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Djokovic à frente
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2018 às 13:11

Claro que não é possível comparar Marco Cecchinato na quadra dura com Roberto Bautista, mas as duas exibições já feitas em Xangai deixam claro que Novak Djokovic está nadando de braçadas, enquanto Roger Federer não achou ainda seu melhor tênis sequer sobre uma quadra decidamente rápida.

Diante de Jeremy Chardy e Cecchinato, o sérvio começou mais lento, como que ainda a procurar um ritmo comfortável, e aí mostrou não apenas um saque firme mas também determinação de ir à rede e ótima movimentação, sem falar é claro numa devolução tão apurada que o italiano – seu algoz em Roland Garros cinco meses atrás – levou uma surra impiedosa.

Na contramão, Federer fez apresentações firmes nos primeiros sets diante de Daniil Medvedev e Bautista, mas sofreu uma repentina e preocupante queda de intensidade. Irritado com seus erros e escolhas, correu risco real de derrota diante do espanhol. O suíço está determinado a ir muito à rede e repetiu a tática nos dois jogos, mas por vezes faltaram velocidade para chegar mais perto da rede ou calma na preparação da subida.

Curiosamente, os dois grandes favoritos em Xangai têm partidas exigentes nas quartas de final. Djokovic reencontra Kevin Anderson, que adora um piso rápido e provavelmente ganhou confiança com aquela vitória sobre Nole na Laver Cup, ainda que amistosa.

Federer terá pela frente Kei Nishikori, um adversário muto mais qualificado sobre a quadra dura do que os anteriores, que joga em cima da linha com capacidade tanto de defesa como de ataque. Os dois não se cruzam desde aquela espetacular batalha de cinco sets no Australian Open do ano passado.

A se lamentar a contusão no joelho de Juan Martin del Potro, sofrida ainda na metade do primeiro set diante de Borna Coric, o que tirou o argentino da briga imediata pelo número 2 e pode ter consequências ruins para os três últimos torneios que estavam no seu calendário (Basileia, Paris e Finals).

Detalhes
– Bruno Soares está na semi de Xangai e jogará o Finals pela 5ª vez na carreira, a 3ª ao lado de Jamie Murray.
– Nishikori já retomou o 11º lugar do ranking e será top 10 se for à final de Xangai.
– Coric, que tem sido outro jogador depois da cirurgia no joelho em setembro de 2016, garante o melhor ranking da carreira, com o 16º.
– Com mais uma vitória, Alexander Zverev estará matematicamente no Finals.

Nº 1 e Finals esquentam final de temporada
Por José Nilton Dalcim
28 de setembro de 2018 às 22:02

Que tal um Finals de Londres com quatro candidatos ao número 1? Difícil, mas não impossível. A última parte da temporada masculina ficou aberta: enquanto o líder Rafael Nadal se afastou por contusão, seus concorrentes estão embalados ou encontram um piso muito favorável nas próximas semanas. Vamos dar uma olhada nas alternativas que podem esquentar o circuito.

Número 1
Apesar de estar na briga pela liderança do ranking contra Nadal, Novak Djokovic está inscrito unicamente em Xangai e Paris antes de Londres. Claro que o eventual título no veloz piso chinês já o colocaria apenas 35 pontos atrás do espanhol no ranking da temporada (e 215 no ranking tradicional), ou seja, haveria já luta direta em Paris.

Roger Federer até pode entrar nessa briga, mas teria de repetir os títulos de Xangai e da Basileia para estar 1.180 pontos atrás de Nadal. E a chance de o suíço jogar no piso irritantemente lento de Bercy é muito pequena. De qualquer forma, seria magnífico chegarmos a Paris com o Big 3 com chance de liderança. O quadro ideal teria Nadal com 7.480 pontos; Djokovic, com 7.045; e Federer, com 6.300.

Quem corre por fora e merece atenção é Juan Martin del Potro. Ele está inscrito para Pequim, Xangai e Basileia, concorrendo portanto a 2.000 pontos. Se o fizer, chegará a Paris com 6.910 e engrossa a luta pela liderança. Mas, tal qual Federer, é um risco forçar o corpo para também jogar Bercy e Londres. Acredito que ele só faria isso se realmente vislumbrasse a chance de atingir a ponta.

Faltam três para Londres
Os dois Masters e quatro ATPs 500 restantes também serão essenciais para definir as três vagas que faltam para o Finals, já que Nadal, Djokovic e Federer estão matematicamente garantidos e Delpo e Zverev, virtualmente lá.

