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Welcome back, Andy
Por José Nilton Dalcim
19 de junho de 2018 às 15:14

Andy Murray perdeu, como era previsível, em seu retorno às quadras depois de praticamente um ano todo de ausências, cirurgia no quadril, tentativas frustradas de volta, discursos desanimados. Porém, sua atuação diante de Nick Kyrgios em Queen’s foi muito acima de qualquer expectativa.

O mais importante de tudo esteve na sua movimentação. Exímio tenista sobre a grama, o bicampeão de Wimbledon não economizou esforço, correu atrás de bolas difíceis, jamais demonstrou falta de pernas apesar de 2h39 de intensa batalha e perdeu por detalhes ali no finalzinho do terceiro set.

Ainda disparou 16 aces e fez do saque elemento essencial para o equilíbrio da partida, ainda que ironicamente tenha entregado o terceiro match-point numa dupla falta. A menos que surja algum incômodo físico grave, Murray felizmente estará em Wimbledon, solto na chave. Com Roger Federer e Rafael Nadal na ponta dos cascos e Novak Djokovic evoluindo a cada semana, já dá para sonhar com um excepcional Grand Slam.

Kyrgios é um adversário difícil de se enfrentar, ainda mais na grama, onde sua potência e imprevisibilidade ficam maximizadas. No entanto, ele também sai facilmente de jogo, exagera na acrobacia e tem um claro bloqueio mental quando enfrenta Murray. Enfim, conseguiu sua primeira vitória oficial em seis confrontos – havia vencido na Copa Hopman em 2016 – e deve muito disso à falta de ritmo do adversário.

Não é acaso que o escocês tenha dado tanto apoio a Kyrgios sempre que surgem polêmicas em cima do ‘badboy’ australiano. Ao longo de uma carreira tão complicada e de tantas cobranças, ninguém melhor que Murray para entender a cabeça confusa do australiano, já que Andy sempre teve visão bem diferenciada do esporte. O próximo adversário de Kyrgios pode ser outro homem da casa, Kyle Edmund.

A terça-feira gorda também teve o retorno de Novak Djokovic ao Queen’s Club, algo que não acontecia há oito anos, e ele fez tudo direitinho em cima do quali australiano John Millman. Achei que o sérvio ficou plantado demais no fundo de quadra, quase como se estivessem numa quadra dura lenta, mas o importante para ele certamente foi começar bem na grama.

Agora, vem o ‘freguês’ Grigor Dimitrov, sobre quem Nole tem 6-1 nos duelos, e vamos combinar que a atuação do búlgaro contra Damir Dzumhur beirou o sofrível, com Dimitrov também grudado na base. O que será que aconteceu com a grama? De todos os jogos que vi em Londres, só Kevin Anderson e Mischa Zverev tentaram voleios frequentes.

Lá na velocidade de Halle, também foi raro de se ver jogo de rede, ainda que essa tenha sido uma arma usada muito bem por Borna Coric para a surpreendente vitória que deu em cima de Alexander Zverev, que escapou de uma ‘surra’ e se mostrou estranhamente desanimado.

Até mesmo Roger Federer foi econômico nos voleios e realizou um duelo basicamente de golpes de fundo contra Aljaz Bedene. Quem sabe, Benoit Paire exija bem mais, porque afinal é agressivo por excelência.

Números comprovam: Federer é o dono absoluto da grama
Por José Nilton Dalcim
17 de junho de 2018 às 23:03

Roger Federer está muito perto de reunir todas as mais relevantes marcas já obtidas sobre as quadras de grama da Era Profissional. Para tanto, necessita tão somente mais seis vitórias em Halle ou em Wimbledon. Será então o absoluto ‘rei’ do piso.

