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Show da garotada
Por José Nilton Dalcim
5 de agosto de 2018 às 19:33

No momento em que o Big 4 tenta se recompor, Washington caiu como uma luva para o tênis masculino. Comandados pelo ‘veterano’ de 21 anos Alexander Zverev, a garotada aproveitou o espaço para mostrar um tênis de enorme qualidade, o que deixa perspectiva ainda mais animadora para os Masters e o Grand Slam de quadra sintética que se seguirão.

Apesar de ainda não ter mostrado seu potencial nos Grand Slam, algo que incomoda sem dúvida, Zverev se fixa como um dos grandes do circuito. Com três títulos em dois pisos distintos na temporada, e três finais e uma nova conquista de Masters, o alemão é o líder no número de vitórias em 2018, agora com 41.

O feito mais importante desta semana de atuações convincentes em Washington, no entanto, é o fato de ele assumir o segundo posto no ranking que considera a pontuação desde janeiro, deixando para trás Roger Federer por 75 pontos.

Isso significa que Zverev tem chance real de brigar pelo número 1 da temporada com Rafael Nadal, ainda que a distância de momento seja de 1.675 pontos. Com Toronto, Cincinnati e US Open pela frente, que colocam 4.000 em disputa, existe a oportunidade de Zverev reduzir essa distância desde é claro que faça campanhas superiores às do espanhol.

Aliás, se olharmos o ranking da temporada deste momento, nada menos que 10 dos top 30 têm menos de 25 anos. E estamos falando de uma moçada com tênis de gente grande, como o enorme talento de Nick Kyrgios, Lucas Pouille e Stefanos Tsitsipas; a pegada forte de Zverev, Dominic Thiem, Kyle Edmund e Karen Khachanov; o espírito brigador de Hyeon Chung, Borna Coric e Alex de Minaur. Bem pertinho aparecem também Denis Shapovalov, Nicolas Jarry e Frances Tiafoe. Não fosse a parada por três meses devido a contusão, Andrey Rublev também estaria nesse grupo. E observem: estilos para todos os gostos.

Mais do que números e classificações, o que dá alívio mesmo é ver o patamar técnico desses garotos. De Minaur e Rublev deram um espetáculo incrível no sábado à noite, batendo na bola com coragem e precisão. Mostraram sangue frio e enorme determinação, grande variedade de golpes e táticas. Ao final de quase 3 horas de batalha intensa, abraçaram-se respeitosamente – como haviam feito horas antes Zverev e Tsitsipas -, certos de que haverá muito duelos de importância em futuro provavelmente próximo.

Eu fico cada vez mais otimista com o tênis pós-Big 4.

Vem aí um grande Toronto. Mesmo sem Murray.
Por José Nilton Dalcim
3 de agosto de 2018 às 23:23

Andy Murray desistiu duas vezes em menos de duas horas. Primeiro, agradeceu mas recusou o convite para o Masters de Toronto, que começa já na segunda-feira. Logo depois, anunciou que não iria à quadra e tentar semifinal em Washington.

Tudo por conta do excessivo desgaste que sofreu nas três vitórias que teve nesta semana, principalmente a da madrugada de sexta-feira, em que saiu da quadra às 3h locais e sequer segurou o choro. O escocês explicou que o tempo de recuperação seria curto demais. Fez muito bem.

Duas coisas precisam ser ditas. Murray teve boa parte de culpa nessa maratona diante de Marius Copil, deixando escapar o tiebreak do primeiro set em que liderava por 5-0. A outra é a irracionalidade dos organizadores do torneio. Sabedores do período de extrema instabilidade climática, se torna incompreensível iniciar rodadas às 16h locais. Esse foi o principal motivo de Murray e Copil terem entrado tão tarde.

A boa notícia é que Washington se torna o primeiro torneio de peso dominado pela nova geração, já que as semifinais de sábado terão Alexander Zverev x Stefanos Tsitsipas e Alex de Minaur, com grande chance de dar também Andrey Rublev (o jogo contra Denis Kudla foi adiado e será às 13h). Se Rublev confirmar, a média de idade das semifinais será de incríveis 20,3 anos! Mas mesmo com Kudla, mal passa dos 21. Atual campeão, Zverev é o favorito natural ao título, o que preservaria seu terceiro lugar do ranking.

Também nesta sexta, saiu a chave de Toronto com jogos muito promissores já de primeira rodada: Djokovic x Chung, Wawrinka x Kyrgios, Raonic x Goffin, Schwartzman x Edmund, Tiafoe x Cecchinato. E se der a lógica, deveremos ter na segunda rodada Del Potro x Nishikori, Shapovalov x Fognini, Cilic x Coric e Tsitsipas x Thiem. Jogos que poderiam ser final de qualquer ATP.

