O que esperar do Finals
Por José Nilton Dalcim
11 de novembro de 2017 às 12:45

Como tem acontecido nos últimos anos, o Finals de Londres começa neste domingo com uma programação muito bem cuidada para dar tempo de descanso e recuperação aos oito integrantes, que jogam em dias alternados. Essa nova fórmula, que foi aperfeiçoada depois de tanta reclamação, parece ainda mais valiosa agora quando os dois grandes nomes deste ano, Rafael Nadal e Roger Federer, necessitam de pausas para executar seu melhor tênis.

Historicamente, o Finals, que na maior parte do tempo se chamava Masters, surgiu antes mesmo da ATP, ainda em 1970. Portanto, é um dos eventos mais tradicionais da Era Profissional. Vamos a uma rápida análise dos participantes e das chances.

O Grupo Pete Sampras
Nadal fez uma temporada excepcional e em muitos aspectos, inesperada. Poderia ter vencido o Australian Open e se manteve no piso sintético com bons resultados. Quando reencontrou o saibro, seu jogo aflorou de vez e, rumo a Paris, foi jogando cada vez melhor. A dúvida sobre o espanhol sempre reside no seu segundo semestre, e aí ele fez um calendário consciente e aproveitou a oportunidade para conquistar outra vez o US Open. O esforço de atuar tanto na quadra dura começou a cobrar o preço em Xangai e por isso chega a Londres sob suspeitas.

Em condições normais, seria amplo favorito para ganhar o grupo Pete Sampras sem sustos. Grigor Dimitrov finalmente fez uma temporada digna de sua qualidade, mas ainda sofre certa limitação sobre quadras menos velozes. De qualquer forma, ganhou seu maior troféu em Cincinnati, fez semi na Austrália e Xangai, oitavas em Wimbledon.

A Dominic Thiem continua faltando consistência. Começou muito bem o ano e usou sabiamente o saibro para arrancar: mais de 70% dos pontos que somou em 2017 foram sobre a terra. Teve no entanto algumas atuações sofríveis e perdeu jogos bobos. Ganhou só duas partidas desde as oitavas no US Open, o que é incompatível para quem está no top 4 do ranking.

Mesmo tendo uma parada forçada por contusão, David Goffin ganhou muito mais jogos em 2017 do que Dimitrov e Thiem: foram 54 em 76 possíveis. Jogador típico de saibro, fez inesperadas quartas na quadra veloz da Austrália e ganhou o 500 de Tóquio. Talvez seu ano fosse muito melhor caso aproveitasse aquele grande momento em Monte Carlo, em que se perdeu durante a semi após um erro do juiz, o que pode ter afetado o restante de sua temporada no saibro.

O Grupo Boris Becker
Federer entra como favorito ao sétimo título no Finals e o primeiro em Londres desde 2011. Apesar de não ser exatamente o piso ideal, o suíço sempre se adaptou bem à arena O2, onde fez atuações memoráveis. Após seis meses de preocupante estaleiro, mostra desde a Austrália o melhor tênis de sua carreira em termos táticos e técnicos. Com justiça, foi eleito como o ‘retorno do ano’.

Ganhar o Finals seria o complemento mais que perfeito para 2017, mas seu grupo tem jogadores que também gostam muito da quadra dura. Marin Cilic teve sua mais compacta temporada, com vice em Wimbledon e Queens, quartas em Roland Garros e Roma, semi em Xangai. Ou seja, mostrou um tênis versátil para diferentes situações, o que reflete maturidade. Ainda gostaria de vê-lo ir mais à rede atrás do poderoso saque usando suas pernas compridas e enorme envergadura.

Alexander Zverev é o grande nome da nova geração, deixando Nick Kyrgios para trás. Ganhou dois Masters em situações distintas, porém faltaram atuações compatíveis nos Grand Slam. Tal qual Thiem, perdeu embalo na reta final da temporada e voltou a permitir que a frustração abalasse seu bom arsenal. Precisa urgentemente trabalhar jogo de pernas e se mexer melhor para a frente, já que todos os adversários já perceberam que isso o machuca muito.

