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As 12 raquetes mais famosas do tênis
Por José Nilton Dalcim
14 de fevereiro de 2019 às 10:58

Enquanto os grandes torneios não voltam, segue minha lista das 12 raquetes que fizeram maior fama na história do tênis, com alguns detalhes históricos e técnicos.

Dunlop Maxply Fort
Uma das raquetes mais populares de todos os tempos, era feita de uma prensagem de nove diferentes tipos de madeira. Surgiu em 1931 e foi usada por diversas estrelas de ponta, como Rod Laver. Com o sucesso de John McEnroe, criou-se a versão Maxply McEnroe, que foi comercializada até 1982, quando o norte-americano adotou a Max 200G.

maxply

Wilson Jack Kramer
Rivalizou com a Maxply Fort como a mais equilibrada e procurada raquete de madeira, desde que foi lançada em 1948 com o nome do famoso jogador norte-americano que brilhou nas décadas de 40 e 50. Por 35 anos, foi considerada a raquete mais vendida do mundo.

jack

Wilson T2000
Surgida em 1967, foi a primeira raquete não construída de madeira a fazer sucesso comercial no tênis. Começou a ser usada por Billie Jean King e Clark Graebner, mas se imortalizou nas mãos de Jimmy Connors, que conquistou Wimbledon de 1974 e 1982 com ela. A cabeça de 67 polegadas quadradas aumentava a força e dava controle acima de qualquer raquete de madeira. Connors tentou mudar, mas não conseguiu e passou a comprar todos os modelos que encontrava depois que a T2000 parou de ser fabricada.

t2000

Donnay Borg Pro
Fábrica originalmente belga, surgiu em 1910 e esteve nas mãos de Margaret Court e Rod Laver na década de 1960. Mas foi graças a Bjorn Borg, com seu sucesso internacional em nível popostar, que se tornou a maior fabricante do mundo. Sueco fechou contrato anual de US$ 600 milem1979, uma fortuna para a época. Donnay patrocinou depois Agassi, mas a marca não conseguiu fazer a transição ideal para o grafite. Sobrevive como uma pequena fábrica em Portugal.

donnay

Prince Pro
Causou uma mudança radical no tênis, principalmente para os amadores, ao mudar o material para alumínio e aumentar substancialmente o tamanho da cabeça da raquete. Enquanto as de madeira eram raquetes pesadas de 65 polegadas quadradas de área, a Prince Pro se tornou mais maleável com suas 100 polegadas.  Ganhou notoriedade com a juvenil Pam Shriver e seu sucesso no US Open usando a Prince Classic.

pro

Dunlop Max 200G
Uma das primeiras raquetes de grafite do mercado, não era fácil de lidar: 12,5 onças de peso e cabeça de 85 polegadas. Mas o sucesso alcançado por Steffi Graf e John McEnroe com a Dunlop Max 200G, que usava o então revolucionário processo de injeção de fibra de carbono e nylon para diminuir o peso do aro, foi absoluto. Teve uma variação chamada Black Max.

200G

Kneissl White Star
A marca austríaca inovou ao usar túnel de vento para desenvolver um aro de kevlar e fibra de vidro, com formato triangular e cabeça mid-size, que obtinha então menor resistência ao ar. Também trazia plástico nos buracos do encordoamento e proteção na cabeça para eventual contato com o chão. Lançada em 1985, prometia aumentar a velocidade dos golpes em 10%.

whitestar

Yonex R-22
Marca japonesa tradicional no badminton, a Yonex criou um modelo de fibra de vidro e usou Billie Jean King e Martina Navratilova como propaganda ainda na década de 70. Mas explodiu mesmo com a R-22, já de grafite e com uma cabeça de raquete diferenciada que aumentou a ‘zona doce’. Sucesso absoluto nas mãos de Martina e depois com Monica Seles.

