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Brasil tem 5 meses para reagir até a Davis
Por José Nilton Dalcim
17 de setembro de 2018 às 15:13

É fato que o tênis masculino brasileiro vive um momento delicado e sem brilho, mas é uma espetacular notícia termos ganhado vaga no qualificatório de fevereiro da ‘nova Copa Davis’. Melhor ainda: grande chance de jogar em casa e assim chegar à primeira edição do sistema de disputa de título com 18 países em local único, em novembro de 2019.

O Brasil entrou de última hora graças às vitórias de Argentina e Canadá na repescagem deste fim de semana, o que garantiu para nós, Colômbia e Chile vagas no qualificatório através do atual ranking de nações.

Iremos enfrentar um dos quatro quadrifinalistas deste ano (Bélgica, Alemanha, Itália e Cazaquistão) ou um dos que venceram a repescagem (Argentina, Áustria, Canadá, Grã-Bretanha, Japão, República Tcheca, Suécia e Sérvia). Jogadoremos no nosso saibro diante de belgas, alemães, itaianos, argentinos, austriacos, tchecos ou japoneses. Teremos chance de sediar se der cazaques, britânicos ou sérvios, porque haverá sorteio. Sairemos apenas se der Canadá ou Suécia.

O que é ideal? Num piso de terra lento, Japão, Cazaquistão e Grã-Bretanha certamente (ainda que Bélgica, Itália e Áustria possam trazer adversários de ótimo nível para se ver). Se tivermos de sair, melhor que dê a Suécia. O sorteio sera na quarta-feira da outra semana.

Temos chance? Bom, o momento é ruim, mas quem sabe até favereiro Thiago Monteiro, Rogerinho Silva e principalmente Thomaz Bellucci reajam e ganhem confiança. Isso daria um time experiente, somados aos ótimos duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo. É bom lembrar que a Davis agora permite cinco convocados.

Decisão
França e Croácia irão decidir o título de 2018 da Davis, o último pelo formato atual. Enquanto os franceses fizeram uma grande festa, usando o estádio de futebol de Lille hiperlotado e nem contaram com seus heróis habituais, a Croácia levou um grande susto no saibro e quase entregou a vaga para os norte-americanos.

É bem verdade que franceses e espanhóis fizeram jogos de nível muito irregular, em que havia muita tensão em quadra. E claro que a Espanha sentiu demais a ausência de Rafa Nadal, mostrando que também precisa pensar em renovação. Destaque para a excepcional atuação de Julien Benneteau na dupla, ele que se despede do circuito em 2018.

Borna Coric foi de novo o grande herói do time croata. Ficou para decidir um quinto jogo complicado, se viu atrás do placar diante de um Frances Tiafoe inspirado e reagiu com garra e torcida contagiante. Foi mais um grande momento da nova geração na temporada.

França terá direito de sediar o confronto e será curioso saber qual piso escolherá. Ao menos, há chance de contar com a experiência de Jo-Wilfried Tsonga.

Brasil torce pelo Canadá para entrar na ‘nova Davis’
Por José Nilton Dalcim
14 de setembro de 2018 às 12:51

Com aparência confusa no seu lançamento, a nova Copa Davis vai ficando mais clara com a disputa neste final de semana das semifinais do Grupo Mundial e da repescagem. E a melhor das notícias: o Brasil tem grande chance de entrar na luta por vaga à elite da Davis e jogar a fase final da competição em 2019.

Explicando.

A Davis agora terá um qualificatório especial, sempre em fevereiro, que será composto por 24 países, em 12 duelos. Os vencedores ganham direito de jogar a fase final em local único (Madri ou Lille), em novembro. O quali mantém o sistema de rodízio de sede conforme histórico dos duelos entre os países.

Esse quali de 2019 será composto pelos quatro países quadrifinalistas deste ano (Bélgica, Alemanha, Itália e Cazaquistão) e os oito vencedores da repescagem deste fim de semana, em andamento. Esses 12 países serão cabeças de chave do quali.

Os outros 12 participantes serão os 6 europeus, 3 asiáticos e 3 americanos com melhor ranking na Davis após a rodada deste fim de semana. E aí que o Brasil entra com grande chance. Como Argentina enfrenta diretamente a Colômbia, um deles vai entrar direto no quali e o outro fica para o critério de ranking.

Como pode se ver no quadro abaixo, se o Canadá mantiver seu favoritismo em casa diante da Holanda, então argentinos/colombianos, chilenos e brasileiros entram pelo critério de melhor ranking nas Américas. E lembrando que o Brasil pode jogar em casa, conforme o adversário sorteado para fevereiro.

ranking
A fase final da Davis terá os quatro semifinalistas deste ano (França, Espanha, Croácia e EUA), esses 12 qualificados de fevereiro e mais dois convidados da Federação Internacional.