De forma nada usual, Marin Cilic, Dominic Thiem e Kevin Anderson estão com mais de 3.400 pontos na temporada mas ainda correm risco, ameaçados por John Isner e Kei Nishikori. De olho numa chance que parece remota, Fabio Fognini e Stefanos Tsitsipas ousaram e estão inscritos em cinco torneios seguidos.

Meninas instáveis
Enquanto isso, a reta final da temporada feminina está bem estranha e Wuhan foi um retrato bem fiel: nenhuma das top 15 inscritas passou sequer das oitavas, com destaque para o momento ruim de Simona Halep, Carol Wozniacki, Angelique Kerber, Sloane Stephens e Garbiñe Muguruza. A nova estrela Naomi Osaka também não se mostra fisicamente bem e Serena Williams encerrou mesmo o calendário.

Pequim na próxima semana deve definir quase todo o quadro de quem disputa o Finals de Cingapura, mas a rigor a disputa está mesmo em cima da oitava vaga. Por enquanto, Karolina Pliskova está com ela, com mínima vantagem sobre Kiki Bertens. Elise Mertens e Daria Kasatkina jogam cartada decisiva, mas estão a cerca de 600 pontos de Pliskova.

Se for campeã neste sábado em Wuhan, Aryna Sabalenka se candidata a ser a outra grande estrela ascendente do circuito e pode até sonhar com Cingapura, já que assumiria o 11º lugar e deixaria Kasatkina para trás, faltando ainda três semanas e cinco torneios para o Finals feminino.

Já a disputa pela liderança parece distante. Com 1.700 pontos de vantagem, Halep teria de perder logo – já pegou até convite para Moscou – e Kerber ganhar tudo.

Rei Midas acerta em cheio
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2018 às 21:20

Roger Federer virou mesmo o Rei Midas do tênis. Tudo em que se envolve parece ser fadado ao sucesso. A Laver Cup que o diga. O evento criado por sua empresa com ideias decisivas do suíço se provou outra vez um tremendo sucesso.

Tudo começa pela boa escolha dos participantes, um misto de qualidade e carisma. Depois, a das sedes – o United Center do Chicago Bulls foi um tiro certeiro – e por fim o formato, que trouxe o match-tiebreak como solução e recheio – 8 dos 11 duelos precisaram dele – e uma forma de pontuação que deixa tudo aberto até o finalzinho.

O ponto alto, no entanto, está mesmo no comprometimento dos tenistas, que afinal são os donos do espetáculo. Não economizaram esforço na quadra, levando muito a sério, e nem energia no apoio que fizeram ali bem pertinho, atrás do banco do técnico para divertimento do público e da TV.

Aí, além de se assistir a lances excelentes e disputas game a game, ainda é possível ver Novak Djokovic torcendo por Federer ou o suíço trocando ideias táticas com seu arqui-rival, dialongando em alemão com Sascha Zverev. Nick Kyrgios e Jack Sock comandaram a festa do outro lado, mas era possível notar Dieguito Schwartzman e Frances Tiafoe acompanhando cada lance.

A vitória da dupla Sock-John Isner foi um capítulo à parte. Os dois pareciam ter conquistado um Grand Slam depois da vitória sobre Federer e Sascha, vindo de dois match-points atrás, o público completamente envolvido, Isner saltando como criança, Sock agarrado pelos companheiros.

O complemento está em pequenos e cuidadosos detalhes. A escolha dos capitães John McEnroe e Bjorn Borg, a presença de Rod Laver na tribuna, o convite para Ana Ivanovic e Natasha Zvereva fazer o sorteio da moeda, o piso escuro único, o uso do telão acima da quadra para o ‘desafio’ e replays, câmeras mostrando a intimidade do vestiário. Sem falar num amplo setor de divertimento para o público na parte exterior, onde era permitido acompanhar o treino das estrelas. Foram 93, mil pagantes em três dias.

Quando se discute o novo formato da Davis e a ousadia da ATP em lançar seu próprio torneio por países, a Laver Cup dá um show de competência. Claro que o torneio ainda está totalmente em cima da figura de Federer, capaz de dividir a torcida norte-americana e ver seu nome cantado mesmo diante de um homem da casa dentro de Chicago.

Raro atleta que reúne o alto profissionalismo com radiante simpatia, ele trouxe os grandes rivais para seu lado – como esquecer a parceria com Rafa Nadal no ano passado  -, deixando claro que é possível ter competitividade e alegria no tênis profissional.

Por isso, ainda é difícil apostar no futuro da competição quando o suíço não estiver mais em quadra. Até lá, aproveitemos.