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Djokovic faz ‘upgrade’
Por José Nilton Dalcim
7 de maio de 2018 às 19:33

Não dá para dizer que foi um Novak Djokovic de encher os olhos, mas apesar da exibição um tanto morna, muitas vezes tensa, derrotar Kei Nishikori demonstra um ‘upgrade’. Afinal, o japonês acaba de chegar à final de Monte Carlo, é tradicionalmente um adversário que exige postura ofensiva e cuidado com os contragolpes.

Ainda falta pimenta no molho do sérvio. O backhand não tem sido uma arma poderosa como antes, o saque nem sempre chega na hora certa, a movimentação mostra deficiências até mesmo na antecipação da jogada, algo que Nole costumou ser um mestre. Como espectador, a gente não sente aquela confiança de outrora e está a se preocupar onde e quando ele vai falhar. Imagino que ali na quadra, ele passe por algo parecido.

De qualquer forma, foi sua melhor vitória desde a Austrália e há boa chance de superar também Kyle Edmund ou Daniil Medvedev, apesar de as condições mais velozes ajudarem o estilo mais agressivo dos dois. Gostaria que Nole seguisse até o eventual duelo contra David Goffin, um verdadeiro saibrista, que iria exigir ralis e pernas. Teríamos uma visão mais global do volume do jogo de Djokovic.

Não devemos ignorar que o sérvio está na delicada situação de sequer ser cabeça de chave em Roland Garros. Caso perca logo em Madri e seja batido na estreia de Roma, ele cairia para trás do 32º lugar e aí teria de contar com desistências para não saborear o azedo gosto de sair solto na chave de Paris.

Nos outros jogos de abertura do Masters de Madri, um alívio ver uma atuação firme de Diego Schwartzman. Pena que ele está num quadro duro. Agora vêm Feli López e, em seguida, provavelmente Rafa Nadal, que irá estrear na quarta-feira contra o ‘freguês’ Gael Monfils. Não menos notável é a fase tão animada de Richard Gasquet, que no domingo atropelou Tomas Berdych.

E bem curioso está o setor em que Milos Raonic irá enfrentar Grigor Dimitrov e o vencedor terá de encarar Denis Shapovalov ou Benoit Paire. Quatro tenistas que gostam de ir para cima, o que combina com o saibro madrilenho.

La Ensaladera em mãos dignas
Por José Nilton Dalcim
27 de novembro de 2017 às 20:46

Apesar de todas as críticas que sofre, muitas delas justas, a Copa Davis continua a ser um grande espetáculo, especialmente nas rodadas finais. Nos últimos oito anos, o torneio por países viveu decisões eletrizantes em estádio hiperlotados, com muitas lágrimas de alegria e frustração. Como esquecer a conquista histórica da Sérvia em 2010, da Suíça em 2014 e das especulares e tensas partidas que deram títulos a britânicos e argentinos nas mais recentes edições?

David Goffin se encarregou de dar o tom de dramacidade que enriqueceu a conquista da favorita França no piso sintético e coberto de Lille, que recebeu uma considerável invasão da torcida belga. Vindo do vice em Londres, Goffin jogou muito nas duas simples e fez seu papel, mas a fragilidade da dupla, ainda que diante de um dueto francês improvisado, se provou novamente crucial.

Algumas coisas valem ser destacadas. Antes de tudo, o merecimento da França como força do tênis internacional. Um país que investe pesado na base, tem um vasto calendário amador e profissional, leva a sério a questão do doping, possui diversidade de pisos e portanto de estilos. O time de Yannick Noah pode jogar na grama, no saibro, quem sabe até no gelo sem perder muito de sua força. Tem duplistas excelentes, grandes sacadores, trocadores de bola. O capitão tem geralmente um delicioso problema: quem escalar.

Em segundo lugar, a geração de Jo-Wilfried Tsonga e Richard Gasquet levanta com justiça um troféu desse porte, já que os dois nunca conseguiram fazê-lo em nível Grand Slam. Pena que Gael Monfils não tenha participado de qualquer rodada em 2017 e assim não pôde também comemorar, distinção que coube a Gilles Simon, Jeremy Chardy e Julien Benneteau.

