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Aquecendo
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2017 às 12:18

Rafael Nadal e Roger Federer estão se aquecendo no piso sintético veloz de Xangai para mais um possível duelo direto no próximo domingo. Depois de duas rodadas, o canhoto espanhol não pareceu sentir a menor dificuldade na adaptação entre a quadra mais lenta de Pequim e a rapidez maior de Xangai, que ainda por cima tem usado o teto retrátil, despachando com assustadora facilidade Jared Donaldson e Fabio Fognini.

Federer, por seu lado, sofreu pequenos altos e baixos. Perdeu um game de serviço para Diego Schwartzman, salvou break-points contra Alexandr Dolgopolov e ainda parece procurar um ritmo ideal de ataque, algo mais do que normal para quem só fez duas partidas de exibição desde o US Open. Ajustes se tornam necessários, como a consistência no backhand e especialmente amenizar uma evidente ansiedade.

As quartas de final são exigentes para Nadal, que reencontrará Grigor Dimitrov, para quem perdeu um set uma semana atrás em Pequim. Todos sabemos que o búlgaro gosta mais de uma quadra veloz. O mesmo se pode dizer de Marin Cilic, possível adversário de sábado e favorito diante de Albert Ramos. Já Federer na teoria tem tarefa mais fácil contra Richard Gasquet, mas vislumbra um reencontro que promete ser explosivo caso Juan Martin del Potro marque sua sétima vitória em cima de Viktor Troicki.

O argentino teve excelente atuação na madrugada diante do garoto Alexander Zverev, usando ao máximo o potencial de seu primeiro serviço numa partida disputada game a game e decidida em pequenos detalhes, ou seja, a confiança de Delpo no tiebreak e a quebra no quinto game num terceiro set em que o argentino perdeu apenas quatro pontos com o saque.

Enquanto isso, o quadro para o Finals de Londres vai se definindo. Além de Nadal, Federer e Zverev, Dominic Thiem se garantiu apesar do mau momento. Dimitrov e Cilic estão virtualmente classificados. Restam assim duas vagas. David Goffin, Pablo Carreño, Sam Querrey e Kevin Anderson são os mais cotados.

– Com os pontos somados nas quartas de final de Xangai, Nadal recoloca ordem no ranking mundial e o número 1 voltará a somar mais de 10 mil pontos. Isso não acontecia desde o começo de junho e chegou ao ponto de Andy Murray ter somente 7.750 na lista do dia 17 de julho, substituído pouco depois pelo próprio Nadal, então com 7.645.

– Mais uma vitória e Cilic irá tirar provisoriamente Zverev do quarto lugar do ranking. Na contagem apenas da temporada, o alemão ainda leva cerca de 1.000 pontos de dianteira e permanece como o maior candidato a fechar o ano como número 3.

– A menos que Gasquet seja campeão, Del Potro enfim voltará ao top 20 do ranking na próxima segunda-feira, posição que não ocupa desde 6 de outubro de 2014. Londres está distante, mas continua possível.

– Bruno Soares se tornou o segundo duplista brasileiro a atingir a marca de 400 vitórias em torneios de primeira linha nesta quinta-feira, atrás somente das 423 de Marcelo Melo. A vitória também garantiu matematicamente Soares e Jamie Murray no segundo Finals consecutivo. Melo já estava classificado há tempos e briga em Xangai para se manter na liderança de parcerias ao lado de Lukasz Kubot.

– Bia Haddad perdeu outra vez para Sara Errani em três sets equilibrados e encerrará sua temporada na próxima semana no WTA de Luxemburgo. A canhota de 21 anos foi indicada pela WTA na categoria “revelação” da temporada ao lado de CiCi Bellis, Elise Mertens e Marketa Vondrousova. Vale a torcida.

O último passo para o inédito Fedal
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2017 às 00:46

Apenas Juan Martin del Potro e Andrey Rublev podem agora impedir que o US Open veja pela primeira vez o duelo entre Roger Federer e Rafael Nadal, o chamado ‘Fedal’. Aliás, pode ser também a última chance. Ainda que sejam atletas excepcionais, é difícil ter a certeza de que ambos continuarão em grande forma daqui a um ano.

Por sua experiência e enorme competência técnica, Delpo é o maior perigo. Não se sabe, claro, como estará fisicamente depois da vitória mágica em cima de Dominic Thiem, e o corpo tem sido o elemento mais frágil do argentino. Desde que passou a usar mais slices no backhand e subir com frequência à rede, Del Potro enfrentou apenas uma vez Federer e não teve muita chance no piso mais lento de Miami, em março. Contra Thiem, vimos o argentino bater um pouco mais o backhand, ainda que longe do peso de antes. Acho que ele terá de usar essa variação o tempo todo contra o suíço, à espera da chance de fugir para o forehand.