Participante de última hora, Jack Sock é incógnita. Tecnicamente, é o mais fraco dos participantes e sai de jogo de forma muito constante. Fez temporada de intensos altos e baixos. Se jogar solto, num piso mais lento que permite fugir do backhand e disparar seu poderoso forehand, pode dar trabalho e brigar por vaga na semifinal.

Minha aposta
Nadal e Dimitrov saem para a semifinal, provavelmente nessa ordem, e Federer e Zverev avançam na outra chave.


Comentários
  1. VALDIR BITTENCOURT JUNIOR

    Dalcim, Federer falou que a quadra ta mais rapida que outros anos, e Cilic falou que ta mais lenta que Paris.
    As duas coisas podem ser verdade, entretanto..rs

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    1. José Nilton Dalcim

      Não, não acho que as duas coisas possam ser verdades, porque se jogam indoor, sem interferência do clima. Portanto, alguém está enganado rsrs

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  2. Renato

    Dalcim. Se Miami, Paris e Londres estão entre as quadras sintéticas mais lentas do circuito, por que vc acha que Nadal nunca venceu? Curioso, não?

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  3. Renato

    Dalcim. Uma coisa que eu percebi, mas não sei se vc concorda: Na quadra em Londres, apesar de lenta, a bola quica mas não sobe tanto assim. Em Paris, a bola sobe muito mais, por exemplo.

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  4. Laiane

    Só pude ver highlights do jogo do Roger, ano após ano a quadra do Finals só lentidão. No meu ponto de vista só existem 3 quadras rápidas no circuito dos grandes eventos, são elas Ausopen deste ano, Cincinnati e Shanghai.

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  5. Rodrigo S. Cruz

    Dalcim,

    Vendo o jogo do Federer, eu achei a quadra do Arena O2 bem lenta.

    A quadra de Paris era ainda mais lenta do que esta?

    PS> Pessanha, inexplicavelmente, o teu e-mail (do yahoo) e teu nome, vieram parar aqui, quando eu me preparava para escrever este post.

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    1. Rafael

      Sobre o tema, Rodrigo, outro dia eu estava me preparando para postar alguma besteira e vi dois posts do – Luis Fabriciano – aguardando moderação, como se fossem meus.

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  6. Luis

    Dalcim boa estreia do Federer saque funcionando como disse Narck ,suíço tá solto parece recuperado das costas,se manter tem muita chance vencer o Finals ,pena não ter chances de número 1,o que achou?

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  7. Renato

    Ano que vem, com as voltas de Murray, Raonic, Nishikori, Wawrinka e Novak, além da ascensão de Shapovalov, Thiem (no saibro), Zverev e Kyrgios, mais Dimitrov e Cilic somados a Federer e Nadal, tudo indica que teremos um dos melhores anos de todos os tempos no esporte.

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  8. Marcelo Reis

    Federer venceu apertado hoje e não gostei de sua atuação, apesar de o Sock ter dificultado de forma real em alguns momentos. Pode ser que ainda esteja aquecendo, mas como disse em posts anteriores, ele não vai levar esse caneco fácil para casa. Isso se levar, pois as condições lentas favorecem Nadal e mais uns 2 players.

    Próxima sessão! 🙂

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  9. Luis Henrique

    Dalcim, boa tarde.

    As vezes comento no tenisbrasil, e sempre respeito os demais participantes(quando me ofendem, eu retruco) e, principalmente, os tenistas. Venho sendo ofendido por um tal de Claudio dos Santos Pereira. Fui chamado de babaca, otário, zero a esquerda e etc. Gostaria de saber se você poderia tomar alguma providência ou eu tenho que broquea-lo?

    Obrigado.

    Abraço

    http://tenisbrasil.uol.com.br/noticias/54335/Federer-Seria-um-duro-golpe-se-Nadal-nao-jogasse/

    Aqui está um link. em vários outros fui ofendido.

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  10. Renato

    A quadra está quase a mesma coisa que Paris. Ajuda o suíço contra Cilic ou Zverev, mas prejudica contra o jogo covarde do siri passador de bolas. Mas foi nessas condições que Roger humilhou o espanhol em menos de uma hora de jogo anos atrás.

