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Ao ataque
Por José Nilton Dalcim
31 de maio de 2018 às 19:48

Rafael Nadal, Maria Sharapova e Serena Williams foram ao ataque nesta segunda rodada de Roland Garros. Se o espanhol usou o recurso para atropelar o argentino Guido Pella em duelo de canhotos, a russa quase se atrapalhou no segundo set e a norte-americana demorou para enfim pegar a mão de seu tênis tão agressivo.

Na estreia diante de Simone Bolelli, Nadal conseguiu 30 winners em 32 games. Nesta segunda rodada, fez 37 em 22. Isso por sí só mostra sua mudança de postura. Claro que tanto o saque como os golpes de base de Guido Pella não tem o mesmo peso de Bolelli, porém o canhoto argentino conseguiu bolas bem profundas e ainda assim Rafa encontrou jeito de ir para winners, com especiais paralelas de forehand.

Agora, vai reencontrar Richard Gasquet, o adversário contra quem tem o mais expressivo domínio (15 a 0). Apesar do apoio da torcida e de sua grande habilidade, não parece haver a menor chance de o francês endurecer em função de seu problema em se defender com o forehand. Terá de sacar muito bem para não passar vexame. Talvez a grande amizade entre eles, que vem desde os 12 anos, ajude.

Sharapova passou outra rodada sem grande brilhantismo – abriu 5/1 e salvou break-point que daria empate a Donna Vekic no segundo set – e tem jogo muito perigoso diante de Karolina Pliskova, onde só se pode esperar uma tremenda pancadaria e um festival de bolas vencedoras e erros não forçados.

Serena se impôs lentamente diante de Ash Barty. Depois de um começo estranho, foi crescendo e dominando. Deu show no game final, ao melhor estilo Serena: quatro lances e quatro winners (ace, voleio, forehand e backhand). Se avançarem mais uma rodada, Sharapova e Serena se reencontrarão num Slam pela 9ª vez, a primeira desde o Australian Open de 2016.

E mais
– Jogo para decidir qualquer ATP 500, Fabio Fognini e Kyle Edmund vão duelar na terceira rodada. Nada menos que o 17º contra o 18º do mundo. Nunca se enfrentaram, mas o italiano tem favoritismo natural por ser mais afeito ao saibro. Edmund no entanto está jogando direitinho na terra e, se o piso não estiver tão lento, vai dar muita pancada.

– Marin Cilic e Denis Shapovalov erraram demais. A diferença é que o croata pegou um adversário pouco experiente e venceu no quarto set, mas o espetáculo foi tenebroso. O canadense somou 82 falhas não forçadas, um assombro, e pegou o também canhoto Maximilian Marterer que tem qualidades: saca e se mexe bem, gosta de contraataque e pega pesado da base. Aos 22 anos, pode evoluir muito.

– Mesmo depois de errar um smash muito semelhante àqueles de Djokovic e Nishikori – a diferença foi que empurrou para fora da quadra – Juan Martin del Potro calou a Philipp Chatrier e tirou Julien Benneteau em seu último Roland Garros. Delpo demorou para mexer bem as pernas. Se continuar assim, corre risco diante de Albert Ramos, que sabe abrir bem a quadra.

– Outro jogo bem interessante de terceira rodada envolverá Diego Schwartzman e Borna Coric. O ‘baixinho’ ainda não cedeu sets, ainda que tenham encarado jogadores de ranking muito inferior. Coric já tirou Philipp Kohlschreiber e arrasou Dieguito nos dois confrontos feitos. A vitória vale possível encontro com Nadal nas quartas, já que o adversário sairá de Kevin Anderson e Misha Zverev.

– Caroline Garcia venceu para alegria da torcida, mas o estádio Suzanne Lenglen tinha 30% de lugares vazios. Dona de muitos recursos, a francesa ainda pode jogar melhor. Parece muito presa e ansiosa. Possível sequência contra Kerber, Halep e Muguruza – e as três aqui muito firmes – não é nada fácil.

