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Final brasileira?
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2017 às 17:44

Na sequência de tantos feitos extraordinárias com que presenteiam o tênis brasileiro, Marcelo Melo e Bruno Soares estão próximos de uma façanha inédita e também espetacular: decidirem entre si o ATP Finals de Londres, o quinto mais importante torneio do tênis profissional masculino e o único grande troféu que os duplistas mineiros ainda não conseguiram levantar. Está na hora.

Como era mais do que esperado, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray garantiram a segunda vaga do grupo ao derrotar justamente Melo e o polonês Lukasz Kubot. O primeiro set foi bem fácil, mas o segundo teve a competitividade necessária para se evitar maiores especulações. O que importa é que, pela segunda vez na história do Finals, os dois mineiros jogarão a semifinal de sábado, repetindo 2013. Melo, ainda ao lado de Ivan Dodig, já decidiu o título uma vez, em 2015.

O caminho para o domingo não é fácil para nenhum dos dois. Líderes do grupo, Soares e Murray vão encarar às 16 horas os superentrosados Henri Kontinen e John Peers, atuais campeões, com a meta de atingirem a final de Londres pela primeira vez. Já Melo e Kubot abrem a rodada às 10 horas e terão pela frente a ascendente parceria formada entre Ryan Harrison e Michael Venus, invictos até agora no Finals e inesperados campeões de Roland Garros deste ano.

Em simples, deu a lógica. Nos primeiros games, até parecia que Dominic Thiem havia superado seu eterno problema com a postura defensiva sempre muito firme de David Goffin. Ledo engano. Pouco a pouco, o belga dominou as ações e só perdeu mais dois 14 games seguintes, algo que se pode classificar como um pequeno massacre. Houve alguns games duros, porém raramente se viu Goffin sob pressão.

Dessa forma, as semifinais estão completadas. Goffin será o adversário de Roger Federer às 12 horas com a dura missão de interromper a série de seis derrotas consecutivas. Há poucas semanas, na Basileia, levou uma surra do suíço, mas as condições eram bem mais velozes do que na arena O2. Sua dificuldade começa com a necessidade de devoluções agressivas para entrar mais nos pontos e tentar explorar seu ótimo backhand, mesclando paralelas. Federer é favorito, sem dúvida.

Em seguida, às 18 horas, Grigor Dimitrov enfrentará o surpreendente Jack Sock. O norte-americano historicamente tem 3 a 1 nos duelos diretos. A principal referência no entanto é o confronto de março em Indian Wells, um piso também um tanto lento, e o norte-americano venceu de virada por apertados 7/6 no terceiro set porque Dimitrov vacilou mentalmente na hora h. Esse tom emocional deve ser a tônica desta semi e, como continua sem nada a perder, Sock se torna um adversário extremamente perigoso. Baixar a bola no backhand e não permitir que o norte-americano fuja para bater o forehand é um bom caminho para Dimitrov.

Sock, que surpresa!
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2017 às 20:23

Não é coisa normal um estreante de Finals jogar tão bem, muito menos bater favoritos e arrancar vaga na semifinal do torneio que reúne oito dos nove melhores do ranking. Jack Sock prometeu entrar sem responsabilidade e seu jogo se encaixou notavelmente bem no piso um tanto lento da arena O2, aliás como aconteceu em Paris duas semanas atrás. Com tempo maior para os golpes de base, Sock fez duas exibições exigentes na parte mental e repetiu a surpresa que causou contra Marin Cilic desta vez em cima de Alexander Zverev.

E querem saber mais? Nada improvável que ele belisque seu lugar na decisão de domingo. Sim, porque seu adversário da semifinal será o búlgaro Grigor Dimitrov, sobre quem ganhou três de quatro duelos, incluindo o de Indian Wells deste ano, em placar bem apertado.

O ponto essencial da partida foi a variação nos golpes do 9º do ranking. A quadra mais lenta facilitou a calibragem mais adequada do backhand e outra vez usou deixadas inteligentes e desconcertantes como se estivesse sobre o saibro. O primeiro set esteve forrado de break-points, mostrando a esperada tensão mais alta da partida, e apenas Sock aproveitou a chance, no sétimo game. Uma relaxada no começo da segunda série custou caro e o alemão foi absoluto. Os dois trocaram quebras na abertura do terceiro set, Sock abriu 4/1 e aí Zverev igualou. Na hora da pressão no entanto voltou a faltar a frieza necessária ao jovem alemão, o que temos visto com alguma frequência desde o US Open.

