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Ordem na casa
Por José Nilton Dalcim
24 de novembro de 2017 às 09:29

O Australian Open pediu e a Federação Internacional autorizou duas alterações nas regras dos torneios de Grand Slam – sim, os Grand Slam têm regras especiais – que já entram em vigor em 2018 como a intenção de colocar um pouco mais de ordem na casa.

Curiosamente, duas medidas parecem mirar diretamente Rafael Nadal. A primeira delas, é claro, quer cronometrar o tempo entre os pontos. Isso já foi testado diversas vezes, incluindo o juvenil do US Open do ano passado, e finalmente está autorizado para um torneio de grande peso.

Importante notar que a regra dos Slam estabelece 20 e não 25 segundos entre os pontos, a partir do instante que o árbitro anuncia o placar. No entanto, o Australian Open sugeriu que se adotem os mesmos 25 segundos dos torneios da ATP e WTA mas com a contagem regressiva do cronômetro.

Outra regra que deve incomodar o canhoto espanhol é o aperto na preparação para a partida. Agora, os jogadores terão de iniciar o aquecimento 1 minuto depois de entrar em quadra – adeus ritual das garrafinhas? -, terão os tradicionais 5 minutos de aquecimento que o juiz sempre controlou e somente mais um minuto depois para iniciar a partida em si. A violação dessa regra agora dá multa de US$ 20 mil.

Também houve a aprovação das aguardadas medidas para se conter a grande quantidade de jogadores que entram em quadra sem condições físicas ideais, de olho no polpudo prêmio de primeira rodada, que não tem sido menor que os US$ 40 mil.

Agora, quem desistir antes de a chave começar receberá 50% da premiação de primeira rodada, cabendo os outros 50% ao lucky-loser. Mas os que entrarem em quadra e se retirarem com demonstração clara de falta de condição atlética estarão sujeitos a multa corresponde a todo o valor do prêmio.

Por fim, a Federação Internacional achou por bem ainda manter os 32 cabeças de chave para os Grand Slam de 2018. A intenção é diminuir para 16 já em 2019 com o intuito de aumentar a competitividade, já que assim poderemos ter duelos bem duros desde a primeira rodada. Se isso acontecesse no próximo Australian Open, Andy Murray correria o risco de ficar solto na chave.

O maior de todos
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2017 às 11:41

Jamais duvide de Roger Federer.

Quem diria que depois de fazer 35 anos e ficar quase sete meses sem competir, ele conseguiria ganhar não apenas o 18º Grand Slam mas o maior de todos eles.

Para erguer o troféu neste domingo, Federer precisou derrotar quatro jogadores de nível top 10, três deles no quinto set. E ainda por cima passou pelo teste derradeiro, superando o guerreiro Rafa Nadal com cinco games seguidos vencidos num quinto set que parecia perdido. Virar contra o espanhol saindo de 1/3 é uma façanha tão grande que deveria valer outro troféu.

O feito de Federer foi monstruoso, inigualável e reforça de vez a teoria mais aceita no circuito de que ele é mesmo o melhor tenista de todos os tempos. Seus principais números, já tão difíceis de se alcançar, ficam gigantes e mais do que nunca será preciso um bom punhado de temporadas para que alguém volte a ameaçá-lo.

A ‘final dos sonhos’ teve sets muito distintos até chegar na série decisiva. Cada tenista dominou de um jeito e a seu modo. Quando sacou bem, Federer manteve o domínio. Ao permitir Nadal entrar nos pontos, viu o espanhol fazer seu melhor. Embora mais lento do que de costume, Nadal mostrou a força mental de sempre, jamais se entregando.

Daí a surpresa por deixar escapar a vantagem derradeira. Federer martelou o tempo todo. Obtinha break-points que Rafa salvava com competência e arrojo. Até que o suíço mostrou uma solidez no fundo de quadra assombrosa para um quinto set, não se apressou e esperou a hora certa de atacar. O match-point não poderia ser outro senão uma bola milimétrica, que exigiu desafio e tensão total na arena.

