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Quem pode ameaçar Nadal no saibro?
Por José Nilton Dalcim
11 de abril de 2018 às 20:20

Que Rafael Nadal é o candidato natural e óbvio a todos os títulos que disputar no saibro europeu, todo mundo sabe. A grande dúvida para a segunda fase desta temporada é se existe alguém capaz de fazer frente a ele, já que a terra batida de hoje conta com tão poucos especialistas.

Em 2017, vimos David Goffin desafiar o espanhol no saibro lento de Monte Carlo, num jogo polêmico. Dominic Thiem foi surrado em Barcelona, deu mais trabalho em Madri, ganhou enfim em Roma mas depois levou aula em Paris. Mas ambos são enorme dúvida desta vez. Goffin não se recuperou da bolada que deu em seu próprio olho em Roterdã e, na única partida desde então, foi um fiasco. Thiem torceu o tornozelo em Indian Wells e não jogou mais.

Alexander Zverev é o atual campeão de Roma em cima de Novak Djokovic, uma campanha inesperada mas que só teve mesmo um outro autêntico saibrista, Fabio Fognini, no caminho. Dias atrás, na Copa Davis, mostrou sua instabilidade: atropelou David Ferrer e perdeu feio de Nadal. O que resta? Djokovic, claro, e quem sabe Wawrinka. Ambos são excepcionais jogadores sobre a terra, porém vivem momentos de pouca inspiração, físico duvidoso e consequentemente confiança lá embaixo.

A composição das chaves parece ingrediente fundamental e pode premiar tenistas ainda menos cotados, como Ferrer, Fognini, Lucas Pouille e Pablo Carreño. Admiro particularmente o arsenal de Pouille, a quem ainda falta acreditar um pouco mais em si mesmo para tentar algo grande.

Os pontos e as defesas
A temporada de saibro que serve de aquecimento para Roland Garros é composta por 12 torneios distribuídos em sete semanas, dos quais três são de nível 1000 e um 500. Os oito 250 estão divididos em quatro blocos, o que significa que um tenista poderá jogar no máximo sete campeonatos antes de chegar a Paris, já que o 500 de Barcelona coincide com um 250.

A grosso modo, portanto, estão em jogo 6.250 pontos em todas as nove semanas sobre a terra e daí se vê o feito espetacular de Rafa no ano passado, tendo somado 4.680, ou seja, 75% do total possível. Muito atrás, aparece Thiem, com menos da metade.

Veja quem mais somou nesta fase e portanto o que cada um tem a defender no saibro:
Rafael Nadal – 4.680 (títulos em Mônaco, Barcelona, Madri e Paris)
Dominic Thiem – 2.070 (final em Barcelona e Madri, semi em Paris)
Stan Wawrinka – 1.640 (campeão em Genebra e final em Paris)
Novak Djokovic – 1.500 (final em Roma, semi em Madri, quartas em Paris)
Alexander Zverev – 1.440 (campeão em Roma)
Andy Murray – 1.090 (semi em Paris)
Marin Cilic – 980 (campeão em Istambul)
Pablo Carreño – 800 (campeão em Estoril)
Lucas Pouille – 730 (campeão em Budapeste)
David Goffin – 720 (semi em Mônaco)

Dos atuais top 10, dois tiveram desempenho fraco no saibro em 2017 e portanto poderiam ter um grande lucro: Juan Martin del Potro, com apenas 270, e Grigor Dimitrov, com 190. Mesmo tendo anunciado um calendário restrito a Madri, Roma e Paris, o argentino se mostra forte concorrente ao terceiro lugar do ranking, já que está apenas 515 pontos atrás de Cilic. Já o búlgaro, inscritos nos três Masters e em Barcelona, está logo à frente de Delpo e ainda mais perto do croata: 350 pontos.

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Paciência, Djokovic
Por José Nilton Dalcim
12 de março de 2018 às 11:16

Por sete ou oito games, Novak Djokovic animou. Diante de um adversário tecnicamente inferior e nervoso, executou quase todo seu conhecido repertório: bolas profundas, saque variado, ataque na paralela e voleios vistosos. Até me surpreendeu. Na hora de fechar o set, faltou determinação e daí em diante o jogo diante de Taro Daniel, mero 109º do mundo, virou uma gangorra, regada a uma infinidade de golpes no meio da rede ou além da linha de dupla. Faltaram pernas no terceiro set.

A rigor, nada de errado nisso tudo. Djoko jogou apenas sua quinta partida desde julho do ano passado e temos de considerar que a campanha no Australian Open esteve o tempo todo associada à dor no cotovelo e a incertezas. É primordial antes de tudo se livrar do medo, e esse é um processo que pode ser mais rápido ou menos veloz conforme cada um.

Como já cansei de dizer aqui, confiança no tênis não vem com jogadas bonitas ou lances mirabolantes, mas com vitórias, qualquer que seja ela. Então Nole precisará de paciência e olhar o retorno pelo lado positivo: a não ser por um momento em que alongou o braço, não houve qualquer sinal de desconforto em relação ao problemático cotovelo. Ele já indicou que vai a Miami também.