E isso é um assombro. Porque o suíço basicamente disputou apenas dois torneios sobre a superfície ao longo de cada temporada, enquanto jogadores como Rod Laver e Jimmy Connors viveram uma fase, entre 1968 e 1974, em que três dos quatro Grand Slam eram disputados no piso natural. Outros, como John McEnroe e Borg Borg, tiveram à disposição dois Slam na grama entre 1975 e 1985.

Isso sem falar que muitos preparatórios para esses eventos jogavam-se também na grama. Acontecia assim em Sydney, Auckland, Dublin, Bristol, Johanesburgo, para citar alguns exemplos.

Veja como estão hoje os recordes da grama e o domínio total de Federer:
– Ele chega a 18 títulos contra 10 do segundo colocado, Pete Sampras.
– Soma agora 168 vitórias e fica a apenas seis do recorde de Jimmy Connors.
– Suíço lidera com folga em eficiência, com 87,4% de vitórias, muito acima dos 85,8% de John McEnroe.
– Marcou a maior série invicta do piso, com 65 triunfos, entre 2003 e 2008, deixando longe as 41 de Bjorn Borg.
– Federer também detém a mais longa sequência de sets vencidos, com 36, entre 2003 e 2004.
– E talvez acima de tudo, Roger é o homem com mais títulos (8) e finais (11) em Wimbledon, mesmo considerando-se a época amadora em que o campeão só disputava a final do ano seguinte.

A grama também pode dar a Federer o tão sonhado 100º troféu. Ele chegou ao 98º em Stuttgart neste domingo e é naturalmente o favorito para a décima conquista em Halle (onde seu maior adversário é Alexander Zverev) e também para Wimbledon. Aliás, está com 148 finais e se fizer essas duras, terá outro número expressivo (apenas Connors tem mais, com 163).

A campanha em Stuttgart, depois de quase três meses de inatividade no circuito, tem de ser considerada animadora, principalmente pelas vitórias em cima de Nick Kyrgios e Milos Raonic. Adversários com gabarito na grama, contra quem não teve o serviço quebrado – no sábado, sequer ofereceu break point.

Há no entanto vários detalhes a melhorar, principalmente reencontrar o backhand mais agressivo, algo que a grama dificulta devido a sua velocidade e à necessidade de se jogar próximo à linha, diminuindo ainda mais o tempo de qualquer preparação de golpe mais longa.

A volta de Andy
O tradicional torneio do Queen’s Club, em Londres, é outro preparatório importante para Wimbledon que merece toda a atenção nesta semana. Marin Cilic por exemplo estreia contra Fernando Verdasco e pode ter outro canhoto em seguida, entre Denis Shapovalov ou Gilles Muller.

Também em cima da chave e no mesmo quadrante estão Kyrgios e Raonic, que não entraram de cabeça. Embaixo, aparecem Grigor Dimitrov e Kevin Anderson. Jogador bem talhado à grama, Dimitrov pode cruzar com Novak Djokovic na segunda rodada.

A outra atração de Queen’s será o retorno de Andy Murray. O escocês confirmou apenas no sábado que iria mesmo tentar a volta, algo que evitou à última hora já por duas vezes. Declarou no entanto que a expectativa é muito limitada. Para piorar, ainda pegou logo de cara Kyrgios. Ironicamente, Murray sempre foi um dos poucos a dar apoio integral ao australiano em seus momentos de crise.

Ranking da grama dá cabeça 1 a Federer
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2018 às 21:46

Não importa o que aconteça nas próximas duas semanas de importantes torneios sobre a grama, o suíço Roger Federer deverá ser indicado como cabeça 1 de Wimbledon com base no chamado ‘ranking da grama’, sistema utilizado pelo torneio desde 2001 para designar seus cabeças de chave no masculino. Tal critério não é usado no feminino.

Mesmo se retirados os 500 pontos que o suíço tem a defender em Halle dentro de suas semanas e ainda que o espanhol Rafael Nadal seja campeão e some 500 em Queen’s, ainda assim Federer terá mais pontos. Isso porque o sistema utiliza a atual pontuação de 52 semanas da ATP e acrescenta a esse valor todos os pontos somados na grama nos 12 meses anteriores e mais 75% do melhor resultado do tenista na superfície nos 24 meses anteriores.

