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Bom começo
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2017 às 21:37

A lógica prevaleceu na abertura do Finals de Londres. Roger Federer não foi brilhante, mas conseguiu a consistência necessária no piso coberto e lento da arena O2 para superar Jack Sock em dois sets. Alexander Zverev deu um susto e parecia caminhar para outra dura derrota quando então mostrou firmeza mental e reagiu em cima de Marin Cilic.

Federer também possui no Finals alguns dos números mais impressionantes do tênis. Com o recorde absoluto de 15 participações – 14 consecutivas, série interrompida com a contusão do ano passado -, ele atingiu neste domingo a 53ª vitória em 65 partidas já feitas.

Ao longo desse tempo todo, só não passou a fase de grupos na temporada de 2008, aquela em que sofreu com mononucleose, ao perder dois dos três jogos iniciais. Desde que o torneio se mudou para Londres, jamais ficou de fora da semi, ganhou dois títulos e participou de outras três finais.

A partida contra Sock não teve todo o brilho técnico esperado e o próprio suíço admitiu que não conseguiu jogar solto, algo bem natural numa estreia, ainda que o Finals não traga aquele mesmo fantasma da eliminação de outras competições tradicionais. De qualquer forma, o saque foi seu grande aliado e, apesar de um ou outro game mais apertado, não cedeu um único break point.

Sock merece elogios. Depois que perdeu o serviço logo de cara, realizou uma partida bem sólida, onde se destacaram a boa variação de saque e seu poderoso forehand. Não pode ser totalmente descartado da luta por vaga na semifinal. Enquanto Federer disputará na terça-feira o jogo de vencedores contra Zverev, Sock terá jogo decisivo contra Cilic e é bom lembrar que o americano ganhou os dois duelos que já fez diante do croata.

Zverev por sua vez trazia algumas interrogações para sua estreia. Desde o título em Montreal, no meio de agosto, não teve resultados expressivos e sofreu quatro viradas com atuações que mostravam decadência física e pouca força mental nos terceiros sets. A história quase se repetiu contra Cilic neste domingo, ao perder o saque ndo terceiro set, mas desta vez se manteve na partida sem aquela carinha de bebê reclamão e buscou a reação. No geral, foi um bom jogo, com boas variações e empenho.

O duelo direto de Federer e Zverev oficialmente está empatado por 2 e não considera a vitória do alemão na Copa Hopman de janeiro. Isso já dá dimensão de como o alemão gosta do desafio e sente motivação, mesmo diante dos terríveis slices e curtinhas do adversário. Promete ser um ótimo duelo.

Alívio. Sorteio equilibra grupos.
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2015 às 19:18

Roger Federer não escapou do grupo de Novak Djokovic, o que garante que os dois irão se cruzar pela sétima vez na temporada (4-2 para o sérvio), a 43ª na carreira (onde empatam por 21-21) e a quarta na arena O2 de Londres (2-1 para Djokovic). Ou seja, o Finals já começa eletrizante no sorteio.

Os dois terão trabalho, porque quem perder esse duelo terá de ganhar de um Tomas Berdych em forma – deu muito trabalho a Nole em Paris – para tentar garantir a vaga na semifinal. Embora seja um adversário teoricamente muito perigoso na quadra dura, Nishikori surge como a parte frágil do grupo devido a seus mais recentes problemas físicos.

A rodada inicial terá Djokovic x Nishikori e Federer x Berdych, o que na teoria coloca muito mais pressão sobre o suíço, que não pode pensar em derrota. Se a lógica prevalecer, então Nole e Roger se cruzarão na segunda rodada.

Como Rafael Nadal foi para a outra chave, também há interessante equilíbrio, ainda que Andy Murray e Stan Wawrinka surjam como maiores favoritos às vagas. Ninguém deve esquecer, no entanto, que o espanhol ameaçou Wawrinka em Paris e pode muito bem complicar as coisas. Dos integrantes do grupo, é o único que jogou duas finais, ambas na arena 02, lugar onde Murray nunca passou da semi. O escocês sempre sentiu a responsabilidade de jogar o Finals.

Wawrinka e Ferrer também já conseguiram superar a fase de grupos – o suíço no ano passado, esteve perto da final, naquele jogo memorável contra Federer, e talvez por isso deve ser considerado o segundo maior candidato. Ferrer corre por fora e só chamará a atenção caso ganhe a primeira rodada contra Murray. Stan e Nadal fazem de cara um duelo do tipo vida ou morte.

