pontuado da temporada e abre perspectiva de lutar por terceiro posto já nos Masters de Toronto e Cincinnati, com chance de brigar pela vice-liderança hoje de Federer durante Nova York.

Nadal, distante 2.405 pontos, é uma meta muito difícil de ser alcançada, porém o espanhol não pode se dar ao luxo de dormir em berço esplêndido. O recado foi dado com a competência e a serenidade dos grandes campeões.

Cuidado: Nole voltou a sorrir.

E mais:
Ao atingir o 13º troféu de Slam, Djokovic fica apenas um atrás de Pete Sampras.
– Djokovic soma agora 251 vitórias em Slam e só está atrás de Federer, que tem 336.
– Com 22, é o terceiro com mais finais de Slam na história, atrás de Federer (30) e de Nadal (24).
– Apenas Nole e Federer conseguiram mais de 60 vitórias em cada um dos Slam na Era Aberta.
– É agora o quarto maior vencedor em Wimbledon, com 65, atrás somente de Federer (95), Connors (84) e Becker (71).
– Mesmo tendo seis finais na Austrália e sete no US Open, Wimbledon é no momento o torneio onde sérvio venceu mais. Ele tem 61 na Austrália, 63 em Paris e 62 nos EUA.
– Com o tetra, Djokovic se igualou a Laver e está entre os cinco principais profissionais a ganhar Wimbledon (há outros quatro amadores na lista, mas quando o sistema era outro).
– Por entrar no torneio como 21º do mundo, ele é o de mais baixo ranking a ganhar Wimbledon desde Goran Ivanisevic, em 2001, e o primeiro em qualquer Slam desde Gaston Gaudio em Paris-2004, então 44º.
– Djokovic ganhou 8 de seus últimos 9 jogos que foram ao quinto set. Em Wimbledon, essa marca é de 8-1, com única derrota em 2006. No geral, a performance é de 29-9.

Verdadeiro duelo de gigantes
Por José Nilton Dalcim
12 de julho de 2018 às 19:58

Sim, esse é um dos maiores chavões do esporte mundial, mas cabe incrivelmente bem para as duas semifinais desta sexta-feira em Wimbledon: o 52º confronto entre Rafael Nadal e Novak Djokovic e a partida entre os 2,06m de John Isner contra os 2,03m de Kevin Anderson, que concorrem no domingo ao título de mais alto campeão da história dos Grand Slam.

Rafa e Nole duelam desde 2006 e já houve várias reviravoltas. Começou a ficar mais competitivo em 2009, o sérvio virou a mesa em 2011, Nadal reagiu e vimos um 2013 empatado, mas Djokovic embalou de novo e dominou 2015 e 2016. Nas duas últimas temporadas, em meio aos problemas físicos de um e de outro, foram apenas dois jogos e vitórias do canhoto espanhol no saibro de Madri e Roma.

Desde o último confronto na grama, naquela final de Wimbledon de 2011, aconteceram 12 jogos no saibro e 11 no sintético, com 14 vitórias de Nole, cinco delas na terra. Nadal no entanto lidera com margem considerável nos Slam (9-4) e mais ainda em semifinais de Slam (4-0).

Wimbledon também estabelece diferenças curiosas. Nadal jamais perdeu nas cinco semifinais que disputou ali, enquanto Djokovic perdeu três das seis, uma delas contra o próprio espanhol em 2007 e por abandono.

A vitória já dará a Nadal um grande feito, já que ele chegaria sucessivamente às finais de Paris e Londres pela sexta vez. No domingo, poderia então igualar Bjorn Borg com três troféus nos dois torneios na mesma temporada. Djokovic por sua vez tenta a primeira final de Slam desde o US Open de 2016 e quem sabe o primeiro título desde Paris de 25 meses atrás, quando se tornou o terceiro homem em todos os tempos a deter todos os quatro troféus de Slam.

Por recordes
Anderson e Isner fazem uma das semifinais mais altas dos Grand Slam: 2,03m contra 2,06m. Se um deles for campeão, baterá a marca do holandês Richard Krajicek, que é o tenista de maior estatura até hoje a vencer Wimbledon, com 1,96m, e de Juan Martin del Potro, o mais alto a ganhar um Slam, com 1,98m.

Isner também pode sonhar com outro recorde. Ele já somou 161 aces nos cinco jogos e não está distante dos 212 obtido pelo croata Goran Ivanisevic, rumo ao título de 2001. Anderson até tem chance, mas está bem atrás, com ‘apenas’ 123. Note-se que Isner ainda não foi quebrado no torneio e soma 95 games de serviço consecutivos, muito perto dos 118 de Pete Sampras.

Anderson por fim precisa se livrar da ‘maldição’ dos três últimos homens que bateram Roger Federer antes da final de Wimbledon. Todos os três perderam na rodada imediatamente seguinte: Jo-Wilfried Tsonga (2011), Sergiy Stakhovsky (2013) e Milos Raonic (2016). Sem falar que perdeu 8 de 11 jogos contra Isner, sendo os últimos quatro seguidos.

Em tempo: esta é a primeira vez em qualquer Grand Slam da Era Profissional que todos os semifinalistas têm mais de 30 anos.

A volta de Serena… e de Kerber
É impossível não se emocionar com a façanha de Serena Williams. Dez meses atrás, após dar à luz e passar por múltiplas cirurgias, ela sequer conseguia caminhar pela casa. Com enorme dedicação e esforço, está agora de volta à final de Wimbledon, a um jogo se igualar os 24 Grand Slam de Margaret Court.

