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Torneios de base despencam no Brasil
Por José Nilton Dalcim
4 de outubro de 2017 às 23:19

Considerados o degrau mais importante na transição entre a carreira juvenil e o universo profissional, os torneios ‘futures’ praticamente desapareceram do calendário brasileiro nas três últimas temporadas.
O auge da crise para os meninos veio justamente em 2017, quando apenas três campeonatos dessa categoria serão realizados e todos agora em novembro. Isso quer dizer que não houve um único future masculino no país desde julho do ano passado. Os três previstos acontecerão em Santos, São Paulo e São Carlos, todos com a premiação mínima exigida que é agora de US$ 15 mil.

Este é o pior calendário de torneios de base para os homens desde que Gustavo Kuerten virou número 1 do mundo. Apenas cinco foram promovidos em 2002, mas a partir de 2006 veio um crescimento vertiginoso, principalmente porque a Confederação decidiu investir pesado, ajudando os promotores com arbitragem e bolas. Assim, houve 38 em 2009, 33 na temporada seguinte, o recorde de 37 em 2011.

Daí em diante, a queda foi gradativa. Em 2014, com a retirada dos subsídios da CBT, o calendário de futures masculinos caiu para 13, depois 9 em 2015 e 4 no ano passado, com o agravamento da crise econômica. A consequência imediata é que os pre-profissionais brasileiros tiveram de ir para o Exterior em busca de experiência e pontos, o que certamente limitou a aventura da maciça maioria.

O resultado é visível no ranking de simples da ATP. Na lista desta semana, estão classificados 61 brasileiros, mas apenas 11 deles entre os top 500. Seis anos antes, quando tivemos o maior calendário de futures, eram 89 pontuados e 25 deles entre os 500 primeiros.

Embora numericamente menos abastado, o tênis feminino ao menos tem mantido um padrão. Neste ano, foram nove torneios de base promovidos, dois deles de US$ 25 mil, um pouco inferior aos 11 do ano passado, sendo seis deles de US$ 25 mil. Novamente, o ano de 2011 foi o mais rico, com 20 ITFs promovidos, apenas um a mais do que em 2010. Fica muito claro perceber também a diferença: nesta semana, são 17 meninas brasileiras no ranking de simples contra 30 de seis anos atrás.

Não por acaso, Thiago Monteiro e Bia Haddad Maia subiram os degraus a partir dos futures e ambos começaram aos 14 anos. O cearense foi ganhar o primeiro título justamente num dos últimos torneios de 2011 e disputou nove futures aqui para saltar 300 posições no ano seguinte. Bia também faturou seu primeiro ITF em Goiânia há seis anos.

Qual a solução? A curto prazo, parece difícil. Torneios futures sofrem para conseguir pagar as despesas, que necessariamente já começam perto dos R$ 50 mil. Mesmo dando o mínimo de estrutura regulamentar, a conta beira os R$ 70 mil. E como o Brasil permanece em crise econômica, não está fácil arrumar patrocinadores. Vamos lembrar que são eventos pequenos, com raros tenistas conhecidos e portanto muito pouca mídia. Acredito que a principal solução seja a criatividade, buscar fórmulas atrativas de envolvimento do investidor, o que pode incluir clínicas, torneios amadores ou ações sociais paralelas.

Para complicar ainda mais, existe a regra internacional da ITF que exige a disputa de ao menos dois torneios próximos em semanas consecutivas para autorizar uma data. Claro que a CBT poderia voltar a dar algum apoio como fazia antes, principalmente com relação à arbitragem, já que bola não é o fim do mundo. Um bom caminho é negociar melhor valores com as equipes de arbitragem. Afinal, se o calendário crescer, todo mundo sai ganhando.

Como sempre insisto, é só com união das várias partes que o tênis começará a sair do buraco. Outra vez.

Futures no Brasil (masculino)
2017 – 4 previstos e 1 cancelado
2016 – 7 previstos e 3 cancelados
2015 – 9
2014 – 16 (3 cancelados)
2013 – 21 (3)
2012 – 36 (8)
2011 – 44 (7)
2010 – 38 (5)
2009 – 39 (1)
2008 – 35
2007 – 25
2006 – 22
2005 – 11
2004 – 14
2003 – 6
2002 – 5
2001 – 10
2000 – 2

ITFs no Brasil (feminino)
2017 – 10 (1 cancelado)
2016 – 11
2015 –  8 (1)
2014 –  8
2013 – 16 (1)
2012 – 14 (1)
2011 – 25 (5)
2010 – 21 (2)
2009 –  8
2008 – 10
2007 – 16
2006 –  3
2005 –  5
2004 –  5
2003 –  3
2002 –  3
2001 –  6
2000 –  2

Wimbledon permanece aberto
Por José Nilton Dalcim
8 de julho de 2017 às 18:44

Wimbledon encerra sua primeira semana e classifica nove dos top 12 do ranking masculino e 10 das 15 principais cabeças de chave para as oitavas de final, que serão disputadas todas na segunda-feira após o descanso tradicional de domingo. Ainda é bem difícil cravar campeões ou sequer finalistas. Isso é bom.

