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Djokovic cumpre primeira meta
Por José Nilton Dalcim
19 de janeiro de 2019 às 12:49

A liderança do ranking está garantida e Novak Djokovic fica provavelmente mais leve e solto para buscar seu 15º troféu de Grand Slam. Melhor ainda, o garoto Denis Shapovalov nem de longe assustou, mergulhado numa sucessão de erros bobos e escolhas mal feitas. A reação que conseguiu foi muito mais por total desconcentração do adversário.

Era para ter sido uma surra, quando Djokovic abriu 4/1 no terceiro set. Mas aí ele se incomodou com luzes no fundo de quadra e perdeu cinco games seguidos. Foi fundamental ganhar os dois games apertados na abertura do quarto set, e aí Nole retomou o domínio. O jogo decepcionou por culpa de Shapovalov, que cometeu 57 erros e fez só 21 winners. O próprio Djokovic desacelerou, com 33 falhas e 16 winners.

O próximo desafio é Daniil Medvedev, contra quem tem 2 a 0. O russo de 22 anos não pode ser desprezado e deve exigir muito mais de Nole no fundo de quadra. No entanto, a presença do cabeça 1 na semifinal parece mais do que óbvia, já que o adversário seguinte sairá de Kei Nishikori e Pablo Carreño.

Horas mais tarde, Alexander Zverev economizou pernas e passou facilmente pelo local Alex Bolt, resultado que lhe garantiu a maior campanha em Melbourne e o retorno ao número 3 do ranking. Mas é preciso muito cuidado com Milos Raonic na segunda-feira, um adversário experiente, com semi no torneio e que gosta de um piso rápido. Não à toa, bateu Zverev em Wimbledon (perdeu pouco antes no saibro de Roma).

O grande jogo do dia acabou ficando para o longo duelo de cinco sets entre Lucas Pouille e o pouco conhecido Alexei Popyrin, 19 anos e muitos recursos. O francês parece em sua melhor forma física em anos, talvez fruto do trabalho com Amélie Mauresmo. Mão ele tem de sobra. Por isso, pode pintar um jogaço contra Borna Coric, que caminha sem holofotes mas mostra um primeiro serviço eficiente e subidas oportunas à rede.

Serena desafia Halep
O torneio feminino, que tem mostrado ótimas partidas e várias surpresas, tem outro grande momento marcado ainda nas oitavas de final: Serena Williams volta a enfrentar uma líder do ranking depois de seis anos, desta vez Simona Halep. As duas jogaram muito bem neste sábado. Serena ganhou 8 dos 9 duelos diretos, e isso pode ser motivação para a romena. Quem passar, será certamente favorita diante de Karolina Pliskova ou Garbiñe Muguruza.

No outro quadrante, Naomi Osaka e Elina Svitolina escaparam por pouco de ampliar a lista de ‘zebras’. A campeã do US Open chegou a estar um set e 1/4 atrás antes de arrasar na série decisiva. A ucraniana começou bem, começou a sentir dor no pescoço e viu Shuai Zhang abrir 3/0 e saque no terceiro set. Na torcida, o namorado Gael Monfils sofreu. As duas terão oitavas de final muito exigentes: Osaka pega Anastasija Sevastova e Svitolina cruza com Madison Keys.

Brasil e as duplas
O tênis brasileiro segue sua tradição de desempenhos notáveis nas chaves de duplas e já colocou Bruno Soares e Marcelo Demoliner nas oitavas de final deste Australian Open.

É bem verdade que o mineiro não esteve num bom dia e a parceria correu riscos frente a um dueto britânico sem muita expressão. O gaúcho, que parece ter encontrado entrosamento com Frederik Nielsen, um campeão de Wimbledon, tenta pela primeira vez as quartas de um Slam.

