Arquivo da tag: David Goffin

Brasil dá sorte e pode sonhar na Davis
Por José Nilton Dalcim
26 de setembro de 2018 às 20:58

Só houve boa notícia para o tênis brasileiro no sorteio para o qualificatório de fevereiro da Copa Davis, que pelo novo regulamento dará vaga a 12 países na fase final de novembro, que vale pelo título geral da centenária competição por países. Se chegar lá e ficar entre os 18 da elite, vai ter um bom dinheiro para todo mundo.

O detalhe mais importante foi jogar em casa, o que permitirá muito provavelmente atuarmos sobre o tão amado saibro. A outra coisa boa: a Bélgica é um time forte, finalista de 2017 e que tem estado no Grupo Mundial seguidamente desde 2013. É muito provável que David Goffin venha e isso garante oportunidade de boa promoção e de vermos um tênis de qualidade.

Somando-se isso tudo, a grande notícia mesmo está no fato de que a chance de avançarmos não é nada desprezível. Claro que Goffin deve ganhar seus dois jogos de simples, mas a Bélgica não tem um outro especialista na terra, muito menos duplistas de peso. Ou seja, a oportunidade de marcarmos três pontos é bem alta.

Claro que estamos muito distantes do duelo, mas a lógica diz que hoje a Bélgica teria como segundo jogador de simples Kimmer Coppejans, de 24 anos, ex-97º do ranking mas agora 208º colocado. O atual número 2 é Ruben Bemelmans, porém ele tem pouca intimidade com o saibro.

Coppejans, no entanto, só foi chamado cinco vezes para o time da Davis e jogou efetivamente dois confrontos, com uma vitória de simples (em três jogos) e outra de duplas. É um currículo pequeno. Aliás, em nível ATP, ele só disputou oito partidas até agora com uma única vitória!

A outra opção, mais arriscada, seria o experiente e versátil Steve Darcis, que já foi 38º do mundo e é um ‘casca dura’. Mas o tenista de 34 anos não jogou uma única partida nesta temporada devido a persistente problema no cotovelo e nem se sabe se estará em condições até fevereiro.

A dupla também está muito a favor do Brasil. Os belgas jogaram a última rodada com seus atuais top 100 Sander Gille e Joran Vliegen, mas chegaram a usar bastante Joris de Loore e Bemelmans. Nenhum deles costuma atuar juntos ou soma sequer três vitórias em nível ATP. O favoritismo da eventual parceria de Bruno Soares e Marcelo Melo é gigantesco.

Quanto a local, nem vale muito espetacular, porque a regra que mais vale é a financeira. A cidade que oferecer as melhores regalias à Confederação Brasileira, leva. Pode ser São Paulo ou Belo Horizonte, que têm altitude que agrada Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, ou irmos para o sufoco de um saibro lento à beira mar em Florianópolis ou Salvador, que seria bem útil para a excelente forma física de Rogerinho Silva. Vale lembrar que o quali terá dois dias apenas, com as quatro simples e a dupla em formato melhor de três sets.

Vai haver renovação no time brasileiro? Infelizmente, é bem pouco provável. Por dois motivos um tanto óbvios. Não há ninguém se destacando para valer na nova geração. E em Davis desse nível tão importante, fica difícil arriscar um estreante.

Claro que existe a não desprezada hipótese de Rogerinho manter seu afastamento do time ou Bellucci não se recuperar, o que abriria num primeiro momento as portas para Guilherme Clezar. Temos também uma reta final de temporada com vários challengers na América do Sul e quem sabe algo espetacular aconteça com Orlando Luz ou Thiago Wild. Não custa torcer.

Teste para a Nova Davis
Os outros 11 confrontos que definirão finalistas de novembro têm alguns duelos curiosos: Índia x Itália, Suíça x Rússia, República Tcheca x Holanda, Áustria x Chile, Uzbequistão x Sérvia e China x Japão. Outros fracos, como Colômbia x Suécia. E favoritismo amplo para Austrália x Bósnia e Alemanha frente Hungria. Ainda aguardam adversários Canadá e Cazaquistão.

Será a primeira oportunidade para ver se os melhores do mundo vão mesmo abraçar o novo formato da Davis, porque eles serão importantes para seus países na classificação à final. Sem falar que estamos já em ciclo olímpico e o pessoal precisa cumprir o regulamento se quiser pleitear seu lugar em Tóquio.

