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A chave para o sucesso
Por José Nilton Dalcim
10 de julho de 2018 às 20:48

Quartas de final masculinas colocam em quadra os três maiores tenistas do milênio, favoritos naturais num piso que privilegia tanto a experiência. Dá para surpreender? Vamos a um resumo do que se pode esperar desta quarta-feira em Wimbledon:

– Federer x Anderson
Mais um recorde ao alcance do suíço, que pode atingir 35 sets de invencibilidade rumo à 13ª semi em Wimbledon. Mas será que isso realmente importa para Federer? Duvido. Sua preocupação principal deverá ser o primeiro saque.

Anderson nunca tirou um set dele, mas tem um arsenal respeitável: ótimo serviço, base sólida, capacidade de ir à rede e trabalho de pés bom demais para quem mede 2,03m. O octacampeão anda econômico nos voleios, mas acredito que desta vez veremos bem mais. Palpite: Federer em três sets.

– Nadal x Del Potro
Delpo já deu a dica: se quiser ser competitivo contra Nadal, terá de ir mais vezes à rede, fazer de tudo para manter os games de serviço, usar obviamente o máximo do magnífico forehand e bater muito mais do que dar slices de backhand. Receita difícil, mas o argentino é competente.

A preocupar, o discurso de sempre: se sente cansado, tem feito recuperação física diária etc e tal. É bom lembrar que, semanas atrás em Paris, o canhoto espanhol atropelou. Nadal aliás tem se mostrado muito forte nas devoluções em Wimbledon também. Uma boa aposta: 3 a 0 para Rafa.

– Djokovic x Nishikori
Sérvio faz quase tudo melhor que o japonês, talvez com exceção ao forehand, coisa pequena. Os 13-2 no duelo direto explicam bem. Na grama, importam muito o saque e a devolução, e aí a distância fica maior. Não é à toa que Nole já venceu Wimbledon três vezes.

Nishikori para variar já mostrou problemas físicos, com dores no ombro direito, o que complica ainda mais a velocidade do primeiro saque. Sua maior chance seria uma tática de muito risco, o que incluiria até deixadinhas e voleios. Sou mais Djokovic, 3 a 0.

– Isner x Raonic
Para compensar, um jogo imprevisível. Tenderia a apostar em Raonic, que tem experiência maior em rodadas importantes de Slam e adora a grama, tendo feito boas partidas até aqui com muita subida à rede. Mas não me convenceu nos dois últimos jogos que fez.

Isner ganhou três dos quatro duelos. Observem: dos nove sets disputados entre eles, sete terminaram no tiebreak, com 4 a 3 para o americano. Deve ser novamente a tônica e só por isso eu vou de Isner, em quatro sets.

Rumo ao título
– Serena x Goerges
A multicampeã levou um susto, Camila Giorgi se manteve firme até o fim e exigiu que Serena Williams usasse todas suas armas para retornar à semi de Wimbledon e ficar a dois passos do 24º Grand Slam.

Mas não pensem que será fácil. A também veterana Julia Goerges é quem mais acertou aces no torneio até agora – 44, cinco a mais que a própria Serena – e já avisou: vai de franca atiradora na quinta-feira. Goerges derrotou a amiga pessoal Kiki Bertens de virada e faz sua primeira semi de Slam na mesma temporada em que atingiu um inédito top 10. Como se vê, 29 anos não são empecilhos.

– Kerber x Ostapenko
Que belo jogo fizeram Kerber e Kasatkina, pena que terminou em dois sets. A alemã usou a tão importante experiência e seu fabuloso poder de defesa para cobrir toda a quadra, lutando ferozmente pela vitória. A russa, 21 anos, tem muita mão e isso por vezes atrapalha a aplicação tática.

Kerber se prepare para correr mais ainda na semi diante de Ostapenko, autêntico duelo de ataque-defesa, inédito no circuito. A letã disparou 33 winners em cima de Cibulkova e não perdeu sets no torneio. Parece estar naquele estado de graça que a levou ao título de Paris no ano passado.

Cenas do 9º dia
– Dura derrota para Bruno Soares e Jamie Murray. Jogo disputado game a game, quatro horas de esforço, cinco sets em plena Central, que precisou ligar luzes e fechar teto para que o jogo terminasse hoje.
– Aos 40 anos, Mike Bryan atingiu a semi de Wimbledon ao lado de Jack Sock e voltará à liderança do ranking de duplas na segunda-feira. Contundido, o irmão Bob festejou lá de casa.
– Andy Murray comentará a rodada na BBC ao lado de Tim Henman. E acredita que Djokovic pode conquistar o título em cima de Nadal e Federer.
– Serena mostrou toda sua simpatia na saída da Central, ao ajudar um fã a manusear o celular e ela própria tirou a selfie desejada.

