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Tênis moderno
Por José Nilton Dalcim
13 de outubro de 2018 às 13:30

O que me parecia uma tendência, neste Xangai ficou ainda mais claro. Não é Roger Federer quem está velho, mas o seu jogo. Apesar de toda sua indiscutível habilidade e elegância, nem mesmo uma quadra tão veloz permitiu que exibisse um tênis de alta qualidade e principalmente consistência. Houve lampejos de genialidade, mas isso não basta no circuito de hoje.

Borna Coric foi um exemplo perfeito de como o tênis moderno se impõe. Sacou muito mais forte – geralmente acima dos 200 por hora – e com maior precisão, bateu dos dois lados com profundidade e coragem sem se afastar de linha de base, subiu uma única vez à rede mesmo num piso tão veloz. Ao mesmo tempo, Federer não conseguiu efetividade com o primeiro saque, defendeu-se quase sempre com slice de backhand, tentou solução com um forehand chapado demais.

A principal pergunta é se haverá tempo e vontade para Federer se reinventar, ainda mais quando o ‘padrão Djokovic’ está sendo adotado por tantos tenistas competentes, jovens e determinados. Por enquanto, a resposta não é animadora, porque vimos a dificuldade de o suíço se manter competitivo até sobre superfícies em que deveria ainda dominar, como Wimbledon, Cincinnati ou Xangai. Vale lembrar que também vimos Coric ganhar de Federer na grama muito rápida de Halle.

Neste domingo, o croata de apenas 21 anos – mas já com quatro temporadas no nível mais elevado do circuito – vai enfrentar Djokovic pela terceira vez, a primeira fora do saibro. Como se sabe, seguem padrão técnico e tático muito semelhantes, e exatamente por isso o croata nunca tirou set do sérvio, porque afinal Nole faz tudo um pouco melhor.

Mas é preciso ressaltar que desde o ano passado Coric vem trabalhando incansavelmente no saque e isso já mostra muito resultado. Aventura-se cada vez mais na rede e fisicamente tem leveza e resistência. Ainda assim, precisará de um dia menos feliz do adversário para ter chances de ganhar seu primeiro Masters.

A má notícia para Coric é que Djokovic joga cada dia de forma mais solta e confiante. E que o diga Alexander Zverev. Claro que o alemão abusou dos erros não forçados na semifinal deste sábado, mas a diferença de volume de jogo foi assustadora. Nole literalmente desfilou sobre um piso veloz que tanto o agrada e que maximiza o saque, a devolução, o contragolpe e o jogo de rede.

O número 2 do ranking tradicional está garantido, porém é muito mais significativo olhar o ranking da temporada, aquele que reflete com mais clareza o momento: em caso de tetra em Xangai, Djoko surgirá na segunda-feira meros 35 pontos atrás de Rafa Nadal e já terá mais de 2.100 sobre o terceiro colocado Juan Martin del Potro.

Final mineira
Título brasileiro garantido nas duplas de Xangai. Marcelo Melo e Bruno Soares tiveram semana perfeita, em que garantiram vaga no Finals de Londres e hoje estão entre as quatro melhores parcerias da temporada.

Enquanto Marcelo disputará sua 54ª final da carreira em busca do 32º troféu e do 9º Masters, Bruno faz 56ª decisão atrás do 30º título e do quarto Masters, o segundo seguido.

Melo/Lukasz Kubot já enfrentou Soares/Jamie Murray seis vezes pelo circuito, com três vitórias no ano passado. Semanas atrás, no piso também veloz de Cincinnati, deu Bruno.