r22

Prince 100 extendida
A ideia de aumentar o tamanho do cabo da raquete e criar um modelo mais longo foi da Dunlop. Marcas importantes como Wilson e Prince adotaram a sugestão e a Prince Graphite 100 usada por Michael Chang se tornou o modelo de maior sucesso. A raquete extendida tem 28 polegadas e ainda é encontrada no mercado atual.

prince100

Wilson Pro Staff
A linha Pro Staff já existia como madeira, mas ganhou respeitabilidade em 1983 quando passou a usar grafite. A cabeça 85 foi imortalizada por Pete Sampras e a de 90, por Roger Federer, embora existissem modelos até de 110 polegadas quadradas.

prostaff85

Babolat Pure Drive
A empresa francesa, criada em 1875, se restringiu a fabricar cordas por mais de um século até entrar no mundo das raquetes em 1994. Veio com uma proposta nova de encordoamento e explodiu no mercado em 2000 ao lançar a linha Pure Drive, que teve Andy Roddick como figura para penetrar no tênis norte-americano, onde rapidamente se tornou a terceira marca mais vendida. O aro leve prometia potência.

pure_drive

Head Radical
A marca austríaca teve modelos importantes de alumínio nos anos 1960 e criou a primeira raquete com composição de titâneo em 1997, mas o sucesso maior chegou com a linha Radical. O modelo foi desenvolvido para o estilo de Andre Agassi e surgiu em 1993. Com ele, o americano ganhou sete de seus oito Grand Slam. A Radical foi o modelo mais vendido no mundo entre 1999 e 2004.

radical

 

Aberta a temporada de caça ao ‘goat’
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2019 às 23:48

Bastaram sete meses de espetacular reação na carreira, período em que ganhou três Grand Slam consecutivos e recuperou a liderança do ranking saindo de trás do top 20, para Novak Djokovic reacender a discussão sobre a chance real de terminar sua carreira como o maior tenista de todos os tempos, distinção que maciça parte do tênis dá hoje ao ainda ativo Roger Federer.

Djoko reescreveu capítulos importantes a partir de 2015, um momento mágico que lhe deu três Slam, seis Masters e o Finals numa só temporada e que, em junho de2016, o transformaria no único tenista a deter todos os troféus de Slam em três pisos distintos. Nole no entanto viveu crise existencial e encarou sério problema no cotovelo, fatores que descontinuaram a grande fase. Pior ainda, viu Federer e Rafael Nadal recuperarem brilho e poder de conquista.

Quando desencantou em Wimbledon do ano passado, Djokovic voltou a fazer história. Cincinnati completou sua incrível quadro de conquistas nos Masters, veio o US Open e faltou muito pouco para igualar Federer em títulos de Finals. Mas o número 1 era seu outra vez. Há dois dias, atingiu outra façanha inédita e, pela terceira vez em oito anos, triunfa em três Slam consecutivos.

Como resultado, encurtou a distância para Federer e Nadal, disparou no ranking, abriu a perspectiva de outra vez dominar os quatro Slam e, se o fizer, alcançar outro feito maiúsculo, já que nenhum profissional até hoje ganhou ao menos dois troféus em cada um dos Slam.

Afinal, qual é a distância que ainda separa Djokovic de Federer e de Nadal na argumentação sobre o tal G.O.A.T. (sigla em inglês para Greatest of All Time)? Resolvi dividir em tópicos, oferecendo números, fatos e perspectivas. E claro, discussões.

1. Grand Slam
Djokovic já superou Nadal em quase todos os principais quesitos dos Grand Slam, mas obviamente a quantidade de títulos é o que ainda mais pesa e favorece o canhoto espanhol. O quadro após o Australian Open mostra:

Títulos – Federer 20, Nadal 17, Djokovic 15
Finais – Federer 30, Nadal 25, Djokovic 24
Semis – Federer 43, Djokovic 34, Connors 31, Nadal 30
Quartas – Federer 53, Djokovic 43, Connors 41, Nadal 37
Jogos – Federer 397, Djokovic 306, Nadal 290
Vitórias – Federer 342, Djokovic 265, Nadal 253
% de Vitórias – Borg 89,8%, Nadal 87,2%, Djokovic 86,6%, Federer 86,1%
% de sucesso em finais (acima de 10): Sampras 77,8% (14-4), Borg 68,8% (11-5), Nadal 68% (17-8), Federer 66,7% (20-10). Djokovic é 7º, com 62,5% (15-9).