Não podemos dizer que as ausências de Stan Wawrinka e Kei Nishikori sejam uma real surpresa e talvez deveriam estar na segunda semana Jo-Wilfried Tsonga, John Isner ou Nick Kyrgios, porém um teve azar de pegar Sam Querrey, a outro faltou competência e o terceiro sucumbiu a seus problemas físicos.

O feminino tem buracos mais significativos. Não contou com Serena Williams e Maria Sharapova e ainda viu quedas de Karolina Pliskova e Petra Kvitova. A única campeã ainda de pé é a veteraníssima Venus Williams, que ganhou seu último de cinco troféus há nove anos, e apenas outras quatro já venceram um Grand Slam.

A rodada masculina deste sábado não teve novidades, mas bons jogos. Novak Djokovic precisou jogar sério diante da força bruta de Ernest Gulbis, Roger Federer titubeou com um jogo mais defensivo no primeiro set antes de dominar Mischa Zverev.

Milos Raonic confirmou em cima de Albert Ramos e o melhor jogo ficou para Dominic Thiem e seus dois ótimos e divertidos sets diante da boa revelação Jared Donaldson. Sem esforço, Alexander Zverev e Tomas Berdych cumpriram o prognóstico sem sustos, Grigor Dimitrov só precisou jogar 14 games. A única surpresa teria sido a vitória de Adrian Mannarino contra Gael Monfils, mas os joelhos de Gael explicam seu sofrimento e ódio pela grama

Feminino: emoções e lógica
Apesar de três jogos muito duros, todas as seis tenistas de maior ranking e prestígio avançaram neste sábado e deixam este lado superior da chave bastante interessante para a segunda semana.

Angelique Kerber jogou sob pressão o tempo todo e esteve nas cordas quando Shelby Rogers chegou a break-point para ir a 5/2 no segundo set. A alemã briga muito e esse empenho rendeu dividendos. E vem mais: Garbine Muguruza, para quem perdeu em Wimbledon dois anos atrás e perde por 4 a 3 nos duelos diretos.

Aga Radwanska e Carol Wozniacki sofreram. A polonesa reagiu bem já no começo do segundo set, Wozniacki viu Anett Kontaveit sacar duas vezes para o jogo. Agora, Aga pega Sveta Kuznetsova em duelo imprevisível e Carol pode ter outra vida dura diante da sacadora Coco Vandeweghe. O único jogo entre não cabeças terá Magdalena Rybarikova, aquela que tirou Karolina Pliskova, contra Petra Martic.

Duplas: sucesso
O tênis brasileiro coloca duas duplas nas oitavas de final masculinas: Marcelo Melo e Marcelo Demoliner, com seus parceiros estrangeiros. Caso vençam mais uma rodada, os dois farão duelo direto por vaga na semifinal. A chance é grande de isso acontecer, principalmente porque Demo e Marcus Daniell pegam dois pouco conhecidos britânicos.

A decepção é a ausência de Bruno Soares, que sofreu incrível derrota na sexta-feira no quinto set. Em termos de Grand Slam, a temporada está fraca para ele e Jamie Murray: perderam na estreia de Melbourne e ao menos foram às quartas de Paris.

Mas não são a única surpresa: os irmãos Bob e Mike Bryan sequer passaram da segunda partida e marcam sua pior campanha em Wimbledon em 17 anos. O jejum de conquistas em Slam permanece desde o US Open de 2014. E os atuais campeões Herbert/Mahut estão fora.

Ótima novidade é a parceria entre Bia Haddad e a também jovem croata Ana Konjuh. Duas vitórias apertadas e uma chave em que não há mais grandes favoritas, já que Mattek-Sands/Safarova tiveram de se retirar. Assim, semifinal passa a ser um sonho real. Bia está a uma vitória de grudar no top 100 também de duplas.

Para completar, Demoliner e Bruno Soares também ganharam duas rodadas de mistas.

Números
3 – Djokovic deve voltar ao terceiro lugar do ranking, a menos que Federer seja campeão do torneio.
5 – Stan Wawrinka só cai para quinto se Federer vencer Wimbledon.
51 – Ranking de Adrian Mannarino, o mais baixo entre os classificados para as oitavas masculinas
52 – Erros não forçados de Monfils neste sábado.
58 – Tentativas de Mischa Zverev ir à rede contra Federer, mas com sucesso em 32 vezes.
126 – Ranking de duplas de Bia Haddad, com subida de 76 postos, com a campanha até aqui.
317 – Federer retoma a liderança de profissional com mais vitórias em Slam, que dividia com Serena Williams.

Amanhã, vamos a uma previsão geral da segunda-feira nobre em Wimbledon com todos os 16 jogos de oitavas.