Já classificado em primeiro lugar do grupo, Federer se empenhou diante de Cilic e buscou uma bela virada. Fez um primeiro set de altos e baixos, correu sério risco ao permitir um break-point no longo terceiro game do segundo set e realmente embalou a partir do 4/4, fazendo então nove games muito bons.

Em seus 15 Finals já disputados, esta é a nona vez que Federer passa a primeira fase invicto, cinco delas na arena O2. Mais: cinco de seus seis títulos foram invictos e ele tentará agora fazer isso pela terceira vez em Londres. Um fenômeno esse senhor.

Federer espera agora para saber se disputará a semifinal de sábado contra Dominic Thiem ou David Goffin, embora em qualquer caso será favorito. É bem verdade que Thiem leva rara vantagem de 2 a 1 nos confrontos diretos, ainda que os três duelos tenham acontecido na complicada temporada do suíço em 2016. Talvez por isso mesmo Federer prefira encarar o belga, contra quem soma seis vitórias e apenas dois sets perdidos.

Para o tênis brasileiro, a expectativa é que Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot deem uma relaxada e ajudem Bruno Soares e o escocês Jamie Murray a se garantir na semifinal. Se o placar for de 2 a 1, Melo permanece no primeiro lugar e Bruno fica em segundo e isso independe do jogo das 10h entre os irmãos Bryan e os reservas Marach/Pavic. Está tudo ajeitado para termos novamente dois brasileiros na penúltima rodada, como aconteceu em 2013.

Show mineiro
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2017 às 20:29

Os duplistas mineiros com seus ótimos e entrosados parceiros estrangeiros deram um verdadeiro show nesta quarta-feira na segunda rodada do Finals de Londres. Marcelo Melo com o polonês Lukasz Kubot já se garantiram na semifinal e serão os adversários de sexta-feira de Bruno Soares e o escocês Jamie Murray, que lutam pela classificação mas podem avançar até mesmo com derrota.

É até difícil dizer qual das duplas foi mais brilhante. Melo e Kubot tiveram um aproveitamento muito raro de se ver: 83% de acerto e 91% de pontos vencidos, o que praticamente não dá chance alguma a qualquer adversário. Para completar, foram firmes nas devoluções e fizeram os irmãos Bob e Mike Bryan trabalhar demais nos voleios para obter pontos. Não cederam um break-point sequer.

Murray e Soares fizeram um jogo ainda mais veloz diante de Ivan Dodig e Marcel Granollers, que costumam jogar bem na base. Porém, a parceria do brasileiro teve um grande desempenho com o primeiro serviço e assim facilitou demais o trabalho sempre firme de Bruno e Murray junto à rede. Tal qual o jogo de Melo, nenhum break-point enfrentado. Apenas dois games perdidos.

Situação muito curiosa fica para sexta-feira: Melo e Kubot já estão classificados para a semifinal e a vitória só serviria para confirmar o primeiro lugar. Caso Soares e Murray vençam, por qualquer placar, ficam com a vaga e a liderança do grupo, deixando Melo/Kubot em segundo. Eu apostaria R$ 1.000 que Bruno vai ganhar…

Em simples, mais um bom nome confirmado nas semifinais: o búlgaro Grigor Dimitrov, que já tinha feito uma estreia boa, nesta quarta-feira esmagou David Goffin. O belga não foi nem sombra do tenista que havia batido Rafael Nadal dois dias atrás, garantiu não ter problemas físicos mas havia uma certa lentidão no seu deslocamento de defesa.

Dimitrov perdeu apenas três pontos com o serviço a favor nos oito primeiros games do jogo e só então suou para manter o saque e fazer 9 a 0. Goffin deu seu último suspiro num quinto game bem longo e agora terá de brigar diretamente contra Dominic Thiem pela outra vaga na semifinal.

O austríaco continua lutando contra seus atuais fantasmas e encarou um Pablo Carreño sem nada a perder. Fez um bom primeiro set, se atrapalhou no seguinte e desperdiçou 3/1 no terceiro, mas contou com o saque pouco confiável do espanhol e acabou enfim obtendo a quebra definitiva no nono game. O austríaco raramente se sente à vontade diante do jogo consistente de Goffin, tendo perdido 6 de 9 duelos e vencido um por abandono. O belga tem de ser considerado favorito.

A quinta-feira teria um jogo totalmente protocolar em que Roger Federer nem precisa ganhar de Marin Cilic para ficar com o primeiro lugar do grupo, mas são 200 pontos no ranking que devem motivar o suíço. Mais tarde, às 18 horas, Alexander Zverev e Jack Sock decidem a outra vaga em partida potencialmente boa, porque o norte-americano tem jogado solto e haverá pressão natural sobre o número 3 do ranking.