O número 1 Rafael Nadal tem uma sequência difícil se o piso de Toronto estiver realmente veloz, que prevê duelos com Benoit Paire, Nick Kyrgios, Marin Cilic e na semifinal Delpo ou John Isner. Nada fácil. Do outro lado, Djokovic saiu como cabeça 9 e se deu um pouco melhor. Depois de Chung, pode cruzar com Ebden, Tsitsipas e o atual campeão Zverev. O adversário de semi está mais para Kevin Anderson, a menos que Grigor Dimitrov acorde.

Não está fácil apontar os finalistas. E isso é ótimo.

Zebras galopam em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
5 de julho de 2018 às 20:00

A máxima de que cada dia é um dia no tênis não poderia ser mais perfeita, e dura, para Marin Cilic. De uma atuação firme e tranquila na quarta-feira para o desastre absoluto na quinta, o atual vice de Wimbledon – e também da Austrália, e campeão de Queen’s… – disse um melancólico adeus ainda na segunda rodada diante do especialista em saibro Guido Pella.

Na verdade, a parada provocada pela chuva na véspera já havia surtido seu primeiro efeito ontem mesmo. Nos 10 minutos em que ainda tentaram jogar na retomada, Pella quebrou o saque de Cilic e se manteve vivo naquele terceiro set. Hoje era outro. Jogou solto, bateu na bola e usou muito bem seu saque de canhoto. Um gentleman, Cilic não culpou a chuva, a quadra, o adversário. Disse que não voltou no mesmo ritmo e que a vida continua.

A queda da campeã Garbine Muguruza não foi menos surpreendente. Apesar do primeiro set estranho, em que saiu perdendo de 2/4, a espanhola reagiu e ainda saiu com quebra na outra série. Parecia tudo nos eixos. Qual nada. Perderia cinco de seus sete games de serviços seguintes, mostrando enorme irregularidade e por vezes insegurança com o jogo de rede.

O mais incrível é que Alison van Uytvanck não vencia dois jogos consecutivos desde fevereiro e sequer tem treinador. “Estava muito nervosa quando saquei para fechar o jogo”. Ela acredita agora que poderá ir longe. Muito longe.

Muguruza ao menos não precisa ficar tão triste. Nos 50 anos de tênis profissional em Wimbledon, apenas cinco vezes a campeã conseguiu defender seu título.

Nadal e Djokovic: sob controle
Foram duas vitórias em sets diretos, mas desta vez Rafa Nadal precisou se esforçar mais. O saque não funcionou tão bem, perdeu dois games de serviço e levou um susto no primeiro set. Como sempre, achou alternativas táticas – desta vez, o saque no corpo e o uso mais constante de slices – e jogará contra o garoto Alex de Minaur no sábado. A vitória bastará para manter a liderança do ranking.

Novak Djokovic teve tarefa bem mais simples diante do canhoto Horacio Zeballos, que não soube como tirar a bola da cintura do sérvio. A consequência foi uma surra. A preocupação: Nole pediu assistência para uma dor no joelho, que ele garante não ser nada grave. Tomara. Agora, vai encarar Kyle Edmund, que acabou de vencê-lo no saibro veloz de Madri e terá um estádio inteiro a empurrá-lo.

O britânico no entanto tem minúscula intimidade com a grama, já colocou toda a responsabilidade no sérvio e mostrou sua maior preocupação para o sábado: que não seja junto com a partida da Inglaterra na Copa.

Os Aussies estão chegando
Dos oito australianos que chegaram à segunda rodada, cinco avançaram. Claro que todo mundo pensa logo em Nick Kyrgios, mas há quem coloque Ash Barty, campeã juvenil de 2011, entre as candidatas ao título, entre elas Kim Cliijsters.

Os outros são Alex de Minaur, Daria Gavrilova e Matt Ebden. Kyrgios acredita piamente que De Minaur exigirá bastante de Nadal. “Não sei se Rafa vai gostar de receber tanta bola de volta. Claro que é uma tarefa difícil, mas Alex pode causar desconforto”.

Cenas do quarto dia
– Cena curiosa no jogo de Kyrgios. O árbitro James Keothavong desceu da cadeira e demonstrou para o australiano como ele estava cometendo foot-fault.
– A campeã defensora não perdia tão cedo em Wimbledon desde a queda de Steffi Graf em 1994.
– O saque de 150 milhas por hora de Monfils – 241,3 km/h, que seria novo recorde do torneio – foi anulado. Houve erro na medição.
– Pior ainda foi a nota que saiu no New York Times, afirmando que Raonic havia sacado a 250 milhas por hora!
– Del Potro encerrou sua vitória quase impecável sobre Feli López com apenas 5 erros não forçados no total dos três sets, admirável para um jogador que arrisca muito. Ele quer cautela: “A primeira meta é chegar na segunda semana”. Só falta tirar Paire.
– Depois de eliminar Dimitrov, Wawrinka caiu para o quali Fabbiano, tendo desperdiçado quatro set-points tanto no primeiro como no terceiro sets. Conclusão: começará o segundo semestre quase fora do top 200.