A sexta-feira
– Depois de completar com louvor a vitória sobre Tsitsipas, Thiem volta pelo terceiro dia à quadra para enfrentar Berretini, 96º do ranking. A lógica diz que o austríaco irá enfrentar Nishikori nas oitavas. Japonês é amplo favorito contra Simon, embora curiosamente jamais tenha se enfrentado. Francês só tem 20 vitórias em 13 participações em Paris.
– Djokovic reencontra Bautista, contra quem tem 6-1, e tenta a 43ª oitavas de Slam na carreira, o igualaria Connors no segundo lugar da Era Aberta.
– Interessante ver se Dimitrov terá pernas contra Verdasco após a maratona de quarta-feira. Experiente espanhol, que já esteve seis vezes nas oitavas de Paris, ganhou o duelo mais recente, em Indian Wells.
– Para variar, Monfils diz que está com mínimas condições de enfrentar Goffin. “Torci o joelho na segunda ronda, vou fazer exames. Além disso, estou bastante doente e tenho tomado antibióticos”. O belga – que ganhou de Monfils no último US Open por retirada do francês no segundo set – deve ter vida fácil.
– Zverev encara Dzumhur com a chance de disputar as oitavas de Paris pela primeira vez, mas bósnio ganhou único duelo na quadra dura em 2017.
– Pouille encara Khachanov pela terceira vez na temporada, com empate nos duelos em piso duro. Francês jamais atingiu quarta rodada do torneio.
– Invicta há 13 jogos no saibro, Kvitova pega Kontaveit, contra quem já teve duas vitórias duras. Estoniana venceu Wozniacki, Venus e Kerber no saibro deste ano. Deve ser melhor jogo da rodada feminina. Svitolina é favorita contra Buzarnescu e Wozniacki encara torcida contra Parmentier.

A lista cresce
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2018 às 19:40

Rafael Nadal continua a reescrever a história do tênis a cada semana que passa sobre o saibro europeu. Diego Schwartzman foi o bom adversário que se esperava e fez o que deu. Tentou bater mais na bola, correu muito para cobrir ângulos, inventou jogadas. Foi premiado por uma quebra de serviço improvável quando o espanhol já dominava totalmente a situação e aí fez bobagens quando encarou a chance de liderar o segundo set.

Mas a diferença de força, movimentação e qualidade técnica eram grandes demais para o pequeno e valente argentino. Como incomodar Nadal com segundo saque a 130 km/h? O espanhol fez talvez seu jogo mais irregular desde que pisou no saibro, lá na Copa Davis, e ainda assim nada de ser ameaçado sequer de perder set.

Nesta sexta-feira, reencontrará Dominic Thiem, curiosamente o último homem a vencê-lo na terra há praticamente um ano, mas que levou uma surra humilhante dias atrás em Monte Carlo. Se a maior velocidade de Madri pode ajudar o pesado primeiro saque de Thiem, ao mesmo tempo lhe dará menor tempo de preparar o backhand, seu calcanhar de Aquiles. Rafa sabe exatamente o que fazer.

Nadal e os recordes no saibro
– 10 títulos em Roland Garros
– 5 títulos seguidos em Roland Garros
– 11 títulos em Monte Carlo
– 11 títulos em Barcelona
–  7 títulos em Roma
–  4 títulos em Madri
– 403 vitórias
– 55 títulos
– 23 títulos de Masters
– 81 vitórias seguidas
– 50 sets consecutivos
– 46 vitórias seguidas em Monte Carlo

As quartas
Kyle Edmund e Dusan Lajovic certamente são as grandes surpresas nas quartas de final de Madri. O britânico, depois de superar Djokovic, mostrou muita confiança em cima de um instável David Goffin. Garantido no top 20, fará duelo da nova geração contra o canhoto Denis Shapovalov, que dominou Milos Raonic. Jogaço à vista entre dois tenistas que batem sem dó.

Lajovic, tal qual Shapovalov, usa backhand simples e mostrou versatilidade na vitória inesperada em cima de Juan Martin del Potro. É bem verdade que o argentino vacilou feio e deixou escapar 4-0 no tiebreak decisivo. O sérvio tem outro gigante pela frente, Kevin Anderson. O sul-africano chega às quartas de um Masters pela 11ª vez, a primeira no saibro, e nunca fez sequer uma semi.

Alexander Zverev se mostra bem mais à vontade num saibro veloz e fez dois bons jogos em Madri. Revive a decisão de Miami de poucas semanas atrás contra John Isner. Seria interessante se Zverev fizesse semi contra Edmund ou Shapovalov, garantindo juventude na decisão de domingo. Mas Isner não pode ser desprezado.

