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Murray surpreende em dia da nova geração
Por José Nilton Dalcim
2 de agosto de 2018 às 00:39

É bem verdade que falta de tudo em Andy Murray. O saque está bem instável, o forehand escapa com frequência e o backhand outrora matador lembra muito pouco a sua marca registrada.  Na maior parte do tempo, seus golpes estão curtos e o contraataque não machuca tanto.

Mas, apesar de tudo, o escocês já passou duas rodadas em Washington, onde seu grande trunfo tem sido uma enorme vontade de vencer. Não é nada difícil passar também pelo romeno de pouco currículo Marius Copil. A pergunta agora é como estará de pernas depois de seis sets disputados em 48 horas.

A outra boa notícia destes primeiros dias vem com a nova geração. Teremos ao menos seis nas oitavas de final de Washington, praticamente um em cada jogo: Alexander Zverev, Denis Shapovalov, Frances Tiafoe, Stefanos Tsitsipas, Hyeon Chung e o vencedor entre Andrey Rublev e Tommy Paul, com chance ainda de avançarem Alex de Minaur e Noah Rubin (jogos adiados por causa da chuva). Pode-se até colocar Lucas Pouille nessa lista.

Aliás, a garotada também avança em Los Cabos com Quentin Halys, Cameron Norrie e Michael Mmoh, e se destaca no saibro de Kitzbuhel, após o avanço para as quartas de Jaume Munar, Nicolas Jarry, Matteo Berretini e Max Marterer. Nada ruim.

Houve também novidades, verdadeiras sandices, nos WTA. Serena Williams jogou qualquer coisa menos tênis e foi destroçada por Johanna Konta, britânica que gosta de atuar de forma agressiva e busca uma reação na carreira. Pior aconteceu com Garbiñe Muguruza, que num dia deu declarações toda otimistas e repentinamente desistiu de competir em San Jose.

Ainda em Los Cabos, fiquemos atentos a Juan Martin del Potro. Ele está muito perto de atingir o maior ranking de sua carreira e tirar o número 3 de Zverev, que tem a dura missão de defender seguidamente os títulos de Washington e do Canadá. O argentino é favorito no México e assim pode chegar a Toronto com 5.600 pontos. Aí teria chance de superar também Roger Federer, que irá perder os 600 pontos de Montréal.

Zebras galopam em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
5 de julho de 2018 às 20:00

A máxima de que cada dia é um dia no tênis não poderia ser mais perfeita, e dura, para Marin Cilic. De uma atuação firme e tranquila na quarta-feira para o desastre absoluto na quinta, o atual vice de Wimbledon – e também da Austrália, e campeão de Queen’s… – disse um melancólico adeus ainda na segunda rodada diante do especialista em saibro Guido Pella.

Na verdade, a parada provocada pela chuva na véspera já havia surtido seu primeiro efeito ontem mesmo. Nos 10 minutos em que ainda tentaram jogar na retomada, Pella quebrou o saque de Cilic e se manteve vivo naquele terceiro set. Hoje era outro. Jogou solto, bateu na bola e usou muito bem seu saque de canhoto. Um gentleman, Cilic não culpou a chuva, a quadra, o adversário. Disse que não voltou no mesmo ritmo e que a vida continua.

A queda da campeã Garbine Muguruza não foi menos surpreendente. Apesar do primeiro set estranho, em que saiu perdendo de 2/4, a espanhola reagiu e ainda saiu com quebra na outra série. Parecia tudo nos eixos. Qual nada. Perderia cinco de seus sete games de serviços seguintes, mostrando enorme irregularidade e por vezes insegurança com o jogo de rede.

O mais incrível é que Alison van Uytvanck não vencia dois jogos consecutivos desde fevereiro e sequer tem treinador. “Estava muito nervosa quando saquei para fechar o jogo”. Ela acredita agora que poderá ir longe. Muito longe.

Muguruza ao menos não precisa ficar tão triste. Nos 50 anos de tênis profissional em Wimbledon, apenas cinco vezes a campeã conseguiu defender seu título.

Nadal e Djokovic: sob controle
Foram duas vitórias em sets diretos, mas desta vez Rafa Nadal precisou se esforçar mais. O saque não funcionou tão bem, perdeu dois games de serviço e levou um susto no primeiro set. Como sempre, achou alternativas táticas – desta vez, o saque no corpo e o uso mais constante de slices – e jogará contra o garoto Alex de Minaur no sábado. A vitória bastará para manter a liderança do ranking.

Novak Djokovic teve tarefa bem mais simples diante do canhoto Horacio Zeballos, que não soube como tirar a bola da cintura do sérvio. A consequência foi uma surra. A preocupação: Nole pediu assistência para uma dor no joelho, que ele garante não ser nada grave. Tomara. Agora, vai encarar Kyle Edmund, que acabou de vencê-lo no saibro veloz de Madri e terá um estádio inteiro a empurrá-lo.

O britânico no entanto tem minúscula intimidade com a grama, já colocou toda a responsabilidade no sérvio e mostrou sua maior preocupação para o sábado: que não seja junto com a partida da Inglaterra na Copa.

Os Aussies estão chegando
Dos oito australianos que chegaram à segunda rodada, cinco avançaram. Claro que todo mundo pensa logo em Nick Kyrgios, mas há quem coloque Ash Barty, campeã juvenil de 2011, entre as candidatas ao título, entre elas Kim Cliijsters.

Os outros são Alex de Minaur, Daria Gavrilova e Matt Ebden. Kyrgios acredita piamente que De Minaur exigirá bastante de Nadal. “Não sei se Rafa vai gostar de receber tanta bola de volta. Claro que é uma tarefa difícil, mas Alex pode causar desconforto”.