As oitavas de final
– Nadal e Berdych fazem 24º duelo, mas o primeiro em quatro anos. Placar geral é de 19-4 para espanhol., mas curiosamente a última vitória do tcheco foi justamente em Melbourne-2015.  Se Nadal vencer, terá 20 vitórias ou mais sobre quatro adversários (Ferrer, Djokovic e Federer, os outros).
– Federer reencontra Tsitsipas, 17 anos mais jovem, e tenta ser mais velho quadrifinalista do torneio desde 1977, quando Rosewall tinha 43. Suíço ganhou em dois tiebreaks há três semanas na Hopman. Grego busca quartas inéditas em Slam. É o sexto NextGen que Federer encara em sete jogos na temporada.
– Cilic salvou dois match-points na rodada anterior de intensos altos e baixos, Batista mostrou físico em dia ao tirar Khachanov depois de 10 sets disputados nas primeiras rodadas. Croata tem duas vantagens: 4-1 nos duelos e a pressão sobre espanhol, que jamais passou das oitavas de um Slam em nove tentativas, três delas na Austrália.
– Duelo de estilos entre Dimitrov e Tiafoe, aniversariante do dia. Piso veloz deve ajudar búlgaro, que tenta quartas de Melbourne pelo terceiro ano seguido.  Americano derrotou de virada Anderson e Seppi, dois ótimos tenistas de piso duro, depois de ter perdido todos seus quatro jogos de início de 2019.
– Grande expectativa para Sharapova x Barty e Kvitova x Anisimova. Se russa aposta na força, última esperança australiana tem muito jeito, usando slices e boa variação. Com oito vitórias seguidas na temporada, Kvitova não perdeu sets mas sabe do poder de fogo da adversária de 17 anos, para quem perdeu em Indian Wells-2018. Emoções à vista.
– Do outro lado, Kerber e Stephens são favoritas diante de Collins e Pavlyuchenkova. Cabeça 2 só cedeu 10 games e encara 35ª do ranking. Stephens tem 2-0 sobre russa, que deu trabalho no duelo mais recente.

Djokovic joga com vontade
Por José Nilton Dalcim
15 de janeiro de 2019 às 12:40

É bem possível que o motivo tenha sido a amarga derrota de Doha de duas semanas atrás, mas o fato é que Novak Djokovic disputou a primeira rodada deste Australian Open com muita vontade. Mesmo diante de um adversário de ranking e currículo muito inferiores, vibrou com seus bons lances e irritou-se com os poucos erros cometidos.

Nada de errado nisso. Muito ao contrário. Mostra que Nole entrou ligado desde o primeiro minuto e está exigente consigo mesmo. Sua atuação firme marcou o 300º jogo de nível Grand Slam de sua carreira, com 259 vitórias. Desse total, 70 partidas e 62 triunfos foram na Austrália.

Djokovic, que não era cabeça 1 de um Slam desde o US Open de 2016, reencontra agora Jo-Wilfried Tsonga, cujo primeiro dos 22 duelos aconteceu justamente em Melbourne na então surpreendente final de 2008. Os dois vivem momentos bem opostos. Enquanto o sérvio voltou a jogar um tênis soberbo, o francês luta eternamente contra o físico e amarga o 177º posto do ranking. O piso veloz no entanto pode ajudar Tsonga a equilibrar melhor os sets.

Raonic x Wawrinka
Outro jogo imperdível de segunda rodada terá Milos Raonic contra Stan Wawrinka, chance de o suíço se vingar da recente derrota na terceira rodada do US Open. São dois tenistas que também buscam reencontrar seu jogo e a capacidade de ir longe nos grandes campeonatos.

Raonic, semi do torneio há três anos quando resolveu caprichar nos voleios, foi impecável no saque diante de um Nick Kyrgios vacilante. O australiano, que um dia fez quartas em Melbourne, sofreu sua primeira derrota de estreia em seis participações. Nos últimos 10 duelos contra top 20 em Slam, perdeu nove. Seja pelo físico ou pela cabeça, continua ladeira abaixo e pode deixar o top 70. Que desperdício de talento.

Nova geração avança
Cinco nomes fortes da Next Gen venceram, com destaque óbvio para Alexander Zverev e uma apresentação sem sustos. Borna Coric por sua vez ganhou finalmente uma partida no AusOpen, após cinco tentativas. Jogou bem agressivo, como já vinha fazendo em 2018.