Se o sérvio conseguiu a incrível façanha de vencer quatro Slam seguidos entre 2015 e 2016 (dois em cada temporada) e obtém agora sua terceira série de três consecutivos (2011-2012 foi a primeira), Federer disputou todas as quatro finais de 2006 e 2007, vencendo três delas em cada ano, tal qual o sérvio fez em 2015. O suíço ainda ganhou três títulos em 2004 e fez novamente todas as finais com dois vices em 2009. O espanhol por sua vez teve seu maior domínio em 2010, com três conquistas.

2. Ranking
É o segundo dos grandes critérios e ainda vê uma larga vantagem de Federer. Além da sequência provavelmente imbatível nas próximas décadas de 237 semanas como líder, seu total de 310 ainda obriga Djokovic a permanecer mais 74 semanas nessa posição. São quase 18 meses e, mesmo que forem descontinuados, é uma tarefa exigente para quem se aproxima dos 32 anos.

No momento, parece muito difícil que o sérvio perca o posto pelo menos até Wimbledon. Acredito particularmente que ele irá bem mais longe sem ameaças, provavelmente até o US Open. Mas claro que toda campanha ultrapositiva gera defesa muito grande de pontos na temporada seguinte.

Nadal parece completamente fora dessa briga. Somou relevantes 196 semanas como líder, porém está 40 atrás de Djokovic e com pouca  esperança de tentar uma briga direta a médio prazo. Se for muito bem outra vez no saibro europeu, ainda precisará repetir ao menos a semi em Wimbledon e no US Open e também o título do Canadá para então ter um período fértil para acumular pontos. É um desafio e tanto.

Federer está completamente fora da luta pela liderança em 2019? Seu calendário está enxuto, mas ele tem chance de somar muito nos três próximos Slam (fez apenas 540 pontos no ano passado).

Outro quesito valioso quando se pondera sobre ranking são as temporadas encerradas como nº 1. Federer e Djokovic tem 5 e Nadal, 4. Em todos os demais itens sobre quantidade de semanas (top 2, top 3, top 5 ou top 10), suíço lidera com folga sobre os dois.

3. Finals e Masters
Eventos que geralmente são relegados a segundo plano, mas de forma injusta. O Finals é um torneio de qualidade única, já que o campeão terá de vencer quatro ou cinco top 10 numa semana.

Federer também leva vantagem aqui (6 títulos, 10 finais, 57 vitórias e 16 classificações) e Djokovic o persegue (5 títulos, 7 finais, 35 vitórias e 11 participações). Sempre disputado no piso sintético – desde 2009, coberto -, Nadal sempre alegou prejuízo e daí aparece com números mais discretos, com dois vices.

O espanhol no entanto reage nos Masters 1000, que são torneios de nível mais elevado que os próprios Slam, já que reúnem basicamente tops 50. Rei do saibro, Rafa tem 33 títulos e 49 finais, à frente de Djokovic (32 e 47) e de Federer (27 e 48).

Curioso notar que Federer ainda lidera em vitórias (364 contra 362 de Nadal e 332 de Djoko). Nunca existiram Masters sobre grama e o carpete foi abolido em 2000.

4. Olimpíadas
Muitos gostam de colocar os Jogos Olímpicos na balança da discussão, ainda que seja uma competição muito peculiar, principalmente porque o critério de entrada não segue normas tradicionais e por vezes inclui tenistas de qualidade bem duvidosa.

Nadal tem é claro vantagem também neste item, com sua medalha de ouro individual de 2008, algo que Federer só obteve em dupla e Djokovic ficou só no bronze. Daí a boa expectativa para Tóquio.