‘Big 3’ está de volta
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2018 às 20:49

Mais de três anos depois, os maiores tenistas deste milênio estão novamente nas quartas de final de um Grand Slam. Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic tiveram partidas bem tranquilas e repetem o que não acontecia desde Roland Garros de 2015. Curiosamente, naquela ocasião, apenas o sérvio chegou na semi, mas o título acabou nas mãos de Stan Wawrinka.

O ‘Big 3’ soma 49 títulos de Grand Slam e desde aquele Paris venceu 10 dos 12 campeonatos disputados, com exceção de Wawrinka no US Open e de Andy Murray em Wimbledon, ambos em 2016. Como todos sabem, suíço e espanhol dividem os seis mais recentes Slam.

Qual a chance de não termos o ‘Big 3’ na semifinal de sexta-feira? Pequena, a meu ver, embora ainda não saibamos o adversário de Nadal. O suíço encara o conhecido Kevin Anderson, um respeitável adversário que saca muito, voleia bem e bate bem de fundo, porém não tem currículo na grama.

Djokovic vai pegar o ‘freguês’ Kei Nishikori para uma batalha de fundo de quadra. Vale observar que Nishikori já sente dores no ombro direito. Nadal está com um repertório vistoso e não acredito que Juan Martin del Potro muito menos Gilles Simon tenham golpes ou pernas para barrá-lo. Delpo não fechou o jogo em três sets e corre risco na retomada porque já pediu atendimento e o francês é muito competitivo.

O lado de cima de chave reúne grandes sacadores e adeptos de um tênis agressivo. Se Federer passar, vai encarar os ‘aces’ de Milos Raonic ou John Isner. O canadense voleia bem e já venceu o suíço em Wimbledon rumo à final de 2016. Já a parte inferior só vê típicos jogadores de base, ainda que Delpo seja melhor sacador do que todos os demais.

Então o desenho está traçado para a mais deliciosa batalha que o tênis masculino pode almejar: ataque contra defesa. Na grama então, a expectativa é de show.

Novidades nas meninas
Semifinal de Wimbledon será uma novidade para todas no feminino, menos Serena Williams e Angelique Kerber. Algumas têm experiências importantes em Grand Slam, como é o caso da campeã de Paris Jelena Ostapenko e a vice da Austrália Dominika Cibulkova. As duas se cruzam nesta terça-feira e única referência são as duas vitórias da eslovaca nos duelos diretos.

Talvez a grande surpresa agora seja a bela italiana Camila Giorci, 52ª do ranking e primeira presença em quartas de Slam. Tem um estilo muito agressivo, o que é essencial para tentar encurralar Serena. Mas o controle emocional não é seu forte.

Kiki Bertens já fez uma semi em Roland Garros, com escassos resultados expressivos em pisos mais velozes, o que parece agradar bem mais Julia Goerges, que nunca havia sequer atingido as oitavas de um Slam e vinha de uma sequência incrível de cinco derrotas na estreia de Wimbledon.

Assim, uma nova final entre Serena e Kerber é a melhor aposta do momento. A canhota alemã, finalista de 2016 quando perdeu justamente para Williams, tem tido altos e baixos ao longo do torneio, porém experiência é algo essencial e isso ainda falta à jovem russa Kasatkina.

Bruno na Central
Parceiro de um dos grandes nomes da casa, Bruno Soares terá a honra de disputar as quartas de final de duplas na Quadra Central nesta terça-feira. É um momento duplamente especial, porque o mineiro também busca sua primeira semi em Wimbledon. O escocês Jamie Murray já fez final, em 2015, e certamente deve ter um sonho especial ali. Os adversários merecem cuidado: os experientes Raven Klaasen e Michael Venus.

Cenas das oitavas
– Federer pela primeira vez encarou break-points em Wimbledon, mas manteve o serviço pela 81ª vez consecutiva. O recorde está distante: 114 de Sampras.
– Anderson enfim ganhou de Monfils num jogo decidido nos mínimos detalhes. Subiu 61 vezes à rede e ganhou 42 pontos.
– Raonic disparou mais 37 aces contra a surpresa McDonald e não cedeu um único break-point na partida.
– Isner faz primeira quartas em Wimbledon em 10 participações, mas curiosamente só fez cinco tiebreaks, tendo perdido dois.
– Nadal cedeu uma quebra, mas perdeu apenas 11 pontos com o primeiro serviço diante de Vesely.
– Sete duplas faltas parecem indicar que Nishikori realmente sentiu o ombro. Sua média de primeiro saque foi de 175 km/h.
– Djokovic colocou 71% do primeiro saque em quadra, com apenas dois aces. Dá para melhorar muito.
– A chance matemática de o tênis feminino ter a oitava diferente campeã de Grand Slam seguida é grande, mas terá de haver uma considerável surpresa. Kerber, Serena e Ostapenko justamente iniciam essa série, que depois teve Muguruza, Stephens, Wozniacki e Halep. Será?