Zwetsch fica
Segundo o presidente da CBT, Rafael Westrupp, a ‘nova Davis’ é boa para o Brasil. “Em termos de regulamento, não mudou muito, porque temos participado nos últimos anos do grupo 1 ou da repescagem. Mas em termos financeiros, houve incremento tanto para os jogadores como para as federações nacionais”. A Davis agora dará premiação aos países conforme as vitórias obtidas e terá uma tabela separada de remuneração aos jogadores. Todo mundo sai ganhando.

Claro que a preocupação de momento é a fase ruim que os principais profissionais brasileiros atravessam, sem contarmos um único nome no top 100. O presidente da Confederação descarta mudança no comando da equipe e diz que João Zwetsch está mantido como capitão.

Que confusão
Por José Nilton Dalcim
16 de agosto de 2018 às 23:45

O mau tempo coloca Cincinnati em xeque. Com seis jogos masculinos e três femininos ainda das oitavas de final não definidos – cinco deles sequer começaram nesta quinta-feira -, as rodadas decisivas prometem ser uma verdadeira loucura. Com um agravante: a previsão para sexta-feira é de pancadas de chuva praticamente o dia todo.

Ou seja, Roger Federer, Simona Halep ou Juan Martin del Potro poderão ter de fazer dois jogos inteiros num só dia, sujeitos ainda a diversas e irritantes paradas. E alguém ainda duvida que Rafa Nadal fez a melhor opção do mundo ao tirar uma semana de descanso?

Claro que chuva é fator sempre difícil para qualquer torneio de tênis e neste caso nem mesmo um teto retrátil no estádio principal resolveria, porque são quatro chaves em andamento. Mas lona ajudaria muito a diminuir o tempo de parada e secagem, o que provavelmente teria colocado o torneio bem mais à frente.

Na verdade, nem sei o que tem sido pior em Cincinnati: o mau tempo ou os juízes de linha. Incrível a quantidade de erros – alguns por cinco dedos – que o pessoal está cometendo, o que só aumenta a irritação geral.

Está tudo tão confuso que é até difícil analisar o que se vê em quadra, mas destaque-se as ótimas atuações de Stan Wawrinka – mexendo-se muito bem pela quadra -, e de Petra Kvitova, que mistura potência e controle para se candidatar a grande campanha no US Open.

Nova Davis aprovada
A Federação Internacional e o parceiro Kosmos, que promete investir US$ 3 bilhões no tênis no contrato de 25 anos, conseguiram os votos necessários para mudar a Copa Davis a partir do próximo ano.

As modificações mais importantes são duas: toda a disputa do título entre os 18 ‘finalistas’ será feita numa única semana, de segunda a domingo, num mesmo local. Esses participantes receberão uma bolada, tanto as federações nacionais como os jogadores, com premiações separadas e atrativas.

A Copa Davis 2019 começará em fevereiro, quando 24 países irão disputar a qualificação para a fase final em dois dias apenas, no sistema antigo, ou seja, mando de sede conforme histórico de duelos e cinco partidas (quatro simples e uma dupla) porém reduzidas a três sets com tiebreak. Os 12 vencedores irão para a fase final de novembro, junto aos quatro semifinalistas de 2018 e a dois convidados.

Esses 18 postulantes ao título jogarão após o ATP Finals de Londres – o que não agradou muito tenista -, em Madri ou Lille, e serão divididos em seis grupos com três países cada um, jogando todos contra todos da chave entre segunda e quinta-feira, sendo duas simples e uma dupla, tudo em três sets com tiebreak.

Os seis campeões de grupo e os dois melhores segundos colocados passam para quartas de final de sexta-feira e as rodadas decisivas serão sábado e domingo. Os quatro semifinalistas se classificam automaticamente para a fase final de novembro de 2020, enquanto os outros 12 mais bem colocados terão direito de disputar o qualificatório de fevereiro de 2020. Os dois piores serão rebaixados para a segunda divisão.

Os grupos I, II, III e IV, que formam o sistema de acesso e descenso, continuam existindo, e serão sempre disputados em rodadas de dois dias em finais de semana programados para abril e setembro de cada ano. Os campeões do grupo I (três da América, três da Ásia e seis da Europa-África) se classificam para o qualificatório de fevereiro e assim terão chance de chegar na disputa do título de novembro.

Espero que tenha dado para entender.