Cenas do quarto dia
– Cena curiosa no jogo de Kyrgios. O árbitro James Keothavong desceu da cadeira e demonstrou para o australiano como ele estava cometendo foot-fault.
– A campeã defensora não perdia tão cedo em Wimbledon desde a queda de Steffi Graf em 1994.
– O saque de 150 milhas por hora de Monfils – 241,3 km/h, que seria novo recorde do torneio – foi anulado. Houve erro na medição.
– Pior ainda foi a nota que saiu no New York Times, afirmando que Raonic havia sacado a 250 milhas por hora!
– Del Potro encerrou sua vitória quase impecável sobre Feli López com apenas 5 erros não forçados no total dos três sets, admirável para um jogador que arrisca muito. Ele quer cautela: “A primeira meta é chegar na segunda semana”. Só falta tirar Paire.
– Depois de eliminar Dimitrov, Wawrinka caiu para o quali Fabbiano, tendo desperdiçado quatro set-points tanto no primeiro como no terceiro sets. Conclusão: começará o segundo semestre quase fora do top 200.

O imponderável entra em quadra
Por José Nilton Dalcim
6 de junho de 2018 às 18:31

A previsão de tempo ruim nesta segunda semana de reta final em Roland Garros se confirmou e assim Rafael Nadal-Diego Schwartzman e Juan Martin del Potro-Marin Cilic terão duelos em dois atos. O prejuízo só não será tão grande para os vencedores porque as partidas estão consideravelmente no mesmo estágio. De qualquer forma, quem passar terá de voltar à quadra na sexta-feira à tarde. Então jogar três ou até quatro sets nesta quinta-feira precisa ser evitado a qualquer custo.

A chuva já interferiu no duelo de Nadal e Schwartzman. A umidade deixou as condições mais lentas e isso ajudou muito o argentino a cobrir bem a quadra durante todo o primeiro set. Ele entrou decidido a arriscar e cumpriu à risca: 20 winners contra apenas quatro de um espanhol exageradamente passivo. Claro que isso também custou a El Peque muitos erros e o saque, pouco efetivo, não conseguia confirmar as quebras.

Foi totalmente fora do padrão ver Nadal perder tantos serviços: cinco nos sete primeiros, com 12 break-points oferecidos e média de 55% de acerto do primeiro saque. Não resta dúvida que a primeira parada pela chuva se tornou providencial. Rafa conseguiu refazer seu plano tático e retornou com golpes bem mais profundos. Schwartzman tinha então 3/2 e saque, recuperou de um 30-40 e aí cometeu um erro absurdo de voleio que gerou a quebra e a reação animada de Nadal. Aí, com 5/3 e 30-15, pronto para empatar tudo, São Pedro jogou contra o espanhol.

Delpo e Cilic haviam jogado bem menos, mas ainda assim já eram 73 minutos de um primeiro set sem quebras. Cilic salvou seis break-points antes de ir ao tiebreak – três deles quando voltaram à quadra após a primeira parada – e aí abriu 5-3 antes de ceder o empate. Por seus estilos bem menos pacientes, os dois grandalhões tendem a um desgaste menor. O croata já somava 11 aces e 22 winners (diante de apenas 5), mas também errou muito mais (23 a 12). Cada um venceu apenas quatro pontos contra o primeiro serviço adversário. Duvido que esse ritmo mude na retomada de quinta-feira.

Resumo da ópera: mais uma vez, Roland Garros mostra esse aspecto tão diferenciado do torneio parisiense, em que o clima pode mudar drasticamente de uma hora para outra, trazendo componentes novos e inesperados. Exige portanto adaptação. Como brincava um amigo, jornalista precisa estar preparado para o imponderável. Tenistas, também.

Claro que a interrupção vai causar o velho burburinho sobre a necessidade da quadra coberta em Roland Garros. Se o teto já existisse, as rodadas de quartas de final em diante estariam garantidas, e isso faz diferença.

E a coisa pode piorar, porque a previsão é que chova 50% na sexta e 80% no sábado e domingo. Aliás, 80% na segunda-feira também. Como as obras ainda estão muito incipientes, expectativa de cobrirem a Chatrier está em 2020.

Vale número 1
Não existe nada mais saboroso do que um duelo importante de Grand Slam que valha também a liderança do ranking. O ingrediente está garantido para o encontro entre a atual número 1 Simona Halep e a campeã de 2016 Garbiñe Muguruza. É o típico ‘jogo grande’. Muito grande.

A espanhola recuperou-se totalmente em Roland Garros, já que vinha de apenas duas vitórias em três torneios no saibro europeu. Sequer perdeu sets até agora em Paris e atropelou impiedosamente Maria Sharapova. E soltou uma frase curiosa: “A liderança tem pouca importância neste momento”. Ela tem um dos reinados mais curtos da história do ranking, com apenas quatro semanas.

Embora goste muito de Muguruza, torço para que Halep enfim conquiste seu Grand Slam. Vai para sua terceira semi em Paris com confiança, depois de virar com estilo em cima da canhota Angelique Kerber. Vice em 2014 e 2017, a romena soube trabalhar melhor seu primeiro serviço e com isso correu menores riscos. Talvez seja boa estratégia diante de Muguruza, para quem perdeu três de quatro duelos mas venceu o único sobre o saibro, há três anos.

A outra vaga na final é norte-americana, entre Sloane Stephens e Madison Keys, que nunca foram tão longe em Roland Garros. Impossível negar que Stephens tem o favoritismo. Além do ranking superior e de 2-0 nos confrontos, parece ter sangue mais frio, como provou na duríssima vitória sobre Camila Giorgi lá na terceira rodada.