Observe-se que dois novatos têm tudo para desafiar Nole. Denis Shapovalov dificilmente não será o adversário do sérvio na terceira rodada, já que tem agora Taro Daniel, e Daniil Medvedev é favorito contra Ryan Harrison e tem chance de barrar David Goffin.

Sob risco de sair do top 50, Hyeon Chung sobreviveu depois de ter perdido os dois primeiros sets e parece bem distante do nível que mostrou em 2018, quando fez semi inesperada.

Entre as meninas, cinco nomes entre 17 e 18 anos avançaram à segunda rodada e continuo impressionado com a canadense Bianca Andreescu. Fiquem de olho na ex-número 1 juvenil Anastasia Potapova, na campeão de Wimbledon Iga Swiatek e na ousadíssima Amanda Anisimova.

Halep de volta
E enfim Simona Halep voltou a vencer. A número 1 não fez uma grande partida, mas achou aos poucos o ritmo para se vingar da derrota sofrida para Kaia Kanepi no US Open, que iniciou uma série de cinco quedas seguidas. A chave segue dura. Vem agora a embalada e jovem Sofia Kenin, quem sabe em seguida as duas Williams.

Serena, por falar nisso, sobrou. Muito mais em forma, mostrou-se bem à vontade num piso veloz que a ajuda no saque, na transição à rede e nas devoluções agressivas. Interessante duelo agora contra Eugénie Bouchard, que cinco anos e meio atrás deu grande trabalho à norte-americana na quadra rápida de Cincinnati.

Nesse fortíssimo setor da chave, Naomi Osaka fez também ótima estreia. É outra que se adapta muito bem a uma superfície mais veloz, já que adora comandar os pontos e ir para as linhas. A campeã do US Open parece ter caminho tranquilo pelo menos até cruzar com Anastasija Sevastova nas oitavas.

O jogo do dia
Kei Nishikori e o desconhecido Kamil Majchrzak fizeram o duelo mais maluco do segundo dia. O polonês de 23 anos jogou muito além do seu 176º lugar do ranking, com dois sets primorosos em que sacou, devolveu e contragolpeou com notável qualidade. Mas parece não ter dosado o esforço e passou a sentir cãibras até nos dedos da mão, o que permitiu a fácil virada do japonês, evitando o que seria sua pior derrota no circuito em seis temporadas. O ponto alto de Nishikori foi arriscar mais o jogo de rede, algo que vem fazendo cada vez com maior competência. Seu adversário agora é o veteraníssimo Ivo Karlovic.

Duelo emocionante marcou a virada de Venus Williams em cima da romena Mihaela Buzarnescu. A cabeça 25 chegou a sacar para o jogo com 5/4 no segundo set, mas a experiência de Venus, 38 anos e 81 Slam nas costas, prevaleceu e ela não perdeu mais serviços.

Decepções da rodada
Três abandonos dolorosos na chave masculina. Lesão nas costas de Ernests Gulbis com apenas uma hora de duelo contra Wawrinka, o peitoral de novo brecando a tentativa de reação na carreira do ainda garoto Thanasi Kokkinakis; e o segundo ano seguido em que Jaume Munar deixa a quadra no meio de sua estreia. E Jack Sock continua seu calvário, levando virada e sofrendo a 15ª derrota de estreia em seus 23 últimos torneios (em outros 7, caiu na segunda rodada).

O dono do tênis
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2018 às 12:18

Num passe de mágica, Novak Djokovic deixou as trevas de uma primeiro semestre desalentador para virar outra vez o grande nome do tênis do momento. Que transformação. Até Monte Carlo, o sérvio era um jogador tenso, irregular, apressado, lento, impreciso, sofrendo derrotas estranhas para adversários muito inferiores. Nos últimos três torneios, voltou a ser atlético, incansável, ousado, agressivo e alegre. E nesse estágio de corpo e alma é bem difícil segurá-lo.

Não tenho muita dúvida que o momento da virada de Djokovic aconteceu naquela semifinal espetacular de Wimbledon diante de Rafael Nadal. A vitória suada sobre o número 1, que vinha de uma arrancada notável ao longo do saibro, parece ter não apenas recuperado toda a confiança do sérvio, mas também lhe dado o desejo de reação. Dali em diante, com exceção natural no Canadá, Djoko só melhorou a cada semana.