Gol de placa da Croácia
Por José Nilton Dalcim
24 de junho de 2018 às 20:15

O tênis croata sempre combinou com aces, quadras velozes e piso de grama, isso desde Goran Ivanisevic mais de 20 anos atrás. No entanto era difícil imaginar que Marin Cilic e Borna Coric pudessem ganhar dois ATP 500 ao mesmo tempo no piso, e em cima de adversários que tinham tudo a favor.

Por incrível que pareça, saque só foi fazer diferença em favor de Cilic no terceiro set. O croata jogou com 36% de primeiro serviço na série inicial e 54% no seguinte, passando sufoco o tempo todo diante da boa devolução do sérvio e de sua firmeza de base inferior. Parecia inevitável a 15ª vitória do sérvio no 16º duelo diante do croata, mas dois break-points e um match-point escaparam no segundo set, assim como a vantagem de 4-1 no tiebreak. Observe-se que Cilic ganhou o set com apenas quatro pontos vencidos como devolvedor (e só um sobre o primeiro serviço).

Aí a situação se inverteu e foi Nole quem passou a sentir dificuldade crescente para manter o serviço até a quebra definitiva. Talvez tenha pesado contra o sérvio o fato de estar há um ano sem ganhar um torneio – o último havia sido na grama de Eastbourne -, mas ficar tão perto de derrotar o atual vice de Wimbledon deve ser encarado como motivador.

Com apenas duas vitórias na grama até seis dias atrás, Coric foi mesmo a grande surpresa. Encarou o todo-poderoso eneacampeão de Halle com uma bela variação de armas, desde um saque muito consistente (11 aces contra 12, 74% de acerto e apenas 19 pontos perdidos) mas também com voleios firmes, devoluções arriscadas e muita agilidade no fundo de quadra. Claro que o suíço lhe abriu a porta ao desperdiçar 6-4 e saque no tiebreak, e ganhar o primeiro set muito provavelmente mudaria o ritmo do jogo.

É de se elogiar a conduta de Coric ao longo de todo o terceiro set, principalmente porque ele vinha de uma falha absurda na rede que dera o empate ao adversário minutos antes. O croata jamais saiu de jogo, acertou 19 de 20 primeiros serviços nesse set de grande pressão e ganhou 10 pontos no saque suíço. Muito curioso o fato de Federer ter vencido mais pontos na soma total da partida (97 a 89), o que mostra evidentemente que Coric se saiu muito bem nos lances realmente importantes.

Claro que os títulos desde domingo não colocam imediatamente Cilic e Coric como grandes favoritos a Wimbledon, mas dão um molho saboroso ao Grand Slam da grama e devem fazer agora Federer, Rafael Nadal e o próprio Djokovic sonharem em ficar longe de ambos no sorteio da chave de sexta-feira.

Nadal reassume
Como resultado da derrota, Federer voltou a perder a ponta do ranking para Rafa e, como muito bem observado por Mário Sérgio Cruz em TenisBrasil, esta foi a sexta troca de liderança entre os dois nesta temporada sem que houvesse um único duelo direto entre os dois pelo número 1. Também não chega a ser um recorde, já que Ivan Lendl e John McEnroe se alternaram seis vezes em 1984, mas no total eles se revezaram por 11 vezes seguidas no alto da lista, entre 1983 e 1985.

Vale observar que Nadal deverá permanecer como líder pelo menos até defender seu troféu no US Open, já que Federer é o atual campeão de Wimbledon e finalista em Montréal, podendo eventualmente somar em Cincinnati. No entanto, o espanhol somou apenas 470 pontos entre Roland Garros e US Open no ano passado – sendo 180 em Wimbledon – e assim tem boa chance de aumentar a distância para o suíço antes de Nova York.

Alívio nas duplas
Enfim, Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot foram bem em Halle e voltaram a erguer um troféu, algo que não acontecia desde janeiro, em Sydney. E esse é um ótimo prenúncio para a difícil e importante defesa do título em Wimbledon. Um resultado inferior a semifinal pode até tirar Melo do top 10. A parceira entra na faixa de classificados para Londres, em oitavo lugar, imediatamente atrás de Bruno Soares e o escocês Jamie Murray, que fizeram uma grande partida no sábado em Queen’s mas perderam a decisão.