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Roma espetacular
Por José Nilton Dalcim
17 de maio de 2018 às 19:59

De forma um tanto inesperada, apenas um dos sete jogos de oitavas de final do Masters 1000 de Roma foi até o terceiro set e pelo menos três se mostraram bem menos competitivos do que se esperava. Mas que nada. As quartas masculinas desta sexta-feira são empolgantes e a chave feminina mantém a briga pelo número 1, duas campeãs e a vencedora de Roland Garros. Demais.

O grande destaque entre os homens foi Novak Djokovic, que fez seu melhor jogo da temporada, com direito a golpes bem soltos, ótimos voleios, backhand afiadíssimo e movimentação leve. Há muito não se via um Nole tão confortável e alegre. Cruzará agora com Kei Nishikori, a quem derrotou dias atrás em Madri, e a expectativa para um reencontro com Rafa Nadal nunca esteve tão promissora.

Nadal assombrou, a começar pela eficiência no saque: 90% de pontos vencidos com o primeiro serviço. Denis Shapovalov tentou definir os pontos em duas ou três bolas, salvou-se com o saque até onde deu e repetiu no segundo set o que temos visto com frequência nesta temporada de saibro: a falta de força para aguentar o ritmo do espanhol. Saboroso o 14º duelo que Nadal fará contra Fabio Fognini, alguém que já o derrotou duas vezes no saibro e uma outra naquela partida épica do US Open, tudo em 2015. Desde então, o italiano perdeu cinco vezes e só tirou um set, mas terá um estádio inteiro a empurrá-lo. Pare tudo que estiver fazendo às 7h.

Atual campeão, Alexander Zverev protagonizou jogo de gente grande contra Kyle Edmund, que a cada dia se mostra mais adaptado ao saibro. A vitória do alemão foi apertada e justa. David Goffin é outro desafio, mas o belga não tem mostrado seu melhor tênis desde a contusão de Roterdã. Assim, é muito provável que Zverev enfrente Marin Cilic ou Pablo Carreño na semi. Não vejo favorito, principamente porque o espanhol anda bem irregular na terra e já fez três partidas em Roma no terceiro set.

As quartas femininas terão dois jogos imperdíveis: a pancadaria de Maria Sharapova e Jelena Ostepenko, o duelo de estratégias de Elina Svitolina e Angelique Keber. Descansada, Simona Halep terá sua primeira experiência no saibro contra Caroline Garcia, enquanto Carol Wozniacki encara Anett Kontaveit com curioso empate de 1 a 1 mas na grama.

Assim como ocorre com Djokovic, Sharapova tenta embalar em Roma rumo a Roland Garros, onde os dois precisam sempre ser respeitados. As vitórias desta quinta-feira se mostram um alívio: o sérvio está garantido como cabeça 28 em Paris (e pode ser 21 se vencer mais uma) e Sharapova assegurou pelo menos a condição de cabeça 31.

Atualizando o ranking
Vários tenistas, e a maioria da nova geração, podem sair de Roma com a melhor marca da carreira. Diego Scheartzman ocupa por enquanto um inédito 12º; Edmund, o 17º; e Shapovalov, o 25º. No feminino, Ostapenko está provisoriamente em quarto e Garcia, em sexto.

Nem sorteio de chave ajuda Djokovic
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2018 às 19:45

Definitivamente, alguém lá em cima está irritado com Novak Djokovic. Atrás de uma sequência de vitórias que lhe garanta mais confiança e ritmo, o sérvio não deu sorte na formação da chave para o Masters 1000 de Madri, um saibro bem mais veloz que já lhe deu dois títulos, um deles em cima de Rafa Nadal.

A árdua tarefa de Nole começa já contra Kei Nishikori, contra quem fez semi dois anos atrás. Embora o japonês também venha de parada por contusão e mostre aquele físico incerto, está em ritmo muito melhor, recém finalista em Monte Carlo. Se passar, Djokovic precisa tomar cuidado com a juventude de Kyle Edmund ou Danill Medvedev. Daí poderão vir David Goffin e em seguida Grigor Dimitrov.

Claro que a única coisa a se comemorar foi ter ficado do lado oposto de Nadal. O dono do saibro europeu e atual campeão aguarda Gael Monfils e Diego Schwartzman, dois jogadores que estão muito inseguros no momento. É bem provável que reencontre Dominic Thiem nas quartas – embora o piso mais veloz agrade Pablo Carreño – e ficará então enorme expectativa para que cruze com Juan Martin del Potro.

Delpo já foi um grande e respeitável tenista sobre o saibro, mas sua última semifinal num Masters 1000 sobre a terra aconteceu há seis anos exatamente em Madri, mesma temporada em que foi às quartas de Roland Garros. Desde então, disputou restritos cinco Masters no piso com uma quartas em Roma. E mais nada. Ficamos com a saudável memória daquela semi em Paris diante de Roger Federer, porém isso foi em 2009, antes do seu US Open mágico e das cirurgias.

De qualquer forma, o argentino tem boa chance de ir longe. Estreia diante de Julien Benneteau ou Damir Dzumhur, pode ter Tomas Berdych ou Richard Gasquet – outro curioso duelo de primeira rodada – e por fim Kevin Anderson ou Roberto Bautista. Não tenho dúvida que esta sim seria a sequência dos sonhos para Djokovic num torneio tão forte.

Por fim, é importante ressaltar que o quadrante de Dimitrov-Goffin-Djokovic pertence ao lado de Alexander Zverev, o cabeça 2, que necessariamente pinta como favorito à vaga na final. No entanto, pode estrear contra Stefanos Tsitsipas e, se o cansaço não pesar para o semifinalista do Estoril, o saibro veloz de Madri tem tudo para virar tormento a Zverev. O italiano Fabio Fognini também precisa ser apontado como nome forte, mas ele foi decepção em Munique.