Inegável também que essa evolução tem tudo a ver com seu aprimoramento físico, e aí é importante recordar entrevista de Marian Vajda em que o treinador disse que precisou convencer o pupilo a minimizar algumas condutas da dieta. Ao retomar a firmeza de pernas e a resistência, pudemos ver novamente aquele sérvio extremamente ágil e competente nos contragolpes a realizar uma cobertura impecável da quadra, o que geralmente leva o adversário ao risco cada vez maior.

Recuperado fisicamente, faltava a Nole acreditar em si e provavelmente Vajda teve toda a responsabilidade nisso. Depois de barrar Nadal em Wimbledon, voltando aos títulos de Grand Slam ainda sem mostrar seu melhor tênis, dominar Roger Federer para a conquista tão sonhada em CIncinnati selou a reação. Desde aquele domingo, ficou difícil duvidar de Nole. Ele teria ainda provação nas rodadas iniciais e infernais do US Open. O que vimos nesta semana em Xangai foi um desfile do melhor Djokovic.

Num momento tão espetacular e dominador do arqui-rival, parece pouco provável que Nadal ainda consiga se manter como número 1 nesta reta final de temporada, porque aí entram componentes essenciais: a falta de ritmo que o espanhol terá, já que não compete desde a queda em Nova York, e o histórico pouco expressivo de Rafa na quadra coberta europeia. Paris e Londres são justamente dois grandes títulos que jamais conquistou.

Borna Coric não repetiu nesta madrugada a atuação exuberante da véspera diante de Roger Federer, mas era previsível que o croata teria maior dificuldade para matar pontos diante do volume defensivo do adversário. Golpe por golpe, Djokovic tem tudo superior e isso ficou patente nos mínimos buracos que cedeu. Coric lutou muito e poderia ser recompensado por uma quebra no segundo set, mas falhou feio no único break-point que teve.

De qualquer forma, foi uma final intensamente disputada, com ótimos lances dos dois lados, e a certeza de que o croata evoluiu muito desde o ano passado, quando ouviu conselhos de Riccardo Piatti e adotou postura mais ofensiva. Ainda falta trabalhar mais o forehand, porém a projeção para seu futuro está bem mais promissora.

Melo de novo
O mineiro Marcelo Melo e seu parceiro polonês Lukasz Kubot conseguiram embalar. Conquistaram o segundo título seguido, obtendo duas vitórias sobre os líderes do ranking Marach/Pavic e outra neste domingo sobre Bruno Soares e o britânico Jamie Murray.

Com isso, Melo e Kubot assumem o terceiro lugar no ranking de parcerias da temporada e o quarto lugar no individual. Dificilmente no entanto conseguirão chegar à liderança, já que estão quase 2.200 pontos atrás de Marach/Pavic e a 2.700 de Mike Bryan.

Melo gosta mesmo do Oriente. É agora tri em Xangai (ganhou com Dodig e Klaasen) e soma um em Tóquio e outro em Pequim.

Detalhes
– Se Djokovic realmente retomar o número 1, marcará a maior ascensão de um tenista ao topo dentro de uma mesma temporada, já que era 22º em maio. O maior feito nesse aspecto cabe a Andre Agassi, que foi de 14º à ponta ao longo de 1999.
– Djokovic não perdeu um único de seus 47 games de serviço nesta semana. Ele disse após a estreia que nunca vira a quadra chinesa tão veloz.
– Sérvio tem 27 vitórias em seus últimos 28 jogos desde a estreia em Wimbledon e 18 de invencibilidade desde Cincinnati.
– Coric continua sua temporada de feitos particulares: fez primeira semi de Masters em Indian Wells, ganhou inédito ATP 500 em Halle, quebrou a barreira do top 20 em julho e será 13º nesta segunda-feira após a primeira final de Masters.
– Karolina Pliskova perdeu a final de Tianjin para Caroline Garcia e ainda não garantiu vaga no Finals. Terá de brigar em Moscou contra Kiki Bertens, mas precisa de muito pouco, já que Elina Svitolina não joga nesta semana.