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  11. Sônia

    Dalcim, haja “piti” desse russinho, socorro, meus sais. Fico imaginando o que o técnico deve ouvir, péssimo exemplo, ainda bem que o “ídolo” dele não é o Federer. A carinha dele na entrega do troféu… impagável rsrsrs. Beijos.

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  12. Daniel Freitas

    Meu palpite: Dimitrov-Nadal se classificam, nessa ordem, Federer-Cilic no outro grupo, também nessa ordem, com um triplo empate 2-1,2-1,2-1. Dimitrov-Cilic, Fedal nas semi. Cilic-Federer na final, com vitória do Suíço.

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  13. Pieter

    Notícia maravilhosa e muito auspiciosa para o combalido tênis brasileiro neste início de domingo: o valente paranaense Thiago Wild, de 17 anos, sagrou-se campeão em simples e duplas de um future na Turquia, derrotando jogadores bem mais experientes e muito melhor ranqueados que ele. Parabéns merecidos. É ou não é para comemorar este feito?

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  14. Ulisses Gutierrez

    Dalcim,

    vc já tem alguma informação ou notícia que a quadra do finals esse ano esteja mais rápida? Pergunto, pois vi uma entrevista do Cilic apontando que a quadra esse ano estava um pouco mais rápida que nos anos anteriores. Tem algum dado sobre isso?

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  15. Sérgio Cipriani

    Goffin mesmo sendo originário do saibro, há tempos vem jogando muito bem no sintético… Sempre com excelentes resultados… Vou de Rafa e Goffin, Federer e Cilic… Rafa e Federer… Rafa campeão.

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    1. Rodrigo S. Cruz

      Rafa campeão?

      Deixa só eu relembrar algumas dificuldades pra você:

      1) O Nadal vem de 5 derrotas consecutivas pro craque suíço, 4 delas, só em 2017.

      2) O Federer tem 6 títulos de Finals, se sente muito bem na arena O2, e o nadal nunca ganhou.

      3) O Nadal não está 100% recuperado do joelho.

      Vamos usar o bom senso. Eu sei que fãs do Djoko, em geral, não gostam do Federer, e vice-versa.

      Mas, isso não é uma questão de gosto, e sim de lógica…

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  16. JANAINA M. DIAS

    Esperando ansiosa o Finals. FEDERER tem uma chave dura pela frente, especialmente contra Cilic..

    Assisti 20 minutos de highlights da partida de MURRAY x FEDERER (07/11/17), e dá pra ver claramente que o quadril do escocês continua fazendo ele sofrer: expressão de incômodo e muita dificuldade pra se mexer na quadra. Uma pena..

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  17. José Eduardo Pessanha

    Vou responder ao meu conterrâneo Sérgio Ribeiro, que contestou a opinião do Rafael sobre Monica Seles no último post. Na minha modestíssima opinião, caso não tivesse ocorrido o atentado, Seles teria sido muito mais jogadora do que Graf foi. A sérvia já estava nadando de braçadas no circuito feminino quando aquele infeliz a atacou pelas costas. Saca só o domínio da Seles:

    1991 – Seles, com 17 anos, diga-se de passagem, ganhou 3 Slams – Australian Open, Roland Garros e US Open
    1992 – Seles, com 18 anos, é bom frisar, ganhou 3 Slams – Australian Open, Roland Garros e US Open
    1993 – Seles novamente campeã do Australian Open, com recém completados 19 anos

    O atentado sofrido por ela, em 30 de abril de 1993, interrompeu esse verdadeiro massacre (7 Slams conquistados em 9 possíveis). Graf, que nada teve a ver com isso, aproveitou a deixa e ganhou mais 11 Slams. Agora dizer que a Seles era freguesa da Graf, não dá. Os números acima provam a verdade.
    Grande abraço e salve Monica Seles, o maior fenômeno da história do Tênis. Contra fatos não há argumentos.

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    1. Mário Fagundes

      Também acredito que Seles poderia ter sido maior e melhor que Graff. Foram quase 3 anos de domínio incontestável no circuito. O tênis perdeu muito com aquele atentado. Uma pena.