Por fim, os jogos deste fim de semana reafirmaram o momento de evolução técnica e amadurecimento por que passa Goffin e devem aumentar ainda mais sua confiança para 2018, assim como serviu para colocar à prova os nervos de Lucas Pouille, um jogador de grandes recursos ainda de 23 anos, que pode usar essa experiência para dar o salto que não conseguiu neste ano.

A França encerrou assim um jejum de 16 anos sem conquistar La Ensaladera, após três finais perdidas, e ocupa agora o terceiro lugar entre os países com maior quantidade de triunfos, igualando os 10 dos britânicos. A Bélgica, ainda grupo de um tenista só, amargou o terceiro vice, mas pode se espelhar na resiliência argentina e se manter motivada.

overgripDesafio do Ranking
Seis internautas conseguiram excelente pontuação na brincadeira do Blog que desafiou os internautas a cravar como terminaria o top 10 desta temporada. Todos eles fizeram 110 pontos, o que significa que acertaram nove dos 10 nomes. Um tremendo feito, especialmente porque a ascensão de Jack Sock era mesmo totalmente inesperada.

Como critério de desempate, chequei quem entre esses seis mais acertou em cheio as posições e aí Norbert Goldberg saiu vencedor porque colocou Nadal, Federer, Thiem, Cilic e Goffin em suas exatas colocações. Ele irá receber o kit com 12 unidades do Overgrip Pro Sensation da Wilson. Presentão!

Vacilos que valeram deliciosa emoção
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2017 às 23:51

Apesar da falta de quatro top 10, ou quem sabe exatamente por causa disso, Montréal viu jogos emocionantes desde o primeiro dia e já virou lugar comum match points evitados e perdidos. Se algumas vezes o nível técnico nem foi tão espetacular, sobra emoção. E isso é tudo o que o público gosta de ver.

Quatro jogos foram particularmente interessantes nestes três dias, a começar pela derrota de Rogerinho Silva para Denis Shapovalov da terça-feira. No final da noite, vimos a incrível vacilada de Dominic Thiem e o espetacular espírito guerreiro do baixinho Diego Schwartzman.

Gael Monfils repetiu a façanha contra Kei Nishikori nesta quarta-feira. O japonês tinha o jogo na mão, deixou para depois e aí Monfils imitou Shapovalov e salvou match points com jogadas arrojadas e sensacionais. Deixou o estádio inteirinho de pé num lance de incrível qualidade. Por fim, Alexander Zverev e Richard Gasquet fizeram todo mundo perder o fôlego com sua entrega. O francês conseguiu reagir com o alemão no saque e 40-0. Depois Zverev encarou seus três match points e foi notavelmente frio, inclusive num ponto tão longo e cansativo que Gasquet se pôs a dar slice de forehand, já sem pernas.

Ampliando as surpresas, Adrian Mannarino fez mais aces do que Milos Raonic, num resultado tão inesperado quanto o placar, ao passo que Heyong Chung aproveitou um David Goffin ainda sem ritmo. E Shapovalov, bem menos afoito, pareceu um veterano diante de Juan Martin del Potro, este sim apressado e irregular.

Enquanto isso, Rafael Nadal e Roger Federer ratificaram por que são os grandes nomes da temporada. Claro, os adversários mostraram fragilidade, mas é preciso enxergar como os dois não tomaram conhecimento do tal piso lento de Montréal e bateram com vontade na bola. Nadal deu winners dos dois lados, sufocando Borna Coric, e Federer abusou dos voleios precisos e do ritmo frenético em cima de Peter Polansky.

As oitavas de final têm um pouco de tudo, com atenção maior para o reencontro entre Zverev e Nick Kyrgios e o curioso duelo de canhotos entre Nadal e Shapovalov. É bom lembrar que Zverev e Kyrgios são os grandes candidatos a cruzar com Rafa nas semifinais.

Mas há espaço para grandes novidades, o que tem sido raro nos Masters: Schwartzman ou Donaldson, Chung ou Mannarino estarão nas quartas. E para uma das maiores freguesias das quadras, os 16 a 0 de Federer sobre um reanimado David Ferrer. Divirtam-se.