Detalhes
– Coric assume o 13º do ranking tradicional, sua maior marca pessoal, e está em 11º na temporada. Para ter chance de ir ao Finals, o título neste domingo é essencial, já que o levaria a 2.700 pontos, ou seja 835 atrás de Dominic Thiem. O croata está inscrito em Viena e Paris.
– Os Masters já tiveram dois campeões inéditos em 2018: Del Potro em Indian Wells e John Isner em Miami, e assim pode ter em Coric o terceiro. Desde 2003, isso só aconteceu no ano passado, com Zverev, Dimitrov e Sock.
– Djokovic pode novamente se aproximar de Nadal na luta pela liderança de títulos de nível Masters. O sérvio tem 31, dois a menos. Fato curioso e notável, Nole pode ser tetra em seis dos nove Masters, uma vez que venceu pelo menos quatro em Indian Wells (5), Miami (6), Roma, Canadá e Paris.
– O título vale US$ 1,3 milhão e isso levaria Djoko a mais de US$ 10 mi na temporada. Mesmo com os US$ 670 mil de vice, é o primeiro na história a superar os US$ 120 mi totais.

Djokovic à frente
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2018 às 13:11

Claro que não é possível comparar Marco Cecchinato na quadra dura com Roberto Bautista, mas as duas exibições já feitas em Xangai deixam claro que Novak Djokovic está nadando de braçadas, enquanto Roger Federer não achou ainda seu melhor tênis sequer sobre uma quadra decidamente rápida.

Diante de Jeremy Chardy e Cecchinato, o sérvio começou mais lento, como que ainda a procurar um ritmo comfortável, e aí mostrou não apenas um saque firme mas também determinação de ir à rede e ótima movimentação, sem falar é claro numa devolução tão apurada que o italiano – seu algoz em Roland Garros cinco meses atrás – levou uma surra impiedosa.

Na contramão, Federer fez apresentações firmes nos primeiros sets diante de Daniil Medvedev e Bautista, mas sofreu uma repentina e preocupante queda de intensidade. Irritado com seus erros e escolhas, correu risco real de derrota diante do espanhol. O suíço está determinado a ir muito à rede e repetiu a tática nos dois jogos, mas por vezes faltaram velocidade para chegar mais perto da rede ou calma na preparação da subida.

Curiosamente, os dois grandes favoritos em Xangai têm partidas exigentes nas quartas de final. Djokovic reencontra Kevin Anderson, que adora um piso rápido e provavelmente ganhou confiança com aquela vitória sobre Nole na Laver Cup, ainda que amistosa.

Federer terá pela frente Kei Nishikori, um adversário muto mais qualificado sobre a quadra dura do que os anteriores, que joga em cima da linha com capacidade tanto de defesa como de ataque. Os dois não se cruzam desde aquela espetacular batalha de cinco sets no Australian Open do ano passado.

A se lamentar a contusão no joelho de Juan Martin del Potro, sofrida ainda na metade do primeiro set diante de Borna Coric, o que tirou o argentino da briga imediata pelo número 2 e pode ter consequências ruins para os três últimos torneios que estavam no seu calendário (Basileia, Paris e Finals).

Detalhes
– Bruno Soares está na semi de Xangai e jogará o Finals pela 5ª vez na carreira, a 3ª ao lado de Jamie Murray.
– Nishikori já retomou o 11º lugar do ranking e será top 10 se for à final de Xangai.
– Coric, que tem sido outro jogador depois da cirurgia no joelho em setembro de 2016, garante o melhor ranking da carreira, com o 16º.
– Com mais uma vitória, Alexander Zverev estará matematicamente no Finals.

Brasil dá sorte e pode sonhar na Davis
Por José Nilton Dalcim
26 de setembro de 2018 às 20:58

Só houve boa notícia para o tênis brasileiro no sorteio para o qualificatório de fevereiro da Copa Davis, que pelo novo regulamento dará vaga a 12 países na fase final de novembro, que vale pelo título geral da centenária competição por países. Se chegar lá e ficar entre os 18 da elite, vai ter um bom dinheiro para todo mundo.

O detalhe mais importante foi jogar em casa, o que permitirá muito provavelmente atuarmos sobre o tão amado saibro. A outra coisa boa: a Bélgica é um time forte, finalista de 2017 e que tem estado no Grupo Mundial seguidamente desde 2013. É muito provável que David Goffin venha e isso garante oportunidade de boa promoção e de vermos um tênis de qualidade.

