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Show de Monfils
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2019 às 09:44

Pouco mais de 24 horas depois de anotar uma vitória irretocável sobre o número 1 do ranking, o alemão Philipp Kohlschreiber deu um melancólico adeus ao Masters 1000 de Indian Wells, varrido da quadra por um renovado Gael Monfils.

É bem verdade que o histórico de 13-2 nos duelos, sendo cinco consecutivos, já mostrava que o francês sabe como enfrentar o jogo versátil do alemão. Mas a atuação de Gael foi além: aplicadíssimo, trabalhou pontos até ir para os winners, foi incrivelmente sólido na base dos dois lados e devolveu com qualidade o tempo todo.

Estamos diante de um Monfils superior até àquele que chegou por duas vezes ao top 10. Ainda que sobre espaço para um ou outro malabarismo, está claro que ele vai à quadra para vencer. Além de ter adotado um tênis mais ofensivo, o que sempre me incomodou muito, o francês está fisicamente inteiro. Parece ter achado um equilíbrio no calendário, com intervalos maiores entre os torneios, o que pode poupar seu problemático joelho.

Evidente que ainda existe o fator emocional e, ainda que ele negue nas coletivas, o namoro com Elena Svitolina precisa ser colocado na balança. Monfils sempre foi chegado numa balada e isso dificilmente combina com um tenista de ponta. Diante de um circuito que dá inédito espaço aos ‘trintões’, não parece tarde ganhar maturidade aos 32 anos.

Seu desafio desta quinta-feira é Dominic Thiem, para quem perdeu todas as quatro vezes, alguns jogos bem apertados mas que sempre penderam para a consistência do austríaco.  Se vencer, Monfils volta ao 16º lugar do ranking. Aí, enfrentará a experiência de Milos Raonic ou a juventude de Miomir Kecmanaovic, que está numa semana dos sonhos: entrou de lucky-loser e só precisou jogar duas partidas inteiras.

Rumo ao reencontro na semi e à famosa ‘final antecipada’, Rafael Nadal e Roger Federer tiveram vitórias protocolares. O espanhol jogou a maior parte do tempo em cima da linha ou dentro da quadra, numa mudança de postura, mas ainda vê seu primeiro saque instável. Já o suíço sufocou Kyle Edmund mas também encontrou alguns problemas com o serviço no segundo set, precisando salvar break-points.

Os dois só jogarão na sexta-feira e têm tarefas aparentemente distintas. Mesmo sem estar num bom início de ano, Karen Khachanov tem poder de fogo para incomodar Nadal, já que é um tenista bem completo. A surpresa polonesa Hubert Hurkacz por sua vez terá a sempre difícil experiência de encarar Federer pela primeira vez. Sua sequência no torneio é admirável: Lucas Pouille, Kei Nishikori e Denis Shapovalov, estilos muito diversos. Merece cuidado.

Dado bem curioso levantado pelo site da ATP, o circuito masculino teve 18 torneios nesta temporada e 18 campeões diferentes. Dos oito que permanecem em Indian Wells, apenas Federer e Monfils já foram vencedores em 2019.

Os números 1 perderam… a cabeça
Por José Nilton Dalcim
13 de março de 2019 às 00:55

Terça-feira a se esquecer tanto para Novak Djokovic como para Naomi Osaka. O número 1 masculino sequer chegou nas oitavas de final de Indian Wells, a líder feminina e atual campeã levou uma surra e só não vai perder o posto porque a vice Simona Halep também decepcionou.

Nole definitivamente perdeu a cabeça. Jogou mal, parecia desfocado, arrebentou a raquete ao perder o primeiro set e furou a lona de fundo de quadra na partida de duplas que mais tarde venceu ao lado de Fabio Fognini. Seria efeito do péssimo clima dos vestiários?

Philipp Kohlschreiber, inegável, jogou de forma inteligente, exatamente como havia feito diante de Nick Kyrgios. A partir do quarto game, apostou numa tática inusitada, enchendo a bola de topspin antes de disparar um golpe mais reto ou arriscar uma deixadinha. Misturou demais o tempo inteiro.

Costumeiramente um ótimo estrategista, Djokovic desta vez se atrapalhou todo e não achou antídoto. Terminou com incríveis 19 erros de forehand de um total de 32, ou seja, média superior a 3 erros por game disputado. Algo que só o tênis pode proporcionar, o alemão repetiu a isolada vitória de Roland Garros praticamente 10 anos depois.

Osaka bem que ameaçou quebrar sua raquete também, porém se conteve e engoliu a frustração. A japonesa chegou claramente pressionada para defender o título e jogar como número 1. Mas é algo que com certeza mais algum tempo de estrada a fará administrar bem.

Aplausos para Belinda Bencic. Mesmo tendo um segundo saque pouco contundente, derrubou a quinta adversária top 10 em dois torneios seguidos, incluindo as três atuais líderes. Sua grande arma é uma visão de jogo extraordinária, que se junta a aplicação tática ferrenha e conjunto técnico competente.