Casal 20
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2017 às 17:51

Os namorados canhotos que representam a nova geração do tênis brasileiro tiveram um dia inesquecível na dificílima grama inglesa. Bia Haddad encurralou a dona da casa Laura Robson com um jogo vigoroso e vistoso, enquanto Thiago Monteiro foi mais agressivo e determinado que o australiano Andrew Whittington, alguém que naturalmente deveria estar mais afiado no piso do que o cearense.

Notável que a primeira vitória de Grand Slam de Bia tenha acontecido em Wimbledon, torneio de difícil sucesso para as meninas brasileiras depois de Maria Esther Bueno. Basta ver que a paulista de 21 anos e 1,84m quebrou tabu de quase três décadas, desde que a paranaense Gisele Miró, autêntica representante do saque-voleio, ganhou uma partida em 1989.

Embora seja uma tarefa muito difícil, Bia estará diante de um feito ainda mais expressivo na quarta-feira diante de Simona Halep, podendo obter a maior vitória brasileira em toda a Era Profissional. Desde 1968, nem mesmo Estherzinha derrotou uma cabeça 2 em evento de Grand Slam. Em termos de ranking, Dadá Vieira e Niege Dias venceram duas top 5 entre 1988 e 1989.

Monteiro curiosamente foi a Londres saindo diretamente o saibro e teve poucos dias de treino na grama. Mas se virou bem até mesmo nos voleios, que é um dos seus pontos frágeis. O russo Karen Khachanov, de 21 anos e já 34º do ranking, mostrou qualidades na grama em recente duelo contra nada menos que Roger Federer, perdendo por 6/4 e 7/6 com direito a muitos elogios do suíço.

Também vale menção honrosa ao esforço de Rogerinho Silva contra o habilidoso Benoit Paire, ainda que não tenhamos visto imagens da partida. Porém, num piso muito adverso, ele tirou set do francês e teve duas chances de levar ao quinto. Que temporada incrível ele vem fazendo.

Adeus, Stan
O sonho de conquistar Wimbledon acabou muito, muito cedo para Stan Wawrinka. Ele até contratou Paul Annacone para ajudá-lo na dura tarefa, mas não contava com um joelho esquerdo ruim nem com a estreia difícil diante do bom Daniil Medvedev. Foi a quinta vez que o suíço sequer passou da primeira rodada no Club.

Não foi a única novidade do dia. Nick Kyrgios também voltou a sentir o quadril e, assim como havia acontecido em Queen’s, nem completou o jogo, desta vez diante do ótimo sacador Pierre Herbert. Mais um cabeça caiu, Fernando Verdasco, mas desta vez não houve surpresa, já que encarou o competente Kevin Anderson, aquele que quase tirou Djokovic em 2015.

Isso tudo serve para animar Andy Murray. O número 1 fez bons lances na fácil partida inicial e terá um teste curioso diante do acrobático Dustin Brown, no que pode ser um belíssimo espetáculo. O maior candidato a cruzar com o escocês nas quartas agora é Jo-Wilfried Tsonga.

Rafa Nadal também teve jogo bem tranquilo e exibiu um belo tênis, seja com golpes pesados da base, seja com voleios espertos e toque sutis. Pelo jogo firme que continua mostrando, Marin Cilic mantém-se como maior obstáculo do espanhol antes da semi.

Ostapenko sua
Campeã juvenil de Wimbledon, Jelena Ostapenko encontrou alguma dificuldade para se adaptar do saibro para a grama. Cedeu um set e quatro serviços, cometeu 23 erros, mas não perdeu a determinação de bater na bola. Passou o primeiro teste de natural cobrança e isso ficou claro na sua estridente vibração no match-point.

A rodada só viu cair duas cabeças de menor expressão (Mirjana Lucic e Roberta Vinci), alguma oscilação de Petra Kvitova e Venus Williams e um belo jogo em que Dominika Cibulkova venceu Andrea Petkovic por 9/7 no terceiro set. Vika Azarenka voltou a vencer um jogo de Slam depois de 18 meses mas precisará de muito mais para entrar no rol das candidatas.

Números
6 – Se Roger Federer fizer seis aces na estreia contra Dolgopolov, atingirá os 10.000 aces na carreira. Será o terceiro a obter tal marca, desde que a ATP passou a contar, em 1991. Karlovic tem 12.108 e Goran Ivanisevic, 10.131.
96 – Venus Williams igualou a irmã Serena em número de partidas disputadas em Wimbledon. Esta é sua 20ª participação.
98 – Ivo Karlovic fez quase 100 winners, sendo 44 aces, mas ainda assim perdeu no quinto set para Aljas Bedene.
701 – Karlovic jogou quatro tiebreaks contra Bedene e soma agora 357 vencidos e 344 perdidos na carreira.
850 – Nadal se torna o sétimo em número de vitórias na Era Profissional, repetindo Connors, Federer, Lendl, Vilas, McEnroe e Agassi.
39.000 – O primeiro dia de Wimbledon teve lotação total no Club e assim nenhum ingressos avulso foi vendido até o meio da tarde.

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