As semis
Também existe novidade, e das boas, nas semifinais do Premiére. Caroline Garcia enfrentará Kiki Bertens, que é de longe a grande sensação da semana, já que tirou sucessivamente Anastasija Sevastova, Carol Wozniacki e Maria Sharapova. A holandesa de 1,82m e 26 anos têm se mantido na faixa das top 20 há 12 meses e foi semi de Roland Garros em 2016. Neste ano, já ganhou Charleston.

A outra vaga na final é um duelo de força entre as tchecas Karolina Pliskova e Petra Kvitova, A canhota ganhou Madri em 2015 e faz sua melhor sequência sobre o saibro em anos. É mais tenista do que Pliskova, ao menos no papel.

Cada vez melhor
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2017 às 20:08

Doze jogos como número 1 do mundo, doze vitórias e dois títulos de peso sobre a quadra dura. Rafael Nadal deixou para trás aquele jejum de três anos e meio sem conquistas no piso sintético, mostra um tênis cada vez mais completo e o resultado é que disparou de vez na ponta do ranking. Como todo mundo sabe, quando a confiança está alta, é muito difícil competir com ele.

Claro que Nadal teve sorte lá na primeira rodada de Pequim, quando Lucas Pouille errou um forehand a dois metros da rede, extremamente fácil para seu nível, que permitiria fechar a partida. Mas é também justo analisar Rafa a partir desse momento. Abraçou a chance, dominou o terceiro set e daí em diante mostrou um tênis fluente e muitas vezes agressivo.

Ninguém pode dizer que sua chave foi fácil. Passou pela juventude de Karen Khachanov, pelo saque bombástico de John Isner, pelo jogo versátil de Grigor Dimitrov e anulou o agressivo Nick Kyrgios numa final impecável. Fato que o australiano sacou muito abaixo – 45% de acerto é um desastre para seu estilo -, porém o canhoto espanhol trabalhou cada bola, fez o adversário se mexer, enlouqueceu com defesas incríveis, contra-atacou na menor oportunidade. “Rafa me destruiu”, foi a definição mais que perfeita de Kyrgios.

Nadal segue direto para Xangai, onde também tem chave difícil, podendo reencontrar Pouille logo na segunda partida, Dimitrov nas quartas e Kyrgios na semi. O piso sintético bem mais veloz será um teste interessante. É essencial destacar a excelente produtividade do backhand do espanhol em Pequim. O golpe deixou mesmo de ser um ponto vulnerável e hoje produz winners e uma variação inteligente para a paralela.

Prêmio ao esforço
A outra importante notícia do fim de semana foi a nova troca de liderança no ranking feminino. Aliás, a quinta da temporada e a terceira em apenas um mês! O ano começo com Serena Williams na ponta, superada por Angelique Kerber. Depois, vieram um curto reinado de oito semanas de Karolina Pliskova, quatro de Garbiñe Muguruza e nesta segunda-feira enfim Simona Halep realizará seu sonho.

Sem dúvida, é até estranho que uma jogadora atinja o número 1 com apenas um título conquistado desde janeiro e ainda por cima com derrota neste domingo. Mas Halep tem um jogo baseado na regularidade e o ranking reflete exatamente isso. Ela ganhou Madri e foi à final de Paris, Roma, Cincinnati e Pequim. Muito legal ler em sua entrevista à WTA que a derrota na final de Paris a deixou muito desanimada, mas ergueu a cabeça.

Eliminada logo na estreia do US Open por Maria Sharapova, percebeu enfim que teria de trabalhar duro com o serviço e passou a treinar o saque uma hora por dia. Se não possui o tênis mais vistoso do circuito, Halep ensina que determinação é a chave do sucesso.

O mesmo elogio cabe a David Goffin, outro jogador que também não possui golpes espetaculares e costuma pecar no mental. Depois de três anos e seis vices sucessivos, ele ganhou seus dois últimos torneios, em Shenzhen e em Tóquio, recuperou o posto no top 10 e se candidatou de vez a uma vaga no Finals de Londres.

Por fim, lembro de ter escrito em novembro do ano passado que Caroline Garcia era uma tenista a se ficar de olho em 2017. E eis que ela deu o salto de qualidade que eu esperava nesta reta final. Jogadora de muitos recursos, também ótima duplista, entrou para o top 10 com o título em Pequim e está na luta para ir ao WTA Finals. O ranking feminino agora tem metade de suas 10 primeiras colocadas abaixo dos 26 anos e três com menos de 24.