Em dia cheio, Rafael Nadal demoliu Diego Schwartzman, enfrentará o sérvio Filip Krajinovic e provavelmente cruzará com John Isner ou Karen Khachanov. Sequência muita promissora.

Como era de se esperar, Roger Federer se mostrou muito mais inteiro fisicamente do que o amigo Stan Wawrinka e deve desafiar a nova geração, primeiramente Kyle Edmund e quem sabe Denis Shapovalov ou o ascendente Hubert Hurkacz, polonês de 22 anos que já chamei a atenção aqui.

Do outro lado, Kohlschreiber faz interesse duelo de ‘trintões’ com o renovado Gael Monfils e quem passar jogará contra Dominic Thiem ou Ivo Karlovic. Há boa chance para Milos Raonic ir longe. Pega Jan-Lennard Struff, que se valeu de péssimo dia de Alexander Zverev, e teria todo favoritismo contra Yoshihito Nishioka ou Miomir Kecmanovic, garoto sérvio de 19 anos.

Por falar em experiência, Venus Williams continua firme e forte. Aos 38 anos, dá outro show de vitalidade e amor ao tênis. Fez um jogo magnífico contra Petra Kvitova logo na estreia e embalou para as quartas. Nada fácil encarar agora Angelique Kerber ou Aryna Sabalenka.

Nadal deixa a melhor impressão
Por José Nilton Dalcim
11 de março de 2019 às 01:31

Indian Wells completou sua segunda rodada masculina neste domingo, e os grandes favoritos fizeram na verdade apenas sua estreia, já que entram adiantados. Assim, qualquer análise tem ar prematuro, mas talvez seja justo dizer que Rafael Nadal deixou a melhor impressão entre o Big 3.

Novak Djokovic chegou enferrujado, sem atuar desde o título do Australian Open, e poderia muito bem ter perdido o primeiro set para Bjorn Fratangelo, ainda que isso nem de longe seria uma ameaça real de eliminação. Quem observou o jogo com atenção, deve ter percebido o quanto o americano centralizou as bolas e usou slices cruzados, uma tática muito bem aplicada diante do poderio sérvio.

Roger Federer jogou durante a tarde, onde o piso tende a ser um pouquinho mais veloz diante da lentidão de Indian Wells – segundo a ATP, só perde para o saibro úmido de Monte Carlo entre os Masters. Fez um primeiro set no mesmo padrão das rodadas finais de Dubai, ou seja, apostando tudo na agressividade e pressão nas devoluções, porém depois perdeu intensidade, foi quebrado e precisou da experiência para brecar o alemão Peter Gojowczyk.

O último a estrear foi justamente Nadal. Pegou é verdade um Jared Donaldson que acabou de sair de parada devido ao joelho problemático, mas ainda assim o espanhol mostrou tanta qualidade que se deu ao luxo de ganhar por 6/1 mesmo com 35% de primeiro saque.

Os três pegam ‘fregueses’ na próxima rodada: Djoko é superfavorito diante de Philipp Kohlschreiber (8-1), Nadal tem um piso lento a seu feitio frente a Diego Schwartzman (6-0) e Federer reencontra o amigo Stan Wawrinka (21-3). Claro que, pelo currículo, Stan é de longe o adversário mais perigoso, porém precisou lutar incríveis 3h23 diante do valente Marton Fucsovics e é difícil acreditar que terá as pernas necessárias para deter Federer.

Resumindo:

– Frustração óbvia por não ver o reencontro de Djoko com Nick Kyrgios. Em que pese a ótima atuação de Kohlschreiber, o australiano foi uma decepção total, menos pela derrota ou placar, muito mais pela atitude desinteressada. Lastimável.

– Na contramão, vemos um Gael Monfils sério, concentrado, fisicamente bem. E agressivo na medida certa. Será que uma Elina Svitolina ajudaria Kyrgios? Problema do francês é estar no caminho de Djokovic já numa possível rodada de oitavas.

– Curiosíssimos contraste de idades, Felix Auger-Aliassime derrotou o primeiro top 10 aos 18 anos – feito para poucos na Era Profissional – enquanto o agora ‘quarentão’ Ivo Karlovic já avançou duas rodadas, com grande vitória em cima de Borna Coric, quase metade de sua idade.

– Há uma considerável chance de Felix repetir pelo terceiro torneio seguido o duelo contra o sérvio Laslo Djere.

– Muito interessante o quadrante em que Marin Cilic enfrentará Denis Shapovalov e o vencedor poderá cruzar com Kei Nishikori. Mas não descartem o polonês Hubert Hurkacz, que joga direitinho.

– Longe de ser um NextGen, o moldávio Radu Albot não para de surpreender. Campeão de Delray Beach, tirou Fabio Fognini com direito a ‘pneu’ em 19 minutos. Tem chance real contra o instável Kyle Edmund.

– Simona Halep é agora única com chance de tirar Naomi Osaka a liderança do ranking, mas precisa no mínimo da final.

– Com a desistência diante de Garbine Muguruza, Serena Williams pode deixar o top 10. Ashleigh Barty e Anastasija Sevastova são as candidatas.