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Sai, ferrugem
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2017 às 01:10

Em dia de muita chuva em Nova York, o clima foi mesmo de ferrugem para as duas únicas estrelas que tiveram a sorte de estar programadas para o teto retrátil do monumental estádio Arthur Ashe.

Rafael Nadal e Roger Federer tiveram começo lento, bem longe da qualidade que se espera deles ao longo do US Open, mas acharam o ritmo pouco a pouco. Mesmo perdendo dois sets e levando um susto no quinto, o suíço me pareceu mais solto conforme o jogo avançou do que o canhoto espanhol.

É claro que é preciso colocar na balança o fato de que os jogos aconteceram sob teto fechado, o que não apenas deixa tudo mais rápido – o que obviamente combina mais com Federer -, mas também é uma certa novidade para quem só treinou nas quadras de fora sob calor forte.

Nadal teve um começo de jogo muito ruim, errando tudo, sem confiança no backhand. Deveria ter cedido o primeiro set não fosse o fato de Dusan Lajovic ter se perdido no plano tático. Ainda assim, o sérvio ficou perto de levar o tiebreak. Só então o espanhol começou a usar melhor o forehand e aí encurralou Lajovic no fundo, simplificando a tarefa.

Tiafoe é mais tenista que Lajovic, apesar da menor experiência. E dentro do que sabe, fez um primeiro set exemplar, com grande desempenho nos golpes de base. Federer no entanto foi se achando. Começou vacilante no serviço, não achou o backhand. Porém seu vasto repertório ajuda nessas horas e ele experimentou de tudo até readquirir o tempo ideal de bola. Quando parecia sob controle, Tiafoe acelerou de novo e levou ao quinto set para delírio do público. Viu-se então um Federer apressado no 5/3 e um Tiafoe preso no 5/4. De qualquer forma, bom espetáculo.

Nenhum dos dois conhece o próximo adversário, mas isso não parece fazer qualquer diferença. Rafa pegará Taro Daniel ou Tommy Paul e Federer, Blaz Kavcic ou Mikhail Youhzny. Livres da ferrugem, deverá ser um treino.

A chave feminina conseguiu completar sete jogos e teve a incrível derrota da atual campeã Angelique Kerber para a arrojada japonesa Naomi Osaka, que joga mais do que seu 44º posto do ranking. É assustadora a forma com que Kerber perdeu a confiança.

Seu tênis até funciona no começo do game, mas basta o placar apertar e a alemã passa a ficar defensiva, sem coragem de arriscar – algo que sempre foi um padrão -, conservadora ao extremo. Depois de ganhar dois Grand Slam em 2016, Kerber fez oitavas na Austrália e Wimbledon e não passou da primeira em Paris e Nova York. Fez uma única pequena final e perdeu. Um ano para esquecer.

A quarta-feira promete sol e uma enxurrada de jogos: 87 no total. Há de se completar a primeira rodada, e aí temos Kyrgios, Delpo e Dimitrov, e também partidas da segunda fase, com destaque para Tsonga x Shapovalov e Zverev x Coric. O feminino tem Sharapova contra Babos.

Muller vence com 50% de winners
Por José Nilton Dalcim
10 de julho de 2017 às 20:34

O épico e histórico triunfo de Gilles Muller nesta segunda-feira no duelo de canhotos diante de Rafael Nadal, tira teima em Wimbledon que viu cada partida ser disputada a cada seis anos, tem números superlativos.

Foram quase 400 pontos disputados, que obrigaram cada tenista a correr por cerca de quatro quilômetros. Muller saiu de quadra com 95 winners de seus 191 pontos, uma estatística absolutamente incrível. Foi à rede 83 vezes, com 71% de sucesso, e precisou dar 212 primeiros saques e 79 de segundos. Tremendo esforço para seus 34 anos e um estilo que não tem muito de físico, dependendo muito mais da coragem e da boa mão.