Com apenas quatro torneios jogados nos últimos 16 meses – para ser exato, sete partidas antes de Wimbledon -, a recuperação de Serena poderia ser uma surpresa não fosse a grama o lugar mais indicado possível para seu estilo agressivo, onde a força e a experiência contam acima de tudo.

Aos 36 anos, Serena admite que a recuperação para o jogo seguinte está cada vez mais difícil, porém parece muito sincera quando diz qual tem sido seu maior desafio: “Esquecer as obrigações da maternidade para me focar 100% no tênis. Tem sido a parte mais dura”.

A adversária é bem conhecida: Angelique Kerber, a mesma que tirou seu título na Austrália de 2016, seis meses antes de ser batida por Serena na final de Wimbledon. A norte-americana mostra grande admiração pela alemã e por sua habilidade sobre a grama.

Kerber viveu uma temporada espetacular há dois anos, tendo faturado também o US Open, mas reconhece que perdeu o rumo com a defesa de tantos pontos. Trocou de treinador para 2018, voltou a ter confiança e por isso a alemã diz que, de certa forma, ela também sente como se estivesse retornando às quadras.

Canhota, guerreira, defensora habilidosa e incansável, verdadeiro Nadal de saias, Kerber tem sim capacidade de brecar Serena. Só se pode esperar uma final espetacular no sábado.

Atualizando o ranking
– Djokovic sobe oito posições e já garante o 13º posto, podendo ir a 11º com a final e voltar ao top 10 com o título.
– Isner irá ao melhor ranking: pelo menos 8º, mas 6º se vencer Anderson e 5º se for campeão.
– Anderson repetirá seu recorde pessoal de 7º se perder, ultrapassará Dimitrov e vai ao 5º em caso de final. Irá superar Delpo no 4º posto em caso de triunfo.
– Nadal já abriu 2.230 pontos de Federer no ranking tradicional e 1.740 na temporada.
– Atual 10º colocada, Kerber recupera o sexto posto e será 4ª se conquistar seu terceiro Slam. Já é a segunda melhor da temporada, atrás de Halep.
– Serena volta ao top 30 com a final. Será 19º em caso do octacampeonato (e top 10 na temporada).
– Duplas mudam de líderes: Mike Bryan recupera o posto aos 40 anos e Timea Babos assume o número 1 pela primeira vez.

Dez feitos (quase) impossíveis de superar
Por José Nilton Dalcim
27 de julho de 2015 às 15:18

O site oficial do tênis canadense, o Tennis Canada, soltou uma lista curiosa nesta semana: os 10 recordes que jamais serão batidos. Será? Vamos à lista e minhas considerações. Sigo a ordem dada pelo site.

1. Jogo mais longo
A maratona de 11h05 entre John Isner e Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon de 2010, com direito a 70/68 no quinto set. Equivale a uma viagem São Paulo-Paris. Mais incrível ainda é que cada tenista marcou pelo menos 100 aces na partida. Realmente, será extremamente difícil alguém superar isso.

2. Raquetes quebradas
Vencedor de dois Grand Slam, o russo Marat Safin se notabilizou também por quebrar raquetes: apenas em competição, ele danificou 48 raquetes na temporada de 1999. No total, foram mais de mil: “1.055. Sei porque a Head me deu uma prancha com o número impresso”. Bom, essa marca não me parece tão absoluta assim, tem muito maluco no circuito.

3. Aces numa temporada
O croata Goran Ivanisevic anotou nada menos que 1.477 aces na temporada de 1996, a maior quantidade desde que a ATP passou a medir isso, há 24 anos. Esta sim é uma marca quase insuperável, ainda mais com as bolas pesadas e as quadras mais lentas de hoje em dia.

4. Duplas
Bob e Mike Bryan já pulverizaram todas as marcas do tênis profissional: 16 Grand Slam e 104 juntos. Parece também muito difícil de ser superada, e olha que os gêmeos de 37 anos ainda têm boas temporadas pela frente.

5. Simples
Com uma extensa carreira de duas décadas, tendo disputado inúmeros torneios no piso sintético americano no início da Era Profissional, Jimmy Connors totalizou 109 títulos de simples. O todo-poderoso Roger Federer está ainda com 86. Parece inalcançável mesmo.

6. Supercampeã
Mas se a marca de Connors é impressionante, o que dizer dos 167 torneios (de simples) vencidos por Martina Navratilova? São nada menos que 99 a mais do que Serena Williams tem hoje.

7. Prova dos 9
Se ganhar um torneio ATP múltipla vezes já é uma façanha e tanto, imagine o que é vencer um Grand Slam por nove vezes. A atual marca de Rafael Nadal em Roland Garros, que ainda está em plena atividade, também não parece atingível até mesmo para um ATP comum. Sem falar no seu recorde de 81 vitórias seguidas sobre o saibro.

8. Semifinais
Entre tantos recordes que possui, talvez o mais notável de Roger Federer sejam as 23 semifinais consecutivas de Grand Slam, ou seja, uma sequência de seis anos chegando à penúltima rodada na grama, no saibro e na quadra dura. O segundo colocado é Novak Djokovic com “apenas” 14. Atualmente, está em 6.

9. Número 1
Nem foi uma das mais longas carreiras, mas ainda assim Steffi Graf liderou o ranking por 377 semanas. Para se ter uma ideia da grandiosidade, basta ver que Serena teria de manter o posto por mais três anos para chegar tão longe.

10. O Slam
Mesmo tendo dominado o tênis por quatro temporadas, Federer não conseguiu. No seu auge, Djokovic também não. Vencer os quatro Slam num só ano continua a ser uma missão quase impossível. E Rod Laver não fez isso apenas uma, mas duas vezes.