Somando-se isso tudo, a grande notícia mesmo está no fato de que a chance de avançarmos não é nada desprezível. Claro que Goffin deve ganhar seus dois jogos de simples, mas a Bélgica não tem um outro especialista na terra, muito menos duplistas de peso. Ou seja, a oportunidade de marcarmos três pontos é bem alta.

Claro que estamos muito distantes do duelo, mas a lógica diz que hoje a Bélgica teria como segundo jogador de simples Kimmer Coppejans, de 24 anos, ex-97º do ranking mas agora 208º colocado. O atual número 2 é Ruben Bemelmans, porém ele tem pouca intimidade com o saibro.

Coppejans, no entanto, só foi chamado cinco vezes para o time da Davis e jogou efetivamente dois confrontos, com uma vitória de simples (em três jogos) e outra de duplas. É um currículo pequeno. Aliás, em nível ATP, ele só disputou oito partidas até agora com uma única vitória!

A outra opção, mais arriscada, seria o experiente e versátil Steve Darcis, que já foi 38º do mundo e é um ‘casca dura’. Mas o tenista de 34 anos não jogou uma única partida nesta temporada devido a persistente problema no cotovelo e nem se sabe se estará em condições até fevereiro.

A dupla também está muito a favor do Brasil. Os belgas jogaram a última rodada com seus atuais top 100 Sander Gille e Joran Vliegen, mas chegaram a usar bastante Joris de Loore e Bemelmans. Nenhum deles costuma atuar juntos ou soma sequer três vitórias em nível ATP. O favoritismo da eventual parceria de Bruno Soares e Marcelo Melo é gigantesco.

Quanto a local, nem vale muito espetacular, porque a regra que mais vale é a financeira. A cidade que oferecer as melhores regalias à Confederação Brasileira, leva. Pode ser São Paulo ou Belo Horizonte, que têm altitude que agrada Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, ou irmos para o sufoco de um saibro lento à beira mar em Florianópolis ou Salvador, que seria bem útil para a excelente forma física de Rogerinho Silva. Vale lembrar que o quali terá dois dias apenas, com as quatro simples e a dupla em formato melhor de três sets.

Vai haver renovação no time brasileiro? Infelizmente, é bem pouco provável. Por dois motivos um tanto óbvios. Não há ninguém se destacando para valer na nova geração. E em Davis desse nível tão importante, fica difícil arriscar um estreante.

Claro que existe a não desprezada hipótese de Rogerinho manter seu afastamento do time ou Bellucci não se recuperar, o que abriria num primeiro momento as portas para Guilherme Clezar. Temos também uma reta final de temporada com vários challengers na América do Sul e quem sabe algo espetacular aconteça com Orlando Luz ou Thiago Wild. Não custa torcer.

Teste para a Nova Davis
Os outros 11 confrontos que definirão finalistas de novembro têm alguns duelos curiosos: Índia x Itália, Suíça x Rússia, República Tcheca x Holanda, Áustria x Chile, Uzbequistão x Sérvia e China x Japão. Outros fracos, como Colômbia x Suécia. E favoritismo amplo para Austrália x Bósnia e Alemanha frente Hungria. Ainda aguardam adversários Canadá e Cazaquistão.

Será a primeira oportunidade para ver se os melhores do mundo vão mesmo abraçar o novo formato da Davis, porque eles serão importantes para seus países na classificação à final. Sem falar que estamos já em ciclo olímpico e o pessoal precisa cumprir o regulamento se quiser pleitear seu lugar em Tóquio.

Por fim, registre-se o convite bem dado para Argentina e Grã-Bretanha disputarem a final de novembro sem passar pelo quali. Essa história de convidado foi a parte que não gostei do novo regulamento. Deveriam ter deixado mesmo 16 países, com quatro grupos de quatro, com cada campeão de chave indo para a semi. Mais simples e justo.