Desafio do Blog
O internauta WIlson Rocha, que postou seu palpite como José da Silva, ganhou o Desafio do Australian Open de forma notável: acertou o placar de 6/3, 6/2 e 6/3 em cheio e ainda errou a duração do jogo (2h04) por apenas dois minutos. Assim, leva o prêmio oferecido pela Sportsbook: o excelente livro ‘Jogue para Vencer’, versão atualizada do clássico ‘Winning Ugly’ de Brad Gilbert. Parabéns!

Incertezas cercam Nadal mais uma vez
Por José Nilton Dalcim
28 de dezembro de 2018 às 21:15

Rafael Nadal inicia outra temporada sob dúvidas, tanto na parte técnica como principalmente física. Não é novidade para ele. Foi assim em 2010, 2013, 2017… O espanhol sempre encontrou uma forma de se reinventar. Muitas vezes, adicionou elementos em seu jogo e ganhou alternativas táticas, como o backhand tão mais efetivo que adquiriu com a chegada de Carlos Moyá ao time.

O físico é outra questão, mais complexa, porque é a base de seu estilo. Caminhando para os 33 anos, ele já tentou jogar de forma mais agressiva, diminuir os ralis e usar melhor o saque. Não dura muito. Acaba recuando para devolver o saque e entrar nas trocas quando a coisa aperta. No saibro, manteve seu notável domínio nos últimos anos e certamente será o favorito em 2019, já que a superfície o machuca bem menos.

A quadra dura tem sido um repetido pesadelo. Seu reconhecido poder de adaptação, é fato, lhe deu grandes conquistas sobre o piso sintético, mas o preço costuma ser alto.

Em 2018, a agenda ficou reduzida a nove torneios, cinco deles no saibro. Fica então a outra dúvida: qual calendário irá escolher? A prioridade deverá ser a terra europeia. Fez nesta sexta-feira sua primeira partida em três meses, perdeu de virada e dificilmente jogará pelo terceiro lugar em Abu Dhabi. Aliás, talvez nem vá a Brisbane.

Há uma série de feitos a ser alcançados por Nadall no próximo ano. Vamos aos principais:

Grand Slam
– Vê novamente a chance de ser único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se reconquistar Melbourne.
– Se fizer duas finais, igualará Jimmy Connors (31) no terceiro lugar.
– Faltam apenas 3 vitórias em Slam para ser o terceiro na história a totalizar 250, repetindo Federer (339) e Djokovic (258).
– Com mais 17 jogos, chegará a 300 de Slam (só Federer fez isso até agora, mas Djokovic só precisa de um na Austrália para também ir a 300).
– Tenta se tornar o único, homem ou mulher, a ganhar 12 vezes um mesmo Slam.
– Concorre com Federer para ter mais finais num mesmo Slam (tem 11 em Paris contra 11 do suíço em Wimbledon)
– Se ganhar quatro partidas em Paris, será apenas o terceiro jogador na história a ter 90 triunfos num mesmo Slam (Federer soma na Austrália e Wimbledon, Connors no US Open).
– Concorre com Djokovic pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Com 17 troféus, tem a chance de superar Federer se vencer todos os Slam da temporada.
– Com 87,3% de aproveitamento, tenta manter segundo lugar na Era Profissional (Borg tem insuperáveis 89,8%).

Geral
– Faltam 31 vitórias no circuito para superar Vilas e assumir quarto posto da Era Profissional
– Está a 12 vitórias no saibro para superar Muster (426) e assumir terceiro posto
– Qualquer título em 2019 e Nadal será único tenista na Era Pro a ter erguido troféus por 16 temporadas seguidas
– Disputa com Djokovic o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 33 contra 32)
– Disputa com Federer o recorde de mais vitórias de Masters 1000 (tem 362 contra 364).
– Soma 486 semanas no top 2 e tem chance de superar o recorde de 528 de Federer.
– Soma 716 semanas seguidas no top 10 e tem grande chance de superar as 734 de Federer (liderança é de Connors, com 788).