Federer evoluiu nos dois últimos jogos feitos neste US Open. Além de trabalhar melhor o saque e encaixar seu decisivo forehand, mostrou-se ágil. Porém, está talvez 70% do padrão apresentado nos três primeiros meses da temporada ou de Wimbledon. Isso pode ser o suficiente para bater Delpo, mas será o bastante para o eventual reencontro com Nadal?

Rublev tem como grande trunfo o direito de jogar sem responsabilidade alguma. Se vai mentalizar isso, é outra questão. O russo tem boas armas, tênis bem moderno moldado à base de primeiro saque e golpes consistentes dos dois lados, mas Nadal é um desafio e tanto. O espanhol tem um arsenal mais repleto e não me surpreenderá se usar muitos slices para confundir a cabeça do jovem adversário. O maior risco é ficar muito atrás da linha e dar espaço para Rublev atacar. Se a bola começar a entrar, o jogo ficará duro.

Adeus, Tio Sam
Os semifinalistas da parte inferior da chave serão o espanhol Pablo Carreño e o sul-africano Kevin Anderson. O espanhol não pode reclamar da sorte: enfrentou quatro adversários oriundos do quali em sequência, um recorde em Grand Slam. Isso não quer dizer que não esteja jogando bem e a prova foi a forma com que dominou Diego Schwartzman, impondo um estilo mais agressivo.

Anderson me parece mais favorito. Mostrou todas suas armas mas acima de tudo enorme concentração e frieza para despachar a última esperança da casa, Sam Querrey, numa batalha milimétrica de quatro sets que terminou às 2 da manhã local. Ex-top 10, Anderson faz enfim uma semifinal em seu 34º Grand Slam. Com 2,03m, usa obviamente muito bem o saque porém se mexe bem no fundo de quadra para sua altura, com ótimos golpes dos dois lados. Os EUA não fazem um finalista do US Open desde Andy Roddick, em 2006.

All American?
E a festa norte-americana começou com a classificação suadíssima de Venus Williams e Sloane Stephens para as semifinais, duelo caseiro e de gerações. Stephens tinha apenas quatro anos quando Venus fez sua primeira final de Grand Slam, lá mesmo em Nova York, em 1997.

Sloane era uma grande promessa em janeiro de 2013, quando fez sua primeira e até então única semi de Slam, ficando a um passo do top 10. Foi decaindo até o problema no pé esquerdo que a tirou de três Slam seguidos. Voltou em Wimbledon, sem vitória, e agora embalou na quadra dura. Tem sofrido neste US Open, com três de cinco jogos no terceiro set. O de hoje diante de Anastasija Sevastova foi um sufoco de intensos altos e baixos. A letã ficou à frente até a metade do terceiro set.

Venus e Petra Kvitova confirmaram a expectativa e fizeram um belo duelo, intenso, agressivo, nervoso. Magnífico ver duas tenistas tentando ganhar todos os pontos. A tcheca falhou ao deixar escapar 3/1 no primeiro set (perdeu cinco games seguidos) e também no terceiro. No tiebreak derradeiro, Venus mostrou muita inteligência, encheu a bola de topspin e cortou os erros. Aos 37 anos, continua sonhando em voltar a erguer um troféu de Slam nove temporadas depois do último.

Mais duas americanas estarão em quadra e tentarão repetir um feito raro na Era Profissional com o domínio total dos EUA na semi feminina, algo que só ocorreu quatro vezes. Madison Keys é favorita contra Kaia Kanepi, mas CoCo Vandeweghe tem páreo duro contra a líder do ranking Karolina Pliskova.

Dia ruim
A nota triste ficou com a despedida de Bruno Soares das duplas. Uma atuação irreconhecível ao lado de Jamie Murray e uma derrota apertada nas mistas. O Brasil agora só tem Thiago Wild nas quartas de duplas juvenis.

Destaque para o feito de Mike Bryan que, aos 39 anos, se tornou o tenista com maior número de vitórias em duplas, com 1.052.

Delpo salva o US Open
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2017 às 00:43

Enfim, um grande jogo na chave masculina desde US Open. Melhor ainda, dessas partidas que vão ficar na memória do tênis. Juan Martin del Potro arrumou forças quase sobrenaturais para sair de uma apatia completa e dois sets abaixo e virar um jogo naturalmente perdido para Dominic Thiem. Tudo debaixo de uma incrível festa de sua fanática torcida. Espetáculo.

