Arquivo da categoria: Dia a dia

Djokovic busca a chave de ouro
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2018 às 20:35

Novak Djokovic está a dois sets de um fecho espetacular no seu segundo semestre de ouro. Novamente dono do circuito masculino, o sérvio de 31 anos busca igualar o recorde de seis títulos de Roger Federer na competição mais importante da ATP. Quem sabe, apenas o primeiro de muitos feitos do suíço que irá perseguir daqui para a frente.

Nole chega à sétima decisão do Finals sem perder um único game de serviço e nem sets. As duas últimas apresentações foram notáveis, mesclando solidez na base com um serviço apuradíssimo. Kevin Anderson é bem verdade não sacou bem e, obrigado a disputar pontos, foi esmagado: 18 winners a 12, 14 erros frente a 27, só 26% de pontos vencidos com o segundo saque, 40 a 15 nas trocas de bola.

Agora, são 35 vitórias em 37 jogos feitos desde a estreia em Wimbledon, o que lembra cada vez ais aquele Djokovic praticamente imbatível de 2011 ou 2015. O fato curioso é que essas duas únicas derrotas desde julho foram para membros da nova geração, Stefanos Tsitsipas e Karen Khachanov. E o adversário às 16 horas deste domingo é o maior representante da Next Gen, Alexander Zverev, para quem perdeu uma vez no saibro de Roma.

Zverev só tirou cinco games de Djokovic dias atrás na fase inicial do Finals – placar tão fácil quanto o de Xangai no mês passado -, mas tal qual o sérvio evoluiu a cada partida que fez na O2. A vitória deste sábado sobre Federer foi inquestionável, já que mostrou melhor atitude nos dois sets. Com certeza, surpreendeu o suíço com a tática bem mais agressiva. Mesmo falhando em alguns voleios, colocou pressão no backhand do adversário e manteve um padrão notável de saque: 66% de acerto, 88% vencidos com média de 215 km/h.

O suíço talvez tenha exagerado no slice defensivo, demorou a criar coragem para bater mais o backhand, mas sua falha crucial foi outra vez o rendimento instável do primeiro saque, o que custou a quebra no final do primeiro set. Não poderia jamais ter desperdiçado a vantagem que construiu no começo da outra série.

É preciso elogiar mais uma vez a frieza de Zverev, que vem se comportando muito bem neste Finals depois da derrota de estreia. O alemão nunca se apavorou, reduziu muito a choradeira, esqueceu a admiração pelo amigo e teve notável postura na entrevista em quadra, ao pedir desculpas ao público pelo lance confuso no tiebreak quando recebia desmerecidas vaias.

Compreensível que a torcida não tenha entendido por que Sascha parou o ponto e o próprio Federer ficou a princípio surpreso, porque afinal a bola que escapou da mão do boleiro estava às costas do suíço. Carlos Bernardes agitou corretamente e mandou voltar o ponto – em que Federer dominava, daí a bronca do público – e talvez a falha do árbitro brasileiro tenha sido não explicar claramente o motivo do ‘let’.

Impossível dizer se esse lance de má sorte teria mudado o destino do tiebreak para Federer, mas provavelmente ele irá sonhar muito mais com o incrível voleio que errou, grudado à rede e com Zverev batido, que abriu 4-6. O fato é que Federer não fez um torneio brilhante, ainda que tenha reagido à estreia fraca. Perdeu o quarto tiebreak consecutivo, outro espelho de seu saque irregular e da falta de confiança na hora do aperto.

Depois das duas surras recentes sobre Zverev, é óbvio que Djokovic entrará em quadra como favorito absoluto. Tenta reconquistar o troféu que ergueu pela última vez em 2015. O alemão tem sacado muito bem, mostra-se mais agressivo e é experiente para seus parcos 21 anos. Tomara Ivan Lendl consiga colocar na cabeça do pupilo o espírito de ‘nada a perder’, e assim tenhamos uma final animada.

Djokovic e Federer ensaiam a esperada final
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2018 às 21:04

O melhor tênis de Novak Djokovic reapareceu na hora exata. Numa apresentação bem perto do impecável, o número 1 do mundo manteve a invencibilidade no Finals e reafirmou o favoritismo para o título ao superar um Marin Cilic bem disposto e com nada a perder na última partida da fase classificatória do torneio.

Nole só não devolveu mesmo quando foi impossível antecipar o bombástico saque de Cilic, que escapou de um break-point no set inicial e permitiu uma única vantagem ao adversário no finalzinho do tiebreak. Sólido na base, ofensivo com suas bolas profundas e com a excepcional qualidade para criar ângulos, Djokovic também sacou muito bem e fez um segundo set primoroso.

Virá então o reencontro com Kevin Anderson na semifinal e, em que pese o sul-africano viver um grande momento na carreira, deverá influenciar muito o amargo placar de 7 a 1 em favor de Djokovic, que só perdeu em março de 2008. Dez anos depois, eles se cruzaram na final de Wimbledon e nas quartas de Xangai, e Anderson nem tirou sets.

Claro que Djokovic não irá substimá-lo. É muito provável que utilize a mesma postura tática que adotou contra Cilic, ou seja, fazer a bola voltar, investir no backhand menos confiável e só ir para o forehand quando o grandão estiver em movimento. A Anderson só cabe atacar o tempo todo, principalmente com o saque. Terá de correr riscos se quiser equilibrar, e isso inclui necessariamente transição mais constante para a rede.