Assim, Federer tem no momento 10.710 pontos e, mesmo que não some nada em Stuttgart ou Halle, ainda manterá vantagem sobre Nadal, que totoliza 8.950 e poderá no máximo ir a 9.450. É mais do que importante frisar que ser cabeça 1 ou 2 num Grand Slam significa exatamente a mesma coisa, uma vez que ATP e WTA decidiram sortear todos os demais cabeças por grupos, sem posição fixa predeterminada, como acontecia antes do ano 2000.

O maior beneficiado na verdade será o croata Marin Cilic. O vice do ano passado seria cabeça 5 pelo ranking tradicional, mas subirá para 4 com o sistema da grama, logo atrás de Alexander Zverev e pode até ser o 3 caso tenha bons resultados em Queen’s. Mas, novamente, ser 3 ou 4 não faz qualquer diferença, já que a indicação de quem enfrentaria Federer ou Nadal na semi se dará por sorteio.

Lucro realmente grande terá Novak Djokovic. Ele, que recebeu nesta segunda-feira convite para Queen’s e assim encerrou especulações de uma ausência em Wimbledon, foi para o 21º lugar do ranking após Roland Garros mas seu histórico na grama pode lhe garantir a condição de cabeça 15.

Um posto entre os 16 cabeças também é pleiteado por vários outros, como Roberto Bautista, Jack Sock, Fabio Fognini, Lucas Pouille e Kyle Edmund. Estar entre os 16 cabeças, sim, vale muito a pena. Outra mudança acontecerá com Diego Schwarztman, 11º do mundo, que deve cair para cabeça 13. Isso não é tão bom do que estar entre 9 e 12.

Dois fatos curiosos em relação ao ‘ranking da grama’. Neste momento, Milos Raonic entraria como cabeça 13 e Andy Murray, como 18. Mas eles não terão esse ‘upgrade’ porque Wimbledon só reclassifica os 32 primeiros do ranking, sem inclusão de alguém de fora da lista. Murray nesta segunda-feira caiu para o 157º posto e Raonic ocupa o 35º, tendo portanto alguma chance ainda.

Os 500 da grama
Vejam como ficaram a lista de participantes dos dois importantes ATP 500 da grama, que acontecerão na próxima semana:

Queen´s – Nadal, Del Potro, Dimitrov, Cilic, Anderson, Goffin, Schwartzman, Querrey, Sock, Edmund, Berdych, Djokovic, Shapovalov e Kyrgios.

Halle – Federer, Zverev, Thiem, Isner, Bautista, Pouille, Chung, Kohlschreiber, Nishikori, Gasquet, Rublev, Coric, Tsitsipas e Khachanov.

Sem validade para o ‘ranking da grama’ porque precedem Wimbledon, Easbourne contou com a inscrição de Schwartzman, Edmund e Shapovalov, enquanto Antalya terá Mannarino e Dzumhur.

Quem levou o Desafio de Roland Garros
Cinco internautas cravaram corretamente o placar com que Rafael Nadal venceu Dominic Thiem neste domingo. Para decidir o primeiro colocado, que terá direito a um cupom de desconto de 30% na Loja TenisBrasil para compras de até R$ 1.200,00, foi necessário ver o tempo de jogo e aí o vencedor foi Guilherme Martins de Souza, que errou por sete minutos.

Os outros quatro premiados do Desafio, que receberão um cupom de desconto de 15% na Loja TenisBrasil para compras de até R$ 1.200,00, foram: Caio Nascimento Cisneiros, por 12 minutos; Michael (sem sobrenome indicado), por 13; Arnaldo Lopes Siqueira, por 17; e Luiz Fernando Ferrari, também por 17.

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