Muller sabia o que fazer e seguiu a estratégia nos dois primeiros sets. Sacou muito, subiu sempre, deu mínimo ritmo ao espanhol. Rafa demorou para achar seu melhor tênis. Quando obteve enfim a primeira quebra do terceiro set, se soltou. Passou a sacar cada vez melhor, bateu seu recorde pessoal com 23 aces, acertou bolas incríveis da base. Lutou e vibrou.

Parecia impossível que Muller aguentasse a sufocante reação de Nadal no quinto set, público claramente ao lado do bicampeão. No entanto, foi Gilles quem esteve quase o tempo todo mais perto da vitória, mostrando notável tranquilidade e determinação tática. Não fosse a coragem de Nadal para sair do buraco – foram quatro match-points, cinco 0-15, outro 0-30 e um 15-30 – e o jogo teria acabado muito antes.

Curioso notar que Muller despontou para o circuito quase uma década atrás, quando atingiu as quartas do US Open de 2008 vindo do quali. Mas não embalou. Sofreu séria contusão no cotovelo em 2013 e hoje conta que aproveitou a longa parada para treinar a parte física. E, garante, isso teria feito a grande diferença. Sentindo-se mais preparado, iniciou a escalada. Entrou enfim para o top 50 em 2015, fez duas finais de ATP no ano passado e encontrou seu melhor tênis nesta temporada, com títulos em Sydney e Hertogenbosch e lugar no top 30.

Pai de dois filhos, ele agora enfrenta Marin Cilic, para quem perdeu dias atrás na semi de Queen’s em jogo duro. O croata está embalado, atropelou Roberto Bautista, segue sem perder sets e sonha com a primeira presença nas semis de Wimbledon.

Murray e Federer confirmam
Enquanto isso, lá na Central, Andy Murray e Roger Federer cumpriram a obrigação. Ambos perderam serviço e tiveram alguns altos e baixos, porém a diferença de consistência sobre Benoit Paire e Grigor Dimitrov é enorme.

Respirando ao ver Nadal cair mas ainda sob risco de perder o número 1 caso Novak Djokovic seja campeão, o escocês encara um sempre perigoso Sam Querrey, que venceu cinco duros sets sobre Kevin Anderson, enquanto Federer reencontra Milos Raonic, o homem que o tirou na semi do ano passado. Murray tem 7 a 1 sobre Querrey, o que garante certo conforto, e Federer lidera 9 a 3 sobre Raonic, tendo perdido as duas últimas.

Djokovic foi prejudicado pela demora da rodada e terá de jogar contra Adrian Mannarino na terça. Se cumprir o esperado e liquidar sem sustos, o adiamento não fará muita diferença, já que Tomas Berdych se esforçou por cinco sets diante de Dominic Thiem e é um dos maiores ‘fregueses’ de Nole, com 25 derrotas em 27 jogos.

Cai a número 1
Garbine Muguruza tirou Angelique Kerber da liderança do ranking. E que belíssimo jogo. A espanhola buscou a rede o tempo todo, a alemã fez verdadeiras mágicas. Muguruza encara nesta terça-feira Sveta Kuznetsova, outra que se defende muito bem.

Agora, Simona Halep só precisa derrotar Jo Konta para assumir a ponta. Bem, ‘só’ é força de expressão. A britânica se supera a cada rodada, apoiada no público. É mais um desafio para a romena, que só dominou Vika Azarenka depois de estar 2/4 atrás no primeiro set.

Outro duelo gigante envolverá Venus Williams e a estrela ascendente Jelena Ostapenko. Pancadaria à vista. Quem passar de Muguruza e Kuznetsova, faz semifinal diante das surpresas: Magdalena Rybarikova ou CoCo Vandeweghe. Não pensem que será tarefa fácil.