Minha aposta: Djokovic em 2 sets, com um tiebreak.

Amigos, amigos, negócios à parte
Apesar dos 16 anos que os separam, Federer e Zverev já se cruzaram oficialmente cinco vezes e o suíço tem apertados 3 a 2  – houve outra na Copa Hopman, um jogaço aliás, que o alemão venceu. No problemático ano de 2016, Federer ganhou em Roma e perdeu em Halle. Em sua grande fase de 2017, suíço levou em Halle e no Finals, mas caiu em Toronto.

Zverev tem um excepcional backhand e saca muito bem, abrindo alguns buracos quando precisa defender com o forehand e se compromete principalmente nas bolas baixas e mais curtas. Provavelmente, serão as duas coisas em que Federer irá investir, ainda mais na quadra mais lenta.

Sascha nunca escondeu sua grande admiração por Roger, dentro e fora das quadras, mas sobrou algum incômodo hoje, quando ele rebateu declaração do suíço, que o criticou indiretamente pela queixa excessiva e redundante do calendário.

Pouco antes, Zverev fez seu melhor jogo da semana diante de John Isner, com destaque não apenas para sua boa devolução e oportunos contragolpes, mas principalmente por ter lidado muito bem com a pressão da vitória, única forma de garantir a inédita semifinal. Muito bom ter um representação da nova geração na fase decisiva do Finals.

Minha aposta: Federer em 3 sets, com até dois tiebreaks.

Bruno tenta final inédita
Únicos invictos nas duplas, o mineiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray terão que passar pela parceria norte-americana de Mike Bryan e Jack Sock, atuais campeões de Wimbledon e do US Open, se quiserem enfim disputar a primeira decisão na arena O2. É a quarta tentativa do mineiro.

Soares e Murray fizeram uma fase classificatória de alta qualidade e confiança. O trabalho de rede muito firme e algumas devoluções excelentes do brasileiro. Tomara mesmo que Sock jogue no nível desta sexta-feira, em que foi muito irregular e por vezes displicente.

A outra semi reúne os franceses Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, outros campeões de Slam na temporada, contra os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, dupla muito bem introsada mas que continua à procura de seu primeiro grande título no circuito (até aqui, só venceram um Masters, em Roma deste ano).

Minha torcida: vitórias de Soares/Murray e de Cabal/Farah.

Federer dá outro passo à frente
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2018 às 20:42

Roger Federer saiu da quadra após a derrota na estreia do ATP Finals dizendo que precisava descansar a cabeça. Cancelou até treinos para ficar com a família e relaxar. Deu certo. Jogou mais animado contra o instável Dominic Thiem e viu Kei Nishikori perder o rumo, fazendo duas partidas abaixo da crítica. A sorte virou totalmente para seu lado.

Ainda que não tenha encontrado ainda seu melhor jogo, Federer deu outro passo para a frente na partida sobre Kevin Anderson. O duelo previa um sul-africano bem solto em quadra, com semifinal inédita garantida, e um suíço pressionado por games e sets, já que somente a vitória poderia evitar um encontro precoce com Novak Djokovic no sábado.

E o que se viu foi o oposto. Federer flutuando em quadra, mexendo-se muito bem, sem pressa na construção dos pontos e muito aplicado na parte tática. Enquanto Anderson atacava seu backhand, usava o venenoso slice para incomodar o grandão de 2,06m, a arma aliás com que sempre Federer dominou Anderson, incluindo os dois primeiros sets antes da incrível virada sofrida em Wimbledon.

Alguns pontos da estatística mostram que a cabeça de Federer estava no lugar. Devolveu 81% do poderoso saque de Anderson, ainda que o sul-africano tenha errado 45% do primeiro serviço. Esse volume forçou o adversário a jogar o tempo todo. Com o serviço, Federer ainda não teve um índice satisfatório, ficando nos 58% de primeiro saque e sofrendo uma quebra boba e com bolas novas, mas ele venceu 79% desses lances. Anotou apenas três aces porque foi muito esperto: procurou forçar menos e esperar uma bola mais propícia. Em 16 participações no Finals, em três sedes diferentes, Roger fez semi em 15, com exceção de 2008. Marca tão impressionante como suas 43 semis de Grand Slam.

O cruzamento com Djokovic não está ainda totalmente descartado, já que o sérvio pode perder o primeiro lugar do grupo caso John Isner vença Alexander Zverev às 12h e depois Marin Cilic derrote o sérvio, às 18h. São dois resultados menos prováveis, mas o alemão não está nada confiável, reclamando o tempo todo de cansaço, e Djoko afirmou ainda estar sentindo febre e alguma dificuldade para respirar.

Isso deixa expectativa para a rodada desta sexta-feira. Claro que, se Zverev mantiver seu histórico de 4 a 1 sobre Isner, o jogo da noite será uma mera exibição e Djokovic é bem capaz de se poupar. No entanto, se Isner repetir o título de Miami em cima de Zverev – também um piso sintético lento -, então a coisa esquenta. Vale lembrar que o norte-americano também tem chance de ir à semi desde que vença em dois sets e Djokovic elimine o croata por qualquer placar.