O campeão de 2009 se arrastava em quadra e parecia pronto a abandonar. Nenhum winner até a metade do segundo set. Mas como sempre o coração falou mais alto. Esqueceu do mal estar provocado pela gripe e começou a disparar seu mágico forehand. Thiem ainda teve cabeça para chegar a 5/2 no quarto set e sacar para o jogo em seguida. Falhou, levou um banho no tiebreak.

O austríaco mostrou-se emocionalmente muito frágil para o nível que joga. Foi sendo enrolado por Delpo, perdeu-se no plano tático, sem saber que hora deveria arriscar ou passar a bola para o outro lado. Fez mais winners em quatro dos cinco sets, incluindo os dois últimos.

Delpo talvez tenha salvado este US Open, não apenas porque fez um jogo memorável mas porque parece ser o único adversário com golpe e espírito para encarar Roger Federer e quem sabe Rafael Nadal. Tudo bem, lhe falta físico. Mas duvido que o suíço não dedique enorme cautela com seu poder de fogo nas quartas de final.

Federer assim como Nadal tiveram atuações protocolares. Jogaram com máxima seriedade desde a primeira bola e não deram ânimo a Philipp Kohlschreiber e Alexandr Dolgopolov. O suíço atinge uma marca impressionante: 51 quartas de final em 71 Grand Slam disputados. É o que o faz ser o melhor de todos. Apesar de novamente dar alguma preocupação ao pedir um raríssimo atendimento médico antes do terceiro set – explicou depois que foi ao vestiário porque precisou receber massagem na região do glúteo -, perdeu apenas 13 pontos com o serviço.

Rafa, por seu lado, jogou ainda melhor do que na rodada anterior, sem pressa e com notável clareza tática, sabendo como e quando poderia tirar o pior do adversário. Claro que Dolgopolov viveu seus dias de top 100, com poucos momentos de lucidez. O que importa para o espanhol é chegar ao duelo contra o novato Andrey Rublev com o máximo de sua confiança.

O russo de 19 anos tem feito mais do que aproveitar os buracos da chave. Dominou Grigor Dimitrov e David Goffin com placares idênticos, adversários de estilos muito diferentes. Rublev lembra muito Alexander Zverev. É alto, saca bem e bate pesado dos dois lados. Se não sentir o peso de jogar contra o número 1 do mundo e soltar seus golpes livremente, pode dar algum trabalho. Tido como um potencial top 10 para futuro breve, é hora de curtir a experiência.

A chave feminina colocou mais duas norte-americanas nas quartas. Agora são quatro, uma em cada partida de quartas de final. CoCo Vandeweghe joga no risco, saca muito bem e não tem medo de cara feia. Por isso, é um perigo para a número 1 Karolina Pliskova, que mal fez um treino e ganhou em meros 46 minutos. Tenista de 1,85m e 25 anos, CoCo chega a sua terceira quartas de Slam na temporada, repetindo Wimbledon e Austrália (onde foi à semi). É um currículo respeitável.

A história de Cinderela da vez está com a estoniana Kaia Kanepi, que venceu uma Daria Kasatkina 12 anos mais jovem. O ranking de Kanepi assusta: 418º. Mas é importante lembrar que ela já foi top 15. Desabou por conta de um problema nos dois pés que a tirou do circuito por um ano. O retorno aconteceu apenas dois meses atrás em nível ITF. É a segunda tenista a sair do quali e chegar nas quartas do US Open. Agora, no entanto, encara Madison Keys, que tem feito jogos duros e se saído sempre bem.

Importante observar que o circuito feminino terá obrigatoriamente quatro campeãs diferentes de Grand Slam neste ano, repetindo 2014. Quem levar o US Open se juntará a Serena Williams (Austrália), Jelena Ostapenko (Paris) e Garbiñe Muguruza (Wimbledon).

A rodada desta terça-feira tem Pablo Carreño com favoritismo sobre Diego Schwartzman, que sentiu dores na coxa na batalha da véspera, e Sam Querrey carregando a esperança americana frente Kevin Anderson. Será o 16º duelo entre eles e o terceiro do ano. Querrey ganhou a duras penas em Wimbledon e perdeu feio em Montréal. No feminino, duelos pouco previsíveis de Sloane Stephens frente Anastasija Sevastova e de Venus Williams contra Petra Kvitova, que tem tudo para ser o melhor jogo do dia.

Para o tênis brasileiro, toda a torcida para Bruno Soares, que joga duas vezes de olho nas semifinais. Primeiro com Jamie Murray, na tentativa do bicampeonato, e depois com Timea Babos, na luta por seu terceiro troféu na especialidade em Flushing Meadows. Esse mineiro adora Nova York.