Preocupante mesmo é a situação de Alexander Zverev, que parece ter perdido o rumo, joga um tênis com pouca criatividade e, mais grave ainda, parece estar com dificuldade clara de conviver com as frustrações naturais do dia a dia. Não que João Sousa seja sem predicados, mas a sequência de resultados ruins é alarmante.

Levou uma surra de Juan Martin del Potro em Acapulco, não se achou contra Andreas Seppi em Roterdã e perdeu completamente o juízo no quinto set diante de Hyeon Chung em Melbourne, apenas para citar os três exemplos mais gritantes. No meio disso tudo, dispensou o treinador Juan Carlos Ferrero e bateu boca publicamente com ele.

Por falar em Delpo, ele merece especial atenção em Indian Wells. Vem de campanha limpa em Acapulco e tem caminho aberto rumo à semifinal com Marin Cilic. Claro que deve respeitar David Ferrer na próxima rodada, porém me arrisco a dizer que Del Potro está jogando seu melhor tênis desde a campanha olímpica, especialmente porque o backhand está bem mais solto. Do jeito que Zverev e Grigor Dimitrov estão jogando, ele é sério candidato a ocupar o quarto posto do ranking antes mesmo do saibro europeu.

Na chave feminina, confirma-se a expectativa em cima de Amanda Anisimova, aquela norte-americana de pai russo que desfilou nos torneios juvenis brasileiros de 2017. Ainda aos 16 anos, tem tênis de gente grande. Bate de forma simples e eficiente, busca sempre a definição dos pontos e trabalha com o saque para ser agressiva já na segunda bola. A forma com que dominou Petra Kvitova é para poucas. Excelente aposta para futuro a curto prazo.

Nestas duas rodadas iniciais de Indian Wells, me chamaram a atenção duas coisas: a qualidade baixa da arbitragem, com uma quantidade assustadora de marcações mal feitas. Houve uma chamada fora no sábado para uma bola que estava um palmo dentro da quadra. Nunca tinha visto algo tão gritante. E a outra é o jogo horroroso entre Gael Monfils e John Isner, com uma dúzia de lances bonitos e uma soma pavorosa de lances mal executados. O gigantão ganhou dois jogos na temporada até agora e Monfils está cada dia menos comprometido com a carreira.

A redenção de Maria
Por José Nilton Dalcim
29 de agosto de 2017 às 03:04

A chave feminina do US Open poderia ter terminado na noite de seu primeiro dia e ainda assim entraria para o livro de memórias. Maria Sharapova e Simona Halep fizeram uma autêntica decisão de título, milimetricamente disputada, tensa e intensa da primeira à última bola, entrega absoluta e nível técnico assombroso. Não se pode querer muito mais de um jogo de tênis.

Sharapova venceu, e isso tornou o duelo ainda mais especial. Sem ritmo de competição por conta da suspensão e depois dos problemas físicos, encarou a embalada número 2 do mundo sabendo que a única chance era arriscar o tempo inteiro. Soltou o braço, fez 60 winners e 64 erros, sete aces e sete duplas faltas. Deu curtinhas e voleios, coisa pouco comum no seu arsenal. Ditou o ritmo e exigiu o máximo poder defensivo de Halep.

Pode-se gostar ou não de Sharapova, discutir seu problema com o doping, mas não se deve negar a notável qualidade de seu tênis, a incrível capacidade de gerar força de qualquer ponto da quadra e a determinação incansável de buscar a linha. É muito difícil que ela consiga manter esse padrão por mais seis jogos, mas se fizer 80% disso vira candidata séria ao segundo troféu em Nova York, 11 anos depois do primeiro. No clima de déja vu que o tênis vive em 2017, não parece improvável.

À rodada masculina faltou um jogo espetacular neste primeiro dia, mas já surgiram duas surpresas das boas: a queda do dono da casa Jack Sock em cinco sets para um Jordan Thompson que se arrastava em quadra no finalzinho e a virada impediedosa que David Ferrer levou de Mikhail Kukushkin, um ‘freguês’ que havia perdido todos os sete duelos anteriores. Claro que, a rigor, Sock e Ferrer não eram nomes cotados para ir além de quartas.

Cotada para fazer boas campanhas em Nova York, a nova geração avançou com Alexander Zverev, que não levou com seriedade o começo do jogo e acabou tendo inesperado trabalho com o 168º do ranking, e uma excelente atuação do canhoto Denis Shapovalov, que passa a ser uma ameaça a Jo-Wilfried Tsonga com seu misto de força pura e toque refinado. A quarta-feira promete.

Para o Brasil, despedidas de Rogerinho Silva e Bia Haddad. O paulista desperdiçou um ótimo início e sofreu nos dois últimos sets com o estilo pouco ortodoxo de Florian Mayer, um ex-top 20 que joga bem em qualquer piso. Não houve imagens da dura derrota de Bia para Donna Vekic, então resta ficar com suas palavras de que foi ‘um dia em que nada deu certo’.