Que desastre!
Depois de um ótimo início de semana, o tênis brasileiro sofreu uma derrocada difícil de engolir em tudo que foi lugar. O mau presságio começou com a vacilada incrível de Thiago Monteiro na quinta-feira, quando teve saque e 5/3 para ir às quartas de Istambul, minutos depois de ver o cabeça 1 e possível adversário Marin Cilic ser eliminado.

Depois veio a inacreditável virada que Rogerinho Silva levou no terceiro set diante de Taro Daniel, desperdiçando 4/0 e 40-30 com saque. Já havia sido estranho levar 1/6 do japonês no segundo set. E olhem o quadro que o esperava: Chardy na semi, Jaziri ou Djere na final.

Não menos terrível foi ver Bia Haddad ser novamente eliminada por Sara Errani, que nem de longe tem sido a italiana de anos atrás. Pior de tudo é que a brasileira despencará no ranking, não apenas por 78 pontos perdidos em Praga nesta semana mas com outros 140 de Madri na próxima. E ainda tem 80 do quali de Roland Garros a defender.

Nem Marcelo Melo escapou. Ele e Lukasz Kubot, a bem da verdade, perderam o ritmo e não têm jogado bem desde fevereiro. Para fechar a sexta-feira tenebrosa, Guilherme Clezar deixou escapar quatro match-points e 6-2 no tiebreak do terceiro set e Thomaz Bellucci parou em outras quartas, sem ganhar set do 244º do ranking, depois de ter 5/3 e dois set-points com o serviço na série inicial.

E o que nos resta neste latifúndio? Futures. João Menezes em outra final na Nigéria, Jordan Correira numa semi no Cairo, Orlandinho e Felipe Alves em final de duplas também no Egito, Rafael Matos e Igor Marcondes em semi no clube Paineiras.

Mantenha-se otimista, se puder. Eu vou tentar.

11 + 11 = 1
Por José Nilton Dalcim
29 de abril de 2018 às 14:56

Tal qual Hércules, Rafael Nadal segue cumprindo suas exigentes tarefas sobre o saibro europeu. Com mais uma semana perfeita, manteve-se invicto em partidas (19) e em sets (46) sobre a terra, ambos desde a derrota nas quartas de Roma, além de ter anotado outro feito extraordinário que é ganhar todas as 11 finais que fez em Barcelona.

E como aconteceu após conquistar o não menos histórico 11º troféu de Monte Carlo, mantém-se como número 1 do mundo após defender 1.500 pontos. O posto está portanto assegurado por mais duas segundas-feiras, quando então virá talvez seu maior desafio que é a velocidade de Madri, onde também defenderá o título e automaticamente a liderança do ranking.

Como era de se esperar, a final contra Stefanos Tsitsipas não foi competitiva. Na melhor semana de sua carreira, o talentoso grego de 19 anos já mostrava falta de físico no fim do segundo set contra Pablo Carreño na véspera. E ao se ver diante de sua primeira final, de Rafa e do público, ainda por cima não se livrou da tensão natural.

O backhand de uma mão, como de hábito, mostrou-se frágil diante da intensidade do espanhol, à exceção de uma ou outra tentativa de risco. Quando tentou variar e ir à rede, viu por que Nadal é tão temido sobre a terra e pareceu não entender como o adversário era capaz de chegar com tamanha velocidade em bolas tão difíceis e ainda executar uma resposta que o colocava em extrema dificuldade.

Rafa concluiu outra semana soberba sobre o saibro, ainda que tenha experimentado novidades, como os set-points que se safou com alguma sorte diante da pressa de Martin Klizan ou o início acelerado e preciso de David Goffin na semi. Sempre achou uma solução. Destaque-se os oito erros não forçados cometidos diante do belga, um concorrente de real qualidade sobre o saibro, a quem dominou no segundo set como quis.

Enfim, vem agora uma semana de descanso, essencial para que ele se prepare para a mudança de ritmo que virá em Madri. Até aqui, Rafa reencontrou a solução para devolver o saque com firmeza e entrar nos pontos, como sempre gostou de fazer e é seu grande segredo sobre o saibro. Não tem se incomodado com a longa distância que fica da linha de base, acreditando estar sempre fisicamente capaz de cobrir os eventuais ângulos mesmo diante de reconhecidos sacadores. Madri será um excelente teste.

Números
– Com 401 vitórias e apenas 35 derrotas sobre o saibro na carreira, Nadal atinge eficiência de 91,97%, muito superior a Bjorn Borg (86%) e Ivan Lendl (81,1%).
– Em números absolutos, ele ainda está longe do recorde, já que Vilas somou incríveis 659 vitórias no saibro, seguido pelas 502 de Manuel Orantes e das 422 de Thomas Muster.
– São agora 55 troféus sobre o saibro, já muito acima dos 49 de Vilas. No geral, atinge 77 títulos, quarta maior série, igualado a McEnroe.
– O percentual de sucesso de Nadal também sobe para 82,7%, com 889 vitórias e 186 derrotas na carreira, curiosamente idêntico a Borg, que se aposentou com 609 triunfos e 127 quedas. Atrás estão Djokovic (82,4%) e Federer (82%).
– Com mais 501 mil euros no bolso, Nadal chega a US$ 96,7 milhões de prêmios oficiais na carreira e deve finalizar a fase de saibro como o terceiro tenista da história a atingir os US$ 100 mi.
– Com a ascensão de Tsitsipas ao 44º lugar do ranking nesta segunda-feira, teremos oito garotos de até 21 anos completos entre os top 50, dos quais ele é o segundo mais jovem, sete meses atrás de Shapovalov.