Bom para Melo
Claro que não existe grupo nem jogo fácil num torneio dessa quilate, onde estarão em quadra todos os melhores da temporada, mas é bem razoável dizer que Marcelo Melo e Ivan Dodig se saíram bem no sorteio.

A primeira coisa importante foi fugir dos irmãos Bob e Mike Bryan, para quem perderam na decisão do ano passado em Londres e que certamente são adversários mais temidos do que Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, a quem ganharam na semi de Roland Garros.

Ainda assim, claro, a tarefa é dura. Matkowski/Zimonjic derrotaram Melo/Dodig na semi de Cincinnati, Herbert/Mahut levaram a melhor na semi da Austrália. O que vai pesar é a excelente fase do mineiro, daí importantíssimo sair no torneio com vitória diante dos campeões de Wimbledon, Herbert/Mahut.

O outro grupo terá os Bryan, em busca do pentacampeonato, Murray/Peers, Bolelli/Fognini e Bopanna/Mergea.

Uma vitória que pode valer duas derrotas
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2014 às 18:32

A virada espetacular de sábado pode ter custado muito caro para Roger Federer. O esforço – físico de 2h48 e mental diante de tantas dificuldades – acabou determinando a lamentável ausência na decisão do título deste domingo, devido a uma alegada contusão nas costas. Frustração geral para quem esperava ver a ‘final dos sonhos’ entre os dois melhores tenistas da temporada.

Mas pode ter sido ainda pior. Se confirmada a informação dada por John McEnroe em seus comentários para a ESPN, que teria havido intenso bate boca entre Federer e Stan Wawrinka no vestiário, a vitória de sábado coloca também em grande risco a tentativa de título inédito na Copa Davis, já que os dois terão de formar equipe muito coesa para derrubar a França sobre o saibro.

Não há até agora confirmação sobre a discussão pós-jogo, mas há indícios fortes de que McEnroe esteja bem informado. Foi possível ver, no final do tenso terceiro set de sábado, Wawrinka reclamando acintosamente do comportamento da tribuna de convidados. Dizem que ele se dirigia ao time de Federer. O capitão Severin Luthi estava lá. Aliás, o próprio Stan já declarou saber que Luthi torce por Federer.

De um jeito ou de outro, as dores nas costas, que relembram o fantasma do ano passado, podem dificultar muito as coisas em Lille, onde se espera que os dois suíços tenham de jogar simples e duplas. Sem falar no curtíssimo tempo de readaptação à terra batida.

O anticlímax atingiu também Djokovic, que não se sentiu à vontade para comemorar seu quarto troféu de Finals. Não poderá contabilizar esta vitória em seu currículo, porque a ATP não considera w.o., fechando portanto a temporada com 61 vitórias em 69 possíveis. Mais do que qualquer coisa, está a qualidade de suas conquistas: Wimbledon, Finals de Londres, dois Masters na dura descoberta, um no saibro e outro no sintético coberto, sem falar em Pequim e no vice de Roland Garros. A maciça maioria dos mortais estaria radiante com um acervo desses em toda a carreira.

A distância que Nole abre na liderança do ranking também lhe dará folga não mais até o Australian Open, mas agora até a defesa dos títulos de Indian Wells e Miami. Djokovic aparecerá 1.810 pontos à frente de Federer e, como teve campanha bem pior em Melbourne de 2014, nem mesmo o eventual título do suíço no primeiro Grand Slam será suficiente para alcançar a ponta. Rafa Nadal, finalista na Austrália, está a mais de 4.600 pontos.

No fundo, Djokovic coloca cada vez mais seu nome entre os gigantes da Era Profissional. Mas esse é um extenso assunto para o próximo post.

Porque falta ainda falar do vice de Marcelo Melo, ao lado do croata Ivan Dodig. Os dois fizeram um duelo de alto nível contra os irmãos Bob e Mike Bryan, perderam por detalhes para os maiores da história. Seguraram muito bem os nervos no primeiro set e no tiebreak, mas a devolução caiu de produção e os norte-americanos igualaram.

No sempre imprevisível match-tiebreak, aconteceu um pouco de tudo. Melo fez dupla falta, Dodig errou voleio fácil, os adversários deram sorte num lance. Aqueles mínimos momentos que tantas vezes decidiram jogos de duplas em toda a temporada.

O lado muito positivo é que o tênis brasileiro termina sua segunda temporada consecutiva com dois representantes no top 10, o que é sinal de evolução técnica e de amadurecimento.  Podemos acreditar que virá mais em 2015.