Big 4 é favorito. Com cautela.
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2017 às 20:44

Após o tradicional descanso de domingo, Wimbledon realiza suas oitavas de final nesta segunda-feira – se a chuva deixar – com dois grandes favoritos entre os Big 4: Andy Murray e Novak Djokovic dificilmente perderão sets para Benoit Paire e Adrian Mannarino em condições normais. Nenhum dos franceses têm consistência suficiente para grande ameaça.

Os outros dois podem ter mais trabalho e com certeza, cuidado: Roger Federer pega o amigo e ‘freguês’ Grigor Dimitrov, um autêntico jogador de grama mas que não tem regularidade, e Rafa Nadal faz duelo de canhotos contra Gilles Muller, que já o venceu em Wimbledon, embora há mais de uma década. A chance do luxemburguês consiste num índice alto de primeiro saque.

Milos Raonic e Alexander Zverev promete ser o melhor duelo das oitavas, com expectativa de festival de winners. Marin Cilic tem favoritismo natural sobre Roberto Bautista e Tomas Berdych, mais experiência na grama que Dominiic Thiem, mas o austríaco possui chance real. Sam Querrey e Kevin Anderson é bem imprevisível, já que ambos fazem um pouco de tudo depois do saque.

As oitavas de final masculinas têm:
– Quatro campeões de Wimbledon (Federer, Djokovic, Murray e Nadal)
– Dois finalistas de Wimbledon (Raonic e Berdych)
– Um semifinalista de Wimbledon (Dimitrov)
– Um outro campeão de Grand Slam (Cilic)
– Um outro semifinalista de Slam (Thiem)
– Onze jogadores com título na grama (além do Big 4, Cilic, Thiem, Berdych, Dimitrov, Muller, Bautista e Querrey)
– Um tenista abaixo dos 21 anos (Zverev)
– Sete tenistas com 30 anos ou mais
– Três não cabeças de chave (Anderson, Paire e Mannarino)
– Sete dos oito principais cabeças (exceção é Wawrinka)
– Três canhotos (Nadal, Muller e Mannarino)

Três jogaços no feminino
A batalha direta entre as duas mais recentes finalistas de Wimbledon é um dos pontos altos das oitavas de final femininas: Angelique Kerber encara também o placar negativo de 4 derrotas em 7 duelos diante da espanhola Garbine Muguruza.

Outro duelo de primeira linha envolve a número 2 do ranking Simona Halep e Victoria Azarenka, dona de dois troféus de Grand Slam. Ambas já foram semifinalistas em Wimbledon, mas vivem momentos distintos. A romena sonha com primeiro Slam e o número 1, a bielorrussa retorna ao circuito após se tornar mãe.

Muito boa perspectiva também para a raçuda Johanna Konta e a versátil Caroline Garcia, com retrospecto de 2 a 2. A rodada tem ainda três duelos inéditos (Ostapenko-Svitolina, Venus-Konjuh e Rybarikova-Martic), Carol Wozniacki frente à sacadora CoCo Vandeweghe e o 18º encontro entre Aga Radwanska e Sveta Kuznetsova.

As oitavas de final femininas têm:
– Uma campeã de Wimbledon (Venus)
– Três finalistas de Wimbledon (Kerber, Muguruza e Radwanska)
– Cinco outras campeãs de Slam (Kerber, Muguruza, Azarenka, Ostapenko, Kuznetsova)
– Três outras finalistas de Slam (Halep, Radwanska e Wozniacki)
– Duas tenistas abaixo dos 21 anos (Ostapenko e Konjuh)
– Sete das atuais top 10
– Dez das 16 principais cabeças
– Duas jogadoras com ranking protegido (Azarenka e Martic)
– Uma qualificada (Martic)

Meus palpites
Quartas masculinas terão Murray-Querrey, Nadal-Cilic, Federer-Zverev e Djokovic-Thiem.
Quartas femininas terão Muguruza-Kuznetsova, Vandeweghe-Rybarikova, Venus-Ostapenko e Halep-Konta.