Como eu vinha salientando desde a Copa Hopman, o backhand de Federer foi o grande responsável por sua campanha vitoriosa, ainda mais contra Nadal. Claro que houve erros e madeiradas aqui e ali, porém não apenas encarou os spins terríveis do canhoto pegando a bola dentro da quadra e na subida, como executou o padrão tático mais correto: a cruzada angulada, tal qual havia feito numa memorável vitória no Finals, rendeu winners ou levou o adversário a erros.

Esse quadro aliás nos leva a dar o último e essencial elogio a Federer. Para quem já ganhou tanto, dentro e fora das quadras, admirável sua determinação em continuar buscando a perfeição.

Nadal não deve sair como derrotado desde Australian Open, apesar do vice. Roger foi muito feliz ao dizer que os dois deveriam dividir o troféu porque conseguiram dar a volta por cima diante do descrédito de tantos.

O espanhol fez os dois melhores jogos do campeonato, deu um salto de qualidade evidente em relação às duas últimas temporadas e se recolocou como candidato a qualquer grande título em 2017. O que é melhor: ainda tem muitos aspectos a aprimorar.

Jamais duvide de Rafael Nadal.

Sob críticas e lamentos, Murray já fala em mudança
Por José Nilton Dalcim
2 de fevereiro de 2016 às 21:28

Demorou muito menos do que eu imaginava. Segundo notícia veiculada nesta terça-feira pelo Daily Mail, o escocês Andy Murray deve anunciar nos próximos dias o britânico Jamie Delgado como seu novo assistente técnico. A ideia é que ele trabalhe junto a Amélie Mauresmo e seja o companheiro de viagens e treinos do número 2 do ranking, principalmente quando a treinadora estiver na França cuidado do filho recém nascido.

A notícia revela que Delgado, hoje com 38 anos e um ex-jogador de Copa Davis, já trabalhou com Andy durante este Australian Open, mas de forma bem discreta. Além de se dar muito bem com Andy – fizeram dupla juntos na Davis -, o ex-número 121 do ranking de simples e 57 de duplas acabou de se aposentar do circuito e está em ótima forma. Até poucos dias, Delgado treinava o luxemburguês Gilles Muller, que anda jogando diretinho.

Isso vem em hora apropriada, porque obviamente a imprensa britânica discutiu muito a nova derrota para Novak Djokovic e principalmente sua apatia e falta de opção tática até a metade do segundo set. Houve é claro quem buscasse amenizar. A BBC, por exemplo, contou que Murray manteve uma mala pronta junto à porta do quarto durante todo o torneio, além de deixar uma reserva de voo marcada diariamente. Isso é claro sem falar no ataque cardíaco sofrido por Nigel Sears. Murray é muito ligado ao sogro, e confirmou que pensou seriamente em voltar para casa naquele dia.

O comentarista Russell Fuller foi firme e comparou: “Deixar Djokovic fazer 6/1 no primeiro set é como dar 10m de vantagem a Usain Bolt nos 100m”. Outro artigo ressaltou a análise do campeão de Melbourne sobre a partida: “Senti que ele estava neutro no fundo de quadra”.

Também curioso o comentário do Evening Standard, dando conta que Jamie Murray pode chegar inesperadamente ao número 1 do mundo antes do irmão mais novo. E dá as contas: ele está 700 pontos atrás de Marcelo Melo e tem pouco a defender entre Indian Wells e Miami. “Jamais pensei que poderia conseguir isso antes de Andy”, revelou o parceiro de Bruno Soares.

Já em casa e ao lado da esposa Kim, que espera o primeiro filho do casal para as próximas duas semanas, Andy pretende fazer uma forte pré-temporada, algo que não teve condições de realizar devido à final da Copa Davis. Se tudo der certinho, seu retorno pode acontecer na rodada inicial da Davis contra o Japão, marcada para Birmingham, na primeira semana de março.

Vencedor – Como era previsível, muita gente cravou a vitória por 3 sets a 0 de Djokovic sobre Murray na final de domingo do Australian. Mas o internauta Ulrich Kuhn foi o único a ter acertado o placar das três parciais, ainda que fora de ordem. Daí ele leva o Desafio do Blog. Ele deve me contatar no email joni1@uol.com.br para detalhes do prêmio, que é uma camiseta da exclusiva coleção TenisBrasil.