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Federer quer mesmo o nº 1
Por José Nilton Dalcim
7 de fevereiro de 2018 às 20:16

Roger Federer surpreendeu o mundo do tênis novamente. Quando todos esperavam que ele jogasse Dubai, que é sua segunda residência, antecipou os prognósticos e aceitou convite para voltar a Roterdã, onde não competia há cinco anos.

A meta parece óbvia: tentar o número 1 uma semana antes de Rafael Nadal entrar em quadra em Acapulco e assim depender exclusivamente de seus resultados para atingir a semifinal e somar os 180 pontos necessários para se tornar o mais idoso a atingir a ponta do ranking na história, aos 36 anos, três a mais que Andre Agassi. A última vez que o suíço esteve lá foi em 2012.

Mas como assim trocar Dubai por Roterdã? Pergunta interessante. Além de poder ficar em casa e ir com seu próprio carro ao torneio, Federer ainda contaria com uma chave fraca nos Emirados, onde o cabeça 1 de momento é o amigo Grigor Dimitrov, que ainda por cima se recupera de problema no ombro.

Roterdã está com um quadro muito mais difícil. Os quatro cabeças deverão ter Dimitrov, Alexander Zverev e David Goffin, mas esses não seriam adversários antes da semi. Assim, para chegar à quarta rodada, Federer provavelmente terá de passar por Nick Kyrgios, ou Stan Wawrinka, ou Tomas Berdych ou Lucas Pouille. Quem sabe Jo-Wilfried Tsonga, que não será cabeça, ainda nas primeiras rodadas.

O que talvez tenha feito diferença é que Roterdã acontece sobre quadra sintética coberta e usa uma bola consideravelmente mais rápida. E quem sabe não seja uma estratégia ainda mais ousada: se não for bem na Holanda, ele poderá pedir convite para Dubai, que estará de portas abertas.

Desumano
Por José Nilton Dalcim
18 de janeiro de 2018 às 11:45

O Australian Open decidiu colocar à prova a resistência e a paciência dos tenistas. Obrigados a entrar em quadra com 39 graus e 10% de umidade, a rodada desta quinta-feira foi quase desumana. Mesmo a fase noturna começou com 34 graus, embora claro protegida do sol. O pior é que gigantesco desgaste tão cedo na chave pode causar estragos irreparáveis lá na frente.

Novak Djokovic admitiu que estava “no limite” de suas condições físicas e mentais no meio de uma tarde infernal. E disparou críticas à organização, afirmando que o tênis virou mais um negócio. “Precisamos ter uma conversa racional sobre as regras e talvez impor coisas importantes”, disparou. Antes do torneio, ele já havia reclamado da premiação dada aos tenistas nos Grand Slam.

Na quadra, o jogo contra Gael Monfils foi sofrível. Os dois jogaram um primeiro set ruim, forrado de erros bobos, e Monfils cansou primeiro diante das condições extremas. “Foi um desafio para nós dois terminar a partida”, enfatizou Nole, que pouco a pouco impôs sua qualidade na precisão das trocas de fundo.

O hexacampeão admitiu que o cotovelo direito não está 100%, o que ficou evidente com as 11 duplas faltas cometidas. No sábado, vai encarar o consistente canhoto Albert Ramos, que não dá bolas de graça como Monfils mas perdeu todos os 10 sets disputados contra Nole.

O ponto mais frágil de Roger Federer foi o aproveitamento de primeiro saque: 56%, apesar dos 17 aces. Não é um índice relevante, mas ele se virou muito bem com o segundo, mesclando efeitos e direções, e com isso perdeu apenas 13 desses pontos. O alemão Jan-Lennard Struff não é ruim num piso tão veloz. Saca firme, vai para cima. Federer inteligentemente usou a devolução com slices muito baixos, porém ainda assim só conseguiu uma quebra em cada set. O suíço perdeu um serviço sem sentido e quase entregou o terceiro set. O próximo adversário é Richard Gasquet, um velho conhecido, que ganhou duas vezes no saibro e perdeu as últimas 11.

O atual campeão ainda pode comemorar a saída precoce de David Goffin, que levou virada do veterano Julien Benneteau, o que deixa Juan Martin del Potro com maior potencial de ser seu adversário de quartas. O argentino saiu morto de quadra e encara Tomas Berdych. Vi os dois jogos do tcheco e fiquei impressionado com o rapaz. Cuidado com ele.

A se lamentar a volta das dores no joelho operado de Stan Wawrinka, totalmente dominado por Tennys Sandgren. Quem parece perdido neste começo de temporada é Sam Querrey, muito abaixo de um padrão top 20. Dominic Thiem venceu num tremendo esforço e corre risco diante do canhoto Adrian Mannarino.