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  18. Maurício Luís *

    Se o próprio Nadal reconhece que o joelho não está 100%, e partindo do pressuposto de que ele esteja falando a verdade (não me peçam para por a mão no fogo), não vejo como ele nem mesmo chegar à semifinal num torneio com os 8 melhores do mundo.
    Não sou fã de previsões, mas pela lógica, ele será ‘entubado’ já logo na primeira fase. Nem mesmo no Federer eu apostaria todas as fichas. Porque o grupo dele é o mais forte dos dois.

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    1. Sérgio Cipriani

      Contando o Jack Bônus e o Alexander esqueceu de jogar faz tempo Zverev, mais cone que o Fred na época da seleção?! Um grupo que já começa só com dois adversários nunca será o mais forte…

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  19. Renato

    Acho que temos boas chances de Federer repetir aquele humilhante 6/0, 6/3 que o suíço impôs ao espanhol sê os dois forem para as finais. Estou torcendo muito por uma final entre os dois.

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  20. Lucas

    Rafael. Nadal nunca venceu como tenista preferido em votação da atp pela Internet. Você deve estar lendo notícias erradas aqui? Creio que não. Sugiro um óculos.

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      1. Jefe

        Verdade, Nadal nunca ganhou essa. O jogo dele não é legal de ver, na verdade, se comparado a outros. Claro que ele é foda pois consegue vencer, mas não é um bom jogo.
        Já o jogo do Federer é um espetáculo!!

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        1. O LÓGICO

          Nem na Laje o robozinho cambalacheiro agrada kkkkkkkkk, a não ser para aqueles que preferem escutar Lailtinho Brega ao invés de Brad kkkkkkk O robozinho cagou a Felipe CHATAtrier kkkkkkk. Só faltou assar churrasquinho na laje kkkkkkkkkkkkkkkk

          Responder
    1. Rafael

      Olá, Lucas

      Vide post na pasta anterior.

      Não se preocupe, está desculpado.

      (Note to self: incluir o Lucas na lista dos que tentaram por palavras na minha boca)

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  21. Sergio Ribeiro

    O comentário de hoje novamente sobre os joelhos feitos por Rafa Nadal , chega a ser surreal. Ele quer que os Oponentes alonguem as trocas ao máximo. Goffin além da performance citada nas duras no Post , venceu também na China antes do Japão. E incrivelmente tem um percentual de Vitórias maior no AOPEN , do que em Rolanga ( fez quartas nos dois ). O Espanhol vai precisar elevar o nível de Paris , para sair Invicto. Mas vou junto com a previsão do Dalcim. Rafa e Dimi , Roger e Alexander. No famoso h2h : Goffin 7 x 3 Thiem, e Zverev 3 x 1 Cilic . Abs!

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  22. Mario Cesar Rodrigues

    Caro Dalcim,excelente o post,o Belga é perigoso,ele como poucos conseguem mudar a direçao tanto de Back como de forenhand com altos indices de acerto.bem quanto ao resto que mencionou não consigo ver o Rafa na final ainda tudo vai depender mas tenho uma esperança que pode chegar lá.e se for contra o Federer se os dois chegarem essa Federer não leva e não pense que Rafa vai mudar e vai jogar na esquerda para o federer pegar na subida a quadra está mais lenta,e Rafa vai aprofundar isto acontecendo federer vai espirrar o taco e vai depender muito do saque.Mas Rafa se for a final este ano contra Federer Rafa será favorito e ganhará!fora as paralelas na segunda ou terceira bola vamos aguardar!

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  23. Pieter

    Não entendo o porquê deste piso lento no Finals.
    Em uma quadra coberta, com os melhores do mundo encerrando a temporada, uma quadra menos lenta proporcionaria mais espetáculo.

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  24. Rui Viotti Filho

    Ainda não vi nenhum comentário sobre as condições de jogo em Londres. Com Murray fora da disputa, talvez os organizadores tenham optado por uma quadra um pouco mais veloz, algo que em edições anteriores favoreceria Federer diante do escocês.

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