Por fim, registre-se o convite bem dado para Argentina e Grã-Bretanha disputarem a final de novembro sem passar pelo quali. Essa história de convidado foi a parte que não gostei do novo regulamento. Deveriam ter deixado mesmo 16 países, com quatro grupos de quatro, com cada campeão de chave indo para a semi. Mais simples e justo.

Sem susto, mas sem brilho
Por José Nilton Dalcim
31 de agosto de 2018 às 01:21

Com vitórias quase formais, Roger Federer e Novak Djokovic continuam na rota de colisão que, acredita-se, ocorrerá exatamente dentro de seis dias, nas quartas de final do US Open.

Para chegar lá no entanto o suíço terá de mostrar muito mais do que em suas duas primeiras exibições. Não que tenha jogado mal, já que sequer perdeu sets, porém não se viu a precisão habitual. A rigor, o bom foi vê-lo mais adepto dos voleios.

Seu problema imediato se chama Nick Kyrgios. O australiano entrou em outra polêmica na virada espetacular que conseguiu em cima de Pierre Herbert, que liderava por 6/4 e 4/1. Uma teórica reprimenda do árbitro Mohamed Lahyani, incomodado com a falta de empenho de Kyrgios, teria mexido com seus brios. O australiano nega, mas até o amigo Andy Murray ironizou a situação nas mídias sociais.

Kyrgios tem inegavelmente alto poder de fogo, adora grandes jogos e mais ainda enfrentar Federer. Em três duelos, o suíço ganhou dois mas oito dos nove sets foram tiebreaks e cada um venceu quatro. Equilibradíssimo. Quem avançar, dificilmente não estará nas quartas já que o adversário seguinte sai do inesperado duelo entre o também australiano John Millman e o cazaque Mikhail Kukushkin.

Djokovic por sua vez voltou a perder um set, deixando-se levar por um momento de desconcentração e um tiebreak muito bem disputado por Tennys Sandgren, porém o sérvio recobrou sem sustos o domínio. Reconheceu depois que falou mais do que deveria. Não há motivos para duvidar que a ‘freguesia’ sobre Richard Gasquet prosseguirá (são 12 a 1, com única derrota há 11 anos). É bem provável que Nole terá na verdade dois franceses no caminho, caso Lucas Pouille supere João Sousa.

Os outros dois quadrantes estão interessantes. Marin Cilic teve apresentação impressionante e cruzará com o garoto Alex de Minaur, que joga em cima da linha e não tem medo de cara feia.
Se vencer, deve ter David Goffin, um páreo ainda mais duro, já que o belga ganhou dois de três duelos na quadra dura. Enquanto isso, Alexander Zverev já crava sua maior campanha no US Open sem perder set. Fará confronto alemão contra o sempre perigoso Philipp Kohlschreiber, de olho em quem passar de Kei Nishikori e Diego Schwartzman. Sou mais o japonês.

A chave feminina perdeu mais um grande nome: Carol Wozniacki seguiu os passos de Simona Halep e Garbiñe Muguruza, mas a sucessão de problemas físicos da dinamarquesa nas semanas anteriores já indicava que ela encontraria dificuldades. O caminho então se abriu para Kiki Bertens e favorece ainda mais a presença de Petra Kvitova na semifinal. A canhota no entanto precisa tomar cuidado com a embalada Aryna Sabalenka já nesta terceira rodada.

O outro quadrante está totalmente indefinido e vê dois duelos distintos: um é de força e gritaria entre Maria Sharapova e Jelena Ostapenko, o outro de correria e apuro tático entre Angelique Kerber e Dominika Cibulkova. A atual vice Madison Keys assiste a tudo.

US Open caça surpresas
Por José Nilton Dalcim
23 de agosto de 2018 às 18:42

Os três homens que dividiram títulos de Grand Slam em 2018 vão para o tira-teima no US Open e o sorteio da chave nesta quinta-feira deu o primeiro trunfo ao atual campeão Rafael Nadal, que se livrou de cruzar com Novak Djokovic antes da final. Deixou o grande problema para Roger Federer. Mas será que não dá mesmo para haver surpresas na chave masculina de Flushing Meadows?

Nadal não poderia ter pedido um caminho mais animador até o encontro com Kevin Anderson nas quartas de final. O número 1 estreia contra o decadente David Ferrer e deve passear nas três primeiras rodadas. Para melhorar, é bem provável que cruze com Karen Khachanov e Kyle Edmund seguidamente, dois jogadores de padrão bem semelhantes.