Os problemas físicos também vitimaram Garbiñe Muguruza, ainda que a queda para Su-Wei Hsieh tenha sido mais precoce do que o esperado. Aliás, Johanna Konta, Anastasija Sevastova e Elena Vesnina também se despediram. Excelente atuação de Maria Sharapova e o cruzamento com Angelique Kerber deve ser o ponto alto de toda a terceira rodada feminina. Simona Halep não sentiu a torção e atropelou Eugenie Bouchard.

Bia Haddad não se achou na quadra tão veloz. Karolina Pliskova impôs um ritmo alucinante e o erro da brasileira talvez tenha sido tentar jogar de igual para igual com a tcheca, o que apressou demais os erros e a partida de apenas 44 minutos. Mas, convenhamos, o peso da bola da ex-número 1 é grande para se tentar variações e foram raras as vezes em que Bia conseguiu encaixar uma paralela. O fato é que a canhota paulista ainda está distante do grupo de elite do tênis feminino. Tenhamos paciência.

Federer e Kyrgios crescem nas apostas
Por José Nilton Dalcim
8 de janeiro de 2018 às 10:19

Duas coisas ficaram bem claras nesta primeira semana da temporada, rumo ao Australian Open: Roger Federer é o favorito absoluto ao título e Nick Kyrgios continua com o potencial de enfim se tornar grande no circuito.

O suíço novamente apostou na preparação na Copa Hopman e conseguiu seus objetivos, com dois jogos duros, bom ritmo e muita diversão. Era fácil perceber que Federer estava solto em quadra. A partida de sábado diante de Alexander Zverev teve o tom de show que tanto maravilha os espectadores.

Aliás, pode não ter sido coincidência a sucessão de bolas curtas que Federer disparou em cima do irritado Zverev. Todos sabemos que a movimentação para a frente é o ponto frágil do alemão. No entanto, assim como me pareceu no ano passado que o backhand o suíço havia mudado, fiquei agora com a impressão que Roger treinou muito as deixadinhas. A execução do golpe estava muito bem ensaiada para ser apenas fruto do seu gigantesco talento natural.

Diante do quadro atual do tênis masculino, o favoritismo de Federer para o 20º troféu de Grand Slam é quase obrigatório, principalmente porque não se sabe se Rafael Nadal irá conseguir ritmo rapidamente. Ele e Novak Djokovic têm apenas um jogo de exibição previsto até a estreia em Melbourne. A capacidade dos dois é inegável, mas um piso mais veloz em Melbourne, como foi em 2017, promete dificultar ainda mais.

Aí entra Kyrgios. Antes de tudo, sua campanha em Brisbane exigiu três viradas, a última delas em cima de Grigor Dimitrov em partida de excelente qualidade. Isso mostra acima de tudo que sua cabeça está em ordem. Claro que vimos reclamações e descontrações exageradas, porém ele se manteve nas partidas o tempo todo. Tremendo volume de jogo, a partir de um saque devastador – e ele continua forçando com incrível competência o segundo serviço -, mas também com golpes pesados da base e muito toque junto à rede.

Seu primeiro troféu em casa pode servir para tirar o peso de jogar para a torcida, algo que ele sempre levou a Melbourne. O que preocupa no entanto é o joelho esquerdo. Economizar esforço nas primeiras rodadas será essencial, daí a necessidade de entrar em quadra com seriedade. Não irá conseguir entrar na lista dos 16 cabeças e então fica à mercê de adversários fortes já na terceira rodada.

Em entrevista ao site espanhol Punto de Break, o sueco Mats Wilander colocou David Goffin como o oponente mais perigoso para Federer no Australian Open. É uma opinião ousada, mas tem sentido. O belga cresceu muito na parte técnica e leva a vantagem de ficar longe dos holofotes ao menos na primeira semana. Optou por não disputar torneios antes de Melbourne e anotou três vitórias fáceis na Hopman, uma delas um tanto esmagadora em cima de Zverev.

O sorteio da chave, previsto para quinta-feira à noite local (por volta de 6h de Brasília) pode ser essencial para Goffin, que entrará como cabeça 7.

Quanto ao feminino, a notícia da semana foi a desistência de Serena Williams. O treinador Patrick Mouratoglou admitiu que a tentativa de volta no Grand Slam era exagerada e revelou que Serena teve complicações no pós-parto. Não gostei quando ele se disse incerto de que ela retornará às quadras.

P.S.: Muito bom ver a volta de Gael Monfils e Gilles Simon aos títulos, ainda que em torneios de menor nível. E Simona Halep suportou a pressão de defender o número 1 logo na semana inicial e faturou Shenzhen. Será que enfim virá seu troféu de Grand Slam?