Só então viria a reedição da final de 2017 e, caso chegue lá, Anderson precisa ser respeitado. O sul-africano será testado contra Andrey Rublev e principalmente Denis Shapovalov ainda na terceira fase e, se mantiver o favoritismo, teria oitavas bem tranquilas contra Dominic Thiem, Roberto Bautista ou quem sabe um Denis Istomin.

O segundo quadrante da parte superior ficou bem interessante, porque Juan Martin del Potro, Andy Murray, Borna Coric e Stefanos Tsitsipas se misturam. O argentino seria candidato natural às quartas, mas nunca se sabe como anda seu físico e não se descarta a hipótese de Murray herdar a vaga. O grego pode cruzar sucessivamente com outros dois novatos, Daniil Medvedev e Coric, o que dá também um sabor gostoso ao setor.
Aliás, está difícil cravar o outro quadrifinalista, porque tudo parece bem imprevisível: John Isner, Milos Raonic, Grigor Dimitrov… ou Stan Wawrinka! O suíço jogou muito bem Cincinnati e corre por fora se aguentar mesmo cinco sets.

Obviamente, o eventual reencontro entre Roger Federer e Novak Djokovic já entra em contagem regressiva, mas o suíço vê um caminho potencialmente mais espinhoso. Se é quase impensável que o sérvio tenha dificuldades contra Richard Gasquet e depois Loucas Pouille ou Pablo Carreño, há muita chance de o suíço cruzar com Nick Kyrgios ainda na terceira rodada e em seguida Fabio Fognini ou Heyon Chung. Claro que Federer é favorito em todos os casos, mas o desgaste físico e até emocional tende a ficar relevante.

Os três candidatos mais gabaritados à semi do outro lado são Alexander Zverev, Marin Cilic e Kei Nishikori. O alemão, agora com apoio inestimável de Ivan Lendl, encararia seu primeiro teste de fogo diante do próprio Nishikori em eventuais oitavas e Cilic tem como barreira mais perigosa David Goffin, que mostrou um estilo arrojado em Cincinnati. É outro setor onde pode acontecer qualquer coisa.

Se a lógica diz que Nadal x Del Potro e Djokovic x Cilic sejam as semifinais, não seria totalmente absurdo imaginar Anderson x Isner e Federer x Goffin, muito menos que a nova geração dê outro salto com Tsitsipas brilhando em cima da chave e Zverev, embaixo. Quem gosta de apostas arriscadas, vai se deliciar.

A chave feminina
No feminino, a primeira atração certamente é a possibilidade de Serena Williams rever a irmã Venus na terceira rodada e desafiar a líder do ranking Simona Halep em seguida. E há enorme chance de isso acontecer, o que já traria ebulição a Flushing Meadows.

Quem sair viva dessa briga deve ter a instável Karolina Pliskova nas quartas, o que não deixa de ser animador. A adversária da semi fica bem aberto: a defensora do título Sloane Stephens e Elina Svitolina não andam confiáveis e estão num setor onde Elise Mertens, Daria Gavrilova e Julia Goerges se mostram loucas para aprontar.

Carol Wozniacki entra de cabeça 2, porém cheia de dilemas físicos, e por isso Petra Kvitova é a principal candidata à semi, embora tenha possível confronto com Aryna Sabalenka ainda na terceira rodada.

Nada improvável um duelo de canhotas na semi, caso Angelique Kerber embale. No seu caminho, estão Dominika Cibulkova e a atual vice Madison Keys. A alemã teria também favoritismo contra Caroline Garcia, Jelena Ostapenko ou a ‘veterana’ Maria Sharapova.

Fique de olho
– Jogos imperdíveis da primeira rodada: Nadal x Ferrer, Feli Lópex x Verdasco e Wawrinka x Dimitrov, Venus x Kuznetsova, Garcia x Konta, Petkovic x Ostapenko e Stosur x Wozniacki.
– E expectativa destes duelos para a segunda: Nishikori x Monfils, Goffin x Haase, Tiafoe x De Minaur, Raonic x Simon, Tsitsipas x Medvedev, Verdasco x Murray, Anderson x Rublev, Shapovalov x Querrey, Azarenka x Gavrilova e Svitolina x Radwanska.